Vidas Editadas
Tem dias difíceis de pegar o fio da meada e recomeçar. Dias que tudo se avoluma, tudo preocupa, tudo agita, tudo parece tão grande que não daremos conta. Dias de ressaca existencial. Dias nos quais ao folhear um Best Seller qualquer de auto-ajuda parece mais uma coleção de piadas de duvidoso gosto.
O sol brilha menos. As mulheres parecem malvadas. O canto dos pássaros incomoda. Dias de infeção emocional.
Dias que gritam em nosso ser que não conseguiremos superar os desafios. Dias de pânico, de tristeza, de angústia. Na vida editada, postada no Facebook, eles não aparecem. Por aqui não há lugar para postar aperreios. E eu compreendo.
Recebi um pedido de socorro de um leitor de meu blog, o bode com farinha. Para ele escrevo nessa manhã dizendo-lhe, calma, tambéem passamos por isso.
Só não divulgamos ou escrevemos como você. Mas também temos medo, temos crises, temos momentos de revolta, daqueles que algo entrou errado em nosso sistema operacional. E que, para sobreviver, precisaremos restaurar nosso sistema à configuração anterior. Tenho dias assim. Só evito postá-los. Então caro amigo virtual, minha vida não é mais feliz que a sua. Minha vida também tem momentos trevas, momentos de impotência. Por analogia, JG, meu quarto filho de quatro anos nem sempre está sorrindo. Tem dias de birra, muitos dias de birra. Só edito os momentos dele e prefiro, opto, por escolher seus melhores momentos para compartilhar.
Quem tem filho birrento e vê as fotos do JG pensa que com ele é diferente. É nada. Tem dias que ele está um porrinho. Vidas editadas são parecidas com aqueles melhores momentos de um jogo de futebol, que tarde da noite são passados em algumas emissoras. Vendo aquele taipe achamos que o jogo foi maravilhoso. Vendo-o na sua integridade percebemos que houve momentos monótonos, chatos, de pouca expressão futebolística. Assim é com nosso viver.
Então deprimidos do mundo todo, tristes dessa manhã, infelizes por qualquer dor interior... calma!
Você não está só! Todos temos problemas parecidos. Todos temos nossos monstros interiores, imaginários ou não.
Uma coisa me ajuda, quando vivo esses momentos de TPM interior. Penso que meu espírito está malhando numa academia existencial. Que as pancadas, as dores, os sofreres e o luto, estão queimando calorias da minha alma e me tornando mais forte para as próximas batalhas. Não me apresso para sair da angústia. Também não a alimento. Deixo que ela evolua, como uma infecção emocional. A própria vida possui os antibióticos para curá-la. Eles estão nas pessoas que gostam de você. E, um belo dia, ao se olha no espelho você voltará a sentir prazer em fazer a barba, em botar um perfume, em se sentir bonito. Verá flores em cada calçada. Extasiará-se com o canto dos pássaros. Todas as mulheres lhe serão bondosas. Dias de júbilo. E, entre a angústia e o júbilo, componentes do mesmo fio do qual é feito o tecido do viver, vamos avançando no precioso processo de amadurecer.
Otimistas Sociais
Todos os dias precisamos desenvolver a arte de jogar frescobol. Frescobol relacional. Cuidar ao lançar a bola para o outro. Ajeitar uma situação e entregá-la mais redonda. Não querer diminuir ou derrotar o outro. Dar prosseguimento ao diálogo, à construção coletiva de espaços solidários.
Todos os dias somos ensinados ao contrário. A ser fortes e dominadores. A vencer o outro. Derrotá-lo com nossas atitudes e comportamentos. A desconfiar do outro. A incriminar o outro. Ambos são jogos. Ambos geram resultados. Um na cooperação, outro na competição. Mas qual deles gerará uma felicidade genuína? Duradoura, daquelas que sobrevive até às crises e "mudanças de hábito"? Afinal, seres humanos, ou teres humanos? De que lado queremos ficar? Essa sociedade vai explodir de tanto individualismo e competição. De tanto esnobismo e narcisismo. Tempos de paz virão, mas só após a destruição total de um modelo de sociedade perverso e excludente. Precisa-se de revolucionários de um novo tempo. Nem que seja revolucionários digitais. Precisamos articular as tribos do bem, da justiça, da ética para o mutirão da construção dos alicerces de um mundo novo que está apenas amanhecendo. Precisa-se urgente de otimistas sociais, gente que cultive o valor da amizade, do perdão, da esperança.
Jogos Dramáticos
Há dois jogos psicológicos que não levam para nenhum lugar no crescimento do ser.
O primeiro é o Jogo da Acusação.
O menino deixa cair um copo de refrigerante sobre a toalha da mesa e leva um puxão de orelha. A pai o acusa de ser desastrado. A namorada espera o namorado que se atrasa muito. Ela o acusa de ser sempre o atrasado.
Esse jogo se propaga por anos a fio. E em várias realidades. A "brincadeira" é acusar o outro. Nunca procura atenuantes para inocentá-to, como um bom advogado de defesa.
O outro jogo é o da Culpabilização. Aqui a diferença é que não é o outro que faz algo que nos desagrade. Estamos sempre certos. O errado é o outro. É algo que acontece conosco que atribuímos ao outro a responsabilidade por tudo que nos acontece de ruim. Batemos no carro. Foi o carro da frente que nos trancou. E, não nós, que não praticamos a direção defensiva. Tirei nota baixa na prova. Foi a prova que estava difícil, e, não nós que não estudamos. Não passei numa entrevista. Foi a banca que me perseguiu.
A brincadeira aqui é encontrar quem é o culpado pela nossa própria infelicidade, ou por fracassos em alguma situação da nossa vida.
Culpa-se a Instituição, o vizinho, o outro, a mulher, os filhos, o chefe, o colega, o parceiro, o Estado, a escola...
Ambos os jogos psicodramáticos nos enclausuram numa gaiola existencial que inibe nosso crescimento. Estaremos sempre dependentes de achar um culpado, ou de acusar alguém.
No primeiro, ficamos intransigentes e com baixo nível de aceitação dos deslizes do outro. Como se fôssemos perfeito.
No segundo, somos perfeitos. Nunca falhamos por nossas próprias limitações, mas por obra e graça do outro, para o qual atribuímos o dom de nos fazer menor.
Acuse menos. Procure evidências que inocente o outro. Antes de julgá-lo. E se fosse com você? Qual seria o limite da sua aceitação? De seu perdão. De sua tolerância. De sua aceitação dos limites do outro?
Culpe menos. Muita coisa acontece conosco que pode contribuir com nossos fracassos, ou com o não atingimento de metas. Pode. Mas, ao direcionar só para o outro, perde-se um momento riquíssimo de se fazer uma auto-avaliação e crescer com a experiência. E, sem pausas interiores, sem revisão de vida, não há metanoia.
O primeiro é o Jogo da Acusação.
O menino deixa cair um copo de refrigerante sobre a toalha da mesa e leva um puxão de orelha. A pai o acusa de ser desastrado. A namorada espera o namorado que se atrasa muito. Ela o acusa de ser sempre o atrasado.
Esse jogo se propaga por anos a fio. E em várias realidades. A "brincadeira" é acusar o outro. Nunca procura atenuantes para inocentá-to, como um bom advogado de defesa.
O outro jogo é o da Culpabilização. Aqui a diferença é que não é o outro que faz algo que nos desagrade. Estamos sempre certos. O errado é o outro. É algo que acontece conosco que atribuímos ao outro a responsabilidade por tudo que nos acontece de ruim. Batemos no carro. Foi o carro da frente que nos trancou. E, não nós, que não praticamos a direção defensiva. Tirei nota baixa na prova. Foi a prova que estava difícil, e, não nós que não estudamos. Não passei numa entrevista. Foi a banca que me perseguiu.
A brincadeira aqui é encontrar quem é o culpado pela nossa própria infelicidade, ou por fracassos em alguma situação da nossa vida.
Culpa-se a Instituição, o vizinho, o outro, a mulher, os filhos, o chefe, o colega, o parceiro, o Estado, a escola...
Ambos os jogos psicodramáticos nos enclausuram numa gaiola existencial que inibe nosso crescimento. Estaremos sempre dependentes de achar um culpado, ou de acusar alguém.
No primeiro, ficamos intransigentes e com baixo nível de aceitação dos deslizes do outro. Como se fôssemos perfeito.
No segundo, somos perfeitos. Nunca falhamos por nossas próprias limitações, mas por obra e graça do outro, para o qual atribuímos o dom de nos fazer menor.
Acuse menos. Procure evidências que inocente o outro. Antes de julgá-lo. E se fosse com você? Qual seria o limite da sua aceitação? De seu perdão. De sua tolerância. De sua aceitação dos limites do outro?
Culpe menos. Muita coisa acontece conosco que pode contribuir com nossos fracassos, ou com o não atingimento de metas. Pode. Mas, ao direcionar só para o outro, perde-se um momento riquíssimo de se fazer uma auto-avaliação e crescer com a experiência. E, sem pausas interiores, sem revisão de vida, não há metanoia.
Celebre
Uma Quase Coletivo-Ajuda
Não procure o sentido no trabalho, o sentido na vida.
Inverta a ordem natural das coisas.
Subverta realidades.
Procure sim, um perceber no trabalho o sentido.
Não procure o sentido no trabalho, o sentido na vida.
Inverta a ordem natural das coisas.
Subverta realidades.
Procure sim, um perceber no trabalho o sentido.
Na vida, o sentido.
Não o sentido da vida. E sim a vida com sentido.
Sentido = Significado = Propósito = Algo para que viver
Não delegue aos outros a percepção wireless de atribuir valor e reconhecer o que faz.
Nem pai, nem filhos, nem chefe, nem cônjuge será responsável pela sua motivação. Ninguém motiva ninguém.
Pode desmotivar. Mas, motivar não motiva. Motivação é uma decisão, uma escolha, uma postura diante da vida.
Esteja aberto às possibilidades de novas conexões,novos padrões de comportamento e aprenderes assim como uma entrada USB sempre disponível, a um artefato qualquer.
Não terceirize seu sistema operacional, repassando culpas, sofreres, responsabilidades que também são suas. Procurando culpados para remir sua dor.
Sempre procurando num ente qualquer a expiação de seu próprio processo de acontecer, que é dolorido. Crescer dói.
Assuma suas fraquezas, trabalhe suas fortalezas.
Saia da posição de promotor de acusação do outro, para a de seu advogado de inocência.
Lamba suas feridas, afague-se e leve-se para passear. Saia do papel de vítima. A vida passará, você passarinho. Aquilo em que fixamos a atenção, cresce.
