Se vocês chegaram até este capítulo, já sabem que minha vida nunca foi uma linha reta.
Ela foi feita de curvas.
De encontros.
De despedidas.
De lágrimas.
De recomeços.
De algumas vitórias.
E de muitos aprendizados.
Durante muitos anos achei que viver era conquistar.
Conquistar um cargo.
Construir uma casa.
Publicar um livro.
Ter estabilidade financeira.
Encontrar um grande amor.
Ser reconhecido.
Hoje penso diferente.
Hoje acredito que viver é muito mais aprender.
A vida foi, aos poucos, tirando de mim aquilo que eu imaginava ser indispensável.
Tirou casas.
Mudou cidades.
Mudou trabalhos.
Mudou amores.
Mudou projetos.
Mudou certezas.
E, curiosamente, quanto mais ela tirava, mais eu descobria aquilo que nunca poderia ser levado.
Minha curiosidade.
Minha fé.
Minha capacidade de recomeçar.
Meu gosto pelas pessoas.
Meu encantamento pelas pequenas coisas.
Foi aí que comecei a entender o verdadeiro significado da longevidade.
Envelhecer nunca foi meu objetivo.
Meu objetivo sempre foi continuar vivo por dentro.
Foi dessa inquietação que nasceu um dos projetos mais bonitos da minha vida.
A Longelescência.
Muita gente fala apenas sobre envelhecimento.
Eu preferi falar sobre possibilidades.
Sempre acreditei que a idade pode acrescentar.
Pode amadurecer.
Pode ampliar.
Pode libertar.
Nunca gostei quando diziam que determinada coisa "não era mais para a minha idade".
Quem decidiu isso?
Quem escreveu essa regra?
Aos sessenta anos comecei a correr.
Depois voltei a estudar.
Entrei numa pós-graduação em Saúde do Idoso.
Continuei escrevendo.
Continuei dando palestras.
Continuei fazendo planos.
Descobri que o calendário não pode mandar na curiosidade.
Criem esse hábito.
Nunca parem de aprender.
Nunca.
Mesmo quando acharem que já sabem bastante.
Aliás, desconfiem justamente desse momento.
Foi estudando que descobri uma das práticas que mais transformaram minha vida.
Passei a procurar diariamente três coisas.
Uma coisa bela.
Uma coisa boa.
Uma coisa virtuosa.
À noite, antes de dormir, recordava essas três experiências.
No começo parecia um exercício simples.
Depois percebi que ele estava mudando meu olhar.
O mundo continuava tendo violência.
Problemas.
Injustiças.
Mas eu deixei de enxergar apenas os espinhos.
Passei a perceber também as flores.
Não porque elas fossem maioria.
Mas porque eu havia treinado meus olhos para encontrá-las.
Se algum dia vocês estiverem vivendo um período difícil, experimentem fazer isso durante trinta dias.
Tenho quase certeza de que não mudarão o mundo.
Mas mudarão a forma como o mundo habita vocês.
Também aprendi outra coisa.
Nunca deixem que a solidão se transforme em moradora da casa.
Ela pode visitar.
Todos nós ficaremos sós em alguns momentos.
Eu também fiquei.
Muitas vezes.
Mas sempre procurei responder ao vazio com movimento.
Escrevia.
Lia.
Plantava.
Fotografava.
Dirigia.
Ia à missa.
Estudava.
Telefonava para alguém.
Fazia uma feira.
Tomava um café.
Assistia a uma apresentação de rua.
A vida nunca me pareceu pequena.
Sempre havia alguma coisa esperando para ser descoberta.
Outra característica minha era gostar de "festar" a vida.
Não precisava existir motivo.
Eu festejava uma feira livre.
Uma conversa.
Uma música.
Um pôr do sol.
Um almoço simples.
Um café.
Uma caminhada.
Uma fotografia em família.
Aprendi que felicidade raramente faz barulho.
Ela costuma morar nas coisas pequenas.
Também nunca fui de guardar dinheiro apenas para mim.
Sempre que podia ajudava alguém.
Chamava isso de meu dízimo.
Às vezes ajudava um amigo.
Outras vezes alguém que eu nem conhecia pessoalmente.
Como o Major Drive, que acompanho pela internet e ajudei a comprar cerâmicas para o quarto da filha.
Outras vezes fazia uma feira para minha mãe.
Ou mandava uma ajuda inesperada.
Descobri que dinheiro também pode ser abraço.
Nunca fui rico.
Mas sempre tentei ser generoso.
Gostava de olhar o lado bom das pessoas.
Isso aprendi com meu pai.
Nunca entrava num lugar procurando defeitos.
Entrava procurando aquilo que merecia admiração.
Levei esse hábito para tudo.
Para os relacionamentos.
Para o trabalho.
Para as cidades.
Para os restaurantes.
Para as pessoas.
Talvez por isso eu tenha conseguido fazer amigos em tantos lugares diferentes.
Outra coisa que quero lhes contar.
Nunca fui inteligente.
Fui estudioso.
Persistente.
Insistente.
Quando não entendia uma coisa, estudava outra vez.
Depois outra.
Até aprender.
Não tenham vergonha de não saber.
Tenham vergonha apenas de desistir de aprender.
Ao longo da vida publiquei livros.
Escrevi centenas de textos.
Gravei vídeos.
Criei cursos.
Mentorias.
Palestras.
Mas nada disso foi mais importante do que as pessoas que encontrei pelo caminho.
Se algum legado eu gostaria de deixar, não é uma biblioteca.
É um jeito de olhar para a vida.
Um jeito curioso.
Gentil.
Esperançoso.
Também amei.
Amei muitas vezes.
