Cartas ao JG - Conecte-se à Graça.



Sabe filho, vivemos um final de semana cheio de graça. Fomos ao parquinho de diversões. Um parquinho simples, daqueles de periferia. Você gosta muito da anã-montanha russa, da barca em forma de pêndulo, do escorrego inflável, da pescaria, do pula-pula e do carro bate-bate. Cada brinquedo custa R$ 2,50, ou um dólar, atualizando o valor para quando você ler, aos 18 anos.

Tudo é muito popular, do jeito que gostamos. Tem cheiro de povo, um povo batalhador que sabe tirar um tempinho e uma graninha, tão curta meu Pai, para levar seus filhos à diversão. Passeamos um pouco sentindo aquele gosto de gente, compramos pipoca pra você e sua mãe, eu compro pastel de “borracha”.

Em todo momento você nos puxa para os estandes de tiro –impróprios para sua idade. Sob protestos, saímos do parque em direção a um Restaurante Japonês aqui em São Sebastião-DF, na Av. Comercial. Você veio no carro, bastante sem graça.

Havia mais de ano que eu queria frequentá-lo, nessa noite matei o desejo. Cozinha decente, mesas simples e limpinhas, atendimento atencioso, decoração do tipo bairro chinês.  Tinha de tudo que gostamos.

E, o sabor do que comemos não deixou a desejar em nada daqueles degustados em estabelecimentos mais chiques. Sem falar que o preço é uns 50% inferior, de graça.

Chegamos em casa por volta das 23hr. Ainda tivemos tempo para assistir um pouco de TV, no canal 183 da NET, TV Diário de Fortaleza-CE.  Nele têm programas engraçados, e naquele fim de noite demos boas risadas juntos. Viramos fãs do 183, e de alguns tipos toscos e cheios de graça participantes de seus programas de auditórios.

No sábado, pela manhã, levei você para seu treino de futebol. Seu técnico está muito feliz com seu jeito pra coisa. Eu aproveito para meditar entre tantas árvores. Ali rejuvenesço. Já conheço um monte de pessoas e troco uns dedos de prosa com elas. Alguns deles já viveram grandes desgraças pessoais, contudo não se deixaram desanimar e continuam dando belas respostas à vida.

À tarde nos divertimos esperando teus irmãos, e preparando um churrasco. Você gosta de ver vídeos de jogos que o povo salva no youtube. Antigamente gostava do Game Lego Star Wars; depois começou um jogo desgraçado de violento que logo descobri e cortei tuas asas: um tal de GTA.  Agora, está na fase do Marvel e da DC Comics.

Seus irmãos chegaram e a casa ficou cheia de graça. Almoçamos, demos boas risadas. Depois, fomos fazer um inventário dos discos de vinil, enquanto ouvíamos alguns deles especialmente selecionados. À noite o rodrigo fez aquele prato, de que graça mesmo? Ah, o Risoto.
Rodrigo está tomando gosto pela cozinha, foi uma noite memorável com seu irmão e esposa, a Andressa, servindo-nos.

Comemos tanto que ficamos até sem graça me repetir mais uma vez. Perto das 23hrs, deixamos os meninos, genro e noras e fomos ver um pouco de TV, o objetivo era te colocar pra dormir. Mais uma vez, sintonizamos no 183, e demos boas risadas, e de graça.

No domingo, começamos o dia indo ver a Casa do Papai Noel, no Setor Militar Urbano, no prédio da Poupex.  Seus olhos faiscavam de felicidade. Você deu um abraço no Papai Noel que lhe emocionou. Pediu de presente um LEGO City. Ficamos sem graça, acho que não é isso o que virá no trenó.

Saindo dali, fomos almoçar num cantinho de infinito que tem em Brasília, um lugar cheio de graça. É por trás da igreja de madeira da Vila Planalto, chama-se Casarão. Comida maravilhosa, música da melhor qualidade –grupo de choro; opção de mesas sob as frondosas árvores gameleiras. O tri de músicos tocava com a alma, tive que me levantar para filmar parte do show. Um deles, fez minha alma se engraçar de Deus, quando tirou no violino Luar do Sertão, música de minha terra. Logo, você foi explorar o local, após sua peleja diária para almoçar. Sua mãe é uma santa em te fazer comer.

Descobriu uma árvore que nasceu para acolher crianças. Uma árvore com dezenas de galhos que facilitavam a sua escalada. Uma árvore cheia de graça, pela composição de seus galhos e copa. Deveria ser tombada como a árvore de parquinhos. Você a descobriu xeretando o lugar. Ah! menino que gosta de aventura. Ela está ao lado do parquinho, uns 15 metros. Por um momento, eu e tua mãe achávamos que tínhamos lhe perdido. E você ali trepado, no mais alto da copa.

Encerramos o final de semana agradecendo na Igreja Metodista as graças de tão prazerosos momentos vividos.

Sabe filho, usei nosso final de semana para te falar de um dos conceitos mais difíceis de conceituar. Muito mais fácil de ser sentido do que ser explicado.

Você leu termos como: desgraça; sem graça; graça; engraçado; qual tua graça? Engraçar; desgraçado, de graça, com graça e as graças.

Tem até uma canção famosa que se chama Amazing Grace, (Espantosa Graça) que tenta definir numa canção o que sente quando se alcança o estado de graça.

Esteja atento à graça, esteja sempre cheio de graça. Ela reside na consciência humana e leva os seres ao desenvolvimento espiritual, e não te falo de religiões.

A graça é como uma rede Wifi do espírito. Está ali disponível, mas precisa de senha para conectá-la.

Às vezes a rede tá fraquinha; sem sinal ou seja, em desgraça. Às vezes a rede está sem graça, lenta ao extremo, sem humor algum.

Estes estados de espírito: sem graça e de desgraça serão facilmente detectados em você ou nos outros.  Cuide deles logo. Não deixe que eles em ti façam morada. Lute para superá-los, queda à queda,  você à você, pessoa à pessoa. Não se perca da graça. A graça nos conecta ao universo. Nos faz presentes e atentos ao milagre do viver.

É bacana viver momentos e estados de graça. Cultivá-los, como a um jardim precioso. Eles estão em todo lugar. É só ter olhos para vê-los e coração para tocá-los.

Está no parquinho de diversões; está no restaurante Cerrado-Japonês; está no Risoto; está no disco de vinil raro; está na árvore galhosas; está no violino; está na chuva fininha que caiu; está no humor de um programa de auditório; está numa criança que se debate contra o sono. Está num chute de futebol, está num vôo ao imaginário - de um goleiro esperto.
Está numa planta abrindo-se ao milagre do sol; está numa mãe passeando com seu filho. Está no arado do jardineiro, está no coro da igreja. Está nas mãos que acolhem, perdoam, abraçam e oram. Está em você, em quem me lê, está ali pertinho, nos corações dos homens e mulheres de boa vontade.

Mas, você precisará de senha para acessar a conexão da graça. Precisará fazer a conexão adequada. Desconectando-se de áreas que sugam a banda larga de teu espírito, e para baixo.
Tem muitas coisas conectando-se ao nosso coração, roubando o sinal da graça.

Um monte de mágoas, ciúmes, inveja, sentimentos de inferioridade, baixa autoestima, “des-perdão” para consigo mesmo e o outro.

