Cartas ao JG - Aos Felizes Anos Novos






Sabe meu filho, vivemos nesses últimos dias coisas legais.
Fomos à Feira da Lua, na última sexta em Sobradinho.
Após visitarmos as inúmeras barraquinhas de comida te levamos para brincar num quase-parquinho que tem lá, com três brinquedos apenas.
Chegando lá, você foi brincar num deles - o elástico.
Fez piruetas dignas de um ginasta olímpico. Outros meninos de tua idade(5) desistiram do Elástico, você não.
Você gosta de altura e de aventura.
Precisava ver sua alegria.
Depois, fomos comer um sanduba na esquina e encontramos com teu irmão, o Rodrigo,
e a Andreza sua esposa, juntos dividimos a comilança e ficamos jogando dominó.
Você gostou de jogar dominó. Já sabe os números e ficou todo contente.
No sábado, levamos-lhe para o trem do Papai Noel, no Espaço Cultural da CEF.
Foi uma experiência significativa nas nossas vidas. O "Expresso Encantado" é bacana e você divertiu-se um bocado.
Saindo dali, fomos jantar no Sabor Brasil, da 302 Sul na esquina da Rua das Farmácias.
Filho, se ao ler essa carta der fome, vá lá!
Pense num lugar para pessoas boas de garfo. Tem de tudo que engorda.
Maravilha. e tem uma galeria de fotos com motivos do sertão,  que te causaram muito espanto. Ver seus olhinhos fitando aquela foto de uma casa de taipa - típicas dos sertões de meu Pai, com um senhor na janela, tocou meu coração.
Hoje vim trabalhar feliz. Nesse ano, não fomos pra virada em Londrina-PR.
Ficamos em Brasília, e vim trabalhar.  Mais tarde teus irmãos e esposas irão lá pra csa: o Tiago e Rodrigo e minhas noras.
romperemos o ano nós sete. Sete é o número da fartura.
Tenho uma família farta em expressões de amor. Um tesouro.
Vindo para o trabalho agradeci gostar de trabalhar, e ter orgulho de minha equipe.
No caminho, parei para tirar a foto dessa árvore que ilustra a cartinha.
Não sem quem foi "plantado" perto de quem. a árvore ou o poste.
O fato é que eles estão muito próximos um do do outro.
Venho acompanhando o crescimento dela, a árvore, têm uns 5 anos.
O poste não cresce. Elementar, mas é sobre esse elementar que convido-lhe a reflexão.
Têm pessoas-poste.
que pararam de crescer.
Que se acham perfeitas, completas e, com uma postura arrogante, fecham-se a qualquer possibilidade de novos aprendizados.
Pessoas que não aprendem com novas culturas, pois acham a delas suficiente.
Que não aprendem novos ritmos, valores, ou mudam velhos hábitos.
Pessoas-postes não atualizam sua existência.
No lugar de crescer vão estacionando.
Ano após ano vão ficando velhas de si mesmas.
Nenhum sonho novo, nenhum brincar novo, nenhuma aventura nova, nenhum motivo novo pelo qual lutar e viver.
Viraram poste.
Você, sê árvore.
Não pare de crescer, de renovar-se a cada estação.
A minha mensagem, para todos os anos novos que terá vida adentro, resume-se nessa frase: Não pare de crescer.

Paramos de crescer quando perdemos nossa conexão com o espiritual;
Paramos de crescer quando perdemos o humor;
Paramos de crescer quando não mais nos vinculamos a grupo algum ou pessoas;
Paramos de crescer quando nosso coração fica apodrecido de sentimentos ruins para conosco mesmo, os outros ou a vida;
Paramos de crescer quando damos muita voz ao nosso eu, e pouca ao tu, ele ou nós;
Paramos de crescer quando não mais acreditamos que o amanhã pode ser melhor;
Paramos de crescer quando a esperança vira em nossas vidas um pálido rosto sem expressão;
Paramos de crescer quando substituímos o amor pelo ódio, em todas as suas expressões - sutis ou nada sutis;
Paramos de crescer quando percebemos que já estamos crescidos demais, e desistimos de novos propósitos.

 
Mas, crescer dói, cansa, exige esforço.
Na vida, você viverá períodos nos quais o conforto da segurança; o lugar comum dos acontecimentos; poderá lhe inibir ao crescimento. Chamo esse períodos do piloto-automático do viver.

Cuidado com eles.

Quando estiver transformando-se de árvore em poste, procure novos motivos para existir.
Lembra no início do texto quando contei de teu final de semana?
Nele têm três coisas que são antídotos ao “empostetamento”:  o elástico no qual brincou. Na vida, evite criar raízes, crie asas. Seja flexível, adapte-se às situações, transforme-se continuamente renovando a esperança.
A segunda foi a do trem do Natal. No trem da vida, procure sentar-se contemplando a paisagem. Veja a vida pelo lado bom da paisagem. Se tiver ruim, mude de lado. Queira a janelinha, não a da ambição aquela de quem acha que merece subir a qualquer custo, e sem esforço algum, só porque merece. Queira a janelinha do lado bom da vida. A da disciplina, coragem e fé. Aquela que nos faz continuar, quando todos desistiram. Nos faz acreditar, quando todos desacreditam. Nos faz confiar, quando todos desconfiam. A da paz, do otimismo, do pensar positivo, de ver na crise as oportunidades, ver nos limites as possibilidades, e perguntar-se sempre: o que eu ainda posso fazer com o que me aconteceu? Há algo que possa aproveitar, apesar da crise?
O terceiro ensinamento, para evitar-se tornar-se concreto – e em forma de gente é a contemplação, nas suas vertentes da curiosidade, do encantamento e do assombro com a maravilha de viver.
Nunca se perca desse sentimento, desse valor. Contemple a vida, o ainda não visto, ou o visto com um novo olhar – o olhar do amor.
Foi a mesma contemplação com a qual te vi olhando para aquele quadro com tema do sertão.
Por último, como que dando uma liga aos três anteriores, aprenda sempre.
Quem está em aprendizado, nas escolas da vida, nunca envelhece.

Vá fazer dança de salão, aprenda uma nova língua.
Conheça novas culturas, brinque, busque uma nova profissão – caso se sinta estranho na que pratica.
Recomece uma relação, ou invista numa nova, conecte-se ao espiritual, ao holístico, aprenda cozinhar e convide os amigos para experimentar.
Não vire poste. É meu pedido.
Por mais crescido que ele possa parecer.

Não se deixe "posteificar" pela ganância, pelos bens materiais, pela ambição, pelo orgulho ou vaidade.

Por uma sociedade do consumo que delega sua felicidade às coisas, e procura superar sua frustração existencial numa busca ensandecida pelo ter, poder e prazer.

Sê diferente.  Escolha um outro caminho.  Mas, repito, exigirá esforço.

É mais fácil ser como todo mundo. Ousar ser diferente, cultivando outros e maus sustentáveis valores, exigirá muita energia. Conte comigo nessa jornada.

Espero nunca virar poste. E sempre ver o ano que se inicia com olhos faiscantes, tal qual aqueles teus ao sair do Trem do Natal.

Olhos que nãos e cansam de ver a vida com a alegria de uma criança ao explorar um brinquedo novo de um parquinho de periferia.

A vida oferece muitos "brinquedos novos", não acostume-se ao que te faz infeliz.  

Imagine o esforço das raízes dessa árvore competindo com o concreto desse poste por espaço vital.

O concreto estará sempre negando o crescer.

O concreto não têm emoções, sentimentos, sonhos, não abraça, não acolhe, não poetisa a existência.
O concreto finge ser fortão, durão, para sobreviver melhor. Mas é triste.

Prefira ser árvore. Mesmo sujeita a todo tipo de intempéries, ainda assim é mais feliz, posto que é muda.
Árvores são inteira e plena em tudo que fazem.


Não pare de crescer.  Simples assim. #Fica a dica.

