Era uma vez um povo que nas noites frias reunia-se ao redor das fogueiras, feitas com os restos de de suas vidas.
Muito ficavam horas ali, perfilados, sem murmurarem queixumes, sem falarem do tempo, sem comentarem sobre o último que partiu, ou repararem os que por ali chegavam.
Apenas se aqueciam, deixando seu ser perambular, entre as chamas brincantes que teimavam em escapar da sina de queimar junto.
Numa grande panela, um caldeirão de sopa coletiva e rala fervia. Feita com as com raras e minguadas batatas, retiradas do que restou das plantações, baús e escombros.
Então, dirigiam-se até ela, enchiam seus pratos, sorviam aquele alimento, sem se falarem, pois não mais se reconheciam como iguais.
Eles viviam naquela rotina há meses, até que numa noite algo ocorreu.
Havia uma pessoa diferente, arrodeando o fogo, logo notada por todos.
Perceberam que ela não era dali, era forasteira.
Tinha um semblante altivo, embora esquálido pela fome. E, ela fazia coisas diferentes deles. Vez por outra ela botava uma lenha no fogo, para não deixar apagar. E ia em direção à panela mexer, atitude que muitos reprovavam, em expressões faciais, já que não mais se falavam.
Ora, para que mexer uma panela de sopa, feita com dez litros de água e uma única batata?
Não havia lógica.
Na outra noite, não satisfeita em atiçar o fogo e mexer o caldeirão, Carmina começou a cantar uma velha canção, para desaprovação de muitos.
Os pensamentos deles trocavam ideia entre si, no silêncio dos porões espirituais.
- Como pode esta senhora cantar, diante de tudo que estamos passando? Pensou o mais alto do grupo.
Ao que o outro pensamento, em diálogos espirituais, endossou dizendo.
- Só pode ser maluca, é preciso que tenhamos cuidado com ela. Poderá inclusive botar algo na sopa. é bom prestar atenção nela.
Contudo, entre os presentes alguns começaram a bater o pés, no ritmo da canção. Embora timidamente. Outros assumiram a tarefa de botar a lenha no fogo. Outros ainda, começaram a revezarem-se na mexida da sopa, que até passou a lançar delicioso perfume, daqueles que atiçam e dão sabor à fome.
Uma jovem órfã se aproximou de Carmina. Ela se chamava Maria, e passou a cantar baixinho com ela.
Ao voltarem para casa, as duas iam juntas parte do caminho, até se despedirem.
Passou uma semana e a rotina era sempre a mesma, fogo sendo atiçado até tarde, caldeirão mexido, e canções sendo cantadas pela Carmina, sempre acompanhada por algumas batidas de pés no chão.
Mas, eis que Carmina não foi naquela noite.
Eles se entreolharam, perguntando com seus toscos botões o que teria ocorrido.
Não sabiam em qual casa ela morava, ou quem ela era, pois nunca se importaram em perguntar.
E se sentiram culpados por isso.
Perguntaram então à Maria, mas ela falou que quando voltavam juntas, Carmina a deixava primeiro, e seguia caminho.
Fez um silêncio, daqueles que se dá para ouvir o crepitar das chamas.
De repente, um dos presentes, timidamente, começa a entoar a canção preferida da Carmina, ao que todos o acompanharam.
Outros, logo se animaram e assumiram o atiçar do fogo, e uns outros revezavam na mexida da panela.
Eles já tinham cantado por diversas vezes, e as labaredas do fogo estavam alta, quando ao longe um vulto aparece, trazendo algo nas mãos.
Era Carmina, e trazia uma placa com a inscrição: "Casa de Maria".
Todos olharam para ela, desconcertados, sem entenderem o gesto.
Então, ela fez sinal para que o grupo a acompanhasse. Após andarem por bairros destruídos, chegaram a um resto de casa, na qual Carmina ficou na calçada a placa que fez.
Disse que a noite seria encerrada com Maria contando sobre a sua casa, seu mundo, sua família, amigos, conquistas, derrotas, medos, coragens, sonhos e desejos que ainda tinha e alguma coisa da dimensão da "estranhice" que ela gostava, colecionava, fazia.
E a noite seguiu pela madrugada adentro. Logo as pessoas foram buscar algum resto de fogueira, feita com escombros das casas destruídas, e se aqueciam enquanto sorviam a vida da Maria.
Ao raiar do dia, o mais alto do grupo, e outrora o mais resistente, disse que naquela noite gostaria de botar uma placa no que restou da casa dele, e que gostaria de contar sua história aos presentes.
E assim se sucedeu, dia à dia, pessoa à pessoa.
Ao acabarem as narrativas, Carmina propôs um mutirão para ajudar, um a um, a reconstruir o que restou de suas casas. E assim foi feito.
Existe um punhado de gente que inspira outros ao seu melhor, como Carmina Burana, cujo nome nesta ficção foi retirado de uma famosa ópera.
Existe gente que não desanima, mesmo que só possa, diante de uma situação limite, atiçar o fogo.
Ou mexer a panela. Ou ainda, cantarolar uma canção daquelas de aquecer corações cansados.
Este povo do bem, consegue devolver identidades perdidas, atiçar ânimos molengas, revitalizar práticas virtuosas esquecidas. Mesmo quando todos, tudo e a própria situação represente para eles uma barreira, quase que intransponível.
Mesmo assim, eles continuam, perseveram, e caso nada possam fazer de mais significativo, ainda assim fomentam o espaço da fala aos aflitos, para que estes possam se reconhecer nelas, recriando identidades, reinicializando-se em aberturas às novas possibilidades, nem que seja a de mexer uma panela, de uma sopa rala, ou a de não deixar um fogo apagar!
No limite, um dos bens mais preciosos que podemos conceder aos outros é o direito à fala, ao compartilhar de sua jornada, em espaços fecundos de escuta institucional de narrativas eivadas de subjetividades e valor.
Ninguém sairá igual dessa roda de conversa, sairá mais forte e esperançoso!
Obrigado pelo carinho dos reconhecimentos.
Às vezes, quando se nos faltarem os ventos, ainda poderemos ousar remar. Os remos podem ser uma vírgula: Aos que semeiam, esperança!
Termômetro Emocional (Autor Ricardo de Faria Barros)
Um dos indicativos de que as
coisas não vão bem com o organismo é a febre. Quem já criou crianças sabe do
aperreio de uma febre alta. E tome banho frio, tome remédio, tome preocupação
que cavalga noite adentro. O termômetro indica como as coisas estão se passando
dentro do organismo. Já se passaram uns
bons 400 anos da invenção do termômetro, feita por Galileo Galilei (1592), e a
descoberta de seu uso médico, feita pelo fisiologista Sanctorius de Pádua, em 1612.
Quantas vidas se salvaram graças a este aparelhinho
tão simples?
Seria muito bom se algo do tipo
fosse descoberto para medir o grau de nossas emoções.
Já imaginaram se houvesse um termômetro
que nos alertasse sobre a nossa temperatura emocional interna?
Os marcadores deste termômetro poderiam
ser estes: Desanimado -> Desmotivado -> Apático -> Ressentido -> Desiludido
-> Desamparado -> Prostrado -> Culpado -> Frustrado -> Chateado
-> Triste -> Irado -> Decepcionado
-> Ácido -> Descrente -> Ranzinza -> Crítico -> Pessimista
Para cada um dos humores acima,
haveria um nível aceitável e um nível doentio, que recomendaria uma intervenção
imediata, para controlar o processo de infecção da alma.
Aí, poderíamos parar o que estávamos
fazendo, e entrando em contato conosco mesmos, escanear nossas emoções, pensamentos
e acontecimentos que provocaram este elevar da temperatura emocional. Uma vez identificada a fonte de nossa febre
emocional, poderíamos sobre ela atuar. Em processos de autoconhecimento,
autoconsciência e autonomia do ser.
Em muitas das situações, o que
elevou esta temperatura foi o foco perceptivo seletivo negativo do que nos
ocorreu. Expressos em narrativas cheias
de coisas ruins, filtradas de forma doentia da realidade.
Imagine a seguinte cena:
Quando começou a narrar a semana o
Sr. Amaro (60), visivelmente chateado, disse que a tinha perdido, pois ficara
de “molho” em casa. Contou que houvera comido algo que lhe fez mal, e foi parar
numa emergência de hospital que atendia seu plano de saúde. Após triagem, colocaram-no numa enfermaria,
para tomar soro e fazer exames. Umas
longas três horas depois, o médico plantonista deu-lhe alta, dizendo que a
infecção intestinal ainda estava no início, e que ele poderia se tratar em
casa, tomando antibiótico por 7 dias, e “nada de álcool e comidas gordurosas”
durante o tratamento, recomendou-lhe o doutor. Amaro falou que ficou triste,
pois perdeu de aproveitar a festa do batizado da sobrinha, regada a muita
bebida e churrasco.
Se colocássemos o termômetro em
Amaro o que revelaria? Quais emoções negativas estão com os valores alterados,
e para cima, causando-lhe infelicidade?
Imagine agora que o Amaro
aprendeu a identificar a subida da temperatura emocional e passou a intervir nela,
alterando a polaridade das cenas que são captadas na realidade – do negativo
para o positivo. Ele vai contar a
semana, abaixo, com a polaridade positiva:
Quando começou a narrar a semana o
Sr. Amaro (60), visivelmente em paz, disse que a tinha ganhado, pois ficara de “boa”
em casa, convivendo mais intensamente com a família. Contou que houvera comido algo
que lhe fez mal, e foi parar numa emergência de hospital que felizmente atendia
seu plano de saúde. Seu atendimento foi
perfeito, o reidrataram, pediram exames, e todo mundo estava querendo que ele
logo melhorasse. E que pouco tempo
depois, umas 3 horas, o médico deu-lhe alta. Já que graças a Deus a infecção intestinal
não evoluiu, podendo ser debelada em casa mesmo. E que havia uma boa opção de
antibiótico pra o tipo de bichinho que apareceu na cultura. Ele seria o motorista da vez, na festa do
batizado da sobrinha, liberando a esposa para tomar uns champagne, coisa que ele
nunca fazia, pois ela era quem voltava dirigindo. E que assumiria a churrasqueira,
para colocar legumes e frutas para grelhar, já que não podia comer nada
gorduroso, enquanto se recuperava do piriri.
Percebem a temperatura do segundo
Amaro?
A situação e realidade são as
mesmas. O que mudou?
A narrativa, a leitura que ele
vai fazendo, minuto a minuto, sobre tudo que lhe ocorre. Mudou a polaridade da
alma, de negativa, para positiva. Vejamos:
Na segunda narrativa, Amaro
extrai e colore o seu existir com aspectos positivos. Ele vai preenchendo o que
poderia ser negativo, com fortes doses de gratidão, bondade, compaixão e
acolhimento.
Tem que ficar em casa de repouso?
Então ele se propôs a melhorar a intimidade no lar.
Não pode comer carnes gordurosas?
Então ele vai grelhar frutas e legumes.
Não pode tomar álcool? Então, ele
será o motorista da vez, liberando a esposa para os brindes.
Adoeceu? Mas pelo menos tem plano de saúde, foi
prontamente atendido, não ficou internado, e existe medicação para debelar a
infecção, ele pode comprá-la.
É preciso fazer este escaneamento
de nossos pensamentos e emoções toda as horas.
Para identificar quando estamos
ficando com febre emocional. Quanto de nossa leitura da realidade está sendo
contaminada apenas pela polaridade negativa.
Com narrativas da mesma repletas
de ódio, desejo de vingança, medo, desconfiança, pessimismo e rabugice.
É preciso aprender a nos
conhecer, a nos ler por inteiro, identificando o que nos ocorre, quais vulcões
estão querendo entrar em ebulição, quais áreas estão em polvorosa, para sobre
elas atuar - mudando a ênfase e a valorização que lhes estamos dando.
Ser mais feliz passa, necessariamente,
pela reescrita de nossas narrativas, particularmente sobre aquilo que saiu fora
do planejado, controle ou nos causou algum tipo de aborrecimento.
Assim como dar um banho frio é
uma dica que contribui em baixar a febre, eu tenho umas que melhoram a
temperatura emocional positiva. Use-as sem moderação.
1. Cultive a gratidão sobre tudo que lhe ocorre.
2. Seja menos perfeccionista e exigente consigo mesmo.
3. Aprenda que o maior perdão que a vida lhe pede, talvez seja para consigo mesmo.
4. Seja mais empático às necessidades dos outros.
5. Seja mais generoso e menos individualista.
6. Pare de achar que o mundo gira em torno de você.
7. Tenha menos expectativa sobre os outros.
8. Mude a si mesmo, diante de uma situação ruim e imutável.
9. Acolha algumas situações e vire a página. No mínimo, desenvolverão aprendizados.
10. Para cada ruminação de coisas chatas pelas quais passa, traga à mente coisas boas, legais e virtuosas que ainda lhes resta. Muitas delas, esquecidas, desvalorizadas, e à margem de teu viver.
2. Seja menos perfeccionista e exigente consigo mesmo.
3. Aprenda que o maior perdão que a vida lhe pede, talvez seja para consigo mesmo.
4. Seja mais empático às necessidades dos outros.
5. Seja mais generoso e menos individualista.
6. Pare de achar que o mundo gira em torno de você.
7. Tenha menos expectativa sobre os outros.
8. Mude a si mesmo, diante de uma situação ruim e imutável.
9. Acolha algumas situações e vire a página. No mínimo, desenvolverão aprendizados.
10. Para cada ruminação de coisas chatas pelas quais passa, traga à mente coisas boas, legais e virtuosas que ainda lhes resta. Muitas delas, esquecidas, desvalorizadas, e à margem de teu viver.
Cuidadores de Pessoas Sem Necessidades Especiais (Autor Ricardo de Faria Barros)
O motivador desta crônica foi o relato de Sr. Valdecir (76 anos). De quando na sua casa cheguei, no momento em que regava seu jardim, em frente à sua casa (ver foto).
Após saudá-lo, fomos tomar um café na cozinha.
Hoje ele estava meio agitado. Contou-me um monte de coisas que andam preocupando a cabeça dele, tirando-lhe o sono, a vontade de comer e que o deixam infeliz: "Ricardo, ando com a vida cheia de tubulações (atribulações)...".
Hoje ele estava meio agitado. Contou-me um monte de coisas que andam preocupando a cabeça dele, tirando-lhe o sono, a vontade de comer e que o deixam infeliz: "Ricardo, ando com a vida cheia de tubulações (atribulações)...".
Todas elas, girando em torno de algumas situações-problema de pessoas da família. E, nenhuma delas, dizendo respeito exclusivamente a ele. Então, contei-lhe a história de Dona Januária, a que embasará esta crônica, veja a seguir.
Dona Januária, aparentando um certo nervosismo, lentamente ergueu as mãos, inscrevendo-se para compartilhar sua resposta à minha pergunta: "Qual a receita para uma vida feliz na envelhescência?"
Lentamente, um tanto vacilante, ela dirigiu-se à frente. Mas, ao tomar o microfone, já era outra pessoa. Serena e confiante, ela foi irradiando luz em forma de letrinhas debulhadas ao vento.
Contou-nos que há 15 anos tinha sofrido um AVC, cuja recuperação de parte dos movimentos foi quase um milagre.
E que uma enfermeira de UTI ensinou-lhe uma receita para diminuir o risco de vir a ter um outro:
"Dona Januária, a senhora precisa parar de se preocupar tanto com os outros. Esvazie sua cabeça dos problemas dos filhos, noras, genros, netos e demais familiares, para que dentro dela possa caber sua própria vida. Deixe de viver sua vida pela ida dos outros, eles já estão crescidos."
Uauuu!!!
Ela falava com uma paz que contagiava a todos nós. E, sem rancor, sem mágoa, ou qualquer falsidade, ela disse que fez um propósito de vida, ali naquela UTI, de parar de deixar que a vida dela fosse a expressão da vida dos outros, nas suas alegrias, frustrações, e situações que lhes causava alguma dose de aflição. Finalmente, aos 62, ela enxergou que passava todo o dia gravitando na vida de todos da família e amigos, e que não pensava nela mesma.
Se um filho tinha algum problemas aquilo era suficiente para acabar com toda a graça de seu dia.
Se um filho pedia para usar o cartão de crédito dela, e não pagava, ela não tinha coragem de cobrá-lo, provando-se de suas poucas economias para socorrer o filho.
