"Nossa herança maior, será o conjunto de atitudes que tivemos aqui."

Luiz Tadeu, falecido dia 11.02.2013, infarto fulminante.


O inusitado, o imprevisto, o acúmulo de fatais coincidências, o brutal, o inverossímil, o choque, definem uma tragédia.

Uma avó caminhava lentamente com seu neto indo à Igreja, um caminhão desgovernado sobe a calçada e os esmaga.

Um casal amoroso passeia à beira mar, eis que começa uma chuva, cai um raio e os fulmina.

Jovens dançam numa boate, numa boate que em todos finais de semana estes mesmo jovens dançavam, há três anos.
Nesta noite, algo dá errado. Uma sucessão de erros acontecem. Arte pirotécnica insana, para este tipo de lugar, dá sequência a uma série de ocorrências infelizes.
 

Saldo, 200 e poucos mortos.

De um deles, tocava um celular insistentemente. Segundo autoridades policiais, até ser desligado, havia 104 chamadas não atendidas. No visor a expressão: "Mãe".

Uma mãe que o amava muito, e que não se cansou em chamá-lo madrugada a dentro.

Quanta dor nesta espera por um "alô"!

A morte tem seus dias de azedume.
Dias que mata por bobagem: um raio na cabeça de um casal de namorados, uma carreta sem freio, uma fumaça mortal...

A morte tem seus dias de depressão.

Dias de desamor e dia de amor. Sim, dias de amor!

Há mortes amorosas. No regaço da família, esperadas, pressentidas, adivinhadas.

Quase pedidas.

Mortes que nos dão tempo de nos preparar minimamente para a despedida cruel.

Nos dão tempo de tecer as últimas emoções, refazer laços, redescobrir pequenos prazeres, com aquele, que achamos que vai morrer, ou conosco mesmo, vai que sejamos os escolhidos.

Mas, tem as mortes azedas. Trágicas. Sem previsão.

Que desespero aquela mãe sentiu sem ver completada sua ligação!

Que gesto de perseverança ao tentar por 104 vezes, até que alguém deve-lhe ter dito do veredito de seu filho.

104 chamadas não atendidas.

Como seria bom se para cada ser vivente, houvesse alguém que se preocupasse com ele a ponto de procurá-lo por 104 vezes, sem cansar!

Tenho dormido mal com o trágico acidente de Santa Maria-RS.

Eu e um bocado de gente em todo o Brasil.

Sofri por aqueles que se foram tão jovens e seus amigos e familiares.

Solidarizei-me com Cléber Pereira, da Gecap 4, que perdeu sua filha naquela boate, a Sabrina Soares. Quanto dor!

Deveria ser decretado a morte de todas as mortes insanas.

- Um navio que se aproxima muito da costa e tomba.
- Uma bala perdida.
- Um avião que numa estatística de probabilidades ínfimas, consegue chocar-se - na imensidão do céu azul, com um outro que vinha em sua direção.
- Uma criança que ao brincar, na casa de amigos, afoga-se na piscina... sem que ninguém se dê conta e possa salvá-la.

- Um infarto fulminante.

Mortes sem nexo. Sem direito a um adeus.

Nas quais tudo fica em suspenso.

Uma briga não resolvida, um beijo esquecido, um telefonema malcriado, um perdão adiado para depois, ou esquecido nas gavetas de nosso coração.

Tudo fica nas 104 chamadas não atendidas.

Tudo fica naquela despedida do netinho, ao sair de casa, dizendo aos seus pais que ia para igreja com sua vovó.

Tudo fica naquele casal de namorados que rindo, disseram aos amigos que iriam caminhar pela praia.

Tudo fica numa espécie de estado de vir-a-ser.

Por isso são tão brutais.

Tão incompreensíveis e de difícil processamento.

O que nos separa deste raio, deste caminhão desgovernado, desta fumaça tóxica?

O que nos separa daqueles pais, de noticiário recente, que esqueceram os filhotes no carro e estes vieram a falecer. Falecendo com eles, passando a serem vivos-mortos?

Tragédias, o que nos separa delas?

Nada.

Zere suas faturas com a vida sempre que puder.

Deixe a todos que gosta com saudações positivas.

Perdoe.

Ame sem pudor.

Carpe-diem sempre.

Faça a diferença, para o bem, por onde passar. 

Faça como o jovem Luiz Tadeu, o da fot dessa crônica,  que do alto de seus 58 anos continuava sendo um aprendiz da vida. Luiz no  feriado de carnaval foi visitar sua família no RJ e ali, no seio dos amados, teve um infarto fulminante e morreu, ontem dia 11.02.2013.

Luiz morreu sem dívidas para com o amor. Era o próprio amor em pessoa. Veja como ele se descrevia: 

"Acredito na importância dos valores morais, tais como, amor ao próximo e tolerância. Sou muito calmo, e paciente... Adoro rir. Adoro meu trabalho e minha família. Desde 1997, dou aula de 
informática para crianças e adolescentes de uma comunidade carente em Niterói (RJ)."



Um exemplo. 

Dia 8,  três dias antes de falecer, ele deixou esta mensagem para mim, quando reclamava de atitudes nada-humana que testemunhara:


"Ricardo, administrar pessoas é antes de tudo administrar vaidades, por mais que tentamos não nos chocarmos com este tipo de atitude, sempre nos chocamos. É isso! 
Nossa herança maior, será o conjunto de atitudes que tivemos aqui."  

Assim o amigo Rodrigo Bueller o definiu hoje, dia 12.02.2013, veja se não é a descrição de alguém, vítima de uma tragíca morte, daquelas azedas, que não aviusam, não pedem licença, mas que para este não o pegou desprevenido. Sua foice o ceifou em paz!
 "Um cara alegre, de bem com a vida, jovem apesar da idade, conselheiro, estudioso e camarada...O Tadeu era tbm um exemplo de carioca, até pq era apaixonado pelo Rio, era o boa praça, conversava com todo mundo, tinha um comentário otimista e um jeito leve de viver...Como alguns já disseram ele era o mais jovem de todos nós!!! Tadeu era gentil, experiente, mas não arrogante...Era o exemplo em pessoa...Profissional experiente vivendo ali conosco, sem querer ser mais do que ninguém, simples, humilde...Tadeu marcou!!! Sensacional quando brincavam com o Rio e ele dizia: "Esse queria ser carioca hein", ou quando falava comigo na sala me chamando "ô carioca"...Tadeu, você foi um exemplo pra mim e espero que cada um possa também levar seu exemplo!!! A prova de que antes de qualquer coisa devemos nos comprometer...com o trabalho, com a família e com a VIDA! Menos estresse e mais vida, menos reclamação e mais trabalho e humildade. Foi muito bonito ver o jeito carinhoso que vc falava de sua esposa...Fica com Deus amigo! Estou verdadeiramente triste, mas ainda contaminado pelo seu jeito jovem e sei que vc não ficaria triste com o que eu vou dizer...Você ficou um tempão em Brasília e veio passar seus últimos momentos no Rio, pra terminar a vida ao lado da família, sorrindo, amando, vivendo, vendo o Rio que vc tanto amava...Vc realmente é o Carioca, não poderia ter escolhido outro lugar, né!? Vai com Deus amigo! Vai com Deus! Foi mto bom conviver com vc! Continuaremos nessa jornada, com vc na memória."

Portanto, seja como Luiz, e tantos outros. Não faça dívidas afetivas com a vida e esteja sempre pronto a partir.  De malas prontas apra a eternidade.

Seja bom, gentil, ético, justo e grato.

Você e ninguém saberá quando será a próxima fatalidade, se você ou eu seremos suas vítimas, e de que forma, a astuta morte e a sua foice amolada, irão aprontar novamente.

Assim sendo, fecho numa súplica ao Deus de todos os credos, e até ao Deus dos incredúlos, que Você um dia atenda à chamada 105, de nossa mãe, filhos, esposa, familiares, amigos ou a minha própria e nos conforte, e nos ampare, nem que seja no envio de anjos-amigos-da-guarda, para que nos sustentem e nos levantem da protação e dor dos enlutados.