Os Setes Hábitos para Infelicidade - A Hiper-Reflexão


"Ninguém mais é amigo de ninguém".
"Todos os políticos são corrutos"
"O povo daqui é ruim."
O hábito para a infelicidade da hiper-reflexão torna a pessoas escravas de seu ego (consciência). Tornando-as muito observadoras de si mesmas, e perdendo a espontaneidade.
Esta excessiva atenção voltada para o eu (consciência) suscita espasmos de mal-estar generalizado.
Afinal, um pouco de ignorância, de não saber, é vital para a felicidade.
O excesso de reflexão-  a hiper-reflexão[*],  tem como uma das principais manifestações as profecias auto-realizadoras, por exemplo: "Não dou certo em relacionamentos." "Sei que vou travar na entrevista". "Todo chefe me persegue".
Além de ser expresso nas profecias auto-realizadoras, o hábito da hiper-reflexão também se faz presente em pessoas com uma overdose de certezas racionais sobre ela mesma, os outros e a vida - verdadeiros dogmas imutáveis, quase místicos.
Isto dificulta a abertura da pessoa a novas experiências, culturas e aprendizados.
A aura pseudo-intelectual de inteligência não-emocional vai tingindo a vida com tons fúnebres, pesados, sem espaço para o homo-demens e ludens: homem que fantasia e que brinca.
De tanto crerem que as coisas são assim mesmo, elas acabam moldando-se à sua percepção - como quem a lhes dar razão.
O hiper-reflexivo fica com a percepção seletiva, pronta a lhe dá razão, no elementos que filtra da realidade, vista como um bloco monolítico.
Não há espaços para nuances, para degradês.
Tudo é, ou não é.
A hiper-reflexão perde-se em si mesma, não havendo espaço para o irradiar de novas possibilidades que cada situação carrega em si.
De tanto dizer que ninguém presta, que não confia em ninguém, a realidade se moldará a essa crença.
Ninguém irá prestar mesmo.
Na hiper-reflexão, somos sempre vítimas. Nunca temos culpa ou responsabilidade. Depositamos no outro, na vida, nas circunstâncias a nossa felicidade, e passamos o dia a refletir sobre limites, escassez, riscos e falhas.
Um outro tipo de hábito, da mesma etiologia, é o de passar o dia hiper-refletindo sobre doenças físicas ou emocionais. Os sobre as coisas que não deram certo. É um hábito parecido com a ruminação, contudo mais abrangente. Não poupando nada a esse motor do pensamento. Técnicas de relaxamento, de meditação, podem ajudar. Caminhar, focar objetivamente noutras coisas, usando a própria razão para combater o excesso de razão é um caminho.
Perceber as exceções contidas na mesma realidade, será um bom antídoto à doença do excesso de reflexão. No limite, cultivar valores emocionais: a espiritualidade, a empatia, a compaixão, as artes, a o respeito à diversidade, a humildade, o brincar, o lazer, e um pouco de loucura santa de todo tipo de amor - que valha a pena.
Só a inteligência emocional (IE) conseguirá desligar o motor do pensamento auto-centrado, do ego inflado, do turbilhão de pensamentos sobre tudo e todos. Ela, a IE, com suas competências da capacidade de criar vínculos sociais, da esperança, do otimismo, da empatia, de se relacionar, de se auto-conhecer e do humor poderá resgatar em nós aquela criança que um dia soube fantasiar e brincar com a existência, sobrevivendo - não sem arranhões, às intempéries da vida.
Livre da hiper-reflexão, abriremos espaço para uma nova estética do pensar, um pensar liberto de doutrinações, conceitos petrificados e as prisões imaginárias da razão.
Diminua a hiper-reflexão, contrabalançando-a com a inteligência emocional.
Nota Explicativa: Reflexo vem do Latim RE: outra vez, novamente + FLEXUS, “dobrado, fletido”, do verbo FLECTERE, “dobrar”.
“Reflexão”, no processo mental, acontece quando nos voltamos ou “dobramos” nosso pensamentos para um assunto. HIPER, significa algo em excesso, designado para ampliar o termo "super".

Os Sete Hábitos para a Infelicidade - A Eletrostática Relacional

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Nota Explicativa: A eletrostática estuda a eletricidade estática e seu acúmulo num determinado corpo. A corrente elétrica pode ser gerada por Atrito - Corpos de materiais diferentes, ao serem atritados, perdem ou ganham elétrons; por Contato: ao se estabelecer contato, um corpo condutor eletrizado eletriza outro condutor com carga de mesmo sinal. E, por Indução:  Um corpo eletrizado (indutor), ao se aproximar de um corpo condutor neutro, induz cargas em sua superfície (induzido).
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"Hoje você se superou nos erros no trabalho”.  
"Você poderia passar menos tempo no computador”.
“Você sempre está errado. Sempre!”
“O mundo seria melhor se todos pensassem como penso.”

As frases acima, são mera ficção, contudo qualquer semelhança não será mera coincidência.

Há relacionamentos nos quais toda a tesão foi substituída pela tensão. Relações tensas; carregadas de cobranças, de punições, de jogos dramáticos do tipo: “Eu ganhei, você perdeu”; “Eu não errei, a culpa foi sua”; “Eu estou certo, você errado.”

Você já deve ter convivido com pessoas tão carregadas que ao tocar nelas é como se levasse um choque.

Ou, viveu relações que mais pareciam uma disputa de cabo de força.

Cada um puxando o outro, mas sem espírito competitivo, espírito do brincar. O espírito era do dominar e arruinar o outro, eliminando qualquer espaço de convivência harmoniosa.

Existem cursos do rio da infelicidade frutos de relacionamentos doentios, relações que substituíram a tesão da convivência pela tensão. Quase gerando energia, no contato entre eles seja por atrito, contato ou indução, conforme a nota explicativa acima.
Um vai sugando a energia do outro, exaurindo.
E o pior que se habituou nesse hábito de infelicidade acaba gostando desse pseudo-poder, replicando esse comportamento explosivo, do tipo: “eu estou sempre certo e você nunca”, até nas reuniões da igreja em que participa.
Trata-se de uma espécie luta emocional para dominar o outro.
Aí, perde-se o encanto e admiração no relacionamento.
Todo dia é briga, briga, briga sobre briga.
E não é só em casamentos.
O comportamento se reproduz na vida social, no lazer, junto aos amigos, colegas de trabalho. Se for o chefe, ou um outro tipo de líder institucional, coitado de seus liderados e de suas famílias – sofreram todos.

O portador do hábito da Eletrostática Relacional morre um pouco todos os dias, da pior das mortes: a solidão.
Ninguém o suporta mais, e vão saindo de fininho quando ele chega.

É um curso de um rio dos pensamentos para a infelicidade.

Nele, há pouca, ou nenhuma tolerância e flexibilidade.
São como aquelas malas rígidas que tentamos colocar nos porta-malas de aviões. Dão um trabalhão danado, quando já estão cheios, enquanto aquelas mochilas desafiam as leis de espaço e volume e ao se espremerem acabam entrando em qualquer lugar.

Creio que algumas relações vão ficando tensas, rígidas. E as pessoas sem querer alimentam isso. Jogam combustível, todos os dias, na fogueira dos conflitos. Provocam, soltam iscas, quicam a bola, tudo para começar mais uma vez o jogo do: eu estou certo, você está errado.

A pessoa viciada nesse hábito infeliz tem dificuldade de aceitar críticas, feedback, orientação.

Afinal, se acha um pequeno deus, e todos devem-lhe subserviência, ao expressarem a autoridade.

Vou compartilhar uma história.

No início de minha vida paterna eu era assim para com meus filhos. Excessivamente tenso. Implicava com tudo.
Os banhos não tomados na hora acordada, a TV sempre ligada, a comida deixada no prato, o cachorro sujando a casa. Até que caiu a ficha que eu estava ficando rabugento. Um pai rabugento. Sempre tenso, cheio de cobranças, nunca relaxando e deixando as coisas ajeitarem-se por si só, ou aprendendo a conviver com elas.

Eu não vivia mais a tesão da relação de ser pai.

Durou uns dois anos, acho que eu estava assustado em ser pai tão jovem(19); e esse modo de ser me dava uma falsa sensação de segurança, uma pseudo-percepção de poder.

E isso causa um barato. Por isso vicia. E é aí mora o perigo.

Eu chegava em casa e o Tiago, com dois anos à época, tinha que parar de brincar para que eu “descansasse do trabalho”. Vê se pode?
Era muita cobrança em cima do coitado, nem um copo ele podia quebrar sem levar um cascudo.
Um dia acordei e vi que eu estava me perdendo, afundando-me num jeito de ser tenso, chato, triste e perdendo os melhores anos de meu viver.
Então, desapeguei e deixei as coisas serem mais leves, menos planejadas, menos controladas, menos certinhas... Avacalhei geral com as crianças e me converti ao amor.

Mudei, ainda bem, e a tempo de não destruir a autoestima de meus filhos.

Então, querido amigo(a) se você é do tipo que pega no pé de todo mundo. Que todo dia seu Bom Dia é apontar problemas, falhas, ou situações de que não gostou, convido-lhe a desapegar-se desse hábito para a infelicidade.
Transforme sua energia em tesão, pela vida, pelo outro, até por aquilo que não deu tão certo, ou não funcionou como planejara.
Paciência.
Desapegue-se do “eu estou sempre certo, e você...”
Bota no OLX.
Esse ambiente claustrofóbico vai matar ou envenenar a ambos.
Declare um armistício. Um tempo de paz. Não provoque o cão com vara curta. Tenha mais compaixão e empatia e recupere o encanto de ver no outro o que ele tem, e não o que não tem e lhe faz falta.  
Use a sua energia interior na atração, contato e indução de pessoas às emoções positivas, com práticas de empatia solidariedade e convivência amistosa e saudável.

Os Sete Hábitos para a Infelicidade - A Ruminação Mental

"Aquela entrevista do processo seletivo acabou comigo. Não concordo com o feedback que recebi de que tenho pouca iniciativa. Tenho muita iniciativa. E, iniciativa quando, como? De que iniciativa eles falaram? Nem curso com o nome de iniciativa existe. E a iniciativa deles? E como eles sabem se não viram minha iniciativa".
[um mês depois] "A iniciativa deveria ser mais explícita. Como barrar um candidato com termos tão subjetivos como iniciativa?."

