Desocupe a área, esse trecho de praia é meu.



Minhas farofas de praia são celebrações à vida.
Começo a prepará-las com antecedência, saboreando cada momento.
Na quarta, fomos eu e meu pai marcar o lugar da comilança, fazendo a locação do terreno aqui na praia do Bessa I em João Pessoa.
O lugar era perfeito, tinha sobra, fácil acesso ao mar, e uma bela vista.
Tinha até uns equipamentos para ginástica, ali improvisados, numa espécie de academia ao ar livre.
Até estacionamento por perto tinha.
Próximo passo, convidar os amigos.
Postei até uma chamada, postei convite no FB.
Alguns fui convidando pessoalmente: Sandra, Carla, Ju e o Maurício.
Amigos de longas datas e boas recordações para serem relembradas.
Para quem sofre com amnésia, ter desses amigos vale ouro.
Amigos são nossas memórias auxiliares. Preservam nossa cultura.
Agora era caprichar no cardápio.
Nesse tema não pode haver improviso.
O cardápio deve ser prático, fácil de operar sob condições diversas, e de funcional preparação.
Cardápios para preparar na hora, nas farofas, são arte.
À noite, numa ida ao mercado, encontrei filé de tilápia no mercado e agulha preta. Uhh iguarias.
Itens que fazem a festa em churras de praia.
Já imaginava aquele file de tilápia, assando na brasa, bem de leve, e sendo saboreado com uma cerveja gelada.
Visitando minha cidade natal, Campina Grande-PB,  comprei a cachaça das boas e uma especiaria muito difícil de achar e altamente saborosa, a linguiça de bode.
Na manhã saí para comprar o gelo em escamas, gelo de pescador, e o Camarão Rosa, para uma fritada no alho e óleo.

Logo cedo cheguei no lugar, para não perder o point.
Limpei resto de lixo que alguns homens-bicho deixaram no lugar.
Temperei com limão, sal e pimenta os peixes e camarão.

Uns rapazes que caminhavam pela praia, chegaram e eu fui logo dizendo. Pode usar a academia, vamos compartilhar o lugar.
Eles sorriram e começaram a fazer barras.

Depois estabelecemos um gostoso diálogo. Eles pensam em fazer Eng. Mecânica em Brasília e queriam saber tudo de lá.

Fizeram-me uma boa companhia, entre uma série e outra de barras.

Quando foram embora fiquei só, ouvindo o som das ondas, dos bem-te-vis e de hinos religiosos que tocavam na igreja paralela ao local.

Fiquei embevecido com as melodias suaves, entrecortadas por preces amorosas.

Eis que chega um rapaz na área. Faço o mesmo convite para ele usar os equipamentos, sem cerimõnia, compartilhando a área.

Ele olha-me fixamente, sua expressão é de ódio.

Baixo a vista.

Ele retira-se e eu respiro aliviado.

Uns minutos depois ele chega acompanhado de mais dois jovens-do-tipo-marombado. Daqueles que no lugar de neurônios têm músculos.

Um veio em minha direção e começou a xingar os farofeiros que danificavam o lugar.

Sua expressão era ameaçadora.

Contei-lhe que eu não era esse tipo de farofeiro. E que já tinha recolhido um saco de lixo deixado no dia anterior por alguém que frequentara o lugar.

Mostrei-lhe os sacos de lixos, estrategicamente posicionados para serem cheios.

Seus olhos estavam vermelhos de raiva.

Dizia que aquele lugar era deles, que foram eles que fizeram a "academia" e se quisesse me botariam apra correr à força.

Um dos rapazes, alegou com dedo em riste, que eu estava atrapalhando o local que eles iam para relaxar, "fumando maconha".

Sem alterar meu tom de voz, e medindo cada palavra, falei que eles podiam fumar o que quisessem que eu não tinha nada com isso.

O outro, mais parecendo uma geladeira de grande, começou a destruir o canto que fizera para acomodar a churrasqueira do vento. Jogava todas as palas fora.

Levantei-me, o encarei, e disse-lhe que eu mesmo limparia a área.

Já eram umas 10 da manhã. Eu torcia para não chegar ninguém de meus convidados ou familiares.

Pois o conflito acirraria.

Liguei a caixinha de som.
Botei uma dose de uísque.
A música invadia o local, Jorge Aragão e seus sambas de categoria.
Ofereci cerveja ou uísque.
Um deles respondeu, em tom ácido, que "eles não bebem".
Pensei, não bebem nada, mas fuma que é uma beleza.
O cheiro do cigarro empestava o ar.

Entrei no modo contemplação, e virei minha cadeira para o mar.

Aos poucos eles começaram a fazer os exerc´cios, não sem antes notarem que eu tinha usado uma espécie de halteres como apoio para um banco rustico.
Pronto, lá vinha briga novamente.

Mas, não veio.

Eles sentiram que minha energia era outra.

Pelas 11, chegaram meu filho mais velho e pai.
Eles, ao olharem pra mim, sentiram que algo estava ocorrendo.
Sem dizer o que, propus que eles fossem em casa buscar uns itens que tinha esquecido.

A situação ainda estava muito tensa. Ao longe vem chegando caminhado pela praia a esposa e o JG.

