Guarde seu lixo emocional na lixeira
Todos os dias passo por essa calçada indo almoçar.
Todos os dias incomodava-me o lixo jogado nela.
Cada um que via a pilha lixo, aproveitava a ocasião, e jogava mais coisas sobre ela.
Lixo atrai lixo. É a Teoria das Janelas Quebradas:
“O vidro quebrado num automóvel abandonado transmite a ideia de deterioração, desinteresse e despreocupação, como se não houvesse regras ou normas de convivência, como se alguém dissesse: “aqui vale tudo”. E a cada novo ataque ao automóvel, reafirma-se e multiplica-se essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.”
Então, que seja, a cada dia a montanha de lixo estava ali. Fétida, atrapalhando a vida de quem trafegava naquelas calçadas. Enfeiando a paisagem.
Ontem fiquei serelepe de alegria. Num é que a calçada estava limpinha, limpinha.
Intrigado achei o motivo. Acho que um dos moradores dos prédios à frente saiu da posição da crítica, do lugar de observador, e agiu.
Fez o que nem sempre faço. Ponto pra ele.
Com um simples cartaz, ele(a) estimulou a população a depositar seu lixo no lugar correto: “Na lixeira, próximo a faixa de pedestre”.
Hoje, passei novamente e ela continuava limpinha. Até cheirando estava.
Por anos a fio aquele lugar foi associado culturalmente a um depósito de lixo.
Quando eu reclamava, alguns amigos me diziam, é da cultura do povo, não muda.
Mudou. Mudou por uma reeducação postural.
Tenho atendido a muitas pessoas que estão com lixo em suas calçadas interiores. Pessoas aflitas, desanimadas com a vida, tristes, e com indícios de depressão leve à moderada.
Mais preocupante ainda é o alerta de que até 2020, a depressão poderá ser a 2ª causa de doenças incapacitantes no mundo, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Quem me lê e sente-se cansado, sem ânimo, triste, abatido sabe o que é uma calçada interior cheio de lixo emocional.
Tem muita gente sofrendo e precisando de ajuda. A psiquiatria moderna não consegue mais do que aliviar os sintomas, as psicoterapias são lentas e caras.
E o cidadão comum, educado para vencer, ao se deparar com perdas, frustrações, negações de expectativas vai definhando.
As pessoas acometidas desse profundo estado de desânimo não encontram forças para dele saírem.
O desânimo invade todas as áreas. O sol brilha menos, o céu fica turvo, a comida insossa, a libido desaparece.
E os amigos parecem distantes.
Olhos vazios, focam um infinito sombrio.
Deprimidos sofrem. Sofrem consigo mesmos, por não se aceitarem na condição de apatia.
Sofrem ao perceberem que foram notados.
Sofrem ao negarem participar de eventos que antes eram tão prazerosos.
Deprimidos aprendem a depositar o lixo interior, aquele que lhe faz mal, em todas as áreas de suas vidas.
Vão se isolando, morrendo aos poucos ainda em vida.
Como morria aquela calçada.
A calçada é lugar de passeio, de fluidez e de travessias. Quando entulhamos nossa calçada interior com todo tipo de tranqueira emocional, todo tipo de lixo, tudo que não presta vai sendo depositado ali, acumulando-se sem processamento, ao léu em nosso coração.
Precisamos de uma área para depositar nosso lixo interior. Um lugar em nosso coração que o lixo emocional seja guardado, e aguarde o seu próprio tempo de decomposição, de processamento, de maturar a dor, a exemplo da “lixeira perto da faixa”.
Se você que me lê sente-se assim, lembre-se em afixar uma placa dessa da foto em seu coração.
Não digo-lhe que será fácil. Mas digo-lhe que é possível vencer a depressão com uma reeducação emocional. Com o uso de forças deliberadas da razão.
Assim como foi feita naquela calçada e seu lixo. Que com a força da educação transferiu-se para uma área determinada – a lixeira.
Tenho estudados três correntes da psicologia que vêm obtendo significativos avanços no tratamento da epidemia do século: A Logoterapia, a Terapia Cognitiva, e a Psicologia Positiva (ou do Bem-Estar/Florescer).
Comum a todas a firme decisão de sair do buraco. De recolher o lixo e levá-lo para um único canto do ser.
Ou seja, em comum há a razão combatendo a emoção negativa.
Uma das formas de resgatar-se de um processo depressivo é focar nas virtudes. Todos as têm.
Segundo a Psicologia Positiva temos um conjunto de forças que poderão ajudar no transporte do lixo. Martin Seligman & Christopher Peterson descrevem 24 virtudes, agrupadas em seis categorias.
Esse inventário de virtudes está disponível na rede para você fazer. Veja ao término desse texto.
Para os papas da psicologia positiva, transfere-se o lixo de nosso emocional para um canto compartimentado de nosso ser, quando conhecemos nossas principais forças e as usamos para renascer, ou florescer, como eles costumam dizer.
Veja as 24 forças, agrupadas em seis categorias de virtudes:
I. SABEDORIA E CONHECIMENTO
1. Curiosidade / Interesse pelo mundo
2. Gosto pela aprendizagem
3. Discernimento/Pensamento Crítico/Imparcialidade
4. Engenhosidade/ Originalidade/ Inteligência prática / Esperteza
5. Inteligência Social/ Inteligência Pessoal/ Inteligência Emocional
6. Perspectiva (forma de enxergar o mundo)
II. CORAGEM
7. Bravura/ Valentia
8. Perseverança/ Dinamismo/ Diligência
9. Integridade/ Autenticidade/ Honestidade
III. HUMANIDADE
10. Bondade/ Generosidade
11. Amor/ Capacidade de ser amado
IV. JUSTIÇA
12. Cidadania/ Dever/ Espírito de Equipe/ Lealdade
13. Imparcialidade/ Equidade
14. Liderança
V. TEMPERANÇA
15. Autocontrole
16. Prudência/ Discrição/ Cuidado
17. Humildade/ Modéstia
VI. TRANSCENDÊNCIA
18. Apreciação da beleza e da excelência
19. Gratidão
20. Esperança/ Otimismo/ Responsabilidade com o futuro
21. Espiritualidade/ Senso de Propósito/ Fé/ Religiosidade
22. Perdão/ Misericórdia
23. Bom humor/ Graça
24. Animação/ Paixão/ Entusiasmo
Essa abordagem, que foca em aspectos sadios de nosso ser, expandindo-os para outras áreas, tem dado muito certo em várias partes do planeta, em casos rigorosamente documentados.
Quem está cansado, mórbido e triste acaba se vendo assim em todas as áreas d a vida e perdendo o vigor.
Se você que me lê está assim, peço-lhe calma.
Você conseguirá atingir um outro estado do ser, o do bem-estar, a partir de exercícios simples que remodelaram sua forma de perceber o mundo, opaca pelas lentes da apatia.
São três exercícios:
1. Conte as coisas boas que acontece em seu dia, as suas bênçãos, e as anote num diário. Ao lado delas, tente registrar o porquê delas terem acontecido. No mínimo três por dia, durante 15 dias.
2. Pratique um gesto de bondade diário. Por 30 dias.
3. Faça três elogios verdadeiros, durante 1 semana – A Semana do Elogio.
4. Uma vez por semana, pratique a “visita da gratidão”. Encontre-se com alguém para com quem tem uma dívida de gratidão e revele o quanto a pessoa lhe foi importante, em determinado momento e circunstância da vida.
