Cartas ao JG - Um Diploma em Branco



Sabe meu filho, ontem foi um dia muito feliz. Fomos para tua formatura do Jardim II. Você estava lindo, "todo becado", e com brilhantina no cabelo parecendo um formando de novela.
A cerimônia foi simples e tocante. Ela era para alunos formandos do Jardim II, do Fundamental e do Médio.
Fomos eu, mamãe, tua vovó por parte de mãe a Madalena, teu irmão mais velho e noiva, Tiago e Carol, e minha nora e quase genro: Andressa e Hugo.

Depois que recebeu o canudo não parava de brincar com ele.
Arranjou logo uma serventia de binóculo, tapando com a outra mão um dos olhos.
Ou de megafone no ouvido da mamãe.
Depois, saindo da cerimônia gritou para todos os seus coleguinhas:

"Pessoal, não tem nada escrito".

Sua mãe ficou revoltada. "Como se pode receber um canudo-diploma sem nada inscrito."?

Eu sorria satisfeito. Não sei se foi falha na impressão, descuido da escola, ou se foi proposital.
Afinal, era um canudo, não era?
O fato é que achei incrível o teu primeiro canudo-diploma não ter nenhuma mensagem impressa nele.

Mas, nele tinha a maior de todas as mensagens que se pode dedicar a uma pessoa que alcança um objetivo.

Eu poderia até ouvi-la lhe sussurrar:

"Nunca pare de se ver como um página branca, em elaboração de sua melhor essência, e sempre. "

JG, preencha essa página em branco com um monte de coisas boas que vai acontecer em teu viver.
Só registre nela as coisas boas. Repito-lhe, só as boas. São elas que merecem ser anotadas para o sempre.

Quanto às ruins, escreva-lhes na areia, como nas areias da praia. Só registre-as o tempo suficiente da maré vir e levá-las consigo.

O tempo suficiente para com elas aprender e mudar pra melhor.

Escreva no seu diploma em branco as bênçãos que receberá da vida. Não esqueça a maior delas, a de estar vivo e sempre poder recomeçar.

Anote as pessoas para com as quais lhes é grato. Não esqueça quem abrir caminhos em teu viver. Nunca!

Anote os amigos. Como o do Jardim II,  o Ichiro, aquele para o qual você olha pela "luneta"

Anote os amores. Nada amado é ruim. Mesmo que acabe um dia.

Anote as aventuras, primeiras descobertas. Anote as cidades pelas quais passou, lagarezinhos em que voltará um dia.

Anote seus sonhos para o amanhã. Anote as suas metas e objetivos pessoais. Tenha-lhes sempre à vista.

Se faltar espaço no teu canudo, use a outra face.

Lembre-se de nutrir uma boa visão do mundo, do ser humano e de você mesmo.
Tal qual fez com a luneta-canudo que improvisou, haverá horas em teu viver nais quais precisará fechar um olho pra ver mais longe.


Se afastar um pouco do problema para focar melhor as possíveis soluções.

Deixar de se preocupar com coisas pequenas, corriqueiras, poeirinhas emocionais, "tampar um olho" e mirar no futuro. Amanhã tudo será melhor. Isso também passa.
Aprenda com seu pai.
A visão é a musculatura da alma. Nas horas do aperreio, foque no infinito e com obstinação, tal qual fez com o canudo como se ele fosse uma luneta. Nutra uma boa visão de si mesmo, dos outros e das coisas que lhe acontecerão.

Lembre-se de falar, de ecoar aos quatro cantos teus valores. Tal qual fez com o canudo, como se ele fosse um "megafone".

Amplie a força de seus valores e os compartilhe. Não tema pedir ajuda, nem que para isso precise ampliar o som de teus sentimentos.

Não banque o forte. Anuncie coisas boas aos outros. Que de tua boca nenhuma palavra má, de injúria, difamação, calúnia ou mentira sai, e nem seja amplificada pelo megafones digitais.

Não propague o mal. Não anuncie desgraças alheias, não ecoe nunca sentimentos de ódio, inveja ou mágoa.

Que de teu microfone interior, de teu canudo em branco que a vida te deu ontem só saia coisas boas.

Veja e propague o bem e o bom. Sê bom, misericordioso, tenha compaixão e empatia com todos que lhe rodeiam.

Um dia recebi um diploma como o teu. Passei anos sem saber o que ele queria me falar. Anos após anos, lentamente, as letras foram aparecendo.

Em algumas delas um pouco borradas, mas de longe dava para entender a mensagem. O que estava escrito nele?
Deixarei você curioso.
um dia abra a Bíblia, no Novo Testamento, e procure o capítulo 13 do livro I Coríntios.  Ali, saberá o que o Senhor do eterno, sons, cores, aromas e sabores escreveu para a Humanidade.  É um escrito para um Diploma Maior.
Perto dele, todos os demais escritos - seja em qual seja a formatura, serão letras vazias.

Pense nisso.  Será que me entende?

Mancha de Graxa Sai.


Era um final de tarde de quinta feira. Meu estressômetro estava no nível + Plus. Dia com muitas coisas atropeladas e agenda impossível.
Fui pegar o JG na escola. Ele estava lindo. Usava uma camisa nova, que acabara de vestir, e que era uma surpresa para os pais. A camisa de sua formatura.
JG estava radiante.
No caminho, ao resolver pendências por telefone, o estresse sobe novamente, atingindo o ++Size.
Então, resolvi irmos à Barraca do Barbosa, lá na feira do produtor.
Precisava de uma cerveja bem gelada e ouvir boa música junto a amigos.
Chegando lá, fiz uma foto do JG com sua camisa nova e ficamos esperando a sua mamãe para fazer-lhe surpresa.
Entre um petisco e outro, eu gritava pra JG ficar na minha mesa e parar de explorar o local.
Cervejas depois, quando finalmente ele senta comigo, digo-lhe para ter cuidado para não sujar a camisa.
Ele baixa a vista e balbucia que já sujou.
Peço-lhe que fique de pé e avalio a situação. A camisa está horrível, ele andou escalando algum portão que tinha graxa. Está preta, daquela cor de camisa de mecânicos de oficina.
Fico ensandecido. Ralho bravamente com ele. Ele chora.
Chamo a atenção dos garçons e dono da barraca. Que tentam por água fria na fervura, aumentando mais ainda minha ira.
Então, percebo que ele chora olhando pra sua camisa.
Ele, chora muito mais pela dor de ver sua camisa nova suja, do que mesmo pela minha falação esbravejada.
Calo-me e choro por dentro envergonhado de ter feito isso.
Entendi que a dor nele era maior do que minha severa bobagem de pai.
Ligo para a Cristina, a previno e peço-lhe que não brigue mais com ele ao chegar.
Coloco-lhe no colo, e ficamos juntinhos, olhando joguinhos de celular.
A mãe chega e ameaça lhe repreender. Eu faço expressão de poucos amigos e ela cede.
Ele já está muito abalado.
Voltamos calados pra casa.
No outro dia, nossa diarista diz que sabe tirar mancha de graxa de roupa.
"É só passar um pouco de sabonete, botar no sol, mais um pouco de sabonete e tá novinha."
Ela diz que também pode usar manteiga ou detergente lava-louças.
Do trabalho ligo pra ela: Cida e a camisa? "Novinha, seu Ricardo. Mais limpa da que ele ganhou."
Não vale a pena estressar para coisas que sabonetes podem resolver.
Foi o que aprendi.
Fiquei descontrolado emocionalmente. O acúmulo de estresse durante a semana fez-me explodir. Explica, contudo não justifica.
Crianças sujam roupas. Crianças gostam de explorar locais. Crianças são crianças.
Querer que funcionem como adultos é matar o que elas têm de melhor e que lhes será muito útil na vida adulta: a capacidade de fantasiar a existência.
Aquela expressão de desgosto do JG, realçada com minha pouca sensibilidade ao fazer uma tempestade de um copo de água, não me sai da cabeça.
Não faça tempestades em copo de água.
Viva a vida mais leve. Deixe pra explodir com coisas grandes, que careçam de um posicionamento mais forte.
Engraçado que na sexta pela manhã, num outro tema afeto ao trabalho, explodi com meu melhor amigo, noutra coisa pequena.
Ele, um doce de pessoa, disse-me: "Ricardim, você está muito envolvido emocionalmente com a questão e está dando mais importância do que ela requer." Algo assim ele falou.
Fomos almoçar juntos, eu ainda destilando ácido. Ele risonho, calmo e seguro.
Pouco a pouco fui achando meu chão novamente, sorrindo e relevando.
O controle emocional é um aprendizado nunca acabado. Numa semana dei "piti" duas vezes.
E, em ambas, sabonetes no dia seguinte seriam melhores do que a explosão.
O acúmulo de cortisol e adrenalina, derivados de processos de estresse, pode nos tirar do eixo. E degradar as relações interpessoais. Ao ativar em nós mecanismos de sobrevivência do tipo: ataque, se defenda ou corra.
E, enebriados de hormônios acabamos por fazer coisas que não são legais, e que depois da palavra dita, da letra escrita, do gesto descabido, ficamos órfãos de nós mesmos. Nos perdemos do que temos de melhor, os valores.
Agora, ficarei mais atento aos meus chiliques. Lembrarei do sabonete. Calma Ricardim, amanhã com sabonete limpa. E tudo estará melhor.
Pra que explodir se não vai resolver mesmo.
O leite já derramou.
Deixe as explosões para coisas que realmente por elas valha a pena explodir.
Agora, explodir por bobagens é gastar vela boa com defunto ruim.

As manchas mais difíceis são das mágoas que nós pais podemos deixar nos filhos. Não falo de criá-los sem limites. Isto seria um desastre maior ainda. Falo de pais severos demais, perfeitos demais, exigentes demais que moldam personalidades culposas e devedoras nos filhos, os filhos aprendem a fazer tudo para alegrá-los - aos pais, a não aborrecê-los, e perdem-se de gostarem deles mesmos. Estão sempre girando ao nosso redor, com medo de nossas reações de excessivo controle.