Umbuzeiros e Algaroba Sapiens



Umbuzeiros quando somos frutos, alimento e sustento para os que precisam de nosso existir.
Algarobas quando somos sombra, descanso e ração salvadora da criação.

Radio Velho


Passando uns dias em Londrina, pós virada de ano, decidi procurar na rua Duque de Caxias, famosa por seus móveis usados, um rádio velho. Não só achei o rádio, um GE lindo, como uma enceradeira Arno. Arrematei os dois logo de cara. O rádio a vendedora disse que funcionava. Sintonizou em algo que eu acreditei ter ouvido e fechei negócio.

Quanto à enceradeira, não testei lá e aqui não tive coragem ainda.
Chegando à Brasília, comecei a minha saga para tirar algum som daquele mamute histórico. Juntou-se à missão o meu pai, filho e o namorado da filha.
Tentamos de todo jeito, e nada, só som de estática, uma chiadeira danada.
Até improvisar um fio amarrado numa grelha de espeto, para "aumentar a amplitude da antena", fizemos e nada.
Abrimos um vinho, e entre um gole e outro, aumentava nossa esperança de fazê-lo funcionar. Era o efeito do álcool.
A esposa, rindo baixinho, torcia contra.
Dizia sorrindo que por ela qualquer dia jogaria fora todas as peças de museu que compro - o que a corrijo: "antiquário", e ela emenda: "tudo lixo".
Olhei aquele rádio e fiquei feliz. Feliz por ele chiar. Pelo menos a energia estava circulando e chegando a seus alto-falantes, mesmo que sem pronunciar um bê-á-bá sequer.
Só ouvir aquele som de estática me confortava, ele estava vivo.
Seguimos noite adentro tentando, tentado e nada.
Às vezes, chegávamos perto e parecia que ouvíamos uma voz ou música.
Ou já seria o efeito do vinho?
Cansados, deixamos o projeto momentaneamente de lado. E fomos ouvir uns vinis antiqüíssimos que trouxera, numa das peças de meu museu pessoal – o proscrito, uma radiola.
No outro dia, o rádio era o comentário geral no almoço domingueiro e familiar, mamãe e irmã, associaram-se à minha esposa.
A turma do "é tudo lixo".
Eles estavam noutra sintonia, diferente da minha. O que para mim era valor, para elas era tralha.
Fiquei estranhamente feliz.
Percebi que somos assim mesmo em nossos relacionamentos. Uns valorizam algo que outros odeiam ou desprezam, ou nem percebem.
Somos assim, seres diferentes, plenos por diferentes, e completos só no outro.
Feliz em saber que ali, naquele rádio, estava cada um de nós que perde as estações de seu viver, mas continua vivo.
Fiz um voto em consertá-lo, e não me cansarei em fazê-lo a voltar a sintonizar.
Falando em sintonia, ou falta de sintonia, durante a estada de final de ano em Londrina duas cenas chamaram-me a atenção, ambas lembram meu rádio velho.
Na primeira, um guarda de interior de estabelecimento comercial chamado HAVAN , me abordou com rudeza, alertando-me que era proibido fotografar dentro da loja.
Eu fotografava meu filho, que sorria ao ser carregado pela mãe no carrinho de compras.
Achei a cena de uma beleza pujante.

Nunca me passou pela cabeça fotografar preços ou itens das gôndolas para mostrá-los aos concorrentes.

Aliás, coisa besta esta de proibir fotografias em lojas comerciais. Qualquer celular fotografa, e como evitar?
Na verdade, o guardinha na captou a minha sintonia, que era de sons familiares.
E, apenas cumpriu o conhecido chavão: “ordens são ordens".
Nem aos argumentos que eu fotografava apenas meu filho ele cedeu. Olhar duro, autoridade impoluta, fisicamente ameaçadora. Uma pena que uma loja grande como a HAVAN tenha posturas como essa.

Faltou que ele rodasse o seu "dial" interior e sintonizasse nas ondas que eu emita, e na felicidade que extravasava ao ver o JG tão feliz, sendo carregado pela mãe naquele carrinho manual de feira.

Dial, para os mais novos, era uma espécie de seletor redondo que rodávamos para achar as estações ou os canais de TV. Antes dos controles remotos.

A segunda cena de sintonia foi no estabelecimento Porco no Tacho, que fica num bairro alemão, na periferia de Londrina, chamado Warta-Hental.
Era um domingo véspera de ano-novo. Reuni parte do clã de Londrina no restaurante. Um grupo grande e barulhento. A toda hora eu ia tirar fotos do Julinho, seu proprietário que ficava pilotando as churrasqueiras Apolos e suas costelas no bafo.
Uma festa. Uma foto, um dedo de prosa.
Mas tarde fomos convidados para sentarmos à mesa com o clã dos fundadores do restaurante.
Estavam bisavós, avós, netos, primos. Uma “alemanzada” enorme.
Ao integrar as nossas famílias eles sintonizaram-se na festa que era pra gente o reencontro anual.
Entre um papo e outro elogiamos o molho que acompanhava o porco assado. Um molho agridoce, delicioso. Feito pelo bisavô do clã.
Minha esposa e amiga insistiam para que ele revelasse a receita. E nada.
Passado certo tempo ele as chamou noutra mesa. Lápis e papel na mão passou a descrever os ingredientes e o passo-a-passo da receita, de seu famoso molho.
Nossa mesa – agora unida em dois clãs, ficara com umas 20 pessoas. Todas emudeceram ao notarem a cena na mesa ao lado. A percepção de ver o patriarca da família pacientemente doar a sua receita comoveu e tocou a todos. Pela reação de seus familiares, acho que foi a primeira vez que ele a revelou. Aquele gesto irradiava sons de bondade, generosidade, desprendimento. E todos ficaram sintonizados naquele som que vinha do bisavô, e que só os ouvidos apurados interiores captavam.

As “ondas sonoras que ele emitia” passavam por nós, qual uma lufada de esperança.
Aquela sintonia que captávamos revelava o que a humanidade tem de melhor, a generosidade. Aquele senhor velhinho deu a todos uma lição.
Acho que todos temos um rádio velho no interior de nosso ser.
Um rádio que pode até não estar transmitindo legal, mas é fase.
Acredite.
Às vezes precisaremos de uma melhor antena. Já viu que tem momentos em nossa vida que nossa antena só capta coisas ruins.
Tem até pessoa antena-ruim. Que influencia a recepção de tua própria antena interior.
Aquele que só te leva pra baixo, que suga tua auto-estima.
Tem pessoa programa-ruim Que só emite o que não presta. Que só te faz infeliz.

Gostei tanto deste rádio velho. Ele tem tudo que temos. Antena para captar coisas boas e ruins, depende das escolhas. Alto falantes para propagarmos as coisas que nos fazem bem, nossos valores. Eletricidade para nos manter vivos.
E o famoso seletor de programação (o dial) que nos permite trocar de estação, sempre que infelizes ou insatisfeitos.
Podemos nos sintonizar em novas e mais edificantes estações.
Que gerem sons de perdão, de justiça, de ética, de paz.
Podemos usar nossos alto-falantes de nosso rádio interior para transmitir ondas “sonoras” de liberdade, alegria, empatia, solidariedade, caridade e fé.
Já pensou como seria bom quando alguém sintonizasse em nós, e de nosso interior ouvisse sons de luz, paz, coletividade? Captasse atitudes, nossos comportamentos, e agir positivo no mundo.
Teremos uma grande audiência, tenho certeza, pois os tempos são pobres de boas programações oriundas de nossos rádios interiores.
Há muitos programas interiores que só transmitem inveja, culpa, rancor, mágoa, vingança, ódio, desprezo.
Rode seu “dial”. Caia fora.
Nem transmita isso, nem se sintonize nisso.

Não te fará bem. Afetará teu crescimento interior.

