Cartas ao JG - Não esqueça de se lembrar.




Sabe filho, hoje você está estudando a noção de tempo. Sua mãe toma-lhe a lição para a prova de história, do Segundo Fundamental que será amanhã.
Você passa aperto com ela, tendo dificuldades de acertar quando algo que dizemos é passado, presente ou futuro.
"JG, você vai ganhar uma bicicleta quando fizer 7 anos, qual o tempo?
- Presente!
Que presente menino, ralha sua mãe. E eu fico rindo sozinho da sala de TV. Mas que é presente é.
"JG, você foi a praia em janeiro. Qual o tempo?"
- Futuro!
Que futuro menino! enlouquece tua mãe.
Ahh! Meu filho, o tempo passado é tão difícil.
Como nos ensina, e como nos esquecemos dele.
Uma das coisas que mais sinto falta é de minha memória. Se eu soubesse que iria perder, boa parte dela, eu guardaria mais coisas para ao vê-las facilitar o acesso a ela.
Guardaria minha história.
Recolheria alguns brinquedos de teus irmãos, engarrafaria o aroma de minha rua, e tiraria mais fotos, mesmo sendo caro à época, escondendo-as como quem esconde tesouros. Gravaria num velho toca-cassete as risadas de minha mãe, ou as broncas de Nininha nos chamando para tomar banho.
Anotaria o telefone ou endereço de meus vizinhos, amigos, alunos... E os perfumes de mulher... Colocaria em vidrinhos.
Não jogaria fora nenhum bilhete de amor, nem carta de bem-me-quer. Só as contas.
Aprenda a noção de passado. Não para ficar no saudosismo, preso a ele. Mas para poder ser grato ao que passou, sem viver num eterno: "Serei feliz quando, Serei melhor quando...Serei maior quando".
Você nunca será feliz usando a palavra “quando”. Será feliz usando a palavra, “agora”.
O que passou pode ser guardado, em seus bons momentos, nas retinas de nosso coração.
O que não foi tão bom, paciência, o tempo encarregar-se-á de dissolver com o solvente da indiferença.
Mas, repito-lhe, faça compotas emocionais das coisas boas que está vivendo, pois amanhã será passado, e rememorá-las vai te fazer bem. Te dar ânimo.
Hoje tive acesso a um banco de memórias. E vibrei. Até chorei mansinho, teu pai anda emotivo.
Quando minhas memórias eclodem, em borbotões, fico muito emocionado.
E foi de uma forma tão inocente. Alguém mandou no WhatsApp uma foto antiga de propaganda de um remédio, do tipo cura tudo. Entrei no site, por curiosidade, e achei minha primeira radiola. E chorei.
Teu pai casou aos 21 e de maneira muito rápida. Da notícia que minha namorada estava grávida, para o casamento, foram 10 dias.
Meus pais não deixaram faltar nada. Montaram casa, com tudo novinho. Gastaram até o último cifrão de suas poupanças operárias , e compraram até o berço de teu irmão mais velho, o Tiago, hoje com 30 anos.
Os primeiros meses foram tão difíceis. Desempregado, eles me davam o dinheirinho para feira semanal, para que eu não me sentisse humilhado, em ter que almoçar na casa deles, ou de meus sogros.
Aquele dinheiro contado foi ouro. Comprava tudo que estava na promoção, inclusive fígado bovino. Nunca comi tanto fígado na vida.
Seis meses depois, consegui meu primeiro emprego como homem casado. Era no Banco Nacional do Norte – Banorte. Lembro que quando recebi o primeiro salário saí caminhando feliz da vida, pela rua Marques do Herval ,e passei em frente a uma loja de móveis.
Na porta, tinha uma radiola para vender. Essa Sonata da foto. Foi amor à primeira vista. Numa casa precisamos de música. Ainda sobrou uma pequena quantia e resolvi presentear minha esposa com um conjunto de varanda. Quatro cadeiras de madeiras branquinhas, tal qual ripas, e um centro. Pronto estava feito o lar.
Agora tinha música e um conjunto de varanda. Agora tinha vida.
Saí todo orgulhoso. Sentia que eu poderia retomar minha vida, mesmo que sendo comprando uma sonata e um conjunto de cadeiras de varanda.
Lembro-me que apresentei o Contracheque do Banorte, para que eles dividissem, no carnê, em 3 vezes.
Não havia cartão de crédito. E o fato de voltar na loja para pagar o carnê era uma sacada e tanto para que comprássemos mais coisas.
No sábado, chegou a surpresa em casa. Minha ex-mulher, radiante, nem acreditou no que via. Agora ela podia ficar com o JG na varanda, sem ser sentada no chão.
E, eu já sabendo que iria chegar meus primeiros bens, de meu suor, comprei um caro disco do Som Bateu. Discos eram caros. Não era coisa de pobre. Lembro-me como se fosse hoje meu orgulho ao colocá-lo na vitrola Sonata, sentar-me na adeira, com Tiago no colo, e bridar à vida com uma caninha misturada com Coca-Cola e limão.
Saber de onde viemos nos fortalece para melhor enfrentar os tempos presentes, e melhor planejar as jogadas para o tempo futuro.
Por isso, filho meu, aprenda o tempo passado. Não só para a prova. Mas para saber de onde veio, o que te fez feliz, o que em ti possibilitou crescimento, o quanto coisas boas aconteceram contigo para as quais precisa ser eternamente grato e nunca, nunca, mais nunca mesmo esquecê-las.
Não renegue tua história, tua origem, tua jornada. Sempre veja tua vida numa perspectiva de crescimento, mesmo que em alguns momentos você pensará que está voltando para trás.
Digo-lhe, são só alguns passos, logo você voltará a avançar.
Fecho os olhos e vejo Joane, minha primeira esposa, dizendo-me que é hora de desligar a vitrola e vir almoçar na cozinha, que hoje é “galinha à cabidela”.
Desconfiando, pergunto-lhe quem nos visitou, afinal só compro fígado.
Ela, toda faceira, responde que matou uma das galinhas do vizinho: “uma daquelas que pulavam o muro, comiam toda a sua horta e você ficava bravo”.
Isso está no tempo passado, mas que agora, conjugando o verbo recordar, me dá uma alegria tamanha. Nunca comi com tanto medo e prazer uma galinha!
Evoco naquelas cadeira e na Sonata um “Elepê” de Clara Nunes, quase sinto-me sentado nelas e escutando o escuto Tiago balbuciar: “papa”.
Não se perca nunca de você mesmo, não deixe que ninguém apague você do filme de sua vida.
Balu vai partir. Eu partirei. Mas, em nossas memórias – impregnadas em você, sempre poderá nos visitar. Ninguém morre nas boas lembranças que deixou.
E aí nos visitará. E, sempre que estiver com o coração amedrontado lembrará de nós como teus bravos cavaleiros, aqueles que não temiam as noites de escuridão e trovoadas.

Flores do Cerrado, à beira da jornada.


