A Matrix nossa de cada dia!



Nessa última semana recebi três pedidos de socorro que rondam o mesmo tema: a perda do sentido do trabalho.

No primeiro, um amigo quer interceder por uma amiga, que acha que sofre assédio moral. Ela reclama que o chefe passa bolas quadradas para ela resolver no trabalho querendo-a prejudicar lhe em processos seletivos, avaliando-a na sua incapacidade de resolvê-las.

Ou que sente que o chefe não gosta dela e faz de tudo para tirá-la da equipe.

No segundo, um amigo desabafa que toda a energia que ele sentiu quando foi recebido na nova área de trabalho, toda sua alegria, todo seu vigor, estava fenecendo. Murchando.

Ele já não era mais o mesmo e passou a ver contradições, incoerências, e opressões aonde não via.

No terceiro, um colega retrata assim a sua percepção dos sentidos do trabalho:

“O rótulo de vendedor com o qual a organização nos adesivou é ridículo. É óbvio que temos que sê-lo, mas não somente isso. Somos muito mais, somos competentes profissionais. Mas, a Organização nos minimiza à condição de vendedores. E olhe que eu sou um excelente vendedor, mas não é só isso que eu quero ser”.

Eles estão certos ou errados? Estão certos e errados.

Certos em suas percepções, errados em suas reações.

Ao assim dizer, não defendo que vejamos o mundo por lentes irreais, alienadas, “Polianas”.

A velha história do copo meio cheio ou vazio.



Defendo uma posição sobre os sentidos do trabalho diferente. Para mim o sentido não está no trabalho, está em quem o faz.

Já vi animadores de festa infantis infelizes, loucos para que aquilo acabasse logo.

Ontem vi animadores que mais pareciam crianças brincando, enquanto trabalhavam.

O trabalho era o mesmo.

Já vi recepcionistas de hall de entrada de organizações infelizes. Já vi outras que a cada cliente que chegava era uma festa, um encontro, uma possibilidade de realização.

Já vi caixas de banco infelizes. Que passavam o tempo contando os minutos para que a agência fechasse. Já vi outros que a cada atendimento era um dedo (por um segundo) de uma prosa. De um genuíno interesse por aquele que pagava uma simples conta de água. Um deles me disse: “posso ser a única coisa boa na vida desse senhor que trouxe suas moedinhas num saco de embrulhar pão, para pagar a conta de luz. Então não reclamo ter de também contá-las uma a uma. Enquanto conto, aproveito para perguntar-lhe coisas triviais da vida e estabelecer uma conexão. Assim, ao final do dia conheço um monte de gente e saio melhor do que entrei.”

Bingo!

Parece que a felicidade no trabalho não está no resultado final, na venda, na meta, no produto acabado, feito, entregue. Está no processo de fazê-lo, de soprar nele nosso hálito da vida e torna-lo diferente. Mesmo que seja o de bater pregos numa tábua de construção.

E o que pode nos adoecer e deturpar nossa visão do trabalho?

A hiperreflexão. A hiperreflexão é uma doença do eu. Achamos que tudo gira em torno de nós. Que todos precisam nos dar atenção, reconhecimento. Passamos a buscar o sentido do trabalho pela atenção que recebemos dos clientes, do chefe, dos colegas.

Deslocamos nosso sentido para os outros.

Aí já viu né?

Voltemos para o caso 1.

Ele foi sendo agredido pela realidade. Venderam-no uma realidade cor de rosa e ele achou que não precisava fazer nada para manter o rosa. O rosa está dentro de nós.

Então foi consumindo seu estoque de felicidade, levando uma pancada aqui, outra acolá, e ficando resignado, azedo, descrente das pessoas, do trabalho e da organização.

Adoeceu. Ele parou de selecionar rosas ainda existentes, só conseguindo agora captar, com as lentes da emoção, os tons cinzas e escuros do desgastante processo do sobreviver.

A vida é uma história que contamos para nós mesmos. A cada contada vamos aumentando, diminuindo, inserindo cenas, excluindo cenas, vamos moldando-a à nossa capacidade de responder. Refazer essa história e renová-la diariamente é dom, é arte, é aprendizado. Escolher as melhores cenas e contar a história a partir delas é uma possibilidade, e não uma expectativa.