5. Faça cartas para quem ama (uma por semana). Pode ser e-mail, mas nada substitui recebê-las pelos Correios.
6. Diariamente tente fazer uma coisa que já gostou e que não gosta mais, mesmos em querer. Faça como se fosse um remédio que toma. Se gosta de cinema e não tem mais vontade. Uma vez por semana tome o remédio Cinema.
7. Durante cinco semanas pratique as cinco primeiras virtudes que lhe são mais fortes. Uma por semana, veja quais são seguindo o passo a passo abaixo.
http://www.viacharacter.org/Survey/Account/Register
1. Na área Register To Get Started. Trocar o idioma para Portugal (Brasileiro)
2. Fazer o registro
3. Teclar "Registrer"
4. Marcar a caixa: "Eu quero preencher o questionário VIA-IS"
5. Faça o questionário
6. Envie
7. Não preencha nada em DEMOGRAPHIC DATA
8. Clique em Complet Survey
9. No rodapé da folha faça o download dos seus resultados.
10. Os resultados são apresentados por ordem de força das virtudes em você, das maiores às menores.
Lute, um dia de cada vez. Permita-se florescer. Use suas forças para renovar seu ânimo, encontre um sentido no próprio sentido de sobreviver, de lutar contra a aflição, o tédio e a tristeza que alguma vez possa assolar tua alma. Quero dizer-lhe que acredito em ti. Que você tem valor. que só está cansado das pancadas, mas que aprenderá a olhar o lado bom da vida, aquela que por ela vale a pena viver.
Tangendo a Boiada de Emoções Negativas
Existem sentimentos difíceis de serem processados: a mágoa, a calúnia,o rancor, a intriga, a culpa, a ingratidão e o amor não percebido. São os sete portais da dor emocional. Os livros de autoajuda ensinam, ensinam, ensinam, mas nada funciona. Os orantes idem. Psicólogos de todas as espécies entram em campo, e só tomam de goleada.
Esses tropeços emocionais arranham nosso disco de sentimental. E, por horas, dias, meses, ou até anos, ficamos tocando aquele pedaço só: empacados num trecho melodioso de dor, e em dó maior.
Já comeu algo que te deu indigestão?
Que te fez arrotar por dias?
Que só de lembrar a cabeça dói?
Pois bem, existem as indigestões da alma.
Coisas que entram atravessadas em nosso ser e nos abalam emocionalmente.
Em alguns casos, sugam de nós o viço e a motivação.
Processar esses sentimentos, convertendo-os em algo útil ao nosso crescimento é um desafio, digno de por ele ser vivido.
Mas, nada fácil.
Não é tão fácil virar a página, como os manuais e vídeos motivacionais apregoam.
Quem já foi vítima de uma injustiça sabe bem de que falo, de uma calúnia, de uma armação ou intriga.
Quem foi vítima da vaidade e invejas da corte, quem teve que engolir sapos para sobreviver, idem.
A verdade é que protegemos demais nossa autoimagem. Nos levamos a sério demais, E, não somos capacitados para sobreviver à frustração.
Sempre sofri muito com isso tudo.
Sofro de má digestão emocional.
Tenho azias homéricas de sentimentos mal digeridos.
Nos últimos anos tenho melhorado. Não curei. Ainda sofro mais do que devia com coisas sobre as quais não tenho controle. Mas noto em mim progressos.
Queria compartilhar contigo o que faço e vem dando bons resultados.
Eu virei um aboiador de sentimentos ruins.
Quando percebo que eles estão chegando os tanjo, qual tange-se uma boiada.
Luto contra a baixa autoestima com a razão.
Se vai chegando em mim aquela frequencia de desamor, mudo a estação imediatamente.
Se vai chegando em mim aquela frequencia de uma mágoa, troco a estação.
Como?
Penso racionalmente em outra coisas.
Falo com minha voz interior que está me azucrinando que ela pare. Que tenho mais o que fazer. E boto outros pensamentos pra rodar no meu HD.
Somos o que pensamos.
Não me curo pela emoção, pelo sentimental. Curo-me pela razão. Torno-me presente quando o sentimento ruim vem chegando. Identifico-lhe e, em cima dele, trabalho outros temas. Não querendo mudá-lo. Quem já sofreu, sabe que não adianta nada fingir que não dói. Dói. E a dor invade várias área de nosso ser. Chupa nossa essência. Tira nosso brilho, nos faz definhar.
Então eu luto, não contra a dor, mas desviando sua força para ela mesma. Qual artes marciais.
Luto, remodelando meus pensamentos para áreas que estão legais e que me sinto bem. Se não posso mudar uma situação, posso mudar a forma como por ela me deixo abater. Pense nisso! Aprenda com o acontecido, e, reprograme seus pensamentos para calar a voz interior que fica arranhada nessa cena de dor e melancolia. Salte a faixa arranhada do disco de seu viver. Como? Conscientemente. Coloque outros pensares para processar, assim virão outros agires.
Nas ondas do amor
Volto cansado após mais uma aula. Cada vez temos que nos esforçar mais para despertar a atenção de nossos alunos. Entro no carro e imagino que ainda estou a 30 km de casa. Os carros voam, passam por mim jogando-me para além da faixa dos lerdos. Todos querem chegar logo em casa. Pensativo, dirijo devagarinho, procurando me concentrar nas voz dos locutores de rádio. Vou zapeando, procurando propagandas, programas de auditório, comentaristas e postais sonoro. Gosto de programas de rádio bem populares. Sinto vida neles. Mas, gosto mesmo é de zapear pelas emissoras, até em AMs.
Ontem não conseguir tirar de uma rádio que achei. Fiquei hipnotizado. Não tive coragem de mudar o seletor. Passava um programa interessante. De um lado da linha, um pastor. Do outro, pessoas que queriam mandar uma mensagem para os apenados da Papuda, maior Complexo Penitenciário destas bandas.
Não havia comunicação com os apenados. Imagino-os coladinhos no rádio, ansiosos por receberem uma mensagem dos seus. O pastor cronometrava o tempo rigidamente, como quem sabe o valor daquelas mensagens para quem teve a liberdade cerceada por sua culpa, sua tão grande culpa. Ele queria otmizar a participação. Tá certo.
Eram filhos, mães, mulheres, irmãs... Cada um deles tinha uns 15 segundos. E, naquele 1/4 de minuto sempre saia algo belo. Algo especial a dizerem. Durante uns 20 minutos fiquei chorando sozinho, a cada telefonema que tocava no celular do pastor, e que ele botava o áudio ao vivo no ar. Imagino o frisson nas celas, com muitos apenados sintonizados na emissora e ouvindo aqueles acalantos.
As mensagens começavam tímidas, depois iam criando emoção. O pastor incentivava a produção, conduzindo para preces. O povo o desobedecia. rsrs Confesso que não ouvi muitas preces. Mas, ouvi muitas preces, as preces maiores, as do amor, da esperança, da confiança no outro.
Escute comigo algumas das frases que não me deixaram dormir ao chegar da aula.
"Baby, eu te amo, não desista!".
"A casa está ok".
"Nossos filhos mandam lembranças".
"Escute aqui, ele aqui falando: diz alô para o papai, vai...".