Curta e compartilhe sua vida com os outros. Publique-a, você tem valor.
O valor que atribui a ela está em você mesmo. No gosto de realizar, de superar, de crescer, de encarar os desafios, de apresentar o melhor trabalho possível, dentro das condições dadas. Até num ambiente inóspito e de difícil trocas relacionais, com baixa intensidade subjetiva e emocional, pense num ambiente cartesiano e frio, você pode encontrar sentido no simples fato de resistir, de não se deixar abater. Encontre prazer nas pequenas coisas. Como liberar a cadeira ao lado, na qual colocou sua bolsa - para não sujá-la, ocupando um lugar que poderia ser do outro. O sentido e a vida confundem-se no senso de missão, de oferta de algo que pode nos mudar, da contribuição genuína e gratuita com o outro. Quando mudamos nossa perspectiva e crenças de como vemos a vida, as lutas, os pequenos prazeres, as tarefas, mudamos comportamentos. Afinal, todos nós somos sobreviventes e já chegamos longe demais, assim sendo, celebre!
Não o sentido da vida. E sim a vida com sentido.
Sentido = Significado = Propósito = Algo para que viver
Não delegue aos outros a percepção wireless de atribuir valor e reconhecer o que faz.
Nem pai, nem filhos, nem chefe, nem cônjuge será responsável pela sua motivação. Ninguém motiva ninguém.
Pode desmotivar. Mas, motivar não motiva. Motivação é uma decisão, uma escolha, uma postura diante da vida.
Esteja aberto às possibilidades de novas conexões,novos padrões de comportamento e aprenderes assim como uma entrada USB sempre disponível, a um artefato qualquer.
Não terceirize seu sistema operacional, repassando culpas, sofreres, responsabilidades que também são suas. Procurando culpados para remir sua dor.
Sempre procurando num ente qualquer a expiação de seu próprio processo de acontecer, que é dolorido. Crescer dói.
Assuma suas fraquezas, trabalhe suas fortalezas.
Saia da posição de promotor de acusação do outro, para a de seu advogado de inocência.
Lamba suas feridas, afague-se e leve-se para passear. Saia do papel de vítima. A vida passará, você passarinho. Aquilo em que fixamos a atenção, cresce.
Curta e compartilhe sua vida com os outros. Publique-a, você tem valor.
O valor que atribui a ela está em você mesmo. No gosto de realizar, de superar, de crescer, de encarar os desafios, de apresentar o melhor trabalho possível, dentro das condições dadas. Até num ambiente inóspito e de difícil trocas relacionais, com baixa intensidade subjetiva e emocional, pense num ambiente cartesiano e frio, você pode encontrar sentido no simples fato de resistir, de não se deixar abater. Encontre prazer nas pequenas coisas. Como liberar a cadeira ao lado, na qual colocou sua bolsa - para não sujá-la, ocupando um lugar que poderia ser do outro. O sentido e a vida confundem-se no senso de missão, de oferta de algo que pode nos mudar, da contribuição genuína e gratuita com o outro. Quando mudamos nossa perspectiva e crenças de como vemos a vida, as lutas, os pequenos prazeres, as tarefas, mudamos comportamentos. Afinal, todos nós somos sobreviventes e já chegamos longe demais, assim sendo, celebre!
A Matrix nossa de cada dia!
Nessa última semana recebi três pedidos de socorro que rondam o mesmo tema: a perda do sentido do trabalho.
No primeiro, um amigo quer interceder por uma amiga, que acha que sofre assédio moral. Ela reclama que o chefe passa bolas quadradas para ela resolver no trabalho querendo-a prejudicar lhe em processos seletivos, avaliando-a na sua incapacidade de resolvê-las.
Ou que sente que o chefe não gosta dela e faz de tudo para tirá-la da equipe.
No segundo, um amigo desabafa que toda a energia que ele sentiu quando foi recebido na nova área de trabalho, toda sua alegria, todo seu vigor, estava fenecendo. Murchando.
Ele já não era mais o mesmo e passou a ver contradições, incoerências, e opressões aonde não via.
No terceiro, um colega retrata assim a sua percepção dos sentidos do trabalho:
“O rótulo de vendedor com o qual a organização nos adesivou é ridículo. É óbvio que temos que sê-lo, mas não somente isso. Somos muito mais, somos competentes profissionais. Mas, a Organização nos minimiza à condição de vendedores. E olhe que eu sou um excelente vendedor, mas não é só isso que eu quero ser”.
Eles estão certos ou errados? Estão certos e errados.
Certos em suas percepções, errados em suas reações.
Ao assim dizer, não defendo que vejamos o mundo por lentes irreais, alienadas, “Polianas”.
A velha história do copo meio cheio ou vazio.
Defendo uma posição sobre os sentidos do trabalho diferente. Para mim o sentido não está no trabalho, está em quem o faz.
Já vi animadores de festa infantis infelizes, loucos para que aquilo acabasse logo.
Ontem vi animadores que mais pareciam crianças brincando, enquanto trabalhavam.
O trabalho era o mesmo.
Já vi recepcionistas de hall de entrada de organizações infelizes. Já vi outras que a cada cliente que chegava era uma festa, um encontro, uma possibilidade de realização.
Já vi caixas de banco infelizes. Que passavam o tempo contando os minutos para que a agência fechasse. Já vi outros que a cada atendimento era um dedo (por um segundo) de uma prosa. De um genuíno interesse por aquele que pagava uma simples conta de água. Um deles me disse: “posso ser a única coisa boa na vida desse senhor que trouxe suas moedinhas num saco de embrulhar pão, para pagar a conta de luz. Então não reclamo ter de também contá-las uma a uma. Enquanto conto, aproveito para perguntar-lhe coisas triviais da vida e estabelecer uma conexão. Assim, ao final do dia conheço um monte de gente e saio melhor do que entrei.”
Bingo!
Parece que a felicidade no trabalho não está no resultado final, na venda, na meta, no produto acabado, feito, entregue. Está no processo de fazê-lo, de soprar nele nosso hálito da vida e torna-lo diferente. Mesmo que seja o de bater pregos numa tábua de construção.
E o que pode nos adoecer e deturpar nossa visão do trabalho?
A hiperreflexão. A hiperreflexão é uma doença do eu. Achamos que tudo gira em torno de nós. Que todos precisam nos dar atenção, reconhecimento. Passamos a buscar o sentido do trabalho pela atenção que recebemos dos clientes, do chefe, dos colegas.
Deslocamos nosso sentido para os outros.
Aí já viu né?
Voltemos para o caso 1.
Ele foi sendo agredido pela realidade. Venderam-no uma realidade cor de rosa e ele achou que não precisava fazer nada para manter o rosa. O rosa está dentro de nós.
Então foi consumindo seu estoque de felicidade, levando uma pancada aqui, outra acolá, e ficando resignado, azedo, descrente das pessoas, do trabalho e da organização.
Adoeceu. Ele parou de selecionar rosas ainda existentes, só conseguindo agora captar, com as lentes da emoção, os tons cinzas e escuros do desgastante processo do sobreviver.
A vida é uma história que contamos para nós mesmos. A cada contada vamos aumentando, diminuindo, inserindo cenas, excluindo cenas, vamos moldando-a à nossa capacidade de responder. Refazer essa história e renová-la diariamente é dom, é arte, é aprendizado. Escolher as melhores cenas e contar a história a partir delas é uma possibilidade, e não uma expectativa.
Posso contar minha história de ontem à noite assim.
“Puxa, após uma semana intensa de trabalho, inclusive no terceiro turno, não contava que minha esposa me chamaria para ir á noite a uma festa de aniversário infantil, será que ele não percebe que estou um bagaço”?
Ou assim:
“Cheguei morto de cansado em casa. Era perto das 19hrs. Logo após, minha esposa chegou e disse-me que levaríamos nosso filho para uma festinha de aniversário, naquela noite. Aí pensei: “é tudo de que preciso agora”. Obrigado meu Deus Sair de casa com minha família, ver as crianças brincando, rever familiares, tomar uns uísques no 0800, cantar parabéns, e correr atrás do JG com a câmera a postos me revigorará e poderei me dedicar um pouco à família tão esquecida pelos trabalhos que toquei nessa semana.”
Percebem?
A realidade é a mesma. O que muda a inteligência emocional (IE) investida na interpretação da mesma. Na primeira história o nível de IE é muito baixo. É do caráter apenas da sobrevivência, do instinto. E meu instinto pedia sono. Na II a IE é alta, ela transcende a existência poetizando-a, encontrando um significado diferente para uma noitada coma família, após uma semana exaustiva. Ela remodela o perceber.
No caso 2
A jovem percebe o serviço difícil, quase findando o tempo para entrega-lo, como uma bola quadrada.
Pode ser.
Mas pode ser também uma oportunidade, uma possibilidade para exercer o cargo de descascadora de abacaxis, altamente valorizados por todas as espécies de gestores, humanos ou não.
Há duas formas de reagir. Uma, espero da vida uma resposta. Na outra dou à vida uma resposta.
São escolhas. Numa fico esperando que o chefe me veja e me estimule. Noutra, encontro estímulo no processo que realizo. A atenção e consideração de chefes e colegas passam a ser subsidiária. Até minha relação com as políticas da empresa passam por isso. Posso ficar puto com normas internas, mas ainda assim encontro felicidade no que faço e dali extraio a razão para continuar respirando.
No caso 3. O colega adoeceu de tanto absorver as intempéries do meio. Intoxicou-se, a ponto de ver a sua própria função, embora declarada por ele como de exemplar maestria, a de vendedor, com pouca importância. Ele passou a direcionar seu GPS existencial pela não realização no ato de vender. Está certo ou errado? Mais uma vez, nem certo nem errado.
É a forma que ele aprendeu a perceber-se. Ele se vê como vendedor de coisas. E não de sonhos. Qualquer venda é uma venda de um desejo, de uma fantasia, de um sonho. Muito mais do que a coisa. Mas, para assim ver precisa de outro olhar sobre a profissão. Quando vendo um seguro de vida a um resistente operário da construção civil. Não vendo um seguro para a sua vida. Vendo vida para sua família, caso ele venha a falecer, entendem?
Viram como “engano” meu cérebro e passo a remodelar a forma como a realidade o ataca? Não “empurro seguro de vida a um pobre pedreiro”. Vendo vida para os seus familiares e pessoas que ele ama, e que precisarão de recursos para continuar a lida, após a sua morte, ou terem algum recurso para continuarem a tocar suas vidas. Não vendo seguro de vida pessoal. Vendo seguro vida para pessoas. Entendem?