Quanto ao JG, vou pedir que ele vista sua camisa nessa manhã de domingo. E vou enchê-lo de demonstrações de amor.
Quem sabe posso conviver melhor com aqueles olhinhos chorando a perda das cores de sua camisa, avivados por minha incompreensiva atitude de pai.
A vida já tá muito corrida, competitiva e temos que ter cuidado pra não ficarmos exigentes demais, perfeccionistas demais, com rigidez de pensamento e muito cheio de "não me toques".
Ou seja, uns rabugentos, chatos e excessivamente críticos.

Cartas ao JG - A arte de fazer e desfazer malas.

Querido JG, dia 18/11/2014 você fez sua primeira viagem sozinho. Altivo e confiante, puxava sua bolsa em direção ao ônibus.

Na entrada, um olhar de soslaio para seus pais e um até logo risonho.
Seria um dia de aventura num hotel fazenda próximo de Brasília-DF.
Faltou lenços para o batalhão de mães que se despediam esvoaçantes.
Uma delas gritava: "Se sentir saudades, liga pra mamãe que eu vou almoçar contigo, eu sei chegar no lugar". E olhava orgulhosa para as outras mães, como que a dizê-las: "Vamos?".
É desse jeito que pais estragam os filhos.
Parta filho. Tenha sempre malas prontas para o infinito.
Parta.
Sei que voltará e teremos muitas histórias para celebrar. Mas, não te quero no conforto de minha asa.
Vá em busca de seus próprios sonhos, mesmo que noutro local. Mesmo que tema o desconhecido e o quarto escuro do novo.
Meu pai partiu de Juazeirinho-PB, quando tinha 14 anos. Foi buscar suas melhoras na cidade grande.
Minha mãe partiu de Serra Negra-RN, junto com seus pais, e foi buscar oportunidades que só a educação pode abrir.
Partir ou ficar deve ser decisão madura em teu viver. Mas, não tema as malas prontas.
Não crie nunca raízes, em lugar algum. Crie asas.
Esteja sempre pronto a recomeçar, a restabelecer trajetórias interrompidas, sonhos abortados.
Siga para o futuro com a mesma confiança com a qual entrou naquele ônibus.
Sê forte e persevere. Saudade, quando é das boas, alegra. Alegra por saber que ela está só guardada, logo ali, na esquina que dobra.
E, ano a anos ainda poderá ser revisitada nas emoções. Ninguém parte quando o amamos.
Levamos-lhes conosco vida afora.

Tenha malas prontas. Carregue pouco peso em seu viver.

Não tenha medo de mudar. De curso superior, de cidade, de amigos, de trabalho, de relacionamento afetivo e até de igreja.

Desde que te faça feliz.
Leve sempre a matula contigo, uma pequena lancheira, para dias difíceis.

Nela um monte de esperança, positividade, amor e fé.
Não olhe pra trás. Estaremos bem.

Qual pai não fica bem vendo seus filhos felizes?
Não se importe com o choro de sua mãe.

Ela também quer o teu melhor, e aguentará o tranco.
Tenho saudades de meus três filhos, teus irmãos. Nem sempre os vejo. a agenda deles, agora casados, é bem agitada.

Mas, só de ver suas pequenas e grandes vitórias vibro.
Os sinto como se tivesse ao meu lado, aqui na tua casa da árvore de onde teclo.

Voe alto. Sempre de malas prontas.
Mas, aqui vai meu maior segredo.

Uma vez que chegue ao lugar de destino, desfaça as malas e o aprecie intensamente.
Entendeu JG?
Sei que é difícil, vou tentar te explicar. Esteja sempre de malas prontas para mudar, mas as desfaça ao alcançar a mudança preendida.

Caso contrário, viverá sempre no futuro como um estéril sonhador. Viverá na provisoriedade, nunca será feliz com nada.
Sempre estará pensando no que falta, nunca no que tem.
Sempre estará querendo mudar de trabalho, de estudos, de amada, de cidade, de cultura...
Saber a hora de fazer as malas, e de desfazê-las é a dica mais importante que já deixei contigo.
Tem gente que vive o casamento de malas prontas. Prontas a desistir e partir para outra. Perde a chance de reconstruí-lo ou reviver emoções encardidas pelo desuso.
Tem gente que vive o trabalho de malas prontas. Nunca é feliz com a empresa, sempre procurando razões para dela falar mal.

E assim por diante.

Sofrem de uma paranoia de achar que sempre o "gramado do vizinho é mais bonito".
Vivem na eterna busca, numa angústia cruel, que nunca os capacita para sentirem-se felizes com o que tem. A serem gratos.
Uma postura de malas prontas na vida não é isso.

Malas prontas e não ter medo de buscar novos horizontes, fantasias, vivências e aprendizados.

Mas, ao alcançá-los precisa desfazer as malas e curti-los.
Imagine uma pessoa que o sonho era ingressa na diretoria que teu pai trabalha no BB, a de Tecnologia.

Estudou, fez prova difícil e migrou de longe.
Isso é o fazer as malas. Superou a saudade, a distância e os medos de não conseguir.
Imagine essa mesma pessoa, dois anos depois, definhando, infeliz.
Será que arrumar as malas e partir será novamente a melhor opção?
Ou será que a infelicidade não vem dela não ter desfeito as malas emocionais ao aqui chegar?
Outro dia ouvi de uma palestrante famosa que temos que fazer o que gostamos pra ser feliz.

Bobinha.

Temos que gostar do que fazemos, para ser feliz.

E é aqui que mora a diferença. Você não é bancário pra fazer o que gosta.
Mas pode ao ser bancário gostar do que faz.

Entendeu JG?

Essa é a sutil diferença entre as malas feitas e desarrumadas.
Partir em busca de novos objetivos é super importante. Mas, saber apreciá-los, degustá-los e encontrar o prazer neles é fundamental.
O prazer não virá deles, nunca! O prazer será eles.
De deles pra eles. Difícil né?
Você não ver ninguém dizendo que fez vestibular para ser bancário. Costureira, jardineiro, motorista de ônibus ou funcionário público.

Mas, em cada uma dessa profissões você pode desfazer as malas e ser muito feliz, gostando do que faz. E não procurando fazer o que gosta.

Já psicólogo, eu gostava do que fazia no Caixa de uma agência do BB.

Gostava do que fazia no caixa. Gostava do que fazia na compensação. gostava do que fazia no meu primeiro emprego com carteira assinada, como professor. Gostava do que fazia na Controladoria. E assim por diante.

Goste do que faz. Pare de procurar o sentido da vida, ou do trabalho.
Encontre o sentir no trabalho, na vida. Isso fará toda a diferença.

É a diferença entre fazer as malas e partir, ou desfazer as malas e dizer, aqui é meu lugar. A escolha será tua, sempre tua. E, teu pai te apoiará. Mas, se começar a olhar muito o jardim do vizinho, vai levar uns cascudos pra tomar prumo. Ahh se vai!

Perigo - Todos os Ovos num Único Cesto


O aroma da mata convida-me para mais uma viagem literária. O dia começara chuvoso, revoadas de maritacas, pardais e bem-te-vis fazem a festa do encontro do sol com as águas. Perto de mim, um deles me observa curioso.

Tem o papo amarelo e a cabeça preta com a mancha branca. Um belo bem-te-vi. Ao longe uma mão erguida me saúda. Sr. Waldir convida-me para ir ver seu roçado. Diz-me que o feijão e o milho nasceram.

Conheci Sr. Waldir semanas atrás, quando ele limpava um terreno para plantar. Hoje viramos amigos. Ele é um jardineiro de pessoas, mais do que plantas. Sinto a paz ao seu lado, quando ele me fala de cada espécime que cultiva na horta do condomínio. Hoje queria conversar contigo sobre coisas simples como um terreno desabrochando em milho e feijão, recém-cultivados.

Sr. Waldir é um dos ovos de meu viver.

Como assim Ricardim?

Aprendi que um dos segredos para o bem-me-ver, ou bem-te-ver, é não guardar todos os ovos de nossa vida num único cesto, tal qual essa foto que fiz na loja Caipira, em São Sebastião-DF.

O perigo de, em caso de desastre, tudo ruir é grande.

Não deposite todos os ovos de sua felicidade num único cesto.

Tem pessoas que todos os ovos de seu viver estão no cesto do trabalho.
Outros no cesto do amado. Dos filhos. Do esporte, e até da fé.

Aprendi a colocar meus ovos noutros cestos. Tenho Sr. Waldir, um jardineiro com o qual cruzo nas manhãs de sábado e me torno melhor ao escutá-lo falar de suas plantas.

Tenho Dona Sônia, Odete e Barbosa, personagens de uma pequena feira livre que visito pelas 7 da manhã no sábado. Cada um deles me torna um pouco mais feliz. Ouço suas histórias embevecido, histórias de pessoas que superaram muitas dificuldades e continuaram acreditando na vida.

Tenho amigos na comunidade Metodista que frequento nos domingos à noite. Pessoas que se preocupam comigo e, eu com elas.

Tenho La Deyse, nos domingos pelas manhãs, que me espera com um sorriso no rosto, com cafezinho especial e um pastel de tirar o fôlego. Quando passo uns domingos sem ir ela reclama.

Tenho um monte de ovos espalhados em diferentes cestas.

Quando um deles está podre, ou se quebra, não contamina toda a minha vida.
Diversificar as fontes de satisfação no viver é muito importante. São almofadas sociais para equilibrar e harmonizar a existência.

Abelhas fazem festa ao meu lado. Não as temo.

Diversifique suas fontes de prazeres. Não coloque toda a energia de sua vida num único cesto.