"Aqui quem fala é sua mãe, tenha força e fé meu filho."
"Estive com o advogado e ele vai pedir nova audiência".
"Avisa ao José que a Fátima está boa."
"Aqui está faltando de um tudo, mas o pessoal tem ajudado."
"Não se preocupe conosco. Cuide de você."
"Estou com saudades...não tenho podido faltar o trabalho pra te ver nas quartas".
São, ou não são, verdadeira preces? Feliz de quem sente o amor.
Feliz de quem se sente amado. Não tenho dúvidas de que cada um daqueles apenados, mesmo sem poderem interagir com as ligações, sentiram-se amados, abraçados, e naquela noite, estimulados a mudarem - nem que seja pela fração do tempo em que sentiram-se privilegiados de ouvirem seus nomes, em súplicas de desejantes.
O amor pede expressões, gestos, atitudes concretas. Pede telefonemas esperançosos para um pastor numa rádio qualquer, torcendo para que um radinho de pilhas esteja encostado no ouvido de quem se ama, e sintonizado naquela emissora.
Aquelas mulheres são a expressão do amor. Chorei com elas pelos seus amados.
A humanidade está carente de demonstrações de afeto, de amor, de cuidado, de interesse genuíno pelo outro. Mas, é só prover as condições que o amor brota e se revela em formas mil.
Com licença, nessa noite o amor pede passagem! Vou ali fazer meu gesto.
Moradas
Nesse domingo curto a casa
da árvore do JG.
Ele diverte-se com lançamentos
de brinquedo no pai.
Diverte-se mais ainda pulando
a janela e me deixando preso no interior.
A tramela da porta da frente fecha por fora.
Uma questão de segurança que não pensou na traquinice de meu filho ao prender o pai.
Depois de alguns apelos infrutíferos, ele vem me soltar. Rimos os dois.
Aquela cena compensou a frustração de ter rodado 80 km, até Sobradinho-DF - ida e volta, e não ter visto o filho caçula.
É que hoje saímos de casa cedinho com o firme propósito de visitar o jovem casal, na sua morada nova. Contudo, Rodrigo e Carol não estavam em casa.
Tinham ido comprar pratos e talheres. Pensei, sou mesmo nordestino que cisma em visitar as pessoas queridas sem se anunciar antes, só pelo prazer da surpresa. Na semana que passou, assinei mais dois contratos de morada dos filhos. O do Tiago & Carol e o da Priscila & Hugo.
Todos agora possuem um CEP alugado e pra chamar de seu aqui no DF.
Agora todos os meus filhos possuem suas próprias tocas. Agora eles começam de fato suas construções interiores.
Seus voos para um lugar no infinito, tão perto, tão longe.
Fico pensando no quanto somos caverna, toca, buraco, tenda, oca, gruta, cabana, casa, apartamento e , árvore e catedral. Somos morada. Um ethos que se faz sentido no nós.
No fundo, queremos um lugar pra acender a fogueira, pintar as paredes, nos proteger, alimentar, orar, repousar e celebrar o desafio e a beleza de viver.
Estou lendo um livro do Seligman que me remete à beleza das moradas. Chama-se Florescer. Ele fala do que realmente importa para o bem estar: Emoções positivas, engajamento, relacionamentos saudáveis, sentido de propósito e realizações.
A busca da primeira morada, longe do ninho dos pais, tem dos cinco elementos do bem-estar um pouquinho de cada, por isso tão gostosa a sensação.
Estou lendo um livro do Seligman que me remete à beleza das moradas. Chama-se Florescer. Ele fala do que realmente importa para o bem estar: Emoções positivas, engajamento, relacionamentos saudáveis, sentido de propósito e realizações.
A busca da primeira morada, longe do ninho dos pais, tem dos cinco elementos do bem-estar um pouquinho de cada, por isso tão gostosa a sensação.
A noite se aproxima. Vem ofegante abocanhando os mais tenros raios de luz, então vou na cozinha e preparo um capuccino, está frio.
Aproveito pra ligar para meus pais. Quem atende é Celina, que mora com eles há 20 anos.
Aproveito pra ligar para meus pais. Quem atende é Celina, que mora com eles há 20 anos.
Celina pergunta-me se eu tava vendo na TV as cenas do enterro do Eduardo Campos.
Respondi-lhe que não, que optei por não ligar a televisão nesse domingo.
Mas, que como o tema do que estava escrevendo era sobre morada, aproveito para dizer:lhe: Celina, não se entristeça teu coração: "na casa do Pai há muitas moradas".
Respondi-lhe que não, que optei por não ligar a televisão nesse domingo.
Mas, que como o tema do que estava escrevendo era sobre morada, aproveito para dizer:lhe: Celina, não se entristeça teu coração: "na casa do Pai há muitas moradas".
E, com certeza ele será recebido por lá.
Todas as outras moradas acabarão um dia virando pó.
A única morada que ficará de pé,
A única morada que ficará de pé,
quando tudo for caos, é a de um espírito órfão que todos os dias chora e suplica em nosso peito com saudades do regaço de seu Pai.
Mas, só Ele saberá a hora e dia do encontro.
Podemos até estar tomando cafezinho num lugar em que um avião cairá, em poucos minutos, e de lá ter saído a tempo de não ter acontecido nada, e, ao orar agradecendo, uma porta passar voando por cima, motivada pela explosão do querosene do avião que jaz no quintal. Não era o dia.
Mas, só Ele saberá a hora e dia do encontro.
Podemos até estar tomando cafezinho num lugar em que um avião cairá, em poucos minutos, e de lá ter saído a tempo de não ter acontecido nada, e, ao orar agradecendo, uma porta passar voando por cima, motivada pela explosão do querosene do avião que jaz no quintal. Não era o dia.
Aí escuto um sussurro dizendo-me: "bota umas linhas Minhas aí na tua crônica".
Obedeço.
"Ei, enquanto não Te chamo, contribua em tornar esse mundo melhor do que encontrou. Este é o valor do bilhete para a eternidade, um lugar em que cada lágrima tua, de choro ou riso, fez germinar frutos de um banquete de vida plena que tu ainda irás prová-lo."
Pequenas mudanças, grandes resultados.
Era um sábado de noite bela.
Meu irmão convidou-nos a inaugurar seu forno de pizza.
Adoro inaugurações, comemorações, celebrações de qualquer natureza. A vida pede pausas e marcações no tempo, feitas para eternizar momentos.
Botamos a lenha no fogo.
Nem ele nem eu tínhamos a mínima ideia do quanto precisaria de lenha. Fomos aos pucos. e, acompanhando no termômetro. entrei no Pai Google e vi que o forno tinha que chegar a uns 200 graus. Chegou a 100 e nada de passar daí. Tomávamos uns drinques, sempre botando mais lenha e olhando o termômetro.
Aí o Guga teve uma sacada. A lenha estava sendo colocada errada, em montinhos e no sentido vertical, uma por cima da outra.
Só queimava a extremidade interna.
Só uma das pontas.
O certo seria colocá-la no sentido horizontal, por cima das tenras brasas, para que toda sua extensão pegasse fogo.
Aumentando em 100%, no mínimo, a área de combustão.
Não deu dois minutos e o termômetro foi para 250...
E tome brindes. Ficamos alegres qual crianças que ganham sorvete.
Pronto, o forno estava aquecido.
