Cartas ao JG - Sua ida ao Trabalho do Papai.

Hoje você passou o dia comigo, no trabalho.
Foi sua segunda vez, na primeira tinha uns 6 meses, agora quase cinco anos.
Como cresceu rápido.
Ah, se os pais soubessem o que sei: como os bebês crescem rápido demais!
Como o hoje vira ontem num pisar de olhos, e aí lá se foram tantas possibilidades de fazer festa, mágica, celebrar e registrar os bons momentos para a eternidade. Enquanto eles ainda privilegiam a nossa companhia.
Hoje, por um acidente de percurso, sua escola deu feriado, nossa nova babá ainda não foi contratada, e todos os seus familiares estavam trabalhando. Chegando ao trabalho, após sua fase Modo Tímido passar, saiu de colega em colega, pedindo afago e roubando a atenção. São 16 mulheres e dois homens, na área. Então, tome paparico. Não ficou uma bateria de celular carregada.

Você saiu por todas as estações de trabalho pegando os celulares disponíveis e procurando jogos neles instalados. Além daquelas coisinhas que botamos pra decorar nossas estações de trabalho (baias).

Nada ficava parado. Tudo era motivo de festa e da mística do brincar. Você não é de ficar parado, puxou ao papai. Corria pelos corredores, entrava nos banheiros, inclusive femininos, ia tomar água sozinho. Por mais que eu te ameaçasse com os vigilantes.

Explorou cada corredor, com alegria e disposição, como se fosse o melhor dos parquinhos infantis. Na hora do almoço, levei-te num pé sujo que costumo frequentar. Ali, você quase me endoida, mais uma vez sem querer comer e aprontando. Levou uns cascudos. Você é muito rebelde às minhas instruções, tira-me do sério. Uso a terapia do cascudo.

Na volta, desenhou e procurou o colo da tia Raquel e da Lili. Nalis ficou chateada, você disse que gostava mais da Lili, depois elas descobriram que o celular da Lili tinha jogos. Estava explicado a preferência. Durante parte da tarde, viu filme no computador, pintou e bordou. Na volta pra casa disparou por entre aqueles imensos corredores, escondendo-se de mim pelas "baias".

O pessoal sorria e vibrava contigo. E eu, feito um tonto, corria atrás de você e gritava teu nome feito um bode rouco. Voltamos pra casa felizes. Você disse que gostou de "trabalhar" com o papai. Mas, te dei aviso prévio do cargo de trainee. Benditas babás. Voltei pra casa sorrindo na alma.

Lembrei de quando meu pai levava-me no Senai de Campina Grande-PB. Eu corria por entre as oficinas. Descobri esconderijos, passagens secretas. E todos ao me verem diziam: é o filho do Evandy. Pegava restos de madeiras nos lixões da escola de marcenaria e construía torres de castelos imaginários.

Ficava escondido perto da máquina de serrar, contemplando aquele mistério da tecnologia, o corte. Depois, algum dos funcionários do papai chegava com a missão de me levar para o escritório.
Papai era o Diretor da Unidade Móvel, e eu sentia orgulho do orgulho dele em gostar tanto do que fazia, ali no Senai. Aposentou-se com mais de 45 anos de dedicação ao trabalho e nunca lhe vi sem ânimo, desgostoso, revoltado.

Ele não só creu no trabalho, como significado e propósito, ele criou o propósito do trabalho, agradecendo todos os dias o fato de ter chegado longe demais - para um filho de humildes e pobres sertanejos. Ir ao Senai era motivo de festa para mim. Assim como foi pra ti hoje, meu filho JG. Meus pais amavam o trabalho.

Acho que o que sinto em relação ao meu trabalho aprendi por osmose com meus pais. Impregnou-se no meu DNA afetivo o respeito e comprometimento que sempre escutei deles em relação ao SENAI. Assim, sinto que amo meu trabalho muito em função do que meus pais me ensinaram com suas próprias vidas.

Eles nunca falaram de seus trabalhos como peso, dor, punição. Tinham prazer em falar do Senai, em nos levar para conhecer o Senai.
Se nesse dia você puder gravar algo em sua memória afetiva, guarde o amor. Naqueles corredores por onde correu, naquelas estações de trabalho em que se escondeu, habita pessoas que se realizam com o que fazem, que amam. Mais que um emprego, ali encontramos parte do sentido de nossas vidas. Então, JG, um dia leve seu filho para conhecer o seu trabalho... Coisas boas disso poderá advir.

