Mãos que Semeiam!

Mãos e sementes. Assim quero permanecer na minha jornada do ser.
Mãos que mesmo calejadas, com cicatrizes, sofridas, ainda portam sementes.
Sementes de um verbo de ação chamado amar.
E amar é um tanto arriscoso. Quem ama se expõe, faz bes
teiras, emociona-se, recomeça, recomeça novamente. Perdoa, perdoa um bocado de vezes.
Quem ama sofre, ri, sente, sonha, irradia o mundo com sua luz.
Quem ama semeia, sem pensar se a terra está preparada.
Semeia por não saber fazer diferente.
Semeia até na poeira do chão caatingueiro, esperando que a chuva chegue nos dias vindouros, apostando em sinais sutis, que só ele vê. E que a natureza lhe será generosa com a chuva que irromperá no horizonte em fogo áureo.
Lançe suas sementes nesta terra cansada de tanta aridez.
Pois, é de esperança de que se constituí as sementes dos seres que amam.
Mãos calejadas, proféticas, que eternizam encontros.
Como é bom ser tocado por estas mãos.

Minha História



Tive algumas vivências que marcaram-me como pessoa:

Fome de descobrir. Meus pais estimulavam muito nossa leitura. Não faltaram bons livros à nossa mesa, mesmo remediados como eram. Eles compravam daqueles vendedores de porta-em-porta e dividiam em parcelas a perder de vista. Boas enciclopédias, livros e manuais estavam ao nosso alcance. Lembro sempre do que ouvia: "Somos pobres, e a única riqueza que podemos deixar para vocês é o acesso ao conhecimento, aos estudos, esta ninguém tirará de vocês." Devorava as obras de Monteiro Lobato e fazia muitos experimentos da coleção Cientistas. Aquilo despertou minha curiosidade em pesquisar, em observar e contar histórias. Na minha infância, morei em duas casa diferentes, em todas havia um quintal e nele fazia meus brinquedos: carro de latas, pipas, bonecos de pano. Nossa casa era ponto de encontro. Mamãe dizia que era melhor que as crianças brincassem em nosso lar, do que na rua. Não faltava um refresco do tipo k-suco pra todos. Fazíamos memoráveis campeonato de xadrez ou damas. Aquilo virou febre na rua, toda criança queria jogar xadrez. Fomos influenciado por Fernando, o mais adulto dentre nós, que jogava e muito bem. Meu primeiro grupo de afiliação, tirando o da escola, foi o da rua. Depois o dos atletas de natação do SESI. Treinei natação no Clube do Trabalhador no SESI, entrando aos cinco anos. Galguei todos os níveis da escola, permanecendo nela até os 17, muito me orgulha uma declaração que possuo habilitando-me pelo Sesi a ministrar curso de natação em suas dependências.

Um mundo a transformar. A partir de 1974 passei a militar fortemente na Igreja Católica, começando ajudando missa como coroinha, depois decidi que queria ser padre. Fazia parte de um grupos de 4 seminaristas-menores: Eu, Carlinhos, Assis e Cristovam, orientados por um Padre-Reitor. Nos nos finais de semana administravámos uma Comunidade Eclesial de Base, na periferia de Campina Grande-PB, na capela de São Sebastião. À exceção deste que vos escreve, os outros três colegas tornaram-se padres. Eu abandonei "a batina" aos '17 anos. Era tentação demais ao meu redor. rsrsr
No meio daquele povo pobre, tive outra influência marcante em meu viver, o acesso às obras da Vaticano II, Puebla e da Teologia da Libertação, devorando autores tais como: Leonardo Boff, Frei Betto e Dom Pedro Casaldáliga. A participação na pastoral da juventude foi marcante naquele período. Era engajado com os grupos jovens, grupos de crisma e o Encontro de Jovens com Cristo. Outra vivência marcante naquela década foi a criação de um grupo que dava assistência a pessoas que vivivem e convivem com o vírus da AIDS. O nome do grupo é GAV - Grupo de Apoio à Vida, que nos seus tempos aúreos congrevava uns 30 militantes, das mais variadas áreas do conhecimentos, todos prestando serviços de forma voluntária. Todas as sexta o grupo reunia-se para avaliar a caminhada e planejar as próximas ações. Foi uma vivência riquíssima, que marcou meu viver.
Fui um de seus três fundadores, e presidente por duas gestões, de 1994 à 1997. Naquela década, uma outra coisa que me recordo e me marcou foi a participação ativa nos encontros de juventude da Igreja Católica e Pastoral da Juventude. Após decidir não fazer mais Teologia em Recife, por influência de meu padre-orientador, que me achava muito novo, passei no vestibular para eng. Civil, aos 17 anos, e logo em seguida abandonei a vocação do sacerdócio. Entrei no curso de Eng Civil em 1982. Era um zumbi na UFPB, mesmo assim consegui pagar as disciplinas fundamentais dos primeiros anos, até hoje não sei como, e não colei. Vivia em crise existencial. Paralelamente dava aulas de religião no Colégio Imaculada Conceição - DAMAS, e adorava.