Posso contar minha história de ontem à noite assim.

“Puxa, após uma semana intensa de trabalho, inclusive no terceiro turno, não contava que minha esposa me chamaria para ir á noite a uma festa de aniversário infantil, será que ele não percebe que estou um bagaço”?

Ou assim:

“Cheguei morto de cansado em casa. Era perto das 19hrs. Logo após, minha esposa chegou e disse-me que levaríamos nosso filho para uma festinha de aniversário, naquela noite. Aí pensei: “é tudo de que preciso agora”. Obrigado meu Deus Sair de casa com minha família, ver as crianças brincando, rever familiares, tomar uns uísques no 0800, cantar parabéns, e correr atrás do JG com a câmera a postos me revigorará e poderei me dedicar um pouco à família tão esquecida pelos trabalhos que toquei nessa semana.”

Percebem?

A realidade é a mesma. O que muda a inteligência emocional (IE) investida na interpretação da mesma. Na primeira história o nível de IE é muito baixo. É do caráter apenas da sobrevivência, do instinto. E meu instinto pedia sono. Na II a IE é alta, ela transcende a existência poetizando-a, encontrando um significado diferente para uma noitada coma família, após uma semana exaustiva. Ela remodela o perceber.

No caso 2

A jovem percebe o serviço difícil, quase findando o tempo para entrega-lo, como uma bola quadrada.

Pode ser.

Mas pode ser também uma oportunidade, uma possibilidade para exercer o cargo de descascadora de abacaxis, altamente valorizados por todas as espécies de gestores, humanos ou não.

Há duas formas de reagir. Uma, espero da vida uma resposta. Na outra dou à vida uma resposta.

São escolhas. Numa fico esperando que o chefe me veja e me estimule. Noutra, encontro estímulo no processo que realizo. A atenção e consideração de chefes e colegas passam a ser subsidiária. Até minha relação com as políticas da empresa passam por isso. Posso ficar puto com normas internas, mas ainda assim encontro felicidade no que faço e dali extraio a razão para continuar respirando.



No caso 3. O colega adoeceu de tanto absorver as intempéries do meio. Intoxicou-se, a ponto de ver a sua própria função, embora declarada por ele como de exemplar maestria, a de vendedor, com pouca importância. Ele passou a direcionar seu GPS existencial pela não realização no ato de vender. Está certo ou errado? Mais uma vez, nem certo nem errado.

É a forma que ele aprendeu a perceber-se. Ele se vê como vendedor de coisas. E não de sonhos. Qualquer venda é uma venda de um desejo, de uma fantasia, de um sonho. Muito mais do que a coisa. Mas, para assim ver precisa de outro olhar sobre a profissão. Quando vendo um seguro de vida a um resistente operário da construção civil. Não vendo um seguro para a sua vida. Vendo vida para sua família, caso ele venha a falecer, entendem?

Viram como “engano” meu cérebro e passo a remodelar a forma como a realidade o ataca? Não “empurro seguro de vida a um pobre pedreiro”. Vendo vida para os seus familiares e pessoas que ele ama, e que precisarão de recursos para continuar a lida, após a sua morte, ou terem algum recurso para continuarem a tocar suas vidas. Não vendo seguro de vida pessoal. Vendo seguro vida para pessoas. Entendem?



O que mais vemos nos ambiente de trabalho são pessoas felizes. Sim, pessoas felizes.

Visite qualquer setor numa sexta-feira. Verá pequenos lanches, pequenas celebrações. Sim, há felicidade no trabalho. E por que não haveria de ter?

O que mais vemos no ambiente de trabalho são pessoas tristes. Sim, pessoas tristes.

Veja qualquer blog interno de sua empresa, no campo comentários, e verá o quanto de insatisfação, de negativismo, de pessimismo ali é veiculado.

Filme a entrada do prédio numa segunda-feira pela manhã e verá o quanto algumas pessoas chegam como quem arrastasse grilhões imaginários. Ou navegue pelas páginas do FB no domingo á noite, ou na sexta. Numa parece um velório, afinal amanhã é segunda e vamos ao trabalho, noutra é só felicidade, afinal é sexta e estaremos livres da prisão.