Nação Black Blocs.

1. Em todo político que esquece seu mandato e atua em prol de seus próprio interesses, chegando até a esconder o rosto para receber subornos, há um Black Bloc.

2. Na gestão ineficiente dos serviços públicos, sem rostos, há um Black Bloc.

3. Em todo líder religioso que esconde o rosto para maquinar estratégias espiritual-fraudulentas de captação de doações de seus fiéis, há um Black Bloc.

4. Em todo cidadão sem rosto, que vende o voto, ou vota por votar - no artista global da hora, ou em um "Chico dos Bodes Castrados" qualquer, há um Black Bloc.

5. Em toda organização comercial que lesa seus clientes com serviços e produtos de duvidosa qualidade, e pratica lucros que beiram a usura, há um Black Bloc.

6. No Estado Brasileiro que fracassa na saúde, educação e cobra impostos alvitrantes, há um Black Bloc.

7. Em toda empresa que desvaloriza seus profissionais, não cumpre com os direitos trabalhistas, ou oferece condições adequadas de trabalho, há um Black Bloc.

8. Em toda família que cria seus filhos sem limite, sem noção de coletivo social, há um Black Bloc.
9. Em cada instituição que se veste com pele de cordeiro para disfarçar sua tirana, imoral e predadora forma de atuação, há um Black Bloc.

10. Em toda pessoa que ultrapassa pelo acostamento, que depreda patrimônio público, que finge ser cadeirante para conseguir ingresso barato, que sai sem pagar de estabelecimentos, que fura a fila, que bate em crianças, que nutre qualquer tipo de preconceito, que agride todo aquele que lhe "soar" diferente, que se usa do "jeitinho brasileiro" para se dar bem, em detrimento dos outros, que acha que seu dinheiro pode comprar tudo, que bate em mulher, que se alcooliza, ou se droga, e passa a fazer tudo que não presta, há um Black Bloc.

Estamos nos tornando Nação de Black Blocs, em maior ou menor grau.

E, esses que agora aparecem na TV, são fichinha perto dos que estamos criando nas coxias das instituições político-sociais brasileiras.

Infelizmente!

No caminho ao bem viver, adentre pelas avenidas do contorno.


Quando lhes faltarem os banhos, bote perfume (Autor Ricardo de Faria Barros) 

Era um domingo de muito frio em Brasília. Acordo cedo, tinha que fazer “tarefa para casa”. 
Durante toda a sexta, pesquisei e salvei arquivos num pendrive, para que no domingo eu trabalhasse numa apresentação. 
Cada um deles encontrado era uma vitória e um alívio. Um trabalho minucioso que consumiu toda a sexta. O material contava parte da história da governança de TI do BB, desde 2008.
Eis que ao me preparar para o trabalho, e inserir o pendrive no notebook, aparece a mensagem:

“Formate o disco na unidade E: para poder usá-lo.
Deseja fazê-lo?”

Não acreditei no que lia.
Pânico, raiva, desespero, frustração... um misto de emoções aqueceu o meu corpo, realçando mais ainda o frio do dia.
Tentei noutro notebook e nada.
Fiquei por um tempo imobilizado. 
Depois, comecei a contabilizar as perdas. A segunda seria um dia difícil, já vi tudo. Teria que tirar tempo, entre o atendimento aos clientes internos, providências rotineiras e reuniões, para criar algo do zero. E, acho que não é só tempo. A criação pede um concentrar maior. 
Nem sempre consigo focar num ambiente cheio de pessoas e e-mails reclamando atenção.

Paciência.

Aprendi que se não posso mudar uma situação, posso mudar a mim mesmo.
Mudar a forma pela qual ela me tira do sério, já que nada posso fazer.

Os sentimentos de raiva, pânico, desespero e frustração só farão morada em mim se eu assim permitir.

Posso convertê-los numa maravilhosa odisseia. 
Numa saga em busca de resistir, apesar das circunstâncias.
Provarei a mim mesmo que amanhã a tarefa sairá ainda melhor, pois terá o gostinho da superação.