Virei adulto, no susto.
Em 1984 descobri que minha namorada engravidara, eu tinha 20 anos. Foi de uma gravidez não planejada, e como chamamos no nordeste, feita nas "coxas". Foi um choque. Um turbilhão. A vida rodou em minutos Da data da descoberta da gravidez, 26/12/1984, ao casamento foram menos de 10 dias, casei em 0501/1985. Meus pais usaram, suas parcas economias para montarem uma casa e comprarem o enxoval. Para melhorar a renda, fui trabalhar num banco, o Banco Nacional do Norte - Banorte, era compensador e fazia a jornada das 17:00 às 01:00.  Em 1986 passei no concurso do BB e tomei posse na agência Poções-BA.

Estudar é preciso. Voltei a estudar, após dez anos parado. Entrei no curso de Psicologia ali movido por mais um desafio. Fui convidado numa reunião da pastoral da juventude para ensinar dinâmicas de grupo que eu tinha criado. Durante a reunião de compartilhametno uma senhoera da igreja pediu a palavra e disse que aquelas dinâmicas seriam melhor conduzidas pro quem tivesse formação de psicologia, como ela. De pronto, ensinei-lhe como eram e ela ficou de aplicá-las em evento próximo. ao sair da reunião, com uma potna de chateação, decidi que faria psicologia. Abadonara os estudos superiores em 1985, ao casar, e desde então estava parado, só com o 2. grau. Inscrevi-me no vestibular de psicologia e passei. Ao me matricular vejo que aquela senhora era a coordeandora do curso, ainda bem que não briguei com ela. Neste período, me divorciei, e encontrei um novo amor, vivido com toda sua loucura e dimensões. Foi um amor a distancia, ela morando em Londrina-PA e eu em Campina Grande, estávamos a 3.200, km de distância. Namoramos a distancia por 4 anos. Desse novo amor, a Cristina, nasceu o meu 4 filho e com ela e ele estou até hoje.

Migrar e recomeçar.  Em 1999 vim para Brasília. No começo não foi nada fácil. Crise de adaptação e financeira. Pouco a pouco fui refazendo meu viver. Em 2003, fiz uma especialização em gestão de pessoas, na USP, pesquisando o tema motivação. Em 2007, fiz um mestrado em gestão social e trabalho, na UNB, pesquisando o tema Desenvolvimento Sustentável. Logo depois comecei a lecionar no ensino superior o que me dá muito prazer. A lição da primeira metade do resto de minha vida:
A roda grande passa por dentro da pequena, no giro da vida. Continue acreditando e fazendo a sua parte, um dias as coisas poderão ser melhores para você! Outro aprendizado: Deus age nas pequenas coisas, nos amigos, nas pessoas que ajudamos, na bênçãos que temos e não damos valor e só as vemos quando nos falta tudo.  Jesus Cristo sempre foi e será meu sustento e salvação, e ele esteve presente em cada dor, em cada alegria, em cada lágrima, em cada desespero, em cada dia de saúde, em cada dia de doença. Ele é amor. Portanto, ame de montão!

Vaso bom quebra, e pode colar!