Trabalhar é ótimo, realiza-me, mas não sou só o trabalho.
Orar é ótimo, me encanta, mas não sou só oração.
Receber amigos é bênção, mas não sou só um coração que acolhe.


Cada novo cesto que crio é uma oportunidade para realização.
Assim vou pela vida afora, tirando ovos de um único cesto e colocando-os noutras facetas de meu viver.

Tem gente que se separou no século XX, e ainda fala disso, e sofre como se fosse hoje. Ficou ressentido. Perdeu o prazer de um monte de outras coisas, como se toda a sua existência estivesse naquele único cesto de ovos.

Tem gente que aposentou-se com mágoa da empresa e fala disso como se tivesse sido ontem. Fala disso aos quatro cantos, amanhece com essa dor, anoitece com ela a niná-lo. Gente que o cesto do trabalho era único.

Tem gente que migrou da terra natal mas nunca mudou-se emocionalmente. Nunca mais conseguiu colocar ovos noutros cestos. Gente que o cesto da sua cultura era único.

Tem gente que só aprendeu a ser feliz em função de sua família. Quando eles partem, ou buscam outros afazeres e prazeres, para longe do ninho, a pessoa morre.


Ricardim, e o que tem a ver o roçado de Sr. Waldir com os cestos de ovos de nosso viver?

Tudo.

Aquele roçado não estava ali no mês passado.

Ele foi lá, tirou um monte de entulho, "4 caçambas", limpou a terra, arou, lançou as sementes e cuidou delas.

Diversificar nossos interesses e fontes de satisfação coma vida é como o roçado do Sr. Waldir.
Exige investimento, esforço, e o maior de todos, o do autoconhecimento.
Aquele que nos diz que CHEGA! Chega de ficar 100% focado em algo.

É hora de se abrir a novas possibilidades, cultivar novos hábitos, aprender novos aprenderes, permitir-se viver novas experiências.

Tem que tirar as tranqueiras de nosso coração.
Tem que levá-las para longe.
Tem que fofar nossa terra interior. Adubá-la e deitar novas sementes.
Tem que cuidar de nós mesmos.
E cultivar sonhos.
Tenho um monte de infinitos particulares. Altarezinhos para onde vou, quando as coisas em algum de meus cestos não estão nada boas.

Crie os seus também. Enriqueça sua existência com diversificadas fontes de sentido da vida.

Elas serão muito úteis, quando algum destrambelhado qualquer, vier a pisar no cesto de ovos que guarda em seu coração.

Você sobreviverá, afinal, não tinha somente aquele.

Pense nisso!

Pare de procurar razões para ser infeliz.



Hoje chegamos cedo para o treino do futebol. Era perto das 08h:40min. O treino começa pelas 09hrs.

O local estava vazio, silencioso de sussurros humanos. É feriado nacional, dia da República, e os trabalhadores do local estão de folga.
João Gabriel (5) está impaciente no carro. Quer descer e ficar sozinho no campo. Eu, digo-lhe que talvez não haja treino, por causa do feriado.
Ele muda o humor. Fica irritadiço e murmura triste: “mais papai eu queria jogar”.
Com o coração apertado, fito-lhe os olhos e o repreendo:
“Pare de procurar razões para ficar infeliz, alegra teu coração, seja forte”.
Não sei se entendeu. Mas, parou a birra.
Passaram-se uns eternos minutos e o seu técnico chega. Não precisa nem dizer que ele saiu em disparada para abraça-lo.
Ufa, vai ter treino.
Corta a cena e voltem comigo uns 30 minutos.
Eu estava na feira do produtor do Jardim Botânico. Sentei pra prosear com dona Odete. Aquela de sábado passado que seu perfume me acompanhou até aqui, onde teclo, nessa área verde perto do campo onde JG treina.
Pois bem, hoje ela estava com a “pá virada”.
Descarregou comigo um monte de ressentimento que sente de pessoas que lhes são próximas, na feira. Sobre as mesas delas que estão ficando sem espaço; sobre o toldo do vizinho que tirou a atenção do quiosque dela.
Hoje ela estava como JG. Procurando razões, motivos para ruminar pensamentos ruins.
Pedi um outro café e falei-lhe que viver é uma arte. A arte de mesmo diante de reveses, pressões, ingratidões, ou todo tipo de desentendimento, não s deixar embrutecer. Virar um vinagre ácido, no lugar de um vinho suave – com o passar do tempo e com o acúmulo de cicatrizes na alma.
Pare de procurar razões para ficar triste. No lugar, dê respostas à vida. Mude, transforme a situação. Mude-se da situação, parta pra outra. Ou mude a si mesmo de como a situação te abateu, caso não possa fazer nada mais. Transforme-se você mesmo para acolher o amor, essa é a maior de todas as revoluções.
Outro dia na aula contei uma metáfora de infelicidade.
“Era uma vez uma aluna chamada Amélia que toda as vezes, após as aulas do professor Ricardim, chegava em casa querendo comentá-las com o marido. Ao chegar em casa, e puxar assunto, ele dizia que estava cansado e vendo o futebol. Que depois conversaria com ela. Quarta a quarta ela foi definhando. Ficando infeliz. As atividades que passava para casa, muitas delas podendo ser feitas em família, ela nem mais o convidava para juntos fazerem.
Pronto, ela acabara de criar um modelo mental de pensamentos ruins, angustiantes, de desamor. Com ele, um padrão de comportamento. Se fechar. Se retirar da cena, emburrar e perder o viço.
De tanto repetir aquela mesma vivência, ela criou um ciclo de processamento rápido de situações semelhantes. Internalizou nela um hábito de infelicidade, sempre que chegava para falar de algo importante para alguém e este não lhe dava a devida atenção. Ela passou a reagir como fez com o marido. Retirava-se para o quarto, chorava, murmurava e perdia o resto da noite em autoflagelações: ele não me escuta; não me dá atenção; não me ama mais... devo ser muito sem valor para nãos ser notada. No outro dia, aqueles pensamentos acompanharam-na trânsito adentro, e foi o tema das conversas com as amigas no cafezinho no trabalho...
Não precisa nem dizer que aqueles pensamentos de não ser valorizada, ouvida, estimada melaram as cores, sons e sabores de seu dia. Tudo ficou sem graça."

Agora voltemos ao João Gabriel e à ordem que dei pra ele: pare de procurar razões para ser infeliz.
Seguindo esse caminho na metáfora anterior o que Amélia poderia fazer:
1. Mudar a si mesma. Ao reconhecer os limites de seu marido, nas quartas à noite perto das 23hrs, e estabelecer esse tipo de conversa em dia e horário mais eficaz.
2. Mudar a situação. No lugar de chegar querendo espaço para o diálogo, atenção, ser notada e escutada; fazer pipoca e ir ver o resto do jogo ao lado do maridão. Interessando-se pelas coisas dele. Perguntando-lhe, entre um ataque e outro, como foi o seu dia. E, nos dias que se seguem ir conquistando paulatinamente a mudança que espera. Diminuindo a ansiedade de querer falar tudo do seu dia, e aproveitando as brechas de atenção para entre um gol e outro, falar de suas coisas. Recriar espaços de escuta, sem esticar a corda. A educação pelo amor é a mais poderosa das forças para a mudança.
3. Mudar-se da Situação. Não criar espaços para novas infelicidades, reproduzindo essa mesma vivência. Valorizar outros aspectos no relacionamento que sejam legais. Curti o que sobra e que é bom. Não dá murro em ponta de faca. E, caso a coisa fique feia, procurarem como casal ajuda. Cursos em igrejas, terapias de casais, uma viagem de re-lua-de-mel.

O bem-estar pede razão. Inteligência para repreender pensamentos ruins, opressivos, fétidos e substituí-los por outras facetas da vida, mais belas, que acabam sendo contaminadas e despercebidas quando estamos no ciclo de ninguém-me-ama, culpa ou mágoa.

Pare de procurar razões para ser infeliz. Isso é como procurar defeito em carro velho. Vai achar e um monte.
Aprenda a preservar seu ninho interior, apesar dos furacões e tempestades.
Aprenda a fechar janelas na sua vida. Fechar ciclos.
Não deu. Pronto acabou, vire a página.
Ele não foi o que você esperava. Um cara te xingou em público. Outro te ferrou no trânsito. No trabalho, um traíra puxou teu tapete. Você não recebeu a promoção sonhada. Não veio aquele email agradecido. No dia do teu aniversário, alguém especial esqueceu de ti.
Pare de pensar essas coisas. PARE! PARE!
Não fique hiperreflexivo, remoendo, murmurando sobre coisas que te aconteceram e que não foram legais. Use meu algoritmo: mude a si mesmo diante da forma como se deixa abater por elas; mude a elas mesmas – caso possa; ou mude-se delas, fechando as janelas e virando as páginas desse seu viver.
As pessoas são imperfeitas. Nem sempre têm a noção do quanto nos magoam com seus comportamentos. Portanto, casca grossa para viver é bem é necessário e fundamental.
Pare de procurar razões para ser infeliz, mesmo que elas sejam boas razões.
Pare de viver papel de vítima dos outros, das circunstancias e até de si mesmo.
De se cobrar tanto e de querer que todos funcionem como gostaria. Não funciona assim, sinto muito!
- Próximo sábado pode não haver treino, por motivo de chuva.
- Os vizinhos da Odete poderão continuar espaçosos.
- O maridão dela poderá continuar vendo o jogo nas quartas...
Mas, se no futuro poderá haver inquietações, prepare-se no presente para melhor lidar com elas.
Mais aceitação, tolerância, adaptabilidade, flexibilidade e valorização de um monte de coisas que em toda situação ainda tem de boa que acabamos por não vê-las mais, quando o sangue ferve.
Pare de murmurar, resmungar, nutrir rancores e pensamentos ruins sobre os outros, você ou as situações.
Isso é um veneno que matará tua alma, pouco a pouco.

