Cinco Chaves e Três Portais para Felicidade (Autor Ricardo de Faria Barros)


Tem uma música do Grupo Revelação que gosto muito, ela se chama Tá Escrito.
Nela, o cantor Xande de Pilares começa provocando todos com a chamada:
"Na palma da mão, na palma da mão".  Estamos no mês dedicado aos cuidados com a aúde mental e o bem-estar emocional. Então, gostaria de compartilhar algo que venho falando em cursos e palestras, e que cabem na palma da mão.
São ensinamentos extraídos do Ikigai (Conjuntos de práticas de bem viver orientais), da Psicologia Positiva, da Logoterapia, e de meus encontros com pessoas inspiradoras.  Procurei resumir numa metáfora bem simples, para que nunca esqueça e que de vez em quando a revisite, aprimorando o processo de reeducação emocional positiva para o bem viver.
Imagine suas mãos. É com elas que apresentarei as chaves da felicidade e as práticas mantenedoras das mesmas, que as chamo dos Portais.  Vamos la.


I Chave, o dedo mindinho  -  Alimentação e Atividades Físicas Saudáveis   
Nos contos Os Sete Corvos dos Irmãos Grimm o dedo mindinho foi fundamental para passar pelo buraco da fechadura e salvar a todos.  Então, este dedo representa nosso biológico e o físico. Precisamos nos alimentar de forma saudável, e praticar atividades  físicas.   De muito tempo já se estabeleceu o nexo entre o corpo são e a mente sã. A sabedoria oriental do Ikigai nos ensina a deixar sempre 20% da fome sem saciá-la. E a fazer atividades físicas em grupo, ou de forma contemplativa, apreciativa. É o caminhar prestando atenção nas coisas belas que estão pelo caminho.

II Chave, o dedo anelar   - Convivências Significativas
É o dedo usualmente utilizado para colocar as alianças. Mas, pense apenas nele como uma metáfora dos relacionamentos e grupos sociais de que participa. Quem tem relacionamento com amigos e participa de grupos sociais, tem para com eles alianças. São valores compartilhados, são espaços de coletivização, fecundos para trocas de afetos e busca de almofadas sociais para deitar a alam, naqueles dias mais cansados e aflitos. O outro importa. E muito. E é esta a descoberta da II Chave para uma melhor saúde mental e bem-estar emocional.  Amigos e grupos sociais são terapêuticos.

III Chave, o dedão   - Escolhas Positivas 
Este dedo costuma ser usado em expressões nada amigáveis. Você leva um trancão no trânsito e logo passa pela sua cabeça baixar o vidro do carro e colocá-lo em riste contra o outro. Mas, este dedo pode fazer parceria com o dedo vizinho, e ser um símbolos o de paz, de vitória, ou, invertidos, de quem está caminhando.
Aqui esta chave tem muito poder. Pois fala de nossos escolhas e reações frente ao ruim, ao revés, naquela hora que as coisas saem do planejado, que sofremos baques e perdas na vida. As escolhas e  e reações farão toda a diferença no modo como iremos superá-las.  Escolher a cultura da paz, no lugar da de guerra. E escolher contabilizar as sobras, após uma determinada situação difícil que enfrentou ou enfrenta, no lugar de ficar colecionando as dores e faltas que passou a ter, é fundamental para sobreviver e superar a situação, até aprendendo com ela.

IV Chave, o indicador  - Participação Ativa 
Quem não já usou este dedo ao responder na aula à chamada do professor!  Com ele dizemos: Presente. E com ele também apontamos caminhos. Vá por ali à frente, ou dobre aqui. Um dedo que pode ser perverso, ao só apontar as falhas nos outros. Mas, um dedo que também nos lembra duas grandes lições do bem viver. Estar presente ao aqui e agora. Atento a tudo que de bom, belo, virtuoso nos rodeia. Desenvolver a percepção seletiva positiva, de si mesmo, do outro e da realidade, é urgente e fundamental a saúde mental e bem estar emocional, nos tempos de tanta degradação e violência do que circula na mídia e redes sociais.  Têm pessoas que trabalham ao lado de uma janela que todas as tardes oferece um espetáculo de pôr do sol. Mas, elas não prestam mais atenção a ele, não mais se assombram e se encantam com mesmo. Caiu na indiferença, pela cruel rotina de estar sempre ali, todos os dias. O outro ensinamento do indicador é de participar, de se fazer ativo na vida familiar, profissional e social.  Quem participa de algo se engaja, e quem se engaja  em algo com prazer desenvolve os hormônios do quarteto da felicidade: endorfinas, serotoninas, dopaminas e oxitocinas.