Na bancada, minha sobrinha preparava a massa com a base de molho de tomates e os ingredientes. A que inauguraria o forno seria a do JG. ele recebeu essa honraria do tio. E foi uma calabresa. Dez minutos de forno foram suficientes
Dez minutos depois, saia uma pizza suculenta, tostadinha por fora e macia por dentro. Uma delícia. Se o JG não corre não sobrava nada pra ele. A noite era de comunhão familiar.
Umas cinco pizzas à frente fiquei pensativo. Minha caraminhola começara a processar o apreendido.
A diferença entre queimar só uma parte de si mesmo, quando nos envolvemos com algo, e o entregar-se totalmente. doar-se totalmente, mergulhar com paixão dando o melhor de si naquilo que faz ou sente.
Todos somos omo esse pedaço de lenha de madeira. As coisas com as quais nos vinculamos geram fogo, aquecem nosso coração.
Dão motivos, propósitos, e porquês viver.
O problema é quando não colocamos todo nosso potencial, ou pior, quando as pessoas que nos cercam não têm o dom de sacar nosso potencial e melhor aproveitá-lo. .
Não têm a sacada que meu irmão teve, ao perceber que o potencial daquela lenha, para a combustão, estava sendo parcialmente atendido.
Quantas famílias castram o potencial de seus filhos, super protegendo-os.
Quantos gestores castram o potencial de seus funcionários, repreendendo-os à menor falha.
Quantos relacionamentos afetivos são fogo baixo. Um deles, ou os dois, em jogos dramáticos, passa a diminuir a labareda do outro, anulá-la. O que antes era admiração agora é ódio velado. Chiste, rancor, ironias nada finas. Foca-se no que dá errado e deixa-se de admirar o outro.
Um parceiro anula o potencial do outro. Deixando de incentivá-lo, estimulá-lo a crescer, de acreditar que ele é capaz de superar e vencer as dificuldades.
Meu irmão convidou-nos a inaugurar seu forno de pizza.
Adoro inaugurações, comemorações, celebrações de qualquer natureza. A vida pede pausas e marcações no tempo, feitas para eternizar momentos.
Botamos a lenha no fogo.
Nem ele nem eu tínhamos a mínima ideia do quanto precisaria de lenha. Fomos aos pucos. e, acompanhando no termômetro. entrei no Pai Google e vi que o forno tinha que chegar a uns 200 graus. Chegou a 100 e nada de passar daí. Tomávamos uns drinques, sempre botando mais lenha e olhando o termômetro.
Aí o Guga teve uma sacada. A lenha estava sendo colocada errada, em montinhos e no sentido vertical, uma por cima da outra.
Só queimava a extremidade interna.
Só uma das pontas.
O certo seria colocá-la no sentido horizontal, por cima das tenras brasas, para que toda sua extensão pegasse fogo.
Aumentando em 100%, no mínimo, a área de combustão.
Não deu dois minutos e o termômetro foi para 250...
E tome brindes. Ficamos alegres qual crianças que ganham sorvete.
Pronto, o forno estava aquecido.
Na bancada, minha sobrinha preparava a massa com a base de molho de tomates e os ingredientes. A que inauguraria o forno seria a do JG. ele recebeu essa honraria do tio. E foi uma calabresa. Dez minutos de forno foram suficientes
Dez minutos depois, saia uma pizza suculenta, tostadinha por fora e macia por dentro. Uma delícia. Se o JG não corre não sobrava nada pra ele. A noite era de comunhão familiar.
Umas cinco pizzas à frente fiquei pensativo. Minha caraminhola começara a processar o apreendido.
A diferença entre queimar só uma parte de si mesmo, quando nos envolvemos com algo, e o entregar-se totalmente. doar-se totalmente, mergulhar com paixão dando o melhor de si naquilo que faz ou sente.
Todos somos omo esse pedaço de lenha de madeira. As coisas com as quais nos vinculamos geram fogo, aquecem nosso coração.
Dão motivos, propósitos, e porquês viver.
O problema é quando não colocamos todo nosso potencial, ou pior, quando as pessoas que nos cercam não têm o dom de sacar nosso potencial e melhor aproveitá-lo. .
Não têm a sacada que meu irmão teve, ao perceber que o potencial daquela lenha, para a combustão, estava sendo parcialmente atendido.
Quantas famílias castram o potencial de seus filhos, super protegendo-os.
Quantos gestores castram o potencial de seus funcionários, repreendendo-os à menor falha.
Quantos relacionamentos afetivos são fogo baixo. Um deles, ou os dois, em jogos dramáticos, passa a diminuir a labareda do outro, anulá-la. O que antes era admiração agora é ódio velado. Chiste, rancor, ironias nada finas. Foca-se no que dá errado e deixa-se de admirar o outro.
Um parceiro anula o potencial do outro. Deixando de incentivá-lo, estimulá-lo a crescer, de acreditar que ele é capaz de superar e vencer as dificuldades.
Sê inteiro em tudo que tocas. Coloque mais disciplina, mais vigor, mais paixão na tua vida. Identifique áreas nais quais um simples girar da lenha seca poderá fazê-las funcionar melhor.
Entendeu a metáfora?
Mude comportamentos, ou se mude de comportamentos, mas não se anule, ou deixe que outros anulem a beleza da chama que aguarda sua vocação. Há séculos adormecida em teu peito.
Fomos feitos para ser luz. Não adormeça teus sonhos. Construa-os, chama à chama, lenha á lenha.
Entendeu a metáfora?
Mude comportamentos, ou se mude de comportamentos, mas não se anule, ou deixe que outros anulem a beleza da chama que aguarda sua vocação. Há séculos adormecida em teu peito.
Fomos feitos para ser luz. Não adormeça teus sonhos. Construa-os, chama à chama, lenha á lenha.
Quem sabe não é a tua posição perante a vida que está adormecendo potenciais em teu ser? Assim como a madeira na vertical, citada no início desse texto.
Pense nisso, e não se acostume com o que faz infeliz, com a mediocridade. Antes de culpar os outros, renove esperanças e lute pelo seu espaço da chama, no forno vital de teu coração.
Sinta o crepitar de teus sonhos aquecendo teu coração.
Verás que logo logo muitos procurarão morada em teu peito, nos dias friorentos pelos quais passa a humanidade. Um frio de valores.
Pense nisso, e não se acostume com o que faz infeliz, com a mediocridade. Antes de culpar os outros, renove esperanças e lute pelo seu espaço da chama, no forno vital de teu coração.
Sinta o crepitar de teus sonhos aquecendo teu coração.
Verás que logo logo muitos procurarão morada em teu peito, nos dias friorentos pelos quais passa a humanidade. Um frio de valores.
Efeitos da marcas dos outros em nós.
O sábado era frio em Brasília-DF, uns 12 graus, um frio desses é algo incomum por estas bandas.
Na cozinha da casa do Ricardo e Cristiane, deliciávamos-nos com um cafezinho recém passado, acompanhando por biscoito de queijo, além de uma prosa revigorante.
Uma bênção poder frequentar a cozinha de amigos.
Entre um pão de queijo e outro, o Ricardo me convida para conhecer seu Atelier, de arte em concreto, localizado no terreno aos fundos de sua casa.
Fui logo vendo a limpeza da oficina: cimentos, ferro, prensa, tinas para cura, formas, tintas e pinceis, troncos de árvores, tudo numa ordem e limpeza impecáveis.