Vez por outra precisamos parar e perguntar em que freqüência está regulando nosso "dial". Ou captando dos outros.
O guardinha não se sintonizou no momento mágico que uma família vivia ao tirar foto de seu filho. O bisavô alemão captou o desejo de uma família – do tipo cliente-de-fora-anual e foi generoso, dando de sua própria essência.
Correndo riscos. Como dizia minha esposa "o molho é o segredo do sucesso do restaurante".
É nada.
O segredo é fazer todos se sentirem em casa, chamando-lhes para dividir a mesa, o segredo é o ambiente de acolhida, fraternidade, e a atmosfera de clã social que eles conseguem criar.
Vez por outra podemos ficar como meu rádio velho. Vivos. Porém sem influenciar ninguém ao nosso redor, nem a nós mesmos, pois perdemos a vontade de falar, de agir, de nos posicionar. Cansamos.
E passamos a emitir sons guturais. Quase gritos de socorro à vida.
Respiramos. O coração bate. Os sistemas vitais funcionam. Mas, perdemos a capacidade de irradiar algo harmonioso. Algo que faça-nos bem. E ao outro também.
Tal o som de estática e chiados que meu rádio velho emite. Que após alguns minutos passa a irritar a todos.
De tanta pancada, sofrer, fomos emudecendo, calando. Perdendo a sintonia conosco mesmos, e o pior, até com as coisas do alto.
E, é neste perder de sintonia, justamente por onde se instala o mostro da indiferença.
Quantos casais perderam-se da freqüência um do outro?
Não se sintonizam mais mutuamente.
Não por emitirem em ondas diferentes. Mas por não se permitirem escutar e valorizar o que o outro emite, “seja um som de forró, seja um de bolero”.
Pais que perderam a freqüência de seus filhos, e vice-versa.
Não os escutam, ou por ele são escutados.
Gerentes eu não captam a freqüência de seus funcionários.
Achar a freqüência certa, sintonizá-la, e dela irradiar algo para melhorar o mundo é tarefa diária.
No outro extremo, emitir na freqüência certa, emitir ondas de harmonia, de liberdade, de gratidão, no seu programa de rádio interior, sobre o qual quem convive contigo tem acesso, não seria maravilhoso.
Não seria maravilhoso que todos que passasse por teu viver saíssem com aquela expressão de quem ouve uma boa canção? Daquela que nos eleva, e até nos faz orar?

Acho que de vez em quando precisaremos de uma junta de amigos para nos ajudar a voltar a funcionar na freqüência certa.
Ajudar-nos a voltar a captar e emitir sons de vida.
Tal qual os amigos desta foto. Um segura uma antena improvisada, outro ajusta parafusos internos, outro dá um pitaco, outro olha com um olhar de quem diz... "será que posso ajudar?"

Sinto por pessoas que perderam sua sintonia fina há tempos.
De tanto sofrer de que foram vítimas, de tanta humilhação, foram acostumando-se com os sons de estática que passaram a emitir, guturais, sem harmonia, sem composição, sem as belezuras de uma partitura tocada numa rádio qualquer.
Foram acostumando-se às migalhas que recebem da vida.
Dos maridos. Das esposas. Dos filhos. Dos chefes. Dos funcionários. Dos clientes. Etc.

Resmungam e resignam-se em murmúrios - quase pedidos de socorro, quase gritos de: “alguém me ajude, escutem meus ruídos interiores e venha cá!”
Deixaram de irradiar, vivem seu momento de entropia.
Por isso me afeiçoei a este rádio da década de 50, que ainda emite sons de estático-chiados.
Ele pede socorro.
Como muitos de nós.
Porém, desaprendeu a falar.
Não sabe mais se expressar no seu pedido de socorro.
Mas, conforto-te.
Se ainda a vida geme em teu ser, há esperanças. Nem que seja em sons de estática.
Sei que com jeitinho, rodando o "dial" mansamente. Aumentando a altura ou posição da sua antena interior, você reencontrará o sentido de seu viver.
Todos nós passamos por fases assim.
Nas quais perdemos a sintonia de nós mesmos, de nossos valores.
De nossa auto-estima.
De tanto ouvir que não temos valor, de ouvir pessoas que só nos diminuem, perdemos o brilho interior e a capacidade de emitir coisas boas.
Perdemos nosso jardim interior.
Perdemos nossos sons interiores, os mais belos, os de nossos valores.
Somos influenciados por uma multidão de sons, frases, palavras, atos, omissões que nos agridem e vamos emudecendo. Perdemos-nos de nós mesmos.
Tal meu rádio velho.
Só não podemos nos entender para sempre perdidos, sem sintonia interior, sem escuta exterior, escuta de boas estações.
Seu rádio velho voltará a funcionar. Pois, não fomos feitos para emitir barulho, mas música. Sons: de comunhão, de eternidades. Sons de recomeço.
É como diz aquela canção: “A vida tem sons que pra gente ouvir
“Precisa aprender a começar de novo”. Veja:

Começo, meio e fim

Roupa Nova

A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa entender que um amor de verdade
É feito canção, qualquer coisa assim,
Que tem seu começo, seu meio e seu fim
A vida tem sons que pra gente ouvir
Precisa aprender a começar de novo.
É como tocar o mesmo violão
E nele compor uma nova canção
Que fale de amor
Que faça chorar
Que toque mais forte
Esse meu coração
Ah! Coração!
Se apronta pra recomeçar.
Ah! Coração!
Esquece esse medo de amar de novo.

Um Des-conto de Natal.

Acordo um tanto ressaqueado no domingo de pré-natal. Lá pelas 17:00, vi que o pastor ligara no meu celular. Ao retornar, aceitei o convite para fazer uma leitura na celebração das 19:30hrs. Tomei um café forte, um banho, escovei umas quinhentas vezes a boca, para espantar a ressaca e seu fétido cheiro. Botei roupa depressa e fui na frente ensaiar o texto. No caminho, resolvi passar no mercado para comprar um halls do mais forte, pois não queria matar o pastor de vergonha com aquele cheirinho de cachaça dormida.
Sou católico, mas frequento esta pequena comunidade Metodista por ser a congregação de minha esposa, e por me faz bem estar por ali. No mercado, vi que a fila do meu caixa demorava. À minha frente um rapaz ia pedindo à caixa para devolver alguns itens já colocados, para que ficasse dentro de seu orçamento de R$ 50,00.
Devolveu um pedaço de queijo, um pacote de uvas e uma caixa d e fraldas. Entre uma devolução e outra o jovem casal discutia.
A jovem mãe, visivelmente irada, segurava sua bebê, que sem entender o que ocorria, sorria para mim.
Pensei em doar a eles aquelas mercadorias faltantes. Contudo, tive medo. Por isso que acho que o natal é a ausência de medo de agir em prol do próximo, seja ele quem for.
O natal é uma decisão, uma decisão de amar.
Uma atitude.
Não importa as conseqüências.
Fiquei matutando naquela pequena bebê que deve ter passado apuros na noite de 23/12 por não ter as fraldas. E no quanto aquele jovem casal priorizara botar outras coisas na sua minúscula feirinha, esquecendo as fraldas da bebê. Na discussão, percebi que havia desaparecido uma nota de R$ 20,00. Deve ter sido justamente o que faltava.
Pela cara do jovem ele tinha culpa no cartório. Ou perdeu o dinheiro, ou "ai, ai, ai" tomou de cervejas.
Fiquei com medo de intervir e ele sentir-se humilhado, ofendido na minha falta de respeito a sua privacidade, ou até aguçar a irada esposa contra ele próprio.
Sei lá. Temi.
Mas, eu me dirigia para uma igreja. Como pude ser tão impotente? Lembrei daqueles que desciam a montanha e passavam ao largo de um senhor que ferido jazia à beira da estrada, uma parábola chamada de O Bom Samaritano que Jesus nos conta em Lucas 10:30-37. Engraçado, ali também passou apressado um sacerdote e não o parou para ajudá-lo. Quem parou foi justamente um descrente, um samaritano. Um excluído da sociedade da época, considerado impuro. Não quero tecer uma discussão teológica sobre o texto de Lucas. O que me chamou a atenção foi a não atitude minha, quando era preciso e oportuna. Então, este é o meu conto de não-natal de 2012. Estou embrutecendo, perdendo a sintonia com a intuição da bondade que manda agir, que é mais forte do que todos os receios. Que acredita em coisas bobas como doação gratuita, perdão e gentileza. Passei a celebração toda me sentindo um merda. Ahh se eu pudesse voltar as fitas de meu viver e agir nas horas que era necessário agir. Vi um filme aqui neste link:http://www.youtube.com/watch?v=ID0kgP9IVhs
que mostra o quanto, quando somos tocados pela bondade, podemos sair reproduzindo este toque e melhorando nosso mundo. Queria dedicar meu natal àquela bebezinha.
Que nunca mais lhe falte agasalho, que nunca mais falte-lhe solidariedade pela vida afora. Que nunca mais seus pais se descuidem dela.
E que minha sintonia com as coisas do bem, meu "dial" existencial, volte urgentemente a se conectar e a influenciar o mundo ao meu redor, para que seja um bom local para se viver. Nem que para isso eu volte a tomar coragem na cara e agir, irradiar com doses de amor, a imobilidade das trevas que dizem e repetem "as coisas são assim mesmo". Que eu possa mudar. Deixar de ser hipócrita. Ver que ao meu lado tem gente que precisa que eu ande mais devagar para que as note e as reconheça em suas necessidades. Que eu possa, caso necessário, chamar outros seres de paz espalhados e dispersos, às vezes até marginalizados, por suas opções sindicais, políticas, religiosas, não-religiosas, étnicas para que nos juntemos num brado à vida. Vou tomar um porre de fé, fé das boas, daquela fé que homens de boa vontade possuem, e que mesmo sem frequentarem templo, botam em prática, vendo no ser humano o maior e mais precioso de todos os templos, agindo para sua reconstrução. Aquela fé como a de um amigo ateu que sacou R$10.000 de sua poupança e deu a sua diarista para reforma de seu barraco. É disso, de meu amigo-ateu, de que preciso, atitude. Coerência. Não teria me custado nada uns 20 reais a mais. E, caso fosse mal recebido, qual o problema? Teria feito minha parte. Amar é decisão. E é para os fortes. Sejamos fortes na remoção de tudo que nos impede de amar. Mágoas passadas, ódios centenários, culpa, inveja, ciúmes e desesperança.