V Chave, o polegar  -  O que se sente e o que se pensa 
Eita chave perigosa e poderosa. Somos seres de emoções e pensamentos. Contudo, desde das cavernas eles foram projetados para aprisionar, amplificar e destacar as emoções negativas e os pensamentos da mesma natureza. Erguer o polegar na famosa expressão de "joinha" tem sido uma prática cada vez mais difícil.  Pesquisadores descobriram que nossos neurônios agem como velcro, para as coisas negativas, retendo-as e ruminando-as por muito tempo. Já as coisas boas que nos acontecem são voláteis, dificilmente armazenadas nos bancos de memória do hipocampo, pois escorrem pela mente, tal qual o óleo nas panelas de Terflon.  Este fato se dá pelo modo operante do nosso cérebro cérebro reptiliano, formado pelas amígdalas, hipotálamo e hipocampo. Esta estrutura está sempre pronta a reagir, conjugando no outro os verbos: atacar, defender, correr ou se esconder.  Fazer a faxina nas emoções ruins e pensamentos é necessário, mas exige um constante vigiar sobre eles mesmos, e processos de auto-conhecimento. Só nosso cérebro pode atuar nele mesmo, criando uma voz dissonante, com emoções e pensamentos de outra natureza, mais otimistas, positivos e esperançosos. Precisamos cultivar nossos joinhas, nossa auto-estima, nossa paz interior e acolhimento  de situações que sobre as quais nada podemos fazer, a não ser mudar a nós mesmos sobre o modo como a deixamos em nos atuar.

As cinco Chaves, da metáfora dos cinco dedos, abrem os três  portais abaixo, feitos em gestos com as mãos.

Primeiro Portal, pare!  - O que parar de ser e fazer
Pare. Não há crescimento em saúde mental e bem-estar emocional sem mudanças no estilo de vida, e nos hábitos comportamentais, atitudinais e sociais nocivos que fomos aprendendo ao longo de nossa existência.  Parar de ser tão rabugento. Tão pessimista. Tão egoísta. Tão descrente de si mesmo, dos outros e da realidade.  Parar de criar mágoas de estimação no canil da alma.   Parar de adiar aquele perdão, de adiar aquela decisão. Parar de desenvolver um estilo de vida insustentável, repleto de ganância, individualismo, consumo,  ou das pseudos-alegrias, derivadas do ter, do poder e do prazer pelo prazer.

Segundo Portal, elevar as mãos!  - Sentir e expressar gratidão. 
Quando paramos de sentir gratidão e de expressá-la algo de ruim está se desenvolvendo em nossa psiquê. A gratidão é um portal que nos liberta de achar que sempre merecemos tudo. Que nos faz mais humildes e misericordiosos. A gratidão rejuvenesce a presença do outro em nosso viver. Andamos muito carentes de sentir e expressar a gratidão. Parece que tudo nos é devido, nos é de direito e nada mais em nós causa este sentimento tão libertador.  Aquela diarista que deixou nosso lar habitável novamente, não é por nós percebida como algo do reino da gratidão. Nossa racionalidade converte isto numa relação entre quem paga e quem entrega serviços. E, esta comparação vale pra um monte de coisas, situações e pessoas, para as quais deveríamos sentir e expressar gratidão, mas não o fazemos.

Terceiro Portal, oferecer algo - Doação
Quem oferece algo a alguém torna-se melhor.  Quem me lê e tem algum trabalho de voluntário sabe bem do que falo. Mas, não precisa oferecer o seu melhor  apenas sendo voluntário de causas sociais. No seu trabalho você pode fazer isto, na relação com seus clientes, externos e internos. Ou na relação com seus colegas de empresa. Na sua família e comunidade também. Você pode se doar e servir. E, muitas das vezes a melhor doação não necessitará de recursos materiais, trata-se de tempo para escutar alguém, de interesse na vida das pessoas, e até mesmo um abraço gostoso, em quem se sente aflito e desanimado.  Quem se doa abre um infinito de eternidade dentro de si. Cheio de emoções e pensamentos positivos. Não sem razão, muitas pessoas buscam cuidados paliativos para seus lutos ajudando alguém. E funciona, até melhor do que os tarja-preta, não tenham dúvida.