Tenho tido um prazer enorme nos último dias. Desde que libertei um casal de agapornis de sua gaiola eles vieram fazer o ninho na varanda da sala TV. Contemplá-los, levando galho-a-galho pequenos ramos de um Salgueiro, plantado por mim no p
omar, é um deleite. Eles trazem os pequenos ramos para a calha do telhado da varanda. Construção de alto-risco, mas fazer o que? À tardinha eles descem da obra e vão comer na gaiola que deixei aberta, desde que os libertei. Todos os dias ponho comida ao chegar do trabalho, pelas 18:30hrs, e eles descem da calha para jantarem numa algazarra que dá gosto. Ontem os flagrei olhando o infinito, namorando, juntinhos, sobre um fio do poste em frente de casa. Depois, eles voltaram aqui para casa, para sua calha, num rasante mergulho no infinito. Fiquei pensando que não a tôa o nome deste aves vem do grego e significa um par de amor.
Para mim, esses pássaros falaram muito. Sabem dividir bons momentos, seja juntinhos olharem para o amanhã. Seja darem umas bicoradas, um namorinho dos bons. Seja voarem juntos, apoiando-se mutuamente. Sejam tocarem projetos a dois, como a construção do ninho.
Lembrei com pesar de dois relacionamentos que soube estarem em crise. Duas amigas queridas que sofrem. Sofrem pelos decepção com seus amados. Sofrem por não saberem qual decisão correta. Abandonar o ninho, ou tentar mais uma vez?
Como é difícil viver este roteiro numa relação, e tomar a decisão. Muita coisa acontece para a relação chegar a este ponto. Não há vencidos, nem vencedores, culpados, nem vítimas. Acho que em algum momento perdem-se um ao outro. Deixa-se de simplesmente gostarem de estarem juntos, olhando o horizonte, como este casal de agapornis. Aí, perde-se a vontade de encantar, de dá uns beijinhos para além do ato sexual. Aquela vontade de se fazer presença para o outro, de conquistá-lo com pequenos prazeres. Depois, cada um passa a voar para um lado. Perde-se em cumplicidade. Por fim, nada mais justifica uma construção a dois. Nem um projeto comum, à exceção da criação dos filhos.
Minhas amigas estão sofrendo. Elas amam seus amados. Embora estejam doídas, de luto com a traição descoberta. Minhas amigas vivem um pesadelo, um trauma.
Meus também amigos pisaram na bola, sabem disso, quebraram o vaso.
Pisaram no tomate. Deixaram-se conduzir pelo instinto e magoaram bastante suas parcerias. Alegam arrependimento, choram pelos cantos envergonhados. Alegam que as amam e coisa e tal. Mas parecem uma chaga viva da dor que portam, portadores que são da culpa e remorso. 
A sabedoria popular acorre logo com a solução: separa!
Ouve-se separa por todos os cantos, das amigas e amigos, de conhecidos distantes, de parentes. Até do cancioneiro popular com sua Amélia.
Parece que não resta uma solução que não purgar a dor com a ruptura.
Muita gente dando pitaco, contando suas próprias histórias. Muito papa-defunto rondando, torcendo pela desgraça do casal.
Justiceiros, família-clã, moralistas, legalistas, puritanos, contritos cristãos... Todos entram no coro, "Joga pedra no Geni". O Geni é o meliante, o safado. O que não se deve pronunciar o nome.
Poucos dão chance ao próprio casal que se entendam, ou que processem sua dor por si mesmos.
Quero subverter a ordem reinante e dizer que é possível recomeçar. Desde que o casal, após uma overdose de conversas e perdões remidos, e sob a égide do amor resistente, mesmo que combalido, ergam uma nova plataforma para seu viver.
Na qual os ensinamentos dos agapornis das fotos estejam presentes:

Olhar juntos o horizonte - cumplicidade
Namorar despretensiosamente - ternura
Voar juntos - viver aventuras
Construir ninho - investir em novos projetos juntos.

Por algum tempo será estranho. Mas, como a técnica japonesa do kintsugi ensina é possível colar vasos valiosos quebrados, com ouro fundido, ficando o resultado final mais precioso ainda.

Fica visível onde rachou. Os cortes ficam salientes.
Não tem jeito, ficarão cicatrizes.
Conviver com elas será uma arte. A confiança se acumulará novamente lentamente.
Mas, a estrutura da relação readquire sua forma.
Lança-se as bases para novos dias a dois, do tipo, só por hoje irei cativá-la, ou cativá-lo. Tal qual a filosofia dos AA.
Sua relação pode ficar até mais forte.
Mais verdadeira.
Ambos terão maior cuidado um com o outro, para não se perderem novamente.
E, você poderá voltar a constitui-se como pessoa, em sua auto-estima, em sua dignidade, dando uma chance para refazerem suas rotas, sua história.

Não por filhos. Mas por vocês mesmos.

Aliás, como bem disse Jesus na cena do apedrejamento de Maria Madalena (João 8,3-7) "Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!".

Agora, se o amor de fato acabou, para ambos, aí é outra história...

Não se canse de procurar!

Amor é procurar uma gata preta vira-lata.

Amor não mede raça, credo, classe social. Amor ama, pronto!
Amor acontece.
E, quando acontecer, agarre-o, curta-o, viva-o intensamente. 
Pois, mágica que é, eternizará sua história.

