16 Mandamentos de Como Ser um Sogro ou uma Sogra Legal (por Ricardo de Faria Barros, sogro e psicólogo)


Um pequeno código de conduta para futuros sogros e sogras — e também para aqueles que já ocupam esse lugar

Ninguém prepara a gente para criar os filhos.

Não existe manual de instrução.

Vamos aprendendo enquanto eles crescem. Erramos, acertamos, improvisamos, fazemos o melhor que conseguimos com o conhecimento, os valores e o mundo que temos naquele momento.

Depois eles crescem.

Apaixonam-se.

Casam.

E começam a construir uma família que já não é exatamente a nossa.

E talvez aí comece uma das tarefas mais difíceis da maternidade e da paternidade.

Desmamar do adulto, do filho que cresceu 

Porque existe um cordão umbilical que não aparece em exame nenhum.

É feito de lembranças, preocupação, medo, saudade, hábito e apego.

Ainda enxergamos aquele homem como o menino que precisava da nossa mão.

Ainda enxergamos aquela mulher como a menina que corria pela casa.

E, quando percebemos, estamos querendo continuar cuidando deles como se ainda tivessem dez anos.

“Você está muito magro.”

“Você engordou.”

“Essa roupa não está boa.”

“Seu marido precisa tratar você melhor.”

“Sua mulher está diferente.”

“Vocês estão se afastando dos ensinamentos que receberam.”

“Eu não faria isso.”

“Esse investimento é uma loucura.”

“Vocês estão educando os filhos errado.”

“Essa casa ficaria muito melhor se vocês fizessem assim.”

E vamos entrando.

Entrando.

Entrando.

Quase sempre chamando isso de amor.

Mas nem todo cuidado é amor.

Às vezes é apego.

Às vezes é medo. É terapia ocupacional de se ocupar com a vida dos filhos.

Às vezes é dificuldade de aceitar que o filho cresceu.

E existe ainda outro complicador.

A aposentadoria.

Quando o trabalho acaba, algumas pessoas ganham tempo.

E esse tempo pode ser maravilhoso.

Pode ser usado para viajar, ler, cultivar plantas, fazer amigos, dançar, estudar, cuidar da saúde, escrever, cozinhar, aprender coisas novas.

Mas pode acontecer uma coisa perigosa.

O tempo que ficou vazio começa a ser preenchido pela vida dos filhos.

Aí o investimento deles vira assunto.

A reforma vira assunto.

A educação dos netos vira assunto.

As escolhas do casal viram assunto.

As brigas viram assunto.

As burradas viram assunto.

Os fracassos viram assunto.

E, de repente, quem não sabe muito bem o que fazer com as próprias horas começa a trabalhar em tempo integral na administração da vida dos filhos.

Sem salário. 

Sem crachá.

E sem ter sido contratado.

Tudo em nome do amor.

Por isso, talvez esteja na hora de estabelecermos um código.

Não um código para controlar os filhos.

Um código para controlar a nós mesmos.

1. Não somos fiscais da vida dos nossos filhos

Não somos fiscais do dress code.

Nem da fé.

Nem da opção política.

Nem dos amigos.

Nem do lazer.

Nem da cultura.

Nem dos hobbies.

Nem do corpo.

Nem dos cabelos.

Nem da orientação sexual.

Nem da profissão.

Nem dos investimentos.

Nem da decoração.

Nem da cor do piso da reforma.

E, principalmente, não somos fiscais do casamento deles.

Se não gostamos da roupa, respiramos.

Se não gostamos da decoração, respiramos.

Se não concordamos com a escolha, respiramos.

Nem toda coisa que nos incomoda precisa ser corrigida por nós.


2. Seu genro ou sua nora não precisa ser uma cópia sua

Seu genro ou sua nora não precisa torcer pelo seu time de futebol, frequentar sua igreja, votar no seu candidato, gostar das suas músicas, ter os mesmos hobbies ou curtir as mesmas coisas que você para ser aceito.