Posso escolher. Passar o domingo chateado, irritado com o que aconteceu. Secretamente punindo-me por não ter testado a migração dos arquivos.
Ou, posso acumular energias internas para enfrentar a situação, com os recursos que me sobraram.

Fico chateado, mas saio da posição de imobilismo, de vítima das circunstâncias e vejo o que ainda posso fazer com o que sobrou, com o que tenho.

Ontem à noite vivi essa cena.

Fomos convidados para uma festinha. Com direito até a fazendinha rural, pescaria, barraquinhas, trio de forró pé de serra.

Durante à tarde coisas chatas foram nos acontecendo. Nossa empregada doméstica pediu as contas. 

Dona patroa já queria dispensá-la mesmo, mas foi pega de surpresa. Não esperava que a decisão saísse da moça. Feriu seu orgulho de patrão.

Perto das 18hrs tomo banho para a festinha. Não queria perder nada. E o João Gabriel adora.

Eis que quando minha esposa vai tomar banho, acaba a água da casa. A caixa d´água não aguentou uma semana inteira sem abastecimento da rua. É que houve uma pane na estação elevatória e atingiu nosso bairro nessa semana.

Ela saiu do banho e veio até mim muito triste. 

Perguntei-lhe se não iríamos mais à festa.

Ela disse que sem banho não iria.

Que situação!

Ai fui treiná-la, emergencialmente, nessa filosofia de bem viver.

‘Você pode fazer chegar água? Bota um perfume, uma roupa bonita e vamos. Aliás, o cheiro da fumaça da fogueira em minutos tirará qualquer banho que alguém tenha tomado. Deixe de ser boba, vamos.”

Aí ela começou a falar da ex-empregada.

Perguntei-lhe:

“Mas não era você mesma quem me disse que iria dispensá-la? E que já tem outra querendo vir trabalhar aqui em casa? ”

Então, ela foi melhorando, botou um perfume e fomos pra festa. E foi super legal, um festão.

Chamo a isso de reprogramação mental. Nosso aparelho mental pode ser reprogramado para aprender a sair de loops de negação de sentido existenciais, de impotência, dor e culpa diante de situações paras as quais nada, nada mesmo, podemos fazer para alterá-las.

Aprender a mudar a nós mesmos diante delas.

Com certeza meu trabalho de amanhã não sairá uma Brastemp.

Não farei animações no PowerPoint. Não cruzarei as informações do jeito que queria. Mas, o que sair será melhor do que nada.

Suspeito até que o que sairá será a essência.

Parece que a criatividade precisa de uma certa dose de pressão para acontecer, então que venha segunda feira, vou te usar todinha, em cada minuto.

No outro dia, após acordarmos da noitada, o João Gabriel aparece no quarto com o seu peixe que pescou na pescaria. Sim, os peixinhos eram de verdade. As crianças ficavam malucas de frenesi. Eles viam em pequenos sacos plásticos, com água.
Ele  pediu-me que tirasse o peixinho do saquinho e colocasse em algo maior para ele brincar.
Aquilo me comoveu. 
Essa cena só foi possível porquê superamos um impasse negativo na noite anterior. 

A festa da vida, naquela noite, aconteceria de qualquer maneira.

Sem “migo”, ou comigo. Sem “nosco”, ou conosco.

Sempre que algo lhe acontecer e que não pode mudar, dou a dica, junte os cacos do que sobrou, contabilize as perdas, e veja o que ainda assim poderá fazer com a situação.

Não fique naquela posição existencial de vítima, tal qual criança quando derrama sorvete no chão. 

Têm tantas outras possibilidades que esperam de ti uma atitude, uma postura de sobrevivente.

Garanto-lhes, no outro dia uma criança te procurará para que de teu gesto um peixinho vá brincar com ela.

Esse peixinho só existiu porque influenciei na realidade ao meu redor, agindo como protagonista e não como vítima.

Ele estava lá, aguardando por séculos a fio ser "pescado" pelo JG.

Mas, se não fosse o JG, seria outra criança. A vida não pede licença, acontece.

E não tem replay.

Portanto, saia da posição de resmungão, de ficar procurando uma coisa pra ser infeliz e dê valor às que têm.