A realidade está grávida de seu contrário. Esse é o movimento dialético das coisas da vida, podem ser ou não ser.

Então o trabalho, a escola, a família, todos os nossos habitares do ser podem ser luz ou travas, ou luz com trevas, ou trevas com luzes...

O que tenho aprendido é a reescrever a forma pela qual percebo.

Descobri que a percepção, as crenças interiores, altera comportamentos e o posicionamento frente à realidade.

Quando me separei do primeiro casamento namorei Adriani. Adriane era um psi-hippie. Ela fazia trilhas, acampava, gostava de músicas estranhas.

Aprendia fazer tudo isso.

Um dia fomos a Natal de carro. Ao passear pelas praias ela soltou um:

“Nossa, aqui é o paraíso das 4 x 4 e suas associações de ecoturismo e trilhas”.
Eu disse: “Oxe, não vi ainda nenhuma Grand Cherokee ou um Ford Jeep”
Ela, com seu jeito manso e risonho disse. Agora tu vai ver um monte, preste atenção. Adriane amou Natal. Amou acampar perto de Genipabu, amou cada duna e passeios “com emoção”. Amou o sol, amou o vento, amou os burburinhos das barraquinhas à beira-mar, na praia do Morro do Careca. Amou a musicalidade do Potiguar, “que fala cantando”.
E passei a amar mais ainda Natal, vendo-a agora pelos olhos dela.
Não precisa nem dizer que passe a ver jeeps em todas as esquinas.
Corta a cena de Adriane. Outro dia recomendei a ida para Natal para o amigo Afonso. Tempos depois o vi pelos corredores, e perguntei se ele tinha gostado. Ele disse-me que “ventava muito, o calor era sufocante o que muito o incomodou, que havia córregos de esgoto à céu aberto saindo das barraquinhas da praia do Morro do Careca, e que achou o bugueiro muito espaçoso, sem discrição e metido”. Por fim, falou que no hotel as crianças não respeitavam o silêncio, brincando até altas horas na piscina, cuja varanda de seu quarto abria para ela.
Percebem?
Aqui quero que preste mais atenção nessa parte do texto. Tome um café para voltar a ler.
Existem pessoas Adriane, que nos levam a ver jeeps. E pessoas Afonso, que nos levam a ver bugueiros metidos, crianças barulhentas, esgotos...
Quem está errado?
Adriane ou Afonso?
Nenhum.
Tudo é uma questão de qual pessoa deixaremos habitar em nós. As duas estão certas.

Preste atenção às pessoas que estão te influenciando.

As pessoas que te influenciam são do tipo Afonso, ou Adriane?

Há pais e mães Afonso. Há colegas de trabalho, idem.

Há chefes e pastores Afonso.

Há famílias inteiras Afonso.

Mas, te alerto, há também as Adrianes.

Aí você me diz que tem consciência, que não se deixa influenciar e coisas do tipo.

Eu te digo. Besteira.



Somos altamente influenciáveis. Se eu te disser que uma pessoa é boa, que conheço a suada e sofrida história de vida dela, por mais que essa pessoa te trate com frieza você dará um desconto.

Agora se eu te disser o contrário. Que ela é uma víbora, uma filha de uma puta, no primeiro contato que você tiver fará tudo para que essa informação faça sentido. Ela poderá ser Madre Teresa de Calcutá, tu só verá e filtrará coisas ruins emanando dela.

A percepção altera o olhar, altera a consciência e a realidade.

Um psicólogo social alemão de nome Ash interessou-se profundamente sobre a influência que causamos nos outros. Influência que aquele que temos em estima e consideração nos causam.

Ele pediu para que 4 líderes, apontados pelo próprio grupo, ficassem em posições diferente num círculo de 30 pessoas, que conviviam com eles. Aos 4 líderes combinou que quando passasse por eles um tubo de ensaio com água destilada eles o aspirassem e dissessem que tinha uma leve fragrância de rosas, de cassis, de café, de alfazema.

Em vários testes, não só os 4 líderes previamente combinados sentiam esses aroma falsos. Um bom número de pessoas era influenciado, sugestionada, por eles e também sentiram aromas, dos mais estranhos possíveis.