O que mais vemos nos ambiente de trabalho são pessoas felizes. Sim, pessoas felizes.
Visite qualquer setor numa sexta-feira. Verá pequenos lanches, pequenas celebrações. Sim, há felicidade no trabalho. E por que não haveria de ter?
O que mais vemos no ambiente de trabalho são pessoas tristes. Sim, pessoas tristes.
Veja qualquer blog interno de sua empresa, no campo comentários, e verá o quanto de insatisfação, de negativismo, de pessimismo ali é veiculado.
Filme a entrada do prédio numa segunda-feira pela manhã e verá o quanto algumas pessoas chegam como quem arrastasse grilhões imaginários. Ou navegue pelas páginas do FB no domingo á noite, ou na sexta. Numa parece um velório, afinal amanhã é segunda e vamos ao trabalho, noutra é só felicidade, afinal é sexta e estaremos livres da prisão.
A realidade está grávida de seu contrário. Esse é o movimento dialético das coisas da vida, podem ser ou não ser.
Então o trabalho, a escola, a família, todos os nossos habitares do ser podem ser luz ou travas, ou luz com trevas, ou trevas com luzes...
O que tenho aprendido é a reescrever a forma pela qual percebo.
Descobri que a percepção, as crenças interiores, altera comportamentos e o posicionamento frente à realidade.
Quando me separei do primeiro casamento namorei Adriani. Adriane era um psi-hippie. Ela fazia trilhas, acampava, gostava de músicas estranhas.
Aprendia fazer tudo isso.
Um dia fomos a Natal de carro. Ao passear pelas praias ela soltou um:
“Nossa, aqui é o paraíso das 4 x 4 e suas associações de ecoturismo e trilhas”.
Eu disse: “Oxe, não vi ainda nenhuma Grand Cherokee ou um Ford Jeep”
Ela, com seu jeito manso e risonho disse. Agora tu vai ver um monte, preste atenção. Adriane amou Natal. Amou acampar perto de Genipabu, amou cada duna e passeios “com emoção”. Amou o sol, amou o vento, amou os burburinhos das barraquinhas à beira-mar, na praia do Morro do Careca. Amou a musicalidade do Potiguar, “que fala cantando”.
E passei a amar mais ainda Natal, vendo-a agora pelos olhos dela.
Não precisa nem dizer que passe a ver jeeps em todas as esquinas.
Corta a cena de Adriane. Outro dia recomendei a ida para Natal para o amigo Afonso. Tempos depois o vi pelos corredores, e perguntei se ele tinha gostado. Ele disse-me que “ventava muito, o calor era sufocante o que muito o incomodou, que havia córregos de esgoto à céu aberto saindo das barraquinhas da praia do Morro do Careca, e que achou o bugueiro muito espaçoso, sem discrição e metido”. Por fim, falou que no hotel as crianças não respeitavam o silêncio, brincando até altas horas na piscina, cuja varanda de seu quarto abria para ela.
Percebem?
Aqui quero que preste mais atenção nessa parte do texto. Tome um café para voltar a ler.
Existem pessoas Adriane, que nos levam a ver jeeps. E pessoas Afonso, que nos levam a ver bugueiros metidos, crianças barulhentas, esgotos...
Quem está errado?
Adriane ou Afonso?
Nenhum.
Tudo é uma questão de qual pessoa deixaremos habitar em nós. As duas estão certas.
Preste atenção às pessoas que estão te influenciando.
As pessoas que te influenciam são do tipo Afonso, ou Adriane?
Há pais e mães Afonso. Há colegas de trabalho, idem.
Há chefes e pastores Afonso.
Há famílias inteiras Afonso.
Mas, te alerto, há também as Adrianes.
Aí você me diz que tem consciência, que não se deixa influenciar e coisas do tipo.
Eu te digo. Besteira.
Somos altamente influenciáveis. Se eu te disser que uma pessoa é boa, que conheço a suada e sofrida história de vida dela, por mais que essa pessoa te trate com frieza você dará um desconto.
Agora se eu te disser o contrário. Que ela é uma víbora, uma filha de uma puta, no primeiro contato que você tiver fará tudo para que essa informação faça sentido. Ela poderá ser Madre Teresa de Calcutá, tu só verá e filtrará coisas ruins emanando dela.
A percepção altera o olhar, altera a consciência e a realidade.
Um psicólogo social alemão de nome Ash interessou-se profundamente sobre a influência que causamos nos outros. Influência que aquele que temos em estima e consideração nos causam.
Ele pediu para que 4 líderes, apontados pelo próprio grupo, ficassem em posições diferente num círculo de 30 pessoas, que conviviam com eles. Aos 4 líderes combinou que quando passasse por eles um tubo de ensaio com água destilada eles o aspirassem e dissessem que tinha uma leve fragrância de rosas, de cassis, de café, de alfazema.
Em vários testes, não só os 4 líderes previamente combinados sentiam esses aroma falsos. Um bom número de pessoas era influenciado, sugestionada, por eles e também sentiram aromas, dos mais estranhos possíveis.
Cuidado com quem te rodeia e o tipo de influência que te causa. Existem pessoas Afonso, pessoas tóxicas. Que são altamente criticas, pessimistas, negativistas. Pessoas que no convívio diário contigo vão te contaminar.
Vão te influenciar e tu verás agora os esgotos à Céu aberto, somente eles.
Entende?
Mas, você e eu não somos fascistas. Não queremos uma raça pura, uma nação de pessoas “do bem” e outra expurgada habitando nelas as do mal. Temos dentro de nós, todos sem exceção, luz e trevas. O mal e o bem são frutos do mesmo acontecer. Estão na mesma realidade.
Na mesma pessoa. Não é saindo do mundo e ir viver em cavernas que você se protegerá.
A única forma de antídoto a pessoas infelizes, mal resolvidas, gananciosas e pessimistas é criar um jardim dentro de si.
É compreender qual Natal aquela pessoa estar vendo e aceitá-la, como quem aceita mais um ponto de vista, ou vista de um ponto, sem, contudo deixar de nutrir em si, no mais profundo de teu interior, um jeito Adriane de selecionar os aspectos de teu trabalho e realidade que te causam satisfação.
A alegria do burburinho de um barzinho à beira-mar, por exemplo.
Ou seja, não temos como evitar de conviver com pessoas que adoeceram, que empobreceram sua visão de mundo, tirando dela a fantasia, a poesia, as bonitezas das “acontecenças” simples cotidianas. Pessoas que não possuem mais sentidos e propósitos do trabalho.
O que podemos é desenvolver nosso senso crítico, nossa autonomia, para decidir que extrato da realidade vou filtrar e deixar me posicionar em comportamentos e atitudes por ele.
Todos vivemos numa Matrix. Não percebemos a realidade. Percebemos a realidade que habita em nós. Assim sendo, a realidade é uma Matrix que amplia, distorce, ilude e cria outras realidades reais, porém imaginárias. Nosso mundo percebido, nossa vida lida, é o produto de representações sociais, historicamente construídas e da forma como selecionamos, interpretamos, avaliamos e agimos com as informações e estímulos que nos rodeiam.
Não se deixe adoecer. Há trevas e luz. Alegrias e tristezas. Há puxadas de tapete e reconhecimentos. Há hipocrisias corporativas e consistência entre o falar e agir.
Há tudo junto e misturado.
Quem separa o que lhe faz bem é você. Sem desprezar que existe o outro lado, a contradição, sem ser um alienado.
Apenas por uma questão de principio, de escolha, de postura diante da vida.
No fundo, o velho copo “meio cheio e meio vazio” está todo dia ao nosso lado.
Decidir qual dos dois tomaremos, é uma opção que nos levará á vida ou a morte.
Morte de nós mesmos e de tudo aquilo que um dia acreditamos.
Não delegue sua felicidade ao chefe, ao colega, á empresa, aos filhos, ao cônjuge, aos pais.
Não delegue.
Ela é produto de sua consciência e agir no aqui e agora.
Não feneça ou murche frente aos desafios e coisas não belas com as quais eventualmente tem que conviver ou já sofreu.
Elas passam, você passarinho!
“Tudo é uma questão de manter
A mente quieta,
A espinha ereta
E o coração tranquilo”
Despedace dentro de si tudo que é velho e morto
"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo prá você: não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha.
Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos.
Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.
Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende."
CORA CORALINA (poeta goiana que viveu até 95 anos)
Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.
O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio! Sei que tenho muitos anos.
Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não.
Você acha que eu sou? Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende."
CORA CORALINA (poeta goiana que viveu até 95 anos)
Cortesia É Coisa Rara
Hoje saí para levar o carro na oficina e aproveitar para fazer exames complementares no SABIN de São Sebastião. Levei o carro para uma grande oficina e central de troca de óleo que tem bem perto dali. Era umas 8h30min e tinha uns 10 funcionários, todos de jaleco azul. Entrei, ninguém me deu bola. Perguntei quem era o responsável, ao que um deles apontou para o de boné branco. Cheguei perto e perguntei se poderia alinhar , balancear e verificar os freios. Ele disse algo, mais parecido com um resmungo, e gritou para alguém para verificar. cri cri cri...
Esperei esse alguém por uns dez minutos. Naquele tempo, outros passavam por mim e não me viam. Cada um com seus problemas, devem ter pensado.
Fiquei exercitando meu poder de observador cotidiano. Após uns 15 minutos, enfastiei-me de bancar o fantasma.
Entrei no carro, liguei o motor, dei ré de dentro da oficina e saí. Não sem antes trocar um olhar com o de boné branco. Li a sua mente: "menos um cliente".
No caminho para o Sabin vejo uma minúscula oficina, com uma placa estampada na sua fachada: "Especialista em Freios". Paro o carro lá e pergunto se enquanto faço os exames ele pode checar os freios. Tudo ok.
Vou ao Sabin. As mocinhas que tiram sangue não estavam felizes. Notei na pele. Fico numa sala de recuperação aguardando 2 horas para a outra coleta. Uma hora se passou eis que mecânico do freio ali adentra. Imagino o quanto ele negociou na portaria para ali entrar. E diz, "Sr. as pastilhas estão estragadas, mas aqui em São Sebastião não tem para vender, só no Plano". Fico sem jeito com tamanha delicadeza dele vir me informar.
Pena que saiu sem ganhar um café das mocinhas do Sabin. Bem que merecia.
Ao pegar o carro com ele, não quis aceitar nada. Disse que não tinha dado trabalho.