Fernanda faz tapioca, preparando seu café da manhã, cuidando de si mesma. Ela me diz que faço falta. Aline, arruma engradados de plástico de cerveja, cobre-os com uma tábua, e os forra com um pano florido.
Se afasta um pouco, olha para mim e dispara: “É feia, mas arrumada fica bonita”.
E começa a arrumar os pertences de feira-livre: bolo da mandioca, leite fresco tirado na madrugada, engarrafados em pets charmosas, e uns potes de farofa caseira.
Seu pai diz que a mesa vai cair dos engradados, ela fala: “Cadê seu otimismo, pai?”
Comento com sr. Darcy que vou levando pra casa um limão galego que ganhei de Dona Maria, e que ele dará três doses de cachaça.
Ele então abre um saco plástico e pega debaixo de sua banca mais uns 5 e me presenteia.
Volto pra casa e paro pra fotografar as flores do cerrado, esparramadas em cima de uma pequena barreira, no aceiro, á beira do caminho.
A tapioca acompanha-me com seu aroma pelo caminho, aroma de vida, gostinho de esperança.
Você já viu a arte que existe em fazer tapioca?
Gosto de quem sabe fazer tapioca, geralmente pessoas sensíveis e lindas - interiormente falando, pessoas estressadas e más não conseguem fazer tapioca. Essa é minha tese.
As flores de beira de estrada estão magníficas.
Sem trato algum, ali no tórrido solo, sem uma gota de água, há tempos, elas desabrocham esplendorosas.
Volto para casa com cheiro de flor, de afeto de mesas arrumadas e de tapioca.
No ponto de ônibus, vejo um jovem casal com um filho nos seus braços, fazendo uma self antes do passeio domingueiro. Há cheiro de vida por todos os lados. É só prestar atenção.
Quando sua vida estiver estragada num ponto, ou em mais de um, imagine por exemplo sua relação com o trabalho, ou com sua família, ou até com sua pareia afetiva.
Imagine uma situação em sua vida que não esteja legal, que o pesar sobre ela te acompanha até no chuveiro.
Imaginou?
Eu te digo, olhe as flores que restam à beira do caminho. Olhe o casal que faz self. Olhe o limão que Sr. Darcy me oferece. Olhe Fernanda.
Quando estamos nos sentindo com azia emocional, como quem comeu algo e não fez a digestão direito, o sonrissal é olhar a vida que ainda acontece à margem das preocupações e decepções cotidianas.
O problema é que o estresse e aflição turvam a visão. Eliminam sons, cheiros, tons, fantasias e alegrias vadias. O excesso de estresse anula a vida. Contudo, ele na medida certa ele nos faz crescer.
Costumo dizer que pra olhar a vida acontecendo ao lado, a tapioca, o pano de mesa florido da feirante, é preciso uma decisão racional.
A decisão de colocar no foco da vida também o bom, o belo e o virtuoso.
Pois, se focarmos apenas no que está nos fazendo infelizes, vamos murchando.
Fenecendo qual flor de tulipa após comprada no mercado.
Sempre que consigo olhar as beiradas da vida, mesmo com o problemas cotidianos, fico muito feliz.
Foi um árduo aprendizado, nem sempre com notas boas nessa disciplina.
Balu (o labrador) espreguica-se no gramado.
Um cheiro de feijão verde cozinhando invade meu ser. Uma amiga zapeou e disse que tem um evento acontecendo em Brasília que é minha cara.
Papai, tira a camisa e toma a primeira. Aproveitando pra provar o caldo de feijão.
JG, sob protestos, sobe para estudar.
No som xingling, Cartola diz que as rosas exalam o perfume que vem de você.
De você que pela avenida do entorno torna nossa vida melhor, de você amigo, amiga, vizinho, feirante, casal e filho no self...
Você que nos faz, apesar dos pesares, ainda nos sentir amados e gente grade.
Quanto à tapioca, boa mesmo é comida numa rede preguiçosa, com uma amiga e bela presença balançando-a, e ouvindo o disco de Xangai: Qué Qui Tu Tem Canário?
Vamos lá, você que me lê e sente-se triste.
Saia para uma feira livre, um parque, um circo, uma igreja, e leve-se para passear olhando quanta coisa bacana ainda há na vida e no viver.
Quantas pessoas passam apressadas, nervosas e com pensamento em mil problemas e nunca pararam para admirar as belas flores do cerrado?
Bem ali ao seu redor. Pode não resolver os problemas, mas que eleva o coração às coisas do alto, ah! Como eleva. E, quando vamos ao Alto nunca voltamos de lá os mesmos.
Amansamos o coração, acalmamos o agir e acalentamos soluços entrecortados de almas cansadas de si mesma.

Brasil, nunca mais Esmolé!


Uma das cenas que vez ou outra voltam à minha mente, e olhe que meu cérebro é amnésico, é a de batidas de palmas na porta de meu lar, vindas da calçada, quando de minha infância e juventude, uns 35 anos atrás.
Eu escuto aquelas palmas até hoje.
Às palmas, sucedia-se um grito em forma de lamento:
"Ô de casa, uma esmolinha por amor de Deus”.
Nessa hora, mamãe ou Nininha, mandava o moleque que estava mais próximo ir buscar a lata do pedinte.
Àquela época chamávamos eles de "Esmolé".
Eu saia para calçada, e aqueles olhos que se negavam a me olhar entregavam-me uma lata: de doce, de manteiga, de queijo, e, em algumas vezes, até de tinta.
Os menos miseráveis tinha mais de um tipo de lata, nos quais iam separando os alimentos por tipo.
Mas, em muitas vezes, a lata ficava com tudo misturado dentro, mais parecendo um sopão.
Algumas delas já cheirando forte.
Minha mãe, ou Nininha, pacientemente colocavam os restos das refeições ainda aproveitáveis – acomodando-as na lata, ou em sacos plásticos, para não se misturarem ao que ali já continha, caso já viessem com algo.
A lata era tampada, e eu corria para entregá-la novamente.
Alguns desse pedintes traziam seus filhos, de minha idade, e eu ao vê-los ficava mais triste ainda.
Isso era comum nas ruas do bairro da Prata, em Campina Grande-PB, nos idos nos anos 70.
Eles, com o resto de dignidade que ainda tinham, negavam-se a comer na calçada, num prato feito. O objetivo era levar para casa, certamente para alimentar mais alguns e guardar as sobras.
Que grandeza, na miséria!
Aquilo repetia-se todos os dias, e como numa romaria cadenciada, um passava, depois outro... depois.
E, e noite adentro, palmas novamente.
Mamãe ia juntando o que dava para doar e distribuía entre tantas latas.
Mas, o que mais me doía era quando da cozinha lá de casa, ouvia a resposta ao pedido de: “uma esmolinha por amor de Deus”.
- Perdoe, passe outra hora... não tem mais nada.
Em algumas vezes, ouvia após as palmas: "não é ninguém não, é um Esmolé."
Não era assim nominado por maldade, era uma simplicidade em descrever o invisível, o indescritível.
Nunca me conformei com a exclusão daqueles molambos em forma de gente.
Durante toda a minha juventude e “adultescência”, sonhei e lutei para que um dia eu não escutasse mais aquelas palmas.
Décadas depois, esses dias chegaram. Já não escuto, quando visito a casa de meus pais, o lamento: “Uma esmolinha por amor de Deus”.
Espero que esses tempos de trevas que nosso país viveu – de um verdadeiro Apartheid econômico e social - com a falsa promessa de esperar o bolo crescer para depois distribuir, não voltem jamais!