São estas cinco Chaves e os três Portais o que fará a diferença na qualidade de vida emocional da humanidade. E que funcionarão como um antidoto à epidemia de infelicidade pela qual estamos passando, com o avanço de casos de depressão e suicídios.

Finalizo com a bela letra da música que abre esta crônica:

Tá Escrito (Grupo Revelação)

Na palma da mão, na palma da mão...
Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora
Se na vida encontrar dissabor
Vai saber esperar a sua hora
Às vezes a felicidade demora a chegar
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar
Guerreiro não foge da luta e não pode correr
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer
É dia de sol, mas o tempo pode fechar
A chuva só vem quando tem que molhar
Na vida é preciso aprender
Se colhe o bem que plantar
É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar
Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar.

Longevidade, Envelhescência e os Novos Velhos (Ricardo F.Barros)

Palestra na ABRAPP, comemorativa do Dia dos Aposentados, realizada em SP.
Você que me dá a honra de parar o que está fazendo para me ler poderia responder a uma pergunta? 

Quais seus objetivos para realizar dos 80 aos 100 anos de idade?

Podem ser pessoais, familiares, profissionais, culturais, acadêmicos, esportivos, sociais e até espirituais. 
O que seja.

Se eu te fizesse esta pergunta há vinte anos atrás você diria que a pergunta era absurda. 

Mas, eu aposto que você conhece alguém que já fez oitenta anos. Por exemplo, o Papa Francisco e Martinho da Vila. 

Estamos vivendo uma revolução dos modos de ser, fazer e acontecer da velhice. E é um fenômeno mundial. 

Este movimento de reinvenção do ser idoso tem sido chamado de Os Novos Velhos.

E da mesma forma que eles puxaram, do alto de seus 20 e pouco anos as revoluções culturais e civis, das décadas de 60-70, agora eles puxam a revolução da negação da inatividade. 

Uauuu.

Passaram a estudar novamente, praticar esportes e hobbies, passear e produzir. E estão dando um show de longevidade ativa. 

Lógico, que nem todos acompanham no mesmo ritmo, é mudança cultural, e ainda têm os que se consideram "aposentados", que desistiram de continuar assombrados e encantados com o viver. 

Contudo, que bela energia grisalha está vindo. Aquela que transformará bengalas em cajados.

Abasteça seu bebedouro com néctar. (Por Ricardo de Faria Barros)

Há alguns dias voltei de merecidas férias e aos poucos restabeleci a desordem de meu apartamento. rsrs
Uma das primeiras coisas que fiz foi encher os bebedouros de meus pássaros de janela, que estavam sem reposição desde a virada do ano. Ou seja, há 20 dias. Coloco neles um pó violeta chamado de Néctar que compro em Pets Shops, misturo com água, e está feita a bebida deles que durará alguns dias. Vê-los alimentando-se rejuvenesce esperanças. É terapêutico e tem sido motivo de inspiração para mim. Já os conheço bem. Têm os Sanhaços, azuis, os Xexeus, laranja e preto, os Canários, amarelos, Beija-Flores, furta-cores.

Moro no sexto andar, e os janelões são margeados pelas copas das árvores, o que também favorece esta aproximação.
Acontece que ando órfão deles. Como deixei de alimentá-los, extingui neles o hábito, e eles cessaram de alegrarem meu lar com a sua presença, pelo menos por enquanto.

Mas, não desisto de repor a água do bebedouros, cujo calor inclemente que tem feito aqui pelas bandas do Planalto Central tem evaporado considerável quantia, todos os dias.

Não desistirei deles.