Quanta elegância e dignidade num simples mecânico de uma oficina de fundo de quintal. Outro dia fui com a Angela Souza almoçar na feira do Paraguai. Ela queria comprar sapatos e eu óculos. Ali perto do BB, todos os estacionamentos estavam lotados. À minha frente um carrão tentava estacionar na única e cobiçada vaga disponível. Fico parado esperando. Eis que um senhor me aborda. Abro o vidro e ele diz:
"Dê uma ré que estou saindo ali atrás e você bota na minha vaga".
Fiquei uns segundos sem reação. Custando a acreditar no que ouvia.
Então, fiz o que ele pediu e estacionei no seu lugar, e ainda numa sombra.Saí me beliscando.
Essas coisas de doação gratuita de amor, de atenção e respeito deveriam ser comuns.
Estamos tão acostumados com tratamentos impessoais, no piloto automático, hostis... que aquele gesto do mecânico solícito. Aquele que entrou Sabin adentro para me encantar como seu cliente, avisando-me que não tinha a peça; Ou a do sr. da vaga que apareceria com sua saída, causam em nós um sentimento gostoso de que ainda é possível reverter tanta impessoalidade nas nossas relações interpessoais.
Vou comprar as pastilhas de freio no Plano e voltar lá para colocá-las, ele merece!
Esperei esse alguém por uns dez minutos. Naquele tempo, outros passavam por mim e não me viam. Cada um com seus problemas, devem ter pensado.
Fiquei exercitando meu poder de observador cotidiano. Após uns 15 minutos, enfastiei-me de bancar o fantasma.
Entrei no carro, liguei o motor, dei ré de dentro da oficina e saí. Não sem antes trocar um olhar com o de boné branco. Li a sua mente: "menos um cliente".
No caminho para o Sabin vejo uma minúscula oficina, com uma placa estampada na sua fachada: "Especialista em Freios". Paro o carro lá e pergunto se enquanto faço os exames ele pode checar os freios. Tudo ok.
Vou ao Sabin. As mocinhas que tiram sangue não estavam felizes. Notei na pele. Fico numa sala de recuperação aguardando 2 horas para a outra coleta. Uma hora se passou eis que mecânico do freio ali adentra. Imagino o quanto ele negociou na portaria para ali entrar. E diz, "Sr. as pastilhas estão estragadas, mas aqui em São Sebastião não tem para vender, só no Plano". Fico sem jeito com tamanha delicadeza dele vir me informar.
Pena que saiu sem ganhar um café das mocinhas do Sabin. Bem que merecia.
Ao pegar o carro com ele, não quis aceitar nada. Disse que não tinha dado trabalho.
Quanta elegância e dignidade num simples mecânico de uma oficina de fundo de quintal. Outro dia fui com a Angela Souza almoçar na feira do Paraguai. Ela queria comprar sapatos e eu óculos. Ali perto do BB, todos os estacionamentos estavam lotados. À minha frente um carrão tentava estacionar na única e cobiçada vaga disponível. Fico parado esperando. Eis que um senhor me aborda. Abro o vidro e ele diz:
"Dê uma ré que estou saindo ali atrás e você bota na minha vaga".
Fiquei uns segundos sem reação. Custando a acreditar no que ouvia.
Então, fiz o que ele pediu e estacionei no seu lugar, e ainda numa sombra.Saí me beliscando.
Essas coisas de doação gratuita de amor, de atenção e respeito deveriam ser comuns.
Estamos tão acostumados com tratamentos impessoais, no piloto automático, hostis... que aquele gesto do mecânico solícito. Aquele que entrou Sabin adentro para me encantar como seu cliente, avisando-me que não tinha a peça; Ou a do sr. da vaga que apareceria com sua saída, causam em nós um sentimento gostoso de que ainda é possível reverter tanta impessoalidade nas nossas relações interpessoais.
Vou comprar as pastilhas de freio no Plano e voltar lá para colocá-las, ele merece!
Eu digo sim à vida!
Faz parte dessa orquestração desqualificar a iniciativa e politizar uma questão de Estado.
Tenho pessoas amigas nessa frente – de protestar contra o Mais Médicos, pessoas amadas e inteligentes. Escrevo para elas. Para que se permitam ver por outro ângulo a questão.
Então pergunto-me quem as insuflou e a que objetivo?
Hoje li que uma das médicas que desembarcou, vai trabalhar numa aldeia indígena no Amazonas. Outros, em áreas de baixíssimo IDH no Maranhão e Piauí.
O que há de tão ruim nisso?
Será que sou alienado?
Será que estou vendo o que esse pessoal não vê, ou vice e versa?
Então resolvi quebrar o assunto em partes para melhor analisa-lo:
• Sobre Estrutura de Saúde
Qual o tipo de estrutura requer o Programa Mais Médicos, nas ações de atenção primária à saúde?
Será que esse outro modelo de medicina, pouquíssimo praticado por aqui, o da saúde básica e atenção primária, precisará mesmo de tantos recursos?
Noutros países onde praticado ele necessita de forte aparelho técnico?
Pelo que li, não. Faz-se esse tipo de medicina com visitas domiciliares, com o velo e bom médico de família. Casos que justifiquem uma maior atenção são encaminhados para cidades melhor aparelhadas.
Mas, supondo que precisará, o que diferenciará da situação de hoje?
Dos que já estão vivendo sob essa condição.
Quanto tempo levaria para aparelhar essas localidades?
Os centros maiores com atendimento pelo SUS são aparelhados? São essa “Brastemp” que apregoam por aí...? Ali tem todos os recursos?
A ida de médicos para esses locais abalizará essa discussão. Com um facilitador, agora eles terão alguém para reclamar, de forma qualificada, melhores condições para o trabalho. Antes eles só tinham um politico interesseiro que com uma ambulância caindo aos pedaços barganhava votos em troca de um “frete” para um hospital da cidade grande.
É verdade mesmo que as 700 cidades não possuem estrutura? Tenho lido depoimento de moradores dessas cidades afirmando o contrário.
Mas, suponhamos que seja verdade. E se houvesse uma estrutura de primeiro mundo, os médicos brasileiros fariam a adesão. Creio que não.
Não é fácil para uma geração criada sob a égide de “tenho que ser feliz agora e já”, da cultura Y, renunciar às regalias que possuem em trabalhar nos grandes centros e migrar.
Isso está fora de cogitação para uma geração criada achando que merece tudo, pode tudo e que não aprendeu a lidar com perdas.
Há outras variáveis que impactam a escolha. O modelo de medicina brasileiro privatizou a saúde. E, no mato não “corre dinheiro”. Simples assim.
• Sobre a Saúde Brasileira
Aqui tem outro ponto de reclamação nesse debate. Botam tudo no mesmo saco alegando que a ação é politiqueira, eleitoreira.
Trata-se de uma ação de Estado. Como de Estado é a ação de enviar recursos para prefeituras em situação de calamidade pela seca, para que custeiem carros-pipas visando ao abastecimento das populações sedentas.
Faz parte de um Governo sério, independente dos partidos que o apoiam, intervir na gestão pública em favor dos desfavorecidos.
Agora que em muitos locais o cara usa isso para barganhar votos, usa sim. Quantos rpefeitos usarão esse Programa para suas plataformas eleitoreiras?
Muitos, e a isso se chama política. Diferente disso é ditadura ou governos militares.
Os governantes capitalizam para suas gestões todas as ações que levam aos seus municípios que melhoram a vida do povo. E não é só aqui no Brasil. Para combater isso só com educação política, na qual o povo saberá que já paga por isso e que o governante não fez nada mais do que sua obrigação, como o seu servidor.
Feito essas ponderações, vamos às demais.
Falta tudo na saúde brasileira. Faltam leitos, medicamentos, equipamentos, profissionais, humanização, reconhecimento, salários, correção tabela do SUS.
Quem já foi a algum hospital público teve a visão de Dante nos seus corredores.
Há um caos por aqui instalado.
O fato de enviar médicos de família para 700 localidades sem médicos não resolverá esses problema. Lógico.
Aqui considero a maior falha dos protestos das entidades de classe. Ao invés de abrirem um debate sobre a qualidade das condições atuais da prática de medicina no Brasil, atacou justamente uma ação que ajuda, não resolve, mas ajuda.
Outra questão sobre o mesmo tema é o tipo de medicina que estamos praticando por aqui. Altamente especializada, com pedidos de exames a mil, com muita medicação, com internações desnecessárias.
Falo isso a partir da leitura de inúmeros manifestos da própria classe médica sobre a indústria do exame, do remédio, da doença.
Em residências médicas para áreas de saúde social sobram vagas. Ninguém quer fazer saúde preventiva. Justamente o forte da formação dos médicos que estão vindo ao Brasil.
Veja abaixo:
• Sobre a Medicina Brasileira
A medicina brasileira virou um negócio, muito caro, e para poucos. Aqui em Brasília, uma das instituições privadas de ensino mais tradicionais lançou nesse semestre seu curso de medicina. A mensalidade é de R$ 6.000,00. Existem outras privadas que não estão longe desse preço, indo de R$ 3.000 para cima.
Nesse ecossistema da saúde habitam a indústria de medicamentos, as prestadores de serviços em exames especializados, clínicas e hospitais, planos de saúde e os médicos.
Há inúmeros interesses em jogo, nesse lucrativo mercado.
Pergunte a quem participa de áreas de auditoria de Planos de Saúde os absurdos que precisam glosar por se tratarem de fraudes, de falcatruas, do uso indevido da boa fé e desconhecimento do paciente para aumentar o “saque” sobre os Planos de Saúde.
Mas, esses mesmos Planos de Saúde que se defendem de cobranças de procedimentos indevidos, também aumentam sua lucratividade reduzindo procedimentos e coberturas demandados.
Não há mocinho nesse tema.
Na outra ponta tem o acesso ao profissional de saúde. Muitos desligaram-se dos planos de saúde, imagine do SUS. Não se paga menos do que R$ 200,00 por uma consulta particular. Várias especialidades não atendem planos de saúde, ou quando atendem o agendamento é muito longo.
Quem só depende do SUS fica em pior situação ainda.
E o que o SUS paga aos profissionais de saúde uma vergonha dobrada.
Viu como o tema é rico e explosivo. Só lamento terem perdido o momento de entrar com essa pauta, deslocando burramente a questão para os grotões do interior.
Falta tudo na rede pública de atendimento. Inclusive respeito.
Esse tipo de medicina é fortemente apoiado em procedimentos caros.
Há um outro tipo de medicina. A medicina da escuta. Da palavra.
Do toque, do apalpar, do conselho, do ouvir.
Essa medicina pode não curar o doente, mas ajuda a prevenir que adoeça.