Cuidado com quem te rodeia e o tipo de influência que te causa. Existem pessoas Afonso, pessoas tóxicas. Que são altamente criticas, pessimistas, negativistas. Pessoas que no convívio diário contigo vão te contaminar.

Vão te influenciar e tu verás agora os esgotos à Céu aberto, somente eles.

Entende?

Mas, você e eu não somos fascistas. Não queremos uma raça pura, uma nação de pessoas “do bem” e outra expurgada habitando nelas as do mal. Temos dentro de nós, todos sem exceção, luz e trevas. O mal e o bem são frutos do mesmo acontecer. Estão na mesma realidade.

Na mesma pessoa. Não é saindo do mundo e ir viver em cavernas que você se protegerá.

A única forma de antídoto a pessoas infelizes, mal resolvidas, gananciosas e pessimistas é criar um jardim dentro de si.

É compreender qual Natal aquela pessoa estar vendo e aceitá-la, como quem aceita mais um ponto de vista, ou vista de um ponto, sem, contudo deixar de nutrir em si, no mais profundo de teu interior, um jeito Adriane de selecionar os aspectos de teu trabalho e realidade que te causam satisfação.

A alegria do burburinho de um barzinho à beira-mar, por exemplo.

Ou seja, não temos como evitar de conviver com pessoas que adoeceram, que empobreceram sua visão de mundo, tirando dela a fantasia, a poesia, as bonitezas das “acontecenças” simples cotidianas. Pessoas que não possuem mais sentidos e propósitos do trabalho.

O que podemos é desenvolver nosso senso crítico, nossa autonomia, para decidir que extrato da realidade vou filtrar e deixar me posicionar em comportamentos e atitudes por ele.

Todos vivemos numa Matrix. Não percebemos a realidade. Percebemos a realidade que habita em nós. Assim sendo, a realidade é uma Matrix que amplia, distorce, ilude e cria outras realidades reais, porém imaginárias. Nosso mundo percebido, nossa vida lida, é o produto de representações sociais, historicamente construídas e da forma como selecionamos, interpretamos, avaliamos e agimos com as informações e estímulos que nos rodeiam.

Não se deixe adoecer. Há trevas e luz. Alegrias e tristezas. Há puxadas de tapete e reconhecimentos. Há hipocrisias corporativas e consistência entre o falar e agir.

Há tudo junto e misturado.

Quem separa o que lhe faz bem é você. Sem desprezar que existe o outro lado, a contradição, sem ser um alienado.

Apenas por uma questão de principio, de escolha, de postura diante da vida.

No fundo, o velho copo “meio cheio e meio vazio” está todo dia ao nosso lado.

Decidir qual dos dois tomaremos, é uma opção que nos levará á vida ou a morte.

Morte de nós mesmos e de tudo aquilo que um dia acreditamos.

Não delegue sua felicidade ao chefe, ao colega, á empresa, aos filhos, ao cônjuge, aos pais.

Não delegue.

Ela é produto de sua consciência e agir no aqui e agora.

Não feneça ou murche frente aos desafios e coisas não belas com as quais eventualmente tem que conviver ou já sofreu.

Elas passam, você passarinho!

“Tudo é uma questão de manter
A mente quieta,
A espinha ereta
E o coração tranquilo”

14 comentários:

  1. Concordo com suas palavras, mas (tem que ter um mas, rsrs) acredito que podemos contagiar essas pessoas que iremos encontrar, e quem sabe dar um novo sentido a vida e o trabalho delas, acredito que estamos irradiando alegria e isso faz a diferença. Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Podemos sim, faze o papel contrário e nós irradiarmos, contagiarmos os descrentes e cansados. Você está certo.

      Excluir
    2. Podemos sim, faze o papel contrário e nós irradiarmos, contagiarmos os descrentes e cansados. Você está certo.

      Excluir
  2. Excelente, Ricardim!
    A injeção de realidade que tanto precisamos.
    "Cedo ou tarde, você vai aprender, assim como eu aprendi, que existe uma diferença entre CONHECER o caminho e TRILHAR o caminho (...). Matrix"

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A felicidade é no caminhar, não é na chegada. Valeu Rely!

      Excluir
  3. Excelente, nunca havia imaginado que devorar bode com farinha fosse um manjar dos deuses. Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mauro, venha degustar sempre. Aqui cozinho ideias e filosofias que para mim fazem sentido.