Corri em direção deles,a comodando-os na praia.  Minha esposa comentou, "e não vamos ficar lá em cima?"
Disse-lhe, "depois venho chamar", tem muita fumaça da churrasqueira.

Pelo meio dia eles se retiram, sem dizer uma palavra.

Que diferença dos jovens anteriores que comigo interagiram.

Como numa fraça de segundo chegam meus convidados, pai, filho, namorada do filho.

Ufa, agora sim, liguei a churrasqueira.

Não queria provocá-los ainda mais e a mantive desligada.

Fiz uma fritada de camarão e abrimos os trabalhos. Aos poucos fui relaxando, e amando aquele encontro de amigos, ada um com um baú de recordações.

Para deter a corrente de violência uma das partes tem que ceder.

Até se acovardar, se a situação exigir.

Muita gente não foi criada para conviver. E, esse sentimento de que o mundo é deles, a praia é deles, a calçada e praças idem vai tomando lugar de seus corações.

Vão virando pequenos tiranos que saem para caçar todos aqueles que se comportam de modo diferente, falam diferente, pensam e agem diferente do grupo deles.

Agora sei que aquele paradisíaco ponto virou um "ponto", uma "boca".

Ali, jamais farei outra!

Aprendi que a calma, diante de situações explosivas, também é uma força.

A força da não-violência-ativa.

À noite escuto meu filho revoltado com a forma como viu que eu estava sendo tratado pelos jovens, quando ele chegara.

Pergunto-lhe o que eu tinha no coração agora.

Eu deixara aquela mágoa, ódio e ressentimento de ter fiado por duas horas sendo intimidado e cheirando maconha ali na praia.

No meu coração, na noite pós-farofa, só tinha alegria dos bons momentos vividos e do quanto podemos ser felizes com as coisas simples da vida.

Optei por não carregar aqueles jovens comigo. Deixei eles habitando o lugar deles.

Toda vez que remoemos algo que nos machucou, que evocamos uma mágoa, uma agressão. Trazemos novamente udo de volta.

Fica sempre em nós um pouco de tudo que jogamos no outros ou levamos nele.

Optar pelo que de fato crescerá em nosso ser é só uma questão de não mais alimentar aquela vivência de dor.

Ela morrerá de inanição emocional, nos libertando de seus traumas.

Ficar remoendo o que deu errado, só faz com que aquilo que não gostamos de ter acontecido nos acompanhe vida a fora, como uma outra pele de nosso ser.





De que lado da paisagem?



Dia de sol bonito saí para explorar umas trilhas de terra batida no litoral norte de Natal-RN, tentando acessar algumas praias sem ter que dirigir pela BR 101. Aí encontrei uma estradinha deliciosa, de piçarro, que liga as cidadezinhas e respectivas praias de Pititinga à Rio do Fogo.
Estrada deserta, dirigia devagarinho, observando a paisagem da caatinga encontrando-se com o mar, cena de rara beleza. Cactos misturando-se com cajueiros. Sol e sal.

Durante o trajeto parei várias vezes para observar flores, pássaros, frutos do litoral que nem eu sabia o erto o que eram. Comi vários deles. Na foto que ilustra essa crônica tem algumas dessa maravilhas que encontrei. O trajeto é curto, uns 20 km.

E algum momento, entre uma foto e outra, observei uma espécie de gramínea que estava toda em flor, uma flor violácea.

Os campos floridos, agora que minha vista o percebeu acompanhavam toda a estrada e adentravam-se pela Caatinga.

Olhar para o solo causava uma frenesi de tanta beleza. Era uma combinação do raro verde das gramíneas e arvorezinhas da Caatinga, o barro do terreno, misturado aqui e acolá com areia branca trazida pelos ventos formando belas dunas, e a florada violeta.

Mais à frente, descobri que o lixão de Pititinga é colocado também no terreno que margeia essa estradinha. A cena feriu minhas meninas dos olhos, de tanta feiura e desolação que o bicho homem faz com seus dejetos.

Fechei os olhos e olhei para o lado, lá estava novamente o solo Picasseano. Escolhi olhar por um tempo para o lado oposto ao lixão urbano, contemplando a florada tão magistral.

Chegando no Hotel vou á Piscina.

Hotelzinho pequeno, 8 apartamentos, na Praia de Maracajaú-RN. Logo descobri que tinha um casal de hóspedes novo, e dos falantes, os outros eram do tipo não-queremos conversa-com-estranhos.

Ele morava em no estado de Massachusetts, nos EUA. Ele estava revoltado com sua curta estada em Natal. Tudo tinha dado errado, a praia que escolhera ficar, o hotel, o bugueiro, e até as malas que demoraram dois dias para chegarem, já que extraviaram.
Ele tinha programado 4 dias em Natal, 3 em Maracajaú e 3 em Pipa-RN. Assim pensara que faria boa parte do litoral do RN.

Ele tinha acabado de chegar no hotel.
Sua esposa não falava uma palavra em português, mas seu corpo sim. E das palavras boas.
Palavras em gestos de alegria, ternura e acolhimento em pessoa.
Fez logo amizade com meu filho, o JG, e sem falarem nenhum dialeto conhecido falaram o principal: o amor.