O Peladão da Ponte JK


Todos os dias passo por este homem nu, na calçada de uma avenida próxima à terceira ponte do Lago, a JK.
Por ali circulam milhares de veículos dia, e todos cruzam com o peladão e seu bilau descaradamente à mostra.
O peladão faz parte da exposição de Antony Gormley – Corpos Presentes, que são esculturas feitas a partir do corpo dele, expostas aqui em Brasília no Centro Cultural Banco do Brasil.
Curiosamente, todos os dias o peladão acorda vestido com algo. Divirto-me procurando adivinhar qual a vestimenta do dia.
Já botaram nele touca de Papai Noel, boné, calcinha, cueca, sutiã, camisa de clube esportivo, camisa do BB.
Quando não botam nada, cobrem o pinto do bem dotado Antony.
Hoje a criatividade dos salva-peladão teve um toque de moda inglesa, colocou-lhe um chapéu vistoso, do tipo cartola, e o peladão ficou tal qual um lorde inglês.
Então, não me contive e fui tirar esta foto. Perto dele, senti um pouco do que ele deve sentir ao ficar exposto a olhares maledicentes, a hipocrisias, a falsos puritanismos, ou moralismos de todas as formas.
Senti pena dele. Desnudo.
Não é um desnudo ligado a alguma tribo natureza. Para os quais há sempre um olhar complacente e até de empatia.
É um desnudo por artimanha de seu criador, que para provocar-nos à reflexão, assim o concebeu.
Pensei que assim acontece quando vamos perdendo os elementos que nos estruturam como pessoa e nos dão identidade. Tal qual a nós próprios, antes de mães caridosas acorrerem com fraldas e cueiros, folhas de parreira modernosas.
Todos mais cedo ou mais tarde podemos ter vergonha, medo da exposição e temor.
Precisamos de vestimentas para nos constituir como pessoa.
Elas protegem do frio, da vergonha, do medo da exposição de nosso corpo ao léu e de que algo aconteça com nossas partes mais íntimas.
Em qualquer que seja a civilização, lá estará presente a moda, a nos revelar e a criar identidades tribais.
Ao peladão de ferro, coitado, resta esperar que algum solidário transeunte lhe salve do vexame.
Cada um desses, à sua maneira, empresta-lhes um pouco de honra e dignidade.
A moda é apenas uma linguagem, uma linguagem que nos torna alguém. O fato de está nu é uma provocação a todos os que se sentem assim, nus, marginais, expostos.
Sua expressão desnuda remete a um homem à procura.
Um Homem sem roupa. Aquele eroticamente despido – de falo imponente, sobre olhares de ira dos que se sentem atingidos pela sua postura ereta.
Lembrei-me de pessoas que sofreram esta “desnudação” pública e que sofreram. Um que foi denunciado por uns andarilhos que guardavam carro num supermercado de que tinha aliciado um menor. Outro que foi denunciado por uma mulher com quem vivia de ter molestado sua filha, querendo auferir ganhos em contendas judiciais.
Nos dois casos, após investigações, apurou-se que ele fora vítima de armações.
Mas aí já era.
A velocidade da calúnia, da notícia ruim, do boato mundo cão, só perde, e por muito pouco, da velocidade da luz.
Ambos ficaram desnudos. Aos olhos dos outros perderam a dignidade e honra essência de que se constituem os Homens de bem.
Aos olhos de si mesmos, embora saibam o que de fato fizeram, ficaram magoados, deprimidos, isolados, e entristecidos com a forma pela qual foram tratados, abordados, e até agredidos subjetivamente.
Ando me sentindo como o peladão.
Recentemente fiz uma carta aos funcionários que acompanho num programa de treinamento de 12 meses.
Escrevi-lhes um e-mail-epistolar, particular, íntimo e amoroso, quase paternal.
Este fora escrito dentro de um determinado contexto de referência, a partir de feedbacks recebidos do próprio grupo, e com base num arranjo relacional instituído ao longo de 12 meses.
Havia o pretexto, o contexto e o texto. Sou o gestor de um grupo em formação e é legítimo que me dirija a este grupo. Infelizmente pessoas fora deste contexto tiveram acesso ao texto, desconhecendo o pretexto, e o interpretaram à luz de suas próprias realidades, distorcendo o seu sentido. Ou extraindo partes do mesmo, para tratá-los ao sabor de sua ira.
A partir daí, a palavra mais doce que ouvi foi de fascista. A Carta do Ricardim virou top-five dos assuntos discutidos em redes sociais, e em recintos do local no qual trabalho.
Pessoas que não me conhecem começaram a achincalhar meu nome, ou tecer comentários ofensivos à minha honra, numa violência digital que beira ao assédio.
Aos poucos que me pediram explicações não me furtei em dá-las, mas, estes foram poucos.
A horda gosta de sangue. E passou a me atacar como se eu a ela lhe tivesse se dirigido, ou as citado expressamente.
Para quem tem na ética um valor. Na honra e dignidade um patrimônio, único bem de assalariados sério - torna-se o alvo de impropérios públicos machuca.
Mais do que perder o afeto, a confiança, o respeito de quem interpretou o texto como uma subliminar mensagem contra seu grupo ou posição ideológica, doe o não poder defender-se a contento pela velocidade virulenta dos ataques.
O que era para ser uma carta de amor, de um gestor que se coloca como pai para os ingressos no seu local de trabalho, acabou por se tornar um manifesto contra o trabalhador. Uma pena!

Estes dias estão sendo difíceis. Ando pelos corredores achando que alguém vem me atacar, mesmo que com palavras. Cabisbaixo, triste e angustiado pelos rumos que as coisas tomaram e com ansiedade para com o futuro que poderão tomar.

Para quem tem vergonha na cara, isto incomoda.

Por isso solidarizei-me com quem botou esta cartola no peladão.