Tem gente que delas precisará se afastar. São vilões da graça. Chupa-graça. Vampiro-graça.

Tem formas pelas quais verá o trabalho que dela precisará se afastar. São sem graça.

Tudo isso são conexões que roubam o sinal da graça, tornando-lhe um sem graça: raivoso, rabugento e desprovido de emoções.

Livre-se desses sentimentos que estão roubando sinal de tua banda larga humana, de tua conexão em busca de coisas que realmente valham a pena por elas viver.

Quanto às desgraças, elas virão. Mas passarão. Confie em mim.
Não conte suas desgraças, conte suas bênçãos. Registre suas desgraças na areia, quanto às suas bênçãos: nas rochas.

E, quando sair delas – não se perca dos valores, aí sairá mais capacitado ainda a sintonizar as estações da graça.

Você deve estar curioso para saber a senha da graça, são só quatro letrinhas: amor.

Olhe para vida, pessoas e circunstâncias com a conexão da graça, aberta pela senha do amor, e coisas maravilhosas tu verás.  Elas estão em todas as partes.

Contudo, muitos perderam o encanto, a espantosa graça, de vê-las e vivê-las. A indiferença os envenenou, dia a dia, de modo que tudo agora não mais lhes têm graça. Vacine-se contra a infeção da indiferença: assombrando-se todos os dias com a maravilha de viver, estando atento e presente ao existir.

PAPA FRANCISCO - UM REVOLUCIONÁRIO DO AMOR!

RARAMENTE POSTO TEXTO NÃO AUTORAL.
MAS, ESTE TOCOU-ME PROFUNDAMENTE 
PELA AUTENTICIDADE E REFLEXÃO.  
FONTE: VATICANO
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Um Ato Penitencial Histórico (Tradução - Site Vaticano)
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Cidade do Vaticano (RV) – “A Cúria é chamada a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar plenamente a sua missão”: Foi o que disse na manhã desta segunda-feira (22/12/2014), o Papa Francisco no discurso à Cúria Romana por ocasião dos tradicionais votos de Feliz Natal. “Também ela, como todo corpo, está exposta às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade”.

O Papa quis então mencionar algumas dessas prováveis doenças: são doenças habituais na nossa vida de Cúria, disse, acrescentando: “são doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Ajudar-nos-á o catálogo das doenças – seguindo o caminho dos Padres do deserto, que faziam esses catálogos – do qual falamos hoje, a nos preparar para o Sacramento da reconciliação, que será um bonito passo de todos nós para nos prepararmos para o Natal”.

Depois de agradecer a Deus pelo ano que está terminando, pelos eventos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar através do serviço da Santa Sé, o Papa Francisco pediu perdão a Deus pelas faltas cometidas “em pensamentos, palavras, obras e omissões”.

1. O Pontífice fez então um elenco das quinze doenças iniciando pela doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável”, descuidando dos necessários e habituais controles.

Uma Cúria que não faz “autocrítica”, que não se atualiza – disse o Papa – que não procura se melhorar é um corpo doente. Uma visita aos cemitérios nos poderia ajudar a ver os nomes de tantas pessoas, que talvez pensassem serem imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente, e também daqueles que se transformam em padrões e se sentem superiores a todos e não ao serviço de todos. Disso deriva a patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”.

2. Em seguida o Papa falou de outra doença, a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva laboriosidade: ou seja daqueles que se afundam no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a parte melhor”: sentar-se aos pés de Cristo. O tempo de repouso, para quem terminou a sua missão, – aconselhou o Papa – é necessário, devido e deve ser vivido seriamente.

3. Há também a doença da “petrificação” mental e espiritual: ou seja daqueles que possuem um coração de pedra e uma “pescoço duro”; daqueles que, ao longo da estrada perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem nos papéis tornando-se “maquinas de documentos” e não “homens de Deus”. É a doença daqueles que perdem “os sentimentos de Jesus”, porque os seus corações, com o passar do tempo, se endurecem se tornam incapaz de amar de modo incondicional o Pai e o próximo.

4. Tem também a doença do excessivo planejamento e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minunciosamente e acredita que está fazendo um perfeito planejamento das coisas, de fato progridem, tornando-se assim um contabilista ou contador. Preparar bem é necessário mas sem cair na tentação de querer fechar e pilotar a liberdade do Espírito Santo que é sempre maior e mais generosa de qualquer humano planejamento. Cai-se nesta doença porque “é sempre mais fácil e cômodo apoiar-se nas próprias posições estáticas e imutáveis”.

5. Outra doença – destacou o Papa Francisco – é a doença da má coordenação: quando os membros perdem a comunhão entre eles e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade e temperança, tornando-se uma orquestra que produz rumor porque os seus membros não colaboram e não vivem o espírito de comunhão e de grupo. Quando os pés dizem ao braço “não tenho necessidade de você”, ou a mão à cabeça “eu comando”, causando assim problemas e escândalo.

6. Há também a doença do Alzheimer espiritual: ou seja, esquecer a “história da Salvação”, da história pessoal com o Senhor, do “primeiro amor”. Trata-se de um declínio progressivo das faculdades espirituais que em certo intervalo de tempo causa graves deficiências à pessoa tornando-a incapaz de realizar atividades autônomas, vivendo em um estado de absoluta dependência de seus horizontes frequentemente imaginários.

7. A doença da rivalidade e da vanglória: quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra tornam-se o principal objetivo de vida, esquecendo-se das palavras de São Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada um também para o que é dos outros. É a doença que nos leva a sermos homens e mulheres falsos e viver um falso "misticismo” e um falso “quietismo”.

8. A doença da esquizofrenia existencial: é a doença de quem vive uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que láureas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença, que atinge frequentemente aqueles que, abandonando o serviço pastoral, limitam-se aos afazeres burocráticos, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas reais. Criam assim um mundo paralelo, onde colocam de lado tudo o que ensinam de modo severo aos outros e iniciam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença muito grave.

9. A doença das fofocas, das conversas fiadas e mexericos: desta doença já falei muitas vezes, mas nunca o suficiente: é uma doença grave que começa simplesmente, talvez por causa de uma conversa fiada e toma conta da pessoa tornando-a "semeadora de discórdia" (como Satanás), e em muitos casos "assassino a sangue frio" da fama dos próprios colegas e coirmãos. É a doença de pessoas covardes que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. São Paulo nos adverte: "Fazei todas as coisas sem murmurações, para serem irrepreensíveis e puros”. Irmãos, vamos tomar cuidado do terrorismo das fofocas!

10. A doença de divinizar os chefes: é a doença dos que estão cortejando os Superiores, na esperança de obter a sua benevolência. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honram as pessoas e não Deus (cfr Mt 23: 8-12.). São pessoas que vivem o serviço pensando apenas no que elas desejam obter e não o que elas devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas somente pelo próprio fatal egoísmo. Esta doença também pode afetar os Superiores quando cortejando alguns de seus funcionários para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.

11. A doença da indiferença para com os outros: quando cada um pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos experientes. Quando se toma conhecimento de algo e você mantém só para si, em vez de compartilhá-lo com outras pessoas de forma positiva. Quando, por ciúmes ou dolo, sente alegria em ver o outro cair em vez de levantá-lo e incentivá-lo.