Cada mulher que amei em minha vida deixou um aprendizado. E todas tornaram parte de quem eu
sou: Diene, Joane, Cristina, Carol, Ieda, Girlane, Ramona, Ana Cristina. E, para elas, meus netos e
bisnetos, eu só tenho uma palavra: gratidão!
Nunca gostei de colecionar romances. Não fui um avô mulherengo. Eu gostava mesmo era de construir
mundos compartilhados.
Aprendia a gostar da cidade delas.
Da família delas.
Dos amigos delas.
Da cultura e estilod e vida delas.
Quando um relacionamento terminava, eu não perdia apenas uma pessoa.
Perdia um universo.
Hoje entendo isso.
E também entendo outra coisa.
É possível recomeçar.
Mais de uma vez.
Se algum dia vocês sofrerem por amor, não fechem o coração.
Ele nasceu para criar novos vínculos.
Não para guardar ressentimentos.
Hoje, já mais velho, encontrei paz.
Descobri que o melhor amor não é o que acelera o coração.
É o que o acalma.
É aquele ao lado do qual o cérebro deixa de galopar para o futuro e para o passado.
E aprende a morar no agora.
Se um dia encontrarem alguém assim...
Cuidem desse encontro.
Vocês também já sabem que gosto de uma frase.
Então deixo algumas para caminharem com vocês.
Nunca deixem a rotina envelhecer antes de vocês.
Continuem estreando.
Sempre que a vida ferir vocês, procurem responder criando alguma coisa.
Olhem primeiro para o que existe de bom.
As mágoas envelhecem mais depressa do que as pessoas.
Aprendam coisas novas.
Abracem mais.
Perdoem antes.
Façam fotografias.
Plantem árvores.
Digam "eu te amo".
Andem descalços de vez em quando.
Tomem banho de chuva, se puderem.
Olhem a lua cheia.
Agradeçam mais.
Reclamem menos.
E nunca parem de fazer perguntas.
Porque foi a curiosidade que manteve o menino Ricardinho vivo dentro do velho Ricardim.
Se um dia vocês quiserem me encontrar, não procurem apenas nos meus livros.
Nem nas fotografias.
Nem nos vídeos.
Nem neste texto.
Procurem-me quando uma criança rir perto de vocês.
Quando um passarinho cantar.
Quando um pôr do sol colorir o céu.
Quando uma flor nascer onde ninguém esperava.
Quando uma estrada convidar para seguir adiante.
Ou quando vocês decidirem começar alguma coisa que muita gente dizia que já não era para a idade de vocês.
Estarei em todos esses lugares.
Porque, no fundo, foi ali que vivi.
E, se eu pudesse resumir toda a minha existência numa única frase, escolheria esta:
Não colecionei sucessos. Colecionei estreias.
Vivam.
Amem.
Aprendam.
Sirvam.
Recomecem.
E quando a vida parecer difícil demais, lembrem-se de uma coisa que o avô de vocês descobriu depois de muitos anos:
Deus nunca desperdiça uma dor quando encontra um coração disposto a transformá-la em amor.
Nunca gostei de colecionar romances. Não fui um avô mulherengo. Eu gostava mesmo era de construir
mundos compartilhados.
Aprendia a gostar da cidade delas.
Da família delas.
Dos amigos delas.
Da cultura e estilod e vida delas.
Quando um relacionamento terminava, eu não perdia apenas uma pessoa.
Perdia um universo.
Hoje entendo isso.
E também entendo outra coisa.
É possível recomeçar.
Mais de uma vez.
Se algum dia vocês sofrerem por amor, não fechem o coração.
Ele nasceu para criar novos vínculos.
Não para guardar ressentimentos.
Hoje, já mais velho, encontrei paz.
Descobri que o melhor amor não é o que acelera o coração.
É o que o acalma.
É aquele ao lado do qual o cérebro deixa de galopar para o futuro e para o passado.
E aprende a morar no agora.
Se um dia encontrarem alguém assim...
Cuidem desse encontro.
Vocês também já sabem que gosto de uma frase.
Então deixo algumas para caminharem com vocês.
Nunca deixem a rotina envelhecer antes de vocês.
Continuem estreando.
Sempre que a vida ferir vocês, procurem responder criando alguma coisa.
Olhem primeiro para o que existe de bom.
As mágoas envelhecem mais depressa do que as pessoas.
Aprendam coisas novas.
Abracem mais.
Perdoem antes.
Façam fotografias.
Plantem árvores.
Digam "eu te amo".
Andem descalços de vez em quando.
Tomem banho de chuva, se puderem.
Olhem a lua cheia.
Agradeçam mais.
Reclamem menos.
E nunca parem de fazer perguntas.
Porque foi a curiosidade que manteve o menino Ricardinho vivo dentro do velho Ricardim.
Se um dia vocês quiserem me encontrar, não procurem apenas nos meus livros.
Nem nas fotografias.
Nem nos vídeos.
Nem neste texto.
Procurem-me quando uma criança rir perto de vocês.
Quando um passarinho cantar.
Quando um pôr do sol colorir o céu.
Quando uma flor nascer onde ninguém esperava.
Quando uma estrada convidar para seguir adiante.
Ou quando vocês decidirem começar alguma coisa que muita gente dizia que já não era para a idade de vocês.
Estarei em todos esses lugares.
Porque, no fundo, foi ali que vivi.
E, se eu pudesse resumir toda a minha existência numa única frase, escolheria esta:
Não colecionei sucessos. Colecionei estreias.
Vivam.
Amem.
Aprendam.
Sirvam.
Recomecem.
E quando a vida parecer difícil demais, lembrem-se de uma coisa que o avô de vocês descobriu depois de muitos anos:
Deus nunca desperdiça uma dor quando encontra um coração disposto a transformá-la em amor.

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