Que, tempo depois, o filho comprava mais coisas, ou ia se divertir com os amigos, gastando tudo outra vez, e recorrendo mais uma vez a ela.
Que alguns chegavam na casa - sem combinarem, e só iam embora no domingo, tirando a liberdade dela de também fazer o que queria, para aquele final de semana. E fazendo-a ter que correr atrás de coisas para alimentá-los, corroendo a pouca renda mensal que tinha.
Bem emocionada, com a voz embargada, ela contou ainda que descobriu que não tinha a vida dela mesma, que viúva que era, poderia viajar, passear com as amigas da igreja, ou aprender algo novo de que gostasse de fazer.
Ela virou a provedora dos filhos, a dona da pensão, a cuidadora de jovens-velhos que não querem mais sair de casa, pela comodidade de que a casa dos pais lhes oferecem.
Encerrou dizendo que há uns dez anos passou a colocar barreiras, exigindo que respeitassem o espaço dela, suas economias, sua privacidade e desejos, e que nunca mais fez a rota de telefonemas diários que fazia antes, ligando pra umas oito pessoas da família, para absorver deles as preocupações, ou responsabilidades, que cabe a eles mesmos resolverem, ou com elas lidarem.
Fiquei tão mexido com aquele depoimento que só consegui expressá-lo nesta crônica, meses depois, no dia de hoje.
Sou pai de quatro filhos e em breve terei neto. E não quero isto para mim. Não quero gravitar minha vida em função da vida deles. Quero ser que nem Dona Januária, e não preciso de um AVC para sacar que é chegada a minha hora de cuidar de mim.
O que não significa que não lhes amem, de montão, ou que não esteja disposto a ser um apoio, quando de mim necessitarem.
Mas, não podemos fazer isto com nossa vida. Viver nossa vida em função da vida dos outros. Ser permeável a todo problema que ocorre na vida deles, e que serão eles, com autonomia e responsabilidade quem deverá resolvê-los e beber daquele cálice.
Tenho visto um monte de jovens-velhos que não saem mais da casa de seus pais, e ainda exigem que seus pais sejam uma espécie de cuidadores deles. Roupa lavada, comida pronta, e - eventualmente, socorra-nos com empréstimos e compras no cartão - nunca devidamente ressarcidas.
Os "Novos Velhos" - expressão que caracteriza um movimento pela busca da qualidade de vida e plenitude na longevidade, não podem renunciar à sua própria existência realizada, condicionando-a à existência realizada dos outros.
Isto não é empatia, isto é co-dependência afetiva, e do tipo asfixiante. "Dai a César o que é de César". Pois, este negócio de achar ocupação na vida se ocupando da vida dos outros é muito pobre, enquanto realização pessoal na longevidade, esta vida é de "César".
Sem falar nos aborrecimentos que podem causar, na própria dinâmica de vida dos outros, que passa a ser vigiada e cobrada, por esta pessoa que deixa de focar nas suas próprias necessidades e desejos, deslocando-os para os outros.
Valeu Dona Januária, é preciso impor limites sobre todo aquele que quiser transferir sua própria vida para a nossa.
Isto será educativo até para eles. E, fazendo assim, passaremos a perguntar-nos - com mais frequencia, o que de fato queremos para nós mesmos, do reino da plenitude, felicidade e satisfação.
Sem querer viver como cuidador familiar, de pessoas que não necessitam de cuidados especiais algum, só precisam assumir suas próprias escolhas, decisões e responsabilidades sobre a vida e o viver.
A juventude é uma consquista da alma. (Por Ricardo de Faria Barros)
Os convites para minha participação eram custeados pela Sistel. Instituição que ainda hoje faz a gestão do plano de previdência das Teles.
Confesso-lhe que o namoro com o tema longevidade, encarnado em forma de grisalhas expressões, foi paixão à primeira vista. Desde então, não larguei mais os estudos e práticas com o pessoal desta área.
Àquela época, eu tinha acabado de me formar na clínica psicológica, e como os encontros eram nos finais de semana, eu conseguia ali exercer alguns conhecimentos da Logoterapia (Terapia do Sentido na Vida), sem prejuízo de minha atividade principal como bancário.
Naqueles eventos, eu ficava impressionado com a garra e vitalidade de muitos sessentões, que não mais aceitavam a visão da velhice como incapacitante, como uma espécie de doença, e que de forma profética eram os arautos de uma revolução social que estava ocorrendo mundo afora, derivada do aumento da expectativa de vida.
Uauu!!!
Afinal, Viktor Frankl, pai da Logoterapia, dizia: "Pode-se tirar tudo de um Homem exceto uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher a própria atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho".
Escolher a atitude diante de situações. Quanta sabedoria de Frankl.
O mesmo Frankl que à luz de sua experiência como prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz (1942-1944) escreveu: "Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. E, quando a situação não puder ser transformada, transforme-se!."
Corta a cena, e mais de 20 anos depois sou convidado pela mesma Sistel para proferir um ciclo de palestras para os aposentados das teles, país afora. Missão que venho assumindo desde 2018, e com muita honra e satisfação Desde então, já estive com o pessoal da Telerj, Telesp, Telemig, Telern, Telce, Telpe e Telepará. Em agosto, encontrarei-me novamente com o pessoal da Telepar, e será muita a emoção, vinte anos depois.
Naqueles idos de 1997, nos eventos com os sessentões da Telepar, eu os encerrava afirmando que precisávamos chegar com qualidade de vida aos 80 anos.
Nos eventos que agora conduzo, encerro convidando o grupo a chegar com qualidade de vida a pelo menos s 100 anos. Lógico, se Deus assim permitir!
De cada evento, saio muito mais rico do que cheguei. Em determinada parte da palestra eu peço que uns cinco voluntários, compartilhem testemunhos de como tornaram a vida algo pelo qual vale a pena se viver.
No último evento, o do Pará. uma senhorinha, de uns 90 anos, disse que o que faz - pelo o qual vale a pena viver é ensinar as tarefas para netas e bisnetas. Ela falou com uma altivez de iluminar pálidos candeeiros emocionais.
Já o outro disse que se dedica às pastorais da igreja, assim não tem tempo para ser infeliz, relembrando as coisas que lhe fez sofrer e os lutos que já tivera. "Afinal, tem mita gente precisando de minha ajuda."
Uma outra, tão linda, disse que era uma pessoa muito agitada, muito estressada e com tudo, e que descobriu que a vida pode ser melhor diminuindo a intensidade, as cobranças e controle sobre ela mesma, e sobre todos da família, inclusive a mania de absorver os problemas deles, como se dela fossem.
Já uma outra, dirigiu-se a mim, após o encerramento, e disse que o valor da vida estava nos cuidados que prestava à mãezinha, que sofria da doença do Alemão. E que, no inicio, enxergava aquilo como um exaustivo fardo e sofria bastante, Mas que, de uns anos pra cá ela tinha entendido que era uma oportunidade que Deus tinha houvera dado. A de ser melhor, cuidando da mãe. E que se sentia mais jovem a cada dia, após ter alterado a forma que percebia aquele servir ao próximo.
Este pessoal que conserva a vontade de viver nunca se perderá nos abismos e guetos sombrios da vida. Sem a vontade de viver não se chega a lugar algum.
Eles aprenderam a lutar pela maior causa da jornada da vida e do viver, e pelo maior de todos os tesouros: aqueles advindos da conquista da juventude da alma.
Se eu tivesse que resumir todos os aprendizados que já obtive com este grupo, eles caberiam nesta frase que criei e uso nas palestras: A juventude é uma conquista da alma.
E é mesmo. E isto não tem relação com idade. Existem jovens cheios de juventude. Existem jovens velhos. Existem velhos cheios de juventude. Existem velhos velhos. Aliás, já existem crianças velhas também.
A juventude é um estado de espírito, uma postura disposicional e intencional do ser, frente às circunstâncias a que são expostos, e a forma pela qual reagem aos limites que se apresentam.
Cultivando vários espaços de sentido na vida, seja cuidando do jardim, seja cantando para crianças que residem em abrigos, seja cuidando da mãe, ou apoiando causas sociais. E até que seja sobrevivendo mais um dia, a situações difíceis, sem desistir de viver!
Não vejo a hora de encontrar os velhos amigos e amigas, aposentados das Telecomunicações do Paraná, e dizer-lhe o quanto eles foram proféticos, nos idos de 1997, ao enfatizarem que não estavam prontos ainda para adentrarem aos aposentos e esperarem o dia da morte chegar, pois tinham aprendido que a juventude é uma escolha pessoal, revolucionaria, intransferível e inadiável.
Falaram tudo!
Afinal, como também mais uma vez tao bem disse o fundador da logoterapia Viktor Frankl:
"Nada proporciona melhor capacidade de superação e resistência aos problemas, e dificuldades em geral, do que a consciência de ter uma missão a cumprir na vida!"
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| Meus pais, uns oitentões que sabem fazer a vida valer a pena de ser vivida! |
Para ser + feliz, também é preciso saber "festar". (Autor Ricardo de Faria Barros)
É dia de jogo em Brasília, da seleção de futebol do
Brasil. À noite, Brasil e Qatar vão se
encontrar às 21h30 , no Estádio Mané Garrincha.
A última vez que fui ao campo ver um jogo de futebol, o
clássico da Paraíba: Campinense x Treze, foi pelos anos 80, do século passado.
Também não me lembro de ter levado meus três primeiros
filhos, o Tiago (33), a Priscila (31) e o Rodrigo (29) num campo de
futebol.
Creio que a renda apertada de minha primeira família foi um
dos principais motivos que me levou a não vivenciar qualquer tipo de lazer, que
multiplicado por 5 – éramos 5, tornava-se muito caro para quem ganhava salário
de escriturário do BB.
Então, optávamos pelo investimento do tempo no lazer em
família, ou nas coisas da igreja, ou em viagens - para usar as diárias do
título de que pagava mensalmente, da Bancorbrás.
A verba era tão curta, mesmo para estes passeios, que a
opção de fazer uma farofada na praia não era charme, era estratégia de
multiplicação dos reais.
Assim como, a estratégia de prorrogar ao máximo o horário em
que levava os meninos para tomarem o café da manhã, pois economizava fome para
o almoço, postergando-o par ao fim da tarde, numa espécie de almoço-janta.
Mas, depois consegui uns cobres a mais, e mesmo assim
continuei bicho do mato. Os filhos vieram para Brasília, o JG nasceu, e mesmo
assim eu continuava sem ir no campo, ou fazer alguma viagem para o exterior com
eles.
Não vou me deter fazendo grandes análises do que ocorreu
comigo que me levou a não mais ir a um estádio., ou me tornar uma espécie de
ermitão para vários tipos de turismo de lazer-entretenimento, do tipo Disney.
Quantas coisas vão passando por nossa vida e não as
aproveitamos?
Não estamos ali, presente a elas, vivendo aquela
experiência. Seja por comodismo, seja
por apatia, seja por medo do desconhecido. Sei lá.
O fato é que tomei consciência disso recentemente. De que é
importante ser testemunha da história, viver experiências únicas, que não se
repetem. Poder dizer, eu estive ali!
Acho que entrei no modo sobrevivência, com uma vida muito
corrida, adaptando-me a grana curta para qualquer tipo de lazer que custasse
mais que 50 dólares.
Ou fiz outras
escolhas de preenchimento do tempo livre. Ou me adaptei ao estilo de vida da
parceria. Ou, tudo isto junto e misturado.
Outro dia pensei comigo: “Daqui a duas semanas
o Brasil vai jogar aqui contra o Qatar, que tal você levar o JG?”
Assustado de ter que enfrentar meus medos e mudar, ainda
tentei argumentar dizendo que eu iria ver se ele estaria comigo no dia do jogo,
uma vez que tenho a guarda compartilhada dele.
Tipo, vou adiar o assunto e ela vai esquecer. Mas, esperta e conhecedora de meu estilo ermitão,
soltou um: “Será na quarta à noite. E toda quarta ele fica contigo”. Eita!
Então, resoluto e decidido, respondi que nós iríamos ao
jogo.
Comecei a fuçar e descobri o site pra comprar os ingressos.
A primeira aventura foi entender o sistema deles.
Os dois ingressos, a meia e a inteira, saíram em meu nome. E
não havia opção de escolher as cadeiras, portanto saíram em poltronas
diferentes, embora no mesmo portão 17.
Aiaiai pensei! Só comigo.
Mandei mensagens para a Fanpass, e-mail, tentei os fones,
WhatsApp, bati bombo, soltei fumaça e ninguém respondia.
No dia do jogo, após mandar um último help pelo Zap, eles enfim
responderam que não havia cadeiras marcadas e que a meia entrada, também com o
meu nome impresso nela, não seria problema. (Sic!) Não entendi nada, mas lhes
confesso que fiquei com o “chu” na mão. É que tenho fobia com acesso a prédios,
ter que passar por guardinhas. Além da de achar que o meu lugar de sentar
estará com outra pessoa nele. Bem, pelo menos a segunda fobia não seria
alimentada, já que o assento era livre. O problema, na cabeça de um fóbico, é
que criamos um cenário no qual nenhuma dupla de cadeira estaria disponível,
lado a lado, para mim e o JG. Coisa de louco, ao pensar um estádio com mais de
70.000 lugares. Mas, quem não tem também suas próprias bizarrices que me atire
a primeira pedra.
Na manhã
da quarta saio feito doido pelo setor comercial sul procurando o povo das
bandeiras e camisas. Nada. Eles não fizeram o ponto. Dou uma voltinha pelo
estádio e por lá eles ainda não houveram chegado. Disse-lhe que iríamos “normal”, mas que
iríamos.
Pelo meio dia, ela vem aqui em casa e me salva com uma bela
camisa canarinha para o JG. Quem ama
cuida!
Fiquei emocionado com o gesto inesquecível dela, e fui logo
tratar de achar as minhas camisas amarelas. Tinha dito a ela que eu tinha uma
da seleção, mas me enganara. Logo decidi por uma camisa de um evento do BB, bem
estilosa e amarela.
Fui buscar o JG no colégio, e no caminho de volta disse-lhe
que à noite iríamos ver o jogo do Brasil. Ele, entretido com o celular,
respondeu com um protocolar: “ok, papai”.
Aí continuei dizendo
que ele precisaria provar a camisa que ganhou, e que tinha que fazer todas as
tarefas na parte da tarde, para que fossemos ao estádio.
A cena que ocorreu a partir desta minha frase não cabe em
palavras. Caíram todas as fichas ao mesmo tempo. JG ama futebol. Ele treina
todos os sábados. E, ele perguntava, nós vamos ver o Brasil? Eu dizia, sim. Ele
continuava, no estádio? Eu dizia, sorrindo, siiimmm!!! E ele vibrava de
felicidade, esquecendo o celular. Aí foi
me falando que o Gabriel Jesus jogará, que o Neymar – o pegador, jogará. E que talvez o Brasil consiga fazer um gol de
falta. E que tem tempo que não faz. Eu não sabia de nada disso.
O jogo começava 21h30, mas saímos de casa 17hrs.
Estacionamos perto da Torre de TV e fomos eletricamente esfuziantes em direção
ao Estádio. No caminho bandeiras, camisas, e adereços marcavam o momento: é dia
de jogo do Brasil. Fomos dos primeiros a acessar as catracas de fiscalização do
acesso. Elas nem estavam abertas ainda,
visto que era 17h30, mas nos juntamos a outros 50 ansiosos que nem nós. E tudo
era festa. 18h40 elas abriram e fomos para a revista. E, pimba, o só comigo
ocorreu. Fomos barrados.
Não autorizaram meu ingresso com a câmera fotográfica. JG
ficou desolado, olhos cheios de lágrimas. Disse-lhe, filho bora correr até o
carro. Se eu tivesse ido de Uber o problema seria mais sério. Corremos uns 1,2
km, deixamos a máquina, e voltamos arfando, mas felizes. Já não havia filas na
segurança e passamos legais pela vistoria.
Nos dirigimos à segunda barreira, agora a da conferência do
ingresso. Com o chu na mão, a moça só passou no leitor de código de barras, que
deu ok nos dois ingressos.
Mas, tinha uma terceira barreira, que pegava um outro papel
para checar a validação do ingresso, e logo o cara nos liberou.