Um estetoscópio, um manômetro, uma tabela de vacinação, um teste de glicose, uma visita domiciliar, poderão fazer a diferença.
Essa medicina se contrapõe a outra. É um modelo diferente. Que até com plantas, reza, massagens, relaxamento intervêm.
Um modelo de saúde holístico, muito praticado nas comunidades orientais.
No fundo é isso que está em conflito, em guerra.
Modelos antagônicos de se fazer medicina. O primeiro enfoca na doença. O segundo enfoca na saúde.
No fundo, teme-se que funcione. Teme-se que dê certo.
A ponto de dirigentes maiores de entidades médicas dizerem que não atenderão casos encaminhados por esses profissionais para Centros mais capacitados, ou “corrigirem os erros deles”.
Então, queridos amigos, que tal visitar uma dessas cidades e conversar com seu povo. Checar em campo o que é não ter sequer um médico sequer para auscultar um pulmão carregado, para ouvir uma mãe aflita com seu filho febril (é virose mãe...), para a saúde da mulher, jovem e idoso, para monitorar a pressão, para identificar sinais de verminose, anemia, etc. Para educar sobre as doenças sexualmente transmissíveis e hábitos saudáveis de alimentação e higiene...
Então, queridos amigos, que tal botar uma mochila nas costas e aderir ao Programa. Serão dois anos maravilhosos na tua vida.
Será um doutorado em vida popular. Coisa que os grandes centros não te ensinarão.
Sei que vai “perder” de rentabilizar seu investimento. Perder posições. Mas, garanto-lhe, a experiência humana que adquirirá, e que livro algum ensina, te capacitará melhor e mais fortemente para novos vôos quando voltares, se é que vai querer voltar.
Clique nesse link após ler o resto e veja quem está aderindo.
É por amor!
Se minha filha fosse médica eu a diria.
“Filha, ficarei feliz se você ajudar essas populações desassistidas. Mas, caso sua escolha seja outra, a respeito.
Mas, antes de atirar a primeira pedra no Programa Mais Médicos, lembre-se para quem está trabalhando em assim o fazer. A quem está defendendo? A que interesse?
Cuidado com interesses dissimulados que te induzem a agredir profissionais que também fizeram o juramento de Hipócrates.
Se não quer ir para a roça, eu respeito e aprovo tua decisão.
Mas, poupe seu pai de uma vergonha em atacar quem vai, ou essa bela e rara iniciativa.
Não quero sentir-me parte de uma burguesia elitista que segregou a medicina brasileira criando os Médicos Com Fronteiras.
Não quero me sentir responsável, pela paternidade que em ti exerço, pela hipoteca social que os CRMs e Cia. estão assumindo com essas populações.
E, quanto a Cuba, cuidado com tudo que lê ou escreve. Os profissionais de saúde daquele país merecem nosso respeito.
Lembre-se que aquele país vive há anos sob bloqueio econômico dos EUA.
E, mesmo assim, conseguiu desenvolver padrões excelentes em muitas políticas públicas.
Se for para avaliar a qualidade dos políticos, em relação aos profissionais que o país gera, nós do Brasil seríamos os piores do mundo.
As questões internas de Cuba são deles. O Mais Médicos não tem alçada para resolvê-las.
Não misture uma coisa com outra que não dará em nada. E é esse nada que os CRMS querem no momento para a discussão. Essa é mais uma tentativa, infeliz, de desqualificar a vida de médicos estrangeiros. O pessoal que veste branco e se instituiu como liderança da área, nem fode nem desocupa a moita. Desculpe a expressão.
Não apresentam uma proposta concreta para levar saúde a essas localidades, desviando o debate para outros temas. Uma pena! Enquanto isso uma mãe grávida espera acompanhamento, e uma criança com diarreia idem. Não falarei mais sobe essa questão, estou adoecendo de indignação. Combati o bom combate e me posicionei contra a tirania das corporações.”
Veja abaixo as qualificações de quem chega:
Nas palmas das mãos!
Hoje me peguei contando minhas cicatrizes. Tenho três bem visíveis. Uma na bochecha direita, fruto de uma lança de madeira que um amigo jogou e a transpassou. Outra no braço do mesmo lado, quando carregava uma peça de vidro temperado e ela se quebrou, lançando sobre mim estilhaços. E outra na palma do pé esquerdo, quando pisei numa lata de sardinha e abriu um talho no pé. São visíveis. Essas não doem mais. Tenho cicatrizes interiores, em noites frias e escuras saem dos seus túmulos e me assustam. São cicatrizes de despedidas, de vocações adiadas, de amores e desamores, de saudades engolidas, de vidas amadurecidas às pressas. De pessoas queridas que se foram e eu não as disse um simples "até logo". De pessoas queridas que não se foram, mas eu me fui, e não sei o porquê. Na palma das minhas mãos tenho desenhado, com sulcos inscritos na pele, uma vela e um mastro. E estão em ambas as mãos. Estas, são cicatrizes vindas da minha alma. São um bilhete de Deus. Uma mensagem, um traço genético, que consigo traz a história de um povo. De todas cicatrizes que tenho, exteriores, interiores e as da palma da mão, que nessa noite me flagro a mirar, não me sai da cabeça o mastro e vela nelas inscritos. Como se eles dissessem para mim: "Ei você não se basta só.". Você depende do outro para lhe juntar e te dar sentido. Como a vela olhando para o mastro e dizendo: vem para perto de mim, para que nossas vidas sejam plenas. Penso, nessa noite fria, que muitos que passaram por nossa vida, nem cicatrizes externas nem internas provocaram. Eles possibilitaram que em nosso viver o mastro encontrasse a vela e nos fizesse avançar. Eles, carpinteiros do ser que são, juntaram peças de nossa vida, sem sentido sozinhas, e as fizeram avançar. Que legal. As palmas de minha mão me dizem que preciso de você. Que não me basto só. Que não sou independente. Que dependo de você para me fazer crescer. Me fazer melhor, me aperfeiçoar na arte de navegar na nave mãe Terra. Velas e mastros que se fundem na arte de amar e do diálogo. Nessa noite agradeço a tantos que juntaram minhas velas ao mastro, nos encontros que tivemos, e que me fizeram, quando cansado e descrente, velejar mais um pouco em busca de portos-seguros. Fizeram-me atracar em amanhãs mais seguros e fecundos. Gratidão é o que me inunda o ser nessa noite, mesmo pelas cicatrizes que vez por outra ainda doem, pois ensinaram-me o valor de recomeçar. Gratidão pelas costureiras e carpinteiros que juntaram mastro e velas em meu viver, fazendo-me navegar e avançar, mesmo em mares bravios. Eu te agradeço! Eu preciso de ti. Frases místicas de uma pessoa que olhou para as palmas da mão, numa noite fria, e descobriu que os sulcos nela impressos são os traços do coletivo que por mim passou e deixou inscrito nelas a sua história e esperança. Finalizo com o que uma amiga me disse e muito me tocou: "Alçar velas e navegar pra dentro de si mesmo é para os fortes... mas será sempre uma viajem de valor incalculável!" Finalizo esse texto com quem me guia, o soprar do Espírito Santo. Pois, de nada adiantaria a fusão da vela com o mastro, se Ele não soprasse para que eu saísse de zonas de calmaria e estagnação e descobrisse novas possibilidades em meu viver. E é isso que te desejo ao final dessa leitura. Somos todos ecos do que deveríamos ser. Estaremos sempre em falta e navegando em arranjos vetoriais do ser. Todos, no desafio de crescer, temos vetores internos: com direção, módulo e sentido. Velas, mastro, mares e vento. Esses vetores, mesmo em ondas de inflexões, ainda assim apontam para o novo, para a liberdade e o amor.
Um infinito de possibilidades estão a tua volta, as apanhe sempre que puder! Elas poderão não se repetir nos ecos do infinito, do destino possível que reescreves, com teu agir no aqui e agora.
Um infinito de possibilidades estão a tua volta, as apanhe sempre que puder! Elas poderão não se repetir nos ecos do infinito, do destino possível que reescreves, com teu agir no aqui e agora.
Sobre Circos, Navios e o Amanhã

Manhã de sexta reúno a equipe para discutirmos os rumos de alguns projetos. Entre um tema e outro, o assunto recaí na importância da equipe para o sucesso dos desafios que se apresentam. Valéria puxa o assunto e enfatiza como gostou da última experiência de posse coletiva no auditório, na qual todos se juntaram para vencer a enorme dificuldade de empossar mais de cem colegas em novas funções na Ditec. Impostar no sistema a posse requer muita atenção. Pois, caso tenha sido digitado um prefixo errado para a posse, dos mais de 18 que a Ditec possui, o cancelamento é trabalhaso. O processo operacional de gravar as posses é muito custoso. Outra coisa que torna o processo lento é que o funcionário precisa chegar para a posse com um conjunto de condições atendidas, caso contrário o sistema não roda a posse. Isso requer um bom planejamento e farta dose de comunicação prévia.
Valéria emocionou-se ao registrar aquele momento recente. Eu lembro. Lembro que compareci à abertura do evento, no qual o diretor fez uma saudação ao grupo. Quando terminou as falações era 15hrs. Saí do auditório com uma ponta de preocupação com o tempo. Precisávamos rodar a posse naquele dia, e só naquele dia, sob pena da promoção não impactar positivamente a folha de pagamento de agosto. Eis que às 16h30min as meninas entram radiantes no setor, trazendo as pastas dos promovidos em caixas de papelão. De longe olhei e penso: lascou alguma coisa. Mas que nada, elas conseguiram o impossível. Bateram o recorde mundial de posses. (risos)
Não acreditei e perguntei como fizeram o feito. Elas falaram: “planejamento com todos os envolvidos e trabalho em equipe na execução.”
Valéria continuou a falar durante a reunião. Seus olhos marejados evocavam o show do Cirque du Soleil que ela foi. Ali, ela notou que o melhor trapezista, contorcionista, dançarino malabarista, quando terminava seu número, sua apresentação, ia apoiar os outros no que precisava. Não ia para os camarins. Continuava a ajudar aos outros a também brilharem.
Valéria emocionou-se ao registrar aquele momento recente. Eu lembro. Lembro que compareci à abertura do evento, no qual o diretor fez uma saudação ao grupo. Quando terminou as falações era 15hrs. Saí do auditório com uma ponta de preocupação com o tempo. Precisávamos rodar a posse naquele dia, e só naquele dia, sob pena da promoção não impactar positivamente a folha de pagamento de agosto. Eis que às 16h30min as meninas entram radiantes no setor, trazendo as pastas dos promovidos em caixas de papelão. De longe olhei e penso: lascou alguma coisa. Mas que nada, elas conseguiram o impossível. Bateram o recorde mundial de posses. (risos)
Não acreditei e perguntei como fizeram o feito. Elas falaram: “planejamento com todos os envolvidos e trabalho em equipe na execução.”