Desaprenda a ficar buscando coisas para se frustrar, a esperar demais da vida e dos outros. Eles, simplesmente, não te esperarão.

Simples assim.

Bota um perfume. Formate o pendrive.

Encerre os eventos de culpa, mágoas e ira em teu viver. Eventos incapacitantes de teu emocional.
Formate-se e reprograme seu modelo mental para novas possibilidades que ao cegar de emoções ruins você não conseguirá vê-las.

Se faltou água para o banho, ainda tem uma roupa limpa que pode botar por cima.

Prepare-se para o novo, que pode até não ser o que queira, contudo será o que é possível, dado as condições que você tem para agir. 

Carregue menos fardos emocionais produzidos pela forma retilínea, exigente, perfeccionista que encara a vida. 

Viver não é preciso, de precisão, das coisas milimetricamente medidas, ou grama à grama pesadas. A vida não cabe numa tabela de Excel. Sempre nos surpreenderá. Sempre!

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Em tempo: Tudo que tentei dizer-lhe essa jovem o faz com melhor propriedade. Tire uns minutinhos e veja esse vídeo.


https://www.youtube.com/watch?v=4-P4aclFGeg

Os Portais do Bem Viver

Algumas pessoas maravilhosas com as quais me deparei, vida afora, ainda hoje inspiram-me a viver melhor.
Cabrera é uma delas. Conheci o Marcos Cabrera em Londrina-PR, em 1996.
Lá se vão 18 anos de uma bela amizade.
Cabrera era um dos profissionais que atendia aos idosos da Fundação Telepar, no Programa Bem Viver, coordenado pela minha esposa – então assistente social daquela instituição à época.
Ao ver a forma que ele falava aos idosos, dialogava com minha esposa sobre os limites da alma, o amei à primeira vista.
De minha parte, eu trabalhava com portadores do vírus da Aids. Eu falava pra eles o que tinha aprendido com os bravos soropositivos.
Do quanto percebia o valor de um abraço, por exemplo, no aumento da imunidade.
Do quanto a postura deles, diante da terrível doença – àquela época com poucas opções de enfrentamento, fazia toda a diferença na evolução da mesma.
Ele ouvia com olhos brilhando.
Encontram-se ali um psicólogo e um médico que acreditavam em coisas ainda pouco pesquisadas, como o valor do afeto, e que eles sabiam que vinham a fazer toda a diferença para um melhor viver.
Falava para ele o quanto o luto pode ser incapacitante, e como pode ser transformador, dependendo de que perspectiva a psique é mobilizada para enfrentá-lo.
Ele babava, ouvindo-me com renovada atenção, caso a caso.
Depois, ele me contava o quanto via nos seus pacientes sede de afeto, de sentido, de paz, de se sentirem especiais para alguém.
Via que muitos a ele chegavam trazendo chagas emocionais de difícil tratamento: mágoas, culpas, rancores, resignações e até inveja.
Ele me contava o quanto essa postura na vida inviabilizava outras conquistas que a saúde, esportes, alimentação estavam trazendo à terceira idade: “muitas academias do corpo. Poucas do ser. Muita queima de calorias e celulites no físico, poucas na alma”.
Depois daqueles primeiros contatos sempre que eu ia à Londrina passava pelo seu consultório para tomar um cafezinho e conversar um dedinho de prosa.
Hoje, Cabrera é um renomado palestrante, geriatra famoso – projeção internacional e autor de inúmeras pesquisas sobre a importância das emoções para o bem viver.
Mas, continua o mesmo: profeta, manso, humilde e simples como todo sábio.
Outro dia, pesquisando para uma palestra sobre aposentadoria, achei um vídeo dele no youtube que indico a todos. É um vídeo para todas as idades.
Embora ele fale do processo de aposentadoria, vale para todas as idades as dicas que ele dissemina.
Fiquei emocionado, Cabrera amadureceu nestes 18 anos como um bom uísque ou vinho.
http://www.youtube.com/watch?v=o4d75Jzeu8g