Entramos naquele mostro de concreto, feito com mais de 40
esguias colunas gregas de uns 100 metros de altura. A primeira sensação foi de
retorno à minha juventude. Aquele frisson no ar, ao subir para a superior,
entremeado de enormes colunas, aquela primeira visão do campo, uauuu, as
pessoas alegres, famílias e mais famílias. Logo descobrimos um lugar bacana, na
arquibancada superior, a primeira de suas fileiras, a mais próxima da inferior.
Estávamos protegidos à frente por um vidro, e ficamos sentados ao lado de uma
das escadas de acesso ao wc, e com uma segurança nela fazendo guarda. JG bem que tentou ainda ler o resumo de
história e geografia da prova que faria nesta quinta.
Mas, era impossível. O clima de jogo do Brasil é
indescritível. E muitas coisas vão ocorrendo, mesmo a 2 horas do início. Tem
jogo de bolas e camisas pra torcida, o que JG reclamou pois não alcançavam as
superiores. Tem música, tem a batucada chegando com festa. Tem fogos a
escalação anunciada nos telões. Tem o povo levando banho dos jatos de água do
campo, e todo mundo sorrindo. Tem treino dos goleiros, tem os doidinhos dos
reservas. Tem a entrada dos titulares para aquecimento e primeira saudação pra
torcida.
Então, a prova de Geografia e História que nos perdoe, mas
dela existe recuperação. De uma vivência como aquela não! E, liberei o JG da
leitura. Ele não podia perder nada daquilo, nem eu. Acho que éramos os mais
animados do pedaço onde estávamos.
E foi uma comilança, graças a Deus levei dinheiro trocado.
Era um tanto de gente passando vendendo churros, pipoca, cachorro-quente,
batatas e amendoins, água e cerveja sem álcool.
Uma festa de sabores. Tudo embalado pelo animado do estádio
que não deixava ninguém parado, ensaiando as famosas Olas. JG logo se aclimatou e já estava indo sozinho
ao WC e repor comidas, direto no bar. Sempre eu ficava apreensivo, mas como a
lotação estava em 50% da capacidade do estádio, eu o deixei treinar autonomia e
protagonismo. E ele se saiu super bem.
Aí veio a entrada dos times, a emoção dos canhões de ar que
lançam as fitas amarelas na torcida, as torres de fumaça branca, e o hino. Ahh,
o Hino Nacional Brasileiro, o povo todo cantando à capela, como não encher os
olhos de água?
Acho que só viver a cantata coletiva do Hino já teria valido
à noite. Mas teve dois gols, dois
momentos que eu e o JG parecíamos enlouquecidos, abraçados, pulando e em pé
festejando.
Faltando 15 minutos pra terminar resolvi sair para poder
pegar menos trânsito e chegar mais rápido em casa. JG vinha esfuziante no
carro. Comentando cada lance, inclusive o bendito gol de falta que anda
rareando na canarinha.
Uma tímida lua nova nos acompanhava, até em casa. No meu
coração só gratidão. À namorada por ter me possibilitado viver esta
experiência.
E a Deus por ter dado tudo certo. Chegamos em casa, nos
abraçamos emocionados com o que vivemos, e, antes de dormir, dissemos um a
outro: voltaremos a fazer isto!
É preciso mesmo. Para estas e tantas outras coisas que
ocorrem, ali pertinho de nós, e nem sempre as valorizamos e delas participamos
como deveríamos fazer.
Não posso consertar meu passado, nem devo me julgar com
severidade e culpa, contudo posso reescrever meu presente!
Chega de ser ermitão, um monte de coisas ocorre todos os
dias mundo afora, dignas de serem saboreadas – com a família, amor, amigos ou
sozinho.
E, muitas delas, ocorrem a custo zero.
Como, por exemplo, ver nos primeiros domingos de cada mês a
troca da bandeira do Pavilhão Nacional, na Praça dos Três Poderes, aqui em
Brasília. Espetáculo belíssimo, para o
qual em 20 anos por aqui, só fui uma vez.
Este tempo acabou, está decretado, lavrado e passado em cartório!
Por uma Maior Ecologia Humana (Por Ricardo de Faria Barros)
Fui deixar o meu filho na escola, o JG de quase 10 anos, e no caminho aproveitávamos para revisar a matéria da prova de Ciências.
Num determinado momento, após atravessar o Protocolo de Kioto (PDK), ele começou a definir os 5Rs da sustentabilidade, e em voz alta.
Eu intervi, achando que ele se enganara:
- Cinco, não são três? Perguntei espantado.
Não pai, são 5 Rs: Reduzir, Reciclar, Reutilizar, Repensar, Recusar.
Fiz cara de admiração e babei com a novidade. Que legal o repensar e o recusar, adicionados recentemente.
Fiz mestrado no tema sustentabilidade, em 2007, e testemunhar uma criança estudando sobre o PDK, e os 5Rs, é muito prazeroso. Estamos criando uma nova geração que terá mais cuidado com o nosso futuro comum.
Engraçado que redefine minha linha de estudos para a Ecologia Emocional. Assim como o ambiente físico, o ambiente emocional também pode ser poluente.
Podemos largar por aí, nos ambientes em que estamos inseridos, as chuvas ácidas atitudinais, ter a camada de Ozônio do coração perfurada, pelos insensíveis de plantão, ou até sofrermos com o efeito estufa labora, dos ambientes carregados nos quais trabalhamos.
Precisamos urgente de uma campanha pelos 5 Rs para melhorar a convivência social, humanizando ambientes, relações e serviços.
Reduzir - Reduzir a falta de empatia com o outro, que mesmo trabalhando ao lado, se nos passa como invisível. Reduzir a ingestão de ódio, inveja e desrespeito para com os tidos como diferentes. Reduzir a falatória de monólogos narcisistas, todos em busca de palco e poder, para ampliar os espaços da escutatória de pessoas que se doam e acolhem-se mutuamente.
Reduzir a falta de tesão pela vida, falta de disciplina, coragem e foco no que precisa ser feito, para se chegar a algum lugar. Reduzir as terceirizações de culpas e responsabilidades, para uma entidade, ou um alguém qualquer. Reduzir alimentar tudo que nos apequena, aprisiona ou tiram-nos a luz.
Reciclar – Reciclar lembranças e vivências. Ir buscar no fundo da alma aquelas cenas de carinho, de apoio, de superação pelas quais já passamos. Ressignificá-las para delas extrair mais força de viver. Reciclar as emoções que tivemos e que nos fizeram sentir e expressar gratidão. Reciclar sentimentos, pensamentos, oxigenando a alma. Ter a disposição para abrir o baú das memórias e valorizar aquelas que nos tornaram melhores como pessoa. Reciclar algo que aparentemente nos tornou um lixo, em algo de valor, fruto do aprendizado que tivemos. Reciclar os sofreres, extraindo deles a coragem dos sobreviventes.
Reutilizar – Reutilizar tudo aquilo que já utilizamos e deixamos de lado, esquecido num canto qualquer de nossa alma. Reutilizar as manhãs nas quais acordávamos tão esperançosos para a maravilha da vida e do viver. Reutilizar potenciais adormecidos, reutilizar elementos de nossa história de vida, capacidades e competências, atualizando-as para o enfrentamento dos tempos presentes. Reutilizar os valores que sempre nos fizeram tão bem, e que por não recebê-los dos outros, fomos deixando largados, mofados e empoeirados nas estantes de nosso ser, tais como o perdão, o reconhecimento do outro, a ajuda despretensiosa, a vontade de crescer, a esperança de que amanhça será melhor, e de que isto, qualquer isto que doa, também passará.
Repensar – Repensar nosso estilo de vida, cada vez mais consumista, materialista, individualista e ganancioso. Fazer escolhas mais saudáveis mantendo o corpo são. Carregar menos malas dos outros e de nós mesmos, em forma de emoções, culpas, lutos e pensamentos que pesam na alma. Repensar caminhos, permitir-se a escolhas diferentes, que levam a novos lugares. Repensar as peles dos outros encrustadas à nossa, se de fato elas estão nos fazendo bem. Repensar a jornada, os alvos e metas da vida e do viver. Focando no que realmente importa, interessa e faz bem. Repensar se não estamos reproduzindo hábitos nocivos, comportamentos tiranos e emoções doentias, fruto da convivência com pessoas e lugares nocivos ao bem-estar emocional.
Recusar – Recusar tudo que nos fará apequenar a alma. Recusar promessas fáceis de se chegar à janelinha. Recusar a ideologia de que nós merecemos tudo, mesmo sem esforço algum para seu alcance. Recusar viver a vida dos outros, em invejas mórbidas. Recusar acompanhar projetos de vida que não se sustentam em si mesmos. Recusar toda falta de ética, respeito e consideração para com o próximo. Recusar aos preconceitos e aos extremos totalizantes de todas as crenças: religiosas, políticos, regionais... Recusar toda linha de produção que nos quer iguais, sem identidade, objetos do sistema, pessoas sem autonomia e liberdade de refazer caminhos. Recusar fazer parte dos grupos de ódio, de negação de toda forma de vida e de tirania. Recusar caminhos que não são os nossos, pensado e trilhado com nossos próprios pés. Recusar tornar-se coisa, mesmo se coisificado for.
Assim, entendo que a Ecologia Emocional estaria mais preservada e cada um de nós contribuiria em deixar mais saudável ao ecossistema humano no qual habita.
Num determinado momento, após atravessar o Protocolo de Kioto (PDK), ele começou a definir os 5Rs da sustentabilidade, e em voz alta.
Eu intervi, achando que ele se enganara:
- Cinco, não são três? Perguntei espantado.
Não pai, são 5 Rs: Reduzir, Reciclar, Reutilizar, Repensar, Recusar.
Fiz cara de admiração e babei com a novidade. Que legal o repensar e o recusar, adicionados recentemente.
Fiz mestrado no tema sustentabilidade, em 2007, e testemunhar uma criança estudando sobre o PDK, e os 5Rs, é muito prazeroso. Estamos criando uma nova geração que terá mais cuidado com o nosso futuro comum.
Engraçado que redefine minha linha de estudos para a Ecologia Emocional. Assim como o ambiente físico, o ambiente emocional também pode ser poluente.
Podemos largar por aí, nos ambientes em que estamos inseridos, as chuvas ácidas atitudinais, ter a camada de Ozônio do coração perfurada, pelos insensíveis de plantão, ou até sofrermos com o efeito estufa labora, dos ambientes carregados nos quais trabalhamos.
Precisamos urgente de uma campanha pelos 5 Rs para melhorar a convivência social, humanizando ambientes, relações e serviços.
Reduzir - Reduzir a falta de empatia com o outro, que mesmo trabalhando ao lado, se nos passa como invisível. Reduzir a ingestão de ódio, inveja e desrespeito para com os tidos como diferentes. Reduzir a falatória de monólogos narcisistas, todos em busca de palco e poder, para ampliar os espaços da escutatória de pessoas que se doam e acolhem-se mutuamente.
Reduzir a falta de tesão pela vida, falta de disciplina, coragem e foco no que precisa ser feito, para se chegar a algum lugar. Reduzir as terceirizações de culpas e responsabilidades, para uma entidade, ou um alguém qualquer. Reduzir alimentar tudo que nos apequena, aprisiona ou tiram-nos a luz.
Reciclar – Reciclar lembranças e vivências. Ir buscar no fundo da alma aquelas cenas de carinho, de apoio, de superação pelas quais já passamos. Ressignificá-las para delas extrair mais força de viver. Reciclar as emoções que tivemos e que nos fizeram sentir e expressar gratidão. Reciclar sentimentos, pensamentos, oxigenando a alma. Ter a disposição para abrir o baú das memórias e valorizar aquelas que nos tornaram melhores como pessoa. Reciclar algo que aparentemente nos tornou um lixo, em algo de valor, fruto do aprendizado que tivemos. Reciclar os sofreres, extraindo deles a coragem dos sobreviventes.
Reutilizar – Reutilizar tudo aquilo que já utilizamos e deixamos de lado, esquecido num canto qualquer de nossa alma. Reutilizar as manhãs nas quais acordávamos tão esperançosos para a maravilha da vida e do viver. Reutilizar potenciais adormecidos, reutilizar elementos de nossa história de vida, capacidades e competências, atualizando-as para o enfrentamento dos tempos presentes. Reutilizar os valores que sempre nos fizeram tão bem, e que por não recebê-los dos outros, fomos deixando largados, mofados e empoeirados nas estantes de nosso ser, tais como o perdão, o reconhecimento do outro, a ajuda despretensiosa, a vontade de crescer, a esperança de que amanhça será melhor, e de que isto, qualquer isto que doa, também passará.
Repensar – Repensar nosso estilo de vida, cada vez mais consumista, materialista, individualista e ganancioso. Fazer escolhas mais saudáveis mantendo o corpo são. Carregar menos malas dos outros e de nós mesmos, em forma de emoções, culpas, lutos e pensamentos que pesam na alma. Repensar caminhos, permitir-se a escolhas diferentes, que levam a novos lugares. Repensar as peles dos outros encrustadas à nossa, se de fato elas estão nos fazendo bem. Repensar a jornada, os alvos e metas da vida e do viver. Focando no que realmente importa, interessa e faz bem. Repensar se não estamos reproduzindo hábitos nocivos, comportamentos tiranos e emoções doentias, fruto da convivência com pessoas e lugares nocivos ao bem-estar emocional.
Recusar – Recusar tudo que nos fará apequenar a alma. Recusar promessas fáceis de se chegar à janelinha. Recusar a ideologia de que nós merecemos tudo, mesmo sem esforço algum para seu alcance. Recusar viver a vida dos outros, em invejas mórbidas. Recusar acompanhar projetos de vida que não se sustentam em si mesmos. Recusar toda falta de ética, respeito e consideração para com o próximo. Recusar aos preconceitos e aos extremos totalizantes de todas as crenças: religiosas, políticos, regionais... Recusar toda linha de produção que nos quer iguais, sem identidade, objetos do sistema, pessoas sem autonomia e liberdade de refazer caminhos. Recusar fazer parte dos grupos de ódio, de negação de toda forma de vida e de tirania. Recusar caminhos que não são os nossos, pensado e trilhado com nossos próprios pés. Recusar tornar-se coisa, mesmo se coisificado for.
Assim, entendo que a Ecologia Emocional estaria mais preservada e cada um de nós contribuiria em deixar mais saudável ao ecossistema humano no qual habita.
Ao Uzbequistão de Nós Mesmos (Autor Ricardo de Faria Barros)
Era noite de sexta, aula de Comunicação, e a Marta conduzia sua sessão de narrativas de vida.
Animada, usava seus 5 minutos, para narrar algo marcante.
Ela contou-nos que no ano passado fora passar 15 dias no Uzbequistão, para fazer a Rota da Seda e conhecer a cidade de Boukhara.
Seus olhos brilhavam ao relatar sobre as bonitas edificações e paisagens que por lá conheceu, e das aventuras dos deslocamentos, entre vários aeroportos, estações ferroviárias e rodoviárias, até chegar aos destinos finais.
E, do quanto aprendeu com a viagem, de como é possível conhecer lugares legais sem levar muitas malas, gastando pouco, e ainda fazendo um monte de amizades pelo caminho, inclusive com pessoas do Brasil que estavam fazendo experiências sabáticas no exterior.
Que consistem em dar uma pausa no trabalho e se permitir a uma viagem em busca de si mesmo, de preferência enfrentando o desconhecido noutro país.
A lição aprendida, que encerrou sua apresentação, foi a de que o segredo da felicidade está na simplicidade de viver: seja no vestir, no conviver, no comer, se hospedar ou se deslocar.
De fato, se é uma coisa que esta geração nos ensina é a de fazer no hoje, e com o possível, algo muito legal.
Eles não têm medo de saírem por aí mochilando, conhecendo lugares únicos, e desafiando seus próprios limites. Desde que valha a pena a jornada, eles irão para lá.
Não se importam com luxo, restaurantes badalados, ou malas abarrotadas de roupas bonitas, daquelas para visitar lugares estilosos. Se tiver alguma coisa legal para conhecerem, está valendo o sacrifício. Eles curtem a experiência da viagem.
Eles não se obrigam a vestir uma roupa que não lhes cabem mais. Show!
Quantas coisas em nossa vida este jeito mochilar de ser nos ensina! Com menos malas, mais leve, mais livre, com mais autonomia e coragem de ser quem se é, não tentando ser o que querem que sejamos.
É preciso fazer a jornada da vida como quem mochila para o Uzbequistão.
É preciso peregrinar em busca de nosso Uzbequistão interior, trilhando a jornada da alma.