Beijos Pontuados


Eu beijo?
Tu beijas...
Ela beija!
Nós beijamos.
Nas entre-línguas enamoradas, uma vírgula em falta há.
Um beijo virgulado pede pausas, pausa para sentir o beijo do beijado.
Separando orações, beijos virgulados são orantes encontros de seres que se buscam, em construções sintáticas possíveis, de um existir prazeroso de quem se reconhece entre iguais.

Carta ao JG - Não esqueça. Jamais!


O sábado foi corrido em nossa casa. Logo cedo chegaram os pedreiros e os técnicos do ar-condicionado. Fui te deixar no futebol, junto com teu amigo tão bacana o Gustavo.
Vocês estavam animados, iriam jogar juntos e quem sabe recuperar as derrotas de sábado passado.
Depois segui para deixar um dos carros para lavar, e comprar com teu vô material de construção, que sempre faltam, por mais que se planeje.
Depois do almoço a casa ainda estava virada, e tua mãe descabelada, dando uma geral no quarto que acabara de ser reformado e tinha muita poeira. Você com seu fone de ouvido "jogando" pelos vídeos no youtube. Você deve ser o único garoto que joga pelo youtube, joga vendo outros que jogaram e filmaram. Passa horas sentado divertindo-se com os jogos filmados.
Perto das 16hrs vamos deixar Cida em casa, aproveitando para pegar um dos carros que deixei lavando, perto de onde ela mora.
Cida é nossa funcionária, e das boas. Ela cozinha, passa e arruma a casa. Sempre de bom humor e falante. É das minhas. E ainda cuida de Balu, nosso labrador. Seguimos em silêncio até sua casa, eu, papai e ela.
Todos muito cansados do faxinão.
Voltando de lá, em direção ao lava-jato, papai disparou um torpedo. "Cida é muito legal, não faz cara feia por nada, nem no dia de seu aniversário."
Dou uma brecada e pergunto-lhe: "Como assim, papai? Hoje era o aniversário dela?"
Ele me responde que sim. Ela lhe confidenciara logo cedo. E ele esqueceu de me dizer, assoberbado pela supervisão da obra.
Quis voltar na sua casa e abraçá-la, quis comprar flores, quis dar-lhe um presentinho, quis, quis, quis...
Mas não fiz. Temia ser mal interpretado pelo seu marido, ou vizinhos, e engoli em seco.
Filho meu, nunca esqueça de pedir a data de aniversário das pessoas que são importantes em teu viver. Nunca deixe que o dia delas, quando é de seu aniversário, passe em branco.
Sem um abraço, um parabéns, um mimo qualquer.
Nada justifica esse tipo de esquecimento. Eu já deveria ter anotado essa data, falha minha. Não a repita.
Era sobre isso que queria te escrever. Sobre gratidão, sobre se sentir amado, valorizado, reconhecido pelo outro.
Hoje você não pode me acompanhar na feira. Precisava ver quando ali chego. Converso com um, com outro, agora mesmo lembro-me que deixei R$ 6,00 fiado no pastel de Dona Daisy e R$ 15,00 nos ovos de Sr. Darcy. Imagine, comprei-lhes novamente e eles não cobraram. Teu pai passou recibo de veaco, vou me redimir próximo domingo. rsrs
Na feira ganhei um pedaço de bolo de macaxeira, uma talhada de queijo de manteiga, fiz fotos de um casal de feirantes amigos e me diverti com o homem da cobra, ele pula o interior de um anel ceio de facas, entre outras maluquices que faz, um círculo de faca, não vá fazer isso.
Por que conto-lhe essa história. Por que são pessoas amadas e de nenhuma delas tenho a data de aniversário. E olha que já frequento essa feira desde que você nasceu.
Vou passar a incorporar esse hábito e gravar essas datas no meu calendário do gmail.
Já pensou faltar com um abraço em Dona Daisy?
Abrace e reconheça quem te torna melhor, quem te ajuda, quem te considera, quem tu coloca na caixinha de "Amigos".
Não seja indiferente. A vida boa é cultivada de pequenos e vadios gestos de afeto e gratidão. E aqueles de cuidado, de gentileza e atenção para com quem se ama.
Quando lê essa Carta, quem sabe um dia, crie no seu celular - se é que ainda vai existir celular, uma agenda de aniversários de pessoas especiais em teu viver. E, não às esqueça. Jamais!
A vida anda corrida, mas não se perca de você mesmo e dos valores mais preciosos, ao correr pela vida afora.
A vida anda sem tempo, mas não perca tempo com coisas que realmente não importam.
A vida anda descartável, mas não descarte quem te serve, quem te ouve e quem doa a patola de caranguejo para ti.
Sim, anote o dia do aniversário do Gustavo e nunca esqueça de ligar para ele.

Desviando-se de Torpedos Emocionais

Desviando-se de Torpedos Emocionais By Ricardim
Tem uma arte que nos torna menos tristes, não necessariamente mais felizes. Mas, garanto-lhes, menos tristes sim!
É a de se desviar das balas de coisas ruins, a nós dirigidas: seja pela realidade, seja pelos outros, ou de forma mais doentia, atiradas por nós,
contra nós mesmos.
Saber desviar o curso do rio negativo, quando ele vem descendo de morro abaixo, é um aprendizado sempre em desenvolvimento.
Tal aquele filme Matrix, no qual o ator principal, chamado de Neo, desvia-se das balas, de forma acrobática a ele dirigidas.
Essa acrobacia psicológica é muito importante para a saúde mental.
A primeira competência para esse aprendizado é a de reconhecer a bala.
Reconhecer que, como a ilustração remete, "algo deu errado".
Seja um acontecimento chato, seja uma decepção, ou até uma frustração. Algo que nos tirou do sério. Que nos fez mal.
Você sabe de que estou falando. Quando uma bala da negatividade nos atinge, sangramos emoções boas por todos os poros.
Temos uma hemorragia emocional - frutos dessas balas que penetram em nosso ser, que nos faz piores, ressentidos, resignados ou resmunguentos.
Sangramos esperança por todos os vasos e perdemos a pressão vital que mantém a dinâmica da vida e nos mantem positivos e otimistas, apesar de...
Mas como se desviar das balas? A receita foi publicada num artigo do Journal of Abnormal Psychology, em 1978, de autoria de Seligman, entre outros. E, comprovada 30 anos depois, num dos resultados do maior estudo longitudinal já feito numa população, o estudo Grant, no caso desse resultado, junto a ex-combatentes dos EUAs.
O que eles descobriram, afinal?
E que considero a arte de desviar-se das balas, inclusive daquelas perdidas que acontecem fruto da fatalidade, luto ou digamos "azar".
Que a forma com a qual lidamos com as adversidades faz toda a diferença no stress, imunidade e qualidade de vida emocional.
Adversidade é tudo de ruim que nos percebemos que nos ocorreu.
Desde um arranhão que dão em nosso carro, ou uma reprimenda do chefe, à dor da separação de amantes.
Vivem menos tristes, ansiosos e mofunbáticos aqueles que diante das adversidades possuem três atitudes que se combinam sinergicamente, potencializando resultados uma na outra.
a. Atitude de quem diz: Isso é passageiro. Amanhã será melhor.
b. Atitude de quem diz: Isso de ruim que me ocorreu não é abrangente, ainda têm áreas boas na minha vida.
c. Atitude de quem diz: não foi só por minha culpa que isso aconteceu, há outras variáveis externas que contribuíram com a adversidade.
Os cientistas comportamentais descobriram que os que têm um "estilo explicativo" sobre as adversidades ao contrário do descrito acima estão mais suscetíveis à tristeza, depressão e degradação da qualidade de vida.
Estes, "explicam" e portam-se perante as adversidades assim:
a1. Atitude de quem diz: Isso é permanente. Nunca ficarei melhor. Nunca sararei dessa dor.
b1. Atitude de quem diz: Isso que aconteceu de ruim comigo é abrangente. Não dou certo em nenhuma área na vida. Nada é bom em minha vida. Nada!
c1. Atitude de quem diz: Foi toda a culpa minha. Não há nada no contexto, na conjuntura, no lado de lá que tenha contribuído também. Tudo foi eu quem fez de errado.
Quem explica as adversidades pelo viés das alternativas: a, b ou c são mais resilientes e sobrevivem melhor às crises.
E que os que se portam pelas posturas a1, b1, e c2 desenvolvem um aprendizado perverso e doentio, o do Desamparo.
aprendido.
Aprendem hábito infelizes de ser. Não se desviam mais das balas.
Passam o dia botando pra dentro coisa ruim que poderiam ser relativizadas, não tão valorizadas, vistas de uma perspectiva referencial maior, ou simplesmente ignoradas.
Abrem o peito aberto às balas do pessimismo e perdem a flexibilidade de se desviar de rotas alteradas, ou pessoas.
Podemos aprender e ensinar a arte de se desviar das balas emocionais negativas, ou quando elas nos atingem, nos portar como as alternativas "a,b e c" .
Tudo é treino. Você percebe quando a bala está vindo e até que ponto deixará que ela lhe mate, um pouquinho a cada dia.
Convido-lhe a pensar sobre o assunto e parar de colecionar coisas ruins durante o dia, sem depurá-las, processá-las, ou, E por que não? Dar descarga nelas!