APOSENTADORIA É PROJETO DE GANHO PESSOAL.
Todo ser humano, de qualquer orientação ideológica deveria ver três minutos especiais desse vídeo, no qual ele divulga recentes pesquisas de Harvard sobre o bem viver, dos 5min20seg aos 8min20seg do vídeo.
Ele fala de oito valores, que prefiro chamar de Portais, que dão acesso a áreas de maior desenvolvimento pessoal e profissional. Posturas e atitudes que farão toda a diferença no processo de bem viver. Os VIII Portais são:
a. Capacidade de perdoar
b. Generosidade
c. Solidariedade
d. Gratidão
e. Não se sentir doente, apesar de...
f. Não parar de produzir
g. Conjugalidade (harmonia na vida a dois)
h. Espiritualidade
Não me deterei sobre cada um dos Portais acima. Não há necessidade.
Eles são autoexplicativos. As pessoas especiais com as quais convivi, de todas as idades, tinham nela um ou mais desses Portais.
Camila, por exemplo, com seus 12 anos, ao chegar em casa e responder á pergunta do seu pai ativou um deles:
- Camila, qual será seu papel na peça de final e ano da escola?
- Multidão.
Multidão... multidão... multidão. Camila acabou de entrar no Portal da Generosidade consigo mesma, com o grupo e com a peça. Ingressou pelo Portal B, não se considerou num papel menor. Foi lá, desceu da arquibancada e jogou o jogo, no jogo da vida.
Foi rememorando cada um deles. Lembro-me de X, que tem Aids há 15 anos, e que a cada aniversário comemora com humor o último ano que lhe deram. Nunca o vi se lastimando com os efeitos colaterais, ou com as infecções oportunistas. Ele entrou pelo Portal E.
E, não deixou que o vírus HIV tirasse dele a única coisa que de fato o matará, e a todos nós, a esperança.
Você já percebeu como tem gente que nunca está feliz? Que perdeu a esperança?
Sempre murmurando, reclamando... Se vai jantar fora, reclama do serviço.
Se de férias, reclama dos locais que visita.
Se trabalha, reclama da empresa, dos colegas, do chefe e até do trabalho.
Você chega perto dessa pessoa e diz:
- Que dia lindo.
Ela te olha e fala:
- Lindo para quem?
Hoje amanheci querendo pregar às multidões.
Para que elas não se deixem adoecer, por tanto aprendizado a serem perfeccionistas, ranzinzas, de baixa flexibilidade e adaptabilidade, resmungonas e chatas para com a vida e consigo mesmas.
A chamar atenção para o que na vida lhes falta.
Não. Não fixe seu olhar sobre o que lhe falta, isto te imobilizará.
Somos o que pensamos. Nossas crenças geram nossos comportamentos. Se deixarmos em nós habitar esse ser resmungão, pessimista, negativista, sempre descrente de tudo e todos; para o qual tudo está em dívida, como nele serão ativados alguns dos VIII Portais do Ser?
Em cada mágoa nutrida, em cada ódio adormecido, em cada culpa ressentida e a cada dor revivida, um pouco de nós morre junto.
Pense nisso e mude!
Para uma boa relação consigo mesmo, e com os que te rodeiam,
adentre os VIII Portais do bem viver, tão bem descritos pelo Cabrera.

Faça cócegas nas almas.

Tem dias em que você se sente
indo de 4ºC para 26ºC. 
Essa foi a história de um tubarão
branco de 3 metros que ao mergulhar
nas profundezas do oceano, 
na Austrália, gerou um registro nos instrumentos de monitoramento - nele afixados, indicando um aumento brutal 
em sua temperatura externa. 
Ela subiu de 4ºC para 26ºC, sugerindo que ele foi literalmente engolido por uma fera descomunal. Se eu, ou você, estivesse no lugar do bicho engolido, e a presa fosse os dissabores eventuais de um cotidiano difícil, é bom lembrar de fazer cócegas no estomago da presa. Quem sabe ele nos cuspirá. 
Feche as torneiras por onde escapa sua felicidade. 
Não se leve tão a sério, nem aos outros predadores que cruzam o seu caminho. 
Respire, respire, respire. 
Amanhã pode se o dia da caça, mas que seja uma caça de amor. 
Nunca na mesma moeda. 
Nessa corrida para existir, não pague o ódio com o ódio. 
O desamor com o desamor. 
A indiferença com a indiferença. 
Seja diferente! 
 Tenho minhas explosões - idem descomunais... depois vejo que minha esperança e felicidade estão vazando, qual descarga com defeito, enchendo a fossa de meu viver. 
Aí me toco, fecho direito a descarga, 
protejo as saídas de meu coração. 
Respiro, e acredito novamente. 
No interior, divirto-me e me fortifico na fé. Sim, na fé. 
Não, não serei como eles. Ahh, não! minha melhor parte é a loucura de continuar sendo gente, mesmo habitando, 
vez por outra, interiores em fúria.