Sem querer restituem-lhe um pouco de sua honra, dão a ele certo glamour. Assim como o que tentou cobrir suas partes pudicas, ou aquele que vestiu com um simulacro de um fraque.
Assim são as pessoas que se aproximam das vítimas de calúnias, imprecações e violência moral e lhes prestam apoio.
Ultimamente tive muitas delas.
Sou um felizardo, um abençoado por Deus.
Delas recebi cartolas, fraques, botas, calças, meias, cuecas, estou quase refeito exteriormente.
Estas vestimentas vieram a mim revestidas de um abraço, de um e-mail, um telefonema.
E, veste a veste, gesto a gesto, empatia a empatia, a dignidade e honra vão se moldando novamente, tal qual os adereços que colocam diariamente no peladão da Ponte JK.

Um empresta seus remédios, outro suas preces, outro liga para seu médico, outro se coloca a disposição para esclarecer mal-entendidos, outro manda um SMS.
Já outro lhe diz que lhe ama, outro sai em sua defesa publicamente. Outros ligam e perguntam se precisa de algo.

Vi agora como estes pequenos gestos, para quem viveu este tipo de estresse, favorece ao retorno do ser a si mesmo. Ajudam a religar o GPS interior que nestas ocasiões fica zureta.
Emprestam almas a um cansado-zumbi vagante.

Dão condições favoráveis para que ele se vista em seu interior. Reconfigure-se pleno de sentido. Minimizando o estresse pós-traumático.
Aos amigos e amigas obrigado.
Agora só preciso de um tempo para me vestir, lá no interior.

E, agora é comigo e com Aquele lá de cima.

Para os que trilham na verdade e justiça, o amor os liberta.

Os tece com as linhas e tecidos do melhor e exímio Alfaiate, o bom Deus.

Só Ele sabe preencher com rasgos de eternidade, os vazios deixados no interior de quem sofre.

Uma canção gospel me falou muito nestes últimos dias, chamada Deus do Impossível:

“Quando tudo diz que não
Sua voz me encoraja a prosseguir
Quando tudo diz que não
Ou parece que o mar não vai se abrir
Sei que não estou só
E o que dizes sobre mim
Não pode se frustar
Venha em meu favor
E cumpra em mim Teu querer
Deus do impossível
Não desistiu de mim
Sua destra me sustenta
E me faz prevalecer”

Por algum tempo pessoas que sofrem estes tipos de ataques difamatórios adquire um sobrenome indigesto. Fulano do Menino do Estacionamento; Sicrano, do Incesto... Ricardim, Aquele da Carta.

Conviver com este sobrenome, por uns tempos, suga a energia da pessoa.
E, quando vai se esquecendo e tocando a vida, sempre aparece alguém para requentar a história, pede detalhes e lá vem tudo novamente.

De agora em diante, não deixarei mais Homens desnudos ao meu redor.
Serei o primeiro a colocar-lhe uma cartola inglesa, para emprestar-lhe um pouco de honra e dignidade, enquanto se refaz da exposição pública que o entristeceu.
Direi, acredito em sua índole, conte comigo para ser mais um dos elos na corrente virtuosa para sua restauração.  A corrente do bem.

Um coração jardim.

Faça-se jardim, elas virão até você!

Coma suas folhas ao lado de flores.



Fotografei a este animal exótico, chamado de bicho-pau.
Ele não tem graça e formosura, aos olhos dos outros.
Até amedronta.
Parece um ser disforme.
Mas, se parar um pouquinho para percebê-lo, em toda sua essência, ele tem tudo que os outros animais possuem. Só que é diferente.

Aprendeu a se mimetizar em forma de galhos secos.
Para sobreviver.
Embora venhamos a ter momentos-trevas, momentos-seca, momentos estranhos tal qual este bicho. Aqueles instantes que para sobreviver nos adaptamos ao meio.


E nos transformamos num bicho-pau.


Ainda assim, somos belos.
Ainda assim somos luz.
Ainda assim, tal qual este bicho-pau: feio, estranho, sem graça e formosura, cansados, às vezes até entristecidos, há vida que geme em nosso ser interior.
Vida que nos faz caminhar para as bonitezas que existem ao nosso redor, e que precisam de poesia para serem vistas.
Somos caminhantes.
Peregrinos, em busca de instantes que eternizem nossa presença no mundo.
Caminhamos em busca de um sentido, de um belo, de algo que dê significado ao nosso existir, tal qual o caminhar do bicho-pau pra comer suas folhas perto de uma flor, de tantos galhos sem flores, ele escolheu este.
Esta flor que embeleza sua vida são nossos amigos, as pessoas para quem viver vale a pena. São elas que emprestam graça e formosura ao nosso viver.


Esta flor que ele toca, chama-se graça.
Graça por existir, por receber o abraço da vida todos os dias ao acordar.
Nos meus dias bicho-pau, lembrarei de ir comer umas folhinhas, para sobreviver, ao lado de flores.


Elas me ajudarão a continuar alimentando-me de frágeis esperanças. Pois, é de esperança que se constitui a matéria dos que se permitem chorar somente uma noite e um dia.


Daqueles que seguem à frente, abrindo caminhos, desbravando o novo, machucando-se em espinhos tal qual sertanejos ao procurar suas criações perdidas, no meio das árvores espinhentas da Caatinga. Não há caminhos para eles. Eles fazem seus caminhos ao caminharem por entre galhos ameaçadores.
Abrem picadas, aprendendo com os erros e decepções. Crescendo com eles.
Amadurecendo.
E, amadurecer dói, contudo sem dor não há mudança, em nenhum processo psico-físico-social.
Bendito bicho-pau que escolhe um canto florido para perseverar seu vir-a-ser!

Olhar que liberta. Olhar que aprisiona.



Bom dia!!!!! Acordei com um sentimento tão bom. Lembrei da solidariedade e luta de um grupo de revolucionários, à época, que empunhavam uma causa numa ONG - a causa anti-aids. Hoje é o dia internacional de luta contra aids. Parte do que sou devo ao tempo que militei no GAV, Grupo de Apoio à Vida (foto). De tanto conviver com soropositivos, vi que o sofrimento, ansiedade para com o futuro e um ti


po de culpa estavam presentes e abalavam sua saúde mental. Outra agressão a que eram submetidos, chegava nos relacionamentos que travavam. Esta era pior, muito pior do que a própria infecção. Esta agressão os condenavam a uma morte vivente, uma morte social. Pessoas desinformadas, sem conhecerem as particularidades daquela Síndrome, os agrediam às vezes só com um olhar, com uma calçada desviada, com um atendimento lhes negado. Escrevi então algo a respeito, em 1996, que agora compartilho. Serve para todos que são vitimas de calúnias e maledicências.




OLHOS DA AIDS




TENHO UM NOME

INCRÍVEL, PAREI PARA PENSAR E TENHO UM NOME.

MEU NOME NÃO É "AIDÉTICO".

TENHO UM POMPOSO NOME, UM NOME DE BATISMO.

TENHO SONHOS...

MEU CORAÇÃO PULSA... PULSA ?

TENHO UMA MÃE

MAMÃE...!

SE JÁ AMEI? O QUE VOCÊ ACHA !

AMEI CADA HOMEM E MULHER COM QUEM CONVIVI.

AMEI CADA MANHÃ E CADA ENTARDECER QUE VISLUMBREI.

AMEI CADA GOTA DE ORVALHO E CADA LUAR.




AÍ ELA CHEGOU...




CHEGOU DE MANSINHO, SEM FAZER ALARDE.




PRIMEIRO ELA VEIO MOSTRAR-SE EM TEUS OLHOS.




SENTI O QUE ERA A PENETRAÇÃO.




A PENETRAÇÃO DE TEU OLHAR!

TEU OLHAR QUE ACUSA,QUE DISCRIMINA,QUE ENOJA,

QUE REPUDIA,QUE VIOLENTA.




SENTI TEU OLHAR, E, AO OLHAR-ME JÁ NÃO MAIS ME RECONHECI NO ESPELHO.




PERCEBES O DRAMA?