Cartas ao JG - O Perfume de Odete



Meu filho, hoje voltando da feira do produtor do Jardim Botânico vim saboreando um perfume. Não era meu, raramente uso.
O carro estava com os vidros fechados, fazia um friozinho gostoso, e aquilo realçava ainda mais o cheirinho. Meu carro anda fedido dos restos de comida que você anda deixando nele.
Uma hora depois que voltei da feira, agora enquanto escrevo pra ti nesse meu infinito particular – uma mesinha que fiz com pedras debaixo de árvores, à direita do campo em que treina no Cond. Ouro Vermelho I, ainda sinto a fragrância a inebriar meu ser.
Quem me deixou perfumado foi a Odete. Ela é a proprietária de uma das barraquinhas da feira. Tomei café lá, e ela me presenteou com um bolo de fubá para levar pra tua mãe.
Na saída da feira nos abraçamos como velhos amigos. E, ao nos abraçarmos, ela passou seu perfume para mim.
Estávamos ambos emocionados, Odete me revelou que Sr. Humberto morreu. Sr. Humberto é nosso amigo comum. Ele tem um ponto na feira, vende frangos e ovos. Na foto dessa carta é o que está atrás de você. Essa foto foi tirada esse ano, um pouco antes dele começar o tratamento para se submeter à operação no coração. Infelizmente, ele não teve um pós operatório satisfatório, após receber 3 safenas e uma mamária, e no domingo passado faleceu.
Quem me deu a notícia foi Odete.
Fiz muitos amigos nas feiras do produto do Jardim Botânico e na de São Sebastião.
Conheço-lhes pelo nome: Deise, Darcy, Humberto, Gente Boa, Maria, Célia, Sônia, Olga, Odete, Adauto, Barbosa...
Ao me despedir de Odete ela falou-me: “ainda bem que você tira fotos enquanto estamos vivos, assim podemos recordar dos amados...”
Sábia Odete.
Escuto seus gritos correndo atrás da bola. Você ama futebol. Escuto uma sinfonia de cigarras.
Olho ao longe o parquinho da Luíza, uma sensação de paz e amor inunda meu ser.
Tudo está conectado. Cigarras, bola, gritos, formigas, árvores, pedras, Humberto, Luíza, Odete.
Barbosa veio tomar seu café na minha mesa, de sua barraca. Odete, ao lado, me serviu um café quentinho, recém passado.
Barbosa estava soube por mim de Sr. Humberto. Sua expressão “enluteceu” na hora. Eram amigos. Comendo meu “cuscuz completão” falamos sobre a brevidade da vida. O que é a vida afinal?
Cai uma folha seca no teclado.
Cigarras cantam mais alto como que a quererem me responder.
O perfume fica mais forte, Odete está perto.
Levanto-me e ando um pouco. Hoje a cervical está incomodando papai.
Coisa boba.
Vou até um trabalhador do condomínio que roça a terra. Ele me conta que prepara a terá para plantar milho e feijão. É um lugar no qual foram sendo amontoadas folhas secas, ao longo de um ano e que agora, ao serem revolvidas com a terra, fornecerão um bom berço para as sementes.
Eis a resposta que perguntei acima.
Não há morte. Tudo está interligado, conectado. Sr. Humberto ficou um pouco em mim, não morreu. Luíza, a menina que dá nome ao parque, me acompanha quando escrevo. Posso até sentir suas risadas, vendo-lhe jogar. E seus olhinhos curiosos tentando adivinhar quem é aquele que tecla num amontoado de pedras.
O perfume de Odete é saboroso. Acho que sua alma é quem perfuma o seu perfume. Entende? Um dia entenderá.
Odete é uma alma perfumada em forma de corpo.
Amanhã será um dia estranho pra teu pai. Não farei a pergunta, ao filho do Sr. Humberto, como o pai dele vai se recuperando.
Não ficarei mais tomando café ansiando ver novamente o meu amigo, da banca ao lado.
Agora só o verei noutro plano. Sinto o luto. Sinto o perfume de Odete. Sempre que eu chegava na feira de São Sebastião, aguardava a única mesa da La Deise vagar. Aguardava conversando amenidades com Sr. Humberto. Falávamos da seca, da política, da feira, dos velhos tempos de nossa cidade natal, sim filho, Sr. Humberto era de Campina Grande-PB. Ele falava de pessoas que para papai eram nomes de ruas, falava delas como se estivessem vivas ainda.
O perfume de Odete me fala nessa manhã. E preste atenção no que aprendi e te transmito.
Deixe sempre as pessoas que cruzarem teu viver perfumadas.
Abrace-as e deixe-as melhor. Perfumadas.
Deixe um pouco de você no outro, um pouco do que tem de melhor, de teu perfume da alma.
Interesse-se pela vida das pessoas. Parei e fui saber mais da vida do trabalhador, aqui pertinho. Ele chama-se Valdir. Diz que gosta de mexer com terra, mas que essa época ele tem cuidado com os escorpiões. Ele fala do seu trabalho com orgulho, e me corrige ao dizer que o monte de folhas que ele revolve tem três anos que “dormia” no monturo, esperando o momento certo de virar adubo... Fala do passarinho que fez um ninho estranho, diz que os filhotes são bem pequenos. Fala que aquele pedaço de terra que capina é como se fosse seu.
Quanta coisa bela teu pai ouviu. Olho para meus pés, procuro escorpiões.
As cigarras disputam com o perfume a minha atenção. Qual perfume estou deixando em ti?
Qual perfume deixei nos meus filhos mais velhos?
Se despeça dos amigos deixando-os melhores do que os encontrou. Sempre com uma palavra de ânimo, de esperança e de otimismo.
Tire fotos dos amigos. Tire fotos. Fotografar é eternizar momentos. Fotografe.
Mas, lembre-se só estou sentindo o perfume da Odete por existir uma Odete em meu viver.
Permita-se a muitas Odetes em teu viver.
Quebre a barreira entre ti e os invisíveis sociais. Aproxime-se deles. Crie pontes. Eles têm histórias de vida e de superação que muito lhes serão úteis. São mais do que barraqueiros de feira-livre, copeiros, zeladores, etc. São pessoas. E pessoas lindas. A história de Odete já contei no meu blog em: http://bodecomfarinha.blogspot.com/2014/05/pedacinho-de-ceu.html.
Depois leia.
Só existe almas perfumadas, inundando-te com o perfume delas, se você se permitir a elas. Entende?
Se você se fechar nunca sentirá o perfume das pessoas, de suas almas, melhorando seu viver.
Nunca.
Não se feche em si mesmo. Crie laços e vínculos. Descubra quem são, valorize o que fazem.
Hoje filmei dona Sônia fazendo tapioca. Ela ficou toda orgulhosa. Não nos conhecíamos.
Acho que deixei meu perfume nela. Ela sentiu-se importante. De quebra levei para Cristina uma tapioca bem fininha e crocante, coisa que Dra. Sônia sabe fazer. Como ela sorrindo me disse. Cumpri minha meta de conhece alguém novo, mês a mês. Aproximei-me de Dra. Sônia, valorizei seu trabalho, perguntei sobre ela, e crie condições para que no próximo sábado já sejamos menos cliente e vendedor. Sejamos pessoas.
Há fedores em pessoas, não seja assim, fedido. De alma fedida. Tenha a alam perfumada.
Existem muitos corpos em almas fétidas. Fedidas a ponto de quando cruza com essas pessoas você sai pior, mais triste, raivoso, desmotivado. Dessas pessoas, distância. Muitas delas não adiantará mais tentar criar pontes e mudá-las. Infelizmente. Para outras, ainda haverá esperança.
Três coisas deixam nossa alma perfumada: o amor, a educação e a fé. Das três, se não tiver amor não há perfume que se fixe em teu ser.
Portanto filho meu, ame. Ame tudo. Pequenos e grandes momentos. Uma borboleta linda vem me fazer companhia. Um pássaro me espia ao longe.
O cheiro de amor da Odete me encanta. Ao longe escuto: “Faz o gol João Gabriel”. Teu técnico te incentiva. Incentivar o outro é perfumá-lo.
Esqueci a cervical doendo. Procuro o lugar que a borboleta pousou. Ela era linda. Pera aí um pouco. Desapareceu. Veio só me cumprimentar. Valdir acena de longe. Já somos cúmplices. Eu contei-lhe o que faço sobre essas pedras.
Outra folha cai no teclado. Seu Valdir a juntará num monte.
Em 2018 ela virará berço para outras plantinhas.
A vida se conecta. Morte e vida. Vida e morte. Não há morte.
No perfume de Odete ela vive.
Nas coisas boas que deixará plantado, Joaquim viverá.
Entende a metáfora? Deixe almas perfumadas ao tocarem em ti. Com perfumes de amor, solidariedade, empatia, bondade, gentileza, fé, compaixão, misericórdia, afeto, paz e respeito. Cuidado com fedores do ser. Fedores da intriga, murmuração, resmunguentos, ódio, falta de perdão, cultivo de mágoas e invejas de todos os tipos.
O perfume de Odete me eleva. Levo o perfume de Odete pra tu, no abraço que te darei agora. O treino acabou. Essa é a mágica de perfumes de almas. Vamos transmitindo-lhes, almas a almas. Pessoas a pessoas. Transmita perfumes. E, esteja aberto a recebê-los. Existem almas perfumadas por todos os cantos. Preste atenção e sentirá!