De que prumada?




90% do que afeta nossa felicidade,
ou otimismo, não é função do que acontece conosco
- é o produto de como percebemos e processamos
o que acontece conosco, em nosso modelo mental.
As situações, e a realidade circundante,
podem ser vistas como bênção ou maldição.
Até as portas que se lhes fecham.
Na verdade, numa mesma situação,dependendo de que ângulo você se proponha a ver, há os dois trevas e luzes.
O que você fará com as trevas é quem fará toda a diferença no teu bem viver.
Eu, com elas, choro uma noite e um dia.
Depois, bato a poeira e pergunto-me,
o que poderei aprender com a situação?
Em que ainda saí no lucro.
E, sigo sem olhar no retrovisor, abrindo novos caminhos.
Use as lágrimas para irrigar seu jardim interior,
e doe-se em frutas doces e suculentas para quem de ti fizer morada.

Frutos


Uma árvore exposta, 
cheia de frutos, 
será de natal?
Órfãos de desejo, 
vocações interrompidas. Frutos esperam.
Convite ao amor. 
Qual seu sabor?
Quem provará do esmo?
Aventureiros de todos os tipos apresentai-vos!
Ocos transeuntes não percebem sua graça.
Loucos viajantes apressam o sinal ao seu lado, agoniam o tempo, correm.
Quem provará de teu sabor?
Entre todas, amigas em fila, só tu preciosa expõe-se desejosa e carnuda de sentimentos.
As outras, fecham-se em folhas: protegendo-se da indiferença de quem as vê e não as toca.
Fechadas, protegem-se do desamor, de quem as deixa virarem lama.
Senti por ti frutos silvestres. Não te conheço, sei de teu nome, sabor, aroma.
Senti por ti, frutos ávidos por cumprirem sua missão.
És nós, em cada gomo.
Seres desejantes de em cada momento revelarem-se em lampejos de luz.
Peregrinos em busca de missões que por elas valha a pena viver.
Ah árvore ousada, a única que se despiu das folhas e revelou-se toda em frutos, toda em bênção. Aposto que os passarinhos te amam.
Como tu nos ensina, seres difíceis que somos de nos fazermos frutos para os que de nós procurarem abrigo.
Que ano a ano minha folhas caiam.
E que de meus troncos e galhos retorcidos só fique expostos os frutos - fartos frutos, para animar a jornada de pessoas com fome de sentido, fome delas mesmas.
Uma pessoa exposta, cheia de frutos, será natal?