Ousar, com a mesma coragem da jovem Marta, acessar áreas desconhecidas de nossa existir, acessar nossos medos, nossas vivências difíceis, extraindo desta viagem ao interior do Ser aprendizados essenciais para uma vida plena, com sentido e feliz.
É preciso conhecer nosso Uzbequistão, para melhor valorizar e aproveitar todo o potencial humano de nossa existência. Deixando de lado, ou pra trás, ou até não mais priorizando ou destacando, aquilo, ou quem, nos faz mal.
Para chegar ao Uzbequistão da alma é preciso coragem de recomeçar, quantas vezes necessários seja. Coragem de se reconectar, reinicializar, quantas vezes preciso for.
Coragem de romper com prisões reais ou imaginárias, saltando no vazio de infinito à frente.
Coragem de dobrar aquela curva, permitindo-se ao mirar de novos horizontes.
Esta coragem exige uma atitude Marta de ser. Daquelas de mente e coração abertos para a novidade de viver, e de assombro com os encantamentos de cada estação, nas paradas da vida.
Atitude receptiva e acolhedora frente a novas culturas e pessoas
Carregando menos tranqueiras emocionais em nossas malas interiores.
Carregando menos problemas das outras pessoas. Carregando menos as próprias outras pessoas em nosso viver.
Deixando de querer ser uma unanimidade.
Deixando para esta viagem de levar as culpas eternas. ou as mágoas encardidas, daquelas que tiram o gosto de tudo, causando desgosto.
A vida anda pedindo um pouco mais de leveza e simplicidade.
Anda pedindo menos tempo-pixel e mais tempo-pele.
Inspirado pela Marta, voltei pra casa lembrando-me uma experiência legal que que vivi, recentemente, e a custo zero.
Outro dia, peguei o carro e fui em direção a uma das raras produtoras de vinho do Cerrado, para as bandas de Cocalzinho de Goiais. O objetivo era conhecer a vinícola Girassol, com sua cachoeira do mesmo nome. A ida a este local exige o estilo Marta-Mochileira. Parte do acesso não é asfaltado. E, ao lá se chegar, será preciso descer uns 200 degraus até acessar a queda d´água, descendo pela escarpa de uma montanha rochosa. Antes de descer, parei no prosaico restaurante rural do local para encomendar um dos três tipos de almoço: galinha, peixe ou vaca. E tudo precisa ser pedido com tempo, para poder ser feito, exclusivamente para você.
É ou não é uma experiência? Trouxe na bagagem, além da bela queda d´água, flores e uma borboleta azul, o papo gostoso com a cozinheira que fez o delicioso pirão de galinha, e o que tive com o marido dela, que explicou as propriedades dos licores que vende: Cagaita, Jenipapo e Uva. Comprei um de cada, afinal de contas, são raríssimos (rsrsrs), e com o selo do vinhedo Girassol.
Este texto não é sobre o Uzbequistão, ou a Girassol, embora falei deles como uma metáfora sobre viagens na jornada de nós mesmos.
É preciso parar para contemplar o presente, ousando enamorar-se com encanto, e novamente, tal qual quando éramos tão jovens, das coisas simples, possíveis e acessíveis em nosso viver, que nem sempre são mais valorizadas, por estarmos envenenados de ansiedades mil, preocupações dois mil, e pensamentos e emoções negativas, três ml.
É preciso tirar das malas tudo que não nos pertence mais e que dificultará nossa caminhada.
Tirar toda forma de orgulho ou arrogância do ser.
Tirar pra fora todo tipo de preconceito e desrespeito no conviver com o outro.
Tirar toda as peles que em nós foram se moldando e que não se constituem a nossa melhor essência, nem dizem respeito ao nosso Eu Maior.
Na intransferível viagem à jornada da alma, vale mais levar na bagagem a humildade, a compaixão, a empatia, a amorosidade, a ternura, a coragem, a tolerância, a simplicidade, o otimismo e a esperança. Do que, o orgulho, a prepotência, o medo, a mesquinhez, a brutalidade, a autossuficiência, o desamor, a desesperança, a apatia, a inveja e a opressão.
É urgente carregar menos malas, em forma de gente, ou de emoções-comportamentos tóxicos, para uma vida de mais autonomia e feliz!
Animada, usava seus 5 minutos, para narrar algo marcante.
Ela contou-nos que no ano passado fora passar 15 dias no Uzbequistão, para fazer a Rota da Seda e conhecer a cidade de Boukhara.
Seus olhos brilhavam ao relatar sobre as bonitas edificações e paisagens que por lá conheceu, e das aventuras dos deslocamentos, entre vários aeroportos, estações ferroviárias e rodoviárias, até chegar aos destinos finais.
E, do quanto aprendeu com a viagem, de como é possível conhecer lugares legais sem levar muitas malas, gastando pouco, e ainda fazendo um monte de amizades pelo caminho, inclusive com pessoas do Brasil que estavam fazendo experiências sabáticas no exterior.
Que consistem em dar uma pausa no trabalho e se permitir a uma viagem em busca de si mesmo, de preferência enfrentando o desconhecido noutro país.
A lição aprendida, que encerrou sua apresentação, foi a de que o segredo da felicidade está na simplicidade de viver: seja no vestir, no conviver, no comer, se hospedar ou se deslocar.
De fato, se é uma coisa que esta geração nos ensina é a de fazer no hoje, e com o possível, algo muito legal.
Eles não têm medo de saírem por aí mochilando, conhecendo lugares únicos, e desafiando seus próprios limites. Desde que valha a pena a jornada, eles irão para lá.
Não se importam com luxo, restaurantes badalados, ou malas abarrotadas de roupas bonitas, daquelas para visitar lugares estilosos. Se tiver alguma coisa legal para conhecerem, está valendo o sacrifício. Eles curtem a experiência da viagem.
Eles não se obrigam a vestir uma roupa que não lhes cabem mais. Show!
Quantas coisas em nossa vida este jeito mochilar de ser nos ensina! Com menos malas, mais leve, mais livre, com mais autonomia e coragem de ser quem se é, não tentando ser o que querem que sejamos.
É preciso fazer a jornada da vida como quem mochila para o Uzbequistão.
É preciso peregrinar em busca de nosso Uzbequistão interior, trilhando a jornada da alma.
Ousar, com a mesma coragem da jovem Marta, acessar áreas desconhecidas de nossa existir, acessar nossos medos, nossas vivências difíceis, extraindo desta viagem ao interior do Ser aprendizados essenciais para uma vida plena, com sentido e feliz.
É preciso conhecer nosso Uzbequistão, para melhor valorizar e aproveitar todo o potencial humano de nossa existência. Deixando de lado, ou pra trás, ou até não mais priorizando ou destacando, aquilo, ou quem, nos faz mal.
Para chegar ao Uzbequistão da alma é preciso coragem de recomeçar, quantas vezes necessários seja. Coragem de se reconectar, reinicializar, quantas vezes preciso for.
Coragem de romper com prisões reais ou imaginárias, saltando no vazio de infinito à frente.
Coragem de dobrar aquela curva, permitindo-se ao mirar de novos horizontes.
Esta coragem exige uma atitude Marta de ser. Daquelas de mente e coração abertos para a novidade de viver, e de assombro com os encantamentos de cada estação, nas paradas da vida.
Atitude receptiva e acolhedora frente a novas culturas e pessoas
Carregando menos tranqueiras emocionais em nossas malas interiores.
Carregando menos problemas das outras pessoas. Carregando menos as próprias outras pessoas em nosso viver.
Deixando de querer ser uma unanimidade.
Deixando para esta viagem de levar as culpas eternas. ou as mágoas encardidas, daquelas que tiram o gosto de tudo, causando desgosto.
A vida anda pedindo um pouco mais de leveza e simplicidade.
Anda pedindo menos tempo-pixel e mais tempo-pele.
Inspirado pela Marta, voltei pra casa lembrando-me uma experiência legal que que vivi, recentemente, e a custo zero.
Outro dia, peguei o carro e fui em direção a uma das raras produtoras de vinho do Cerrado, para as bandas de Cocalzinho de Goiais. O objetivo era conhecer a vinícola Girassol, com sua cachoeira do mesmo nome. A ida a este local exige o estilo Marta-Mochileira. Parte do acesso não é asfaltado. E, ao lá se chegar, será preciso descer uns 200 degraus até acessar a queda d´água, descendo pela escarpa de uma montanha rochosa. Antes de descer, parei no prosaico restaurante rural do local para encomendar um dos três tipos de almoço: galinha, peixe ou vaca. E tudo precisa ser pedido com tempo, para poder ser feito, exclusivamente para você.
É ou não é uma experiência? Trouxe na bagagem, além da bela queda d´água, flores e uma borboleta azul, o papo gostoso com a cozinheira que fez o delicioso pirão de galinha, e o que tive com o marido dela, que explicou as propriedades dos licores que vende: Cagaita, Jenipapo e Uva. Comprei um de cada, afinal de contas, são raríssimos (rsrsrs), e com o selo do vinhedo Girassol.
Este texto não é sobre o Uzbequistão, ou a Girassol, embora falei deles como uma metáfora sobre viagens na jornada de nós mesmos.
É preciso parar para contemplar o presente, ousando enamorar-se com encanto, e novamente, tal qual quando éramos tão jovens, das coisas simples, possíveis e acessíveis em nosso viver, que nem sempre são mais valorizadas, por estarmos envenenados de ansiedades mil, preocupações dois mil, e pensamentos e emoções negativas, três ml.
É preciso tirar das malas tudo que não nos pertence mais e que dificultará nossa caminhada.
Tirar toda forma de orgulho ou arrogância do ser.
Tirar pra fora todo tipo de preconceito e desrespeito no conviver com o outro.
Tirar toda as peles que em nós foram se moldando e que não se constituem a nossa melhor essência, nem dizem respeito ao nosso Eu Maior.
Na intransferível viagem à jornada da alma, vale mais levar na bagagem a humildade, a compaixão, a empatia, a amorosidade, a ternura, a coragem, a tolerância, a simplicidade, o otimismo e a esperança. Do que, o orgulho, a prepotência, o medo, a mesquinhez, a brutalidade, a autossuficiência, o desamor, a desesperança, a apatia, a inveja e a opressão.
É urgente carregar menos malas, em forma de gente, ou de emoções-comportamentos tóxicos, para uma vida de mais autonomia e feliz!
O valor de uma ida ao salão (Por Ricardo de Faria Barros)
Voltando da caminhada, arfando que nem cachorro criado em casa de açougueiro, dei-me conta de que não levara a chave da portaria.
Dirijo-me então à recepção, e, ao dela me aproximar, vejo conversando com o porteiro Antonio uma vistosa senhorinha, de uns 1,85 de altura, cabelos bem branquinhos, toda elegante e altiva.
Ela fala em voz alta, e toda sorridente, que não vai esperar ficar boa da saúde para ir ao salão, cortar o cabelo, e que aguarda o Uber.
Abestalhado com o que escutei, a cumprimento emocionado, e peço para Antonio abrir a portaria.
Despeço-me deles com um leve sabor de vida impregnado até os confins de meu ser.
Você já cruzou com alguém e saiu com a alma perfumada?
Aquela senhorinha aromatizou meu viver.
Horas depois, perguntei ao Antônio quem era ela. Ele disse-me que se trata e Dona Terezinha, 92 anos, moradora do ap 401.
Fiquei mais admirado ainda, e, porque não dizer, perfumado.
92 anos e com aquela jovialidade!
Dona Terezinha disse que não tinha tempo para aguardar ficar boa, e botou sua melhor roupa, fez maquiagem, estampou um sorriso no rosto, e foi renovar sua auto-estima.
Que atitude bonita dela, diante dos limites da vida.
Lembrei-me de Luzia, aquela da marchinha de carnaval de João de Barros (Braguinha):
"Anda, Luzia, pega o pandeiro e cai no carnaval.
Anda, Luzia, essa tristeza lhe faz muito mal.
Apronta a tua fantasia, alegra o teu olhar profundo,
A vida só dura um dia, Luzia.
E não se leva nada deste mundo..."
Foi como se eu visse a Terezinha com o seu pandeiro na mão, enfeitiçando as horas da vida, ao transformá-las em vidas das horas.
Lembro de mamãe, Dona Denise, 80 anos, que também anda tocando o seu pandeiro e não deixa de participar ativamente das pastorais da Igreja do Rosário.
Lembro de papai, Sr. Evandy, que prestes a chegar aos 82 anos ainda se alegra com tudo, e transmite muita paz, mesmo que esteja chupando dindin (sacolé), e de água.
Creio que estes "novos velhos" têm muito a ensinar aos velhos jovens de hoje em dia, em qualquer idade que estejam.
Ensinar a persistir, quando tudo ao lado já desistiu.
Ensinar a gratidar a vida. Verbo que criei para conceituar a capacidade ativa de sentir e expressar gratidão.
Ensinar a ter foco e disciplina, para correr atrás dos objetivos.
Ensinar a não desanimar, diante dos inevitáveis aperreios da vida, e continuar respirando, mais um dia, mais um dia, mais um dia...
Ensinar a dar valor às pequenas alegrias, reconhecendo-as como verdadeiras dádivas restauradoras da esperança de viver.
Precisamos urgente de muitos pandeiros na humanidade, de muitas Luzias, Denises, Evandys e Terezinhas.
Precisamos inspirar pessoas a enfrentarem seus monstros, a superar seus muros, reais ou imaginários, a expressarem o seu melhor potencial humano, dentro dos limites e possibilidades que a vida lhes impõe.
Dona Terezinha está certa. Não há tempo disponível para esperar ficar curada. Melhor, enquanto isto não chega, ir cuidar do cabelo.
A humanidade vive hoje uma epidemia de vazio existencial. Há falta de Terezinhas no "mercado".
Isto deriva tanto de uma educação infantil que não fixa limites, e não responsabiliza o jovem para ele mesmo correr atrás de seus próprios progressos.
Como do aumento da individualidade, consumismo e narcisismo digital, like-me please!
As pessoas estão virando produtos de consumo, coisas, e os relacionamentos ficando mais voláteis. E, sem o outro, um outro para confiar, nós murchamos como coletividade.
Assim, germinam-se em todo lugar pessoas que não estão sendo devidamente educadas para o enfrentamento da vida. Que acham que existe almoço grátis, ou que podem chegar nas janelinhas em esforço algum, só porque merecem.
Os brotos humanos que germinam deste ambiente, de baixíssima resiliência, são frágeis para aguentar os trancos e sopapos da vida.
Resiliência não se aprende em cursos e livros. Se aprende com a própria experiência humana. Então, se estamos criando pessoas super-protegidas, ou não estamos cortando os cordões umbilicais deles, estamos sabotando as suas próprias vivencias de frustração, medo, angústia, triunfo e realização
E, quando algo sai errado, este imenso grupamento humano - frágil e carente de sentido na vida, aprende a colecionar suas dores, viram colecionaDORES. Não basta ter uma dor, é preciso que ela seja compartilhada, distribuída, valorizada, como figurinhas premiadas de um álbum.
Pessoas que não processam suas dores, não a dissolvem, destilam, ou delas se livram. tornam-se escravos de suas coleções de dores, numa postura de vítima sufocante.
E, vamos enchendo as narrativas de nossas vidas com cenas dolorosas passadas, para justificar ainda não termos desabrochado, no presente.
Outra categoria muito comum, na atualidade, são os PortaDORES. Pessoas que quando chegamos perto delas saímos doentes de sua presença. Porque elas só falam coisas pesadas, ruins, sofrimentos, aperreios e aflições. Elas têm uma atração por divulgarem isto em suas redes sociais e para todos que delas se aproximam. Precisam despertar afago, atenção e cuidado, revelando o quão suas dores são grandes e vistosas. Como em porta-estandartes.
Por último, têm os ativaDores. Pessoas que possuem um prazer sarcástico de não se alegrar com quem se alegra, de nutrir inveja má, de machucar pessoas que pensam, ou agem, diferentes delas. Este tipo anda muito presente nas redes sociais. A pessoa não se basta em discordar de algo, ela precisa se sentir humilhando o outro, vencendo-o ao sobre elas jorrar um monte de palavras-armas, no qual qualquer espécie de diálogo cai por terra, cambaleante.
Terezinha nos deu uma tremenda lição. Com autonomia, com coragem e ânimo ela foi buscar o seu pedaço de bem-estar emocional positivo, conceito bem maior do que o da própria felicidade. Não ficando à mercê das circunstâncias, nem numa asfixiante postura de vítima.