Seja Jequitibá



Milenar Jequitibá do Parque Estadual de Vassununga-SP, foto Murilo,
da Copel de Faxinal do Céu - PR. Especialmente cedida a este autor.
Domingo passado esperei o fim da tarde para jardinar. Gosto daquela hora do dia, na qual a natureza silencia, e espera toda oferecida o lençol da noite cobri-la para o amor.
Na minha cidade, no fim da tarde as rádios tocavam a Ave Maria. E já era noite. Por aqui, no Centro-Oeste, ainda teremos quase duas horas de luz do sol, mesmo que tênue. Antes de cavoucar a terra, fui buscar minha vitrola portátil, coloquei um dos tantos vinis que ganho, ou compro, e que ficam esperando uma boa ocasião para tocarem.  Primeiro, resgatei de vasos opressivos as florezinhas que decoraram os meus 50 anos, comemorados neste mês. Elas estavam esquecidas em restos de arranjo, e tive dó delas. Fofei a terra, botei um pouco de adubo e as deitei no solo. Torcendo que o tempo mudasse, o que acabou acontecendo noite adentro. Depois, peguei todo cerimonioso o presente que o Maurício me dera. Era uma muda de Jequitibá. Jequitibás são árvores sagradas, sua tradução do Tupi significa Gigante da Floresta. O Jequitibá da foto, tem mais de mil anos e 50 metros de altura, e fica no Parque Estadual de Vassununga-SP. Maurício me contou que minha muda precisará de uns 30 anos para ficar frondosa e grande. Será que viverei o bastante até 82 anos para vê-lo crescido? Pensei melancólico.

Mas era melancolia das fracas, anêmicas, logo passou. Afinal, quem planta Jequitibás não planta para o natal. Planta para gerações futuras. Para JG (meu quarto filho, de 7 anos, o João Gabriel) e seus amigos churrasquearem à sua alta e grande copa. Precisamos aprender a ser Jequitibás. Aprender a esperar, aprender a lidar com todo tipo de revés que a vida vai nos causando, sem nos perder de nossa essência, e dos nossos sonhos mais preciosos e caros. Imagine o quanto nos próximos 30 anos essa árvore enfrentará de ventanias, tormentas, secas, baixa umidade, formigas, cupins, e o mais letal de todos o flagelo, o bicho-homem a atormentá-la e querer trocá-la por um “piso de cimento”.  Mas, o Jequitibá não desistirá.  Jequitibás não desistem. Temos aprendido a ser frágeis. Aprendido a valorizar muito mais as dificuldades do que o nosso projeto de longo prazo, construído numa realidade asfixiante, no aqui e agora.
Precisamos da coragem dos Jequitibás para sermos mais que sobreviventes em nossa existência.

ü  A coragem de se manter no reino dos valores, quando tudo ao lado desmorona.
ü  A coragem de romper com tudo que nos sufoca, quando tudo ao lado pede a segurança das gaiolas.
ü  A coragem de recomeçar, quando tudo ao lado desiste.
ü  A coragem de confiar, quando tudo ao lado é desconfiança.
ü  A coragem de gostar de você mesmo, não esperando para que isso aconteça que alguém goste de você.
Imagine o quanto esse jovem Jequitibá tem que ter de autoestima quando dialoga com outras plantas.
Imagino o pé de Fícus que mora perto dele tirando onda. “Ei Jequitibá, tu és anão é?
Imagino o Jequitibá, pensando com suas folhas: “Ele, o Ficus, não sabe que sou a maior árvore do Brasil e a mais velha. Só preciso de tempo.”  Todos nós temos um Jequitibá dentro de nosso coração. Somos a grande árvore da floresta de Deus Pai.  Só precisamos de tempo para crescer e revelarmos nosso melhor e maior potencial.
Só precisamos acreditar que não somos feitos para rastejar, para ser vermes ou medíocres.
E, não falo de crescimento material. Falo de crescimento interior. Aquele que a traça não come e o ladrão não rouba. Conversando com meu Jequitibá hoje à noite, ele me falou que tem segredos milenares para me contar. Fiquei surpreso, ansioso e agradecido por tamanha gentileza de sua parte.
Ele foi me falando aos poucos do que o faz forte e esperançoso, mesmo em meio a tanta árvores, animais e pessoas fast-food, sem valores, que habitam o seu ecossistema.

Primeiro Segredo – Repita sempre, quando algo não sair conforme espera: Isso também passa. Isso também passa é o primeiro segredo do meu jovem Jequitibá de nome Deysy. La Deysy, a bela da floresta. Não há problema que dure uma eternidade. Não há dor que se eternize. Não há alegria que dure sempre. Ou seja, isso também passa. Esteja aberto a viver o que de melhor tem a vida. Quanto aos momentos de luto, isso também passa. Apenas espere esperançoso tempos melhores. Deysy me deu a fórmula dela: “Sempre digo, as coisas irão melhorar”.

Segundo Segredo – Repreenda seus pensamentos ruins, com outros pensamentos bons. Encontre sempre um oásis do bom para levar seus pensamentos. Toda vez que estiver pensando algo do reinado da inveja, mágoa, culpa ou ódio, repreenda fortemente seu pensamento. Troque esse canal, essa estação de dor mórbida, por outras de paz. Ache a paz em meio ao turbilhão, esse é o segredo adicional do segundo segredo.

Terceiro Segredo – Deysy me contou que aprendeu a gostar dela como ela é. Ela me falou que antes se comparava com os Ipês, os Jacarandás e sofria. Via que eles cresciam, davam flores, frutos, atraiam pássaros e ela não passava de um toquinho. Com o tempo ela teve clareza que cada um cumpria sua missão. Que os espécimes eram diferentes. E que ela era bonita, mesmo crescendo devagarinho. O terceiro segredo é o antioxidante da autoestima. Rejuvenesce o ser. Você é, quem é, simples assim. E, se tiver que mudar para ser aceito, se tiver que renunciar a você mesmo e seus mais preciosos valores para agradar, morrerá um pouco todos os dias.

Quarto Segredo – Minha menina árvore tomou um gole de água e contou-me o quarto segredo. “Feche as covas”. Não entendi na hora. Como assim Deysy? Feche as covas, as coisas que foram ficando mal resolvidas na sua vida, na sua história. As feridas abertas, os traumas, as culpas. Os desamores que foi sofrendo, as pisadas de bola que sofreu ou fez. Feche as covas. Enterre-as. Faça as pazes com sua história. Com seu passado. Aprenda fechar covas, janelas ou virar páginas, mas aprenda. Aprenda a sair da posição de vítima: das pessoas, das circunstâncias ou de você mesmo.

Quinto Segredo – Mesmo doente aparente estar bem. Deysy, agora tu me pegou, como assim? Finja sua existência quando cansado, desanimado, fraco e adoecido. Bote sua melhor roupa, e solte o seu mais sonoro bom dia, abra o seu melhor sorriso. Tudo passará a conspirar para sua cura. A esperança de dias melhores atua como uma lufada de ar, matando os ácaros que teimam em habitar seu coração sem luz. Todos os dias repita: hoje estou melhor do que ontem, e amanhã será melhor do que hoje. Agora, quem foi tomar água fui eu. Deysy me pegou de jeito, que sabedoria!

Sexto Segredo – Esteja atento. Preste atenção ao bom, belo e virtuoso que acontece nas beiradas de teu viver. Como? Esteja presente, inteiro e conectado. Aprenda a perceber seletivamente o lado bom da vida. Aprenda a identificar as fadas madrinhas, os anjos de luz, os pirilampos de amor que cruzam teu viver diariamente. Eles estão lá, você é que perdeu a capacidade de enxergá-los, pois desde as cavernas aprendeu a selecionar os estímulos negativos, como forma de manter-se vivo ao se defender. Sei que tem horas que tu viverás situações de luta, de selva, situações limites e de estresse máximo. Contudo, cuidado para não passar a habitar nessas situações por toda a vida. Elas também passarão. Têm seres na natureza que de tanto conviverem com o negativo desaprendem a ver o positivo. Como se tudo fosse uma única cena, sem outros atos. Desconsiderando as sutis diferenças nas realidades, ou o contraditório.

Sétimo Segredo – Converta suas maldições em bênçãos. Como assim Deysy? Numa mesma realidade há as duas cenas. Imagine que eu diga que você me plantou perto demais da divisa dos lotes, expondo-lhe a perigos futuros. Eu passaria os trinta anos te maldizendo, e procurando razões para ser infeliz. Agora, imagine que eu nutra em mim a atitude, comportamento e postura de ver o lado bênção da vida. Quando o pensamento de que você me plantou perto da divisa do lotes chegar, eu o repreendo. No lugar eu degusto a satisfação em ser a primeira das árvores de tua casa a t ver chegando do trabalho. Degusto a satisfação de ter sido plantada, quando antas de minhas amigas de viveiros nunca são compradas e presenteadas, como teu amigo Maurício o fez. Imagino a alegria de JG, amarrando uma corda na minha copa e descendo pela varanda de seu quarto por sobre mim, o que só daria para acontecer nessa posição que você me plantou.


Entende-me Ricardim? O negativo, o fato de que o vizinho pode não gostar de minha copa alta, e me agredir, ainda existe. Apenas, escolhi não focar nele, e priorizar coisas boas que também estão presentes. O problema é que vamos nos educando para filtrar apenas o ruim, ficando excessivamente críticos e negativos com tudo que nos acontece. Aí, nem 30 anos serão suficientes para sermos felizes. Estaremos sempre com gosto de guarda-chuva na boca. Ou remoendo, ruminando sentimentos tristes. Sempre numa espera mórbida: pelo melhor trabalho; pelo namorado(a) ideal, pelo chefe bom, pelo passeio dos sonhos. E, enquanto esperamos a parte bênção da vida vai fluindo de nosso ser. Vamos perdendo a capacidade de nos encantar com o sabor do vinho que tomamos, apenas por ele ter sido servido num copo de extrato de tomate. Foca-se no alvo e esquece que a felicidade é o caminho até ele. Foca-se no copo, perde-se de ver a essência. E, nada de partir antes dos meus 30 anos de árvore. Te aguardo para descermos juntos, da varando do JG, numa tirolesa, até meu tronco.  Aprenda a viver o agora; liberte-se da força negativa, reclamona e rabugenta. Saia do modo: “Se...”, ou  “Quando...”.  Aprecie o agora, com suas limitações, mas também com um cem número de oportunidade que – cego pelas preocupações e percepção seletiva, do que está em falta, acaba por não ver mais. Aprende a não valorizar e cultivar felicidades pequenas, instantes mágicos. Os olhos opacos da indiferença podem ferir sua visão a tudo que de belo, bom e virtuoso ainda acontece ao teu redor. E, você vai murchando, lentamente.