Viva à procura de sua gata preta vira-lata, do seu amor.
Seu amor que não se explica.
Que aos olhos do outros pode ser feio, marginal, vadio, sem raça definida.
Não importa, é a sua gata preta vira-lata, aquela que te faz feliz.
Imperfeita, sem pureza de raça definida, sem brilho para concursos, ainda assim, aos seus olhos é a sua amada.
Como seríamos felizes se ao se perderem de nosso afeto, de nossa relação, nosso parceiro, cônjuge, namorado, ficante, publicasse um cartaz como esse à nossa procura.

Como é bom se sentir procurado, desejado.

Eu adoraria estar no lugar desta gata. Uma ponta de inveja das boas senti.

Vez por outra me perco de meu afeto e ninguém me procura.

Acho que também não procuro de quem me perco também.

Esta faixa ensinou-me tanto neste dia.

Fiquei até com vontade de procurar a gata.

Perdi muitas gatas pretas vira-latas em meu viver, e não as procurei. 

Uma lástima!

Viver é perder. Mas, te a coragem de procurar o perdido, resgatá-lo, investir tempo e recursos para sair por aí afixando faixas é o que fará a diferença. 
Resgatar as perdas é uma arte. Uma atitude e escolha. 
Aliás, amar é um verbo de decisão. Amar é decisão.


Relações podem ser perder no caminho. Traições objetivas ou subjetivas, agressões, falta de companhia e diálogo, de carinho, tesão, ou até de interferências externas, coisas assim. 

Muita coisa contribui para afastá-lo de sua gata preta.

Porém, tenha coragem e a esperança desta pessoa do cartaz, não desista.
Lute por ela.
Quem sabe ainda será tempo!
Quem sabe alguém ela leia teu cartaz, escondido nas entrelinhas de teu coração, e venha novamente para sua casa afetiva.
Quem sabe!

Corra, afixe as faixas de seu viver, das gatas-preta vira-latas que perdeu. Se elas les são importantes, lute para reencontrá-las, mesmo expondo-sse ao ridículo, ou nadando contra toda a maré de possibilidades remotas.

Peregrinos

O paraíso é logo ali, contudo você terá que andar até ele. 
E, é no andar em sua busca que se encontrará o sentido.
Porém, é um sentido fugidio, nunca dado, pronto, imanente, 
pois quanto mais perto dele, 
menos visível para quem nele está se configura. 
E, para vê-lo em nossas vidas, paradoxalmente, temos que nos afastar um pouco e contemplar-nos, como seres peregrinos: imperfeitos por natureza,
e belos por vocação. 
Caminhe em busca de seu arco-íris, mas saiba que ao chegar na montanha no qual ele se deita, sua representação desaparecerá.
Aí é só continuar a caminhar para vê-lo novamente, 
esta é a beleza da mensagem escondida no arco-íris.
Peregrino não há caminho para a felicidade, a felicidade consiste justamente no caminhar!

Sobre a Vida e o Viver, crítica!


SobreVivências

Vejo o livro Sobre a Vida e o Viver, do meu amigo, colega e conterrâneo Ricardo de Farias Barros, ou apenas Ricardim, como uma metáfora da vida, pois esta palavra, desmembrada, parece sugerir que devemos mesmo deixar algumas metas fora da vida.
Da mesma forma, o autor ensina que não valem a pena os objetivos cujos prêmios não justificam o esforço e a angústia da busca. Sua palavra, repleta de apoio e esperança, é dirigida aos que sofrem das infecções emocionais e das dores, conscientes ou não, do existir. Assim, seu trabalho destina-se a todos nós, os complicados animais ditos racionais.
De um gesto ou observação do cotidiano, o texto se eleva como uma névoa sobre nossos olhos, substituindo a visão difusa de uma aurora cinzenta por uma imagem nítida de uma bela manhã de sol. Outros assuntos vão se juntando, formando conexões com outras realidades que nos leva a um passeio complexo, onde situações aparentemente distintas nos aparecem como um todo inteligível, levando-nos a conclusões gratificantes, tudo isso sem perder de vista a ligação com o tema inicial do capítulo.
O livro é um alerta sobre o custo das relações humanas e sobre as influências que podem nos colocar grilhões. Revela-se, dessa forma, como um grito contra as tiranias emocionais, aquelas opressões discretas, mas não menos violentas, que ocorrem no silêncio das relações familiares, profissionais e afetivas.
O leitor mais atento descobrirá, entre as páginas, o mapa para se atingir - e reconhecer - a plenitude das atitudes gratuitas e desinteressadas; o colar de alhos para combater os vampiros emocionais; os fones de ouvidos para usar contra os propagandistas do impossível ou contra os desanimadores de festas.
Sobre a Vida e o Viver traz a paz do topo gelado da montanha. Mas é um frio calmo que pede aconchego e não distanciamento. Como um condor cansado ao final da tarde, depois de exaustivos trabalhos, o autor arrisca um voo de contemplação e encantamento por sobre os caminhos onde as pessoas tramam e travam as suas lutam.
Entretanto, Ricardo Farias não se limita a descrever a visão do alto, a amplidão da boniteza do entardecer. Ao contrário, arrisca a descida escabrosa, a escarpada ladeira das emoções, para dizer aos seus afortunados leitores que o barro com o qual se faz a dor é o mesmo com o qual se constrói a alegria, e que a felicidade pode ser o resultado dessa equação, pois, se a vida oferece tristeza e melancolia, o viver é também terapêutico.