Pode pensar diferente.

Pode acreditar diferente.

Pode se divertir de outra maneira.

Pode ter outros amigos.

Pode enxergar a vida por outro ângulo.

Não é preciso concordar para respeitar.

Seu genro ou sua nora não entrou na família para se transformar numa cópia sua.

É a pessoa que seu filho escolheu para dividir a vida.

E respeitar essa escolha é também respeitar o próprio filho.

Aceitar não significa concordar com tudo.

Significa reconhecer que o outro tem direito de ser diferente sem precisar pagar por isso com rejeição, ironia, crítica ou tentativa permanente de convencimento.

Não precisamos gostar de tudo nele. Precisamos aprender a gostar dele.


3. O genro e a nora não estão fazendo estágio para entrar na família

Eles não precisam passar por uma banca examinadora.

Não precisam provar que são bons o suficiente.

Não precisam se vestir como gostaríamos.

Pensar como pensamos.

Ter a nossa fé.

Gostar das nossas músicas.

Seguir nossos costumes.

Eles precisam apenas ser respeitados.

E, quando possível, acolhidos.

Nosso genro ou nossa nora não veio para ser nosso segundo filho.

Muito menos para receber uma nova educação.

Veio para amar nosso filho.

E isso já deveria ser motivo suficiente para começarmos a construir uma relação de respeito.


4. Antes de dar uma opinião, pergunte a si mesmo: “Fui chamado?”

Essa pergunta pode evitar muita confusão.

Se perguntaram, fale.

Se pediram ajuda, ajude.

Se pediram conselho, aconselhe.

Mas, se ninguém perguntou, talvez seja melhor guardar a opinião no bolso.

Experiência não dá direito de mandar.

Idade não transforma opinião em verdade.

E ser pai ou mãe não significa continuar tendo a palavra final.

Às vezes, o melhor conselho é aquele que não demos.

5. Não transforme preferência em regra

Uma mãe pode gostar de vestido.

Isso não significa que a nora precise usar vestido.

Um pai pode acreditar que determinado investimento é melhor.

Isso não significa que o filho tenha que investir daquela maneira.

Uma família pode ter determinada fé.

Isso não significa que o casal precise reproduzi-la.

“Eu faria diferente” é uma frase legítima.

“Você tem que fazer diferente” já é outra coisa.

Temos direito às nossas preferências.

Eles têm direito às deles.

E uma família saudável não precisa ser formada por pessoas que gostam das mesmas coisas.

Precisa ser formada por pessoas que sabem respeitar suas diferenças.

6. Cuidado com os comentários sobre o corpo

“Você está muito magro.”

“Você engordou.”

“Está acabada.”

“Está muito velha para usar isso.”

“Essa roupa mostra demais.”

São frases que podem parecer pequenas para quem fala.

Mas o corpo é uma das áreas mais vulneráveis de qualquer pessoa.

E sogro e sogra não precisam transformar o almoço de família em consultório de avaliação corporal.

Se a pessoa não pediu sua opinião sobre o corpo, guarde-a.

Há coisas que simplesmente não precisam ser ditas. Vale também para a orientação sexual de nossos filhos.

Uma roupa pode sair de moda.

Um corpo pode mudar.

Mas uma palavra cruel pode permanecer na memória por muitos anos.

7. Não use “eu só quero o seu bem” como autorização para invadir

É possível querer muito bem a alguém e ainda assim ultrapassar seus limites.

Amor não dá licença para invasão.

Cuidado não dá procuração para administrar a vida alheia.

E dizer “eu sou assim mesmo” não apaga o efeito daquilo que dissemos.

Quem fala conhece a própria intenção.

Quem escuta sente o impacto.

Uma frase que dura cinco segundos na nossa boca pode ficar anos na memória de outra pessoa.

Antes de falar, talvez valha perguntar:

Isso vai ajudar ou apenas vai machucar?


8. Não entre nas brigas do casal

Essa talvez seja uma das regras mais importantes.