Ela só dizia "LITTLE FISH" com o JG e morria de rir com as maluquices dele.
Chamava-se Érica. Ele, o Coca.
Coca perguntou-me se eu estava gostando. Falei que escolho o lado bom da estrada para olhar. Ele não entendeu nada, e como estava a 8 anos fora do Brasil perguntou se era uma gíria. Aí contei-lhe a história acima.

E do quanto tinha tido pequenos aborrecimentos, também em Natal, antes de chegar em Maracajaú.

Pneu do carro baixo, proibição chata e ostensiva quando adentrava no café da manhã com minha sunga de praia: "De trajes de banho não pode entrar...". Dos preços exorbitantes de tudo.
Mas que tudo aquilo eu absorvia, assimilava, mas não deixava me abater, olhava para o outro lado no ônibus da vida.

De que lado você quer sentar, para contemplar a paisagem, enquanto segue no ônibus de sua vida?

O lado que olhando pelas janelas voc~e v~e as violetas, ou o que vê o lixão?

Ambos estão lá.

Falei para ele que o bom e o mal estão na mesma realidade. Que a natureza está grávida do seu contrário.

Aí foi que ele não entendeu anda mesmo.

Mas, o Coca era gente boa demais.

Disse-lhe que ao acordar naquele pequeno hotel, vindo de uma experiência e tratamento super frios e formais, o piscineiro, o João, me viu e soltou um: "Bom dia Sr. Ricardo".




Que tinha conhecido dona Luzia, proprietária de uma lanchonete de beira de rua, que fazia uma tapioca e uma sopa divinas.


Disse-lhe que descobrimos uma lagoa, que dá para ir a pé e que mas parece o paraíso.


Por último disse-lhe: esse é o lado bom do trajeto, do caminho.


Há um monte de lixo-humano do outro lado, não posso mudá-los, só posso aprender a não deixar que ele me mudem, me fazendo mais um como eles.

Gente bruta, sem escrúpulo, sem amorosidade existe em todo lugar, mas opto em selecionar para a minha vida as que mais parecessem com aquele campo de flores de cor violeta.


O convidei para fazer o passei para ver os peixinhos conosco. Ele topou.


No outro dia fui com ele na casa do "nativo" que sobrevivera aos tubarões do setor turístico que exploram os mergulhos nos Parrachos (espécie de ilhotas que aparecem na baixa maré, repletas de peixes em seus Corais protegidos de pisoteio).


Conheci o Mateus caminhando. Na parede da casa dele tinha uma placa "Vende-se Paquetes".

Não me contive e perguntei-lhe o que era aquilo, ele me falou: "jangadas à vela".

E daí para estabelecer um diálogo e descobri que só 30 famílias de pescadores continuaram no local, adaptando suas jangadas, com motores, para explorarem os mergulhos. As "Jangalanchas" podem levar 10 visitantes aos Corais.

Já os Catamarãs podem levar uns 60, ou mais, um ônibus inteiro da CVC.


Na distribuição das cotas de visitação coube aos nativos 20% da exploração. O resto são as grandes operadoras de turismo de Natal quem administra.


Fiquei apaixonado pela história dos ex-pescadores, agora transformados em agentes de serviços turísticos, os "Nativos".


Fui com Coca na casa do Matias, ao lado do pequeno Hotel, e compramos mais dois bilhetes.


No dia do passei coca já estava mais relaxado. Ele tinha pânico de água. Mesmo assim, de tão bacana que era a tripulação e o clima que se instalou ele amou.


Não deu um mergulho. "Ficou na base" . Mas, era o mais animado.


Fea amizade com o "comandante", com o proeiro, com o instrutor de mergulho, e com todos outros turistas que formavam o grupo dos dez.


Sua esposa só ria.


Almoçamos juntos e o apresentei à senhora que vendia cocadas. Que história linda de superação.


Voltamos ao hotel, não mais pela praia, caminhando pela rua principal de Maracajaú.


No caminho eu ia mostrando-lhes as coisas: uma vaca, uma criança catando piolho na outra, um varal estendido na calcada.


O ritmo gostoso de cidadezinha do interior com o povo reunido para marcar um bingo na praça.


No outro dia ele estava outro, a animação em pessoa, e fomos juntos a mais um passeio, agora de quadriciclo.


Durante o passeio, que não por acaso passou na estradinha Pititinga-Rio do Fogo, mostrei-lhe as frutas à beira do caminho, algumas delas parei e ele e a Érica provaram.


Nosso guia era a gentileza em pessoa, entrava pelas dunas e Caatinga à procura de nascentes de lagoas e frutas silvestres só para nos agradar.


À noite, enquanto provávamos o Capaccio de carne de sol, ele revelou que a Érica lhe dissera que aqueles dias tinha sido os melhores de suas férias e que não queria mais sair daquele local.

Assim sendo, ele cancelou a ida á Pipa.

O que ele estava gostando mesmo era das pessoas que tinha conhecido em Maracajaú-RN e era isso que eles estavam procurando e não sabiam.


Falei-lhe, que no hotel Natal havia um garçom já velhinho, que único humano daquele hotel.

Os outros transformaram-se em pessoas-crachá.

E, que todas as manhãs enquanto não via aquele velhinho eu não me sentia bem.

Quando o enxergava sentia-me em casa, na casa humanidade.