12. A doença de rosto de funeral: ou seja, das pessoas rudes e carrancudas, que consideram que para ser sérias é necessário pintar o rosto de melancolia, de severidade e tratar os outros - especialmente aquelas consideradas inferiores - com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança sobre si mesmo. O apóstolo deve se esforçar para ser uma pessoa educada, serena, entusiasmada e alegre, que transmite alegria onde quer que esteja. Um coração cheio de Deus é um coração feliz que irradia alegria e contagia todos os que estão ao seu redor. Portanto, não vamos perder esse espírito alegre, cheio de humor, e até mesmo auto-irônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo em situações difíceis.

13. A doença do acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial em seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas apenas para se sentir seguro. Na verdade, nada de material poderemos levar conosco, porque "a mortalha não tem bolsos" e todos os nossos tesouros terrenos - mesmo se são presentes - nunca vão preencher esse vazio. Para essas pessoas, o Senhor repete: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu; sê pois zeloso, e arrepende-te”. O acúmulo somente pesa e atrasa o caminho inexorável!

14. A doença dos círculos fechados: onde pertencer a um pequeno grupo torna-se mais forte do que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas com o passar do tempo escraviza os membros tornando-se "um câncer" que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal - escândalos - especialmente aos nossos irmãos menores. A auto-destruição ou "fogo amigo" de soldados companheiros é o perigo mais insidioso. É o mal que atinge a partir de dentro e, como disse Cristo: “Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado”.

15. E a última: a doença do lucro mundano, dos exibicionismos: quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em uma mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poderes. É a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e para este fim são capazes de caluniar, de difamar e desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e revistas. Naturalmente, para se exibir e se demonstrar mais capaz do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo, porque leva as pessoas a justificarem o uso de todos os meios para alcançar tal objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência!

Irmãos, - concluiu no Papa - tais doenças e tais tentações são, naturalmente, um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial... etc. e podem afetar seja o indivíduo seja a comunidade.

É preciso esclarecer que somente o Espírito Santo - a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno Constantinopolitano: "Creio ... no Espírito Santo, Senhor que dá a vida" – pode curar todas as doenças. É o Espírito Santo que sustenta todos os esforços sinceros de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos fazer entender que cada membro participa da santificação do corpo e do seu enfraquecimento. Ele é o promotor da harmonia.

A cura é também o resultado da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de curar-se, sobretudo com paciência e perseverança."

Cartas ao JG - Permita-se às Estações do Murchar, Mas...


Sabe filho, anteontem não sei o porquê mas me senti murchinho. 
Com um certo ar melancólico, uma tristeza que não sabia de onde vinha. 
Explosões solares, hormônios, constelações librianas, conjunções espirituais, 
ou apenas leseira, sei lá, tudo deveria estar conspirando.
Extrovertidos nestas horas penam.
Todo mundo saca e lança logo a peixeira no peito do infeliz, em forma da maldita pergunta:
“O que é que tu tem?”
- Sei lá. Deve ser TPM natalina.
Já me conheço. Deixo-me quieto, não forço minha barra para aparentar ser quem não estou sendo.
Antigamente eu ficava preocupado. Hoje, compreendo-me e deixo-me fluir. 
Vai passar. Mais cedo, ou mais tarde.
Escuto, enquanto teclo, a canção Windmillis of Your Mind.
Quando você crescer e quiser lembrar-se de teu pai escute esta canção.
Ela conta minha história. Não precisa acessar sua letra, igualmente bela, só escute a melodia.
Voltando à minha TPM, previno-lhe: você irá passar por períodos assim.
Chamo-lhes do “Modo Murchar”.
No Modo Murchar tudo fica maior e mais dramático.
Ficamos muito sensíveis e pouco resilientes aos trancos do dia a dia.
Tudo vamos selecionando com o olhar da tristeza. 
Um email de felicitações de ano novo que mandamos para 15 pessoas e só uma respondeu.
Um pedido de ajuda excepcional que logrou êxito e a pessoa que solicitou não disse um obrigado sequer.
Tudo vai ficando melodramático.
Já no Modo Florescer focamos no único dos 15 que retribuiu.
No modo Murchar, focamos nos 14 que não retornaram. Entende?
No Modo Murchar, focamos no cara que não foi grato.
No Modo Florescer, focamos na satisfação pessoal de ter resolvido um problema de alguém que nos pediu socorro.
Aprenda a se ler quando estiver de birra com a vida.
Cuidado para não sair descontando nos outros. Não tome decisões nesse modo,
nem fale nada que depois possa se arrepender.
Espere passar para o Modo Florescer novamente.
Hoje atendi a um colega no modo Murchar. 
Ele vive dramas pessoais: o término de um casamento de 10 anos, a morte recente de um parente próximo.
e sente muito o vazio que a falta da mulher causou, é que ele a ama ainda.
E, até a lacuna que a imensa, alegre e afetuosa família dela passou a lhe fazer.
Procurou-me para saber se eu tinha passado por situações difíceis, e como fiz para continuar trabalhando.
Contei-lhe um pouco minha vida, e ele foi ficando aliviado. 
Quando sofremos achamos que só nós estamos passando por aquilo.
Saber que outros passaram e conseguiram sobreviver nos dá ânimo. 
Contei-lhe meu segredo para florescer, apesar dos pesares: ajudar alguém.
Ele, agora mora com sua mãe. Falei que a ajuda dele à sua mãe pode ser terapêutica,
dependerá de como ele veja a situação: bênção ou maldição.
Então, filho amado, nos momentos em que estiver no Modo Murchar faça algo para alguém, 
doe-se até a uma causa.
Isso ajudará a sair da murcha.
Segunda, por exemplo, resolvi participar do evento Top-Chef BB produzindo um prato 
e trazendo na terça para a degustação dos colegas. 
Cozinhar para os amigos é uma excelente forma de florescer.
Aprenda a cozinhar, nem que seja um mexidão. 
Quem cozinha se conecta ao universo arquétipo e simbólico de nossos ancestrais,
sendo um excelente tônico para o viver.