O filho liga chorando.

Conta uma discussão.

Fala mal da mulher.

A filha liga.

Conta uma briga.

Fala mal do marido.

E o pai ou a mãe imediatamente toma partido.

“Você está certo.”

“Ela está errada.”

“Eu nunca gostei dele.”

“Eu avisei.”

Parece proteção.

Mas pode ser uma armadilha.

Porque a briga passa.

O casal se reconcilia.

E nós continuamos com a opinião que construímos sobre aquele genro ou aquela nora.

Às vezes, o casal consegue resolver uma crise em dois dias.

Mas o sogro ou a sogra que entrou no meio pode levar anos para reconstruir a relação.

O casal precisa ter o direito de brigar e fazer as pazes sem carregar a família inteira para dentro da discussão.

Se houver violência, abuso ou uma situação grave, é claro que silêncio não é proteção.

Mas, nas dificuldades comuns de uma relação, talvez seja melhor oferecer escuta do que julgamento.


9. Não coloque nossos filhos contra seus companheiros

Quando criticamos constantemente o marido ou a mulher de um filho, colocamos nosso próprio filho diante de uma escolha impossível.

“Ou você fica do nosso lado ou fica do lado dele.”

Isso é cruel.

Ele não deveria precisar escolher.

O ideal é que possa amar o pai e a mãe e também amar sua mulher.

Que possa amar a família de origem sem precisar abandonar a família que construiu.

Amor não deveria exigir torcida organizada.


10. Não somos coaches da educação dos nossos netos

Não existe manual de instrução para criar nossos filhos.

Nós fomos aprendendo enquanto eles cresciam.

Erramos.

Acertamos.

Improvisamos.

Fizemos o que podíamos com o conhecimento, os recursos e o mundo que tínhamos naquela época.

E agora eles estão criando os filhos deles.

Só que o mundo mudou.

O que funcionou na nossa época talvez não funcione na época deles. E está tudo bem.

Eles também vão aprender.

Vão observar outros pais e mães que vivem situações semelhantes.

Vão trocar experiências.

Vão conversar com amigos.

Vão pesquisar.

Vão errar.

Vão acertar.

Vão descobrir seus próprios caminhos.

Às vezes, vão aprender até por osmose, simplesmente convivendo com outras famílias e percebendo o que funciona e o que não funciona.

Nós podemos ajudar quando formos chamados.

Podemos contar uma experiência.

Podemos dizer como fizemos.

Podemos oferecer uma mão quando houver necessidade.

Mas existe uma diferença enorme entre compartilhar experiência e assumir o volante.

Sogro e sogra não são coaches da educação dos netos.

Não precisamos corrigir cada escolha.

Não precisamos comparar.

“Na minha época era assim.”

“Eu criei vocês desse jeito.”

“Se fosse meu filho, eu faria diferente.”

Pode ser que fizéssemos mesmo.

Mas nossos filhos não receberam a missão de repetir a nossa vida.

Eles receberam a missão de construir a deles.

E os netos também precisam ter pais que possam descobrir, com liberdade e responsabilidade, que tipo de pai e mãe querem ser.

Nosso lugar pode ser maravilhoso.

Ser colo. Ser apoio. Ser presença. Ser aquele porto onde se pode chegar sem medo de receber uma bronca.

Porque ajudar é bonito.

Interferir em tudo é cansativo.

E existe uma diferença entre oferecer uma lanterna para iluminar um caminho e querer escolher o caminho por eles.

Os filhos são deles. Os netos são deles.

E nós?

Nós podemos ser aquela presença boa que chega para somar.

Sem disputar.

Sem competir.

Sem dar aula.

Sem transformar cada almoço de família em uma reunião pedagógica.

Afinal, nossos filhos também precisam aprender a ser pais.

E talvez uma das maiores provas de que fizemos um bom trabalho seja justamente esta:

conseguir confiar neles quando já não somos nós que estamos segurando suas mãos.