Pensamentos Perfumados



Sigo para o trabalho ouvindo Adios Nonino, um belo tango de Piazzolla.

A música me faz lembrar do que Paulo falou em sua Carta aos Filipenses, capítulo 4, versículo 8:

"Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento."

Os belos acordes me fazem louvar a vida.
Durante o trajeto, fragmentos de pensamentos - evocados do último final de semana, pipocam em meu ser.
Das cenas que rememoro, um olhar não me sai da cabeça.
Um olhar de um jovem aprendiz de engraxate. Que vendeu seu celular, comprou uma caixa de engraxar sapatos, botou o terno de ir ao culto, e foi para a labuta. De sapato em sapato, tentava conseguir ajudar sua mãe a pagar o aluguel.
Embora de sandália, paguei uma engraxada para um dos garçons, o que ele escolhesse, e perguntei-lhe sobre como andavam as coisas.
Aí contou-me sua história, dizendo-me de sua aventura no novo emprego, estando há quatro dias nas ruas de Goiânia-GO, mas que pelo feriado da Semana Santa a cidade está deserta. A maré não está para sapato, e sim para tênis.
Aí ele recebe o dinheirinho da engraxada, para de conversar e senta-se sobre a caixa.
Quanto a mim, volto-me para os meus, embora continue a olhá-lo de soslaio. Ele passa bons minutos com a expressão da foto.  Aquele olhar me marcou. Um olhar de quem se sente perdido diante de um futuro incerto. Um olhar de espanto, espanto de sim mesmo diante da dura realidade.
Chego ao hotel e lembro-me que deveria ter pago uma rodada de graxa para todos os garçons, não me faria muita falta e alegraria a noite daquele jovem rapaz. Mas, já era tarde para a redenção de minha culpa.  Todos que possuem algo mais, têm sobre si uma hipoteca social. Precisam retribuir.
Outro pensamento invade-me: de cenas idílicas. O pequeno JG varrendo a calçada da praça, com um resto de pendão de Buriti, e mais à frente uma jovenzinha chorando de soluçar, sozinha no banco de praça, da Praça Tamandaré.
Acho que andaram varrendo o seu coração de menina-moça, seria algo do reino do amor?
Como dói as dores de amor, como varrem nosso coração para longe!
Tomo coragem e sigo com o JG até ela. Ponho a mão em sua cabeça, a abençoou.
E digo-lhe que Aquele que ressuscitou cuidará dela, desejo-lhe a Sua paz e sigo. Ela agradece com olhos de lágrimas caudalosas.
Bateu fome e sigo com o JG até a “praça de alimentação” da Feira da Lua, que fica na Rua 5. Escolhemos uma barraca na qual possamos nos abrigar de um pequeno chuvisco. Fiquei próximo da loja da HP, na Barraca Ki-Delícias Tortas e Panquecas.
Logo estabeleço uma prosa com seu proprietário, o Sr. Lucimar Rodrigues.
Ali, em pé do balcão, tomo uma cervejinha e o JG se diverte contando os transeuntes que vestem vermelho. Juntos, esperamos Cristina, minha esposa, que alegremente bate perna nas barracas de roupas e bijus -  sem marido chato pedindo para ir embora. 
Eis que ao meu lado, uma senhora comenta com suas filhas que vai reservar o dinheiro da passagem de ônibus. E, com o que sobrará vai pagar um lanche para sua família.  Sobrou R$ 10,00. Ela pergunta o preço da torta, o Lucimar diz que é R$ 12,00. Ela pede um desconto, pois só tem R$ 10,00.
Ele vende. Grande Lucimar!
Saio do balcão e volto a sentar-me onde estava. Agora bateu fome. Delicio-me com um empadão. O JG se atraca com um pastel.
Olho para o lado e vejo a cena. Aquela mãe está dividindo uma única torta,  com ela e suas duas filhas. Cada uma com uma colher de sopa vai raspando o petisco. Elas estão esfomeadas, e a porção é pequena para três pessoas.

Lembro de meus tempos de pindaíba. Saia com a ex-mulher e os três filhos para passear pela cidade. Não tinha dinheiro para restaurantes.

Dava uma dez voltas pelo centro e parava num barzinho chamado Bananal.

Pedia um quintin de cachaça, um refri de 2 litros, um tira-gosto de picado (espécie de sarapatel).

Aí pedia cinco pratos e farinha. Fazia um pirão com o caldo e dividia o "aglomerado" com os filhos e a mulher. Uma porção para cada.  Rodrigo não comia a dele. Dividia com os irmãos e me dizia que gostava mesmo era de roer os ossos. Alguns osso que acompanhavam o prato, do pé de porco.

Era "almoço" pra cinco. Saíamos com fome, empanturrados de farinha, mas era o que podíamos pagar, e éramos muito felizes.  Mesmo com pouco.