No exemplo acima, o colega sofre de ruminação mental, vejamos no dicionário o que significa Ruminação:
s.f. Ato ou efeito de ruminar, de submeter a segunda mastigação, após reconduzir o alimento do estômago à boca.
Fig. Reflexão demorada, persistente e cuidadosa. Os ruminantes têm quatro cavidades no estômago: pança ou rume, barrete, folhoso e coagulador. Apenas este último produz suco gástrico. No pasto, os ruminantes engolem as ervas apressadamente, quase sem mastigar, acumulando-as no rúmen (que, nos bovinos, pode conter até 200 litros). Depois, em repouso, fazem com que o alimento volte à boca em pequenas porções, que remastigam demoradamente e tornam a deglutir.

No estado de ruminação mental o cérebro entra em loop. Aquele pensamento que nos aflige fica recorrente. Nunca é processado. Sempre “volta à boca em pequenas porções, que remastigam demoradamente”
Fica-se remoendo, murmurando, com o disco arranhando.
Não se vira a página da dor, do sofrer.

Aquela sensação acompanha em tudo. Acorda, vem a cena. Dorme, ela tá ali.
Toma-se banho e no meio do chuveiro, vem o pensamento ruminante.
Até na hora do sexo a peste aparece.

O ruminante aluga os amigos ao contar-lhe a mesma cena de dor, e por uma centena de vezes. Cansa a todos. E, cada vez que revisita cena, a ressente, fica-se ressentido.

Tem ruminante que se separou há 15 anos e ainda fala da separação, dos seus motivos e sofreres, como se fosse ontem.
O pensamento ruim cola da psique qual chiclete, ou música da estação.
O ruminar mental é craque em perceber falhas. Perceber o que falta para a felicidade. Já que, no limite, o estado de ruminação teme a paz, o bem-estar, a felicidade, por medo de que esse momento venha a ser-lhe roubado.

Então, numa goza. Sempre está em alta rotação procurando coisas pra encher a cabeça delas, e, coisas ruins. Se ruminasse as coisas boas seria uma maravilha.
Mas só rumina sobre o que lhe deu errado.
Então, cria um mundo em que tudo está em falta, para nele habitar.
Na ruminação nada está bom o suficiente, vive-se na provisoriedade, tudo no ruminar foca no que falta. "A festa de natal foi boa, mas faltaram muitos”. "Essa praia é linda, mas o mar está sujo".  "Minha casa é própria, mas precisa de muitos consertos". "O casamento vai bem, mas poderia ser melhor". "O trabalho é bom, mas os colegas...". "A empresa é boa, se não fosse pelos clientes."

E por aí vai a ruminação. Outra forma de ruminação mental acontece quando algo não deu certo, ficamos martelando, processando, mastigando aquela emoção qual chiclete, ou um disco arranhado.
Ainda têm as mais cruéis das formas horríveis de ruminação: a inveja, mágoa, falta de amor próprio, culpa e ambição aumentando em muito os níveis de estresse e ansiedade para com o viver.  Repreenda pensamentos assim.
Vire as páginas de situações sobre as quais não terá mais nada a fazer, a não ser aceitá-las, ou conviver com as mesmas, mudando a si mesmo.
Identifique pensamentos recorrentes, repetidos e se liberte deles.

Conto-lhe uma pequena história: Um dia esperava meus filhos e pais na sombra de um coqueiro na praia do Bessa, em João Pessoa. Armei a churrasqueira, o isopor, estendi umas toalhas.
No local, havia uns equipamentos de malhação, feitas de forma rústica pelos nativos.
Enquanto esperava eles chegarem ouvia música e contemplava o mar. Eis que chegam ao local três marombados, fortões e me ameaçam. Dizem que sou farofeiro, que estou sujando a praia deles e o local que eles demarcaram para exercitarem-se.

Alego que deixo tudo mais limpo que encontrei e que estou esperando minha família, que não farei bagunça. Eles continuam as agressões agora dizendo que vão fumar maconha naquele local. Eu digo-lhes que nãome importo com a vida deles e que podemos muito bem dividir aquela área. Meu filho, com meus familiares, e logo sente o clima. Peço-lhe calma... aos poucos os marombados vão se acalmando, não sem antes soltar-nos olhares agressivos e provocativos.
Não entramos na deles. Sim, eles acedem vários cigarros de maconha que tapeamos minha mãe dizendo que são de cravo.  Aos poucos vão indo embora.
Passado o susto, divertimo-nos bastante, como nos velhos tempos farofeiros.

À noite, meu filho comenta a situação muito irado. No outro dia, no domingo, volta a comentar a situação, expressando nervosismo e tristeza pela impotência de não termos feito nada. Alega que temia até por mim, caso eles não tivessem chegasse a tempo.

Nesse momento intervi. Falei que os marombados continuavam em nossa família, agora nos nossos pensamentos ruminantes. Que era hora de deixarmos que eles fossem de fato embora. Que cada vez que trazíamos eles, em pensamento, tudo outra vez, ficando ressentidos.

E, o cérebro não distingue o real, o virtual, o imaginário, a fantasia: nas vivências perigosas: despejando uma profusão de hormônios do medo: adrenalina e cortisol. Por fim, falei que era hora de deixarmos aqueles jovens marombados “irem embora de nossas vidas”. Encerrando aquele assunto e virando a página. Pronto, acabou o tema marombando nas férias de veraneio.

E, não voltamos mais àquele local para fazer piquenique. Mudamos a nós mesmos, evitando futuras situações de conflito. E ainda conhecemos outros locais mais bacanas ainda, daquele que por comodidade de ser muito próximo de nossa casa, ficamos a ele preso como única opção. Fica a dica!

Releia a introdução desse artigo, aquela comparação dos pensamentos e emoções com as águas e o curso de um rio, respectivamente.

O modelo mental de um ruminante ao extremo só se alterará com muito esforço e paciência para consigo mesmo.

Ele foi moldado não em dias, mas em toda uma vida nas escolas das instituições que frequentou: família, estudos e trabalho.

Exigirá vontade, e, mais que vontade, coragem para deixar de ser quem é, e isso causa arrepios. Ser quem somos nos traz conforto.
Mudar, riscos. Riscos, medo. Medo, insegurança.

Convido-lhe à insegurança sobre si mesmo. Você e eu não estamos prontos,  e nem sempre certos sobre nosso modo de ser e agir no mundo.

Agora, se for um ruminante trainee, continue.
O ser humano precisa de certa dose de ruminação mental, até para aprender com elas e melhor processá-las.
Se tiver nenhuma ruminação estará doente também, será uma máquina racional.
Só tenha cuidado para não aumentar a dose, paulatinamente, a ponto de criar um hábito de comportamento perverso e incapacitante, no sentido do desenvolvimento do ser.
São nos extremos que moram o perigo dos hábitos da infelicidade. Pense nisto.

Os Sete Hábitos Para Infelicidade (Introdução 1/8)

A foto dessa reflexão ilustra bem o que iremos discutir, nos próximos dias.
Trata-se da construção da fundação de uma residência, de seu alicerce. As madeiras funcionam como moldes, fazendo uma espécie de caixa na qual o concreto será depositado, entre ferros.
Quando o concreto secar, elas serão retiradas, e o alicerce estará firme. Hábitos são assim, como essas formas de madeiras, são moldes que nos dão segurança, que nos capacitam à ação, perante uma situação que vivemos.
Ou seja, os hábitos moldam em nós padrões de comportamento, rotinas, manias, costumes que visam, no limite, simplificar, racionalizar ou padronizar nossa existência. São importantes resultados de aprendizados, pois sedimentam valores culturalmente e socialmente compartilhados.
Contudo, nem todos os hábitos são virtuosos, positivos e que levam ao crescimento. Existem hábitos entrópicos, que roubam energia, que contribuem para a involução do ser. Para o seu não desenvolvimento.
Pense no hábito de dormir até mais tarde, aprendido nas férias. Ao retorno ao trabalho ou estudos, este hábito precisará ser desaprendido, e logo. Assim como ele existem centenas de hábitos que precisamos desaprender, dando lugar a outros mais saudáveis e que elevem nosso ser, atualizando nossa existência.
A educação é o principal vetor de renovação de nossos hábitos.
Ela nos capacita ao aprendizado de rotinas que respondam melhor às mudanças de ambiente e contexto, fundamentais ao crescimento do ser, e a uma existência plena.
Identificar os hábitos ruins, negativos, que dificultam o crescimento do bem-estar é uma questão de saúde pública.

O que me levou a conversar contigo, sobre os sete hábitos para a infelicidade, foi um email que recebi de um amigo. Nele, o amigo pedia uma orientação para um padrão de comportamento que sentia que estava criando raízes nele: o da infelicidade.

Seja no trabalho, seja no casamento, seja na relação com os filhos, seja até na relação com os amigos.
Sempre estava sentindo-se em falta, ou que faltava-lhe algo para ser feliz.