Creio que estes bebedouros são uma poderosa metáfora de nossas emoções e pensamentos positivos.
Já notou que nos sentimos bem perto de pessoas que expressam emoções do bem, do tipo da paz, do perdão, da misericórdia, da esperança, da gratidão e amor?
E que também nos sentimos muito bem perto de pessoas que colocam para nós seus pensamentos mais edificantes, que nos acolhem, nos incentivam, nos reconhecem, nos estimulam, em palavras tão cheias de ternura e fé, qual o néctar que coloco todos os dias.
Em tempos de grave epidemia mundial da Síndrome da Intolerância a Gente, doença por mim definida noutra crônica, precisamos cuidar de nossos bebedouros existenciais.
Precisamos renovar nosso néctar, diariamente, para que pessoas possam se aproximar de nós, se alimentar de nossos valores, sonhos, ideais, e deixarem a nossa presença melhores do que chegaram.
Tem muita gente reclamando que os tempos andam difíceis mais o que tem feito com seu próprio bebedouro?
Que tipo de energia anda atraindo? Ou nela se sintonizando?
Se eu não repor meus bebedouros, como posso reclamar de meus pássaros que me abandonaram?
Quantas pessoas se sentiram abandonadas por outras, mas que precisam fazer um exercício de autoconhecimento, bem doloroso, de ver se não foram as atitudes delas, expressas em emoções, pensamentos e comportamentos, o que de fato contribuiu para que elas se afastassem.

Somos muito bons em julgar os outros. Em reclamar que o mundo anda em pe de guerra, que todo mundo está muito egoísta, que ninguém quer mais compromisso com ninguém, ou nenhuma causa.

Tudo bem. As coisas estão por aí mesmo.

Mas, e quanto aos nossos néctares? Estamos repondo eles, todos os dias, apesar da seca inclemente que teima em fazê-los evaporar, ao final de um dia de pancadas que levamos da vida?

O grande perigo de se conviver em ambiente de emoções tóxicas e extramente negativas; ou naqueles cheios de pessoas rabugentas, negativas, reclamonas e chatas de galocha, é nos tornar tal qual elas.

Elas desistiram de atrair os beija-flores para seus pássaros.
E aí todos vão empobrecendo como humanidade. A ponto de quando recebemos um atendimento bom, um telefonema de alguém se preocupando conosco, um retorno de uma mensagem nossa, via rede social, ou um simples gesto de querer nos ajudar em algo, ficamos desconcertados.

Como diz a poetisa Verônica Shoffstall: "Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores." Este texto é erroneamente atribuído Shakespeare.

Plantar o jardim e decorar a alma é alimentar as nossas emoções e pensamentos com as coisas boas da vida e do viver.
É colocar sem moderação o néctar do amor em tudo que fazemos, do perdão, da empatia, da ética, do respeito, da consideração pelo outro.
E sem esperar que alguém faça isto para conosco.
Se ficarmos nessa de esperar receber para poder compartilhar, tenho uma má notícia. Teu bebedouro vai secar.
Precisamos urgentemente voltar a cuidar das entradas de nosso coração. Conforme um sábio escreveu no livro dos Provérbios: Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Provérbios 4,2.
E, não menos urgente, precisamos vigiar a qualidade dos pensamentos que invadem nossa mente. E nos reeducar sobre o que circula em nosso processamento cerebral. Como bem disse Paulo: Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. Filipenses 4,8
Dando o melhor que temos aos outros, ao mundo, à realidade, estaremos trazendo pessoas para nossas jornadas de vida. E elas de nós se alimentarão, e cresceram com nosso exemplo inspirador.
Como disse no início da crônica eu estive de férias, e foi em João Pessoa. Num dia, pela manhã, vi um sobrinho levando a sua tia para conhecer o mar pela primeira vez, Dona Maria Dulce, a da foto, natural de Patos-PB. Ela tinha vindo à capital fazer exames cardíacos, e ficou hospedada na casa do sobrinho. Ele, após a bateria de exames a que ela se submeteu, a agraciou com esta visita ao mar. A cena era linda, ela mal se continha de emoção. Mas estava cansada. Sentado de meu posto de observação, percebi a aflição do sobrinho, em segurá-la perto do mar, do alto de seus 74 anos.
Então, corri com minha cadeira para melhor acomodá-la na beira-mar.
A água do mar lambia seus pés, e ela sorria. Falou que a vida dura no sertão nunca deu-lhe esta condição de passar uns dias na praia. E que ao se deparar com uma quase morte, pelo desmaio que teve, fruto de uma patologia no coração, ela decidiu que não morreria sem ver o mar.
Fiquei um tempão com ela, seu sobrinho, o Jarbas, e sua filha a Alice. Abasteci meu bebedouro com eles. Que gesto humano e solidário!
Perceberam como faço? São as pessoas boas as que melhor nos abastecem, inspiram e nos estimulam. Fico que nem meus pássaros à procura de beber do néctar delas e me fortalecer, e crescer.