Um Conto de Amor

Eu lhe disse o quanto sua violeta corporativa estava bonita.
Daquelas que ganhamos ou levamos para nos fazer companhia no trabalho.
Mas a dela era especial. Tinha um porte atlético, esbelta, quase uma musa.
Aí perguntei-lhe o que fizera pra que ela ficasse tão exuberante, mais parecendo artificial.
Ela sorriu. Um sorriso amoroso.
Disse-me que sua violeta era mais uma das tantas vendidas nos supermercados, condenadas à ficarem esquecidas num cantinho qualquer, após sua florada.
Vítima de um tempo de esquecimentos.
E que a comprara para embelezar sua área de trabalho. Quando a colocou no local, perto de uma janela, viu que ela estava mal acomodada naquele vasinho apertado. Então, voltou ao supermercado e compro-lhe um vaso maior, terra e a trasplantou cuidadosamente.
Diariamente cuida de suas folhas, conversa com ela e não deixa que lhe encham com mais água do que o necessário.
O que era apenas uma violeta de supermercado agora era a sua violeta.
Em cada gesto um cuidado que a tornara especial. Luz, adubo, água, espaço, conversa e podas necessárias.
A violeta me pegou num dia muito emotivo.
Recebi um UOT falando de que ela o aceitara como namorado.
Ele não se continha em si de feliz. Dissera-me que após deixá-la no aeroporto, no seu retorno para casa, chorou de saudades.
Eles vivem amor distante. E dos bons. Creio que a violeta de minha amiga expressa o que cada um fez para que o amor acontecesse. Venceram medos. Destinos certos. Venceram dúvidas, temores, pré-conceitos. Ambos vinham das desventuras do coração. Era sobreviventes e não queriam mais "saber dessas coisas do coração". Sofreram muito e já não eram mais crianças. O amor "infecionou" primeiro nele. Ele pegou a violeta e a levou para sua vida. Cuidou dela. Transplantou-a de realidade vividas e doloridas. Depois a convidou para tomar sol. Para passearem e rirem juntos das coisas da vida e do viver. Todos os dias adubava o encanto do amor com horas de conversas digitais. São Paulo-SP à João Pessoa-PB ficou ali pertinho. Longe é um lugar que não existe para quem ama.
Ele viveu o abobalhamento do amor, em todas as suas formas. Um abobolhamento que nos faz conversar com uma violeta, tal faz minha amiga.
Do alto de seus cinquenta e poucos fora pego de surpresa pela lufada do amor.
Dizia-me que não acreditava nisso. Era um engenheiro, muito cartesiano, muito cheio de negócios e que estava feliz assim, solteirão.
Ela, dizia-me que após seu último relacionamento não estava preparada para doar-se novamente, para fazer muda num vaso novo. Fazer novas todas as coisas mesmo que já vividas. Sofreu muito no último encanto do amor. Quando estava perdidamente apaixonada, ele ligara pra ela terminado a relação: sem motivos; sem velas; sem perfumes... simples como quem diz que chegará mais tarde do trabalho. 
Por meses, vinha vivendo as dores das Mães da Praça de Maio que diariamente esperam a volta dos filhos.
Esperava dele um telefonema de reconciliação.
Ou um email restaurador, e até que ele irrompesse pelo seu ap. com um buquê de rosas. e, nada!
Assim, fechou-se em ás de ostras.
Quando o irmão mais velho dele a abordou, 
pronto, ela não seu irmão e um perdão. 
Ela não iria reviver aquilo novamente. Não. 
Recomeçar com seu irmão, de maneira alguma! 
Ela não estava louca. Ouvia os dois no meu divã digital. Um atônito pelas coisas que estava sentido e nunca sentira. A outra, desesperada de voltar a sentir e ser novamente esquecida como violeta de supermercado.
Aos poucos o vaso novo do amor foi se fazendo presente.
É que as sementes do amor pedem paciência e tempo para germinarem, mas se forem boas, se caírem num coração fecundo, elas vão criar raízes e germinarem.
Após o sim, do namoro, começou uma longa jornada de recuperação da confiança. perdida. Mais fácil achar uma agulha no paiol do que recuperar confiança, mesmo que o amigo não tivesse sido o responsável direto pela quebra dela. Sobrou para seu dna. E a história do amor avançou. E tome milhagem. e tome horas de UOT. e tome chás de cuidado, de delicadeza, de atenção. Quem poderá resistir à força do amor. De um amor verdadeiro. Lentamente, aquelas violetas em forma de pessoas: ele e ela, antes sem viço e sem esperança - descrentes de qualquer novo amor a dois; foi rejuvenescendo. Criando amálgamas de emoções. Dois corações perdidos num vaso de violeta, esquecidos num canto qualquer de suas vidas, agora renascidos. Assombrados pelos encantos do cuidar, do compartilhar, do conviver. Nenhum por do sol meu amigo viu mais do mesmo jeito. Canções passaram a encher suas retinas. Ficou atento à tudo que pudesse fazê-la feliz. Ela, tomou coragem e enfrentou sua família. Convenceu um a um, numa batalha épica, de que estava vivendo algo especial e que tinha direito e tentar novamente, sem ser de novo, entende? Ele, foi pedir bênção à sua mãe. Coisa linda de se ver em dois marmanjos. E assim a violeta do amor renasceu. Não há coração que se perca ao reencontrar o caminho do amor. Transplantes de membros amputados do amor, para novos jarros de sentido, adubados pela força do diálogo, aquele mesmo de minha amiga que diariamente conversa com sua violeta. Ahh se os casais soubessem a força de uma boa conversa, mesmo que seja sobre as novas aquisições parta o álbum da copa. Ahh se soubessem!
Se até violetas renovam-se com cuidados e conversa, imagine os relacionamentos. Vão amigos, permitam-se amarem-se, posto que é chama. E que seja infinito, sempre que durar a vontade e decisão de amarem-se de montão, sem medo de parecerem bobos, aos olhos de mal amados, de todos os naipes. E, muitas pipocas, passeios, confidências, músicas e bons filmes juntos, embaixo de edredons. Isto não tem preço e não se compra nas esquinas e nos templos do consumo. Ahh não!!!!