Ele me revelou que sentia uma vontade danada de partir para um lugar distante e ali descansar.
Aí liguei para o amigo. Têm coisas que precisamos da voz, ou da pele, para melhor ponderá-las.

Soube então que o sentimento de infelicidade dele aumentava quando ele postava suas insatisfações, nas redes sociais, e um coro de descontentes, como ele, as endossava. Ampliando ainda mais as suas percepções de sofrer: com votos de apoio, curtidas e comentários na mesma linha.

Para piorar, ele passou a cobiçar as vidas dos "vizinhos de rede social", para os quais ele achava que a vida não tinha problemas. Não sabia ele que ali são vidas editadas, privilegiando na edição os bons momentos.

Naquele manhã, ele acordou muito cansado de si mesmo. Estava a ponto de estourar.  A gota d´água foi uma discussão boba com sua esposa, por conta de uma tarefa doméstica sempre adiada.

Ele me revelou que sentia uma vontade danada de partir para um lugar distante e ali descansar.
Lembrei-lhe do Salmista, que teve esse mesmo sentimento: " Ó quem me dera asas como de pomba! Então voaria, e estaria em descanso. Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto."  Salmos 55,6-7

Ter esses sentimentos é normal, em ocasiões da vida.  Mas, se não atacarmos o fluxo por onde eles correm, o da infelicidade, o quadro poderá se agravar derivando em depressões, ou, no extremo, em  suicídios ativos ou passivos de todos os tipos.

"Como assim o fluxo da infelicidade, Ricardim?"

Nossos sentimentos, ao longo de nossa história, vão aprendendo a correr como num leito de um rio.
A água são os pensamentos. O leito, nossos hábitos emocionais.
Não adianta querer ser feliz, conduzindo essa água pelo mesmo leito, que por anos foi esculpido na rocha de nosso ser.
Temos que mudar o leito do rio. E isso é lento, exige paciência, autocontrole, autoconhecimento e abertura ao novo. Lembro-lhe, o leito são as emoções, a água os pensamentos.
Os seja, alterar hábitos da vida exigirá um trabalho enorme.  Alterar hábitos de vida é alterar o fluxo, o leito.
Mas, garanto-lhe a mudança será da ordem de uma metanoia, uma mudança profunda, quando alteramos o fluxo, o leito.
Altere o curso do rio, remodelando a forma como habitualmente processa os pensamentos e emoções de tua vida.
Leve suas águas para outros leitos, menos pedregosos de si mesmo.

Desaprenda hábitos, ou padrões de comportamento que te conduzirão, com certeza, à infelicidade.

Como assim, Ricardim?

Amigo, durante anos somos treinados a esculpir o curso do rio de nossas emoções por leitos rochosos, pelos caminhos da infelicidade. Isto acabará por criar hábitos - hábitos são padrões de comportamento aprendidos.
Quem nos treina são as famílias, escolas, amigos, igrejas e trabalho.
Padrões de comportamento que se replicam em todas as áreas de nosso viver, mesmo que nos mudemos dela: casamento a casamento, amigo a amigo, trabalho a trabalho, cidade à cidade, etc à etc... tudo repete-se mais cedo ou mais tarde. Pois, a força do hábito não renova a existência dessas vivências, apenas as atualiza, com os mesmos padrões de comportamento do velho - o do já vivido.

Hábitos que vão criando as condições das pessoas ficarem sempre extremamente infelizes.
Falo "extremamente", pois um pouco de infelicidade é sinal, também, de saúde mental.

A tristeza eventual e em episódios de luto, e as dificuldades, fazem parte do pacote do viver, e temos que beber desse cálice.

Sem querer esvaziar o tema, enumerarei nos próximos posts, os sete hábitos para a infelicidade, que precisamos desaprender urgentemente, tal qual o exemplo do hábito de dormir até mais tarde, re-aprendido nas férias de alguns.

Conversar sobre esse tema, para mim, é uma questão de cidadania, de engajamento na busca de uma saúde coletiva de maior bem-estar.  Nos tempos atuais, testemunhamos uma epidemia de falta de sentido na vida - com multidões de homens-zumbis carregando os fardos de sua existência, cujos hábitos moldaram estilos de vida calcados fundamentalmente no ter, prazer e poder, levando-lhes à uma frustração de sentido.  Aprender novos hábitos de vida, ao desaprender os hábitos de morte, faz-se urgente e necessário ao bem viver. Trata-se de uma questão de saúde e de educação pública.

Aos Aflitos de Coração



Sei que passas por dificuldades e que essa noite será difícil para ti, como a própria virada de ano. Mas, me escute um pouco, apelo-te. 

Ele nasceu no lugar em que se alimentavam animais. 
Imagino seus pais batendo de porta em porta, ela com contrações, pesada, fome, cansados, e o povo negando-lhes uma sala, um corredor, um chão, um resto de varanda sequer.
Não havia lugar para eles na vida dos homens.

Depois, já crescido, começa a anunciar a boa-nova de uma provocação de sua mãe: "Eles não têm vinho".
Faz birra e é duro com ela: "Que tenho eu contigo, mulher? Ainda não é chegada a minha hora."
Mas, ficou fazendo mi mi mi só uma fração de infinito.
Deve ter sentido a "olhada do Pai", e não falo de José, e a obedeceu.

Ele trouxe renovou a alegria dos escravos e aflitos. Não sem razão, palavra alegria é citada 150 vezes na Bíblia, enquanto que tristeza 42, podendo variar um pouco dependendo da tradução.

Ele, trouxe o Caminho, a Verdade e a Vida. Alegrai-vos sempre no Senhor!
A alegria Dele foi devida ao seu Pai ter aceito o sacrifício de Dele, para reatar os laços rompidos com a humanidade. Era essa sua fonte inesgotável de alegria, de esperança. Vou levá-los à casa do meu Pai. Vou diminuir o peso da vida de vocês, do seu viver, tal qual uma viga de madeira faz numa junta de bois de carga, dividindo dindo o peso entre eles, ao que chamamos de jugo. ele veio para os pobres, escravos, humildes, simples de coração. Tomou água na fonte dos "ditos impuros". Não deixou que cumprissem a Lei apedrejando uma adúltera. "Quem não tiver pecado que lance a primeira pedra!."
Hoje o povo das dores mal pode entrar nos templos a Ele dedicados. De tanta ostentação, de tanta gente pura, que se acha.
Ele carregou a cruz por todos nós. Mas, deixou claro, para quem veio e em que condições: a do amor.

Sei que passas por dificuldades, e que essa noite será difícil para ti, como a própria virada de ano. Mas me escute um pouco, apelo-te.

Sei que se sente deslocado, desfocado, sem graça alguma.
Que tem vontade em alguns momentos de desistir de viver.
Sei que choras de molhar o lençol.
Sei de tua dor. A sinto.Tu a carregas como um homem das dores.
E, finge perante todos, para que possa sobreviver aos olhares.
Então, se você que me lê sente-se assim: desanimado, sem energia, pobre, doente, aflito, cansado e triste nesse Natal, junte-se a Ele.
Se sente-se o mais podre dos pecadores, entregue-se a Ele.
Sabe aquele vinho que a sua mamãe Maria pediu para que ele restaurasse o estoque?
Foi para nós. O vinho da alegria.

Sei que passas por momento difícil: pode ser a saudade da morte de um parente, a dor de uma separação, a luta contra uma doença, as cicatrizes abertas das violências que passou... mas acredite: ele venceu o mundo, tende bom ânimo.

Sinta o amor Dele inundar teu coração. Sinta-o acariciando teus cabelos, te ninando e consolando tuas lágrimas.

Sinta Sua presença chamando-lhe para dividir suas dores com Ele. Sinta Ele lhe oferecendo a Paz: "Eu vos dou a Paz".

Nesse Natal, lembre-se do novo estatuto que ele nos deixou, que resume toda Sua Missão: "Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13,34).

Não ligue para as portas que também fecharam-se para ti. Ali, na manjedoura de teu coração, por mais suja que esteja, será onde Ele fará morada e nascerá, dando uma pincelada de esperança e um sentido todo especial ao teu viver.

Feliz Natal!

Tempo de Resetar


Tenho implicação com meu celular. Sempre acho que ele está conectado, mas não está. Uma coisa de doido.
Outro dia ele completava a ligação, eu via o contador de segundos na tela, acusando o tempo da chamada e não ouvia nada.
Fazia isso também quando eu voltava para o número que chamou.
Para piorar o azar, e, “bem na minha vez” - como diz o palestrante, era a minha mulher.
Nessas ocasiões, nem desligando e religando o aparelho funciona. É preciso algo mais. Tenho um segredo: tiro a bateria, tiro o chip, boto tudo no lugar novamente, e pimba!
Não é que funciona.
Não sei se pela força da mente, do além, da operadora, do medo, ou da sorte.
Mas, que funciona, funciona.
Acho que se trata de um reset profundo, daqueles que damos nos modens de nossa casa, ao desligá-lo da corrente e da rede e religá-los. 
Só não descobri ainda como volto a receber SMS do Diretor. 
Juro que não o bloqueei. Mas, não me perguntem o que ocorre: ele manda e não chega nenhum. Aí, tome puxão de orelha. Quem está me salvando é o UOTI.  
Como digo, tenho um certo afastamento e uma certa ignorância na relação com celulares.
Acho que em boa parte da humanidade o mês de dezembro é o mês do reset do ser.
Mais do que retrospectivas, dezembro é um mês místico. 
Tudo fica mais amoroso, mais em paz. Todo mundo arranja um tempo para se encontrar e confraternizar, até consigo mesmo.
Os cristãos, reverenciam aquele que já ao nascer foi rejeitado: “Não havia lugar para eles”, e teve que dividir uma cocheira com animais de um curral. Aquele que nos deu um novo mandamento: “Amai ao próximo, como a ti mesmo.” 
Precisa falar mais algo?  Em sete palavras, e sete é o número da vida: a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Nessa frase, o Senhor Jesus disse tudo.  E, completou mais à frente: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo!” 