No outro dia, no jornal local, aquele que passa na TV cedinho da manhã, a matéria destacava um voo de parapente para cadeirantes, organizado por voluntários.
Eu fiquei estatelado com a beleza da cena. Enchi muitos bebedouros de néctar com o que via. Consegui um trecho da mate´ria que um jornal local fez, vejam:

"Sessenta cadeirantes tiveram a oportunidade de voar gratuitamente de parapente na Praia do Sol, dias 19 e 20 de janeiro 2019, em João Pessoa, através do Projeto Não consigo andar, mas posso voar. Cláudio Cloudd, instrutor e piloto há mais de 18 anos, explicou que a ideia surgiu após um cadeirante falar que o sonho dele era voar. No mesmo momento, Cláudio o equipou e proporcionou o voo. Foram selecionados 30 cadeirantes de Pernambuco, 20 da Paraíba e 10 do Rio Grande do Norte.
Funcionando há dois anos, o projeto tem o apoio de uma faculdade Maurício de Nassau e o auxílio de mais 18 instrutores. Carolina Vieira, uma das selecionadas, perdeu o movimento das pernas após um acidente de moto. Já envolvida com o outros esportes e atividades antes do acidente, ela afirmou que foi a primeira vez que teve uma oportunidade como essa. “Antes do acidente, eu era professora de dança e fazia o curso de educação física, então já tinha essa coisa do esporte. Mas essa trip radical é a primeira vez, estou maravilhada com a sensação”, destacou. “Estamos desenvolvendo um projeto belíssimo que tem tirado as pessoas com deficiência de dentro de casa e feito com quem elas possam voar. No céu não existem muros, obstáculos e barreiras”, destacou Sérgio Murilo, coordenador do projeto."

E aí, encheu seus bebedouros também? Em todo lugar tem gente fazendo coisas assim. Aposto que aí pertinho de você. Ou até você mesmo faz um monte de coisas legais pelos outros.
Então, esta é a mensagem desta crônica. Não podemos desistir de nós mesmos, naquilo que temos de mais precioso: nossas emoções e pensamentos positivos. Serão eles quem capacitarão nossa percepção a também colher da realidade aspectos bacanas, esperançosos, otimistas, bons, legais e virtuosos da vida e do viver. Afinal, quem tem um jardim dentro de si, costuma ver jardins por todo lugar, inclusive nos outros.

Não espere pelos outros para dar o seu melhor na jornada do Ser. Pássaros sedentos dependem das gotas de seu néctar de esperança, amor, paz, apoio e inspiração em momentos dolorosos do existir.
E sabe onde é o melhor local para isto? No teu trabalho, na tua família, na tua escola, ou no teu condomínio. O melhor local para dar o nosso melhor é o que nele estamos.
Temos uma mania de não fazer a nossa parte, atribuindo apenas ao Governo, aos outros, ou até às circunstâncias, as justificativas para que eles façam.
E aí calamos a nossa consciência. Afinal, o problema não é meu. E por que serei uma pessoa justa, ética, boa e mansa, convivendo nesta selava humana?
Elementar meu caro amigo, para não se tornar como eles!

Recordações (Por Ricardo de Faria Barros)

Chegando da virada do ano novo que passei em Campina Grande, e férias em João Pessoa-PB, abro meu apartamento de Brasília e sinto uma lufada de ninho invadindo meu ser. Não há lugar no mundo que desperte esta sensação ao dele se adentrar, que o nosso lar.