Segunda cozinhamos juntos. Você era o mestre verdureiro.
Só em ter me envolvido com a compra dos ingredientes, e com a produção de um prato inédito,
já me deu uma alegria danada.
Passamos uma boa noite de segunda juntos, lado a lado na cozinha.
Eu, vivendo o personagem de cozinheiro experimental, daqueles sem receitas, 
e deixando-me guiar pelos sabores, texturas, aromas e cores.
Você, o de malabarista de legumes.
Ontem, trouxe o prato e o pessoal do trabalho gostou. 
Quem cozinha não come muito do que faz; gosta mesmo é de ver o povo comendo e com prazer.
Fiquei super feliz.
E não é que ficou bom, Acho que foi o tempero de tuas mãos.
Filho meu, precisamos de motivos para renovar nossas esperanças.
Precisamos de motivos. Os motivos estão para a saúde mental, como o sol está para o florescer.
Motivos nos dão garra, energia e bem-estar.
Cultive seus motivos com carinho.
Por mais simples que lhes pareça, são os teus motivos o que te pluga à força do viver.
Tem gente que vai murchando, murchando, como quem perde a conexão WIFI. 
Gente que acostuma-se a dividir a conexão de sua vida com vampiros emocionais, 
que só roubam sua vitalidade. 
Deixando-lhes piores ao saírem de suas vida. Cuidado com eles - os vampiros. 
Cuidado para não ficar com o jardim do coração cheio de agrotóxicos emocionais,
que farão murchar tudo em tua alma. 
Cuidado para não ficar como aquele som de celular quando tá acabando a bateria, 
ou perdendo o sinal da torre.
Recarregue-se, mesmo no sofrer.
Recarregue-se levando menos fardos dos outros, menos expectativas acerca deles.
Esperar demais das pessoas é abrir espaço para a tristeza.
Algumas pessoas irão te ferir, mais cedo ou mais tarde.
Algumas pessoas não voltarão para te agradecer.
Algumas pessoas simplesmente te verão como invisível, se é que se pode ver o invisível.
Algumas pessoas vão puxar teu tapete, vão desconfiar de ti, vão te agredir.
Tenha calma, “elas passarão, você passarinho”.
Não nivele sua felicidade pelo que receberá delas.
Se assim o fizer estarás condenado, vida adentro, à tristeza.
Algumas pessoas estarão sempre nos devendo generosidade, afeto, atenção e reconhecimento.
Simples assim.
Tenha compaixão delas. Mas, seja diferente.
Ouse não se embrutecer. Nestes tempos de rostos sem face, atreva-se a viver! Sê diferente, ame no deserto.
Diga muitas vezes obrigado.
Aprenda com seu pai, vamos lá, repita comigo e em voz alta:
OBRIGADO!
Deveria ter a disciplina “Obrigado” nas escolas. 
Fazendo parte dela os tópicos: Como ser grato; Como demonstrar afeto; 
Como perceber as necessidades dos outros; e, Como retribuir generosidades.
Por falar nisso, obrigado por você existir. Obrigado por você, entre um vídeo do GTA e outro, 
visitar o coração de teu pai e dizer que lhe ama.
Mas, repito-lhe cuidado com o modo Murchar.
Ele só deverá habitar teu coração o tempo de um outono e um inverno.
Depois cuide de si mesmo, abrindo novas estações em teu viver, repletas de sol e flores.
Antes que me esqueça, segue a receita que fizemos juntos e que me tirou do Murchar, 
que venham outras receitas, ou motivos para florescer.

YAKISSOTO By Ricardim

Ingredientes:

½ quilo carne de porco
½ quilo carne de carneiro (bode); ou de gado
200 ml de azeite de oliva
2 pimentões vermelhos
8 dentes de alho
4 cebolas
2 cenouras
Sal
Pimenta do Reino
200 ml de shoyu
100 gramas uvas passas sem caroço
100 gramas cogumelos
1 sachê de sopa de cebola
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Procedimentos:
1. Refogue a ½ quilo de carne de porco, previamente cortada em cubinhos, em azeite e ½ pimentão, dois dentes de alho e uma cebola. Coloque sal e pimenta do reino a gosto. Reserve.
2. Corte a carne de carneiro, bode ou (costela de gado) em pedaços grandes. Não tire os ossos.
3. Refogue na panela de pressão até o ponto de doura os pedaços de carneiro (bode). Para o refogado, use uma cebola, dois dentes de alho e ½ pimentão vermelho. Sal e pimenta do reino a gosto. Reserve.
4. Pique uma cebola e dois dentes de alho e ferva-os com um litro de água, levemente salgada e apimentada. Coloque esse caldo na panela de pressão, junto ao carneiro e cozinhe por 30 minutos após levantar fervura. Reserve.
5. Numa panela larga e funda (Tipo WOK) refogue no azeite, uma cebola e um pimentão vermelho picados, até ficarem quase uma pasta, de amolecidos, e coloque dois dentes de alho e duas cenouras, todos cortados em pequenos pedaços. Regue com mais azeite, sempre que necessário.
6. Acresça o ½ quilo de arroz e misture bem. Cozinhe essa mistura por três minutos, mexendo bem.
7. Junte a carne de porco e misture.
8. Desosse o carneiro (bode) cortando em pequenos pedaços. Misture-os ao arroz.
9. Agregue a água do cozimento do carneiro e misture bem. Deixe cozinhando em fogo baixo.
10. Adicione um copo de shoyu e misture.
11. Após ponto de fervura, dissolva um sachê de sopa de cebola no caldo e misture levemente.
12. Acompanhe o cozimento do arroz, sem mexer muito na panela, sempre completando com água previamente aquecida, caso necessário.
13. Não deixe secar muito a água. O ponto da liga é de risoto para mais molhado. Após cozimento, desligue o fogo certificando-se de que a água restante será suficiente para absorção final do arroz, sem que fique seco o resultado final.
14. Deixe o prato descansar por 30 minutos.
15. Realce os sabores adicionando cogumelos e uvas passas, misturando-os ao Yakisssoto.
16. Antes de servir, aqueça bem revirando lentamente o quase risoto e quase yakisoba.