Valéria continuou a falar durante a reunião. Seus olhos marejados evocavam o show do Cirque du Soleil que ela foi. Ali, ela notou que o melhor trapezista, contorcionista, dançarino malabarista, quando terminava seu número, sua apresentação, ia apoiar os outros no que precisava. Não ia para os camarins. Continuava a ajudar aos outros a também brilharem.
Às vezes ficavam ao lado do palco torcendo, só isso. Uns pegavam vassouras e varriam os papéis picados jogados ao leu no show anterior. Outros montavam o palco para o próximo número. Numa das cenas mais emocionantes que ela relatou. Um casal de trapezista faz um belo número, aí o imprevisto para o Cirque du Soleil acontece. A moça erra a passada e caí na rede de proteção. Silêncio total. O outro trapezista que fazia par com ela poderia esperar que ela subisse novamente as escadas e continuasse o show. Mas não, ele se projeta na corda e no meio do espaço vazio a solta, caindo na rede. Pega pela mão sua companheira de show e ambos descem sob aplausos e emoção incontida da plateia.
Valéria contava isso e agora quem chorava éramos nós. O maior trapezista do mundo, ao sair de cena, vira o melhor ser para o mundo, naquele momento de solidariedade e empatia.
Mas, quem pensa que trabalhar em equipe é fácil leia sobre o fenômeno da Enganação Social, descrito por STEPHEN P. ROBBINS, quando soma das contribuições individuais é menor, gerando uma entropia coletiva, uma espécie de sinergia negativa, se é que existe isso. Na enganação social a soma das individualidades, por exemplo, 1+1+1, pode ser igual a 2, 1 ou em casos extremos 0. Ele atribui isso à percepção de parte do grupo que alguém está se escorando, chupando cana, fingindo que trabalha, e não acontece nada. Em grupos menos maduros, com menor nível de autonomia e consciência crítica, os demais que ralavam mais que o devido para cobrir a área do preguiçoso vão ficando chateados e no inconsciente coletivo reduzem seu ritmo também. Ele provou sua tese com um experimento de laboratório. Colocou pessoas para puxarem uma corda individualmente amarrada a um instrumento que media a força que estava sendo aplicada. Depois juntou as individualidades numa equipe e pediu que todos juntos puxassem a corda. Ele percebeu que em alguns grupos formados o resultado era menor que a soma das individualidades, e nunca as superava. Sendo sempre menor. Noutros grupos dava maior o resultado do que as contribuições individuais.
Então, cai por terra o lugar comum que diz que trabalhar em equipe é sempre mais produtivo. Depende, Robbins diz que isso só é possível com acompanhamento individual dos membros da equipe e celebração coletiva dos resultados. Assim o cara que se escora sente-se cobrado, o grupo sabe que estão de olho nele, e não involui.
A própria etimológica da palavra equipe: do antigo Francês Esquipe, “aparelhar um navio”, conduzindo-o com segurança ao cais. O “aparelhar” era um movimento delicado de puxá-lo para o local correto, na atracação no porto, com cordas grossas chamadas de camelo. Todos se envolviam e se um não puxasse, ou puxasse de forma atabalhoada, o prejuízo era coletivo e todos viam na hora o que estava dando errado, aliás, o resultado era palpável do sucesso ou fracasso. Então as Esquiper eram treinadas, motivadas, acompanhadas para fazerem seu trabalho com perfeição e evitarem prejuízos nos cais pela atracação indevida ou lenta.
Quem pensa que trabalhar em equipe é fácil...
Exige treino. Exige orientação. Exige aparar arestas. Exige um coaching que incentive a colaboração, cooperação e não o contrário como existem muitos por aí. Pseudo-motivadores que mobilizam as equipes jogando uns contra os outros.
Imagino as horas de treinamento que Cirque du Soleil investe na formação de suas equipes para o coletivo, para o sucesso grupal. Imagino que a exigência das competências da inteligência emocional e social permeie inclusive seus processos de atração e formação de talentos.
Trabalhar em grupo exige treino. Ralação, espaços de catarse, de avaliação da dinâmica grupal. Espaços de perdão, de recomeço.
O outro sempre poderá nos ferir, nos magoar, somos sensíveis. Somos subjetividades. Muito mais que racionalidades. Como nos sentimos passa por nossas experiências anteriores, história de vida e cultura, e até por distorções perceptivas e de comunicação. Somos assim, imperfeitos por natureza. E, o outro nem sempre tem acesso ao nosso sistema interior e pisa na bola. Se não houver espaços de feedback, de troca, de avaliação da caminhada essas coisas vão ficando mal resolvidas e o grupo empobrece. Todos para se protegerem de inimigos reais ou imaginários, entram na enganação social, no piloto automático. Entende?
Uma pena que vários gerentes chegam a esse posto achando que só os aspectos técnicos do cargo serão necessários para exercê-lo. Uma pena!
Quem pensa que trabalhar em equipe é fácil...
Exige inteligência emocional, humildade, respeito, ética, atitudes e valores como compaixão, empatia, diálogo tão raros nos tempos atuais nos quais tudo é descartável, ou se é reduzido ao valor monetário que produz.
Já integrei várias equipes: esportivas no Sesi quando nadava. Religiosas. Sindicais. Bancárias. Acadêmicas. Sociais na ONG Grupo de Apoio à Vida.
Em todas elas vivi cenas do Cirque de Soleill, ou dos navios franceses e suas ‘Esquiper”.
Cenas lindas nas quais todos eram tudo e tudo era todos.
Cenas das quais sinto uma saudade tremenda.
Também já integrei equipes com Enganação Social. Também reduzi meu ritmo ao ritmo do menos eficiente, numa espécie de protesto bobo e insano, fruto do nível de autonomia e consciência que tinha á época.
As lágrimas de Valéria ao relatar seus aprendizados com as posses e o Cirque du Soleil encheram meu coração de vida.
Chegará o tempo que a arte de trabalhar em grupo, num rico somatório de percepções e contribuições, fecundo à inovação, será muito, muito mesmo, mais difícil do que nos tempos atuais.
Nosso modelo de educação, de sociedade, está produzindo arrogantes, pequenos tiranos, pessoas com baixa tolerância às frustrações, do tipo cair na rede do trapézio.
Pessoas criadas por pais e mães que ensinam que para crescer tem que pisar, oprimir, machucar.
Pessoas criadas para sozinhas verem atendidos seus desejos, independentemente da coletividade.
É esse texto é démodé.
Como pai tentei incutir esses valores em meus filhos. Valor da simplicidade, da ajuda ao outro, da paz, da justiça, da cidadania.
Mas, tá ficando difícil. Outro dia fui numa cerimônia do colégio na qual algumas crianças premiadas, uns 20% do grupo. Os outros ficaram aplaudindo. Foi premiado o destaque em matemática, em português, em desenhos, no esporte... etc.
Não havia prêmio para o aluno amigo, o aluno solidário, o aluno bondoso, o aluno que dividiu seu lanche ou brinquedos. O aluno que não fez bulling, não agrediu seu professor ou colega.
Não havia esses prêmios. Os prêmios refletem o modelo de sociedade que estamos produzindo e criando nossos filhos.
Um modelo que incentiva o cara a cortar pelo acostamento e deixar uma fila quilométrica para trás, simplesmente porque ele acha que merece passar na frente de todo mundo e fazê-los de bobos. Ele merece, pra agora e já chegar a casa cedo. Os outros? Ahh os outros. Quem mesmo?
Então quando se somam essas individualidades em equipes, essas pessoas educadas pelas famílias, escolas e até igrejas para a prosperidade, para o sucesso, cada uma delas quer brilhar sozinha. Ninguém quer varrer o chão para o show do outro que vai começar.
Cada um, na sua fantasia de dominação, acha que o mundo gravita ao seu redor. E, numa ambição descabida, excluem qualquer possibilidade de consenso ou diálogo.
Da mesma forma que os Black Blocs vão às ruas para depredar o patrimônio, para agredirem, numa falsa pretensão de serem anarquistas. (Precisam ler mais sobre Anarquismo)
Existem as academias de formação dos “Black Blocs” emocionais.
São famílias e mais famílias; escolas e mais escolas; igrejas e mais igrejas “educando” para a intolerância, para a violência, mesmo que em palavras.
Os locais de trabalho também estão repletos de de Black Blocks corporativos. Gerentes, não gerentes, etc. Gente para o qual toda forma de diálogo, de aproximação, de busca de consensos possíveis, em áreas de divergência, é sinal de fraqueza.
E ninguém mais quer parecer frágil, humilde ou ceder. Está fora de moda.
Urge que pais e mães subvertam essa ordem reinante e instaure em seus lares novos tempos.
Urge que Igrejas, organizações e os movimentos sociais tragam à pauta, à agenda, à reflexão sobre a necessidade de outra educação, formação profissional e social. Que prime pela civilidade, solidariedade entre povos, humanização das relações e eduque para o respeito à diversidade.
Urge que nos processos seletivos para cargos gerenciais esses valores sejam preponderantes para nomeação de um gestor, pois só assim ele poderá educar e formar Equipe, e continuar a sua própria, nunca acabado, desenvolvimento.
Obrigado Valéria por suas lágrimas. Obrigado Senhor X que caiu na rede do trapézio para apoiar sua parceira.
Não deveríamos chorar ao falar de pessoas trabalhando juntas num único objetivo.
Deveria ser tão comum. Mas, no reinado do capital, no qual o templo maior é o Shopping, o Deus é o Consumo, com sua deusa Marca, não estranho mais nada.
Estamos velozes e furiosos, querendo felicidade já e a qualquer preço.
A tribo do Ser anda em extinção. Mas, a semente dela é boa e forte.
Se cada um dessa tribo começar a questionar os valores atuais, começar a fazer sua parte para “deseducar” seu grupo de referência nas atitudes de morte, educando-os ou propondo reflexões sobre posturas e gestos de vida, quem sabe!
Há um enorme navio chamado Mãe-Terra, com sua tripulação chamada de humanidade que precisa urgentemente de várias “Esquiper” que ajudem a atracá-lo em segurança.
Somos poucos, mas somos fortes!
Venha para nossa esquiper... Há vagas para pessoas solidárias, éticas e justas na puxada do camelo do navio da Mãe-Terra para que ela atraque em segurança e seja sustentável para as gerações futuras. Sustentável em vários aspectos, inclusive no amor, afeto e paz!
