Encante seu cliente!

Há uns dois anos frequento o mesmo ponto na feira livre de São Sebastião-DF. Fico na esquina de um estabelecimento que vende pastel, caldo de cana e outras guloseimas. Pego sua única mesa, e contemplo extasiado o movimento de feira livre, belo por humano que é. Ao ouvir aquele burburinho de feira livre, acalmo-me e sinto-me parte de algo maior. Já conheço todos do ponto. Ao lado de onde sento, fica a vendedora de feijão verde. À frente, o de frango abatido; ao seu lado, o de queijo. Mais à direita, as vendedoras de CDs piratas. Sempre que chego espero uns minutos e a "nossa mesa" vaga. Enquanto isso, os feirantes me cumprimentam, falam de como está a feira, perguntam da Paraíba, ou de minha máquina fotográfica. O JG vai entrando sem cerimônia nas bancas, recebe afagos..., já é de casa. Ao vagar a mesa, nos sentamos, eu e o JG, enquanto a Cristina vai trazendo as verduras e colocando embaixo dela. Conheço todos os feirantes daquele ponto, já são amigos de eras priscas. Sei quem é avô, avó, quem tem pressão alta, onde eles moram e conheço até seus netos. Na vovó do pastel, implico por brincadeira, com seu café muito doce. Digo, eita que está mel. Ela pacientemente vai tentando, todo domingo, chegar no meu ponto de açúcar. Hoje fui surpreendido. Não é que a matriarca do estabelecimento aproximou-se de mim e deixou uma garrafa. Com um sorriso, ela me disse: esta é especialmente para você se servir. E está sem açucar. Você vai colocando até chegar no seu ponto. Perguntei-lhe, e como a senhora saberá quantos eu tomei? Ela me olhou com ternura e disse, você me dirá. Só isso. Simples, como a abelha confia na flor. Fiquei estupefato com o gesto de tão tamanha fidelização e atenção para com seu cliente.

"Aprendi que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular." William Shakespeare

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