Falei-lhe que conheci pessoas maravilhosas em Natal, o garçom da Toca do Caranguejo, que até tirou foto para eu mostrar ao seu irmão que mora em Brasília.

Que conheci um aprendiz-de-turismo que me levou à Lagoa do Carcará, e, mais que isso, agregou sua vida pessoal ao nosso passeio.

Falei que nosso bugueiro tinha nos levado para conhecer um rio que corre entre dunas, lugar secreto dos mais antigos, que a turma nova não leva os turistas, na pressa que têm para logo chegarem a lugar algum.

Falei-lhe que há os dois lados da estrada, em todos os lugares, cidades, hotéis, mundo do trabalho, igrejas, famílias.


Olhar para o lado certo, toda as vezes que a paisagem mudar, é uma questão de sobrevivência e sabedoria.


Na minha vida há lixões, nem tudo é sorriso, nem tudo é a vida editada no facebook.

Há dias difíceis, tristes e até beirando a depressivos.

Há fases sem brilho.

Mas fiz uma escolha, todas as vezes que esses dias ficam muito forte, que o pessimismo me invade, a melancolia me sufoca, olho para os lados catando flores na calçada de meu viver.

Respiro na poesia para libertar-me das durezas da realidade.

E. movo-me na esperança para transformar o que está a meu alcance.

Carrego comigo agora as flores do outro lado da minha "estrada de Pititinga".

O que me diminui, oprime, machuca, depois de um dia e uma noite processando, aprendendo com aquilo, deixo de lado.

Se não posso mudar uma situação, posso mudar a mim mesmo, na forma que permito que ela me abata, ou mudar a mim mesmo dela.

Simples assim!

Há o lixão e as flores na mesma estrada Pititinga de nossas vidas.

Saber de que lado fica, no ônibus de nosso viver, que percorre essa estrada, é o segredo.

Mude-se de lugar.

Pegue o corredor ou janelas de sua vida que se abrem para os campos floridos.

Procure o belo que há nas pessoas.

Uma ou outra vai te magoar, agredir, faz parte, são pessoas-lixão, más.

Porém, mais cedo ou mais tarde, preste atenção a quem te rodeia, por mais simples que seja, aposto que encontrará mutias pessoas-campos-floridos que te ajudará a ser mais feliz.

Ao ponto de te fazer cancelar uma ida à famosa e badalada praia de Pipa-RN para ficar mais perto delas.

No limite, quem fará a diferença mesmo em nossa jornada serão as pessoas com as quais cruzaremos.

Pré-Lançamento - Livro Apanhadores de Possibilidades


PRÉ-LANÇAMENTO

Fiz uma tiragem edição especial do livro, com cem unidades, para o pré-lançamento. 
A comercialização será feita diretamente por mim.

Os lançamentos oficiais serão em abril/2014 (Brasília) e Junho (Campina Grande-PB).
Em 276 páginas e 66 crônicas, o livro dialoga com nossa vida, nos fazendo refletir sobre vários de seus aspectos. 

As crônicas são fruto da observação acurada das cenas do trabalho e do cotidiano, aplicáveis ao mundo profissional, vida pessoal e família. 

Os textos foram elaborados em linguagem direta, sem rebuscamentos, sem academicismos. 

Facilmente o leitor se identificará com as cenas nelas descritas, podendo tirar preciosas lições para seu desenvolvimento.

Sem falsa modéstia, garanto-lhe que será um presentão para os que sofrem e estão desesperançados da vida.
Os textos já foram provados no Facebook, e quem os leu revelou-me que foram terapêuticos nas suas vidas.
É um presentão para você, ou para seus entes queridos.

Como adquirir?

O livro custa RS 50,00 (cinquenta reais), com frete grátis para qualquer parte do país.

1. Faça transferência bancária para o Banco do Brasil, conta 8.599.601-7, Ag. 8428-x, Ricardo de Faria Barros, CPF 414289354-87.

2. Envie o comprovante do depósito para o email:  ricardodefariabarros@gmail.com

3. Informe, no email, o endereço de entrega, com o CEP.

4. Caso queira dedicatória, informe no mesmo email. 


Obs: O livro será postado nos Correios dia 10/03.  
Caso a tiragem especial tenha se esgotado, devolverei seu dinheiro.