Tempo de Recomeçar


Atravessando a rua, em direção ao almoço de hoje, vi-te caída no chão.
Coração ficou apertado.
Ninguém por ti parava, para uma prece qualquer.
Apressados desavisados passavam por mim como quem a forçar-me sair da frente de suas vidas corridas.
Mal paravam para te ver.
Tu interrompias parte da passagem, deitada na faixa de pedestres.
Mas, eu a vi e parei.
Jazias tu ao lado de um buquê de flores, que outrora te servia de alimento.
Tu eras um enorme “ninho” de abelhas, que despencara de seu galho-alicerce: talvez pela força dos ventos; talvez pela “prudência” dos Homens.
Aproximei-te de ti, incrédulo com a luta pela sobrevivência que testemunhava.
Restos de favos, mel escorrendo, células hexagonais - protetoras de novas crias, expostas.
Pânico e desolação em toda parte.
Podia escutar o choro das crias, nos berço-favos ainda em ser.
Onde estaria a abelha-rainha? Teria se salvado?
Quem cuidaria dos filhotes, agora expostos ao relento e sol inclemente?
Zangões e operárias voavam sem rumo.
Umas chegando com pólen, sem ter onde colocá-lo.
Outros, tentando defender o indefensável.
Eram abelhas sem ferrão, do tipo arapuá. Daquelas que gostam de frutas.
Ajoelhei-me perto delas, não tive medo.
Ali, conectei-me ao momento por alguns minutos.
Solidarizei-me com sua tragédia.
Olhei para elas e contei uma história para acalmá-las.
“Era uma vez uma grande colmeia de abelhas que fora expulsa de sua terra natal.
A árvore na qual tinham feito o seu ninho fora tragada pelas correntes de um trator-gafanhoto.
A mamãe delas era uma Rainha muito forte.
E, esforçou-se muito para tirar a terra que caíra por cima dela.
Ao conseguir, clamou aos quatro ventos por piedade para sua família. O vento Aracati disse-lhe, suba em minhas asas.
Recolha suas filhas, operárias e zangões, venha comigo.
E a elas voaram, voaram, até um pé de manga do quintal de um velhinho solitário.
Todos os dias o velhinho sentava debaixo de sua sombra e ficava conversando sozinho. Naquele dia algo aconteceu.
Um vento estranho trouxe-lhe companhia, às centenas.
A abelha-rainha logo procurou galho seguro, e ali começou novamente sua jornada. Todos os dias o bom velhinho acompanhava a construção.
Cera a cera, favo a favo, nascia uma nova história.
A dele também. Já era hora de sair de casa novamente e atrever-se a viver. Ele tinha parado tudo, desde que sua esposa falecera. Elas inspiraram-nos ao recomeçar.
Elas não tinham vindo naquele vento e àquele pomar à tôa.
O bom velhinho colocou uma placa no pé de manga com a inscrição:
Bem-aventuradas abelhas da esperança, sábias na arte de recomeçar.”
Terminei a estória e todas estavam marejadas.
Fiquei pensando, enquanto as vi pousando uma a uma que ambos voaram para novos lugares: o bom velhinho e as avelhas. Elas para um outro pomar. Ele, ele para uma outra possibilidade de si mesmo.
Ambos reconstruíram suas vidas – e ao mesmo tempo. Um contando para o outro as aventuras e desafios que iam superando.
Coisas simples, como voltar a fazer a barba.
Ou, explorar novos quintais em busca de saborosas fragrâncias em frascos de polens.
Ou, de como é boa sensação de andar sozinho novamente, de reaprender a cuidar de si e da casa. De fazer compras, e até encontrar prazeres esquecidos.
Nos finais de tarde, o velhinho levava um pouco de flores e deixava na porta do ninho.
Então, sentava-se e esperava que suas amigas aproveitassem o pólen por ele trazido.
Aos poucos, foram renascendo: abelhas e homem.
Ambos, com a coragem de sobreviventes.
Não, não era hora de entregarem-se à tristeza e desânimo de lutos amargos.
Terminei de matutar e fazia silêncio.
Lentamente, o movimento ao redor do ninho foi cessando. Nada de revoadas, de vôos desesperados. Nada de procuras por um lugar no galho que não mais existia.
Fiquei aflito, o que disse demais?
As operárias e zangões andavam por cima elas crias.
Como quem a se despedirem.
Uma abelha mais graúda saiu de dentro de um favo.
Por onde passava, todas abriam-lhe passagem.
Eu podia sentir sua dor.
Ela começou a sobrevoar o ninho.
Não sem antes mergulhar por algumas vezes e tocar nas crias.
Parou à minha frente, fez um gesto de agradecimento pelo, e mergulhou numa flor rósea.
Minutos depois, voltou até mim e depositou o pólen em minha mão.
Chorei emocionado. O guardei na minha carteira. Ali há vida.
Depois, ela deu sete voltas ao redor de seu ninho e partiu.
Operárias e zangões, vendo a cena, seguiram atrás, numa grande revoada.
Partiram sem olhar pra trás, em busca de novo quintais e de um corações de homens que precisem de motivos para amar e recomeçarem suas vidas - nem que seja o de observar uma família de abelhas começando tudo outra vez.

Atreva-se a viver.


A canção não me sai da cabeça, a usei na palestra Florescer que conduzi em SP. Interpretada por Andrea Bocelli & Laura Pausini, chama-se Dare to Live (Vivere): "Nestes dias de faces sem nome [...], atreva-se a viver!
Hoje pela manhã observei por um bom tempo uma "debulhadora de feijão verde"
Ela debulhava a vargem até a última semente, não perdia nenhuma.
Tenho visto tanta gente querendo desistir da vida, mas com grãos ainda em sua vargem interior.
Pra elas, canto nessa manhã de domingo: Atrevam-se a viver.
Debulhem até o último grão de sua vida. Não é hora de desanimar.
Mesmo que você esteja sem ver seu nome, numa face esquálida esculpida no travesseiro em que mergulha sua dor.
Atreva-se a viver meu amigo, minha amiga.
Com todas suas dores, amores, sabores, horrores e humores.
Não jogue a vargem de sua vida fora, sem tentar debulhar até o último grão.
Quem sabe não será exatamente naquele último grão que estará tua realização pessoal?
Atreva-se a amar novamente, mesmo após a dor de uma separação.
Atreva-se a confiar novamente, mesmo após ter quebrado a cara.
Atreva-se a esperançar a vida, mesmo quando todos ao teu lado já desistiram.
Atreva-se a desafinar no coro dos descontentes.
Atreva-se a ser feliz com pouco, com menos expectativas, menos ansiedade, menos fardos emocionais depositados em si mesmo e nos outros.
A canção não me sai da cabeça. "Sua vida é tudo que você tem a oferecer".
Desvio o olhar da debulhada de feijão. Vejo meu filho, o João Gabriel (JG), de cinco anos, brincando de pegue e toque com o Erick, de dez anos.Eles divertem-se aos borbotões. Erick dá uns pega nele com sua carreira motorizada, e depois inverte-se a situação, o JG corre atrás dele. Os feirantes contemplam a cena embevecidos, duas crianças brincando, sem pernas, sem rodas, sem chão... só nas nuvens da fantasia.
Sua vida é tudo que você tem a oferecer. Ofereça amor, ofereça recomeços, ofereça colo, ofereça perdão, ofereça generosidade, ofereça solidariedade.
Parece que a vargem de feijão vai sendo renovada, feijão a feijão, sempre que nos doamos. Que entregamos um pouco de nós mesmos para que o outro fique melhor.
Veja que vida linda acontece em todo lugar. Casais enamorados, pais brincando com filhos, sorrisos precoces em todo recanto.
Olhe-se novamente no espelho. Veja seu nome inscrito nele. Sua identidade, sua história, suas conquistas. Veja de onde veio, quem te ajudou a a ui chegar. Nunca perca seu nome, sendo um face sem nome.
Pare de querer fazer as coisas para ser aceito, se sentir amado.
Para de procurar migalhas de afeto, em corações encardidos de indiferença.
Ache-se no fundo daquele travesseiro, "desesculpa-se" dele.
Chega!
Agora veja seus grãos de amor, na vargem da vida que possui.
E acredite; tempos melhores virão.
Mas, ache seu nome na face. E sua face no nome.
Ache-se, para atrever-se a viver!
Pare de se buscar no outro, por mais amado que seja.
Encontre-se, e ao encontrar-se curta a paz de estar bem consigo mesmo.
Nesta sociedade para qual tudo tem preço, que muitas das vezes te descartou, te coisificou, te tratou como item no inventário de famílias e empresas: ouse debulhar o último grão de tua existência.
Não jogue fora a vargem de teu viver, ainda com sementes em potencial, só pelas dores pelas quais passou, ou passa.
Subverta a ordem reinante, pare de chorar e reaja levando-se para passear e curtir a beleza e a mística de ser, sendo quem é!

Clique e veja que belo.

Alterar o curso do rio da tristeza.

É preciso desenvolver resiliências no enfrentamento das dificuldades do viver. Parar de procurar razões para ser infeliz. Limpar as retinas da indiferença, estando presente e atento às coisas boas que deixamos de ver, fruto do envenenamento do ser, produzido pelo acúmulo de cortisol e adrenalina. Carregar menos fardos, viver a vida de forma mais leve. Preocupar-se com preocupações grandes. Permitir-se pequenas alegrias e prazeres. Repreender sentimentos e pensamentos ruins. Cultivar o amor. Aguardar com paciência a muda do murchar para o florescer, até o limite do bom senso do tempo, à mucha destinado. Depois, bater a poeira e crescer com o ocorrido. Sem mais olhar no retrovisor. Cuidado para não ficar viciado nos hormônios da sobrevivência, curtindo a posição de tadinho, coitado, vítima e sofredor de si mesmo, dos outros e das circunstâncias. 