Voltando ao mês universal do reset das almas, sempre fico nele reflexivo – beirando o melancólico. Não triste.
É que vivo o doloroso processo de tirar minha bateria, desplugar meu chip, e restaurar conexões perdidas, ou esquecidas, no corre-corre da sobrevivência. Religar-se ao que realmente importa.
Por isso o estado reflexivo. Para alguns, é só um mês. Para muitos, é um balanço. A festa da colheita de tudo que foi vivido no ano e que representa nossa identidade.
É preciso essa parada. Será que fui um amigo fiel? Será que escutei quem de mim precisou, ou estava sempre de janelas fechadas? Será que encontrei tempo para agradecer a quem me ajudou? Será que fiquei atento às coisas boas de meu viver? Ou só registrei as desgraças? Será que murmurei ou resmunguei muito? Será que não será a hora de desapegar de um monte de coisas?
Então, gosto do mês do reset do meu ser. Eu tinha perdido as conexões com os valores que me tornam melhor, no calor do dia a dia e da competição por um lugar ao sol.
Agora, renovo-me e projeto-me esperançoso para mais um ano.
Levo o que deve ser levado, dispo-me do que deve ser despido. Mas, sinto-me em crescimento. Cresci.
Aprendi a não me levar tão a sério. 
Aprendi que mais cedo ou mais tarde alguém me machucará, mas se você não o largar dos pensamentos, o machucado não cicratiza.
Aprendi que preciso celebrar meus aniversários com bolo, e chamar os amigos para dividi-lo.
Aprendi que brincar custa só um galho de uma árvore.
Aprendi que se eu não me respeitar...
Aprendi a não esperar mais do que se deve dos outros, a não depositar sobre eles a carga de minha ansiedade e expectativas.
Aprendi tanta coisa.
Aprendi que tenho que libertar as letras de minha mente, em escritos. Que não precisam ser curtidos, comentados, compartilhados, pois são - antes de tudo, para meu próprio prazer e deleite. Escritos nos tornam imortais.
Aprendi que a morte agora é contada em anos que faltam para o próximo cinquentenário.
Aprendi que não terei como fazer um monte de coisas, ler e ouvir outras... mas que só o fato de querê-las torna-me melhor, e vivo!  
Aprendi que preciso desacelerar. 
Aprendi a conectar e a desconectar ao que realmente me ligar ao WIFI do bem viver. 
Aprendi que preciso cuidar mais de minha saúde. 
Aprendi que entre dormir, tomar sopa, ou caminhar de pés descalços sentindo o sereno da noite, ficarei com a terceira opção, mesmo que gripe.
Aprendi que satisfações para os outros não satisfazem, nem sempre, que as dá.
Aprendi que se eu não gostar de meu rosto no espelho, e tem dias que não gosto, devo esperar por “barbas melhores”.
Ah, como aprendi.  
Por fim, voltado ao primeiro parágrafo, aprendi que aquele tempo que conta na chamada recebida ou feita e que não me pluga a mim mesmo ou ao outro, ou à vida, não voltará. É tempo que se foi.
Portanto, faz-se urgente e necessário que cada cena da vida seja vivida com sabor, degustada como a um bom vinho. 
E, na hora que entrar no piloto automático do viver, sem receber ou fazer chamadas do espírito, para coisas e das coisas que realmente por elas valham a pena viver. 
É preciso ter coragem para redimir-se consigo mesmo, com o outro e com a vida e recomeçar, tudo, outra vez, novamente!
Recomeço, mas sem ser um recomeço. Recomeço, com tudo de bom que me permito guardar e que comigo levo vida afora.  Essa é a única bagagem que de fato importa.

Cartas ao JG - Conecte-se à Graça.



Sabe filho, vivemos um final de semana cheio de graça. Fomos ao parquinho de diversões. Um parquinho simples, daqueles de periferia. Você gosta muito da anã-montanha russa, da barca em forma de pêndulo, do escorrego inflável, da pescaria, do pula-pula e do carro bate-bate. Cada brinquedo custa R$ 2,50, ou um dólar, atualizando o valor para quando você ler, aos 18 anos.

Tudo é muito popular, do jeito que gostamos. Tem cheiro de povo, um povo batalhador que sabe tirar um tempinho e uma graninha, tão curta meu Pai, para levar seus filhos à diversão. Passeamos um pouco sentindo aquele gosto de gente, compramos pipoca pra você e sua mãe, eu compro pastel de “borracha”.

Em todo momento você nos puxa para os estandes de tiro –impróprios para sua idade. Sob protestos, saímos do parque em direção a um Restaurante Japonês aqui em São Sebastião-DF, na Av. Comercial. Você veio no carro, bastante sem graça.

Havia mais de ano que eu queria frequentá-lo, nessa noite matei o desejo. Cozinha decente, mesas simples e limpinhas, atendimento atencioso, decoração do tipo bairro chinês.  Tinha de tudo que gostamos.

E, o sabor do que comemos não deixou a desejar em nada daqueles degustados em estabelecimentos mais chiques. Sem falar que o preço é uns 50% inferior, de graça.

Chegamos em casa por volta das 23hr. Ainda tivemos tempo para assistir um pouco de TV, no canal 183 da NET, TV Diário de Fortaleza-CE.  Nele têm programas engraçados, e naquele fim de noite demos boas risadas juntos. Viramos fãs do 183, e de alguns tipos toscos e cheios de graça participantes de seus programas de auditórios.

No sábado, pela manhã, levei você para seu treino de futebol. Seu técnico está muito feliz com seu jeito pra coisa. Eu aproveito para meditar entre tantas árvores. Ali rejuvenesço. Já conheço um monte de pessoas e troco uns dedos de prosa com elas. Alguns deles já viveram grandes desgraças pessoais, contudo não se deixaram desanimar e continuam dando belas respostas à vida.

À tarde nos divertimos esperando teus irmãos, e preparando um churrasco. Você gosta de ver vídeos de jogos que o povo salva no youtube. Antigamente gostava do Game Lego Star Wars; depois começou um jogo desgraçado de violento que logo descobri e cortei tuas asas: um tal de GTA.  Agora, está na fase do Marvel e da DC Comics.  

Seus irmãos chegaram e a casa ficou cheia de graça. Almoçamos, demos boas risadas. Depois, fomos fazer um inventário dos discos de vinil, enquanto ouvíamos alguns deles especialmente selecionados. À noite o rodrigo fez aquele prato, de que graça mesmo? Ah, o Risoto.
Rodrigo está tomando gosto pela cozinha, foi uma noite memorável com seu irmão e esposa, a Andressa, servindo-nos.

Comemos tanto que ficamos até sem graça me repetir mais uma vez. Perto das 23hrs, deixamos os meninos, genro e noras e fomos ver um pouco de TV, o objetivo era te colocar pra dormir. Mais uma vez, sintonizamos no 183, e demos boas risadas, e de graça.

No domingo, começamos o dia indo ver a Casa do Papai Noel, no Setor Militar Urbano, no prédio da Poupex.  Seus olhos faiscavam de felicidade. Você deu um abraço no Papai Noel que lhe emocionou. Pediu de presente um LEGO City. Ficamos sem graça, acho que não é isso o que virá no trenó.

Saindo dali, fomos almoçar num cantinho de infinito que tem em Brasília, um lugar cheio de graça. É por trás da igreja de madeira da Vila Planalto, chama-se Casarão. Comida maravilhosa, música da melhor qualidade –grupo de choro; opção de mesas sob as frondosas árvores gameleiras. O tri de músicos tocava com a alma, tive que me levantar para filmar parte do show. Um deles, fez minha alma se engraçar de Deus, quando tirou no violino Luar do Sertão, música de minha terra. Logo, você foi explorar o local, após sua peleja diária para almoçar. Sua mãe é uma santa em te fazer comer.

Descobriu uma árvore que nasceu para acolher crianças. Uma árvore com dezenas de galhos que facilitavam a sua escalada. Uma árvore cheia de graça, pela composição de seus galhos e copa. Deveria ser tombada como a árvore de parquinhos. Você a descobriu xeretando o lugar. Ah! menino que gosta de aventura. Ela está ao lado do parquinho, uns 15 metros. Por um momento, eu e tua mãe achávamos que tínhamos lhe perdido. E você ali trepado, no mais alto da copa.  