11. Não use o tempo livre para ocupar a vida dos outros

Essa talvez seja especialmente importante depois da aposentadoria.

Se o nosso trabalho terminou, não significa que nosso novo trabalho seja acompanhar a vida dos filhos.

Arrume uma atividade.

Viaje.

Faça amigos.

Aprenda alguma coisa.

Cuide do jardim.

Dance.

Leia.

Namore.

Escreva.

Fotografe.

Ore.

Faça qualquer coisa que faça seu coração trabalhar.

Mas não transforme a vida dos filhos em emprego de tempo integral.

Eles já têm uma vida para administrar. Nós também precisamos ter uma.


12. Deixe os filhos cometerem suas próprias burradas

Eles vão errar.

Vão perder dinheiro.

Vão fazer escolhas ruins.

Vão trocar de emprego.

Vão terminar relacionamentos.

Vão começar outros.

Vão comprar coisas que não deveriam.

Vão educar os filhos de maneiras que talvez discordemos.

E isso faz parte da vida.

Uma das coisas mais difíceis para um pai é assistir ao filho cometer um erro que ele poderia evitar.

Mas nem todo erro precisa ser evitado por nós.

Às vezes, o filho precisa viver a consequência para aprender.

Não podemos viver a vida deles por procuração.

Podemos ensinar o vento.

Podemos mostrar onde estão as pedras.

Podemos oferecer uma lanterna.

Mas o caminho precisa ser deles.


13. Peça desculpas de verdade

Sogros erram.

Sogras erram.

Pais erram.

Mães erram.

Quando errar, não diga apenas:

“Você sabe que eu sou assim.”

Diga:

“Eu errei.”

“Eu não deveria ter falado isso.”

“Entendo que machuquei você.”

“Vou tentar não repetir.”

Desculpa verdadeira não é uma borracha para apagar a consequência.

É uma decisão de mudar o comportamento.

E, às vezes, um pedido de desculpas sincero faz mais pela aproximação de uma família do que anos de justificativas.

14. E os filhos também precisam aprender a colocar limites

Isso não é tarefa somente dos sogros.

Um filho precisa conseguir dizer à própria mãe:

“Mãe, eu te amo, mas isso é assunto nosso.”

Uma filha precisa conseguir dizer ao pai:

“Pai, agradeço a preocupação, mas essa decisão é nossa.”

E isso não deveria destruir uma família.

Pelo contrário.

Limites bem colocados podem salvar relações.

Talvez nós, filhos, também precisemos parar de passar pano.

Porque às vezes deixamos nossos pais fazerem coisas que machucam nossos companheiros simplesmente porque estamos acostumados.

Chamamos de “jeito dela”.

“Ele é assim mesmo.”

“Não liga.”

Mas quem está chegando à família não tem obrigação de carregar aquilo que nós aprendemos a suportar.

Amar nossos pais também pode significar ajudá-los a perceber quando estão ultrapassando uma fronteira.

15. Lembre-se de que seu genro ou sua nora pode se tornar a pessoa que estará ao lado do seu filho quando você não estiver.

Essa é uma ideia que merece silêncio.

Um dia nós envelheceremos mais.

Talvez precisemos de ajuda.

Talvez nossos filhos estejam longe.

Talvez quem esteja ao lado deles seja justamente aquela pessoa que um dia criticamos por causa da roupa, do jeito de falar, da profissão, da fé ou das escolhas.

Vale a pena cultivar essa relação.

Não por interesse.

Por amor.

Porque ninguém sabe quem estará segurando a mão de quem quando a vida apertar.

16. Mude de lugar

Quando o filho é pequeno, seguramos sua mão.

Quando cresce, caminhamos ao lado.

Quando se casa, talvez seja hora de caminhar alguns passos atrás.

Não porque deixamos de ser importantes.

Mas porque uma nova família nasceu.

Nosso lugar mudou.

Ainda podemos ser colo.

Abrigo.

Conselho.

Torcida.

Presença.