Valéria contava isso e agora quem chorava éramos nós. O maior trapezista do mundo, ao sair de cena, vira o melhor ser para o mundo, naquele momento de solidariedade e empatia.
Mas, quem pensa que trabalhar em equipe é fácil leia sobre o fenômeno da Enganação Social, descrito por STEPHEN P. ROBBINS, quando soma das contribuições individuais é menor, gerando uma entropia coletiva, uma espécie de sinergia negativa, se é que existe isso. Na enganação social a soma das individualidades, por exemplo, 1+1+1, pode ser igual a 2, 1 ou em casos extremos 0. Ele atribui isso à percepção de parte do grupo que alguém está se escorando, chupando cana, fingindo que trabalha, e não acontece nada. Em grupos menos maduros, com menor nível de autonomia e consciência crítica, os demais que ralavam mais que o devido para cobrir a área do preguiçoso vão ficando chateados e no inconsciente coletivo reduzem seu ritmo também. Ele provou sua tese com um experimento de laboratório. Colocou pessoas para puxarem uma corda individualmente amarrada a um instrumento que media a força que estava sendo aplicada. Depois juntou as individualidades numa equipe e pediu que todos juntos puxassem a corda. Ele percebeu que em alguns grupos formados o resultado era menor que a soma das individualidades, e nunca as superava. Sendo sempre menor. Noutros grupos dava maior o resultado do que as contribuições individuais.
Então, cai por terra o lugar comum que diz que trabalhar em equipe é sempre mais produtivo. Depende, Robbins diz que isso só é possível com acompanhamento individual dos membros da equipe e celebração coletiva dos resultados. Assim o cara que se escora sente-se cobrado, o grupo sabe que estão de olho nele, e não involui.
A própria etimológica da palavra equipe: do antigo Francês Esquipe, “aparelhar um navio”, conduzindo-o com segurança ao cais. O “aparelhar” era um movimento delicado de puxá-lo para o local correto, na atracação no porto, com cordas grossas chamadas de camelo. Todos se envolviam e se um não puxasse, ou puxasse de forma atabalhoada, o prejuízo era coletivo e todos viam na hora o que estava dando errado, aliás, o resultado era palpável do sucesso ou fracasso. Então as Esquiper eram treinadas, motivadas, acompanhadas para fazerem seu trabalho com perfeição e evitarem prejuízos nos cais pela atracação indevida ou lenta.
Quem pensa que trabalhar em equipe é fácil...
Exige treino. Exige orientação. Exige aparar arestas. Exige um coaching que incentive a colaboração, cooperação e não o contrário como existem muitos por aí. Pseudo-motivadores que mobilizam as equipes jogando uns contra os outros.
Imagino as horas de treinamento que Cirque du Soleil investe na formação de suas equipes para o coletivo, para o sucesso grupal. Imagino que a exigência das competências da inteligência emocional e social permeie inclusive seus processos de atração e formação de talentos.
Trabalhar em grupo exige treino. Ralação, espaços de catarse, de avaliação da dinâmica grupal. Espaços de perdão, de recomeço.
O outro sempre poderá nos ferir, nos magoar, somos sensíveis. Somos subjetividades. Muito mais que racionalidades. Como nos sentimos passa por nossas experiências anteriores, história de vida e cultura, e até por distorções perceptivas e de comunicação. Somos assim, imperfeitos por natureza. E, o outro nem sempre tem acesso ao nosso sistema interior e pisa na bola. Se não houver espaços de feedback, de troca, de avaliação da caminhada essas coisas vão ficando mal resolvidas e o grupo empobrece. Todos para se protegerem de inimigos reais ou imaginários, entram na enganação social, no piloto automático. Entende?
Uma pena que vários gerentes chegam a esse posto achando que só os aspectos técnicos do cargo serão necessários para exercê-lo. Uma pena!
Quem pensa que trabalhar em equipe é fácil...
Exige inteligência emocional, humildade, respeito, ética, atitudes e valores como compaixão, empatia, diálogo tão raros nos tempos atuais nos quais tudo é descartável, ou se é reduzido ao valor monetário que produz.
Já integrei várias equipes: esportivas no Sesi quando nadava. Religiosas. Sindicais. Bancárias. Acadêmicas. Sociais na ONG Grupo de Apoio à Vida.
Em todas elas vivi cenas do Cirque de Soleill, ou dos navios franceses e suas ‘Esquiper”.
Cenas lindas nas quais todos eram tudo e tudo era todos.
Cenas das quais sinto uma saudade tremenda.
Também já integrei equipes com Enganação Social. Também reduzi meu ritmo ao ritmo do menos eficiente, numa espécie de protesto bobo e insano, fruto do nível de autonomia e consciência que tinha á época.
As lágrimas de Valéria ao relatar seus aprendizados com as posses e o Cirque du Soleil encheram meu coração de vida.
Chegará o tempo que a arte de trabalhar em grupo, num rico somatório de percepções e contribuições, fecundo à inovação, será muito, muito mesmo, mais difícil do que nos tempos atuais.
Nosso modelo de educação, de sociedade, está produzindo arrogantes, pequenos tiranos, pessoas com baixa tolerância às frustrações, do tipo cair na rede do trapézio.
Pessoas criadas por pais e mães que ensinam que para crescer tem que pisar, oprimir, machucar.
Pessoas criadas para sozinhas verem atendidos seus desejos, independentemente da coletividade.
É esse texto é démodé.
Como pai tentei incutir esses valores em meus filhos. Valor da simplicidade, da ajuda ao outro, da paz, da justiça, da cidadania.
Mas, tá ficando difícil. Outro dia fui numa cerimônia do colégio na qual algumas crianças premiadas, uns 20% do grupo. Os outros ficaram aplaudindo. Foi premiado o destaque em matemática, em português, em desenhos, no esporte... etc.
Não havia prêmio para o aluno amigo, o aluno solidário, o aluno bondoso, o aluno que dividiu seu lanche ou brinquedos. O aluno que não fez bulling, não agrediu seu professor ou colega.
Não havia esses prêmios. Os prêmios refletem o modelo de sociedade que estamos produzindo e criando nossos filhos.
Um modelo que incentiva o cara a cortar pelo acostamento e deixar uma fila quilométrica para trás, simplesmente porque ele acha que merece passar na frente de todo mundo e fazê-los de bobos. Ele merece, pra agora e já chegar a casa cedo. Os outros? Ahh os outros. Quem mesmo?
Então quando se somam essas individualidades em equipes, essas pessoas educadas pelas famílias, escolas e até igrejas para a prosperidade, para o sucesso, cada uma delas quer brilhar sozinha. Ninguém quer varrer o chão para o show do outro que vai começar.
Cada um, na sua fantasia de dominação, acha que o mundo gravita ao seu redor. E, numa ambição descabida, excluem qualquer possibilidade de consenso ou diálogo.
Da mesma forma que os Black Blocs vão às ruas para depredar o patrimônio, para agredirem, numa falsa pretensão de serem anarquistas. (Precisam ler mais sobre Anarquismo)
Existem as academias de formação dos “Black Blocs” emocionais.
São famílias e mais famílias; escolas e mais escolas; igrejas e mais igrejas “educando” para a intolerância, para a violência, mesmo que em palavras.
Os locais de trabalho também estão repletos de de Black Blocks corporativos. Gerentes, não gerentes, etc. Gente para o qual toda forma de diálogo, de aproximação, de busca de consensos possíveis, em áreas de divergência, é sinal de fraqueza.
E ninguém mais quer parecer frágil, humilde ou ceder. Está fora de moda.
Urge que pais e mães subvertam essa ordem reinante e instaure em seus lares novos tempos.
Urge que Igrejas, organizações e os movimentos sociais tragam à pauta, à agenda, à reflexão sobre a necessidade de outra educação, formação profissional e social. Que prime pela civilidade, solidariedade entre povos, humanização das relações e eduque para o respeito à diversidade.
Urge que nos processos seletivos para cargos gerenciais esses valores sejam preponderantes para nomeação de um gestor, pois só assim ele poderá educar e formar Equipe, e continuar a sua própria, nunca acabado, desenvolvimento.
Obrigado Valéria por suas lágrimas. Obrigado Senhor X que caiu na rede do trapézio para apoiar sua parceira.
Não deveríamos chorar ao falar de pessoas trabalhando juntas num único objetivo.
Deveria ser tão comum. Mas, no reinado do capital, no qual o templo maior é o Shopping, o Deus é o Consumo, com sua deusa Marca, não estranho mais nada.
Estamos velozes e furiosos, querendo felicidade já e a qualquer preço.
A tribo do Ser anda em extinção. Mas, a semente dela é boa e forte.
Se cada um dessa tribo começar a questionar os valores atuais, começar a fazer sua parte para “deseducar” seu grupo de referência nas atitudes de morte, educando-os ou propondo reflexões sobre posturas e gestos de vida, quem sabe!
Há um enorme navio chamado Mãe-Terra, com sua tripulação chamada de humanidade que precisa urgentemente de várias “Esquiper” que ajudem a atracá-lo em segurança.
Somos poucos, mas somos fortes!
Venha para nossa esquiper... Há vagas para pessoas solidárias, éticas e justas na puxada do camelo do navio da Mãe-Terra para que ela atraque em segurança e seja sustentável para as gerações futuras. Sustentável em vários aspectos, inclusive no amor, afeto e paz!
Nem sempre perder é perder; ou ganhar é ganhar.
Outro dia Leni me abordou no trabalho com um adaptador de tomada na mão. Daqueles que ajudam a plugar equipamentos no padrão antigo. Com os olhinhos brilhando ela disse-me: Ricardim, dá uma crônica a importância de um adaptador na vida das pessoas.
Fiquei olhando para ela e para aquele objeto e entendi o sentido que ela queria apresentar.
Leni chegara há uns meses para trabalhar conosco. Por toda uma vida fez carreira nas agências do BB. Esse ano passou a trabalhar numa outra realidade, saindo da ponta do negócio para uma área de estratégica de TI.
Quando ela chegou, tudo deu errado com sua posse.
Chave não acessava os sistemas, computador travava, senha de telefone bloqueada, acesso a rede sendo negado... Todos os dias, a doce e sorridente Leni chegava com um problema diferente.
Aos poucos ela foi vencendo um a um, a ponto de agora fornecer consultoria rsrs.
No início ficava apreensiva com o volume de serviços, com pedidos desencontrados, com demandas prioritárias das prioritárias se acotovelando.
Com um estilo de liderança que valoriza a autogestão do processo produtivo, que não fica em cima, que confia no potencial e deixa o outro ir desabrochando aos poucos.