Permita-se, abrir janelas de seu viver.


Cheguei ontem, completamente alucinado do Rio de Janeiro, para onde fui conduzir duas palestras na Diretoria de Finanças do BB. A beleza de seu Centro Histórico iluminou minha alma e tenho que escrever sobre o que vi. 
O local escolhido pelos organizadores do evento foi o Centro Cultural Banco do Brasil, localizado no Centro Histórico do RJ, no largo da Igreja da Candelária. Pedi um hotel próximo do local, independente do número de estrelas. Estava cansado e não queria me locomover de táxi ou metrô. O pessoal ofereceu outros locais, tipo Copacabana, mas insisti no Centro.
Eu tinha medo do RJ. Nunca me atraiu jeitos malandros, malandros, nem tampouco aquele espírito de festa de praia, por 24h.
Eu era muito chato. Tinha medo de povo, dos marginais que tanto via na TV, dos traficantes, dos arrastões. De errar o caminho e entrar em locais de onde não sairia.
Nas poucas vezes que fui ao RJ, fiquei no circuito hotel de evento/local de trabalho e aeroporto, sempre em Copacabana. Nem na calcadinha eu arriscava, sempre inventava um pretexto para ficar no quarto. Minto, em 1995 num evento de Aids eu saí à noite e curti um boteco nos Arcos da Lapa e, na outra, para dançar com minha agora esposa no Estudantina.
Amei aqueles locais. Até então, eu tinha ido ao RJ 3 vezes: 1995 (evento e hotel e umas saídas pra noite); 2004 (evento em hotel) e 2013 (reunião de trabalho). Não conheço o Cristo, o Pão de Açúcar, o Jardim Botânico, ou seja, sou um tapado.
Mas, melhorei. Eu era um tapado medroso e preconceituoso. Agora só sou um tapado.
Eu não estava pronto para o Rio.

Agora eu estava. E foi amor à quarta vista. Um amor cinquentão.

Indo para o Hotel Guanabara, na Avenida Presidente Vargas, com a Rio Branco, já fui ficando maravilhado com as coisas que vi pelo caminho e do alto, entre o Santos Dumont e o hotel.
Após o check-in, saí para um almoço rápido nas imediações. Mirei uma construção no final da Avenida Presidente Vargas, lembrei de uma foto das manifestações de 2013, quando o povo foi às ruas, deveria ser a Igreja da Candelária. E era. Que coisa mais linda. Peguei uma ruazinha lateral e fui almoçar num pé sujo. Ali comi o melhor feijão preto de minha vida, ou era a fome, ou os dois. Entrando no elevador para o andar da palestra, senti-me no século 18. Tudo está preservado no Centro Cultural BB. Até a operadora do carro usa aquela manivela para acionar os andares, e a porta é uma sanfona de bronze.
Após a palestra, voltei exausto ao hotel. Tomei um banho, e, quando me preparava para fazer um pedido de sopa ouvi ao longe um sambão. Abri a janela e o som ficou mais próximo. Botei uma roupa de pobre, só uns trocados na carteira, com medo de assalto, Saí então em direção à música. Não. Aquela não seria noite de sopa.
Achei o grupo musical a 3 quadras abaixo do hotel. Samba de raiz, daquele de fazer chorar de bom. Os clientes lotavam as calçadas para disputadas mesas. O dono me ofereceu um banco de pé de balcão, fiquei agradecido, aquilo era um camarote. Tome coxinha, feijão com bacon, cerveja e poesia, noite adentro.
No outro dia, acordei bem cedinho e fui explorar as imediações, com olhos faiscantes de adolescente ao descobrir menina moça. Até sebo, com direito a bons vinis, eu achei. Bar especializado em sardinhas, lojas de mangais, gente simples vendendo amor, igrejas a competir com Salvador, povo risonho nas ruas e travessas - outros nem tanto, apressados como traines de executivos.
Quanta cultura e história pelas ruas e travessas: a do Ouvidor; da Quitanda, do Rosário, a Visconde de Inhauma, a Rua da Alfandega, Teófilo Otoni, bati tudo a pé. Conheci o Paço do Império, a estação das balsas, o palácio Tiradentes, a sede do Banco Central, e Igrejas de cair queixos. Conheci travessas que mais parecia que eu estava voltando a 1800. Cheias de locais bacanas para voltar. Essa é a minha classificação de um local bacana, vou voltar.
RJ, desculpe pelo anos de medo e preconceito, voltarei pra te amar novamente, e, no Centrão. Conhecer mais um pouco tua história e beber de tua vida.
Minutos antes da segunda palestra, sabia que era a hora da despedida, sairia correndo dali mesmo para o Santos Dumont, e fui tomar um cafezinho na copa. Perguntei às funcionárias se elas eram cariocas. Responderam que sim e que trabalhavam naquele local há muito tempo. Então, perguntei-lhes se aquele monte de gente que vi chegando pelo mar no Paço Imperial era de alguma balsa vinda de Niterói. Elas não sabiam. Não tinha ido nem ao Paço Imperial, a 400 metros do CCBB. Calei-me, eu era elas um dia. Não tinha olhos para a vida. Era só trabalho. Não tinha mais a magia, mística, encantamento em ver o novo, sempre visto, mas nunca percebido.
Não as culpei.
Agora tomo menos sopa... e aprendi a exercitar o olhar. A perceber o belo, mesmo que escondido num preconceito que só o amor poderá dissolver. .
Rio, ainda não te disse, mas hoje acordei amando você!
Aguarde-me!

Nas aflições, escute a música ao lado.


O instante mágico dessa foto tocou meu coração. Ela é de um expressionismo pujante. Uma foto sem pose, maquiagem e montagem de cenário. Um flagrante da realidade.
Vislumbro clientes aguardando sua vez. Aguardar tem sido um enorme desafio emocional, nos tempos velozes e furiosos em que vivemos. 
Preste a atenção na hora do embarque de qualquer vôo, ou quando o avião pousa que verá pessoas que brigam por minutos à frente das outras, tirando as bagagens por sobre suas cabeças. .
É a sociedade da pressa e das coisas uotzapadas. A vida acontecendo ao lado, e a pessoa de cabeça baixa, uotzapando. Vendo, selfiando ou curtindo o nada ao redor: nem pessoas, diálogos, encontros, natureza, sons, aromas, sabores, paisagens e vivências não repetidas.
Na foto, identifico 15 clientes. 14 sentados e uma em pé.
É de uma agência do BB, em MG, que resolveu brindar o atendimento com uma cantata de natal. Alguns poderiam me dizer: Putz Ricardim, prefiro receber meu brinde num atendimento mais rápido. É verdade. Mas não menos verdade, que ouvir belas canções enquanto aguarda sua vez é um excelente entretenimento. Se não posso mudar uma situação, imagine a do tamanho da fila de atendimento e da quantidades de atendentes (se for o caso), ainda assim posso mudar a mim mesmo e aproveitar as possibilidades que aparecem na ocasião, a Cantata é uma delas. Acontece que no modo Murchar, como costumo chamar essa postura de piloto automático do viver, não vemos outras possibilidades e alternativas, nas estratégias de enfrentamento da realidade.
Na foto percebo:
12 no modo murchar pra Cantata.
3 no modo florescer pra Cantata.
Assim caminha a humanidade, e na mesma proporção. Um monte de gente perdendo os sentido da vida, fila à fila, e um punhado encontrando razões para ser feliz, apesar dos pesares. Aproveitando o coral que se esgoela para ser notado.
A humanidade vem perdendo o "tempo" e a prática de perceber o bom, belo e inspirador; mesmo que esteja cantando ao seu lado.
Os problemas, aflições e todo tipo de azedume emocional envenenam o humor.
E, as facetas da vida que valem a pena acontecem ao lado, passando desapercebidas pelos olhos opacos da indiferença, tédio e cansaço de viver.