Abaixo algumas apresentações da obra: 
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"Ricardo, o Ricardim. E que livro ele escreveu!
Livro para ler de uma tacada só, ou para ler aos poucos, abrir a página que o destino nos indicar, onde lemos sobre encontros, poesia, romance, vida e morte. A alegria de viver.
São pequenas grandes histórias, cheias de graça, histórias de quem está ligado à vida, que observa, absorve e registra o momento presente, sempre atento, sempre esperto, sempre honrando e reverenciando o simples.
Ricardim nos lembra que somos “morríveis” e “vivíveis”, que somos muito mais que seres lógicos e pensantes, que somos inteiros, que a emoção, a beleza e a harmonia fazem parte de nós. E que quando isso se perde, podemos ter a esperança de juntar novamente os cacos. São mensagens de otimismo, de sentir a beleza da vida nas coisas simples, nas coisas pelas quais tantos de nós passamos sem prestar muita atenção.
Ricardim capta com seus sentidos atentos todos os matizes da vida e nos relembra as alegrias e as tristezas, as oportunidades e as ameaças, os ganhos e as perdas, as luzes e as sombras. É um livro sobre a vida e o viver." Magdalena e Gustavo Boog
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"O leitor descobrirá, entre as páginas, o mapa para atingir - e reconhecer - a plenitude das atitudes gratuitas e desinteressadas; 
a alegria de poder topar com pessoas-árvores ou pessoas-kintsugi, aquelas que têm o dom de acolher, recolher e juntar, com carinho e riqueza, os cacos existenciais que vamos largando pelo caminho. 
Mas, por outro lado, alerta para a necessidade de não se iludir com os sugadores da nossa energia vital, as pessoas-tóxicas, as pessoas-gafanhotos, as pessoas-antenas-ruins que, como um parque de diversão fechado e vazio, tentam apagar a alegria que resiste dentro de nós.
Nesses momentos, quão caro nos seria um estilete que pudesse aparar as arestas do existir, as inúteis sobras do viver, mesmo que tivesse, vez por outra, que cortar um pouco na carne.
Por tudo isso, o livro aponta para a paz do topo gelado da montanha. Mas é um frio calmo que pede aconchego e não distanciamento. Como um condor cansado ao final da tarde, depois de exaustivos trabalhos, o autor arrisca um voo de contemplação e encantamento por sobre os caminhos onde as pessoas tramam e travam as suas lutam.
Entretanto, o autor não se limita a descrever a visão do alto, a amplidão da boniteza do entardecer.

Ao contrário, arrisca a descida escabrosa, a escarpada ladeira das emoções,
para dizer aos seus afortunados leitores que o barro com o qual se faz a dor é o mesmo com o qual se constrói a alegria, e que a felicidade pode ser o resultado dessa equação, pois, se a vida oferece tristeza e melancolia, o viver é também terapêutico.
Concluímos, ao final do livro, que precisamos urgentemente aprender a ser apanhadores de possibilidades, de maneira que os campos infinitos, que constituem a vida de cada um, se transformem em colheitas fartas de boas emoções, não importando o tempo nem as estações." 

Sonielson Juvino Silva
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Apresentação Autor


Estamos sempre grávidos de novas possibilidades.
Somos portadores de infinitos.

Então, nesta vida procure ser um apanhador de possibilidades, nos campos do infinito. 
Como?
Saindo da arquibancada da vida e vindo jogar seu jogo. Deixando de ser expectador de sua trajetória e movendo carrossel do destino a seu favor.
Sendo a mudança que deseja e deixando de ser mera expectativa.
Há uma diferença bem simples entre expectativa e possibilidade. Na primeira só há desejo, sonho, fantasia.
Na segunda há intencionalidade, mobilização de energias e recursos e ação.
Na expectativa nosso ser não sai do imobilismo, não busca as condições e instrumentos necessário para que aconteça o que se pretende.
Na possibilidade, há uma intencionalidade, move-se a ação da vida em prol daquilo que buscamos e a
natureza acabará por conspirar a favor.
Quando nos movemos na arte da possibilidade, investindo nossa energia psicológica nas coisas que
queremos os sonhos vão ficando mais perto, quase tocamos o infinito.
As possibilidades, amantes que são das realidades, estão sempre grávidas de infinitos.
Este é um apelo que faço. O apelo para que no movamos e alteremos nosso ambiente para melhor, nossa vida, nossa comunidade, nosso local de trabalho.
Deixando de ser expectativa e sendo possibilidade. Possibilidade de amar, de perdoar, de aprender, de
ajudar, de transformar realidades.
Ricardim

# Líderes São Bateristas, Não São Maestros






Preste atenção na presença de espírito do baterista da foto.
Ele toca o infinito com sua maestria musical.
Envolvido com sua arte, doa-se com o que tem de melhor. Faz daquele show, único.
Não me contive e sentei-me no gramado para apreciá-lo. Fiquei por um bom tempo contemplando-o, em sua performance. Era a coisa mais linda de se ver. O jovem dava sozinho, um show. Concentrado ao extremo, conseguia acompanhar difíceis acordes da guitarra e baixo, sem perder a batida e o ritmo.

Ele usava a baqueta com maestria. Seu corpo o acompanhava
nas piruetas que fazia, mal cabendo no banquinho que sentava, tal a sua empolgação.

Um dos poucos instrumentos musicais que não é tocado com uma parte do corpo humano é a bateria Ela é tocada com a baqueta. Uma espécie de vara que usamos para batermos nos pratos e bombos, e tiramos daí o som. É um som da melhor qualidade. Elas são instrumentos de percussão. Bateristas são percussionistas.

Quase sempre passam despercebidos nas bandas. Não lançam
CD solo. Não brilham sob os holofotes como acontece com os cantores, guitarristas, violonistas, pianistas e saxofonistas.

Aliás, a bateria é um instrumento tão amigo, tão dois, que sozinha não consegue criar uma escala musical. Elas precisam de outros instrumentos para se fazerem notadas, na composição que acompanham. Uma bateria sozinha não toca uma canção. Diferente de um sax, piano ou violão.

Não tem como pedir a um baterista que dê um solo em dó maior. Ou que toque o Bolero de Ravel. Bateristas são belos, pois precisam de outros músicos para fazerem seus shows. Por isso, invariavelmente os percussionistas, categoria de cujos bateristas fazem parte, são humildes.