Encerramos o final de semana agradecendo na Igreja Metodista as graças de tão prazerosos momentos vividos.

Sabe filho, usei nosso final de semana para te falar de um dos conceitos mais difíceis de conceituar. Muito mais fácil de ser sentido do que ser explicado.

Você leu termos como: desgraça; sem graça; graça; engraçado; qual tua graça? Engraçar; desgraçado, de graça, com graça e as graças.

Tem até uma canção famosa que se chama Amazing Grace, (Espantosa Graça) que tenta definir numa canção o que sente quando se alcança o estado de graça.

Esteja atento à graça, esteja sempre cheio de graça. Ela reside na consciência humana e leva os seres ao desenvolvimento espiritual, e não te falo de religiões.

A graça é como uma rede Wifi do espírito. Está ali disponível, mas precisa de senha para conectá-la.

Às vezes a rede tá fraquinha; sem sinal ou seja, em desgraça. Às vezes a rede está sem graça, lenta ao extremo, sem humor algum.

Estes estados de espírito: sem graça e de desgraça serão facilmente detectados em você ou nos outros.  Cuide deles logo. Não deixe que eles em ti façam morada. Lute para superá-los, queda à queda,  você à você, pessoa à pessoa. Não se perca da graça. A graça nos conecta ao universo. Nos faz presentes e atentos ao milagre do viver.

É bacana viver momentos e estados de graça. Cultivá-los, como a um jardim precioso. Eles estão em todo lugar. É só ter olhos para vê-los e coração para tocá-los.

Está no parquinho de diversões; está no restaurante Cerrado-Japonês; está no Risoto; está no disco de vinil raro; está na árvore galhosas; está no violino; está na chuva fininha que caiu; está no humor de um programa de auditório; está numa criança que se debate contra o sono. Está num chute de futebol, está num vôo ao imaginário - de um goleiro esperto.
Está numa planta abrindo-se ao milagre do sol; está numa mãe passeando com seu filho. Está no arado do jardineiro, está no coro da igreja. Está nas mãos que acolhem, perdoam, abraçam e oram. Está em você, em quem me lê, está ali pertinho, nos corações dos homens e mulheres de boa vontade.  

Mas, você precisará de senha para acessar a conexão da graça. Precisará fazer a conexão adequada. Desconectando-se de áreas que sugam a banda larga de teu espírito, e para baixo.
Tem muitas coisas conectando-se ao nosso coração, roubando o sinal da graça.

Um monte de mágoas, ciúmes, inveja, sentimentos de inferioridade, baixa autoestima, “des-perdão” para consigo mesmo e o outro.

Tem gente que delas precisará se afastar. São vilões da graça. Chupa-graça. Vampiro-graça.

Tem formas pelas quais verá o trabalho que dela precisará se afastar. São sem graça.

Tudo isso são conexões que roubam o sinal da graça, tornando-lhe um sem graça: raivoso, rabugento e desprovido de emoções.

Livre-se desses sentimentos que estão roubando sinal de tua banda larga humana, de tua conexão em busca de coisas que realmente valham a pena por elas viver.

Quanto às desgraças, elas virão. Mas passarão. Confie em mim.
Não conte suas desgraças, conte suas bênçãos. Registre suas desgraças na areia, quanto às suas bênçãos: nas rochas.

E, quando sair delas – não se perca dos valores, aí sairá mais capacitado ainda a sintonizar as estações da graça.

Você deve estar curioso para saber a senha da graça, são só quatro letrinhas: amor.

Olhe para vida, pessoas e circunstâncias com a conexão da graça, aberta pela senha do amor, e coisas maravilhosas tu verás.  Elas estão em todas as partes.

Contudo, muitos perderam o encanto, a espantosa graça, de vê-las e vivê-las. A indiferença os envenenou, dia a dia, de modo que tudo agora não mais lhes têm graça. Vacine-se contra a infeção da indiferença: assombrando-se todos os dias com a maravilha de viver, estando atento e presente ao existir.

PAPA FRANCISCO - UM REVOLUCIONÁRIO DO AMOR!

RARAMENTE POSTO TEXTO NÃO AUTORAL.
MAS, ESTE TOCOU-ME PROFUNDAMENTE 
PELA AUTENTICIDADE E REFLEXÃO.  
FONTE: VATICANO
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Um Ato Penitencial Histórico (Tradução - Site Vaticano)
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Cidade do Vaticano (RV) – “A Cúria é chamada a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar plenamente a sua missão”: Foi o que disse na manhã desta segunda-feira (22/12/2014), o Papa Francisco no discurso à Cúria Romana por ocasião dos tradicionais votos de Feliz Natal. “Também ela, como todo corpo, está exposta às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade”.

O Papa quis então mencionar algumas dessas prováveis doenças: são doenças habituais na nossa vida de Cúria, disse, acrescentando: “são doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Ajudar-nos-á o catálogo das doenças – seguindo o caminho dos Padres do deserto, que faziam esses catálogos – do qual falamos hoje, a nos preparar para o Sacramento da reconciliação, que será um bonito passo de todos nós para nos prepararmos para o Natal”.

Depois de agradecer a Deus pelo ano que está terminando, pelos eventos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar através do serviço da Santa Sé, o Papa Francisco pediu perdão a Deus pelas faltas cometidas “em pensamentos, palavras, obras e omissões”.

1. O Pontífice fez então um elenco das quinze doenças iniciando pela doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável”, descuidando dos necessários e habituais controles.

Uma Cúria que não faz “autocrítica”, que não se atualiza – disse o Papa – que não procura se melhorar é um corpo doente. Uma visita aos cemitérios nos poderia ajudar a ver os nomes de tantas pessoas, que talvez pensassem serem imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente, e também daqueles que se transformam em padrões e se sentem superiores a todos e não ao serviço de todos. Disso deriva a patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”.

2. Em seguida o Papa falou de outra doença, a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva laboriosidade: ou seja daqueles que se afundam no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a parte melhor”: sentar-se aos pés de Cristo. O tempo de repouso, para quem terminou a sua missão, – aconselhou o Papa – é necessário, devido e deve ser vivido seriamente.

3. Há também a doença da “petrificação” mental e espiritual: ou seja daqueles que possuem um coração de pedra e uma “pescoço duro”; daqueles que, ao longo da estrada perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem nos papéis tornando-se “maquinas de documentos” e não “homens de Deus”. É a doença daqueles que perdem “os sentimentos de Jesus”, porque os seus corações, com o passar do tempo, se endurecem se tornam incapaz de amar de modo incondicional o Pai e o próximo.

4. Tem também a doença do excessivo planejamento e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minunciosamente e acredita que está fazendo um perfeito planejamento das coisas, de fato progridem, tornando-se assim um contabilista ou contador. Preparar bem é necessário mas sem cair na tentação de querer fechar e pilotar a liberdade do Espírito Santo que é sempre maior e mais generosa de qualquer humano planejamento. Cai-se nesta doença porque “é sempre mais fácil e cômodo apoiar-se nas próprias posições estáticas e imutáveis”.

5. Outra doença – destacou o Papa Francisco – é a doença da má coordenação: quando os membros perdem a comunhão entre eles e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade e temperança, tornando-se uma orquestra que produz rumor porque os seus membros não colaboram e não vivem o espírito de comunhão e de grupo. Quando os pés dizem ao braço “não tenho necessidade de você”, ou a mão à cabeça “eu comando”, causando assim problemas e escândalo.

6. Há também a doença do Alzheimer espiritual: ou seja, esquecer a “história da Salvação”, da história pessoal com o Senhor, do “primeiro amor”. Trata-se de um declínio progressivo das faculdades espirituais que em certo intervalo de tempo causa graves deficiências à pessoa tornando-a incapaz de realizar atividades autônomas, vivendo em um estado de absoluta dependência de seus horizontes frequentemente imaginários.

7. A doença da rivalidade e da vanglória: quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra tornam-se o principal objetivo de vida, esquecendo-se das palavras de São Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada um também para o que é dos outros. É a doença que nos leva a sermos homens e mulheres falsos e viver um falso "misticismo” e um falso “quietismo”.

8. A doença da esquizofrenia existencial: é a doença de quem vive uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que láureas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença, que atinge frequentemente aqueles que, abandonando o serviço pastoral, limitam-se aos afazeres burocráticos, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas reais. Criam assim um mundo paralelo, onde colocam de lado tudo o que ensinam de modo severo aos outros e iniciam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença muito grave.

9. A doença das fofocas, das conversas fiadas e mexericos: desta doença já falei muitas vezes, mas nunca o suficiente: é uma doença grave que começa simplesmente, talvez por causa de uma conversa fiada e toma conta da pessoa tornando-a "semeadora de discórdia" (como Satanás), e em muitos casos "assassino a sangue frio" da fama dos próprios colegas e coirmãos. É a doença de pessoas covardes que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. São Paulo nos adverte: "Fazei todas as coisas sem murmurações, para serem irrepreensíveis e puros”. Irmãos, vamos tomar cuidado do terrorismo das fofocas!