Voltando à barraca, chamo Lucimar e digo-lhe que ele ofereça mais uma de grátis. Que bote na minha conta, mas que não diga que fui eu. Que ele diga que foi “oferta da casa”. Ele segue o roteiro e a família vibra de felicidade.
Eles não estão tomando nada. Fico remoendo se deveria pagar um refri.
Fico em dúvida.  Temo ela perceber a trama e sentir-se constrangida. Desisto do refri.
Na saída, noto que ela pega uma garrafa vazia de Coca-Cola, numa das mesas, daquelas de 600ml, e pede que a um empregado do Lucimar que a encha com água. Daquelas garrafas de vidro que guardamos na geladeira.  Depois, segue feliz dando água às filhas.
E, eu fico remoendo culpa, a do refri não doado.  
Sr.Lucimar aproxima-se e elogia o gesto. Aí me conta que todo dia um catador de latinhas, aparece na sua barraca, perto do fechamento da feira, pelas 22hrs. É seu cliente especial.
Deixa eu te explicar.
Há  uns meses atrás, aquele catador de latinhas, começou a abrir lixos de seu estabelecimento procurando resto de comida.
Ao ver aquilo, Lucimar disse-lhe que doravante sempre haveria um empadão novinho, sem ser do lixo,  para aquele homem.
Durante uns sábados ele comeu o empadão. Semanas depois, não aceitou mais.
Sr. Lucimar perguntou-lhe o porquê. Ele falou que não era justo, e que estava se sentindo culpado, por se alimentar enquanto seus dois filhos catavam latas noutros trechos da feira, e ficarem com fome. Assim, ele não queria mais comer sozinho. Preferia juntar restos e levar para eles. Sr. Lucimar fez então um gesto que poucos fazem, disse-lhe que dali em diante o catador de latinhas e seus filhos sempre teriam direito a um empadão, e um refri, após o fechamento da feira, na sua barraca.
E, desde então ele os considera seus clientes mais especiais.
Contou-me sua história, do quanto ralou na cidade grande, vindo ainda criança do interior e sem posses. Do quanto lutou para criar seus filhos e educá-los.

Falou de sua esposa, a Joana, a que ficava perto do caixa da barraca.
Falou dela com com tanto amor, e de seus 37 anos de casado, que seus olhos brilhavam.
Em cada cena do casamento que relatava, dela emanava um jorro de admiração e gratidão pela sua esposa.
Pelo apoio que dela sempre recebeu, e pela sua incansável luta numa atividade pesada que é a de feirante:  desde o preparar muito cedo os quitutes, comercializá-los, e, depois recolher tudo.
E, no dia seguinte já partir para outra feira. Sempre ele e ela.
Falou que sabe o que é ser pobre e que sempre ajuda e procura uma forma de retribuir.
Tanta gente congrega em igrejas, de todos os credos, e não tem o espírito amoroso e solidário do Lucimar, tantas!
Falou-me que têm uns jovens que pegam as mercadorias ainda na validade, que sobraram de uma feira que foi fraca, e levam-nas para doarem para necessitados.
Falou-me com tanto amor de sua família, de seus netos e netas, das filhas e filhos.
Precisar compartilhar com vocês. Se cada um de nós retribuir um pouco, se doar um pouco, abrir mão da individualidade, do egoísmo, dos armários abarrotados de roupas e sapatos que um dia “poderei usar quando a moda voltar”.
Precisamos de mais Lucimares mundo afora.  Precisamos retribuir.
Tanta gente poderia ser ajudada.  Podemos fazer isso em todos os locais. Com nossa profissão, com nossa cidadania, com nossa doação de tempo, de amor, de respeito, de um pouco de dignidade para o outro.
E o que fica de valor para quem doa se doa, é infinitamente maior do que o de uma engraxada de sapato, um afago na cabeça, um empadão goiano.
A música vai chegando ao final. Um perfume invade o carro.  De onde virá.
Estarei sonhando olfativamente falando?
Lembro-me da canção: fica sempre, um pouco de perfume, nas mãos de quem oferece rosas.
Ah, ele vem de meus pensamentos. Pensamentos bacanas são perfumados.  Lucimar e Joana são perfumados. Perfume interior, e dos bons. Melhor que francês. 
Sobre isso Paulo não escreveu. Mas, que são, são!

Sejamos Páscoa!

Manhã de quinta no trabalho, semana santa da Páscoa, pensamentos encaracolando-se na leitura de importantes documentos, e preparativos das reuniões dos Conselhos da semana vindoura.
Aí a Joyce, uma de nossas copeiras, adentra a sala oferecendo-me bolo.
Nego a generosa doação, não gosto muito de doce.
Mas, ela insiste.
"É de milho. Foi nossa comemoração da Páscoa. Comprado por nós, com o dinheiro de papelão reciclado.”

Aí, já mudo a história, e passo a gostar de doce desde pequeno. rsrs
Pego logo um pedaço farto, dou uma dentada, e pergunto-lhe:
“Que história é essa do papelão? ”. Já antevendo tesouros.

Afinal, sinto-me como um garimpeiro de preciosidades cotidianas. Um garimpeiro social. Depois, lapido as preciosidades e as compartilho, para que sirvam de inspiração a outras pessoas.
Joyce me falou que a “Encarregada”, Sra. Fabiana, aquela de camisa rosa na foto, motivou a todos para juntar papelão, daqueles de embalagens descartadas. Tanto os da Empresa, como os que achavam na calçada, no retorno do almoço, ou na chegada ao trabalho. É que ao lado de onde trabalho tem uma agência dos Correios, e é comum ver caixas de papelão na calçada, esperando o carro do lixo.
Dou meu celular pra Joyce documentar o evento. Um evento digno de registro.
Precisava, sem atrapalhar o evento deles, participar daquilo.
Afinal, não é todo dia que alguém tem uma boa ideia e a utiliza em prol do grupo. Ela poderia usar para interesse próprio, prática tão comum em pessoas que exercem algum tipo de poder em nosso país. Infelizmente.
Ela não. Ela mobilizou o grupo dos copeiros e zeladores para fazer uma caixinha com o dinheiro da venda do papelão, quando apurassem.
Na segunda-feira passada, Fabiana vendeu a mercadoria e apurou R$ 90,00.
Com o dinheiro, ela preparou uma celebração à vida.
Comprou bolos e refrigerantes. E, hoje cedinho pela manhã, ofereceu um café da manhã de Páscoa aos zeladores e copeiras do prédio, umas 12 pessoas.
O gesto da Fabiana foi minha Páscoa.
Quando Jesus percorreu a via-sacra, ressuscitando ao terceiro dia, foi para nos ensinar a amar. Ensinar a nos colocar como servidores dos mais simples, a ser bênção para quem cruzar nosso caminho.
A visitar os doentes, presos, ajudar o mendigo, amparar a viúva e o órfão. A ser bom, grato, de paz e justo. A perdoar e não atirar a primeira pedra.
Fabiana, doou-se em serviço indo além do preceito do cargo, e, com criatividade, fez a diferença na vida de pessoas – muitas das vezes esquecidas dentro das Organizações de trabalho.
Imagino-lhe abrindo caixa a caixa, para dobrá-la em volumes menores. Imagino-lhe negociando a mercadoria com o comprador de recicláveis. Imagino-lhe indo comprar uns bolos e investir o troco em refrigerantes de 3 litros.
Pessoas assim são Páscoa! São passagem do egoísmo à comunhão.
Da morte à vida. Pessoas assim, influenciam na vida dos outros, e para melhor. Pessoas assim deixam um legado por onde passam.
Antes de postar a foto, notei que aqueles profissionais tinha um coelhinho da páscoa em suas mãos. Chamei a Joyce e perguntei-lhe se tinha sido também com os R$ 90,00.
Aí ela falou que não. Que os coelhinhos da páscoa, com um sonho de valsa no interior, eram doação de Dona Giselda, a do segundo andar.
Que ela, ao saber da ideia da Fabiana, juntou-se a ela para abrilhantar o café da manhã, presenteado o pessoal com os coelhinhos. E que ela mesma tinha feito um a um à mão.
Mais uma que foi Páscoa para o outro, a Giselda.
Creio que o principal ensinamento do Mestre foi o de que é preciso “amar ao próximo como a si mesmo”.
Foi isso que Fabiana e Giselda, e por que não dizer a Joyce, ao me oferecer o bolo, fizeram.
Amor traduzido na palavra doação.
De gesto em gesto, de ação em ação, cada um pode tornar o lugar em que vive melhor.
Mesmo que seja juntando papelão, cortando e pintando coelhinhos da Páscoa - em plástico EVA, ou doando parte de seu bolo.
Ou seja, sendo bênção na vida do outro.
Que bolo de milho gostoso.
Vem cá, coma um pedacinho de bolo comigo, e Feliz Páscoa!
E, que sejamos Páscoa para quem cruzar nossos caminhos, nunca muros. Menos chocolates e mais amor nessa Páscoa e sempre.