Mais à frente algumas peças prontas, aguardando a entrega e outras curando em água.
Engulo em seco quando as vejo. Sempre admirei peças de madeira velhas, tipo dormentes, portais, roletes de tronco, madeira de demolição.
Creio que elas carregam uma história, quase falam.
Com o boom de sua utilização, encontrar madeiras de demolições a preço acessível tem se tornado uma luta inglória. Tem até gente que dá um jeito para envelhecer umas madeiras e enganar os clientes.
As peças em concreto que o Ricardo produz são imitações fieis das que sempre procurei comprar. Até as marcas de pregos retorcidos nelas estão presentes.
Falhas nas madeiras, sulcos que o tempo esculpiu, vales, grutas, fendas e montanhas na madeira existente, nada escapa à arte.
Fiquei embevecido e encomendei 5 dormentes. Sempre quis ter dormentes em casa, e esse que comprei agora é mais sustentável.
E a um preço 200% inferior ao tradicional, hoje vendido em lojas de decoração.
Muitas árvores velhas estão sendo abatidas para que delas se extraiam lascas dos troncos que deem tábuas decorativas, uma pena.
Queria um milhão de “atelieres” do Ricardo, de arte em concreto, para que essas irmãs-árvores centenárias pudessem viver em paz.
Ele consegue reproduzir tudo, até uma tábua de tronco do cerrado, cheio de gomos que mais parecem uma cortiça, está à venda.
Ele me diz que é um garimpeiro de troncos velhos, procurando-os como tesouros pelas marcenarias, restos de demolição, derrubadas, ou até nas casas de amigos.
Ao encontrá-los, os imita numa arte que embevece os olhos.
Primeiro, ele prepara a peça de concreto, sempre com hastes de ferro em seu interior para reforçarem a estrutura. Depois, com o concreto moldado, e ainda macio na forma, ele molda o tronco escolhido na mesma, usando a força de uma prensa hidráulica.
Em seguida, começa a arte, propriamente dita, que é a reprodução fidedigna das cores – no produto recém moldado, utilizando-se como modelo as tábuas escolhidas para tal finalidade, retirando da prensa as tábuas que serviram de modelo.
Após sua limpeza, elas “posam” de modelo para que sobre peças ainda monocromáticas, sem graça e formosura, vá depositando uma variedade enorme de tons sobre tons, tornando-as, agora, coloridas que ficaram bem parecidas com aquelas peças que em si fizeram morada por um tempo, nem que seja no útero de uma prensa hidráulica.
As cores são os sorrisos da vida.
Aquele velho tronco, aquela velha tábua, agora toda formosa se embeleza e numa altivez impressionante posa para que nas mãos do artista um quadro dela própria seja pintado no frio e distante cimento duro.
No final, de tão perfeito que fica, só se descobre o que é madeira, e o que é concreto, se tocarmos nas peças.
Cada deck com elas feitas, cada revestimento, cada piso, semeia um pouco de esperança na preservação e sustentabilidade de nossas madeiras de lei: Castanheira-do-Pará, Copaíba, Cerejeira, Pau Brasil, Ipê- amarelo, Carnaúba, Angelim-Pedra, Cedro, Andiroba, Aroeira, Jequitibá, etc...
Ricardo sorridente diz que guarda os moldes, ao final de cada prensagem. Eles são tesouros. Um molde bom transmite para umas 1000 peças adiante suas marcas, suas cores, ou seja sua forma.
Podem ser diferentes, o modelo e a pintura final, contudo entre si guardam semelhanças profundas, tal qual a modelo secreta da Monalisa de Michelangelo.
Com certeza tinha um sorriso discreto e que sorria com o ser.
Notando que eu estava embevecido, ele convida-me para seguir terreno abaixo, mostrando as aplicações de sua arte no jardim, pomar e horta.
Fiquei profundamente tocado naquele dia. Voltei pra casa pensando em quantas pessoas deixaram suas marcas em mim.
Meus pais, irmãos, amigos, afetos, filhos, mulheres amadas, namoradas, ficadas, os amigos da Ong GAV, do EJC, do ECC, dos grupos jovens e das pastorais da Paróquia do Rosário, do Banorte, das Damas, do BB.
Outros amigos, mais recentes, continuam a esculpir a obra de Deus em meu ser. Esculpem em mim seus talentos tais como os amigos Metodistas, os da UniBB, os da Ditec, os meus alunos e professores da Unip, Católica e Ibmec, os do Facebook e tantos outros que tive a felicidade de conviver nos cursos e palestras que ministrei.
Carregamos as marcas de tantas pessoas com as quais convivemos ou tenhamos cruzado pela vida afora.
Também podemos deixar marcas nos outros.
Marcas podem ser boas, nos elevarem, esculpirem em nós novas criaturas.
Por isso é fundamental, pela vida afora, encontrar bons troncos para conviver. Árvores boas, mansas, sábias que com certeza, pelo exemplo, lhe tornará uma pessoa melhor ao conviver com elas.
E, caso tenha convivido com gente má, infeliz, pessimista e medíocre – cuidado para não ter ficado com os seus sulcos, suas marcas, impressas em teu ser, mesmo que seja em teu inconsciente.
Um famoso estudioso da aprendizagem, Piaget, descobriu que uma das formas mais utilizadas pelo nosso cérebro para aprender é a imitação.
Esse é o perigo de se conviver com troncos podres, eles podem moldar em nós suas piores características.
Outro perigo são os sepulcros caiados. Pessoas que por fora aparentam uma coisa e que na verdade, em sua essência, são outra. Ardilosos, manipuladores, enganadores de toda natureza, fingem a mais correta atitude: perigo, tudo fachada.
Na metáfora com o atelier de arte em concreto, são os troncos falsos. Que por fora são belos, íntegros, fortes... mas em seu interior habita famílias de cupins. A madeira então, aquele belo exemplar cujas característica irão ser imitadas, não aguenta a pressão e rompe-se ao menor esforço da prensa hidráulica. Sua estrutura desmorona, cede ao teste da força.
Outras madeiras hipócritas são aquelas que madeireiros sem escrúpulo a envelhecem na marra, enterrando-as em terreno úmido por um ano. Após o que, as mesmas ficam com aparência de velhos dormentes, tábuas e portais antigos. Muito valiosos. Pura enganação. Na verdade, esse processo mentiroso de envelhecimento afeta a estrutura interior da madeira apodrecendo-a internamente. Então, ao ser prensada ela rompe-se facilmente.
Meu amigo Ricardo, contou-me que esse é o maior problema: distinguir troncos-modelo verdadeiros dos falsos, e aí só no dia a dia mesmo. Lembra aquelas pessoas que no mundo lá fora são uns cordeirinhos, uns anjos de retidão. Contudo, entre quatro paredes revelam-se lobos predadores de toda autoestima existente, de toda boniteza da alma que encontre.
São feras sanguinárias da família e de quem lhe rodeia mais de perto.
Fariseus que pregam uma coisa e fazem outra.
Fiquei matutando como isso é parecido conosco. Quantos tidos como exemplos, como baraúnas sagradas, quando se encontram sob pressão, seja da ambição, do dinheiro, do poder, da fama, revelam quem de fato são: troncos carcomidos, almas corroídas, espíritos de porco.