Anda, Luzia, pegue o pandeiro e vem pro carnaval!
Dirijo-me então à recepção, e, ao dela me aproximar, vejo conversando com o porteiro Antonio uma vistosa senhorinha, de uns 1,85 de altura, cabelos bem branquinhos, toda elegante e altiva.
Ela fala em voz alta, e toda sorridente, que não vai esperar ficar boa da saúde para ir ao salão, cortar o cabelo, e que aguarda o Uber.
Abestalhado com o que escutei, a cumprimento emocionado, e peço para Antonio abrir a portaria.
Despeço-me deles com um leve sabor de vida impregnado até os confins de meu ser.
Você já cruzou com alguém e saiu com a alma perfumada?
Aquela senhorinha aromatizou meu viver.
Horas depois, perguntei ao Antônio quem era ela. Ele disse-me que se trata e Dona Terezinha, 92 anos, moradora do ap 401.
Fiquei mais admirado ainda, e, porque não dizer, perfumado.
92 anos e com aquela jovialidade!
Dona Terezinha disse que não tinha tempo para aguardar ficar boa, e botou sua melhor roupa, fez maquiagem, estampou um sorriso no rosto, e foi renovar sua auto-estima.
Que atitude bonita dela, diante dos limites da vida.
Lembrei-me de Luzia, aquela da marchinha de carnaval de João de Barros (Braguinha):
"Anda, Luzia, pega o pandeiro e cai no carnaval.
Anda, Luzia, essa tristeza lhe faz muito mal.
Apronta a tua fantasia, alegra o teu olhar profundo,
A vida só dura um dia, Luzia.
E não se leva nada deste mundo..."
Foi como se eu visse a Terezinha com o seu pandeiro na mão, enfeitiçando as horas da vida, ao transformá-las em vidas das horas.
Lembro de mamãe, Dona Denise, 80 anos, que também anda tocando o seu pandeiro e não deixa de participar ativamente das pastorais da Igreja do Rosário.
Lembro de papai, Sr. Evandy, que prestes a chegar aos 82 anos ainda se alegra com tudo, e transmite muita paz, mesmo que esteja chupando dindin (sacolé), e de água.
Creio que estes "novos velhos" têm muito a ensinar aos velhos jovens de hoje em dia, em qualquer idade que estejam.
Ensinar a persistir, quando tudo ao lado já desistiu.
Ensinar a gratidar a vida. Verbo que criei para conceituar a capacidade ativa de sentir e expressar gratidão.
Ensinar a ter foco e disciplina, para correr atrás dos objetivos.
Ensinar a não desanimar, diante dos inevitáveis aperreios da vida, e continuar respirando, mais um dia, mais um dia, mais um dia...
Ensinar a dar valor às pequenas alegrias, reconhecendo-as como verdadeiras dádivas restauradoras da esperança de viver.
Precisamos urgente de muitos pandeiros na humanidade, de muitas Luzias, Denises, Evandys e Terezinhas.
Precisamos inspirar pessoas a enfrentarem seus monstros, a superar seus muros, reais ou imaginários, a expressarem o seu melhor potencial humano, dentro dos limites e possibilidades que a vida lhes impõe.
Dona Terezinha está certa. Não há tempo disponível para esperar ficar curada. Melhor, enquanto isto não chega, ir cuidar do cabelo.
A humanidade vive hoje uma epidemia de vazio existencial. Há falta de Terezinhas no "mercado".
Isto deriva tanto de uma educação infantil que não fixa limites, e não responsabiliza o jovem para ele mesmo correr atrás de seus próprios progressos.
Como do aumento da individualidade, consumismo e narcisismo digital, like-me please!
As pessoas estão virando produtos de consumo, coisas, e os relacionamentos ficando mais voláteis. E, sem o outro, um outro para confiar, nós murchamos como coletividade.
Assim, germinam-se em todo lugar pessoas que não estão sendo devidamente educadas para o enfrentamento da vida. Que acham que existe almoço grátis, ou que podem chegar nas janelinhas em esforço algum, só porque merecem.
Os brotos humanos que germinam deste ambiente, de baixíssima resiliência, são frágeis para aguentar os trancos e sopapos da vida.
Resiliência não se aprende em cursos e livros. Se aprende com a própria experiência humana. Então, se estamos criando pessoas super-protegidas, ou não estamos cortando os cordões umbilicais deles, estamos sabotando as suas próprias vivencias de frustração, medo, angústia, triunfo e realização
E, quando algo sai errado, este imenso grupamento humano - frágil e carente de sentido na vida, aprende a colecionar suas dores, viram colecionaDORES. Não basta ter uma dor, é preciso que ela seja compartilhada, distribuída, valorizada, como figurinhas premiadas de um álbum.
Pessoas que não processam suas dores, não a dissolvem, destilam, ou delas se livram. tornam-se escravos de suas coleções de dores, numa postura de vítima sufocante.
E, vamos enchendo as narrativas de nossas vidas com cenas dolorosas passadas, para justificar ainda não termos desabrochado, no presente.
Outra categoria muito comum, na atualidade, são os PortaDORES. Pessoas que quando chegamos perto delas saímos doentes de sua presença. Porque elas só falam coisas pesadas, ruins, sofrimentos, aperreios e aflições. Elas têm uma atração por divulgarem isto em suas redes sociais e para todos que delas se aproximam. Precisam despertar afago, atenção e cuidado, revelando o quão suas dores são grandes e vistosas. Como em porta-estandartes.
Por último, têm os ativaDores. Pessoas que possuem um prazer sarcástico de não se alegrar com quem se alegra, de nutrir inveja má, de machucar pessoas que pensam, ou agem, diferentes delas. Este tipo anda muito presente nas redes sociais. A pessoa não se basta em discordar de algo, ela precisa se sentir humilhando o outro, vencendo-o ao sobre elas jorrar um monte de palavras-armas, no qual qualquer espécie de diálogo cai por terra, cambaleante.
Terezinha nos deu uma tremenda lição. Com autonomia, com coragem e ânimo ela foi buscar o seu pedaço de bem-estar emocional positivo, conceito bem maior do que o da própria felicidade. Não ficando à mercê das circunstâncias, nem numa asfixiante postura de vítima.
Anda, Luzia, pegue o pandeiro e vem pro carnaval!
Não é sobre a Praia de Cumbuco-CE (Autor Ricardo de Faria Barros)
Li estarrecido que uma determinada ponte, em Natal-RN, tem sido usada para prática de suicídio. Com o aumento dos casos, voluntários passaram a se revezar naquele local, na tentativa de estabelecerem um diálogo com estas pessoas, demovendo-as desta decisão, tão trágica e sem retorno.
Para compreender melhor este fenômeno, não só do suicídio, mas também o aumento de episódios de automutilação, ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout (exaustão emocional no trabalho) recorro a dois documentos, bem atuais.
No primeiro, o World Hapiness Report-2019, relatório publicado pela ONU, registrou o aumento de emoções negativas no mundo. Um dos indicadores deste estudo é a pesquisa sobre a propensão para a generosidade que caiu drasticamente.
No segundo, o Global Policy Report, também deste ano, recomenda-se aos governos que desenvolvam políticas para enfrentamento da depressão, além de investimentos em atividades que promovam uma educação emocional positiva.
Uma das causas-raiz, revelada nos estudos, é um aumento de episódios de adição e compulsão, inclusive em idades mais jovens, criando as condições ideais para uma epidemia de vazio existencial, que são:
- Adição: álcool, drogas e alimentos não-saudáveis.
- Compulsão: games, sexo volátil, trabalho, consumo e tecnologia.
Também faz parte destes estudos algo no mínimo interessante, uma associação do tempo dedicado ao mundo digital: games e redes sociais, com o aumento da depressão, prejuízo das interações sociais presenciais e a baixa qualidade do sono.
Diante deste cenário, o que podemos fazer?
Que respostas precisamos dar à vida, para não sermos tolhidos pelo quarteto fantástico do descontentamento:
Suicídio-automutilação; depressão; ansiedade e Burnout.
Como podemos ajudar aos nossos familiares, amigos e colegas de trabalho, ou de estudos?
Creio que qualquer que seja a resposta ela passará por uma melhor percepção seletiva positiva de nós mesmos, dos outros e da realidade.
E, precisamos resgatar a generosidade, empatia e amorosidade para com estes três entes relacionais: O Eu – O Tu – E a Vida.
Parar de correr atrás de um sentido da vida, e procurar os sentidos na vida. Em tudo que se faz, vendo-se a si mesmo, e onde está inserido, como parte de um coletivo maior.
Não podemos terceirizar a educação emocional positiva para a escola.
É urgente ampliar as fronteiras dos pensamentos e emoções, para além do caudaloso rio da negatividade no qual estamos nos afogando.
É preciso desenvolver uma maior força de vontade para com a vida e o viver. Desenvolver camadas de resiliência.
Não podemos aceitar impassíveis que todos os dias alguém se dirija à uma ponte, almejando pular para a morte.
Este assunto é nosso. Meu, teu e deles.
E é preciso reeducar as lentes do pensamento e das emoções desde a mais tenra idade.
Não esqueço o comentário de uma mocinha, proferido pra sua mãe, ao tomar um café da manhã num hotel em Fortaleza.
Eu estava na mesa ao lado, bem próximo, aguardando a hora de ministrar uma palestra, sobre longevidade feliz, e não tive como não a escutar.
A mocinha, de uns 13 anos, dizia que achou a visita do dia anterior, à praia de Cumbuco, horrorosa. E que uma amiga dela, que indicou o local, estava errada. Não havia nada de bonito ali.
E, passou uns bons minutos enumerando tudo de ruim que por lá viu.
Animada, disse a sua mãe que no dia anterior já tinha saído do hotel querendo mostrar que a amiga estava errada. E que conseguiu. (Pasmem!)
E a mãe tudo ouvia sorrindo, e até de certo modo apoiando as observações da mocinha.
Nada, nada e exclusivamente nada de bom podia se extrair daquela narrativa.
Depois de Cumbuco, animada, a jovenzinha passou a discorrer sobre o quanto Fortaleza a tinha decepcionado. A calçadinha, a chuva, o povo e até a comida do café da manhã do hotel.
Corta a cena e voltemos para nossa análise.
O que você encontrará na vida se saiu de casa querendo achar somente coisas ruins nela?
Que tipo de educação emocional aquela mamãe está passando para sua filhota? A de não ser grato. De não ser generoso na forma de olhar a vida, aos outros, e até a si mesma.
A de procurar defeitos em tudo, e de sair colecionando razões para ser infeliz: Coleciona Dores.
Pois bem, na idade adulta esta jovenzinha vai estar exposta a um monte de outas situações, até no mundo do trabalho, na qual ela precisará enfrentar.
E, se em cada uma delas, ela olhar para a vida como olhou para a praia de Cumbuco, e assemelhados, ela não vai achar sentido na vida.
E, vidas que se percebem como sem sentido são mais fáceis de serem atraídas pelo desejo de por um fim em tudo.
Então, precisamos reeducar o olhar sobre a vida e o viver. Aprender a lidar melhor com as frustrações, as perdas e os limites. Aprender que não ganharemos todas. Aprender que o mundo não gira em torno de nosso umbigo, e que ninguém na calçada vai prestar atenção quando você passar.
Excitar a doação, a mansidão, a gratidão e o perdão: portais de acesso ao sentido na vida.
Fomentando em nós um senso de pertencimento a um coletivo maior, do qual fazemos parte, e no qual podemos fazer a diferença.
Não concebendo o outro como deletável e descartável, ou apto a ser colocado na caixa de spam da indiferença.
Para compreender melhor este fenômeno, não só do suicídio, mas também o aumento de episódios de automutilação, ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout (exaustão emocional no trabalho) recorro a dois documentos, bem atuais.
No primeiro, o World Hapiness Report-2019, relatório publicado pela ONU, registrou o aumento de emoções negativas no mundo. Um dos indicadores deste estudo é a pesquisa sobre a propensão para a generosidade que caiu drasticamente.
No segundo, o Global Policy Report, também deste ano, recomenda-se aos governos que desenvolvam políticas para enfrentamento da depressão, além de investimentos em atividades que promovam uma educação emocional positiva.
Uma das causas-raiz, revelada nos estudos, é um aumento de episódios de adição e compulsão, inclusive em idades mais jovens, criando as condições ideais para uma epidemia de vazio existencial, que são:
- Adição: álcool, drogas e alimentos não-saudáveis.
- Compulsão: games, sexo volátil, trabalho, consumo e tecnologia.
Também faz parte destes estudos algo no mínimo interessante, uma associação do tempo dedicado ao mundo digital: games e redes sociais, com o aumento da depressão, prejuízo das interações sociais presenciais e a baixa qualidade do sono.
Diante deste cenário, o que podemos fazer?
Que respostas precisamos dar à vida, para não sermos tolhidos pelo quarteto fantástico do descontentamento:
Suicídio-automutilação; depressão; ansiedade e Burnout.
Como podemos ajudar aos nossos familiares, amigos e colegas de trabalho, ou de estudos?
Creio que qualquer que seja a resposta ela passará por uma melhor percepção seletiva positiva de nós mesmos, dos outros e da realidade.
E, precisamos resgatar a generosidade, empatia e amorosidade para com estes três entes relacionais: O Eu – O Tu – E a Vida.
Parar de correr atrás de um sentido da vida, e procurar os sentidos na vida. Em tudo que se faz, vendo-se a si mesmo, e onde está inserido, como parte de um coletivo maior.
Não podemos terceirizar a educação emocional positiva para a escola.
É urgente ampliar as fronteiras dos pensamentos e emoções, para além do caudaloso rio da negatividade no qual estamos nos afogando.
É preciso desenvolver uma maior força de vontade para com a vida e o viver. Desenvolver camadas de resiliência.
Não podemos aceitar impassíveis que todos os dias alguém se dirija à uma ponte, almejando pular para a morte.
Este assunto é nosso. Meu, teu e deles.
E é preciso reeducar as lentes do pensamento e das emoções desde a mais tenra idade.
Não esqueço o comentário de uma mocinha, proferido pra sua mãe, ao tomar um café da manhã num hotel em Fortaleza.
Eu estava na mesa ao lado, bem próximo, aguardando a hora de ministrar uma palestra, sobre longevidade feliz, e não tive como não a escutar.
A mocinha, de uns 13 anos, dizia que achou a visita do dia anterior, à praia de Cumbuco, horrorosa. E que uma amiga dela, que indicou o local, estava errada. Não havia nada de bonito ali.
E, passou uns bons minutos enumerando tudo de ruim que por lá viu.
Animada, disse a sua mãe que no dia anterior já tinha saído do hotel querendo mostrar que a amiga estava errada. E que conseguiu. (Pasmem!)
E a mãe tudo ouvia sorrindo, e até de certo modo apoiando as observações da mocinha.
Nada, nada e exclusivamente nada de bom podia se extrair daquela narrativa.
Depois de Cumbuco, animada, a jovenzinha passou a discorrer sobre o quanto Fortaleza a tinha decepcionado. A calçadinha, a chuva, o povo e até a comida do café da manhã do hotel.
Corta a cena e voltemos para nossa análise.
O que você encontrará na vida se saiu de casa querendo achar somente coisas ruins nela?
Que tipo de educação emocional aquela mamãe está passando para sua filhota? A de não ser grato. De não ser generoso na forma de olhar a vida, aos outros, e até a si mesma.
A de procurar defeitos em tudo, e de sair colecionando razões para ser infeliz: Coleciona Dores.
Pois bem, na idade adulta esta jovenzinha vai estar exposta a um monte de outas situações, até no mundo do trabalho, na qual ela precisará enfrentar.
E, se em cada uma delas, ela olhar para a vida como olhou para a praia de Cumbuco, e assemelhados, ela não vai achar sentido na vida.
E, vidas que se percebem como sem sentido são mais fáceis de serem atraídas pelo desejo de por um fim em tudo.
Então, precisamos reeducar o olhar sobre a vida e o viver. Aprender a lidar melhor com as frustrações, as perdas e os limites. Aprender que não ganharemos todas. Aprender que o mundo não gira em torno de nosso umbigo, e que ninguém na calçada vai prestar atenção quando você passar.
Excitar a doação, a mansidão, a gratidão e o perdão: portais de acesso ao sentido na vida.