Sonielson Juvino Silva
Recife (PE), 15 de novembro de 2012.
Publicado no site www.sonielson.com (seção: Crônicas/2012)

Semear apesar de toda desesperança!

Salmos 126, 6 "Aqueles que saíram chorando, levando as sementes para semear, voltarão cantando, cheios de alegria, trazendo nos braços os feixes da colheita."

Reconfortante para os que se sentem cansados dos embates da vida, das lutas pelas utopias, dos gritos contra os opressores, do gestos transloucados de amor, perante tanta indiferença. Reconfortante por acreditar na força da semente, mesmo que seus frutos só outras gerações venham a colher.

Não se compare e persiga seu objetivo!


Não importa o quanto se acha frágil e pequeno, persiga seu objetivo, pode demorar um pouco mais, porém chegará, caso não pare no caminho!



Aposentável, decifra-me ou devoro-te!

Fragmentos da palestra-reflexão que conduzo, sobre os aspectos psicossociais da aposentadoria. Refletir e preparar-se para adentrar nesta nova jornada na vida de um ser humano, para mim, é uma questão de cidadania.
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1. O trabalho é o principal organizador da vida humana - fonte de reconhecimento e identidade;
2. Ao se aposentarem algumas pessoas perdem seu ponto de referência;

3. Líderes sofrem mais com a aposentadoria;
4. Mulheres se adaptam melhor;
5. A aposentadoria representa um desafio para o casal;
6. Donas de casa sentem-se invadidas e sem privacidade;
7. Há diminuição dos relacionamentos sociais;
8. Tensões latentes ou imprevistas podem aparecer na dinâmica familiar;
9. Deve-se aposentar de um emprego, não da vida;
10. Há inúmeras formas de encontrar um sentido; um propósito; um porquê viver; algo que ocupe o tempo e dê prazer;
11. Curado o luto da separação da sua esposa (o)-emprego, você verá que há vida a ser vivida, aventura a ser descoberta, sonhos a serem perseguidos e uma pós-carreira a ser trilhada;
12. "O segredo de uma aposentadoria feliz, cheia de conteúdo, é saber lidar com o tempo disponível e a liberdade de escolhas;"
13. O ócio na aposentadoria pode ser degenerativo;
14. A SPSC vai te pegar, mas você pode escapar e ser feliz. SPSC = Síndrome da Perda do Sobrenome Corporativo (Descoberta pelo Ricardim);
15. A SNV pode ser dolorosa, mas você verá que a vida é feita de ninhos e não é porque estão vazios que não foram importantes. SNV = Síndrome do Ninho Vazio.

Aprender com os Erros

Por maior que seja a Corporação, pense numa Microsoft por exemplo, ela poderá falhar.
Observá-la saindo de uma crise pode ser pedagógico. 
Meses de planejamento, investimento na casa dos milhões, overdose de mídia, e o Windows 8 é vendido
on-line, no dia do seu lançamento no Brasil, 26/10/2012, com o preço errado. 
Grita geral e ela para a comercialização por 36 horas.
O preço anunciado era 69,00, ao fechar a compra o cliente pagava 83,98. Refeita do susto, e tardiamente retornando ao ar para venda on-line com o preço correto (36 horas para acertar um preço numa tabela, para uma Corporação de TI, é um alvitre).
Contudo, ela soube sair de um fracasso de maneira inteligente e exemplar: anistiou quem adquiriu o Programa pelo preço indevido, inclusive o frete, e o deu de presente. 

Pedir desculpas, compensar com algo o dano causado, e seguir em frente pode ser uma alternativa quando algo sai de nosso controle e pode machucar alguém.

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