Ternurar


Dai livre expansão à vossa ternura. Fiquei maravilhado quando encontrei essa citação no Livro de Isaías. A palavra ternura é poucas vezes usada na Bíblia. Basta dizer que na tradução João F. Almeida Atualizada - uma das mais aceitas no mundo evangélico, ela só é citada uma vez, e nesse mesmo versículo que abriu o texto: Isaías 63,15, traduçao Bíblia Ave Maria, uma das mais aceitas do mundo Católico.

Fiquei de cara, como dizem os jovens. E, na única vez que é citada, o profeta Isaías faz um apelo ao Deus para que ele "dê expansão à ternura". Pense num profeta abusado e ousado, multiplique por dois.

O cabra tá dizendo ao Criador: "Ei, vem cá, deixe de ser frio, libere ternura para seu povo..."

Lembrei de quando fomos a uma reunião de pais e mestres na qual relataram que uma amiguinha do JG coça seu cabelo, quando estão no quartinho do sono. Um bota o outro pra dormir. Isto é ternura. Nunca foi tão atual o desabafo-protesto de Isaías: expanda sua ternura, liberte-a das amarras do racional. Exponha-se. Faça cartas de ternura. Pinte quadros com ternura. Troque bilhetes com ternas palavras. Seja a ternura que almeja. Expanda-se na capacidade de expressar carinho, afeto, cuidado pelo outro. As escolas deveriam ter lições de ternura. Incluir nos aprendizados corriqueiros o da ternura.

Hoje cada um foi se fechando, na falta sensação de se proteger, e, de tanto fechamento ao outro, ficamos sós e brutos.

Sedentos por nos sentirmos acarinhados e emancipados pela força de um gesto verdadeiro de ternura. "Há que ser forte, contudo sem perder a ternura." Diria ao seus liderados um outro abusado revolucionário, tal qual o Isaías disse ao Deus Pai. Ternura é o encontro com o intangível. É o caminhar pelas veredas das subjetividades. É se fazer bobo, despudoradamente um bobo em se doar em ternuras mil.

Essa semana será minha palavra de prática: ternura. Vou exercitar-me nela e perseguir metas de gestos e atitudes ternas, pelo menos uns três por dia. Ternura, aqui vamos nós. Vem comigo!

Faz um jardim em mim.



Um visita surpresa dos filhos e nora.

Uma surpresa de gostosura num self-service pé sujo - Paella e deliciosa.

Um sentir-se criança, ao colar figurinhas no álbum da copa.

Uma alegria compartilhada, com a reação de nossa empregada,

ao ver o resultado final de sua sessão de salão de beleza, que nos custou nada, nada, nada.

Um entardecer sereno.

Um acordar animado para mais uma semana de trabalho.

Uma ansiedade mística e fecunda por mais uma noite de oração.

Um buquê de violetas corporativas.

Esperançosas, resistentes e gratas: tal posturas diante da vida, de sobreviventes.

Sim, sobrevivi. E, já tive do outro lado do balcão o suficiente para saber o valor de um ocaso e sua paz,

num domingo qualquer.

E de um trabalho com sentido.

E da família. E de amigos.

E de filhos.

E de um cônjuge.

E das contas a pagar dentro do orçamento, remediadas, mas dentro.

E de um erguer-se como pessoa, sem querer novamente ir para o quarto,

e, escondido chorar no travesseiro.

Chorei as mil lágrimas, e elas possibilitaram que as sementes germinassem e criassem um pomar e jardim dentro de mim.

Pronto a ser alimento pra quem dele precisar.

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