E, aqui para nós, uma música sem uma boa bateria fica faltando algo.
Não imagino um rock sem uma bateria. Nem, uma guitarra sem sua amada bateria. Elas fazem um arranjo bacana, que, com sua batida marcam qual um coração, a pegada da música.
E, o toque da bateria exige duas baquetas. Uma baqueta só, também
não dá o ritmo de uma bateria. Para explorá-la, em todo seu potencial, o baterista manuseia uma em cada mão. Então a bateria é para mim o instrumento do "Nós", da união, do encontro.
Fiquei ali no gramado embevecido, tentando entender como ele
conseguia, sem uma partitura sequer, captar o ritmo da música, das pausas, das viradas e abrilhantar as melodias com sua arte. Ao término do show, o jovem rapaz dirigiu-se até mim e presenteou-me com uma de suas baquetas.
Fiquei emocionado. O abracei.

Ele tinha os olhos marejados. Não precisou me dizer nada. Senti o que ele queria me dizer. Ele estava reconhecendo a minha audiência. O baterista chama-se Pedro Guerreiro, pela forma de tocar é um guerreiro mesmo!

Líderes precisam aprender com os bateristas "Pedro Guerreiros".
Aprender a deixar que os músicos de sua banda, seus liderados, construam a melodia, e eles acompanhem dando-lhes o ritmo.
Líderes precisam de fartas doses de humildade. Precisam da sabedoria de um baterista, que mesmo sem partitura alguma, consegue acompanhar o grupo de músicos e fazer seu papel, sem atrapalhar os outros. 

Precisam saber formar outros líderes, distribuir tarefas, delegar, confiar, comemorar resultados, usar as falhas para formar, reconhecer e valorizar seus liderados.
E, falo de todos os tipos de lideranças, sejam as hierárquicas
institucionais, sejam as natas. Pais e mães podem liderar seus filhos, como Pedro Guerreiro. Educadores podem liderar suas turmas. 
Religiosos e desportistas, idem.
Todos nós, que em algum momento de nossa vida exerça mais intensamente a liderança, independente do cargo, podemos fazê-la com a maestria do Pedro Guerreiro - o baterista.

Gostei mais da analogia de um líder com um baterista do que a
comumente usada com um maestro de orquestra. Maestro, ainda soa distante, com poder, quase um Showman.


Líderes do pós-moderno não ficam em pedestais regendo, vão pra junto dos liderados e ali também assumem tarefas, dão o tom, como precisa ser feito.

Líderes executam seu som também, embora de seu instrumento não
deva sair nota alguma, apenas o acompanhamento, o arranjo, um naipe melodiosos de sons que se integram às partituras e as enriquecem. Líderes precisam deixar nos grupos de que participa a sua marca, sua identidade, seu amor e entrega.

Essa marca pode ser as avaliações formativas, que fez os membros da equipe e que os ajudaram a ser melhores. Pode ser os valores que deixam nos liderados. Pode ser as orientações, que ao longo da jornada fez para seus liderados. Pode ser até a influência que exerceu sobre eles.

São as marcas da liderança.
Tais quais os sulcos gravados, na baqueta do Pedro Guerreiro. Líderes podem deixar sulcos nos liderados. E que sejam sulcos, marcas do bem.
Infelizmente alguns líderes deixam marcas nos liderados, traumas, mágoas que por muito tempo eles lembrarão negativamente.
Seguro agora a baqueta em minhas mãos, vejo os sulcos na sua
madeira, evoco cenas daquele dia memorável.
 

Líderes deixam as realidades nas quais habitam melhores, transformam e influenciam as mudanças. São marcadores do ritmo das equipes, são percussionistas de corações e mentes. Mas, sabem que sozinhos não tiram som algum. Precisam da companhia de outros músicos e instrumentos.
 

Uma pena que muitos "líderes-bateristas" vão esquecendo-se de
suas equipes à medida que sobem na cadeia alimentar do poder. Vão desaprendendo a força dos nós, e passam a inviabilizar os grupos em que trabalham com estéreis solos de bateria.

Acham que se bastam sozinhos. Precisam ter aulas de bateria.

Faria melhor a eles, ao seu crescimento profissional, do que muitos
MBA’s em Administração. Garanto-lhes! Alguns, de tão inebriados pelo poder, desprezam até as baquetas (utilizadas em duplas) e passam a querer tirar o som com suas próprias mãos. Pobres baterias tocadas dessa forma.

De tão auto-suficientes que vão ficando, de tanto orgulho inflado,
vaidade, nem pensam mais no chão. Então, para que precisar das baquetas?
Suas atuações destrambelhadas adoecem pessoas, diminuem
produtividade, em médio prazo, e expulsam talentos. Sua música solo doi os ouvidos e não toca nada que eleve os corações e almas.
Vão ficando isolados pelo poder, prepotentes e arrogantes. Bateristas sem banda. Uma pena!
Abençoado jovem baterista que me ensinou que, sem as equipes não há liderança! 

Abençoados líderes-bateristas, do tipo Pedro guerreiro, que permitem que suas equipes deem o show sem sufocá-las! Que sabem que seus.papéis são integrar-se à melodia. Dá-lhes um sentido, o sentido do trabalho, reconhecer seus clientes que escutam a banda de suas equipes com baquetas.
 