Será anormal continuar existindo, apesar dos pesares?

Comecei meu sábado como sempre visitando a feira dos produtores do Jardim Botânico, e trocando um bom dedo de prosa com barraqueiros amigos. O dia estava frio e com muita neblina.
Após o café, saí em direção ao comércio local para comprar as luzinhas da árvore de natal e deixar o JG no futebol.
Gosto muito do dia que montamos a árvore, sinto que a casa fica no clima de natal. Natal antigamente me dava melancolia, agora me dá paz.
Cheguei no treino do JG e fui procurar Sr. Valdir, e o seu roçado de feijão e milho.
De longe ele me avistou, e já ficou todo garboso, como quem esperava minha reação ao ver surpreso o crescimento de seu canteiro - obra prima que o Criador, em forma de feijão, milho e abóbora.
Ele conversava com um morador do Condomínio Ouro Vermelho I, que também admirava o fecundo canteiro.
Logo, nós três entabulávamos uma conversa sobre plantas, natureza, coisas assim.
O senhor desconhecido apresentou-se: Márcio Claussen.
Foi um gostar à primeira vista. Ele perguntou-me o que eu fazia da vida e contei-lhe que nas horas vagas era bancário, e que de vocação sou psicólogo.
Sua expressão se iluminou.
Contou-me que pessoas amigas recomendaram que ele procurasse um psicólogo. Queriam o melhor para ele. Do alto de seus sessenta e oito anos, ele viera perdas expressivas e recentes..
Uma separação, de segundo matrimônio, após cinco anos de relacionamento, o que deixou-lhe deixando-lhe sozinho no Condomínio, uma vez que ela voltou para Aracaju-SE.
Um câncer de próstata de três anos atrás.
E os mais graves: no último ano perdeu uma neta e uma filha, no espaço de seis meses.
A neta de uma grave infecção que entre a febre e o óbito passaram-se somente três dias.
E, a filha mais nova, dos seis que teve, de um infarte fulminante, aos 30 anos de idade.
Eu tudo ouvia. Esperava um monte de mágoas, resmungos, murmurações, queixas, traumas...
Nada disso veio em seguida.
Ele contou-me que o pessoal recomendou-lhe um psicólogo, pois achavam que ele estava doente por ser forte, por não ter adoecido de tanto luto.
Esperavam ele ficar prostrado numa cama, ou refém de um monte de tarja preta, e para o resto da vida.
Ele percorreu outro caminho.
E causou a todos perplexidade.
Numa sociedade medicamentosa, e que adora procurar um farol para iluminar sua dor , anunciando-lhe aos quatro cantos, como quem a pedir cuidado e atenção,  reagir de forma diferente da tradicional pode chocar.
Suspeito que alguns acharam que ele não estava ruim da cabeça.

A conversa se estendia e ele convidou-me para conhecer a biblioteca ao ar livre que montou no Condomínio e o seu projeto de "Faculdade da Natureza" que estava desenvolvendo.
Mostrou-me a horta medicinal e o espaço de convivência fraterna, recém inaugurado ,fruto de seu empreendedorismo social.
Falava-me com olhos brilhando sobre os próximos passos do projeto de educação ambiental que será um curso gratuito para os funcionários do Condomínio, sobre agricultura sustentável.
"Com direito à Certificado. Já imaginou o Sr. Valdir mostrando em casa o Certificado de Jardineiro Ecológico que receberá, quando terminar o treinamento?"

Fiquei embevecido.

Falou-me do amor. Do amor às coisas simples, e do quanto carrega menos fardos em seu viver. Falou-me que chegou a postos altos na engenharia de química, à frente de grandes multinacionais e associações de classe.
E, que cansou da corrida pelos bens materiais. Que tirou a roupa de executivo, com todo status e pose com o que alguns a colocam, e a trocou pela de ser humano. Que conversa com um serviçal de igual para igual, ambos crescendo um com o outro.
Contou-me que não conseguiu chegar a tempo para o enterro da neta. Pois, pegou um trânsito infernal ao desembarcar no RJ, com fechamento da avenida por quatro horas. Horas passadas num táxi ao da filha caçula, e que foram usadas para ambos atualizarem os diálogos e crescerem em amorosidade. a. Não sabia ele que aquele engarrafamento era combinado, com as coisas do alto, afinal aquele foi o último encontro com a filha, pois seis meses depois ela partiria também, vítima de um infarte.

Eu fiquei profundamente agradecido por ter sido escolhido para conhecer tão preciosa vida.

Ele para um instante, e fitando-me com olhos bondosos, pergunta-me mais uma vez se ele é um anormal - por estar sobrevivendo ao luto.
Por continuar tomando banho, fazendo a barba e enfrentando a beleza e o desafio de viver um dia de cada vez - como se fora o último.
As pessoas insistem que ele deveria chorar mais, sofrer mais, vestir uma mortalha e sair demostrando pra todos o quanto é infeliz.

Ele não quer viver esse papel.  Sente muito a perda de tudo.
Sente todas as dores dos últimos cinco anos.  Às vezes chora à noite, mas é choro pouco.
Ele tem mais netos e filhos para cuidar. Tem projetos para tocar e não quer desistir de viver.

Olho para ele, respondo-lhe que de fato ele é anormal.
Um ponto fora da curva. Um raro e precioso ser humano anormal.
Que ele recebeu o dom da vida. Que tem a coragem de sobreviventes e que, como um velho jequitibá, suporta todos os reveses ficando ainda mais forte ainda, ao enfrentá-los.
Dedico-lhe minha crônica Jequitibá, clique aqui -> Jequitibá
Digo-lhe que é um abençoado, pois tem em cada célula o genoma da resiliência.  E que ainda confortará e amparará a muitos, estrada afora.
Ele dá um suspiro e me diz: "finalmente alguém me entendeu. Não esmoreço por ser forte, só o faço por acreditar que a vida é maior do que a dor, do que a morte, e que a natureza se renova na esperança."

Contei-lhe das três colunas do bem-estar. Que basta que tenhamos um delas e já será suficiente para enfrentar a vida com coragem. As colunas das Emoções Positivas; dos Relacionamentos Significativos e dos Propósitos do Viver.

Fui inquerindo-o, coluna a coluna, e identifiquei nele a presença robusta das três.
Ou seja, é um abençoado.