Da panela à piscina, a arte de ser feliz.


Uma Candura de Abraço


Tem uns cinco anos que eu almoço no Tio Patinhas, um self-service na 716 Norte em Brasília.
Bem próximo do Ed. Sede IV da Diretoria de Tecnologia, onde trabalhei.
Acompanhei toda a saga da família que toca o empreendimento, e que recentemente mudou de nome de fantasia, não sendo mais o Tio Patinhas.
Marido, mulher e a mãe dela se revezam nas várias tarefas da empresa. Acompanhei a gravidez do segundo filho do jovem casal, o acidente de bicicleta de seu esposo, e as prosaicas história da matriarca do pedaço, Dona Candinha, como a chamarei por aqui.
Dona Candinha é uma Cearense da gema que foi logo dando liga com meu sotaque paraibano de ser.
Foi amor a primeira garfada.
Ela está ali para fazer aquilo dá certo. Do alto de seus 70 e poucos, mantém os cozinheiros e garçons na ordem, e circula entre os vários papeis, dela exigido, e com desenvoltura.
A todos ela dirige uma palavra: "Você almoçou bem?"
"Meu filho, já foi atendido?"
"Vai experimentar o tambaqui na brasa?"
Nunca a vi de mau humor. Nem com os seus funcionários, nem sempre céleres.
Dona Candinha é líder nata. Atua com maestria: aquilo lá precisa dá certo, é de sua filha, genro e netos.
Fazia 5 meses que ali não comia. Era uma segunda corrida, daquelas que entre um evento ali e outro acolá, uma tosse seca e uma noite mal dormida tiravam-me do sério.
Como o evento era próximo dali, resolvi matar as saudades.
Telefonei para meu amigo Fahl, perguntando-lhe se ele topava almoçarmos juntos. Fahl era um parceiro inseparável dos almoços, nos quais achávamos soluções para todos os problemas do mundo.
Ele também mudara-se de prédio e estava mais distante.
Logo topou. Fui na frente.
Entrei e fui logo cumprimentando a todos. A filha e genro de dona Candinha, e os garçons.
Eis que adentro o setor de mesas e Dona Candinha está assumindo o posto de pesadora de balança de self-service.
Ela me vê e solta um: Meu filho, há quanto tempo!
Larga a balança e me dá um abraço fraternal.
Uma candura de abraço. Mas não foi um abraço qualquer. Senti nele como aquela canção diz: " Então me abraça forte
Me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo".
Era como se ela estivesse precisando abraçar um amigo.
E tome a me perguntar de minha família, de onde eu andava...etc.
Eu, no mesmo tom, fiz muitas perguntas para vovó Candinha.
Sentindo meu corpo sendo invadido pela esperança e otimismo de viver.
Ali, ao lado da balança, fiz morada enquanto o amigo Fahl não chegava.
O sabor do abraço penetrava em cada tecido olfativo de meu coração.
Eu agora estava feliz, aquilo me fizera feliz. Esquecera tudo que me inquietava naquele dia de tantas coisas acontecendo, esquecera da tosse, das noites mal dormidas, e até da dificuldade de falar pela rouquidão.
Eu era outro. Rejuvenescido pela força de uma braço.
Voltara a me sentir um guerreiro, tal aquele que Fagner cantou:
"Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura
Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem perfeitos"
Para fechar a segunda, com chave de bênção, teve um xarope.
Esse xarope também foi um gesto abençoado.
Túlio, meu amigo virtual, natural da região do Vale do Aço (MG)e BH, compadeceu-se de mim - na noite da Candinha, e postou-me um fitoterápico que alivia a tosse.
Aliás, não só postou como acompanhou se eu comprava, e na formulação correta. Preocupou-se com minha saúde, no dia em que um abraço me encantou. Estava perfeita a segunda.
Senti-me muito bem, embora fisicamente acabado com essa gripe que rouba as forças. Voltei a me sentir potente, espiritualmente falando.
De uma coisa tenho certeza, não saímos os mesmos após nos sentirmos amados, reconhecidos ou valorizados por alguém. 

Após um amigo sugerir um remédio para nossa doença, nos reconhecemos no melhor lugar do mundo pra se estar:  um abraço.  No caso do Túlio, um abraço virtual repleto de empatia e cuidado.

Depois de recebermos abraços, virtuais ou reais, saímos melhores e queremos de alguma forma retribuir isso para com alguém.
Não temos ideia da força de nossos atos nos ecos do infinito das vidas com as quais cruzamos caminhos. Nunca teremos.
Queria retribuir tanta bênção da segunda.
Então, no meu caso, levei o xarope fitoterápico de tosse ao trabalho hoje. Precisava retribuir a doação de atenção do Túlio a mais umas 3 pessoas no setor que estavam tossindo muito também. 
Ele ontem funcionou à noite, durante minha degustação risonha do abraço da Candinha, e precisava retribuir aquela sensação doando-me também um pouco ao outro. Então, levei para o trabalho e dei umas colheradas, "a força", para dois amigos que também estão doentes.
Percebem como o circulo do bem vai se propagando. O amigo que indica um remédio, que revela preocupação. Um abraço cheio de ternura. E nos sentimos inspirados para retribuir com alguém.
É a força virtuosa da vida.
Hoje, acordei lembrando-me da despedida de Dona Candinha: "Meu filho, não desapareça, volte sempre, gostamos muito de você".
Que posso fazer com tamanho amor que recebi?
Retribuir, apenas retribuir...
Muitos que ali almoçam agora prestarão atenção a Dona Candinha.
Insisto, existem pessoas maravilhosas à nossa volta. É só capacitar o coração para vê-las; com elas aprender e se inspirar para tocar a vida possível.
Obrigado Candinha, pela imensidão de ternura no aconchego de um abraço, num dia em que me sentia tão ralezinha cósmica, sem graça e beleza alguma, só doente e cansado.
Você me tornou, com a força de seu amor, um guerreiro!
"Sr. Ricardim, quando tiver carneiro na brasa eu aviso!"
Despediu-se de mim a Santa Candinha...
E eu disfarcei meus olhos marejados, botando a culpa na gripe. Saí mais alegra ainda, afinal um "homem também chora".
Quanto ao Fahl, mais uma vez resolvemos todos os problemas do mundo. Que amigo precioso!
Mas, aí já será outra crônica.