Fomentando em nós um senso de pertencimento a um coletivo maior, do qual fazemos parte, e no qual podemos fazer a diferença.
Não concebendo o outro como deletável e descartável, ou apto a ser colocado na caixa de spam da indiferença.
Miraculina (Autor Ricardo de Faria Barros)
Hoje estou degustando uma Miraculina na alma.
É que no dia de amanhã será o chá de revelação do sexo de meu primeiro neto (a), filho(a) da Priscila.
E um maravilhoso e fervilhante sentimento Miraculina invade meu ser.
Você deve estar se perguntando o que é Miraculina.
Miraculina é uma fruta, nativa da África Ocidental, de nome científico Sideroxylon dulcificum.
Ela tem um poder miraculoso, por isso também é conhecida como a Fruta do Milagre.
Após comê-la, a mucosa das papilas gustativas fica protegidas por uma molécula formada por 191 aminoácidos de glicoproteínas.
Esta molécula converte o sabor do ácido e do amargo no mais doces dos manjares.
Enquanto a molécula está agindo o limão mais azedo se torna uma laranja mimo do céu. E o vinagre de fel mais amargo, é percebido como um delicioso licor de jabuticaba, por exemplo.
O legal é que ela não altera os níveis de acidez dos alimentos, ou sua adstringência, ela altera as lentes gustativas para protegê-las da percepção ácida e amarga dos alimentos, e por até duas horas, após masca-las.
Para mim, a Miraculina é Sentido na Vida.
E em todas as suas expressões, intensidade e complexas orquestrações de significado e de propósitos.
Quando saboreamos algo, antecipando o prazer que sentiremos, como o meu do dia de amanhã, estamos comendo a Miraculina.
Não há azedo que se intrometa nesta degustação, não há amargo que impere.
É como se a psiquê fechasse as gavetas do ácido e do amargo, para apreciar de forma mais intensa e verdadeira, a docilidade e ternura do momento presente.
Existem muitas variedades de Miraculinas emocionais.
O Amor de Afetos é uma delas. Quem ama passa a ver a vida de forma mais doce, mesmo que enfrente dias amargos e até de alguma forma ácidos. Quem ama está sempre com um mascar de miraculina na boca, vendo a vida com um olhar sorridente e poético. E como diz a canção Cheiro de Amor, interpretada por Maria Bethânia: “De repente fico rindo à tôa, sem saber o porquê...”. O Amor de afetos pode ocorrer entre pessoas que se reconhecem como parceiras na vida, do ponto de vista carnal. Pode se dar entre amigos e familiares. O amor de afeto ocorre quando a doçura do outro invade nosso viver, dando a ele um novo significado. Em instantes mágicos e especiais.
A Esperança de Esperançar é outra variedade da Miraculina. Esperança de esperançar, e não de esperar. Quem tem esperança de concluir um projeto, se submete a quase todo e qualquer esforço para o alcance deste desafio. “Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como...” (Nietzsche). E o que é a esperança senão um monte de porquês para o viver?
Quantas pessoas vocês conhecem que após o recebimento de uma trágica notícia, que os abalou profundamente, ainda assim conseguem reinventarem-se em suas vidas, e encontrarem um sentido na forma pela qual reagem às adversidades a que estão expostos.
Outra espécie de Miraculina é a Solidariedade da Compaixão.
Por mais que tua vida esteja ácida e amarga, após ajudar alguém é como se uma outra dimensão se estabelecesse em teu ser.
Os problemas não acabaram, as aflições ainda estão ali, o amargo e ácido estão presentes ainda, contudo já não ditam comportamentos.
Já não operam nas lentes do pensamento e emoções negativas, tornando-as mais positivas e otimistas. E, porque não dizer, resilientes.
Quando prestamos qualquer tipo de solidariedade de compaixão, quando nos doamos aos outros e a uma causa, esquecemo-nos de nós mesmos e nova criatura ficamos. Voltamos para casa, após aquela ação solidária, com a doçura da compaixão impregnada nas papilas gustativas de nosso viver.
Existem muitas espécies de Miraculinas emocionais, que bom!
Você deve ter as suas próprias.
Uma delas, ainda não citada, e que em meu viver sempre esteve muito presente é a coragem dos sobreviventes.
A Coragem dos Sobreviventes é aquela Miraculina que diminui a percepção de amargor e de acidez, de uma determinada situação que precisa ser enfrentada.
Em todas as odisseias humanas, nas quais houve sobreviventes, esteve presente este tipo de postura diante de uma fatalidade. E aquela coragem que incendeia a alma, que aquece o coração, que alivia toda a carga de sofrer, ao se focar no que precisa ser feito, em determinada situação concreta que se vive.
E a pessoa mete os peitos, e com uma força descomunal, mesmo operando em ambientes insalubres, pobres de respeito e de valores, a pessoa não se deixa contaminar, ou influenciar-se por este meio, sendo uma sobrevivente.
E atua com coragem. De mudar situações. De se mudar de situações. Ou de aprender a conviver com situações, digamos que imutáveis.
É preciso muita coragem dos sobreviventes para não se deixar aniquilar pelos valores que imperam nos tempos presentes.
É preciso muita coragem para ser diferente, ético e autêntico, em meio a tantas pessoas narcisistas, egoístas e autômatas dos dias atuais. A coragem dos sobreviventes é aquela coragem que nos faz continuar caminhando, em busca de dias melhores, quando todos ao lado já esmoreceram, já desanimaram.
E a coragem dá um sabor especial à vida. O sabor de “não ir por ali...”: para onde todos estão indo. O sabor de sobreviver, um dia de cada vez, um passo de cada vez. O sabor de deitar a cabeça no travesseiro e poder dormir sem lembrar-se que machucou alguém, que sonegou direitos, que violentou corações. Que doçura maior do que ter este tipo de coragem ao continuar defendendo a agenda de direitos civis e sociais, mesmo que todos digam que é tempo perdido?
Então, que bom que Deus nos deixou esta plantinha para fazermos esta analogia com nosso viver.
Se nossa vida anda um tanto amarga, ácida e de sabor insuportável talvez seja a hora de comer as Miraculinas: do Amor de Afetos, da Coragem dos Sobreviventes, da Esperança de Esperançar e da Solidariedade da Compaixão.
Agora vou ali no pomar da vida, colher umas Miraculinas, e para continuar percebendo seletivamente e valorizando a doçura da vida e do viver. Mesmo sabendo, convivendo e tendo que se adaptar às situações de amargor e acidez da vida, e da realidade, elas não serão eixo de viver. Não me tornarei uma pessoa azeda, ácida, rabugenta e cultivadora de infelicidades.
É que no dia de amanhã será o chá de revelação do sexo de meu primeiro neto (a), filho(a) da Priscila.
E um maravilhoso e fervilhante sentimento Miraculina invade meu ser.
Você deve estar se perguntando o que é Miraculina.
Miraculina é uma fruta, nativa da África Ocidental, de nome científico Sideroxylon dulcificum.
Ela tem um poder miraculoso, por isso também é conhecida como a Fruta do Milagre.
Após comê-la, a mucosa das papilas gustativas fica protegidas por uma molécula formada por 191 aminoácidos de glicoproteínas.
Esta molécula converte o sabor do ácido e do amargo no mais doces dos manjares.
Enquanto a molécula está agindo o limão mais azedo se torna uma laranja mimo do céu. E o vinagre de fel mais amargo, é percebido como um delicioso licor de jabuticaba, por exemplo.
O legal é que ela não altera os níveis de acidez dos alimentos, ou sua adstringência, ela altera as lentes gustativas para protegê-las da percepção ácida e amarga dos alimentos, e por até duas horas, após masca-las.
Para mim, a Miraculina é Sentido na Vida.
E em todas as suas expressões, intensidade e complexas orquestrações de significado e de propósitos.
Quando saboreamos algo, antecipando o prazer que sentiremos, como o meu do dia de amanhã, estamos comendo a Miraculina.
Não há azedo que se intrometa nesta degustação, não há amargo que impere.
É como se a psiquê fechasse as gavetas do ácido e do amargo, para apreciar de forma mais intensa e verdadeira, a docilidade e ternura do momento presente.
Existem muitas variedades de Miraculinas emocionais.
O Amor de Afetos é uma delas. Quem ama passa a ver a vida de forma mais doce, mesmo que enfrente dias amargos e até de alguma forma ácidos. Quem ama está sempre com um mascar de miraculina na boca, vendo a vida com um olhar sorridente e poético. E como diz a canção Cheiro de Amor, interpretada por Maria Bethânia: “De repente fico rindo à tôa, sem saber o porquê...”. O Amor de afetos pode ocorrer entre pessoas que se reconhecem como parceiras na vida, do ponto de vista carnal. Pode se dar entre amigos e familiares. O amor de afeto ocorre quando a doçura do outro invade nosso viver, dando a ele um novo significado. Em instantes mágicos e especiais.
A Esperança de Esperançar é outra variedade da Miraculina. Esperança de esperançar, e não de esperar. Quem tem esperança de concluir um projeto, se submete a quase todo e qualquer esforço para o alcance deste desafio. “Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como...” (Nietzsche). E o que é a esperança senão um monte de porquês para o viver?
Quantas pessoas vocês conhecem que após o recebimento de uma trágica notícia, que os abalou profundamente, ainda assim conseguem reinventarem-se em suas vidas, e encontrarem um sentido na forma pela qual reagem às adversidades a que estão expostos.
Outra espécie de Miraculina é a Solidariedade da Compaixão.
Por mais que tua vida esteja ácida e amarga, após ajudar alguém é como se uma outra dimensão se estabelecesse em teu ser.
Os problemas não acabaram, as aflições ainda estão ali, o amargo e ácido estão presentes ainda, contudo já não ditam comportamentos.
Já não operam nas lentes do pensamento e emoções negativas, tornando-as mais positivas e otimistas. E, porque não dizer, resilientes.
Quando prestamos qualquer tipo de solidariedade de compaixão, quando nos doamos aos outros e a uma causa, esquecemo-nos de nós mesmos e nova criatura ficamos. Voltamos para casa, após aquela ação solidária, com a doçura da compaixão impregnada nas papilas gustativas de nosso viver.
Existem muitas espécies de Miraculinas emocionais, que bom!
Você deve ter as suas próprias.
Uma delas, ainda não citada, e que em meu viver sempre esteve muito presente é a coragem dos sobreviventes.
A Coragem dos Sobreviventes é aquela Miraculina que diminui a percepção de amargor e de acidez, de uma determinada situação que precisa ser enfrentada.
Em todas as odisseias humanas, nas quais houve sobreviventes, esteve presente este tipo de postura diante de uma fatalidade. E aquela coragem que incendeia a alma, que aquece o coração, que alivia toda a carga de sofrer, ao se focar no que precisa ser feito, em determinada situação concreta que se vive.
E a pessoa mete os peitos, e com uma força descomunal, mesmo operando em ambientes insalubres, pobres de respeito e de valores, a pessoa não se deixa contaminar, ou influenciar-se por este meio, sendo uma sobrevivente.
E atua com coragem. De mudar situações. De se mudar de situações. Ou de aprender a conviver com situações, digamos que imutáveis.
É preciso muita coragem dos sobreviventes para não se deixar aniquilar pelos valores que imperam nos tempos presentes.
É preciso muita coragem para ser diferente, ético e autêntico, em meio a tantas pessoas narcisistas, egoístas e autômatas dos dias atuais. A coragem dos sobreviventes é aquela coragem que nos faz continuar caminhando, em busca de dias melhores, quando todos ao lado já esmoreceram, já desanimaram.
E a coragem dá um sabor especial à vida. O sabor de “não ir por ali...”: para onde todos estão indo. O sabor de sobreviver, um dia de cada vez, um passo de cada vez. O sabor de deitar a cabeça no travesseiro e poder dormir sem lembrar-se que machucou alguém, que sonegou direitos, que violentou corações. Que doçura maior do que ter este tipo de coragem ao continuar defendendo a agenda de direitos civis e sociais, mesmo que todos digam que é tempo perdido?
Então, que bom que Deus nos deixou esta plantinha para fazermos esta analogia com nosso viver.
Se nossa vida anda um tanto amarga, ácida e de sabor insuportável talvez seja a hora de comer as Miraculinas: do Amor de Afetos, da Coragem dos Sobreviventes, da Esperança de Esperançar e da Solidariedade da Compaixão.
Agora vou ali no pomar da vida, colher umas Miraculinas, e para continuar percebendo seletivamente e valorizando a doçura da vida e do viver. Mesmo sabendo, convivendo e tendo que se adaptar às situações de amargor e acidez da vida, e da realidade, elas não serão eixo de viver. Não me tornarei uma pessoa azeda, ácida, rabugenta e cultivadora de infelicidades.
Pessoas-Russélia (Autor Ricardo de Faria Barros)
Caminhando pela feira de Sobradinho, deparei-me com uma bancas de plantas, e nela tinha uma muda de uma plantinha que os beija-flores adoram, chamada de Russélia. Na casa de meu irmão, por exemplo, tem muitas destas plantinhas e eles fazem a festa.
A flor da Russélia, vermelha e atraente, tem um pequeno canudo na sua estrutura, que parece ter sido feito sob medida para o bico do beija-flor, encaixe perfeito, o côncavo e o convexo.
Não contei conversa e comprei uma muda pra mim. Mesmo o jarro pesando horrores, e a vendedora não tirando nem um real, dos R$ 35,00 que cobrou.
Eu precisava de um Plano B, para os beijas-flores voltarem à minha janela. Pois, numa das partes dela, justamente a que tive que fechar para colocar um ar-condicionado, era onde eles iam se alimentar de água de frutose que boto todas as manhãs, naqueles bebedouros plásticos. Assim sendo, após a interdição daquela banda de janela, perdi minha vista matinal deles.
Apostei então que o jarro de Russélia, com flores abundantes e viçosas, iria atraí-los.
Cheguei em casa, e arfando bicas com o jarro, consegui levá-lo até a jardineira de metal, que margeia a banda da janela que ainda abre. Fui me limpar no chuveiro, e ao voltar, já tinha um freguês de flores de Russélia, para meu espanto, era um canário da terra.
A foto desta crônica flagra este momento.
Logo depois chegaram os beija-flores e fizeram a alegria do final de tarde deste domingo.
Lembrei que na noite do sábado para o domingo minha irmã fez o aniversário da sobrinha Bianca, que fez 9 anos, comemorados de forma diferente. No lugar de uma festinha, ela proporcionou às crianças amigas da Bianca uma noitada de pijama, com direito à excussão noturna pelo condomínio, às 23h, seguida de uma algazarra maravilhosa de 19 crianças em suas barracas de acampamento, devidamente armadas no salão de festas, animadas com a sessão de karaokê que rolou, até 1 da manhã.
A mana foi flor de Russélia, para sua filha, e para aquelas crianças, inclusive o meu JG, de 9 anos.
Atraiu coisa boa, atraiu luz, bênção e felicidade. E, a atitude Russélia dela fez com que ninguém quisesse ficar de fora daquela animação de festa. Uma experiência inesquecível para aqueles pequenos.
Podemos ser flor de Russélia, emocional e comportamental, para muitos.
Têm muitas pessoas que andam se sentindo cansadas e desanimadas com a vida e o viver, e podemos alimentá-las em nossa Russélia.
E, quando elas se abastecerem de nosso entusiamo, esperança e vontade de viver, deixarão a nossa presença mais fortes.
Pense nisso!
Se queremos atrair coisas boas, atrair pessoas, cultivar amizades verdadeiras, nos destacar em qualquer profissão em que atuemos, é preciso cultivar nossa Russélia interior.
Muita gente anda reclamando de que ninguém é mais amigo de ninguém. Tem até uma música famosa que fala esta estrofe.
Eu acho que não é bem assim.
Têm muitas Pessoas-Russélias por aí. Pessoas que você tem um prazer danado em conviver com elas, visitá-las, em ficar na sua presença e em ser abraçado por elas.
Pessoas que quando saímos da presença delas não temos como disfarçar o sorriso no rosto, a paz no coração e a energização de nossa alma.
Elas são como aqueles dispositivos que fornecem carga adicional ao nosso celular.
Lembram aquele guardador de carros que fez um ponte com engradados plásticos para uma senhora atravessar a enchente no Rio de Janeiro? Ele foi Russélia.