Como distinguir então? Procure os frutos de líder-exemplo. Frutos são gestos concretos de compaixão, de solidariedade, de amor, de perdão, de ética, de honestidade, de justiça, de gentileza, de misericórdia, de educação e de respeito aos seres humanos.
Simulacros de exemplos, sepulcros caiados, não frutificam...
Essa recomendação é muito útil em tempos de eleição também.
A boa notícia é que a fé, o autoconhecimento, a educação e a consciência crítica funcionam como o atelier do Ricardo. Produzem mudanças, transformações significativas usando a força da poesia, da arte, do amor. Conseguem até revitalizar madeiras podres por dentro ou cheias de cupins na alma.
A educação, aliada ao autoconhecimento e amor, criam condições para que a autonomia do ser, seu eterno vir a ser, aconteça e transforme realidades, tidas antes como imitáveis..., perdidas.
Essa tríade mágica: amor, educação e autoconhecimento, pode transformar a pior forma impregnada em nossos ser, em algo belo, e pelo de sentido da vida.
Ela transforma velhos seres, em novas criaturas. Agem como o atelier do Ricardo.
A força da tríade processa para melhor os preconceitos, traumas e mágoas; além de lavar os corações encanecidos pela dor, culpa e luto.
Tornando novas, as velhas criaturas moldadas ao longo da vida e do viver pelos troncos feios e podres com os quais conviveram.
Prepare sua estrutura do ser para deixar-se novamente moldar, leve-se á prensa hidráulica da mudança, procure exemplos que em si carreguem o que realmente importa: a paz, a gratidão, a ética, a justiça, a bondade...
Leve-se ao “Atelier de Concreto do Ricardo”, procure um bom modelo para aprender com ele novas maneiras de agir e ser.
Caso ainda assim esteja difícil mudar, quem sabe não é a hora de ajoelhar e pedir ao bom Deus que interceda.
O Espírito Santo tem a força de milhares de prensas hidráulicas alterando seres já petrificados, formados, e endurecidos pela força do concreto e ferro da realidade do viver.
Peças já moldadas e secas, paras as quais o Atelier do Ricardo não conseguiria mais nelas imprimir novas peças. E que só restaria destruí-las para aproveitar a ferragem interior.
Mesmos essas peças, já prontas, Deus não as destrói. Ele converte água em vinho no coração delas, transmutando-as numa vontade de sentido em novas criaturas.
Mesmo que a madeira de lei de seu ser interior esteja cheio de sulcos, marcas, cicatrizes de pessoas ruins, sempre é tempo.
Desaprenda velhas lições e comportamentos e permita-se a um outro ser possível.
Os bons exemplos, a educação, o amor e a fé libertadora podem transformar pessoas e a própria humanidade.
Criando espaço fecundos em autonomia, valores, consciência crítica e agir político-cidadão, que nos libertarão de condicionamentos emocionais, ou os sócios históricos, que já não fazem mais sentido e nos empobrecem como coletividade.
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Quem quiser visitar a obra do Ricardo é só acessar:
Arte em Concreto
Selfiar a Vida
Na pose para a foto da vida,
há momentos em que você
precisa se lançar,
para nela sair.
Não deixe que te diminuam,
joguem você ao lado,
e excluam a tua possibilidade
de nela vir a sair.
Projete-se na vida
Projete-se na vida
com amor e vigor,
carregando a ti mesmo,
irradiando teus valores
e acreditando no teu potencial.
Nem que seja aquele que te faz saltar, buscando uma possibilidade
remota, num infinito de um clique.
Num instante mágico,
que poderá durar uma eternidade,
a vida voltará a ter sentido para ti.
Lance-se nela,
plante o futuro que almeja.
Aí, num dia sem nada especial,
como quem chega do vazio,
o sopro da mãe vida trará
consigo o orvalho da manhã vindoura,
que alimentará tuas raízes sequiosas
e te fará renascer da dor.
E, num instante mágico,
tal o clique desta foto,
a vida voltara a ter sentido
e acontecer para você.
Mas, repito, lance-se nela!
Mas, repito, lance-se nela!
E, tenha esperança,
mesmo contra toda desesperança que teima em habitar teu ser.
Cartas ao JG - A arte de contar os números da vida.
Meu filho, ontem cheguei em casa perto das 23hrs. Voltava de uma aula que lecionei na UNIP, cheguei em casa feliz. A aula rendeu. O tema foi sobre a capacidade que temos de fazer com o que a vida nos faz, uma ponte para novas descobertas, ou um muro de uma prisão.
Um dia você entenderá o que teu pai agora escreve. Costumo dizer que na mesma realidade há benção e maldição, há o bom e o ruim. Mas, que olhar o lado bom da vida é uma decisão, uma escolha, algo que fará toda a diferença. Somos treinados para o negativo, pessimismo e vitimização. Precisamos reprogramar nosso cérebro para que ele aprenda a filtrar melhor a realidade, destacando dela às coisas pelas quais somos gratos: um belo pôr do sol, uma amizade, um pássaro que canta, uma refeição prazerosa - e também reaprendermos a agradecer às pessoas que tornam nosso dia a dia um pouco melhor, reconhecê-las e elogiá-las, desde que seja um elogio verdadeiro.
Ensinei aos meus alunos o que agora te ensino nessa cata: chore e sofra com as coisas ruins que te acontecem, somente um dia e uma noite. Somente. Depois, bata a poeira, enxugue as lágrimas e siga sua jornada. Ontem foi um desses dias na vida de teu pai. Algo me decepcionou no mundo do trabalho, me fez profundamente infeliz, algo do tipo de uma fofoca. Chorei o dia de ontem e a noite. Hoje, as 6 da manhã, quando escrevo pra ti, já virei a página. Aprendi com o ocorrido, extraí preciosas lições e segui adiante. A vida não para, não dá uma pausa, para que você enxugue as lágrimas. E, fugir para a arquibancada dela, quando o jogo fica difícil, não é uma boa escolha.
Cheguei em casa e tinha um bilhete de tua mãe: “Amado, tem pizza no forno. Se sobrar guarda na geladeira por favor”.
Contei minas bênçãos novamente. É muito bom chegar em casa e ler um bilhete desses. Não sobrou pizza, estava deliciosa.
Aí escutei uns passos na escada. Pensei que seria tua mãe. Mas era você. Fui tomado de surpresa. Você nunca sai de perto dela, principalmente quando chora.
Tu manténs uma certa distância de teu pai nessas horas.
Você chegou até mim tossindo muito e chorando. Chorava que se engasgava a tosse com o choro, o choro coma tosse, aponto de vomitar o leite recém-tomado.
Quase que vomito junto.
Mas não era hora de teu pai dá chilique.
Te abracei. Perguntei-lhe o que ocorreu, e onde estava tua mãe.
Você contou que ela dormia. Então saquei que ao ver a luz da cozinha acesa você veio procurar ajuda com seu pai, então a coisa era séria.
Você, entre lágrimas e soluços, dizia que chorava por “não saber contar”. “Que era difícil”
Que a professora fizera um jogo na escola e que você “perdeu”.
Perdeu o jogo dos números, por não saber contar e que a tia ficou brava.
Disse-me chorando que “não iria aprender a contar” e que os outros ganharam o jogo.
Pediu pra não mais ir pra escola, hoje, e que queria ir comigo ao trabalho.