Mas precisamos deixar de ser comando.

Porque amar um filho adulto talvez seja justamente conseguir dizer:

“Eu não faria assim. Mas a vida é sua.”

E depois sorrir.

E continuar amando.

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Talvez ser um sogro ou uma sogra legal seja, no fundo, aprender uma arte muito difícil.

Amar sem apertar.

Estar perto sem sufocar.

Ajudar sem comandar.

Aconselhar sem impor.

Discordar sem humilhar.

Proteger sem controlar.

E deixar o casal construir sua própria história, inclusive com seus erros, suas diferenças, suas reconciliações e suas escolhas.

Porque nossos filhos não precisam que voemos por eles.

Precisam que a gente lhes dê céu.

Talvez a gente se esqueça de que também fomos filhotes um dia.

Também tivemos medo.

Também olhamos para o mundo sem saber se nossas asas dariam conta.

E alguém precisou acreditar que daria.

Imagine um filhote de passarinho na beirada do ninho.

Ele olha para baixo.

Abre as asas.

Fecha.

Olha novamente.

Talvez recue.

Até que chega o momento em que precisa tentar.

E é justamente aí que o amor dos pais precisa mudar de forma.

Eles não podem voar pelo filhote.

Não podem segurá-lo no ar.

Não podem abrir as asas por ele.

Podem apenas permanecer por perto.

Talvez até com o coração apertado.

Mas confiando.

Porque um dia aquele pequeno pássaro precisa descobrir que tem asas próprias.

E vai descobrir.

Talvez caia um pouco.

Talvez bata as asas desajeitado.

Talvez pouse num galho baixo.

Mas, aos poucos, encontrará seu vento.

Seu rumo.

Seu céu.

Assim também aconteceu conosco.

Em algum momento da nossa vida, precisamos sair do ninho.

Precisamos experimentar caminhos que nossos pais talvez não conhecessem.

Precisamos fazer escolhas que eles jamais fariam.

Precisamos descobrir que havia céus que eles nem sequer imaginavam.

E é justamente por isso que precisamos ter cuidado para não enrolar nossas próprias asas nas asas dos nossos filhos.

Porque, se fizermos isso, eles poderão até permanecer perto.

Mas talvez nunca aprendam a voar sozinhos.

Podem se tornar dependentes da nossa presença.

Carentes da nossa aprovação.

Inseguros sem a nossa opinião.

E isso pode dificultar a autonomia que a vida deles exige.

Filhos não nasceram para repetir o nosso modelo mental.

Nasceram para encontrar seus próprios caminhos.

Podem chegar a lugares onde nunca chegamos.

Podem descobrir possibilidades que nunca imaginamos.

Podem construir famílias diferentes da nossa.

Podem amar de um jeito diferente.

Podem viver uma vida que nós sequer saberíamos sonhar.

E isso não significa que falhamos.

Talvez signifique justamente que acertamos.

Porque criar filhos não deveria ser construir cópias de nós.

Deveria ser preparar pessoas para um mundo que nem conhecemos.

Por isso, quando chegar a hora, talvez o melhor que possamos fazer seja respirar fundo, olhar para o filhote na beirada do ninho e dizer, mesmo sem palavras:

“Vai.”

“Eu sei que você consegue.”

“Eu confio nas suas asas.”

E deixar que ele descubra o próprio vento.

Porque amar também é isso.

É abrir a mão sem abrir mão do amor.

É deixar o ninho continuar sendo casa, mas não prisão.

É continuar sendo porto, mas não torre de controle.

É oferecer abrigo, mas não gaiola.

E compreender, finalmente, que o maior presente que podemos dar aos nossos filhos não é mantê-los sempre perto.

É ajudá-los a descobrir que conseguem voar.

Com suas próprias asas.

Para os seus próprios céus.

E, quem sabe, um dia, quando olharmos para eles voando longe, possamos sorrir.

Porque foi exatamente assim que, um dia, nós também aprendemos a voar.

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