Ser mulher! Autor Ricardo de Faria Barros




Amanheci o dia presenteando Cristina com uma caixinha de música, daquelas das antigas, com manivela.
Gostaria de estender esse gesto, no dia Internacional da Mulher, às mulheres que moldaram meu viver, e moldam, e não são poucas, graças a Deus.
Com elas aprendi e aprendo a ser mais gente.
Mais feminino, minha melhor porção.
Mulheres são música.
De partitura inigualável em sensibilidade, humanidade e expressão do amor, da resiliência e do esperançar a vida.

Contudo, nem tudo é música suave, infelizmente.

Temos músicas de horror, em algumas partituras. Manuseadas por homens. Com suas agressões diárias, cotidianas e bestiais às mulheres. Desde aquelas mais corriqueiras, que acabamos por banalizá-las, como "cantadas" nada musicais, e em alguns casos violentas e constrangedoras, à dificuldade de acesso a cargos de gestão.

Não deve ser fácil ser mulher, nessa sociedade extremamente masculinizada.
Não deve ser fácil pegar um metrô com tarados à solta.
Não deve ser fácil ser bombardeada diariamente com o padrão de corpo que "vende' na mídia, confrontando-a na sua auto-estima com o seu.
Não deve ser fácil, ter que segurar a onda da emoção, em reuniões corporativas bem pesadas, daquelas conduzidas por notáveis cidadãos machos, engravatados, que numa frieza descomunal decidem sobre a vida dos seus trabalhadores, sem qualquer pudor.
Não deve ser fácil ver o filho precisando de assistência médica e ter que voltar pra casa, com ele doente, pela carência desses serviços no Brasil.
Não deve ser fácil despedir-se do filho que migra para outros lugares, mais prósperos, fugindo da seca que ceifou a vida e riqueza de onde morava.
Não deve ser fácil ser concebida como objeto de cama e mesa, ou de participação negada, ou de silêncio amordaçado, por gente bacana e até "piedosa" que veste cueca.
Não deve ser fácil conviver com relacionamentos agressivos, tanto fisicamente como emocionalmente, trancada numa gaiola sem luz.
Não deve ser fácil...


Mas, embora não seja fácil, elas subvertem a ordem reinante e a "natureza das coisas" e vão abrindo picadas, caminhos, superando dificuldades, se organizando, protestando e lutando pelo direito de ser. 

E essa luta soa boa ao meu coração.

Como diz a canção, da caixinha de música, "só chamei porque te amo".  Clique e escute:


Sim, mulheres de meu viver, foram vocês que chamei.

Naqueles dias de escuridão. Naquele dias de medo, de incerteza, de aflitas inseguranças, foram vocês que me apoiaram.

Que me deram colo, sopa e aspirina, só por amor, sem quererem nada em troca.

Obrigado!

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