E que possuem uma inteligência emocional em constante
desenvolvimento, a ponto de conseguirem tocar sua bateria sem ler uma Partitura sequer, e não atravessar o compasso. Eu sou o que sou pela influência, que esses líderes tipo Pedro Guerreiro, tiveram em minha vida.

Ainda aprendo! Mas aprendo com bons bateristas!

# Filtros Emocionais



          

Eu estava com um problema em meu quintal.

Toda a água da chuva que nele caía - por causa do declive do terreno - escorria para o lote do vizinho. Como ele está construindo, tratei logo de encanar minhas águas fluviais fazendo com que as mesmas fossem cair na outra rua.

Gastei uma nota em tubos e conexões, mas, fiz a minha parte na união entre vizinhos. Podia ter deixado pra lá, ele que cuidasse em canalizá-las, conforme manda os normativos sobre águas entre vizinhos. Mas, entre a moral e a ética, fiquei com a ética.

E, quando um não quer, dois não brigam.

Fiz a obra, e a contemplei nesse final de semana. Todo orgulhoso da engenharia e funcionalidade do projeto finalizado. Minhas águas fluviais passarão por baixo da terra, faceando o muro do vizinho, e encanadas em tubos enormes de 150mm, por uns 40 metros até encontrarem-se com a caixa coletora de águas fluviais da outra rua.

Porém, algo faltava no projeto.

Descobri esse algo, quando JG levou uns cocorotes por ter jogado um monte de tranqueiras dentro da minha caixa coletora.

Era pau, pedra, resto de ossos e brinquedos.

Olhei para aquela sujeira e imaginei que com o tempo, de tantas folhas secas que as águas levariam para o fundo do poço, os canos acabariam ficando entupidos. Sem querer o João Gabriel (o JG) salvou meu projeto. É que faltava algo para que aquela caixa não ficasse entupida, até mesmo com pouco uso.

Então, lembrei-me de algumas aulas de Eng. Civil, que mal e porcamente assistira na adolescência, e projetei um filtro rústico. Primeiro as pedras maiores, do tipo brita 2. Depois a brita 1, depois areia grossa e por último areia fina.

Aquilo seria suficiente para filtrar as folhas, galhos, brinquedos e peraltices do JG? Tudo isso no caminho das águas, e que fatalmente seriam carregados para o fundo da caixa coletora, dificultando o fluxo das águas.

Aquele buraco é o nosso coração.

Todos os dias um rio de águas o invade. Faz parte de nosso viver. Muitas delas vêm com detritos, com impurezas, com agressões. Precisamos de filtros para as emoções que descarregam em nossos corações.

Lembro-me de ter ficado todo animado ao abrir uma mercadoria que comprei nesses sites da China e que levam uns 60 dias para chegarem aqui. Já tava até dando por perdida. Era um lindo vestido preto, com strass brilhantes.

Presenteei minha mulher com ele. Ela olhou-me com uma cara de "o que é isso"?

E soltou um: "Eu é que não vou usar esse vestido de periguete!".
Senti a fisgada. Senti a podridão social querendo invadir meu coração. Entupir minha caixa emocional.

E, ativei a primeira camada do filtro, a primeira barreira emocional. A primeira camada de defesa emocional, a do filtro ou blindagem, e a do Humor. Que corresponde na analogia à areia fina.

Ela impediu que aquele dissabor entrasse em meu coração. O filtro Areia Fina é o do humor, é o de não levar-se tão a sério, ou desconsiderar a opinião do outro sobre nós mesmos. É o relevar.
Fiquei pensando: "Você daria uma periguete linda, com esse vestido, numa noite de amor!".
Só pensei! Tenho 10% de juízo. Ainda...
No dia seguinte, falei do fora que tomei para minhas amigas no trabalho e rimos à beça.
O outro filtro é o da Areia Grossa. A coisa ruim que recebemos consegue passar pela areia fina, mas é detido pela areia grossa.

Estava esperando a hora de ser atendido, na ante-sala da Diretoria e elogiei os olhos pintados de uma das nossas telefonistas.

Fiz em tom alto, no meio de outras colegas de trabalho que também ali estavam.

Não cochichei um galanteio no ouvido dela. Fiz para todos ouvirem que ela estava bonita, com aquele rímel nos olhos. Ela acenou sorrindo e agradeceu ser reconhecida.

Ao meu lado, uma amiga disse-me: "Comporte-se. Se eu fosse tua esposa não gostaria disso." Fiquei sem graça. Eu não estava cantando a telefonista. Fora apenas um elogio fraterno. Mas, fui mal compreendido.

Ativei a segunda camada, a da Areia Grossa, e consegui deter o soco afetivo usando a Empatia. A Empatia filtra toxinas emocionais moldando nosso agir, nosso olhar, o nosso escutar ao mundo do outro. Procurando as suas razões, e não as nossas. Sem achar que ele ganhou a briga. Que ele nos venceu.

Acolhemos o ponto de vista do outro sem nos sentirmos derrotados.

Procurei colocar-me dentro do ponto de vista dela, por mais estranho que me parecesse, e encontrar razões sobre a sua perspectiva, não precisava convencê-la de nada. Só acolher seu feedback e tentar extrair dele algum ensinamento.