PERCEBES A IMPORTÂNCIA DE TEU OLHAR?

TAMBÉM TENHO MEDO: MEDO DO ESCURO, MEDO DA MORTE, MEDO DA SOLIDÃO,MEDO DA INDIFERENÇA MEDO DA DOR.




DE TUDO QUE ME MALTRATA.




DE TODOS ESTES OLHARES E GESTOS DE QUE FALEI, APENAS ALGUNS ,

UNS POUCOS, É VERDADE.

RESGATARAM MINHA IMAGEM PERANTE O ESPELHO.




APENAS UNS POUCOS.,




É VERDADE!




VOCÊ NÃO ACREDITA ?




AH! COMO SÃO BONITOS ...




ESTES OLHOS.

ESTES TEUS OLHOS QUANDO ACOLHEM, QUANDO PERDOAM,

QUANDO RIEM, QUANDO COMUNICAM ESPERANÇA.




DE TUDO QUE ME ROUBARAM

RESTOU-ME APENAS UM BÁLSAMO.

ALGUÉM QUE AINDA ACREDITA EM MIM.

NO MEU POTENCIAL.

E QUE NÃO SE ASSUSTA COM MINHA CORPO MAGRO.

OU COM MEUS DESABAFOS DEPRIMENTES.








RESTOU-ME VOCÊ.

VOCÊ QUE AÍ ESTÁ.

QUANDO TODOS ME DERAM AS COSTAS,

VOCÊ ME APOIOU.


















NÃO PERGUNTOU: PORQUE ? COMO ? QUANDO ? COM QUEM ?

SIMPLESMENTE ME AMOU: INCONDICIONALMENTE, ESTUPIDAMENTE

BOBAMENTE, DESESPERADAMENTE.

Mãos que Semeiam!

Mãos e sementes. Assim quero permanecer na minha jornada do ser.
Mãos que mesmo calejadas, com cicatrizes, sofridas, ainda portam sementes.
Sementes de um verbo de ação chamado amar.
E amar é um tanto arriscoso. Quem ama se expõe, faz bes
teiras, emociona-se, recomeça, recomeça novamente. Perdoa, perdoa um bocado de vezes.
Quem ama sofre, ri, sente, sonha, irradia o mundo com sua luz.
Quem ama semeia, sem pensar se a terra está preparada.
Semeia por não saber fazer diferente.
Semeia até na poeira do chão caatingueiro, esperando que a chuva chegue nos dias vindouros, apostando em sinais sutis, que só ele vê. E que a natureza lhe será generosa com a chuva que irromperá no horizonte em fogo áureo.
Lançe suas sementes nesta terra cansada de tanta aridez.
Pois, é de esperança de que se constituí as sementes dos seres que amam.
Mãos calejadas, proféticas, que eternizam encontros.
Como é bom ser tocado por estas mãos.

Minha História



Tive algumas vivências que marcaram-me como pessoa:

Fome de descobrir. Meus pais estimulavam muito nossa leitura. Não faltaram bons livros à nossa mesa, mesmo remediados como eram. Eles compravam daqueles vendedores de porta-em-porta e dividiam em parcelas a perder de vista. Boas enciclopédias, livros e manuais estavam ao nosso alcance. Lembro sempre do que ouvia: "Somos pobres, e a única riqueza que podemos deixar para vocês é o acesso ao conhecimento, aos estudos, esta ninguém tirará de vocês." Devorava as obras de Monteiro Lobato e fazia muitos experimentos da coleção Cientistas. Aquilo despertou minha curiosidade em pesquisar, em observar e contar histórias. Na minha infância, morei em duas casa diferentes, em todas havia um quintal e nele fazia meus brinquedos: carro de latas, pipas, bonecos de pano. Nossa casa era ponto de encontro. Mamãe dizia que era melhor que as crianças brincassem em nosso lar, do que na rua. Não faltava um refresco do tipo k-suco pra todos. Fazíamos memoráveis campeonato de xadrez ou damas. Aquilo virou febre na rua, toda criança queria jogar xadrez. Fomos influenciado por Fernando, o mais adulto dentre nós, que jogava e muito bem. Meu primeiro grupo de afiliação, tirando o da escola, foi o da rua. Depois o dos atletas de natação do SESI. Treinei natação no Clube do Trabalhador no SESI, entrando aos cinco anos. Galguei todos os níveis da escola, permanecendo nela até os 17, muito me orgulha uma declaração que possuo habilitando-me pelo Sesi a ministrar curso de natação em suas dependências.

Um mundo a transformar. A partir de 1974 passei a militar fortemente na Igreja Católica, começando ajudando missa como coroinha, depois decidi que queria ser padre. Fazia parte de um grupos de 4 seminaristas-menores: Eu, Carlinhos, Assis e Cristovam, orientados por um Padre-Reitor. Nos nos finais de semana administravámos uma Comunidade Eclesial de Base, na periferia de Campina Grande-PB, na capela de São Sebastião. À exceção deste que vos escreve, os outros três colegas tornaram-se padres. Eu abandonei "a batina" aos '17 anos. Era tentação demais ao meu redor. rsrsr
No meio daquele povo pobre, tive outra influência marcante em meu viver, o acesso às obras da Vaticano II, Puebla e da Teologia da Libertação, devorando autores tais como: Leonardo Boff, Frei Betto e Dom Pedro Casaldáliga. A participação na pastoral da juventude foi marcante naquele período. Era engajado com os grupos jovens, grupos de crisma e o Encontro de Jovens com Cristo. Outra vivência marcante naquela década foi a criação de um grupo que dava assistência a pessoas que vivivem e convivem com o vírus da AIDS. O nome do grupo é GAV - Grupo de Apoio à Vida, que nos seus tempos aúreos congrevava uns 30 militantes, das mais variadas áreas do conhecimentos, todos prestando serviços de forma voluntária. Todas as sexta o grupo reunia-se para avaliar a caminhada e planejar as próximas ações. Foi uma vivência riquíssima, que marcou meu viver.
Fui um de seus três fundadores, e presidente por duas gestões, de 1994 à 1997. Naquela década, uma outra coisa que me recordo e me marcou foi a participação ativa nos encontros de juventude da Igreja Católica e Pastoral da Juventude. Após decidir não fazer mais Teologia em Recife, por influência de meu padre-orientador, que me achava muito novo, passei no vestibular para eng. Civil, aos 17 anos, e logo em seguida abandonei a vocação do sacerdócio. Entrei no curso de Eng Civil em 1982. Era um zumbi na UFPB, mesmo assim consegui pagar as disciplinas fundamentais dos primeiros anos, até hoje não sei como, e não colei. Vivia em crise existencial. Paralelamente dava aulas de religião no Colégio Imaculada Conceição - DAMAS, e adorava.

Virei adulto, no susto.
Em 1984 descobri que minha namorada engravidara, eu tinha 20 anos. Foi de uma gravidez não planejada, e como chamamos no nordeste, feita nas "coxas". Foi um choque. Um turbilhão. A vida rodou em minutos Da data da descoberta da gravidez, 26/12/1984, ao casamento foram menos de 10 dias, casei em 0501/1985. Meus pais usaram, suas parcas economias para montarem uma casa e comprarem o enxoval. Para melhorar a renda, fui trabalhar num banco, o Banco Nacional do Norte - Banorte, era compensador e fazia a jornada das 17:00 às 01:00.  Em 1986 passei no concurso do BB e tomei posse na agência Poções-BA.

Estudar é preciso. Voltei a estudar, após dez anos parado. Entrei no curso de Psicologia ali movido por mais um desafio. Fui convidado numa reunião da pastoral da juventude para ensinar dinâmicas de grupo que eu tinha criado. Durante a reunião de compartilhametno uma senhoera da igreja pediu a palavra e disse que aquelas dinâmicas seriam melhor conduzidas pro quem tivesse formação de psicologia, como ela. De pronto, ensinei-lhe como eram e ela ficou de aplicá-las em evento próximo. ao sair da reunião, com uma potna de chateação, decidi que faria psicologia. Abadonara os estudos superiores em 1985, ao casar, e desde então estava parado, só com o 2. grau. Inscrevi-me no vestibular de psicologia e passei. Ao me matricular vejo que aquela senhora era a coordeandora do curso, ainda bem que não briguei com ela. Neste período, me divorciei, e encontrei um novo amor, vivido com toda sua loucura e dimensões. Foi um amor a distancia, ela morando em Londrina-PA e eu em Campina Grande, estávamos a 3.200, km de distância. Namoramos a distancia por 4 anos. Desse novo amor, a Cristina, nasceu o meu 4 filho e com ela e ele estou até hoje.