      Excluir
  4. Sabias palavras, alimento para a alma. Uma grande lição de vida.

    ResponderExcluir
  5. Estou realmente contaminado mesmo. Doente da alma, talvez. Belo texto, uma reflexão importantíssima. Mas estou em tal ponto de desgosto pelo que faço (sou um dos "vendedores"), que a cada parágrafo lido pensava comigo mesmo "se fosse você no meu lugar, suas palavras seriam as mesmas?", ou "vai lá vender um 'seguro de vida para pessoas', com toda essa motivação, sob a ameaça constante de perder seu cargo caso não atinja a meta X", ou "é fácil falar quando se olha de cima"... coisas negativas assim. Ainda bem que ficaram só no pensamento. Somos colegas de empresa. Parabéns pelas sábias palavras, e contamine mais pessoas com essa linda motivação. Grande abraço.

    ResponderExcluir
  6. Estou em seu lugar agora, na momento que vivo na empresa. E remodelar meus pensamentos estão me ajudando. Não pense que minha carreira tá fácil. E, o receio de perder o cargo também me ronda todos os dias, e com 4 filhos. Tamos juntos!

    ResponderExcluir
  7. Excelente texto, Ricardo. Pessoalmente tento aplicar este conceito em meu cotidiano, apesar das dificuldades, pois concordo que devemos priorizar a rosa e não seus espinhos.
    O grande problema é que tem-se encontrado tantos espinhos e estes tem sida a cada dia mais aguçados e avolumados, que chegam a esconder a beleza da rosa.
    A "dor" desperta o instinto básico do ser humano que é o de preservação e sobrevivência. A sensação de perigo, seja real ou imaginário nos conduz à "trincheira da resistência" e ao estresse. O estresse, numa dose comedida é natural, saudável e natural ao comprometimento com o objetivo, já em demasia torna-se pernicioso.
    Sem o tempo necessário, e aí tem-se a individualidade de cada um para sair dessa posição defensiva, fica difícil perceber-se a beleza e o perfume da rosa. Não que estes tenham desaparecido, apenas perderam status diante das prioridades consideradas para a situação vivencial.
    A tecnologia nos trouxe muitos benefícios, mas fez estagnar nas pessoas a capacidade de diferenciar o potencial de máquinas e homens. Hoje mede-se números e não capacidades. É mais fácil mensurar quantidade, produtividade do que qualidade pois isto possibilita cobrança de resultados considerados prioritários: então mede-se a produtividade individualmente e a qualidade em termos coletivos.
    Creio que, aqui trazendo o assunto para o âmbito “doméstico”, passamos a supervalorizar os Ronaldinhos, em detrimento dos 10 outros integrantes do time em campo. Esta talvez seja grande mágoa/raiva existente hoje e manifesta nos blogs e grupos citados.
    O gol foi marcado, mas o mérito é também de quem lava o uniforme, de quem prepara fisicamente, do estrategista que armou a jogada, do gandula que retornou a bola em campo momentos antes, permitindo a conjuntura de fatos que permitiu a marcação do ponto...
    Maslow, em sua pirâmide de necessidades, coloca o reconhecimento se não na base das necessidades, mas dentro delas. E o que se vê no atual momento é o aviltamento das necessidades essenciais do conjunto para que estas prioridades acessórias sejam relegadas a um segundo plano e à idolatria do estrelismo.
    Claro que cada um pode e deve buscar ser estrela e brilhar, mas mesmo o brilho da estrela precisa da moldura de escuridão para se fazer vista.

    ResponderExcluir
  8. Esse foi bem grande... e li todinho! rsrs

    Quando vejo um mimizento (que vive falando mal de tudo, mimimi...) meu timo se contrai. Dei tanto ouvido a essas pestes e estava me tornando uma. Hoje eu ignoro, finjo que não ouço e saio de fininho. Quando estou atacada, defendo o contrário e tento influenciar... não raro, é inútil. Então, minha atitude é a melhor influência, porque falar cansa, desgasta... sigo fazendo meu trabalho.

    ResponderExcluir

Seu comentário é uma honra.

Crônicas Anteriores