Estive por três dias num grande campeonato esportivo de aposentados do Banco do Brasil.
Delegações de todo o país, vindas das AABBs, ocupando o espaço com cores, sotaques e histórias.
Pela manhã, eu circulava pelos estandes, campos e quadras.
Via jogos marcantes, disputas bonitas, momentos que valiam a pena.
Fazia interações com o pessoal da ANABB, do 70+, CASSI, PREVI, Cooperforte e FENABB.
E tinha também um compromisso afetivo logo cedo.
Às 8 da manhã, lá estava eu na beira da quadra de beach tennis, torcendo por Tânia e Cláudia, de Brasília, amigas dos tempos da DITEC.
Vi duas partidas delas, cedinho.
Virei fotógrafo improvisado, registrando cada ponto, cada vibração.
Ali, por alguns momentos, eu não estava só.
Eu estava junto.
Mas, a partir das 10h30, meu escritório abria.
E funcionava até por volta das 16h30.
Meu escritório, nesses dias, foi uma mesa qualquer na FunFest.
E foi ali que algo em mim encontrou lugar.
Meu escritório naquela área de lazer, era ao lado da delegação de Erechim-RS, que é chamada da Terra da Amizade. E a delegação deles era uma festa em vida. Que integrava a todos na animação do salão.
Uns trinta, ou mais, membros da delegação — jogadores e seus cônjuges, que iam abrindo o salão sem cerimônia, na maior felicidade.
Coreografias inventadas, risos soltos, nenhuma preocupação em parecer bonito.
Só em ser feliz.
Era contagiante.
Eu me alegrava por osmose com eles.
E, se existisse uma medalha por integração e animação na área da FunFest…
Erechim, RS, teria levado ouro.
Aquilo era mais do que animação.
Era uma transfusão de sangue emocional, das boas.
E ali eu entendi:
não tinha só uma história.
Tinham várias.
Foi ali que conheci Pita e Gilvan.
Gilvan, um dos craques do time de futebol de Erechim, RS, no grupo dos 60 aos 70 anos.
Pita, sua companheira de vida, sua cônjuge… e também sua maior torcida.
E foi observando os dois que entendi algo bonito sobre amor.
Pita dançava.
Livre, inteira, entregue à música.
Gilvan, às vezes, ficava à distância.
Observando.
Torcendo por ela.
E, de longe, os olhos deles se encontravam.
Se tocavam.
Na mesma melodia.
Na cumplicidade.
Na compatibilidade de quem escolhe estar junto… sem precisar prender.
Um amor que não pede gaiolas.
Não pede algemas.
E tinha um detalhe que me encantava.
Gilvan era daqueles atentos.
Dos que se lembram do copo vazio da companheira antes mesmo que ela peça.
Ia até o balcão, pegava as duas geladinhas…
e voltava já dançando.
Numa mão, a cerveja.
Na outra, a medalha erguida, brilhando no meio da música.
O corpo leve, atravessando o espaço até o salão como quem celebra a vida em cada passo.
Ali estava um homem livre.
Livre pra viver, pra sentir, pra cuidar sem controlar, pra amar sem prender.
Já consigo imaginar.
Terça-feira, final do futebol.
Gilvan em campo.
E, de algum canto, a voz dela atravessando tudo:
vai, maridão!
Mas a vida também mostra o outro lado.
Na sexta, numa mesa ao lado da minha, uma mulher dançava sozinha.
Livre, inteira, entregue à música como se o mundo coubesse ali.
No sábado, era outra.
Quieta.
Apagada.
Como se, de um dia pro outro, alguém tivesse diminuído sua luz.
E eu fiquei ali, sem saber, mas sentindo.
Porque há amores que expandem.
E há amores que encolhem.
E talvez o maior erro seja quando uma pessoa entrega sua identidade nas mãos de quem deveria apenas caminhar ao lado.
Identidade não se terceiriza.
Nem se negocia.
E por isso eu também louvo Gilvan.
Porque amar não é possuir.
É reconhecer.
E foi ali que eu aprendi:
a arte de erechimzar a vida.
E também o ensinamento mais bonito de Erechim, RS sobre o amor.
Seja o amor a dois,
seja por uma causa,
seja entre amigos.
Um amor que se pode até soletrar:
E de envolver.
R de reconhecer.
E de encantar.
C de cuidar.
H de humanizar.
I de interessar-se.
M de motivar.
Amar é envolver-se com o outro.
Reconhecer o outro. Fazê-lo se sentir pertencendo, acolhido, incluído e valorizado.
Encantar-se com ele e deixar-se ser encanto para ele.
É cuidar…
e também deixar-se ser cuidado.
É humanizar o dia a dia,
sendo compreensivo,
tendo compaixão,
sabendo recomeçar
e também perdoar.
É interessar-se pela vida do outro.
Motivar-se com ele…
e motivá-lo também.
Talvez seja isso.
Erechim, RS não é só um lugar.
É um jeito de amar. Que pede um VAR, uma metáfora do futebol do Gilvan.
Um VAR de Valorizar, Acolher e Respeitar as outras pessoas.
E, quem aprende… a pedir o VAR, a praticar o ERECHIM do amar,
nunca mais desaprende.


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