10. A doença de divinizar os chefes: é a doença dos que estão cortejando os Superiores, na esperança de obter a sua benevolência. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honram as pessoas e não Deus (cfr Mt 23: 8-12.). São pessoas que vivem o serviço pensando apenas no que elas desejam obter e não o que elas devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas somente pelo próprio fatal egoísmo. Esta doença também pode afetar os Superiores quando cortejando alguns de seus funcionários para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.

11. A doença da indiferença para com os outros: quando cada um pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos experientes. Quando se toma conhecimento de algo e você mantém só para si, em vez de compartilhá-lo com outras pessoas de forma positiva. Quando, por ciúmes ou dolo, sente alegria em ver o outro cair em vez de levantá-lo e incentivá-lo.

12. A doença de rosto de funeral: ou seja, das pessoas rudes e carrancudas, que consideram que para ser sérias é necessário pintar o rosto de melancolia, de severidade e tratar os outros - especialmente aquelas consideradas inferiores - com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança sobre si mesmo. O apóstolo deve se esforçar para ser uma pessoa educada, serena, entusiasmada e alegre, que transmite alegria onde quer que esteja. Um coração cheio de Deus é um coração feliz que irradia alegria e contagia todos os que estão ao seu redor. Portanto, não vamos perder esse espírito alegre, cheio de humor, e até mesmo auto-irônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo em situações difíceis.

13. A doença do acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial em seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas apenas para se sentir seguro. Na verdade, nada de material poderemos levar conosco, porque "a mortalha não tem bolsos" e todos os nossos tesouros terrenos - mesmo se são presentes - nunca vão preencher esse vazio. Para essas pessoas, o Senhor repete: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu; sê pois zeloso, e arrepende-te”. O acúmulo somente pesa e atrasa o caminho inexorável!

14. A doença dos círculos fechados: onde pertencer a um pequeno grupo torna-se mais forte do que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas com o passar do tempo escraviza os membros tornando-se "um câncer" que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal - escândalos - especialmente aos nossos irmãos menores. A auto-destruição ou "fogo amigo" de soldados companheiros é o perigo mais insidioso. É o mal que atinge a partir de dentro e, como disse Cristo: “Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado”.

15. E a última: a doença do lucro mundano, dos exibicionismos: quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em uma mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poderes. É a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e para este fim são capazes de caluniar, de difamar e desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e revistas. Naturalmente, para se exibir e se demonstrar mais capaz do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo, porque leva as pessoas a justificarem o uso de todos os meios para alcançar tal objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência!

Irmãos, - concluiu no Papa - tais doenças e tais tentações são, naturalmente, um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial... etc. e podem afetar seja o indivíduo seja a comunidade.

É preciso esclarecer que somente o Espírito Santo - a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno Constantinopolitano: "Creio ... no Espírito Santo, Senhor que dá a vida" – pode curar todas as doenças. É o Espírito Santo que sustenta todos os esforços sinceros de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos fazer entender que cada membro participa da santificação do corpo e do seu enfraquecimento. Ele é o promotor da harmonia.

A cura é também o resultado da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de curar-se, sobretudo com paciência e perseverança."

Cartas ao JG - Permita-se às Estações do Murchar, Mas...


Sabe filho, anteontem não sei o porquê mas me senti murchinho. 
Com um certo ar melancólico, uma tristeza que não sabia de onde vinha. 
Explosões solares, hormônios, constelações librianas, conjunções espirituais, 
ou apenas leseira, sei lá, tudo deveria estar conspirando.
Extrovertidos nestas horas penam.
Todo mundo saca e lança logo a peixeira no peito do infeliz, em forma da maldita pergunta:
“O que é que tu tem?”
- Sei lá. Deve ser TPM natalina.
Já me conheço. Deixo-me quieto, não forço minha barra para aparentar ser quem não estou sendo.
Antigamente eu ficava preocupado. Hoje, compreendo-me e deixo-me fluir. 
Vai passar. Mais cedo, ou mais tarde.
Escuto, enquanto teclo, a canção Windmillis of Your Mind.
Quando você crescer e quiser lembrar-se de teu pai escute esta canção.
Ela conta minha história. Não precisa acessar sua letra, igualmente bela, só escute a melodia.
Voltando à minha TPM, previno-lhe: você irá passar por períodos assim.
Chamo-lhes do “Modo Murchar”.
No Modo Murchar tudo fica maior e mais dramático.
Ficamos muito sensíveis e pouco resilientes aos trancos do dia a dia.
Tudo vamos selecionando com o olhar da tristeza. 
Um email de felicitações de ano novo que mandamos para 15 pessoas e só uma respondeu.
Um pedido de ajuda excepcional que logrou êxito e a pessoa que solicitou não disse um obrigado sequer.
Tudo vai ficando melodramático.
Já no Modo Florescer focamos no único dos 15 que retribuiu.
No modo Murchar, focamos nos 14 que não retornaram. Entende?
No Modo Murchar, focamos no cara que não foi grato.
No Modo Florescer, focamos na satisfação pessoal de ter resolvido um problema de alguém que nos pediu socorro.
Aprenda a se ler quando estiver de birra com a vida.
Cuidado para não sair descontando nos outros. Não tome decisões nesse modo,
nem fale nada que depois possa se arrepender.
Espere passar para o Modo Florescer novamente.
Hoje atendi a um colega no modo Murchar. 
Ele vive dramas pessoais: o término de um casamento de 10 anos, a morte recente de um parente próximo.
e sente muito o vazio que a falta da mulher causou, é que ele a ama ainda.
E, até a lacuna que a imensa, alegre e afetuosa família dela passou a lhe fazer.
Procurou-me para saber se eu tinha passado por situações difíceis, e como fiz para continuar trabalhando.
Contei-lhe um pouco minha vida, e ele foi ficando aliviado. 
Quando sofremos achamos que só nós estamos passando por aquilo.
Saber que outros passaram e conseguiram sobreviver nos dá ânimo. 
Contei-lhe meu segredo para florescer, apesar dos pesares: ajudar alguém.
Ele, agora mora com sua mãe. Falei que a ajuda dele à sua mãe pode ser terapêutica,
dependerá de como ele veja a situação: bênção ou maldição.
Então, filho amado, nos momentos em que estiver no Modo Murchar faça algo para alguém, 
doe-se até a uma causa.
Isso ajudará a sair da murcha.
Segunda, por exemplo, resolvi participar do evento Top-Chef BB produzindo um prato 
e trazendo na terça para a degustação dos colegas. 
Cozinhar para os amigos é uma excelente forma de florescer.
Aprenda a cozinhar, nem que seja um mexidão. 
Quem cozinha se conecta ao universo arquétipo e simbólico de nossos ancestrais,
sendo um excelente tônico para o viver.

Segunda cozinhamos juntos. Você era o mestre verdureiro.
Só em ter me envolvido com a compra dos ingredientes, e com a produção de um prato inédito,
já me deu uma alegria danada.
Passamos uma boa noite de segunda juntos, lado a lado na cozinha.
Eu, vivendo o personagem de cozinheiro experimental, daqueles sem receitas, 
e deixando-me guiar pelos sabores, texturas, aromas e cores.
Você, o de malabarista de legumes.
Ontem, trouxe o prato e o pessoal do trabalho gostou. 
Quem cozinha não come muito do que faz; gosta mesmo é de ver o povo comendo e com prazer.
Fiquei super feliz.
E não é que ficou bom, Acho que foi o tempero de tuas mãos.
Filho meu, precisamos de motivos para renovar nossas esperanças.
Precisamos de motivos. Os motivos estão para a saúde mental, como o sol está para o florescer.
Motivos nos dão garra, energia e bem-estar.
Cultive seus motivos com carinho.
Por mais simples que lhes pareça, são os teus motivos o que te pluga à força do viver.
Tem gente que vai murchando, murchando, como quem perde a conexão WIFI. 
Gente que acostuma-se a dividir a conexão de sua vida com vampiros emocionais, 
que só roubam sua vitalidade. 
Deixando-lhes piores ao saírem de suas vida. Cuidado com eles - os vampiros. 
Cuidado para não ficar com o jardim do coração cheio de agrotóxicos emocionais,
que farão murchar tudo em tua alma. 
Cuidado para não ficar como aquele som de celular quando tá acabando a bateria, 
ou perdendo o sinal da torre.
Recarregue-se, mesmo no sofrer.
Recarregue-se levando menos fardos dos outros, menos expectativas acerca deles.
Esperar demais das pessoas é abrir espaço para a tristeza.
Algumas pessoas irão te ferir, mais cedo ou mais tarde.
Algumas pessoas não voltarão para te agradecer.
Algumas pessoas simplesmente te verão como invisível, se é que se pode ver o invisível.
Algumas pessoas vão puxar teu tapete, vão desconfiar de ti, vão te agredir.
Tenha calma, “elas passarão, você passarinho”.
Não nivele sua felicidade pelo que receberá delas.
Se assim o fizer estarás condenado, vida adentro, à tristeza.
Algumas pessoas estarão sempre nos devendo generosidade, afeto, atenção e reconhecimento.
Simples assim.
Tenha compaixão delas. Mas, seja diferente.
Ouse não se embrutecer. Nestes tempos de rostos sem face, atreva-se a viver! Sê diferente, ame no deserto.
Diga muitas vezes obrigado.
Aprenda com seu pai, vamos lá, repita comigo e em voz alta:
OBRIGADO!
Deveria ter a disciplina “Obrigado” nas escolas. 
Fazendo parte dela os tópicos: Como ser grato; Como demonstrar afeto; 
Como perceber as necessidades dos outros; e, Como retribuir generosidades.
Por falar nisso, obrigado por você existir. Obrigado por você, entre um vídeo do GTA e outro, 
visitar o coração de teu pai e dizer que lhe ama.
Mas, repito-lhe cuidado com o modo Murchar.
Ele só deverá habitar teu coração o tempo de um outono e um inverno.
Depois cuide de si mesmo, abrindo novas estações em teu viver, repletas de sol e flores.
Antes que me esqueça, segue a receita que fizemos juntos e que me tirou do Murchar, 
que venham outras receitas, ou motivos para florescer.