Mordendo a língua, de constrangido com o comentário, falei-lhe que não se tratava do que ela estava pensando. Que costumo elogiar a beleza, sem segundas intenções. Que a isso chamo de sinceridade, ou autenticidade.

Pronto! Não precisei derrotá-la, agredi-la, encerrar nossa amizade, tratá-la mal. Coloquei meu ponto de vista, acolhi o dela, e bola pra frente.

A empatia é um poderoso filtro para deter que tranqueiras emocionais venham a entupir as artérias de nosso coração, numa espécie de esclerose afetiva.

O humor, a empatia...

A terceira camada, ou barreira, é o Amor Próprio.

Lembro-me que, quando algumas pessoas me diziam o quanto se sentiam apequenadas pelos preconceitos com seus sotaques e locais de nascença, o quanto aquilo me soava estranho.

Não deixo esse tipo de coisa entrar no poço de meu coração. E lembrei-me da Brita 1 (espécie de pedra miúda, usada para fazer concreto) ela faz a terceira camada de proteção.

Que me importa se alguns caçoam de meu sotaque paraibano? Ou, quando pejorativamente, me chamam: Ô Paraíba!

Que me importa? Amor próprio é terceira camada que filtra agressões insanas que recebemos pela nossa raça, opção sexual, credo, ou diferenças de todos os tipos.

Gosto de meu sotaque, de minha barriga, de meu dente torto (que um dia quis consertar e depois deixei pra lá), gosto até de meu cabelo rareando.

Gosto de meu estado, cidade. Mas, gosto de todos os outros também. Não sou exclusivista. Gosto de todo canto e lugar, desde que nele tenha gente.

A última camada purificadora de nosso ser – a quarta - é a da brita 2: a da Amorosidade. Que é traduzida em gestos, comportamentos, pensamentos e expressões de esperança, otimismo, gentileza, delicadeza, fraternidade, mansidão, bondade, doação, compaixão e misericórdia.

A quarta camada é aquela que quando tudo dá errado, quando a agressão emocional que sofremos consegue atravessar as três camadas de valores que protegem a nossa sanidade mental: o humor, a empatia e atua e barra o agente invasor.

Hoje me reuni com meus funcionários e falei dessa camada.

Do quanto precisamos botar amor como elemento estruturante em tudo que fazemos. Um amor completo que nos torna humano demais.

No dia a dia das organizações, principalmente em áreas com forte interface com clientes - internos ou externos, as pessoas tendem a ficarem frias, metódicas, sem envolvimento afetivo, no piloto automático. De tanto levarem bordoadas dos clientes, vão se fechando. Perdendo o filtro da quarta camada, o do amor. E deixando que tudo que sofrem de desamor, ódio, acusações, calúnias, vá entrando em seus corações.

O pior é que esse lixo venenoso que nele adentra vai nos moldando à imagem e semelhança do meio no qual vivemos. E, sem perceber, vamos ficando ruins, severos demais, tiranos demais. Os clientes passam a ser objeto de piadas, de bravatas, de contendas devolutivas que nele damos.

Nos relacionamentos, essa camada quando falha, faz adentrar tudo que não presta no outro e em nós causa impacto.

Passamos a ser tão exigentes com o outro, e até conosco mesmo, que inviabilizamos nosso crescimento existencial, entrando numa espécie de letargia do ser. Tudo passa a ser motivo de discórdia, de pavio curto, de estranhamento. Não filtramos com a Brita 2 aquilo que nos agride, aprisiona, machuca e oprime.

A caixa do coração vai se entupindo de tudo que não presta e o fluxo de nosso bem viver, os canos que levam o afeto, não conseguem mais escoar de tanta lama.

Perdemos a pureza das fontes cristalinas. Vamos nos encharcando de tanto ódio, ressentimentos, perdões nunca dados, nunca recebidos, mágoas, culpas, vinganças e pequenez humana. Ficamos tal qual a caixa de águas fluviais, após os lixos jogados nela por JG, entupidos emocionalmente.

Sem conseguirmos mais fluir em nossas vidas os rios da paz, do otimismo, da solidariedade e da esperança.

Vamos nos escondendo atrás de processos, regulamentos, normas de qualquer tipo para dizer não que pode, não posso, ou simplesmente desconsiderar o outro que em nós, procura uma saída.

Todos os dias, na enxurrada de nossas vidas, temos um monte de coisas estragadas adentrando nossos corações. Podemos erguer barreiras fitossanitárias emocionais em nossos corações, processando melhor os sentimentos que nele adentram. Ajudar a purificá-los, desintoxicá-los e rejuvenescê-los com águas limpas, nas suas quatro camadas de filtro: areia fina (humor); areia grossa (empatia), brita I (amor próprio) e a brita II (amor).

Não sem razão as pedras grandes deverão ser colocadas primeiro. As pedras grandes são oriundas de nossos atos de amor para com a família, o trabalho, a fé, os amigos e as pessoas que nos rodeiam. A quarta camada é aquela que, quando tudo falhar, ela segura nossas pontas e não nos deixam apodrecer. E não deixa juntar água impura, fétida, no lastro ou fundo de nossos corações. É a da amorosidade do agir, do sentir e do expressar.



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