Ele não guarda ressentimentos. Só nutre em seus pensamentos coisas boas. Gratidão; misericórdia e ternura para com todos. Ele aprendeu a repreender pensamentos incapacitantes, de mágoa ou culpa. Conta-me de um cartaz que botou na sala de aula improvisada de sua casa - Sim, Sr. Márcio dá aulas de reforço escolar em casa. O cartaz diz: "Dos pensamentos negativos eu saio à francesa".  Conta-me que não guarda nada ruim, nem dos casamentos desfeitos, nem da doença que o vitimou. Nem tampouco culpa Deus pela morte de seus entes queridos. Apenas acolhe, abraça e se conecta ao infinito procurando Nele o conforto de seu ser.  Parou um pouco de falar e ensinou-me os 5 Ds que prega aos alunos e pessoas amadas: Determinação; Desprendimento, Disciplina, Dedicação e Doação. E que esses 5Ds inspiram sua vida.   Coluna I, ok!

Depois, falou-me de como consegue criar vínculos com pessoas. Dos amigos que fez nos projetos de hortas que tocou como voluntário, e ao longo do exercício de sua profissão como químico, no eixo Rio-Aracaju. Mostrou-me menções honrosas que recebeu dessas pessoas, e que sem elas sua vida não teria sentido. Conhece cada um dos profissionais de limpeza e jardinagem do Condomínio e interessa-se por suas vidas. Falou-me dos seus filhos, netos, noras e genros com tanto carinho que os senti bem perto de mim. Nenhuma ponta de cobrança, de rabugice, de sentimento de desamparo,  tão comuns em idosos que moram longe dos filhos.  Coluna II, ok!

A última das colunas do bem-estar a do propósito, sentido ou realização ele tem e é das grandes. Em cinco minutos de conversa ele revela um monte de projetos. Sua Faculdade da Natureza, a expansão da horta medicinal. o parque dos ipês que cujo nome homenageará minha amiga Luíza e a da sua neta. Falou-me de projetos em Sto. Antônio do Descoberto de educação ambiental.  Coluna III - Ok!

Como uma pessoa dessa qualidade emocional adoecerá da alma?

Um ser humano que a vida tornou mais doce, mais encorpado e melhor para a humanidade a cada dia.

Sr. Márcio ensinou-me tanto. Eu que montava palestra sobre o Florescer e a Positividade, sai com o coração transbordando.

Não sem antes ele nos brindar com uma visita à sua casa. E, nela, não nos poupar de pequenos mimos.
JG ganhou uma caixinha com chocolates e eu ganhei um monte de acerolas.

Ele tem o dom de acolher. O dom de sobreviver saindo melhor a cada desastre emocional de que é vítima.

Sábio sr. Márcio, você não está doente.

Neste dia, como psicólogo, te dou alta de uma ida que não foi ainda.

Doente estamos nós...   e é sua coragem em enfrentar as dificuldades o que nos estranha e incomoda. Aí, queremos botar em você uma mortalha, para que também entre no coro dos desafinados e descontentes no qual vem se tornando a humanidade.

Ser alegre e esperançoso parece que virou um anormalidade.

Acredite em mim quando falo: sua "anormalidade" é o melhor diploma que a faculdade da natureza te concedeu.  Ensina essa competência aos que te rodeiam.
Garanto que eles serão mais felizes.

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Nota: Este texto foi escrito em 29/11/2014.   No final de ano, Sr. Márcio sofreu dois infartes no RJ, para onde tinha ido visitar os filhos e netos, vindo à óbito no dia 06/01/2015.  Abaixo texto homenagem postado de minha página no Facebook:

Todas estas fotos têm menos de um mês. Meu amigo Márcio fez a viagem definitiva hoje, após 68 anos bem vividos. Aqui em Brasília, sua cabeça era um caldeirão de sonhos e novos projetos. Queria alfabetizar os empregados mais simples do condomínio em que morava, chegou a montar a turma, com cinco deles, e pedir o material de treinamento. Liderou projeto de horta medicinal, e o de um novo bosque. Ficava ensandecido quando viam maltratarem as plantas, fez um protesto imenso para salvar um pé de Avelós e conseguiu. Tinha tempo e disponibilidade para todos. Era só doação e gratidão, nenhuma palavra má saia de sua boca. Márcio, era energia do bem em ação, e juntava pessoas para o bem comum. Leio as nossas trocas de mensagens do Zap Zap bem emocionado. Viramos bons amigos e estávamos sempre mandando divas reflexivas um para o outro. Estranhei o silêncio das mensagens após 20/12, contudo achei que deveria ser festanças de final de ano junto aos seus familiares no RJ.

"Bom dia Mestre Ricardim! Tudo Bem? Viajo para o Rio amanhã, 16/12. "Em 2014, ter lhe conhecido foi um destaque, com ações de amor, 2015 será um grande Florescer de alegria e felicidade. Abraços Márcio, 20/12."

Compartilho fragmentos de meu amigo-profeta: "Sou um grande sonhador e espero continuar sendo, acreditando nas pessoas e que as coisas possam mudar para melhor. Pulsa em mim muita energia e muito amor, que não pode ser apagado nunca. Como caixão não tem gaveta e minhoca não tem cérebro, procuro compartilhar três coisas que tenho de mais importante no momento que são: amor, energia e conhecimento.
Assim, quando a morte me chamar, ela levará somente meu corpo material e restará para as pessoas que convivi as três coisas: minha experiência que compartilhei, meu amor que transmiti e minha energia de ter vivido como espiritualista. Tenho uma receita para o bem viver que criei, os 5Ds:
1º D – Determinação, ao definir suas metas, objetivos, aonde quer chegar, quando e como fazer, levantamento de informações.
2º D – Desprendimento, aprender o novo, trabalhar JUNTO, ouvir, inovar, ter a mente aberta, buscar novas formas de atuar, suportar e conviver com as diferenças e principalmente muita humildade "para não querer inventar a roda”.
3º D – Disciplina, ter método, horários, conhecimento de como fazer, participar de reuniões, registro de ata.
4º D - Dedicação, afinal o sucesso é 1% de inspiração e 99% de trabalho; perseverança; regar diariamente seus sonhos; caminhada.
5º D - Doação, de um amor incondicional, compartilhar conhecimentos, envolvimento - é o mais importante 

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Vejam Nota do Sindicato dos Químicos e Engenheiros Químicos do Estado do Rio de Janeiro
Sentimos notificar o falecimento do Engenheiro Químico Marcio Landes Claussen, em 6 de janeiro de 2014. Historicamente um dos homenageados pelo SQEQRJ como Químico do Ano, Coordenador Geral do Instituto Brasileiro de Petróleo, Presidente do Conselho Regional de Química 3.a Região, Fundador do Instituto Jardim Botânico de Plantas Medicinais de Teresópolis, Coordenador do Movimento pelas Eleições Diretas no sistema CFQ-CRQ's, Editor das Revistas Petro&Gás e Instrumentação & Controle, e inúmeros livros técnicos em sua Editora McClaussen. Professor, amigo, visão política, expoente idealista pelas causas humanas, da ciência, química e meio ambiente, deixa saudades. Informações sobre o cerimonial, que deverá ocorrer amanhã, 7 de janeiro, no período da tarde, em Teresópolis, podem ser obtidas com a Sra. Glória através do telefone (21) 9-9353-6110.
O SQEQRJ encaminha as condolências aos familiares, amigos e instituições que fez parte.

Luiz Rodolfo de Aragão Ortiz

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