Tudo me é familiar e me fala.
Saúdo minhas plantas, que cansadas de tanta espera, apenas batem suas pétalas esturricadas. Mesmo deixando uma pessoa para molhá-las, nãos as molhou como quem se ama, com constância, atenção e zelo. Quem ama entende de que falo.
As orquídeas deram duas hastes, se a seca não as matou por dentro, teremos uma safra de belas flores.
O pobre do bambu está todo tristonho, e despenado, já que perdeu todas as folhas.
Na ânsia de sobreviver, sem fartura de água, optou por tentar salvar suas raízes, livrando-se das folhas. Como se vivera um outono precoce. Tadinho.
Os bebedouros de pássaros estão vazios. Eles devem ter passado por maus momentos, pois que já estavam viciados naquela aguinha de frutose, de uma cor violácea.
Para as bandas das praias as coisas andam estranhas.
O som da parada é de uma tal de Jenifer. Durante um dia de praia, ou boteco, você escutará esta música no mínimo dez vezes. Pense numa Jenifer famosa!
Um fenômeno deste verão são as aquelas caixinhas portáteis que mataram qualquer possibilidade de um papo na mesa de bar, ou onde quer que o cara a leve.
Se antes eram aqueles carros, com verdadeiras torres de som no porta-malas, agora são as insanas caixas de som portátil, que de portáteis não têm nada, uma vez que somos obrigado a ouvir mil ritmos diferentes, cada um embaixo de uma sobrinha de praia, ou mesa de bar.
Não basta que o cara escute com sua turma. Ele precisa mostrar para os vizinhos o que está ouvindo.
Algumas das músicas que ecoam destas caixas têm refrões impublicáveis, e olhe que estou longe de ser moralista.
Outro fenômeno são os celulares câmeras fotográficas. A beira-mar virou passarela, e em todo lugar tem gente fazendo mil piruetas, para registrar o melhor ângulo do corpo. Alguns mais empolgados na sensualização acabam levando um caldo do mar, o que gera mais motivo pra novas fotos. Tudo virou registro visual.
Tive pena de um monte de criancinhas, em seus barreiros de água, feitos com areia de mar, cujos pais estavam mais interessados nas redes sociais, do que em construir a última versão do castelo de areia com o seu filho. O cara-pai, a moça-mãe, levam o celular para dentro do barreiro de água e ficam conectados em mil coisas no mundo digital, perdendo em conexão com o filhote.
Antes que me esqueça, os bom-dias ao caminhar estão mais raros. O povo tudo relaxado, turistando e caminhando em área segura, e negando bom-dias.
Estamos criando muros coletivos. Todo mundo num espaço público, mas incapazes de interagir uns com os outros, em prosaicas respostas a um bom-dia.
Quem me dava mesmo um sonoro bom dia, em resposta ao meu, era a dona Fátima, catadora de papelão e latinhas de praia. A desta foto da crônica. Acorda com dona Fátima era muito bom. Todos os dias saia pra comprar o pão bem cedinho, após ver o sol nascer, que pelo Nordeste é pelas 5h30. Então, no caminho para a padaria, sempre cruzava com Dona Fátima vindo em sentido contrário. E aí aí era festa.
Comentava do apurado da catação até àquela hora, do sol, do tempo, dos netos dela, da vida desta septuagenária que sempre estava com um sorriso no rosto, mesmo na dura lida de completar a renda da família vendendo recicláveis. Sempre comprava algo pra ela e os netos na padaria. Mas, o pretexto não era doar algo pra ela. Era passar mais uns minutos ouvindo-a sobre a lida do bem viver, ouvi-la contando toda orgulhosa que quando chega em casa, pelo meio dia, os netos já fizeram o almoço pra ela.
E presta? Pergunto-lhe.
Ela me responde: "depende da fome".
E ambos caímos na risada.
O telefone toca, é mamãe lá da Paraíba preocupada com o que vou comer. Depois de acalmá-la mostrando a validade de uma comida congelada, papai pega o fone e pergunta se o vôo teve turbulência.
Deixo-vos com o coração bem saudoso, ele com seus 81 anos e ela com seus 80. Ainda fizemos bons passeios, nos dias que a perna de mamãe amanhecia melhor.
Ela ficava preocupava, nos dias que não ia, pois dizia que estava atrapalhando.
Atrapalhava nada de nada. Nestes dias eu e papai fazíamos um programa à frente de casa mesmo, numa praia próxima, de modo que todos nós estávamos juntos novamente no almoço, e a casa voltava a falar amor.
Não tenho mais nenhuma ansiedade de conhecer coisas novas, sair com amigos, participar de atividades culturais, quando estou curtindo meus pais.
Para mim, o maior programa ainda é colocá-los dentro do carro e sair buscando uma praia mansinha e acessível para que possamos nos divertir ao nosso modo. E voltando cedo.
Paro de teclar, olho para a sala, e percebo as coisas largadas. Restos de bagagem por todo canto, um garfo em cima da radiola, um copo perto das plantas. E o que faz aquela camisa largada no chão?
Abro um sorrisão e penso, amanhã, ou quem sabe depois, farei uma faxina.
Estou no meu lar, feliz 2019 Ricardim!

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