Não divida...

Não divido meu grupo de amigos entre quem vota em D e quem vota em A.
Não divido meu grupo de amigos entre quem é remediado e quem é pobre.
Não divido meu grupo de amigos entre quem é católico e quem não é.
Não divido meu grupo de amigos entre quem é do Nordeste e quem não é.
Não divido meu grupo de amigos entre quem é branco e quem não é.
Não divido meu grupo de amigos entre casados e solteiros.
Não divido meu grupo de amigos entre quem gosta de forró e os de funk.
Não divido meu grupo de amigos entre homens e mulheres.
Não divido meu grupo de amigos entre quem é gestor e quem não é.
Não divido meu grupo de amigo entre quem é Palestino e os de Israel.
Não divido meu grupo de amigos entre os hetero e os homossexuais.
Não divido meu grupo de amigos entre quem torce pelo fluminense e os...


Não divido... aprendi a conviver com diferenças, reais ou imaginárias, e num tecido complexo, me vejo numa mesma trama, sendo eu mesmo, aceitando diferentes vistas de um ponto, que é quem faz a beleza do tecido social de povos desenvolvidos.

Navego pela feed de notícias do FB e fico abismado com tamanha agressividade. Não, não sou desse mundo.
Se para ser desse mundo é preciso excluir, bloquear, xingar amigos e familiares por suas opções, não, não sou desse mundo.
Um mundo no qual torcidas de futebol não podem voltar em paz após um jogo; eleitores não podem manifestar suas intenções, sem receberem uma saraivada de xingamentos; religiões mais brigam entre si do que pelo Reino; No qual a opção sexual não é respeitada, no qual o preconceito se disfarça em brincadeiras, em nada sutis insinuações.

Não, não sou desse mundo!

Mas, enquanto por aqui, livra-me Senhor de todas as Faixas de Gaza Emocionais!

Florescer ou murchar, a opção é só sua, acredite!

Hoje minhas meninas pediram-me que eu escrevesse um pouco mais sobre uma preleção que fiz pela manhã. Falei que nosso modelo mental tem dois fluxos de processamento das experiências que enfrentamos no dia a dia. Um deles é o fluxo instintual, apreendido ao longo dos anos. É uma forma rápida de reagir e se defender. Não pede muita reflexão. É pá, puf!.

Essa forma de processamento vai sendo moldada em nosso viver, sendo permanentemente reforçada e atualizada em sua concepção.
Imagine uma pessoa que na infância não podia falar quando à mesa de seus pais. Que ao primeiro balbucio recebia um: "cala boca rapaz".
No modo de processamento instintual, sempre que essa experiência for revisitada, noutros papéis vida afora, ele reagirá como fez na adolescência: ou seja calará. Calar é o padrão de reação aprendido e apreendido.

A única forma de evitar que os padrões infelizes sejam apreendidos é a consciência crítica, ou seja, a cognição, o conhecimento, a autonomia do ser.

Imagine que você sofreu um grande aborrecimento de seu cônjuge. Pensemos num extremo, no dia do seu aniversário ele esqueceu.

Essa vivência ou experiência de desamor poderá seguir os fluxos I ou II, sendo o II o lógico.

Se seguir o fluxo I, você reagirá da mesma forma como reagiu em experiências anteriores, na vezes que não se sentiu considerado (a) pelo amado (a). E tome patada!

No fluxo II há uma outra possibilidade. Você pode intervir nos seus pensamentos e remodelá-los pela razão, ou cognição como nós psicólogos gostamos de chamar. Como assim Ricardim?

Deixa eu te falar, nós temos um monte de coisas, gatilhos, prontos a ativarem nossa reação e o processamento instintual. Vamos virando animais. Brutos.

A única forma de não continuar a alimentar esse repositório de reações são os pensamentos. Os mesmos pensamentos que poderão te levar para uma reação descabida, são eles que poderão te levar para o fluxo de processamento racional.

Voltemos ao exemplo. Quando o pensamento de que você não é amado suficientemente chegar, por causa do esquecimento de seu dia de aniversário, você pode repreendê-lo e inserir uma dúvida no mesmo: como você não é amada é amado(a) se no dia anterior você ele(a) passou a noite planejando suas próximas férias?

Uma outra forma potente de lutar contra pensamentos tristes é a colocação no seu lugar de pensamentos alegres.

Tá bom, ele (a) esqueceu o seu aniversário mas o pessoal do setor fez festa. Ou você ligou para ele(a) e cantou parabéns para si mesmo com humor e deixou o(a) outro(a) sem jeito.

Se você não pode mudar uma experiência acontecida, ou uma vivência de dor, você pode mudar a si mesmo. a forma como permite que os pensamentos sobre ela aflijam você, ativando o fluxo do sofrer:
- Emoções: raiva, mágoa, tristeza, inveja, frustração, nojo, etc;
- Atitude: procrastinação, tibieza, apatia, perda da vitalidade, desconfiança;
- Comportamento: tirar satisfação; hostilizar; agredir; se vingar;
- Padrão Apreendido: Toda vez que se sentir desamado: apunhalar!

Qual o perigo dos pensamentos sobre o que não deu certo virarem prioritários em seu dia?

Eles ativam o modo automático, o processamento instintual, já que geram um dos condicionamentos mais letais que existem, o condicionamento operante, o mesmo que animais de circo são treinados. Um dos livros da bibliografia da psicologia positiva que recém adquiri e que venho dedicando muito estudo chama-se A Inutilidade do Sofrimento, autora portuguesa chamada de Maria Jesus Alava Reyes. Trata-se de uma obra brilhante. Afinal, os maiores centros de produção de pesquisa e publicação de conteúdos em psicologia positiva estão hoje em Portugal e nos EUA.

Reyes tem uma linha de tratamento para depressão, com 10 anos de resultados cientificamente documentados, baseado na teoria do pensamento. Ou terapia cognitiva.

Ela defende, e eu endosso, que a úncia forma de não alimentarmos o inconsciente instintual é debatermos com nossos próprios pensamentos.

Longe de ser uma terapia de auto-ajuda, trata-se de uma terapia que privilegia a autonomia do ser e suas escolhas.

O foco para o bem-estar passa por um combate aos pensamentos que teimam em poluir e empestar nosso ser, sobre tudo que não deu certo ao longo de nosso dia, mês, vida.

Esse pensamentos negativos acabam por gerarem reações aprendidas ao longo de nosso viver, nos colocando sempre em posições defensivas, ou de vítima. tome cortisol e adrenalina.

E, ao longo de nosso história vamos ficando ressentidos, resignados, rabugentos e descrentes de tudo e todos. Ou seja, chatos.

Para combater pensamentos negativos, ruins, só com pensamentos que o anulem e sobre eles cresçam: os bons.

Ontem, comecei o dia recebendo um presente de um amigo, frutos da cagaita.
Ontem, terminei o dia recebendo uma chamada de meu chefe por ter feito algo indevido.

Vamos ao exercício. O pensamento da chamada chega e me atordoa.
Fico sem chateado. Pergunto-me, posso voltar a cena e corrigir o fato? Não.
Pergunto-me, farei errado novamente? Não.
Aprendi e cresci com o fato? Sim.
Posso alterar rotas e cursos de ação, minimizar os danos causados? Não.
Então, não posso levar esse sofrer para o mês que vem. Preciso fechar as janelas dele.
Após essa reflexão, ativo o pensamento antídoto: o dia foi legal, ganhei cagaitas, e elas são deliciosas.

Agora convivem na minha psique o - e o +. Ou seja, anulo a força do negativo e não deixo que ele pegue o beco para uma relação instintual que tive vida afora, quando era menos preparado para lidar com situações do tipo.

Esse pensamento negativo tem o mesmo poder de um disco arranhando, ele fica remoendo, remoendo, remoendo. E você tem que ficar atento, para a cada remoer, lançar o outro. Repreender o negativo.
Mandá-lo calar a boca.

Será que você me entende?

Qual o segredo do bem-estar de pessoas com as quais cruzamos vida afora, mesmo em piores condições sócio-econômicas que as nossas?

Os pensamentos que elas deixam habitar em seu ser, e deles produzir emoções, atitudes, comportamentos e moldarem novos padrões do ser.

Eduquem seus filhos para valorizarem as coisas boas, e agirem sobre as não tão boas. Celebrarem e degustarem o bom, eternizando-o.

Eduquem-se para selecionar coisas boas, bênçãos, dádivas, pequenos milagres que vão acontecendo durante o dia, usando esses pensamentos para contrabalançar ao que de ruim aconteceu.

Esse é o algoritmo do bem-estar.

Que pode ser resumido num acrônimo: SEERR.

- Sentido (o norte de nossa vida, nossos valores, senso de missão)
- Emoções Positivas (alegria, gratidão, doação, bondade, esperança, etc...)
- Engajamento (envolver-se com algo que ao fazer o tempo para)
- Realizações (abrir o baú de nosso viver e celebrar o que fomos e somos)
- Relacionamentos Significativos (vincular-se ao afeto e amigos de fé)

O SEERR opera nos pensamentos, remodula nossa postura diante da vida e nos faz viçosos e animados para enfrentar a realidade: com a coragem de sobreviventes!

Por isso, alimente seu coração com coisas boas, pensamentos bons, um olhar sobre a vida que por ela valha a pena viver.

Isso fará toda a diferença quando estiver diante de uma dor insuportável.
Eu te digo, pois já vivi, e sobrevivi.