Motosserras Emocionais



Sempre gostei muito de jambo, lembrava-me das férias em João Pessoa, quando ia visitar meus avós maternos no bairro do Jaguaribe, e deliciava-me com os jambeiros plantados nas suas calçadas e canteiros centrais.
Quando quis fazer um pomar um Jambeiro estava na ordem do dia para aquisição.
Outra árvore que me remete à infância, agora no sitio de meus avós paternos, no tórrido sertão de Juazeirinho-PB, era o umbuzeiro. Gosto de umbu de todo jeito. Mas quando vovó Maria fazia uma umbuzada, aquilo era um maná dos céus.
Então, coloquei na minha lista de plantas para o jardim as que mais me marcaram: um jambeiro e um umbuzeiro.
Seria o sertão e o mar em meu lar. Essa integração eclética de contrários, complexa por natureza, é algo que me define bem.
O Umbuzeiro é motivo de piadas, sofre Bullying. Pois, ninguém diz que é um Umbuzeiro. Espero um dia que frutifique, pois já está com 5 anos. Comprei a ambos pela internet, num site de plantas no estado de São Paulo.

Esse ano o jambeiro escapou por muito pouco do motosserra. É um sobrevivente
Acontece que ele ficou parado mesmo no meio de uma construção que eu faria, de uma laje suspensa, com banheiros projetados abaixo de sua cobertura, dando para a parte inferior do lote. Carente de WCs em dias de visitantes e cervejas mais fartas.

A primeira solução que os muitos “engenheiros de finais de semana” me deram foi “Corta a Árvore”.

Senti o olhar de reprovação do umbuzeiro, que ouviu a proposta proferida à sua sombra. Ele balançou suas folhas e olhou para seu amigo com ternura e preocupação.
Minha irmã construiu uma tese que a laje precisava ser livre de tudo, para que nela afixássemos prazerosos sombreiros. Minha mulher, bateu o martelo, corta o jambeiro.

Pensei então: Sombreiro = Jambeiro. Tomado de súbita coragem, em contrariar irmã e esposa em se falando de construção civil, fiquei o pé e disse: “Dali ele não sai.”
O silêncio que se deu foi impactante. O umbuzeiro farfalhava as folhas de alegria. O jambeiro, agora entendendo do que se tratava, deixava escapar uma gota de orvalho-lágrima.
Disse-lhes que a laje seria feita respeitando o caule do jambeiro. Logo mil vozes ecoaram em protesto, apelando inclusive para a morte do jambeiro, pela ausência de captação de água no terreno em que estava fincado, uma vez que ele seria ladeado por paredes do WC e em cima pela laje. Pensei: “morte por morte, prefiro a morte lutando pela vida, do que a morte por uma fatalidade que encerra o jogo antes do tempo”.
O jambeiro fica! E ele ficou. Com o tempo o pessoal percebeu que sua sombra é melhor do que a de qualquer sobreiro artificial, por mais espaçoso que seja.

Desde então, torço para que ele se recupere do estresse da falta de captação de água pelas suas raízes, e de uma severa poda. Já passava um ano e só via suas folhas perderem-se pelo vento, sem outras para substituírem-na. Ele estava em choque. Não havia renovação da vida em seu interior.
Enlutado, perdia folhas a folhas, quase como uma despedida de si mesmo.

Conversava com o Umbuzeiro sobre como poderia ajudá-lo. Mas ambos estávamos impotentes. Às vezes ainda me peguei enchendo um balde de água e jogando pelo buraco superior, na esperança de alimentar suas raízes.
Folhas que vão caindo e outras não a substituem, mesmo após o Outono, podem revelar que a seiva está secando, a vida partindo, e negando-se a renovar-se em ciclos.

Cheguei em casa vindo da feira livre. Na entrada o Umbuzeiro me chamou e revelou-me uma alegria. Ele, ao espreguiçar-se viu um verde de cor diferente no alto da copa de seu amigo. Ansioso, esperava-me chegar da feira para que eu fosse olhar, da varada do pavimento superior, se eram brotos de renovo.


Não contive minha emoção e disparei escada acima. A foto que ilustra essa crônica foi tirada no dia, reparem a luz que ilumina o broto. De lá mesmo, gritei para o Umbuzeiro que nosso amigo estava renascendo.
O Jambeiro sorriu discretamente, ele já sabia. Aí fizemos, nós três, a festa. Celebramos a vida que teima em subverter a ordem reinante e acontece no mais inesperado lugar e momento.

Lutos são assim. Choramos as mil lágrimas, dia após dia, e num dia qualquer olhamos para nossa face e sentimos uma vontade enorme de reviver.
Voltamos a cuidar de nós mesmos. Voltamos a arrumar a casa, limpar as tralhas materiais e emocionais que fomos deixando juntar, pelo que adoecidos emocionalmente que estávamos não tínhamos força para fazer.
Um belo dia de nosso ser surge um brotinho de esperança. Suficiente para reanimar corações adormecidos e neles fazer fluir o amor: por nós mesmos, pelos outros e pela vida.
Você que me lê e encontra-se enlutado (a) não apresse seu rio emocional. Compreenda que o choque foi grande e que a perda levou um pedaço de você junto. E que esse tempo de muda, de solidão no meio de muita gente, de estranhamento de si mesmo, é necessário para sarar as feridas.
Contudo, acredite, o amanhã será melhor.
A força da vida atua em você, tal qual no jambeiro. No momento, ela mantém só seus sistemas de suporte a vida funcionando. Ela ganha forças e tempo.
Daqui a pouco, você vicejará novamente. Recriando possibilidades, voltando-se a encantar e assombrar com as coisas boas, belas e virtuosas, que enlutado, não via mais.
Pode demorar um ano, dois... cada um tem seu tempo. Mas, acredite, somos predestinados à esperança.
Não se cobre ou puna demais por não estar se sentindo bem. Só acredite que não está morto.
No teu interior corre a melhor de todas as seivas, a do Espírito Santo, e ela vai soprar as brasas de teu coração.

O umbuzeiro hoje cedo me falou que também fica chateado com os gracejos que ouve, por não acreditarem que dará fruto.
Bati em seu ombro e disse-lhe: se você for ficar chateado pelo que os outros pensam de você, pelo potencial que não veem, pelo apoio que não lhe dão, pelo reconhecimento e gratidão nunca manifesto para contigo, estará condenado a uma vida de infelicidade.
Será vítima dos motosserras emocionais, e, deles não há saída, se você mesmo não aprender a se dar valor e acreditar no seu potencial.
Amigo umbuzeiro, você não sabe que é um umbuzeiro? Que dará umbu?
Por que essa fixação em querer que o outro também acredite?
Pare de procurar razões para ser infeliz. Você não os mudará, mas pode mudar a si mesmo pela forma como se deixa abater por esses gracejos.

Agora quem farfalhou as folhas foi o jambeiro, num gesto de aprovação ao que falei.
Ele sabe, ele ouviu dizerem que não tinha mais serventia, e mesmo assim não se deixou desanimar. E 
acreditou em dias melhores. 

Pensem nisso, pessoas-umbuzeiro, ou jambeiro, que me leem.

A lua me sorriu.