Então, quando nossa janela estiver sem vida, sem nada que nos faça nos sentir bem, quando nossa auto-estima estiver fraquinha, fraquinha, e sentirmos que as pessoas estão se afastando de nós, quem sabe não seja porque andamos muito rabugentos, reclamões e pessimistas?
Quem sabe não é hora de voltar a florescer!
Polinizando em nossos corações as emoções positivas: paz, esperança, amor, perdão, bondade, ternura e empatia; E os pensamentos positivos: amanhã será melhor, isto também passa, eu sou grato, eu tenho valor, vou conseguir, é só uma fase...
Quem tem um jardim dentro de si costuma ver jardins em todo lugar e atrair coisas boas que retroalimentam o processo.
A flor da Russélia, vermelha e atraente, tem um pequeno canudo na sua estrutura, que parece ter sido feito sob medida para o bico do beija-flor, encaixe perfeito, o côncavo e o convexo.
Não contei conversa e comprei uma muda pra mim. Mesmo o jarro pesando horrores, e a vendedora não tirando nem um real, dos R$ 35,00 que cobrou.
Eu precisava de um Plano B, para os beijas-flores voltarem à minha janela. Pois, numa das partes dela, justamente a que tive que fechar para colocar um ar-condicionado, era onde eles iam se alimentar de água de frutose que boto todas as manhãs, naqueles bebedouros plásticos. Assim sendo, após a interdição daquela banda de janela, perdi minha vista matinal deles.
Apostei então que o jarro de Russélia, com flores abundantes e viçosas, iria atraí-los.
Cheguei em casa, e arfando bicas com o jarro, consegui levá-lo até a jardineira de metal, que margeia a banda da janela que ainda abre. Fui me limpar no chuveiro, e ao voltar, já tinha um freguês de flores de Russélia, para meu espanto, era um canário da terra.
A foto desta crônica flagra este momento.
Logo depois chegaram os beija-flores e fizeram a alegria do final de tarde deste domingo.
Lembrei que na noite do sábado para o domingo minha irmã fez o aniversário da sobrinha Bianca, que fez 9 anos, comemorados de forma diferente. No lugar de uma festinha, ela proporcionou às crianças amigas da Bianca uma noitada de pijama, com direito à excussão noturna pelo condomínio, às 23h, seguida de uma algazarra maravilhosa de 19 crianças em suas barracas de acampamento, devidamente armadas no salão de festas, animadas com a sessão de karaokê que rolou, até 1 da manhã.
A mana foi flor de Russélia, para sua filha, e para aquelas crianças, inclusive o meu JG, de 9 anos.
Atraiu coisa boa, atraiu luz, bênção e felicidade. E, a atitude Russélia dela fez com que ninguém quisesse ficar de fora daquela animação de festa. Uma experiência inesquecível para aqueles pequenos.
Podemos ser flor de Russélia, emocional e comportamental, para muitos.
Têm muitas pessoas que andam se sentindo cansadas e desanimadas com a vida e o viver, e podemos alimentá-las em nossa Russélia.
E, quando elas se abastecerem de nosso entusiamo, esperança e vontade de viver, deixarão a nossa presença mais fortes.
Pense nisso!
Se queremos atrair coisas boas, atrair pessoas, cultivar amizades verdadeiras, nos destacar em qualquer profissão em que atuemos, é preciso cultivar nossa Russélia interior.
Muita gente anda reclamando de que ninguém é mais amigo de ninguém. Tem até uma música famosa que fala esta estrofe.
Eu acho que não é bem assim.
Têm muitas Pessoas-Russélias por aí. Pessoas que você tem um prazer danado em conviver com elas, visitá-las, em ficar na sua presença e em ser abraçado por elas.
Pessoas que quando saímos da presença delas não temos como disfarçar o sorriso no rosto, a paz no coração e a energização de nossa alma.
Elas são como aqueles dispositivos que fornecem carga adicional ao nosso celular.
Lembram aquele guardador de carros que fez um ponte com engradados plásticos para uma senhora atravessar a enchente no Rio de Janeiro? Ele foi Russélia.
Então, quando nossa janela estiver sem vida, sem nada que nos faça nos sentir bem, quando nossa auto-estima estiver fraquinha, fraquinha, e sentirmos que as pessoas estão se afastando de nós, quem sabe não seja porque andamos muito rabugentos, reclamões e pessimistas?
Quem sabe não é hora de voltar a florescer!
Polinizando em nossos corações as emoções positivas: paz, esperança, amor, perdão, bondade, ternura e empatia; E os pensamentos positivos: amanhã será melhor, isto também passa, eu sou grato, eu tenho valor, vou conseguir, é só uma fase...
Quem tem um jardim dentro de si costuma ver jardins em todo lugar e atrair coisas boas que retroalimentam o processo.
Dinheiro Achado em Calçada (Autor Ricardo de Faria Barros)
- Bom dia Dona Expedita, guarde meu bolo de macaxeira viu? Na volta do mercado pego e quem sabe pago. rsrs.
Com esta frase, saudei pela manhã a Dona Expedita que comercializa seus bolos na calçada do Carrefour, na quadra 402-403, Asa Sul, aqui em Brasília.
Voltando das comprinhas, parei para a costumeira prosa. Dona Expedita estava super feliz.
Era por volta das 10hrs e já tinha vendido todos os bolos. E começava o apurado para a prestação do próximo mês.
- Oxente, que prestação é esta?
Aí, ela toda sorridente, falou que foi das compras que fez para o aniversário de 15 anos de sua neta.
Ela entrou com o aluguel das mesas, o fotógrafo e os salgados, e que só faltam duas prestações para quitar a dívida.
E que tira as prestações da receita com a venda dos bolos.
Expedita estava radiante por ter conseguido pagar os 632 reais ontem, mesmo que tenha pedido emprestado ao seu genro, os 30 reais que faltavam.
Mas que, "logo que eu chegue em Samambaia, eu pagarei a ele, com o apurado que terei dos bolo de hoje".
Aí, disse-lhe, então me dá mais um, para ajudar nos 30.
Contou-me que quando veio de Recife-PE para Brasília, há três anos, viu que tudo aqui era muito caro e que teria que ajudar nas despesas com a casa de sua filha, para onde veio morar.
A renda de um salário mínimo precisava de complementação, e ela era jovem ainda 72 anos, e tinha muita disposição para o trabalho.
Então, sonhou com a antiga patroa de Recife ensinando-lhe a fazer bolos: de rolo, de macaxeira e de milho.
Ao acordar, suspirou baixinho, e uma nuvem de lástima invadiu seu viver.
Ela não tinha nenhum recurso, naquele dia, para comprar mantimentos e fazer bolos, e tentar vendê-los pelas calçadas da vida do DF.
Todo dinheiro tinha sido investido no plano de saúde, remédios, e na ajuda das despesas de onde mora.
Naquela manhã, havia uma prestação para pagar na Polyele, de uma sandália que comprara.
Ela saiu de casa com aquele dinheiro contado, preso num clips junto à conta.
No caminho, pediu orientação a Deus de como sair daquele atoleiro e aumentar a renda.
Então, ao descer do ônibus, largado entre o lixo da calçada, boiando numa poça de água na sarjeta, havia uma nota de 50 reais. Toda esbagaçada, suja e molhada.
Suspirou mais uma vez, agora de gratidão e esperança, iria recuperar aquela nota.
Agradeceu o recado de Deus e enxugou e limpou a nota com esmero.
Animada, após pagar as sandálias, correu para comprar os mantimentos para o bolo de seus primeiros bolos.
Iria fazer uma receita que aprendeu com sua patroa, quando ainda morava em Recife.
Um bolo de macaxeira com lascas de coco ralado.
[pausa] Pense num bolo bom, multiplique por dois!
E, assim se deu o início da carreira de dona Expedita de micro, infinitamente micro-empresária.
Ela não tem tabuleiro, não tem um carro onde coloque no porta-malas, vive ansiosa com medo do guarda do Carrefour a expulsar da calçada, ou dos "home do Governo".
Traz seus bolos num daqueles carrinhos de feira, com duas rodas e um cestinho. E, todos os dias, volta pra casa com uns 50 reais de apurado líquido. Após vender seus vinte e cinco bolos, por 5 reais cada. Ela está "tirando" um salário mínimo, com os bolos, e agora tem um dinheirinho para investir num carrinho "tipo de isopor", e com rodinhas, pra trazer uns pudins.
Disse-me que aprendeu a andar de metrô. Antes tinha medo de se atrapalhar. E que a vida ficou melhor ainda, pois pode está em casa pelas 13hrs, almoçar com a neta, e fazer os bolos na parte da tarde, sem varar mais as madrugadas.
São assim os sonhos de dona Expedita, simples, profundamente humanos, sonhos de uma mulher que não deixou o desânimo sobre ela se abater.
Sonhava com o deslumbre da neta, em seus 15 anos, e realizou com o que tinha. Sonhava em poder pagar as prestações do empréstimo que fez, e está pagando.
Sonha em poder pagar suas contas, todo fim de mês.
Com esta frase, saudei pela manhã a Dona Expedita que comercializa seus bolos na calçada do Carrefour, na quadra 402-403, Asa Sul, aqui em Brasília.
Voltando das comprinhas, parei para a costumeira prosa. Dona Expedita estava super feliz.
Era por volta das 10hrs e já tinha vendido todos os bolos. E começava o apurado para a prestação do próximo mês.
- Oxente, que prestação é esta?
Aí, ela toda sorridente, falou que foi das compras que fez para o aniversário de 15 anos de sua neta.
Ela entrou com o aluguel das mesas, o fotógrafo e os salgados, e que só faltam duas prestações para quitar a dívida.
E que tira as prestações da receita com a venda dos bolos.
Expedita estava radiante por ter conseguido pagar os 632 reais ontem, mesmo que tenha pedido emprestado ao seu genro, os 30 reais que faltavam.
Mas que, "logo que eu chegue em Samambaia, eu pagarei a ele, com o apurado que terei dos bolo de hoje".
Aí, disse-lhe, então me dá mais um, para ajudar nos 30.
Contou-me que quando veio de Recife-PE para Brasília, há três anos, viu que tudo aqui era muito caro e que teria que ajudar nas despesas com a casa de sua filha, para onde veio morar.
A renda de um salário mínimo precisava de complementação, e ela era jovem ainda 72 anos, e tinha muita disposição para o trabalho.
Então, sonhou com a antiga patroa de Recife ensinando-lhe a fazer bolos: de rolo, de macaxeira e de milho.
Ao acordar, suspirou baixinho, e uma nuvem de lástima invadiu seu viver.
Ela não tinha nenhum recurso, naquele dia, para comprar mantimentos e fazer bolos, e tentar vendê-los pelas calçadas da vida do DF.
Todo dinheiro tinha sido investido no plano de saúde, remédios, e na ajuda das despesas de onde mora.
Naquela manhã, havia uma prestação para pagar na Polyele, de uma sandália que comprara.
Ela saiu de casa com aquele dinheiro contado, preso num clips junto à conta.
No caminho, pediu orientação a Deus de como sair daquele atoleiro e aumentar a renda.
Então, ao descer do ônibus, largado entre o lixo da calçada, boiando numa poça de água na sarjeta, havia uma nota de 50 reais. Toda esbagaçada, suja e molhada.
Suspirou mais uma vez, agora de gratidão e esperança, iria recuperar aquela nota.
Agradeceu o recado de Deus e enxugou e limpou a nota com esmero.
Animada, após pagar as sandálias, correu para comprar os mantimentos para o bolo de seus primeiros bolos.
Iria fazer uma receita que aprendeu com sua patroa, quando ainda morava em Recife.
Um bolo de macaxeira com lascas de coco ralado.
[pausa] Pense num bolo bom, multiplique por dois!
E, assim se deu o início da carreira de dona Expedita de micro, infinitamente micro-empresária.
Ela não tem tabuleiro, não tem um carro onde coloque no porta-malas, vive ansiosa com medo do guarda do Carrefour a expulsar da calçada, ou dos "home do Governo".
Traz seus bolos num daqueles carrinhos de feira, com duas rodas e um cestinho. E, todos os dias, volta pra casa com uns 50 reais de apurado líquido. Após vender seus vinte e cinco bolos, por 5 reais cada. Ela está "tirando" um salário mínimo, com os bolos, e agora tem um dinheirinho para investir num carrinho "tipo de isopor", e com rodinhas, pra trazer uns pudins.
Disse-me que aprendeu a andar de metrô. Antes tinha medo de se atrapalhar. E que a vida ficou melhor ainda, pois pode está em casa pelas 13hrs, almoçar com a neta, e fazer os bolos na parte da tarde, sem varar mais as madrugadas.
São assim os sonhos de dona Expedita, simples, profundamente humanos, sonhos de uma mulher que não deixou o desânimo sobre ela se abater.
Sonhava com o deslumbre da neta, em seus 15 anos, e realizou com o que tinha. Sonhava em poder pagar as prestações do empréstimo que fez, e está pagando.
Sonha em poder pagar suas contas, todo fim de mês.
Sonha em ajudar mais a sua filha.
Sonha com um segundo carrinho, para oferecer outros produtos.
Sonha em ser menos importunada pelos homens da lei, para que possa anunciar seus bolos sem medo.
Nesta sociedade, tão individualista e agressiva na qual vivemos, cruzar com uma dona Expedita faz um bem danado à alma.
Esta sim, é uma guerreira.
Uma mulher que não terceirizou seu existir. Que segue, valente lugar-tenente, desfiando as dificuldades do tempo presente.
Que aprendeu a alegrar-se com o que tem. E ainda assim, mesmo com pouco, poder proporcionar uma alegria à sua neta, e ajudar nas despesas da filha.
Que não se limita a um carrinho de bolo, ao querer ter o segundo, perseguindo este novo objetivo com afinco, e a cada manhã,
Que cumprimenta os transeuntes, que passam pela calçada em direção ao mercado, com um sorrisão no rosto, e a cada um deles deseja uma excelente manhã.
E ela assim o faz, mesmo que muitos passem por ela apressados, e a tenha como invisível, mesmo após um sonoro bom dia.
Expedita dá o que tem de melhor a quem por ela passa.
Despedi-me com um "até a quarta".
Aí, ela me perguntou porque só na quarta. Expliquei que é quando venho às compras para abastecer a dispensa com coisinhas que o meu filho, o JG (9 anos), gosta.
Então, ela me falou que vai me ensinar a fazer um salgado de forno que as crianças amam.
Uauuu, que linda! Ah! Mas, aí já será outra crônica.
Andamos tão indiferentes com a vida, tão ingratos, que não damos valor ao que temos. Não sabemos o que é todos os dias ralar um monte de coco e macaxeira.
Trabalho pesado. E depois cozinhá-las e comercializá-las, no corpo-a-corpo, sem ter nem onde sentar. E, sempre com um sorriso nos lábios, e com uma ternura para com todos cuja descrição não cabe num amontoado de letrinhas.
Quantos cinquenta reais existem em nosso viver? Largados numa poça de água, ali onde nem mais damos conta que ele existe? Nem mais percebemos a bênção dele em nosso viver.
Estão à beira da calçada de nossa vida, e com ele podemos nos reinventar, resistir, ser mais resilientes e esperançosos, do verbo esperançar e não do verbo esperar, no sentido de procurar nossas melhoras.
E, se para Dona Expedita a chance de fazer uns bolos, e melhorar de vida, foi aquela nota, quem sabe nossas chances não estão pertinho de nós, escondidas na sarjeta de nossa vida, que não mais as reconhecemos como importantes, por as termos sempre a mão.
- Podem ser nossos pensamentos e emoções positivas, que nos dão ânimo para o viver.
- Pode ser nossa saúde.
- Pode ser nossa família.
- Podem ser nossos amigos.
- Pode ser nosso trabalho.
- Podem ser nossa fé e comunidade espiritual.
- Podem ser nossos estudos e conhecimentos.
- Pode ser nossa parceira (o) afetivo amoroso.
- Podem ser nossos filhos e pais.
- Pode ser nossa experiência de vida.
- Pode ser nosso lar.
- Pode ser nossa liberdade de ir e vir.
São as tuas, e as minhas, notas de cinquenta. Vamos aproveitá-las para evoluir e deixar este mundo melhor do que achamos. Sendo o melhor que possamos ser para ao mundo, e não do mundo.
Quantas capacidades temos que são extremamente importantes para empreendermos nossos projetos de melhoria, tanto no aspecto de vida pessoal, quanto no profissional?