“Pois não sabia contar os números”.
Coloquei-te mais forte contra meu peito, abafando tua profusão de choro, e te ninei. Disse-lhe que sou professor e que iria te ensinar a contar os números. Todos os dias ao chegar em casa. Disse-lhe que você mal tinha feito 5 anos e que nem todos aprendem as coisas ao mesmo tempo.
Disse-lhe que perder faz parte do jogo da vida. Que nem sempre ganhamos. Que sempre haverá uma nova oportunidade, uma outra partida para tentar novamente.
Você foi se acalmando. Te levei para dormir comigo, na rede. Eu acarinhava seu cabelo e você soluçava baixinho.
Aquilo doeu em você.
Algo te magoara no ato pedagógico de tua “tia”.
Dias atrás, morreu no Brasil um grande filósofo e professor chamado Rubem Alves. Procure ler a obra dele e entenderá que só se faz uma boa pedagogia com afeto, com amor. Que o conhecimento deve ter sabor, que deve ser prazerosa a descoberta das coisas.
E que a escola tradicional destrói o espaço do prazer em aprender, com métodos ultrapassados e autoritários como o que te fez tão infeliz ontem.
Com certeza, quando você ler essas linhas já saberá contar. As pessoas têm ritmos diferentes de aprendizagem. E é isso que muitos pretensos educadores não sabem. Querem botar todo mundo na mesma “forma”, de formar, e que que dali saia “bolinho” pedagógicos em forma de gente, todos iguais e no mesmo estilo, tom e jeito de ser.
Uma pena. Uma escola que deseduca para a autonomia.
Hoje será um dia difícil emocionante pra ti. Você precisará dar uma resposta pra vida. Precisará enxugar as lágrimas e lutar para aprender a contar. Não vou passar a mão em tua cabeça. Dizer que não precisa aprender a contar. Aprender a contar faz parte do viver.
Hoje você vai ter que vencer a vergonha, superar os maus tratos de uma tia que te expôs - por não acertar o jogo de contar os números, superar o medo dela: “mas a tia é muito braba”.
Superar os gracejos de tua turminha, superar a inflamação em tua autoestima ainda tão jovem.
Não poderei fazer por ti. Gostaria muito. Essa é uma luta só tua. Você precisará encará-la e não correr pra arquibancada do jogo de tua vida, quando num dia infeliz, levar 4 gols em 6 minutos. (Veja o replay do jogo Brasil e Alemanha, Copa do Mundo Brasil 2014).
Vai precisar se fortalecer para enfrenta-la. Muitas desses pretensos professores vão passar pelo teu viver e te dizerem que você “é um perdedor”, um “fracassado”. Que você não sabe “contar os números”.
Não deixe que eles te diminuam. Ninguém é, está.
Não desista. Corra atrás e supere as dificuldades com mais dedicação e comprometimento ainda.
Na vida, 90% das cosias que nos acontecem vem da transpiração, da disciplina, da pegada no chifre do touro da vida e na sua doma.
Os outro 10% da inspiração, da sorte, do acaso, de tá na hora e lugar certos.
Os outros 100% vem da mística, da presença de Deus em nosso viver a nos animar e soprar em nós seu espírito.
Mas pai, aí deu 200%. É filho, Deus também não sabe contar, pra ele o menos pode ser mais, e o mais pode ser menos. Coisa que tua professora ainda não aprendeu.
A conta da vida sempre é credora, ela sempre tem mais a nos ofertar, mesmo que pensemos que dela já tiremos tudo, já saquemos tudo. Afinal, Deus não é bom em contar os números e nos medir com a rigidez de uma calculadora. Pra Deus tudo pode ser 7 x 70, o infinito.
Vá e viva esse dia 22/07, o dia que descobriu que precisará encarar a dor, o luto e o sofrer de frente. E tente mais uma vez aprender a contar os números.
Esse é teu cálice e é tu quem terá que bebê-lo hoje. Têm pais que querem beber pelos filhos, superprotegê-los, tomar satisfações de tudo, e produzem filhos indefesos e frágeis.
Vão sofrer pois não aprenderam a perder, a sofrer. Alguém fazia por eles.
Na primeira perda vão procurar ajuda nas drogas.
Você vai ter que aprender a lidar com essas pessoas – do tipo de tua professora nas cenas de ontem na escola.
Vai ter que desenvolver a casca grossa, a saber sair de situações desagradáveis a que foi submetido. Sem perder tua ternura, tua alegrai, teu otimismo e esperança em dias melhores.
Aprender a levar pancadas da mãe vida sem ficar bruto, sem devolver na mesma medida.
Caso contrário, aí sim eles ganharão de ti.
Você não precisa ganhar o jogo de contar os números. Para teu pai, só participar do jogo já é uma vitória. Nem sempre ganhamos os jogos, nem sempre perdemos, o importante é jogar.
Não vou te criar, assim como não criei teus irmãos, para o sucesso.
Vou te criar para ser o melhor para o mundo, e não pra ser o melhor o do mundo.
Aqui reside uma enorme diferença.
Não vou te criar para ser modelo, perfeição, para ser o primeirão em tudo.
Para excessos de competição, poder, vaidade e orgulho que vejo pelas famílias afora.
Teu pai não joga esse jogo! Aqui o sistema é mais simples, e, garanto-lhe, no final bem mais prazeroso do que essa luta ensandecida por sucesso, nem que seja numa disputa de um jogo de contar números.
Em nosso lar o quarto lugar está de bom tamanho, desde que você tenha lutado para ser o primeiro!
E, voltando à minha aula de ontem à noite: mais do que saber contar os números, a contar teu saldo bancário, a contar teus bens, aprenda a contar tuas bênçãos, a contar teus amigos, a contar tuas superações, a contar e guardar em teu coração as coisas boas que todos os dias estão ali pertinho de nós e que nossos olhos opacos pela indiferença vão esquecendo de vê-las.
Isso é o que fará a diferença na contabilidade do jogo da vida e do viver.
Obs: Uma noite e um dia é uma expressão que uso para definir um certo tempo determinado. Parar de chorar, mais do que uma proposta emocional, é uma decisão racional. É uma escolha de fechar janelas, dá um Atl + F4 no Sistema Operacional Interior e permitir-se a abrir outras possibilidades. Mas, cada um tem o seu próprio tempo, a sua própria "noite e o seu próprio dia de luto". Só não pode virar meses, metaforicamente falando.
Um dia você entenderá o que teu pai agora escreve. Costumo dizer que na mesma realidade há benção e maldição, há o bom e o ruim. Mas, que olhar o lado bom da vida é uma decisão, uma escolha, algo que fará toda a diferença. Somos treinados para o negativo, pessimismo e vitimização. Precisamos reprogramar nosso cérebro para que ele aprenda a filtrar melhor a realidade, destacando dela às coisas pelas quais somos gratos: um belo pôr do sol, uma amizade, um pássaro que canta, uma refeição prazerosa - e também reaprendermos a agradecer às pessoas que tornam nosso dia a dia um pouco melhor, reconhecê-las e elogiá-las, desde que seja um elogio verdadeiro.
