Desembarque dos Céus



Tem um lugar que recomendo em Brasília. Um lugarzinho que chamo de meu e que arejo meu coração quando ali me encontro. Pode parecer estranho, mas é o saguão de desembarque doméstico do Aeroporto de Brasília, Portão 1-4.
Ali, perto do acesso ao banheiro tem umas 3 fileiras de poltronas. Quando vou esperar alguém, pego uma delas e delicio-me com as cenas das chegadas.
São abraços corridos, apertados, chorados, sorridos. São olhares ansiosos no telão, telefonemas curtos. São expressões de alívio ao verem inscritos ao lado do voo “avião no pátio”. Ou de preocupação, ao lerem “delay”.
São incontidas manifestações de presença, ao ver os amigos descendo a esteira rolante, acenos, faixas, flashes, assobios, cachorro nas mãos que balançam rabo, flores... uma festa.
A festa do encontro.
Alguns tentam convencer o guardinha a entrarem e antecipar os abraços, antes dos seus receberem as bagagens. Outros, saem da área da bagagens para abraçar os seus, e depois querem voltar causando aborrecimentos para o guardinha que não quer permitir mais.
Procuro pegar uma cadeira estratégica, nem sempre consigo, e vou mudando de lugar até conseguir. A partir daí delicio-me com a overdose de afeto que vou presenciar.
Lógico que tem os tipo-executivo que descem sós, apressados e não há ninguém a esperá-los, quando muito um ser-robô com uma plaqueta de um transfer qualquer.
Mesmo estes, tem no rosto uma expressão diferente. Um misto de alívio, júbilo e paz.
Acho que esta expressão diferente é comum em desembarques de aeroportos. Voar é um sonho mitológico do ser humano, ainda não nos cansamos de ver aviões pousando e decolando, tal o mistério e beleza de toneladas de aço batendo asas.
Quem chega a algum lugar vindo de avião sente-se um sobrevivente. No mínimo da estatística de acidentes da espécie que dizimam populações inteiras de voos, a exemplos dos últimos acontecidos no Brasil com a GOL e a TAM.
Sobrevivente por que, mesmo sendo decantando como o transporte mais seguro, nos nossos temores e razão mais profundos sabemos que se tiver que consertar algo de grave lá por cima, a oficina mais próxima nem sempre estará por perto. No mar, jogam-se botes. Na terra, pede-se carona. No trem, faz-se baldeação.
Lá por cima, ai Jesus!!!
Fico sentado ali feito um voyeur-de-desembarque-de-aeroporto pensando nisto e encasquetei.
Pela expressão de quem recebe saco quem chegará. Aquela moçoila com flores, espera o amado. Aquela senhora com bichjos de pelúcia, espera o neto. Aquele distinto senho engravatado, espera sua mãe.
Aquele que chora, espera alguém que veio por conta de uma trágica notícia.
Aquele com faixas e camisas ornamentadas, esperam seus heróis.
Aquele que não cansa de olhar no relógio, telefonar, ir várias vezes no telão, sentar, leantar, espera seus filhos.
De tanto olhá-los aprendi o porque dos abraços serem especiais, abraços de salas de desembarque de aeroportos.
Mais do que os de rodoviárias, estações de trem ou portos.
São abraços aos “quase-mortos”. Dos que chegaram dos céus, desta maravilha tecnológica que é voar.

Sento-me ali e testemunho a beleza que somos em nossas várias formas de expressar o amor.
Benditos abraços de plataforma de desembarque de aeroporto, que nos lembram que sempre haverá alguém a esperar por nós, em um canto qualquer do planeta com um longo abraço a nos dizer o quanto somos esperados e especiais.

Somos jardineiros de relações, cultivadores de pessoas em nosso coração, e visitá-las, chegando pelo ares, sempre produzirá uma grande expressão de alívio e manifestações de carinho, no encontro de seres que se amam e que, lá no fundo do coração, temiam virem a se perder por uma fatalidade qualquer.

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Desejo uma boa leitura!

CARPE-DIEM








Gosto de cozinhar. Acho uma grande terapia. É prazeiroso fazer comida para uma pessoa querida. Já fiz meu frango na cerveja para pessoas lindas. É um prato simples, fácil de fazer e especial. Mas, não é de culinária que este artigo quer falar. Vou falar do "Bife a Cavalo".

- Puxa, você diz que não é de culinária e sai com este bife!
- Calma que já explico...

Para fazer este prato necessitamos de ovos cozidos e de carne. Ao servi-lo, fazemos uma rodela no interior do bife na qual inserimos pedaços de ovos cozidos e fica uma delícia!

Pois bem, quem se comprometeu e quem se envolveu na relação: o bife ou o ovo?

Uma pergunta um pouco estranha, não é?

O ovo de galinha, como o nome diz, é produzido pela galinha. Se tudo correr bem com dona galinha, ela todo mês produzirá alguns ovos. Num tirual milenar. O bife pode ser produzido da carne bovina, entre outras.

Já dá para perceber a diferença entre comprometer-se e envolver-se?

A galinha, envolveu-se na produção do "Bife a Cavalo". Ela doou algo seu que no outro dia lhe seria reposto, o ovo.

O Boi, ou a vaca , ou algo do gênero de cuja carne pode ser fazer um bife, comprometeu-se. Tirou uma parte de si mesmo que não lhe será reposta.

Ninguém nunca ouviu falar de um boi, pastando, sem um pedaço de seu filé, não é!

O boi comprometeu-se. Doou parte de si mesmo.

Acho que este prato tem muito a nos ensinar. Quantas vezes apenas nos envolvemos com a vida. Somos balançados ao sabor dos ventos e das marés. Criamos uma consciência de onipotência, e, para nós, os dias podem ser vividos sem a mínima graça, pois outros virão, tal como a postura da galinha, se lembra!

Outros de nós, aprenderam a comprometer-se com a vida. E comprometer-se com a vida é vivê-la em sua expressão máxima. A expressão da solidariedade. Do carp-diem, do viva hoje e bem. Damos algo de nós mesmos para que outros possam ser felizes. É mais que um simples verniz. É uma "metanóia" ou seja uma mudança profunda .

Comprometer-se é vibrar, acreditar nas infinitas possibilidades de que dispomos.
Comprometer-se é ser capaz de impregnar-se com uma causa, com uma pessoa ou com um trabalho.
Comprometer-se é agir como de nossa força e luta dependesse o grupo para o alcance da vitória.

É uma pena que muitos não chegam a essência deste comprometer-se. Vão ficando temerosos, frios e calculistas. Suas relações vão revestindo-se de racionalidade e em nada mais mergulham com a alma. Aprendem apenas, e quando muito, a envolver-se com algo, em cenas repetidas e sem energia tais como:.

- E a garota com quem namoras? Vou ficando...
- E a Igreja que freqüentas? Boazinha...
- E como vai no trabalho? Sobrevivendo...
- Tem ajudado alguém? Às vezes...

E assim, vamos banalizando todas nossas participações, neste grande teatro da vida, tornado nossa atuação descartável. Apenas nos envolvendo. Somos atores coadjuvantes, quando apenas envolvidos.

Até quando? Até quando não aprenderemos a dar, de nós mesmos. A tirar do que nos falta. Basta de envolvimentos superficiais e supérfluos. A vida é bem mais grandiosa quando na mínimas coisas aprendermos a nos comprometer.

Precisamos deixar nossa marca pessoal, nesta irrevogável, inalienável e inesgotável missão-nossa-de-cada dia. Afinal, esta é a nossa obra. Portanto, viva o dia! (carpe-diem)