Abri a janela da cozinha e a lua estava linda, todo seu esplendor destacava-se ainda mais com as nuvens que a abraçavam, dando ao conjunto da cena um toque de mistério.
Fiz várias fotos, procurando a melhor abertura, a IS0 (luminosidade), ou velocidade da câmera. Fazer fotos de lua cheia é sempre um desafio.
Quando baixava as fotos notei que numa delas havia uma carinha feliz, tipo Smile.
A lua me sorria.
Aquilo mudou completamente meu humor.
A lua me sorriu, pensei! O sorriso é contagioso, no bom sentido. Pessoas que nos recebem com um sorriso produzem em nós outros sorrisos, às vezes os do interior, melhores ainda.
A lua me sorriu como a me dizer: coragem, ânimo, força, não é hora de ir dormir ainda teus sonhos.
Que bacana!
A lua que sorri é um sinal. Lógico que para poder compreendê-lo precisei aprender antes que que dois pontos e um traço abaixo deles, em forma de arco, é um sorriso.
Noutra cultura que não tenha essa imagem do Smile, associada a um sorriso, aqueles borrões de resto de nuvem, ou até de mancha na lente, vai saber, que encobriam parte da lua seriam simples borrões. Não chamariam a atenção.
Para interpretarmos os sinais, temos que ter um arcabouço cultural de referência, caso contrário, eles passaram em nossas vidas despercebidos, sem qualquer motivo de admiração.
Serão mais uma das vítimas da indiferença, ou rotina.
Hoje me considero um aprendiz de sinais: emocionais, sociais, espirituais, comportamentais e de outros tipos.
Como ouvir o farfalhar da manhã, anunciando que a Gazela e o Leão começarão mais um ciclo da vida, sem permitir-se aos mistérios da natureza que se renova a cada dia?
Como tocar, no inaudível de um coração, sem conhecer seus sinais?
Tanta coisa bacana acontecendo em nossa vida, tantos sinais de vida, sendo esmagados pelos de morte.
E nossa visão vai ficando turva, perdemos o encanto, o assombro, a poesia de viver, oprimidos pela dureza da realidade.
Desaprendemos a captar os sinais de vida, em nossas narrativas, comportamentos e diálogos só privilegiamos, ou pior ainda, filtramos, os de morte.
Nosso WAZE interior só aponta para caminhos ruins, de transito pesado, ou bloqueado. Nos vemos sem alternativa, em rotas sem saída.
Como se eu baixasse as fotos no computador e não voltasse para percebê-las com mais atenção, procurando belos detalhes, escondidos entre nuvens, entre o nada de um cotidiano açoitado pelo estresse da sobrevivência.
Convido-lhe a abrir as janelas de tua existência olhando com ternura para tua vida, para si mesmo e para o outro. Um olhar que liberta de condicionantes, um olhar que renova o valor do sempre visto.
Um olhar que identifica mesmo nos borrões do cotidiano restos de magia, de mística e sabor, que só quem aprender a ler os sinais bons da vida entenderá.
Alguns motoristas pararam carros na avenida mais tumultuada de Brasília, a Estrutural, comparada em volume de carros à Marginal Tietê em SP, para que uma família de aves a atravessasse. Colocaram em risco a própria vida ao pararem o trânsito. Oba, mais um sinal de vida para minha coleção.
Um advogado fez quatro perguntas existenciais, a uma cliente, antes de continuar a receber a papelada para o providenciar o divórcio dela. Ele colocou em risco sua reputação, entrando numa agenda íntima e pessoal. Fugiu à regra e ousou ser diferente, podendo perder o “negócio”. Ele perdeu o negócio, a cliente viu que havia mais motivos para continuar do que os de pular do barco. Oba, mais um sinal de vida para minha coleção.
Uma amiga postou que parou o carro e ajudou a retirar da avenida, uma pessoa que desmaiara na calçada, cujas pernas estavam correndo o risco de serem atropeladas. E só saiu de lá quando o Samu confirmou que estava a caminho. Oba, mais um sinal de vida para minha coleção.
Abra as janelas do seu coração e procure luas, do tipo Smile, sorrindo para você. Nessa época de tantas notícias ruim que consumimos, faço um apelo para que não as tenha como normais.
Não se acostume ao ruim, a filtrar somente o negativo da realidade e a propaga-lo em todos os cantos.
Module seu radio interior para captar outras frequências, sem se alienar do mundo, mas que também estão presentes nele. Essas frequências do bom, belo e virtuoso nem sempre encontram espaço nas redes sociais e mídia de todos os tipos, não vendem jornais – infelizmente. Não geram “likes”. Parece que o chique mesmo é tirar onda sobre tudo. É colocar tudo sob o reinado da desconfiança, do cinismo social ou contraditório.
Soa com um certo ar de inteligência falar mal de tudo. Só que isso está cobrando seu preço na saúde emocional. As vivências negativas têm três vezes mais forças psíquicas, para anular o efeito de qualquer coisa boa que nos acontece. Chama-se a isso o Efeito Louzada (Ver Psicologia Positiva).
Portanto, cuide para que o excesso de crítica, pessimismo ou ao negativo esteja lhe impedindo de captar ou perceber outros sinais de vida, e de smiles.
Tornando-lhe uma pessoa sem esperança, luz e viço de viver.
Às vezes precisamos ampliar nossos círcvulos referenciais para dar valor ao que temos e nos passa despercebido.
Valor à locomoção, quando muito têm dificuldade para tal.
Valor ao trabalho, quando mitos pelejam por um lugar ao sol.
Valor à família, quando muito dariam a vida para tê-la novamente reunida.
Valor a tantas coisas que vamos tendo como banais, não mais percebidas, e que são preciosas.
Infelizmente, às vezes só abrimos as cortinas de nossa percepção sobre também as coisas boas da vida quando as perdemos.
Assim sendo, para melhorar minha percepção sobre o bom, belo e virtuoso, pratico quatro hábitos diários, com seis práticas, que ajustam meu foco para o foco-smiles e me ensinam a dar valor às coisas breves, legais e simples da vida. E exercitam um olhar e agir sobre o mundo, ajustando meu foco smile, para a vida que por ela vale a pena viver, são elas:
a. Durante o dia, fico atento para identificar três coisas que vi, fiz ou fizeram para comigo pelas quais sou grato. Coisas que elevam meu ser a um outro plano espiritual. Coisas belas, boas ou virtuosas. Antes de dormir as rememoro e às vezes escrevo sobre elas.
b. Durante o dia, tenho que tratar muito bem, elogiar, ou até reconhecer, pelo menos uma pessoa.
c. Durante o dia, tenho que encontrar uma oportunidade de ser bênção para alguém.
d. Durante o dia, pelo menos uma vez, terei que tomar consciência do que está rolando no meu cérebro, quando ele emite sonoridades (verbalizações), de intrigas, fofocas, críticas, reclamações ou rabugice. Aí, desligo o cérebro desse tema, trocando a estação para outra, menos ruim. Mudando de assunto.
Essa é minha fórmula para não me deixar embrutecer e perder a tesão pela vida: 3-1-1-1. Três coisas pelas quais sou grato, uma atitude de amorosidade, uma doação e uma reclamação a menos.
Têm dias que esqueço, aí no outro dobro a meta.
A lua te sorriu. Sorria!

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