YAKISSOTO By Ricardim

Ingredientes:

½ quilo carne de porco
½ quilo carne de carneiro (bode); ou de gado
200 ml de azeite de oliva
2 pimentões vermelhos
8 dentes de alho
4 cebolas
2 cenouras
Sal
Pimenta do Reino
200 ml de shoyu
100 gramas uvas passas sem caroço
100 gramas cogumelos
1 sachê de sopa de cebola
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Procedimentos:
1. Refogue a ½ quilo de carne de porco, previamente cortada em cubinhos, em azeite e ½ pimentão, dois dentes de alho e uma cebola. Coloque sal e pimenta do reino a gosto. Reserve.
2. Corte a carne de carneiro, bode ou (costela de gado) em pedaços grandes. Não tire os ossos.
3. Refogue na panela de pressão até o ponto de doura os pedaços de carneiro (bode). Para o refogado, use uma cebola, dois dentes de alho e ½ pimentão vermelho. Sal e pimenta do reino a gosto. Reserve.
4. Pique uma cebola e dois dentes de alho e ferva-os com um litro de água, levemente salgada e apimentada. Coloque esse caldo na panela de pressão, junto ao carneiro e cozinhe por 30 minutos após levantar fervura. Reserve.
5. Numa panela larga e funda (Tipo WOK) refogue no azeite, uma cebola e um pimentão vermelho picados, até ficarem quase uma pasta, de amolecidos, e coloque dois dentes de alho e duas cenouras, todos cortados em pequenos pedaços. Regue com mais azeite, sempre que necessário.
6. Acresça o ½ quilo de arroz e misture bem. Cozinhe essa mistura por três minutos, mexendo bem.
7. Junte a carne de porco e misture.
8. Desosse o carneiro (bode) cortando em pequenos pedaços. Misture-os ao arroz.
9. Agregue a água do cozimento do carneiro e misture bem. Deixe cozinhando em fogo baixo.
10. Adicione um copo de shoyu e misture.
11. Após ponto de fervura, dissolva um sachê de sopa de cebola no caldo e misture levemente.
12. Acompanhe o cozimento do arroz, sem mexer muito na panela, sempre completando com água previamente aquecida, caso necessário.
13. Não deixe secar muito a água. O ponto da liga é de risoto para mais molhado. Após cozimento, desligue o fogo certificando-se de que a água restante será suficiente para absorção final do arroz, sem que fique seco o resultado final.
14. Deixe o prato descansar por 30 minutos.
15. Realce os sabores adicionando cogumelos e uvas passas, misturando-os ao Yakisssoto.
16. Antes de servir, aqueça bem revirando lentamente o quase risoto e quase yakisoba.

Tempo de Recomeçar


Atravessando a rua, em direção ao almoço de hoje, vi-te caída no chão.
Coração ficou apertado.
Ninguém por ti parava, para uma prece qualquer.
Apressados desavisados passavam por mim como quem a forçar-me sair da frente de suas vidas corridas.
Mal paravam para te ver.
Tu interrompias parte da passagem, deitada na faixa de pedestres.
Mas, eu a vi e parei.
Jazias tu ao lado de um buquê de flores, que outrora te servia de alimento.
Tu eras um enorme “ninho” de abelhas, que despencara de seu galho-alicerce: talvez pela força dos ventos; talvez pela “prudência” dos Homens.
Aproximei-te de ti, incrédulo com a luta pela sobrevivência que testemunhava.
Restos de favos, mel escorrendo, células hexagonais - protetoras de novas crias, expostas.
Pânico e desolação em toda parte.
Podia escutar o choro das crias, nos berço-favos ainda em ser.
Onde estaria a abelha-rainha? Teria se salvado?
Quem cuidaria dos filhotes, agora expostos ao relento e sol inclemente?
Zangões e operárias voavam sem rumo.
Umas chegando com pólen, sem ter onde colocá-lo.
Outros, tentando defender o indefensável.
Eram abelhas sem ferrão, do tipo arapuá. Daquelas que gostam de frutas.
Ajoelhei-me perto delas, não tive medo.
Ali, conectei-me ao momento por alguns minutos.
Solidarizei-me com sua tragédia.
Olhei para elas e contei uma história para acalmá-las.
“Era uma vez uma grande colmeia de abelhas que fora expulsa de sua terra natal.
A árvore na qual tinham feito o seu ninho fora tragada pelas correntes de um trator-gafanhoto.
A mamãe delas era uma Rainha muito forte.
E, esforçou-se muito para tirar a terra que caíra por cima dela.
Ao conseguir, clamou aos quatro ventos por piedade para sua família. O vento Aracati disse-lhe, suba em minhas asas.
Recolha suas filhas, operárias e zangões, venha comigo.
E a elas voaram, voaram, até um pé de manga do quintal de um velhinho solitário.
Todos os dias o velhinho sentava debaixo de sua sombra e ficava conversando sozinho. Naquele dia algo aconteceu.
Um vento estranho trouxe-lhe companhia, às centenas.
A abelha-rainha logo procurou galho seguro, e ali começou novamente sua jornada. Todos os dias o bom velhinho acompanhava a construção.
Cera a cera, favo a favo, nascia uma nova história.
A dele também. Já era hora de sair de casa novamente e atrever-se a viver. Ele tinha parado tudo, desde que sua esposa falecera. Elas inspiraram-nos ao recomeçar.
Elas não tinham vindo naquele vento e àquele pomar à tôa.
O bom velhinho colocou uma placa no pé de manga com a inscrição:
Bem-aventuradas abelhas da esperança, sábias na arte de recomeçar.”
Terminei a estória e todas estavam marejadas.
Fiquei pensando, enquanto as vi pousando uma a uma que ambos voaram para novos lugares: o bom velhinho e as avelhas. Elas para um outro pomar. Ele, ele para uma outra possibilidade de si mesmo.
Ambos reconstruíram suas vidas – e ao mesmo tempo. Um contando para o outro as aventuras e desafios que iam superando.
Coisas simples, como voltar a fazer a barba.
Ou, explorar novos quintais em busca de saborosas fragrâncias em frascos de polens.
Ou, de como é boa sensação de andar sozinho novamente, de reaprender a cuidar de si e da casa. De fazer compras, e até encontrar prazeres esquecidos.
Nos finais de tarde, o velhinho levava um pouco de flores e deixava na porta do ninho.
Então, sentava-se e esperava que suas amigas aproveitassem o pólen por ele trazido.
Aos poucos, foram renascendo: abelhas e homem.
Ambos, com a coragem de sobreviventes.
Não, não era hora de entregarem-se à tristeza e desânimo de lutos amargos.
Terminei de matutar e fazia silêncio.
Lentamente, o movimento ao redor do ninho foi cessando. Nada de revoadas, de vôos desesperados. Nada de procuras por um lugar no galho que não mais existia.
Fiquei aflito, o que disse demais?
As operárias e zangões andavam por cima elas crias.
Como quem a se despedirem.
Uma abelha mais graúda saiu de dentro de um favo.
Por onde passava, todas abriam-lhe passagem.
Eu podia sentir sua dor.
Ela começou a sobrevoar o ninho.
Não sem antes mergulhar por algumas vezes e tocar nas crias.
Parou à minha frente, fez um gesto de agradecimento pelo, e mergulhou numa flor rósea.
Minutos depois, voltou até mim e depositou o pólen em minha mão.
Chorei emocionado. O guardei na minha carteira. Ali há vida.
Depois, ela deu sete voltas ao redor de seu ninho e partiu.
Operárias e zangões, vendo a cena, seguiram atrás, numa grande revoada.
Partiram sem olhar pra trás, em busca de novo quintais e de um corações de homens que precisem de motivos para amar e recomeçarem suas vidas - nem que seja o de observar uma família de abelhas começando tudo outra vez.

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