Vamos lá, é hora de se reinventar com o que ainda lhe resta, e não ficar chorando, e sem reação, ao contabilizar somente o que lhe falta.
Expedita deixa aquela calçada iluminada, todas as manhãs.
Expedita encontrou seu jeito de fazer a diferença, enquanto trabalha, ao se interessar pela vida de seus clientes e ao desejar-lhes sempre, e de forma calorosa, um bom dia.
Expedita não tem tempo, nem intenção, de ficar catando tristezas, pelos cantos de sua "Vida Severina".
Expedita, vive o momento presente, sabendo dar valor e bem investir o dinheiro achado em calçada.
E, quanto de dinheiro achado em calçada nossa vida está cheia, só que não mais prestamos atenção a ele, nem o valorizamos como tal.
Até que um dia ele nos venha a ter em falta.
É tempo de não se deixar adoecer pela onda de desânimo, desencanto e desesperança reinante. É tempo de subverter a natureza das coisas, e ousar construir as pequenas e vadias felicidades: aquelas possíveis, urgentes, necessárias e conscientes.
É preciso, mais que nunca, estar presente e aberto, todos os dias, à mística, mágica e maravilhosa vontade de viver.
É ela que todos os dias sussurra em nossos ouvidos: coragem, prossiga, tende bom ânimo, afinal, "longe é um lugar que não existe" quando se tem esperança e amor no coração.
Sonha em ser menos importunada pelos homens da lei, para que possa anunciar seus bolos sem medo.
Nesta sociedade, tão individualista e agressiva na qual vivemos, cruzar com uma dona Expedita faz um bem danado à alma.
Esta sim, é uma guerreira.
Uma mulher que não terceirizou seu existir. Que segue, valente lugar-tenente, desfiando as dificuldades do tempo presente.
Que aprendeu a alegrar-se com o que tem. E ainda assim, mesmo com pouco, poder proporcionar uma alegria à sua neta, e ajudar nas despesas da filha.
Que não se limita a um carrinho de bolo, ao querer ter o segundo, perseguindo este novo objetivo com afinco, e a cada manhã,
Que cumprimenta os transeuntes, que passam pela calçada em direção ao mercado, com um sorrisão no rosto, e a cada um deles deseja uma excelente manhã.
E ela assim o faz, mesmo que muitos passem por ela apressados, e a tenha como invisível, mesmo após um sonoro bom dia.
Expedita dá o que tem de melhor a quem por ela passa.
Despedi-me com um "até a quarta".
Aí, ela me perguntou porque só na quarta. Expliquei que é quando venho às compras para abastecer a dispensa com coisinhas que o meu filho, o JG (9 anos), gosta.
Então, ela me falou que vai me ensinar a fazer um salgado de forno que as crianças amam.
Uauuu, que linda! Ah! Mas, aí já será outra crônica.
Andamos tão indiferentes com a vida, tão ingratos, que não damos valor ao que temos. Não sabemos o que é todos os dias ralar um monte de coco e macaxeira.
Trabalho pesado. E depois cozinhá-las e comercializá-las, no corpo-a-corpo, sem ter nem onde sentar. E, sempre com um sorriso nos lábios, e com uma ternura para com todos cuja descrição não cabe num amontoado de letrinhas.
Quantos cinquenta reais existem em nosso viver? Largados numa poça de água, ali onde nem mais damos conta que ele existe? Nem mais percebemos a bênção dele em nosso viver.
Estão à beira da calçada de nossa vida, e com ele podemos nos reinventar, resistir, ser mais resilientes e esperançosos, do verbo esperançar e não do verbo esperar, no sentido de procurar nossas melhoras.
E, se para Dona Expedita a chance de fazer uns bolos, e melhorar de vida, foi aquela nota, quem sabe nossas chances não estão pertinho de nós, escondidas na sarjeta de nossa vida, que não mais as reconhecemos como importantes, por as termos sempre a mão.
- Podem ser nossos pensamentos e emoções positivas, que nos dão ânimo para o viver.
- Pode ser nossa saúde.
- Pode ser nossa família.
- Podem ser nossos amigos.
- Pode ser nosso trabalho.
- Podem ser nossa fé e comunidade espiritual.
- Podem ser nossos estudos e conhecimentos.
- Pode ser nossa parceira (o) afetivo amoroso.
- Podem ser nossos filhos e pais.
- Pode ser nossa experiência de vida.
- Pode ser nosso lar.
- Pode ser nossa liberdade de ir e vir.
São as tuas, e as minhas, notas de cinquenta. Vamos aproveitá-las para evoluir e deixar este mundo melhor do que achamos. Sendo o melhor que possamos ser para ao mundo, e não do mundo.
Quantas capacidades temos que são extremamente importantes para empreendermos nossos projetos de melhoria, tanto no aspecto de vida pessoal, quanto no profissional?
Vamos lá, é hora de se reinventar com o que ainda lhe resta, e não ficar chorando, e sem reação, ao contabilizar somente o que lhe falta.
Expedita deixa aquela calçada iluminada, todas as manhãs.
Expedita encontrou seu jeito de fazer a diferença, enquanto trabalha, ao se interessar pela vida de seus clientes e ao desejar-lhes sempre, e de forma calorosa, um bom dia.
Expedita não tem tempo, nem intenção, de ficar catando tristezas, pelos cantos de sua "Vida Severina".
Expedita, vive o momento presente, sabendo dar valor e bem investir o dinheiro achado em calçada.
E, quanto de dinheiro achado em calçada nossa vida está cheia, só que não mais prestamos atenção a ele, nem o valorizamos como tal.
Até que um dia ele nos venha a ter em falta.
É tempo de não se deixar adoecer pela onda de desânimo, desencanto e desesperança reinante. É tempo de subverter a natureza das coisas, e ousar construir as pequenas e vadias felicidades: aquelas possíveis, urgentes, necessárias e conscientes.
É preciso, mais que nunca, estar presente e aberto, todos os dias, à mística, mágica e maravilhosa vontade de viver.
É ela que todos os dias sussurra em nossos ouvidos: coragem, prossiga, tende bom ânimo, afinal, "longe é um lugar que não existe" quando se tem esperança e amor no coração.
Quer melhor receita pra uma longevidade feliz?
Do que a de também fazer bolos, como os que deram sentido à vida de Dona Expedita, no sentido figurado?
A Força Transformadora de um Joinha (Autor Ricardo de Faria Barros)
Desembarquei em Fortaleza pelas 18hrs. Aquele sobrevoo pelo litoral foi de tirar o fôlego, de tanta beleza, ao testemunhar os mil tons do sol, refletidos no oceano, para eles todo oferecido.
Dez anos depois, eu voltaria em Fortaleza, agora não mais a trabalho no BB, mas com a missão de palestrar no encontro de aposentados da Teleceará.
Ainda no Uber, já fui logo pesquisando opções de caranguejo, embora fosse uma terça-feira. É que reza a tradição de que são nas quintas-feiras que o bicho pega. Que é quando, em tudo que é barraca de beira-mar, o caranguejo de fato impera.
Fiz o check-in no hotel, e dirigi-me ao quarto para trocar de roupa e sair.
Mas, a porta não abria. Botava aquele cartão magnético, e nada.
Então, usei o velho truque, de friccioná-lo no cabelo. E pimba, como um passe de mágica funcionou.
Ufa.
Saindo do quarto, vejo um casal com cara de desamparo, também tentando entrar no quarto deles. Ofereço meus cabelos pra ajudar. E funcionou.
Cabelos magnéticos. rsrs
No outro dia, voltando do café da manhã, o mesmo aperreio. Não funcionou. Nem usando o truque do cabelo.
Deve ter desmagnetizado com a dormida. rsrs
Dirijo-me à recepção e conto meus traumas com a porta do quarto.
O moço, todo ouvidos, pergunta-me como estou usando o cartão.
- De que lado da seta o sr. está colocando?
Achei a pergunta bastante óbvia, mas logo respondi: "para baixo".
Aí ele falou, sorrindo, está errado, é com a seta para cima. E nas vezes que usou o cabelo deve ter acertado a posição, sem querer, e por isso funcionou.
Prestei atenção ao cartão e fez sentido, embora a seta deveria acompanhar o movimento de entrada no buraco da maçaneta da porta, que é pra baixo.
Mas, não era hora de discutir gestão de processos com a recepção, pois estava perto do início de minha palestra.
Fiquei pensando com meus botões o quanto de portas em nosso viver não estão se abrindo por estarmos inserindo o cartão de forma errada.
Lembre que esta seta, do cartão de acesso ao quarto, é como o polegar, aquele com o qual fazemos o gesto do "Joinha".
E, o polegar para cima, abre portas. De relacionamentos, de inovação, de produtividade e sentidos do trabalho.
Abre os portais do Capital Psicológico Positivo, nas suas quatro dimensões: resiliência, esperança, otimismo e autoeficácia.
O joinha pra cima é como o cartão de acesso ao quarto do hotel, colocado corretamente, ele destrava a maçaneta, permitindo nele se adentrar.
Quantas das vezes nossa postura interior, nossas atitudes e comportamentos expressam pessimismo, negatividade e excesso de rabugice e reclamação: os joinhas pra baixo.
E, no caldo da negatividade o desânimo toma conta de nós. E não mais conseguimos abrir as portas de novas possibilidades, alternativas ou cursos de ação, diante de algo que nos ocorreu, por ficarmos incapacitados de pensar saídas, presos numa teia de negatividade opressiva e doentia.
A postura positiva diante da vida nos habilita à sentir e expressar gratidão. A enxergar o que ainda nos sobra, no lugar do que nos falta. A enxergar o que ainda de bom ocorreu, no lugar de destacar o que de ruim aconteceu.
A postura positiva emancipa, expande e constrói a autonomia de viver, o protagonismo diante das situações.
Liberando energia transformacional para o enfrentamento de situações desgastantes e conflituosas.
Então, para nossa reflexão, será que algumas portas não estão se abrindo em nossa vida pela nossa postura diante delas, de nós mesmos, dos outros e até diante das circunstâncias?
Com certeza você já trabalhou, ou conviveu, com uma pessoa extremamente pessimista, ou não?
Daquelas que na reunião de trabalho, diante da proposta de um novo objetivo a ser alcançado, é a primeira que diz que não haverá como oferecer aquele resultado.
Ou que, quando algo sai fora do planejando, numa viagem de turismo, fica remoendo o acontecido, no lugar de procurar outras opções para ainda aproveitar o passeio.
O pensamento negativo é limitador da consciência. Ele derruba a energia emocional para enfrentar problemas ou encontrar outras soluções, ainda não pensadas.
O pensamento negativo, expresso nesta crônica como a setinha para baixo do cartão de acesso ao quarto, ou o não-joinha, fecha o campo de visão para destacar o que de ruim ocorreu, incapacitando uma abertura ao novo, ao que resta, ao que de bom ainda ocorre, apesar dos pesares.
Ter um bom capital psicológico positivo não nos torna alienados, nem tampouco bobos diante de situações difíceis pelas quais passamos.
Nem se cria um mundo cor de rosa artificiar para nele se habitar.
Nada disso. Os elementos deste Capital: esperança, otimismo, resiliência e autoeficacia são de onde vem a força e a coragem do bem viver.
Não se nega os problemas, doenças, aperreios, ao se fazer um joinha diante deles.
Mas, assume-se uma postura emancipatória de enfrentamento, vivendo a vida possível, e pela qual se vale a pena viver, mesmo apesar deles.
Destacando, valorizando e agradecendo o que de bom, belo e virtuoso ainda se tem.
Dez anos depois, eu voltaria em Fortaleza, agora não mais a trabalho no BB, mas com a missão de palestrar no encontro de aposentados da Teleceará.
Ainda no Uber, já fui logo pesquisando opções de caranguejo, embora fosse uma terça-feira. É que reza a tradição de que são nas quintas-feiras que o bicho pega. Que é quando, em tudo que é barraca de beira-mar, o caranguejo de fato impera.
Fiz o check-in no hotel, e dirigi-me ao quarto para trocar de roupa e sair.
Mas, a porta não abria. Botava aquele cartão magnético, e nada.
Então, usei o velho truque, de friccioná-lo no cabelo. E pimba, como um passe de mágica funcionou.
Ufa.
Saindo do quarto, vejo um casal com cara de desamparo, também tentando entrar no quarto deles. Ofereço meus cabelos pra ajudar. E funcionou.
Cabelos magnéticos. rsrs
No outro dia, voltando do café da manhã, o mesmo aperreio. Não funcionou. Nem usando o truque do cabelo.
Deve ter desmagnetizado com a dormida. rsrs
Dirijo-me à recepção e conto meus traumas com a porta do quarto.
O moço, todo ouvidos, pergunta-me como estou usando o cartão.
- De que lado da seta o sr. está colocando?
Achei a pergunta bastante óbvia, mas logo respondi: "para baixo".
Aí ele falou, sorrindo, está errado, é com a seta para cima. E nas vezes que usou o cabelo deve ter acertado a posição, sem querer, e por isso funcionou.
Prestei atenção ao cartão e fez sentido, embora a seta deveria acompanhar o movimento de entrada no buraco da maçaneta da porta, que é pra baixo.
Mas, não era hora de discutir gestão de processos com a recepção, pois estava perto do início de minha palestra.
Fiquei pensando com meus botões o quanto de portas em nosso viver não estão se abrindo por estarmos inserindo o cartão de forma errada.
Lembre que esta seta, do cartão de acesso ao quarto, é como o polegar, aquele com o qual fazemos o gesto do "Joinha".
E, o polegar para cima, abre portas. De relacionamentos, de inovação, de produtividade e sentidos do trabalho.
Abre os portais do Capital Psicológico Positivo, nas suas quatro dimensões: resiliência, esperança, otimismo e autoeficácia.
O joinha pra cima é como o cartão de acesso ao quarto do hotel, colocado corretamente, ele destrava a maçaneta, permitindo nele se adentrar.
Quantas das vezes nossa postura interior, nossas atitudes e comportamentos expressam pessimismo, negatividade e excesso de rabugice e reclamação: os joinhas pra baixo.
E, no caldo da negatividade o desânimo toma conta de nós. E não mais conseguimos abrir as portas de novas possibilidades, alternativas ou cursos de ação, diante de algo que nos ocorreu, por ficarmos incapacitados de pensar saídas, presos numa teia de negatividade opressiva e doentia.
A postura positiva diante da vida nos habilita à sentir e expressar gratidão. A enxergar o que ainda nos sobra, no lugar do que nos falta. A enxergar o que ainda de bom ocorreu, no lugar de destacar o que de ruim aconteceu.
A postura positiva emancipa, expande e constrói a autonomia de viver, o protagonismo diante das situações.
Liberando energia transformacional para o enfrentamento de situações desgastantes e conflituosas.
Então, para nossa reflexão, será que algumas portas não estão se abrindo em nossa vida pela nossa postura diante delas, de nós mesmos, dos outros e até diante das circunstâncias?
Com certeza você já trabalhou, ou conviveu, com uma pessoa extremamente pessimista, ou não?
Daquelas que na reunião de trabalho, diante da proposta de um novo objetivo a ser alcançado, é a primeira que diz que não haverá como oferecer aquele resultado.
Ou que, quando algo sai fora do planejando, numa viagem de turismo, fica remoendo o acontecido, no lugar de procurar outras opções para ainda aproveitar o passeio.
O pensamento negativo é limitador da consciência. Ele derruba a energia emocional para enfrentar problemas ou encontrar outras soluções, ainda não pensadas.
O pensamento negativo, expresso nesta crônica como a setinha para baixo do cartão de acesso ao quarto, ou o não-joinha, fecha o campo de visão para destacar o que de ruim ocorreu, incapacitando uma abertura ao novo, ao que resta, ao que de bom ainda ocorre, apesar dos pesares.
Ter um bom capital psicológico positivo não nos torna alienados, nem tampouco bobos diante de situações difíceis pelas quais passamos.
Nem se cria um mundo cor de rosa artificiar para nele se habitar.
Nada disso. Os elementos deste Capital: esperança, otimismo, resiliência e autoeficacia são de onde vem a força e a coragem do bem viver.
Não se nega os problemas, doenças, aperreios, ao se fazer um joinha diante deles.
Mas, assume-se uma postura emancipatória de enfrentamento, vivendo a vida possível, e pela qual se vale a pena viver, mesmo apesar deles.
Destacando, valorizando e agradecendo o que de bom, belo e virtuoso ainda se tem.
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