Ela ficava doidinha comigo. Rsrs
Lentamente ela foi adaptando-se, ao estilo de liderança, à equipe, aos serviços.
Temos dentro de nós esse plug adaptador. Todos temos.
Mas é preciso saúde emocional para ativá-lo. Nem sempre estamos a fim de bancar o risco e pagar a conta.
E, tem certas coisas que se adaptar a elas é morrer um pouco a cada dia.
Portanto, esse adaptador funciona para umas situações de vida pessoal ou profissional, para outra o que funciona mesmo é o bocal-macho.
Mas o que é o bocal-macho. Calma que te explico.
O bocal-macho é um artefato que numa ponta é um soquete de lâmpada (um bocal) na outra é um plug de energia, daqueles que mais parecem um garfo.
Se tivesse um prêmio de inovação para o setor elétrico com certeza esse objeto estaria bem na fita.
Ele consegue transformar qualquer ponto de energia num ponto de luz.
Se for conectado a uma extensão, teremos uma gambiarra portátil super útil.
Então, algumas situações pedem que nos transformemos.
Pedem mudança na nossa natureza. Não pedem adaptação.
São situações bocais-de-garfo-de-energia.
Nas quais mudar e juntar duas coisas transformando-as numa terceira coisa, fruto da sinergia das originais é preciso.
No jargão popular, dizemos: fazer do limão uma limonada.
Então vim para casa com o adaptador e aqui no armário encontrei meu bocal-garfo.
Deixei-os à vista e fiquei feliz.
Ali, à minha frente, duas peças que resumem a trajetória humana: adaptação ou mudança dialética; ou ambos numa composição harmoniosa.
E quem se adaptar muda. Muda a si mesmo diante da realidade.
Adaptação é uma forma de mudança.
Quem transforma adapta-se. Toda transformação carrega em si o gene da adaptação. É uma resposta.
Então as coisas são E e E. Tem casamentos que precisam de adaptação. Um mudar em relação ao outro, aos filhos.
Tem casamento que precisa de transformação, de um basta, pensemos na situação-limite de uma mulher que é agredida por seu esposo.
Ou de uma mãe que vê seu filho sendo consumindo pela droga e que precisa agir.
Adaptar, renunciar, mudar, transformar são notas de uma mesma partitura da bela composição da vida e do viver.
Importantíssimas para nossa evolução.
Sem adaptação não aprendemos. Sem mudança não alteramos rotas e cursos de ação.
Tem muita gente por aí mal resolvida, desajustada, com crise de adaptação.
Tem muita gente por aí que se diz bem resolvida, adaptada, mas que no fundo é mesmo um cagão de um medroso.
Tem muita gente por aí que mudar por mudar, sem consciência crítica, sem avaliar consequências.
Tem muita gente por aí que muda para melhorar, para crescer, mesmo que doa. Mudar dói.
Somos essa “muita gente”. Temos em nós adaptação e desadaptação. Mudança e estagnação.
Encontrar o tom é o segredo do bem viver. A dose de um ou de outro será o que fará a diferença. Mas, para isso tem que ouvir a consciência.Tem que buscar o autoconhecimento. Fazer as perguntas filosóficas eternas:
Quem sou? O que quero ser? O que me agrada? O que me desagrada? O que me aprisiona? O que me liberta? O que gosto? O que não gosto? Qual sentido de minha vida? Quem é importante em meu viver?
Tem que ter a coragem de vez por outra fazer essas perguntas e optar, e escolher, e intuir se o que não está pegando mesmo não é a falta de adaptação, de flexibilidade, de aprendizado.Ou será que o que está pegando não é justamente a vontade de mudar, de renovar-se, de transcender e romper velhos modelos.
A decisão é nossa! A escolha também.
Não há receitas, não há prescrições, fórmulas.
Que para um funciona, para o outro nem tanto.
Só sei que no limite, independente de fé, o Papa Francisco está certo. Como diz minha amiga Fernanda: Quando há reflexão, autoconsciência, humildade e respeito à coletividade (há quem queira que todos ao redor mudem para que os outros se adaptem a ele) é menos doloroso se adaptar.
Só não vale à pena se adaptar se for pra ceder às pressões de uma sociedade perversa. Nesses casos, o pensamento de Arnaldo Antunes é o melhor conselho: "Será que eu falei o que ninguém dizia? Será que eu escutei o que ninguém ouvia? Não vou me adaptar"
Desejo que você, adaptando-se ou movido pelo desejo de uma transformação radical, do tipo daquela do bocal-garfo que fundiu a característica de um bocal de luz à de um plug (garfo) de energia; transformando o objeto final numa outra coisa - fruto das duas, esteja sempre em paz consigo mesmo. Mesmo diante de decisões difíceis, caminhe sempre na verdade, ética e justiça. “É preciso coragem para ser feliz”. Ou como diz André, um amigo precioso, amar é decisão.
Fiquei olhando para ela e para aquele objeto e entendi o sentido que ela queria apresentar.
Leni chegara há uns meses para trabalhar conosco. Por toda uma vida fez carreira nas agências do BB. Esse ano passou a trabalhar numa outra realidade, saindo da ponta do negócio para uma área de estratégica de TI.
Quando ela chegou, tudo deu errado com sua posse.
Chave não acessava os sistemas, computador travava, senha de telefone bloqueada, acesso a rede sendo negado... Todos os dias, a doce e sorridente Leni chegava com um problema diferente.
Aos poucos ela foi vencendo um a um, a ponto de agora fornecer consultoria rsrs.
No início ficava apreensiva com o volume de serviços, com pedidos desencontrados, com demandas prioritárias das prioritárias se acotovelando.
Com um estilo de liderança que valoriza a autogestão do processo produtivo, que não fica em cima, que confia no potencial e deixa o outro ir desabrochando aos poucos.
Ela ficava doidinha comigo. Rsrs
Lentamente ela foi adaptando-se, ao estilo de liderança, à equipe, aos serviços.
Temos dentro de nós esse plug adaptador. Todos temos.
Mas é preciso saúde emocional para ativá-lo. Nem sempre estamos a fim de bancar o risco e pagar a conta.
E, tem certas coisas que se adaptar a elas é morrer um pouco a cada dia.
Portanto, esse adaptador funciona para umas situações de vida pessoal ou profissional, para outra o que funciona mesmo é o bocal-macho.
Mas o que é o bocal-macho. Calma que te explico.
O bocal-macho é um artefato que numa ponta é um soquete de lâmpada (um bocal) na outra é um plug de energia, daqueles que mais parecem um garfo.
Se tivesse um prêmio de inovação para o setor elétrico com certeza esse objeto estaria bem na fita.
Ele consegue transformar qualquer ponto de energia num ponto de luz.
Se for conectado a uma extensão, teremos uma gambiarra portátil super útil.
Então, algumas situações pedem que nos transformemos.
Pedem mudança na nossa natureza. Não pedem adaptação.
São situações bocais-de-garfo-de-energia.
Nas quais mudar e juntar duas coisas transformando-as numa terceira coisa, fruto da sinergia das originais é preciso.
No jargão popular, dizemos: fazer do limão uma limonada.
Então vim para casa com o adaptador e aqui no armário encontrei meu bocal-garfo.
Deixei-os à vista e fiquei feliz.
Ali, à minha frente, duas peças que resumem a trajetória humana: adaptação ou mudança dialética; ou ambos numa composição harmoniosa.
E quem se adaptar muda. Muda a si mesmo diante da realidade.
Adaptação é uma forma de mudança.
Quem transforma adapta-se. Toda transformação carrega em si o gene da adaptação. É uma resposta.
Então as coisas são E e E. Tem casamentos que precisam de adaptação. Um mudar em relação ao outro, aos filhos.
Tem casamento que precisa de transformação, de um basta, pensemos na situação-limite de uma mulher que é agredida por seu esposo.
Ou de uma mãe que vê seu filho sendo consumindo pela droga e que precisa agir.
Adaptar, renunciar, mudar, transformar são notas de uma mesma partitura da bela composição da vida e do viver.
Importantíssimas para nossa evolução.
Sem adaptação não aprendemos. Sem mudança não alteramos rotas e cursos de ação.
Tem muita gente por aí mal resolvida, desajustada, com crise de adaptação.
Tem muita gente por aí que se diz bem resolvida, adaptada, mas que no fundo é mesmo um cagão de um medroso.
Tem muita gente por aí que mudar por mudar, sem consciência crítica, sem avaliar consequências.
Tem muita gente por aí que muda para melhorar, para crescer, mesmo que doa. Mudar dói.
Somos essa “muita gente”. Temos em nós adaptação e desadaptação. Mudança e estagnação.
Encontrar o tom é o segredo do bem viver. A dose de um ou de outro será o que fará a diferença. Mas, para isso tem que ouvir a consciência.Tem que buscar o autoconhecimento. Fazer as perguntas filosóficas eternas:
Quem sou? O que quero ser? O que me agrada? O que me desagrada? O que me aprisiona? O que me liberta? O que gosto? O que não gosto? Qual sentido de minha vida? Quem é importante em meu viver?
Tem que ter a coragem de vez por outra fazer essas perguntas e optar, e escolher, e intuir se o que não está pegando mesmo não é a falta de adaptação, de flexibilidade, de aprendizado.Ou será que o que está pegando não é justamente a vontade de mudar, de renovar-se, de transcender e romper velhos modelos.
A decisão é nossa! A escolha também.
Não há receitas, não há prescrições, fórmulas.
Que para um funciona, para o outro nem tanto.
Só sei que no limite, independente de fé, o Papa Francisco está certo. Como diz minha amiga Fernanda: Quando há reflexão, autoconsciência, humildade e respeito à coletividade (há quem queira que todos ao redor mudem para que os outros se adaptem a ele) é menos doloroso se adaptar.
Só não vale à pena se adaptar se for pra ceder às pressões de uma sociedade perversa. Nesses casos, o pensamento de Arnaldo Antunes é o melhor conselho: "Será que eu falei o que ninguém dizia? Será que eu escutei o que ninguém ouvia? Não vou me adaptar"
Desejo que você, adaptando-se ou movido pelo desejo de uma transformação radical, do tipo daquela do bocal-garfo que fundiu a característica de um bocal de luz à de um plug (garfo) de energia; transformando o objeto final numa outra coisa - fruto das duas, esteja sempre em paz consigo mesmo. Mesmo diante de decisões difíceis, caminhe sempre na verdade, ética e justiça. “É preciso coragem para ser feliz”. Ou como diz André, um amigo precioso, amar é decisão.
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