Migrar e recomeçar.  Em 1999 vim para Brasília. No começo não foi nada fácil. Crise de adaptação e financeira. Pouco a pouco fui refazendo meu viver. Em 2003, fiz uma especialização em gestão de pessoas, na USP, pesquisando o tema motivação. Em 2007, fiz um mestrado em gestão social e trabalho, na UNB, pesquisando o tema Desenvolvimento Sustentável. Logo depois comecei a lecionar no ensino superior o que me dá muito prazer. A lição da primeira metade do resto de minha vida:
A roda grande passa por dentro da pequena, no giro da vida. Continue acreditando e fazendo a sua parte, um dias as coisas poderão ser melhores para você! Outro aprendizado: Deus age nas pequenas coisas, nos amigos, nas pessoas que ajudamos, na bênçãos que temos e não damos valor e só as vemos quando nos falta tudo.  Jesus Cristo sempre foi e será meu sustento e salvação, e ele esteve presente em cada dor, em cada alegria, em cada lágrima, em cada desespero, em cada dia de saúde, em cada dia de doença. Ele é amor. Portanto, ame de montão!

Vaso bom quebra, e pode colar!

Tenho tido um prazer enorme nos último dias. Desde que libertei um casal de agapornis de sua gaiola eles vieram fazer o ninho na varanda da sala TV. Contemplá-los, levando galho-a-galho pequenos ramos de um Salgueiro, plantado por mim no p
omar, é um deleite. Eles trazem os pequenos ramos para a calha do telhado da varanda. Construção de alto-risco, mas fazer o que? À tardinha eles descem da obra e vão comer na gaiola que deixei aberta, desde que os libertei. Todos os dias ponho comida ao chegar do trabalho, pelas 18:30hrs, e eles descem da calha para jantarem numa algazarra que dá gosto. Ontem os flagrei olhando o infinito, namorando, juntinhos, sobre um fio do poste em frente de casa. Depois, eles voltaram aqui para casa, para sua calha, num rasante mergulho no infinito. Fiquei pensando que não a tôa o nome deste aves vem do grego e significa um par de amor.
Para mim, esses pássaros falaram muito. Sabem dividir bons momentos, seja juntinhos olharem para o amanhã. Seja darem umas bicoradas, um namorinho dos bons. Seja voarem juntos, apoiando-se mutuamente. Sejam tocarem projetos a dois, como a construção do ninho.
Lembrei com pesar de dois relacionamentos que soube estarem em crise. Duas amigas queridas que sofrem. Sofrem pelos decepção com seus amados. Sofrem por não saberem qual decisão correta. Abandonar o ninho, ou tentar mais uma vez?
Como é difícil viver este roteiro numa relação, e tomar a decisão. Muita coisa acontece para a relação chegar a este ponto. Não há vencidos, nem vencedores, culpados, nem vítimas. Acho que em algum momento perdem-se um ao outro. Deixa-se de simplesmente gostarem de estarem juntos, olhando o horizonte, como este casal de agapornis. Aí, perde-se a vontade de encantar, de dá uns beijinhos para além do ato sexual. Aquela vontade de se fazer presença para o outro, de conquistá-lo com pequenos prazeres. Depois, cada um passa a voar para um lado. Perde-se em cumplicidade. Por fim, nada mais justifica uma construção a dois. Nem um projeto comum, à exceção da criação dos filhos.
Minhas amigas estão sofrendo. Elas amam seus amados. Embora estejam doídas, de luto com a traição descoberta. Minhas amigas vivem um pesadelo, um trauma.
Meus também amigos pisaram na bola, sabem disso, quebraram o vaso.
Pisaram no tomate. Deixaram-se conduzir pelo instinto e magoaram bastante suas parcerias. Alegam arrependimento, choram pelos cantos envergonhados. Alegam que as amam e coisa e tal. Mas parecem uma chaga viva da dor que portam, portadores que são da culpa e remorso. 
A sabedoria popular acorre logo com a solução: separa!
Ouve-se separa por todos os cantos, das amigas e amigos, de conhecidos distantes, de parentes. Até do cancioneiro popular com sua Amélia.
Parece que não resta uma solução que não purgar a dor com a ruptura.
Muita gente dando pitaco, contando suas próprias histórias. Muito papa-defunto rondando, torcendo pela desgraça do casal.
Justiceiros, família-clã, moralistas, legalistas, puritanos, contritos cristãos... Todos entram no coro, "Joga pedra no Geni". O Geni é o meliante, o safado. O que não se deve pronunciar o nome.
Poucos dão chance ao próprio casal que se entendam, ou que processem sua dor por si mesmos.
Quero subverter a ordem reinante e dizer que é possível recomeçar. Desde que o casal, após uma overdose de conversas e perdões remidos, e sob a égide do amor resistente, mesmo que combalido, ergam uma nova plataforma para seu viver.
Na qual os ensinamentos dos agapornis das fotos estejam presentes:

Olhar juntos o horizonte - cumplicidade
Namorar despretensiosamente - ternura
Voar juntos - viver aventuras
Construir ninho - investir em novos projetos juntos.

Por algum tempo será estranho. Mas, como a técnica japonesa do kintsugi ensina é possível colar vasos valiosos quebrados, com ouro fundido, ficando o resultado final mais precioso ainda.

Fica visível onde rachou. Os cortes ficam salientes.
Não tem jeito, ficarão cicatrizes.
Conviver com elas será uma arte. A confiança se acumulará novamente lentamente.
Mas, a estrutura da relação readquire sua forma.
Lança-se as bases para novos dias a dois, do tipo, só por hoje irei cativá-la, ou cativá-lo. Tal qual a filosofia dos AA.
Sua relação pode ficar até mais forte.
Mais verdadeira.
Ambos terão maior cuidado um com o outro, para não se perderem novamente.
E, você poderá voltar a constitui-se como pessoa, em sua auto-estima, em sua dignidade, dando uma chance para refazerem suas rotas, sua história.

Não por filhos. Mas por vocês mesmos.

Aliás, como bem disse Jesus na cena do apedrejamento de Maria Madalena (João 8,3-7) "Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!".

Agora, se o amor de fato acabou, para ambos, aí é outra história...

Não se canse de procurar!

Amor é procurar uma gata preta vira-lata.

Amor não mede raça, credo, classe social. Amor ama, pronto!
Amor acontece.
E, quando acontecer, agarre-o, curta-o, viva-o intensamente. 
Pois, mágica que é, eternizará sua história.

Viva à procura de sua gata preta vira-lata, do seu amor.
Seu amor que não se explica.
Que aos olhos do outros pode ser feio, marginal, vadio, sem raça definida.
Não importa, é a sua gata preta vira-lata, aquela que te faz feliz.
Imperfeita, sem pureza de raça definida, sem brilho para concursos, ainda assim, aos seus olhos é a sua amada.
Como seríamos felizes se ao se perderem de nosso afeto, de nossa relação, nosso parceiro, cônjuge, namorado, ficante, publicasse um cartaz como esse à nossa procura.

Como é bom se sentir procurado, desejado.

Eu adoraria estar no lugar desta gata. Uma ponta de inveja das boas senti.

Vez por outra me perco de meu afeto e ninguém me procura.

Acho que também não procuro de quem me perco também.

Esta faixa ensinou-me tanto neste dia.

Fiquei até com vontade de procurar a gata.

Perdi muitas gatas pretas vira-latas em meu viver, e não as procurei. 

Uma lástima!