Pare de ficar resmungando sobre tudo e todos. Isso não te fará bem.
Pare de ficar só procurando o que te faz infeliz, como quem procura defeito em carro velho. Vai achar. Ahh se vai!

No algoritmo do florescer, aprender substituir os pensamentos ruminantes de dor, luto, mágoa ou culpa é uma questão de vida ou morte.

Pense nisso!

Cartas ao JG - Busque Flores

Querido filho, quando você for maior programe o GPS do seu carro para as coordenadas: Latitude 15 44\`32.9´´ S Longitude 47 52\`51.8´´W e siga pra lá nos meses de setembro ou outubro. Seja paciente. A qualquer momento um espetáculo da natureza acontecerá.

Trata-se de uma árvore rara por essas bandas, que vive enroscada numa outra enorme. Ela tem nome científico de MACFADYENA UNGUIS CATI.

É uma trepadeira que chama muita atenção por suas lindíssimas flores amarelas e perfumadas. Originária do México até a Argentina, tem o nome comum de unha-de-gato devido ao seu hábito de agarrar-se as coisas.

Hoje o dia estava difícil no trabalho. Daqueles dias pesados, com pendências aflorando aos borbotões e muitos leões pra matar (termo que usamos para desafios a vencer).

Na equipe que papai gerencia, um desfalque de 40% de pessoal. Além disso, estávamos lançado processo seletivo para o RJ e SP e sempre os momentos que o antecedem são tensos.

De onde papai trabalha, na Diretoria de Tecnologia do BB, para essas Coordenadas são 3 Km. Perto do almoço, chamei meus funcionários para despacharmos em trânsito. Eles não entenderam nada.

Disse-lhes: "Vamos ali, em 15 minutos voltaremos." Os levei para verem essa árvore trepadeira e seus cachos amarelos.

Alguns travaram a voz.

Outros ficaram sem reação.

Falei para eles que temos que ter espaço para a poesia, dentro do caos do dia a dia, e mesmo diante das maiores dificuldades, encontrar momentos para silenciar e contemplar o belo.

Isto nos tornará melhores e mais fecundos.

No caminho de volta, todos estavam silenciosos, a experiência os tocou profundamente.

Durante o resto do expediente o astral era outro, algo tinha acontecido, eles estavam renovados e cheios de ideias e forças para enfrentarem os desafios. Aquelas flores, e a parada contemplativa, os energizaram.

Encontre seu infinito particular. Um lugar para onde possa ir contemplar a vida. Louvar ao Criador e se unir ao Cosmos, em sua beleza estonteante.

Temos fome de pão e de beleza, precisamos de utopias, de sonhos, de fantasias, de dança, de música, de aromas.

Descobri mais tarde que essa planta tem valor medicinal como afrodisíaco, depurativo (limpar o sangue) e digestivo (colesterol).

Agora entendi o porquê voltamos melhores para a labuta.

Precisamos de afrodisíacos para continuar encontrando a tesão pela vida e o viver. a vida que vale a pena por ela ser vivida, a vida pela qual trabalhamos, estudamos, namoramos, brincamos e lutamos.

Não se perca dos afrodisíacos. Tenha-lhes sempre por perto. Vai ter dias em seu viver que você vai se sentir um bola murcha. Sem pique, gás, cansado, descrente, impotente, apático. Ou seja, um já morreu, um sem futuro. Aí, nesses dias, tome um chá das flores amarelas, caso encontre.

Caso não as encontre leia os Evangelhos e os Salmos. São maravilhosos estimulantes.

Outra maneira de "afrodisicar" tua vida é ajudar alguém. Nos dias que papai mais cansado fica, paradoxalmente, são os dias que mais potente e cheio de tesão pela vida ele volta pra casa. é que consegui ser útil e servi à alguém.

Outro elemento que essa planta possui tem efeito depurativo: "limpa o sangue". Não deixe seu sangue sujar com as mazelas da vida. Preserve o que você tem de mais sagrado, sua chama de viver. Não entupa seu sangue de toxinas emocionais, de tudo que não presta. Não tome transfusões de ódio, inveja, mágoas, culpas. Deixe-as do lado da cabeceira. No máximo, processe as mesmas no seu estômago. Mas, repito-lhe, não deixe que entrem no seu sangue. Purifique-se das impurezas com as quais irá cruzar e conviver. Para isso, chore, chorar é bom, lava. Conversar e orar são purificadores naturais. Cantar e dançar, praticar uma corridinha, um esporte, idem. Encontrar um tempinho antes de dormir e rezar, fazer uma revisão de vida melhora a circulação sanguínea emocional e purifica o coração. Senão achar as cascas dessa planta para se purificar, encontre a você mesmo. Como? Exercitando o autoconhecimento e o "Semancol". Pra que continuar a sentir ódio, culpa ou mágoa após o acontecido? Para que levar para tua cama todas as coisas que deram errado durante o dia. Deixe-as na cabeceira. Amanhã, você cuidará delas, se for o caso. Algumas delas, esqueça. Nada que fará vai alterar o dito, agido, sentido. Altere-se a si mesmo, caso não possa voltar a fita e mudá-las, ou resolvê-las mais adiante. Aprenda com elas, mas não fique escravo delas. São toxinas, vão te matando aos poucos.

Por último, essa planta ajuda a combater o colesterol ruim, diminui as gorduras que absorvermos. Quanta coisa vamos acumulando que só nos pesam a caminhada, pense nisso!. São as gorduras desnecessárias. Uma das maiores gorduras que vai ter que enfrentar é o consumismo, o materialismo. Pessoas que ficam escravas do ter, das coisas. Da moda, da vaidade, do poder. Precisam comprar para existirem.  E, a cada acúmulo, outros se sucederão, numa espiral doentia. Contudo, nunca  estarão satisfeitas. Ficam viciadas nas gorduras do ter, então, cuidado com o colesterol das posses. Tenha um estilo de vida simples. Adequado ao seu padrão. Cuidado, mais uma vez, com a gordura das posses.
Coisas que vamos incorporando ao nosso jeito de ser e que nos torna ofegantes, lerdos, gordos emocionais, que dificultam nossa mudança de trajetória, ou nosso repensar de atitudes. As gorduras entopem os vasos do coração, comprometem a oxigenação dos tecidos. Na nossa vida, represento-lhes pela ganância, pela ambição sem medidas, pela inveja, pela falta de generosidade, afeto e paz. Sabe qual é o maior dissolvedor de gorduras emocionais? O perdão. Sabe qual alimento tem menos gorduras interiores; a esperança. Não se perca da esperança. Não adie uma razão para recomeçar, voltar atrás, dialogar e perdoar. Pessoas vão pisar na bola para contigo, não as guarde no coração como triglicérides, em safenas debilitadas. Processe o luto do que não foi legal. Dissolva ódios, destile impurezas e seja feliz. Carregando menos pesos, menos outros reais ou imaginários que se juntarão a ti para te oprimir, sufocar e entupir as veias de teu viver. Liberte-se de tudo que te faz mal e te oprime. Aquilo que te engordará, mas que não te fará crescer.

Será que um dia me entenderá? Busque as flores, elas te ensinarão.

Eu Professor

Sou professor com muito orgulho. 
Não conheço outro ofício que mais me realize. 
Agora, o bacana é nos chamarem de educadores. 
Que seja.
Nunca fui o professor que o termo educador deseduca chamar. Assim, para mim tanto faz.
É que nunca me vi professando nada a uma pessoa considerada sem luz própria, ou seja, um A-Luno (sem luz)
A sala de aula transforma corações e mentes. 
Liberta, planta autonomias, respira mudanças. 

Desde o jovem Aristocles, que foi guiado no aprendizado por um professor perguntador, a educação mostrou o quão longe pode subverter realidades e corações. 
O que eles tinham em comum, o mestre e o aprendiz? 
O gosto pelas descobertas, a cada pergunta geradora proferida. Aristocles era Platão, seu mestre Sócrates. 

Creio que educar é provocar o sabor pelo objeto do conhecimento. E, juntos contemplá-lo, numa postura de humildade e sinergia. Exige amorosidade, temperatura afetiva sem a qual o ato pedagógico fica sem vibração cognitiva. 
Exige tesão pelo conteúdo, e, sobretudo,
fazer conexões do mesmo com a realidade, problematizando-a.
Exige paciência e respeito por diferentes ritmos e contribuições.
Exige empatia e comprometimento com os processos de ensino e aprendizagem.
A sala de aula pode ser um fecundo espaço de descobertas, 
de "despreconceituamentos", de politização e consciência crítica. Pode ser emancipadora.

A educação não é uma panaceia salvífica. 
Não resolve sozinha, nada. 
Mas, suscita condições para que o novo seja parido, e o velho, naquilo que amordaça, seja veementemente negado. 

Comecei a lecionar aos 16 anos. 

Desde então, sempre me vi como educador, formal ou informal. Nas salas de aula, ou nas catequeses das paróquias, ou nas estações de trabalho, ou ainda melhor, nas mesas de bares. 

Os autores que mais me marcaram foram Rubem Alves, Paulo Freire, Leonardo Boff, Monteiro Lobato e Edgan Morin. Mas, foram as pessoas que me educaram, as que de fato deixaram marcas em mim, esculpindo em minha rocha tosca e bruta, um educador melhor. A elas agradeço nessa noite!