Viver é perder. Mas, te a coragem de procurar o perdido, resgatá-lo, investir tempo e recursos para sair por aí afixando faixas é o que fará a diferença. 
Resgatar as perdas é uma arte. Uma atitude e escolha. 
Aliás, amar é um verbo de decisão. Amar é decisão.


Relações podem ser perder no caminho. Traições objetivas ou subjetivas, agressões, falta de companhia e diálogo, de carinho, tesão, ou até de interferências externas, coisas assim. 

Muita coisa contribui para afastá-lo de sua gata preta.

Porém, tenha coragem e a esperança desta pessoa do cartaz, não desista.
Lute por ela.
Quem sabe ainda será tempo!
Quem sabe alguém ela leia teu cartaz, escondido nas entrelinhas de teu coração, e venha novamente para sua casa afetiva.
Quem sabe!

Corra, afixe as faixas de seu viver, das gatas-preta vira-latas que perdeu. Se elas les são importantes, lute para reencontrá-las, mesmo expondo-sse ao ridículo, ou nadando contra toda a maré de possibilidades remotas.

Peregrinos

O paraíso é logo ali, contudo você terá que andar até ele. 
E, é no andar em sua busca que se encontrará o sentido.
Porém, é um sentido fugidio, nunca dado, pronto, imanente, 
pois quanto mais perto dele, 
menos visível para quem nele está se configura. 
E, para vê-lo em nossas vidas, paradoxalmente, temos que nos afastar um pouco e contemplar-nos, como seres peregrinos: imperfeitos por natureza,
e belos por vocação. 
Caminhe em busca de seu arco-íris, mas saiba que ao chegar na montanha no qual ele se deita, sua representação desaparecerá.
Aí é só continuar a caminhar para vê-lo novamente, 
esta é a beleza da mensagem escondida no arco-íris.
Peregrino não há caminho para a felicidade, a felicidade consiste justamente no caminhar!

Sobre a Vida e o Viver, crítica!


SobreVivências

Vejo o livro Sobre a Vida e o Viver, do meu amigo, colega e conterrâneo Ricardo de Farias Barros, ou apenas Ricardim, como uma metáfora da vida, pois esta palavra, desmembrada, parece sugerir que devemos mesmo deixar algumas metas fora da vida.
Da mesma forma, o autor ensina que não valem a pena os objetivos cujos prêmios não justificam o esforço e a angústia da busca. Sua palavra, repleta de apoio e esperança, é dirigida aos que sofrem das infecções emocionais e das dores, conscientes ou não, do existir. Assim, seu trabalho destina-se a todos nós, os complicados animais ditos racionais.
De um gesto ou observação do cotidiano, o texto se eleva como uma névoa sobre nossos olhos, substituindo a visão difusa de uma aurora cinzenta por uma imagem nítida de uma bela manhã de sol. Outros assuntos vão se juntando, formando conexões com outras realidades que nos leva a um passeio complexo, onde situações aparentemente distintas nos aparecem como um todo inteligível, levando-nos a conclusões gratificantes, tudo isso sem perder de vista a ligação com o tema inicial do capítulo.
O livro é um alerta sobre o custo das relações humanas e sobre as influências que podem nos colocar grilhões. Revela-se, dessa forma, como um grito contra as tiranias emocionais, aquelas opressões discretas, mas não menos violentas, que ocorrem no silêncio das relações familiares, profissionais e afetivas.
O leitor mais atento descobrirá, entre as páginas, o mapa para se atingir - e reconhecer - a plenitude das atitudes gratuitas e desinteressadas; o colar de alhos para combater os vampiros emocionais; os fones de ouvidos para usar contra os propagandistas do impossível ou contra os desanimadores de festas.
Sobre a Vida e o Viver traz a paz do topo gelado da montanha. Mas é um frio calmo que pede aconchego e não distanciamento. Como um condor cansado ao final da tarde, depois de exaustivos trabalhos, o autor arrisca um voo de contemplação e encantamento por sobre os caminhos onde as pessoas tramam e travam as suas lutam.
Entretanto, Ricardo Farias não se limita a descrever a visão do alto, a amplidão da boniteza do entardecer. Ao contrário, arrisca a descida escabrosa, a escarpada ladeira das emoções, para dizer aos seus afortunados leitores que o barro com o qual se faz a dor é o mesmo com o qual se constrói a alegria, e que a felicidade pode ser o resultado dessa equação, pois, se a vida oferece tristeza e melancolia, o viver é também terapêutico.


Sonielson Juvino Silva
Recife (PE), 15 de novembro de 2012.
Publicado no site www.sonielson.com (seção: Crônicas/2012)

Flores


As flores vencerão os canhões. Não deixe de semeá-las!

Semear apesar de toda desesperança!

Salmos 126, 6 "Aqueles que saíram chorando, levando as sementes para semear, voltarão cantando, cheios de alegria, trazendo nos braços os feixes da colheita."

Reconfortante para os que se sentem cansados dos embates da vida, das lutas pelas utopias, dos gritos contra os opressores, do gestos transloucados de amor, perante tanta indiferença. Reconfortante por acreditar na força da semente, mesmo que seus frutos só outras gerações venham a colher.

Não se compare e persiga seu objetivo!


Não importa o quanto se acha frágil e pequeno, persiga seu objetivo, pode demorar um pouco mais, porém chegará, caso não pare no caminho!



Aposentável, decifra-me ou devoro-te!

Fragmentos da palestra-reflexão que conduzo, sobre os aspectos psicossociais da aposentadoria. Refletir e preparar-se para adentrar nesta nova jornada na vida de um ser humano, para mim, é uma questão de cidadania.
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1. O trabalho é o principal organizador da vida humana - fonte de reconhecimento e identidade;
2. Ao se aposentarem algumas pessoas perdem seu ponto de referência;

3. Líderes sofrem mais com a aposentadoria;
4. Mulheres se adaptam melhor;
5. A aposentadoria representa um desafio para o casal;
6. Donas de casa sentem-se invadidas e sem privacidade;
7. Há diminuição dos relacionamentos sociais;
8. Tensões latentes ou imprevistas podem aparecer na dinâmica familiar;
9. Deve-se aposentar de um emprego, não da vida;
10. Há inúmeras formas de encontrar um sentido; um propósito; um porquê viver; algo que ocupe o tempo e dê prazer;
11. Curado o luto da separação da sua esposa (o)-emprego, você verá que há vida a ser vivida, aventura a ser descoberta, sonhos a serem perseguidos e uma pós-carreira a ser trilhada;
12. "O segredo de uma aposentadoria feliz, cheia de conteúdo, é saber lidar com o tempo disponível e a liberdade de escolhas;"
13. O ócio na aposentadoria pode ser degenerativo;
14. A SPSC vai te pegar, mas você pode escapar e ser feliz. SPSC = Síndrome da Perda do Sobrenome Corporativo (Descoberta pelo Ricardim);
15. A SNV pode ser dolorosa, mas você verá que a vida é feita de ninhos e não é porque estão vazios que não foram importantes. SNV = Síndrome do Ninho Vazio.

Aprender com os Erros

Por maior que seja a Corporação, pense numa Microsoft por exemplo, ela poderá falhar.
Observá-la saindo de uma crise pode ser pedagógico. 
Meses de planejamento, investimento na casa dos milhões, overdose de mídia, e o Windows 8 é vendido
on-line, no dia do seu lançamento no Brasil, 26/10/2012, com o preço errado. 
Grita geral e ela para a comercialização por 36 horas.
O preço anunciado era 69,00, ao fechar a compra o cliente pagava 83,98. Refeita do susto, e tardiamente retornando ao ar para venda on-line com o preço correto (36 horas para acertar um preço numa tabela, para uma Corporação de TI, é um alvitre).
Contudo, ela soube sair de um fracasso de maneira inteligente e exemplar: anistiou quem adquiriu o Programa pelo preço indevido, inclusive o frete, e o deu de presente. 

Pedir desculpas, compensar com algo o dano causado, e seguir em frente pode ser uma alternativa quando algo sai de nosso controle e pode machucar alguém.

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