Eu 50

Vou aproximando-me dos 50 anos, como quem adentra um templo sagrado: esperançoso, reverencioso e cheio de coisas a conversar com o Alto. E com nada a pedir, só muito o que agradecer.
Hoje gostaria de sentar-me ao lado Dele e ver as fitas de meus melhores momentos. Iríamos dar boas risadas.
As fitas dos momentos não legais, mofaram num canto de meu coração, não estão mais acessíveis.
Na retrospectiva ao lado Dele, começaria vendo a reação de minha mãe por eu ter chegado atrasado no Centenário de minha cidade - Campina Grande-PB. Era um 11/10/64, se eu nascesse naquele dia minha mãe ganharia uma cesta com fraldas, chupetas e outras "ferramentas" pra cuidar de um nenê. Traquino como já era, deixei para nascer dia 13/10. Logo, minha mãe foi buscar a consolação, pelas fraldas perdidas, (rs), na fé. Afinal, dia 13 era o dia da aparição de Nossa Senhora de Fátima.
E assim minha vida foi acontecendo. Nem sempre tive esse sorriso largo. Nem sempre tive essa preocupação ansiosa. Mas, sempre acreditei que o melhor sempre viria. A maior bênção que recebi Dele foi a de me tornar um ser de acreditações positivas. Agora teclo embaixo de uma árvore do Cerrado, escuto o som de pássaros e de crianças correndo atrás de uma bola, entre elas meu quarto filho, o JG, de cinco anos. O vento voltou a somprar no Planalto Central de meu Brasil. Hoje sopra forte também nos vales de meu coração, fecundando-os. Sinto o amor. Vejo o amor. Meus olhos fotografam o belo. Dão cliques imaginários, nas borboletas, brotos, flores, pessoas, nuvens. Tudo vou enquadrando nas lentes de meu viver. Tornei-me olhar, escuta. Aqui, sentando numa pedra, contemplo um tapete de folhas que ao morrerem produzem vida. Sinto a paz. Uma Sabiá encantada chega perto de mim. Vem saltitando pelas folhas. Atraio pássaros. Ou penso que sim. As cigarras anunciam chuvas serôdias, ardentemente desejadas pelas raízes retorcidas. Essa data que se aproxima pede um balanço. Pede retrospectivas.
Nesses 50 caminhados, nunca fui mais longe do que Buenos Aires, numa promoção que ganhei por um conto que escrevi: "A telefonista do 102."
Não aprendi inglês suficiente pra falar bonito.
Deixei pra depois aprender a dançar, e dancei.
Tenho um monte de livros que nem sei se lerei um dia, mas tê-los conforta-me.
A sábia Sabiá revira folhas procurando insetos. Ela deve ser mãe, e ter um ninho com jovens rebentos esperando o lanche da manhã. Escuto formigas brincando de passa passa umas com as outras.
Tenho um monte de coisas que não farei mais. Que deixei pra trás e desapeguei.
Não farei mais RPG. Não sei respirar direito e a moça é brava.
O parquinho do balanço tem o nome da menina que faleceu. Balancei o balanço, ele balançou por minutos. Pode ter sido, pode não ter sido. Que importa. Elevo minhas preces para a pequena Luíza, que ela esteja com Ele.
Por que esse tema invade minhas divagações? Porque esse sou eu, um zigue zague de pensamentos, e não me peçam para que eu fique muito tempo sentado.
E, por onde andei nos 50 passos que já dei? Siglas e nomes: moldaram em mim a pessoa que aqui chega. Sem o que esses passos não teriam tido sentido, emoção e prazer algum:
PAIS, IRMÃOS, FILHOS, AMADAS, AMADA, FAMÍLIA, AMIGOS, ENCONTRO CASAIS COM CRISTO, GAV, JORENAC, EJC, CRISMA, DAMAS, RUA ANTENOR NAVARRO 321, BANORTE, POÇÕES, REMÍGIO, PARÓQUIA DO ROSÁRIO, CRISMA, CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO, COMUNIDADE METODISTA JARDIM BOTÂNICO, AMOBB, FEIRANTES DE SÃO SEBASTIÃO, CAMPINA GRANDE, JOÃO PESSOA, BRASÍLIA, SESI, NATAÇÃO, AABB POÇÕES, MOTO, HCB, SOBRE A VIDA E O VIVER, APANHADORES DE POSSIBILIDADES NOS CAMPOS DO INFINITO, DIPES, CONTROLADORIA, VAREJO, CAIEX, AQUIDABÃ, JUAZEIRINHO, SERRA NEGRA DO NORTE, SEMENTES DO AMANHÃ, CAPITAL HUMANO, DITEC, GOVERNANÇA DE TI, OTIMISTAS, PROGRID, PJ, IBMEC, UNIP, UEPB, UNB, USP, BB, INFRAERO, METODISTA, CATÓLICO... , NIKON, BODE COM FARINHA, BONITAO DAS TAPIOCAS, SERTÃO, MAR e CERRADO.

Negue

Meu filho, você nasceu no DF, na maternidade do hospital Santa Lúcia. Tenha orgulho de ser Brasiliense. 
Eu nasci em Campina Grande-PB, tenho orgulho dela.
Quando puder, vá visitar a terra de seu pai. 
Sua mãe, nasceu em Pirajuí-SP, migrando para Londrina-PR aos 6 anos.
Ela adotou o Paraná como sua casa e se diz paranaense. 
Só aqui, você já tem quatro estados de referência: DF; PR. SP e PB. Seus três irmãos, de meu primeiro casamento, são filhos de uma Recifense, pernambucana da gema, agora. junta-se à tua história, mais um estado o PE.
Na bandeira da Paraíba tem a expressão NEGO. 
É nego, do verbo negar. Na década de trinta, o então Presidente da Unidade da Federação Paraíba aliou-se ao Presidente da Unidade da Federação Rio Grande do Sul, o Getúlio Vargas, e negou que o próximo presidente do Brasil deveria continuar a vir dos estados de SP e MG, chamada à época de República Café com Leite. 
O nome dele era João Pessoa, e foi brutalmente assassinado, meses depois, na cidade do Recife. Por isso, o preto da bandeira de meu estado: o luto pela morte de João Pessoa, e o vermelho, pelo seu sangue derramado.
Ame sua terra, o DF, mas não seja besta. Há lugares e pessoas boas em todo o Brasil. conheço 26, de seus 27 Estados e Territórios. E, te digo, nosso país é lindo. E, o mais lindo, são suas pessoas.
Nós, paraibanos, somos o povo do NEGO.
Teu pai, é um pai do NEGO.
Nego que o papel da mulher seja atrás de um fogão. Nego que o homem possa bater numa mulher. Nego que homem não chora. Nego que pais não possam cuidar, brincar e amar seus filhos. Nego que não podemos dividir as tarefas domésticas.
Nego que uns possam ter acesso à educação e saúde, e outros não. Nego que o suborno seja norma para resolver pendências com o Estado. Nego o preconceito de qualquer forma e estilo. 
Nego que existam raças melhores do que outras. Nego, veementemente, qualquer tentativa de tornar os habitantes de Estados brasileiros, num bloco monolítico, de preconceitos de qualquer espécie. 
Nego que aja solução melhor do que o voto, para tornar nosso país melhor.
Eu nego!
Aprenda a negar. 
Negar num ambiente de mediocridade crescente é muito importante. Quando todo mundo estiver metendo o pau numa determinada ação, procure sua própria essência, sua própria reflexão, e, se for preciso, negue!
Cuidado com os extremos. Procure o centro. A humanidade está ficando mais reacionária, quando você vir a ler esse post a coisa deverá tá mais aguda ainda. Assim, aprenda a negar.
Negue o lugar comum. Você pode fazer seu jeito de ser diferente. Cuidado com o pensamento das massas. 
Cuidado.
Cuidado com toda crença extrema, com toda forma de convencimento que oprime, exclui e aliena. Cuidado com dogmas e verdades sagradas.
Cuidado com conceitos de quem nunca viveu o que prega, ou nunca experimentou o que diz que saboreia. Cuidado.
Negue. Negue o lugar comum. Negue as ideologias-ismos, ou istas, de qualquer tipo.
Ache suas próprias convicções. Leia, estude, ame a história, mas não seja besta. Aprenda a conviver com pessoas de outras tribos, pensares, agires.
Não. Ninguém sabe de nada.
O que realmente importa? Quem poderá dizer? Eu te digo: NEGUE!
Negue o desamor. Negue a falta de perdão, a falta de afeto. Negue a ausência de ternura, de justiça, de compaixão, de gratidão, de generosidade, de gentileza.
Ouse ser diferente, seja você mesmo e negue tudo que ofender tua dignidade, e não fizer sentido ao teu mundo de valores, mesmo que tenha um alto preço a pagar. Mas, repito, negue! E serás feliz, como sou.

Desfaça as malas!

Uma história de amor tão bela,
que vi no filme os 
Dois Filhos de Francisco,
por que precisa seguir esta 
trajetória de mágoas e ódios recíprocos?
Tá cheio de reportagens ensinando a separar,
dando valor a quem parte pra outra, ficou até na moda.
Vi outro dia que até festa de descasamento já existe.
Mas, amor mesmo pede paciência, 
pede recomeços,
perdão, aceitação, renúncias, 
pede reabrir o baú
de bons momentos vividos, 
revivê-los e ousar reinvestir afeto na relação.
Relações a dois parecem que viraram games,
é só trocar de fases, 
ou pegar dicas pra ganhar vidas
 - noutras personas, 
sem precisar se comprometer um com o outro.
Deixa-se de um admirar o outro,
e se morre por inanição.
Todos os dias desfaço minhas malas 
que teimam em querer partir.
Têm muitos casais que estão 
sempre de malas prontas, 
um para com o outro, malas emocionais.
Que se vive numa ansiedade a dois, 
prontos a explodirem.
Malas prontas, tal qual quem chega 
num destino por um curtíssimo
espaço de tempo, 
e que não compensará desfazer as malas no hotel.
Digo-lhe, desfaça as malas de sua relação a dois.
Lute por ela. 
Todos os dias desfaço as minhas.
Por isso, vibro com pessoas queridas que sei que estão nesse momento desfazendo as suas e acreditando em mais um recomeço.
E, se não der certo, pelo menos saberá que lutou o quanto pode para que o outro não fosse tido como um descartável, tal qual se faz com os brinquedos de infância, ao crescer.

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