Ensinei aos meus alunos o que agora te ensino nessa cata: chore e sofra com as coisas ruins que te acontecem, somente um dia e uma noite. Somente. Depois, bata a poeira, enxugue as lágrimas e siga sua jornada. Ontem foi um desses dias na vida de teu pai. Algo me decepcionou no mundo do trabalho, me fez profundamente infeliz, algo do tipo de uma fofoca. Chorei o dia de ontem e a noite. Hoje, as 6 da manhã, quando escrevo pra ti, já virei a página. Aprendi com o ocorrido, extraí preciosas lições e segui adiante. A vida não para, não dá uma pausa, para que você enxugue as lágrimas. E, fugir para a arquibancada dela, quando o jogo fica difícil, não é uma boa escolha.
Cheguei em casa e tinha um bilhete de tua mãe: “Amado, tem pizza no forno. Se sobrar guarda na geladeira por favor”.
Contei minas bênçãos novamente. É muito bom chegar em casa e ler um bilhete desses. Não sobrou pizza, estava deliciosa.
Aí escutei uns passos na escada. Pensei que seria tua mãe. Mas era você. Fui tomado de surpresa. Você nunca sai de perto dela, principalmente quando chora.
Tu manténs uma certa distância de teu pai nessas horas.
Você chegou até mim tossindo muito e chorando. Chorava que se engasgava a tosse com o choro, o choro coma tosse, aponto de vomitar o leite recém-tomado.
Quase que vomito junto.
Mas não era hora de teu pai dá chilique.
Te abracei. Perguntei-lhe o que ocorreu, e onde estava tua mãe.
Você contou que ela dormia. Então saquei que ao ver a luz da cozinha acesa você veio procurar ajuda com seu pai, então a coisa era séria.
Você, entre lágrimas e soluços, dizia que chorava por “não saber contar”. “Que era difícil”
Que a professora fizera um jogo na escola e que você “perdeu”.
Perdeu o jogo dos números, por não saber contar e que a tia ficou brava.
Disse-me chorando que “não iria aprender a contar” e que os outros ganharam o jogo.
Pediu pra não mais ir pra escola, hoje, e que queria ir comigo ao trabalho.
“Pois não sabia contar os números”.
Coloquei-te mais forte contra meu peito, abafando tua profusão de choro, e te ninei. Disse-lhe que sou professor e que iria te ensinar a contar os números. Todos os dias ao chegar em casa. Disse-lhe que você mal tinha feito 5 anos e que nem todos aprendem as coisas ao mesmo tempo.
Disse-lhe que perder faz parte do jogo da vida. Que nem sempre ganhamos. Que sempre haverá uma nova oportunidade, uma outra partida para tentar novamente.
Você foi se acalmando. Te levei para dormir comigo, na rede. Eu acarinhava seu cabelo e você soluçava baixinho.
Aquilo doeu em você.
Algo te magoara no ato pedagógico de tua “tia”.
Dias atrás, morreu no Brasil um grande filósofo e professor chamado Rubem Alves. Procure ler a obra dele e entenderá que só se faz uma boa pedagogia com afeto, com amor. Que o conhecimento deve ter sabor, que deve ser prazerosa a descoberta das coisas.
E que a escola tradicional destrói o espaço do prazer em aprender, com métodos ultrapassados e autoritários como o que te fez tão infeliz ontem.
Com certeza, quando você ler essas linhas já saberá contar. As pessoas têm ritmos diferentes de aprendizagem. E é isso que muitos pretensos educadores não sabem. Querem botar todo mundo na mesma “forma”, de formar, e que que dali saia “bolinho” pedagógicos em forma de gente, todos iguais e no mesmo estilo, tom e jeito de ser.
Uma pena. Uma escola que deseduca para a autonomia.
Hoje será um dia difícil emocionante pra ti. Você precisará dar uma resposta pra vida. Precisará enxugar as lágrimas e lutar para aprender a contar. Não vou passar a mão em tua cabeça. Dizer que não precisa aprender a contar. Aprender a contar faz parte do viver.
Hoje você vai ter que vencer a vergonha, superar os maus tratos de uma tia que te expôs - por não acertar o jogo de contar os números, superar o medo dela: “mas a tia é muito braba”.
Superar os gracejos de tua turminha, superar a inflamação em tua autoestima ainda tão jovem.
Não poderei fazer por ti. Gostaria muito. Essa é uma luta só tua. Você precisará encará-la e não correr pra arquibancada do jogo de tua vida, quando num dia infeliz, levar 4 gols em 6 minutos. (Veja o replay do jogo Brasil e Alemanha, Copa do Mundo Brasil 2014).
Vai precisar se fortalecer para enfrenta-la. Muitas desses pretensos professores vão passar pelo teu viver e te dizerem que você “é um perdedor”, um “fracassado”. Que você não sabe “contar os números”.
Não deixe que eles te diminuam. Ninguém é, está.
Não desista. Corra atrás e supere as dificuldades com mais dedicação e comprometimento ainda.
Na vida, 90% das cosias que nos acontecem vem da transpiração, da disciplina, da pegada no chifre do touro da vida e na sua doma.
Os outro 10% da inspiração, da sorte, do acaso, de tá na hora e lugar certos.
Os outros 100% vem da mística, da presença de Deus em nosso viver a nos animar e soprar em nós seu espírito.
Mas pai, aí deu 200%. É filho, Deus também não sabe contar, pra ele o menos pode ser mais, e o mais pode ser menos. Coisa que tua professora ainda não aprendeu.
A conta da vida sempre é credora, ela sempre tem mais a nos ofertar, mesmo que pensemos que dela já tiremos tudo, já saquemos tudo. Afinal, Deus não é bom em contar os números e nos medir com a rigidez de uma calculadora. Pra Deus tudo pode ser 7 x 70, o infinito.
Vá e viva esse dia 22/07, o dia que descobriu que precisará encarar a dor, o luto e o sofrer de frente. E tente mais uma vez aprender a contar os números.
Esse é teu cálice e é tu quem terá que bebê-lo hoje. Têm pais que querem beber pelos filhos, superprotegê-los, tomar satisfações de tudo, e produzem filhos indefesos e frágeis.
Vão sofrer pois não aprenderam a perder, a sofrer. Alguém fazia por eles.
Na primeira perda vão procurar ajuda nas drogas.
Você vai ter que aprender a lidar com essas pessoas – do tipo de tua professora nas cenas de ontem na escola.
Vai ter que desenvolver a casca grossa, a saber sair de situações desagradáveis a que foi submetido. Sem perder tua ternura, tua alegrai, teu otimismo e esperança em dias melhores.
Aprender a levar pancadas da mãe vida sem ficar bruto, sem devolver na mesma medida.
Caso contrário, aí sim eles ganharão de ti.
Você não precisa ganhar o jogo de contar os números. Para teu pai, só participar do jogo já é uma vitória. Nem sempre ganhamos os jogos, nem sempre perdemos, o importante é jogar.
Não vou te criar, assim como não criei teus irmãos, para o sucesso.
Vou te criar para ser o melhor para o mundo, e não pra ser o melhor o do mundo.
Aqui reside uma enorme diferença.
Não vou te criar para ser modelo, perfeição, para ser o primeirão em tudo.
Para excessos de competição, poder, vaidade e orgulho que vejo pelas famílias afora.
Teu pai não joga esse jogo! Aqui o sistema é mais simples, e, garanto-lhe, no final bem mais prazeroso do que essa luta ensandecida por sucesso, nem que seja numa disputa de um jogo de contar números.
Em nosso lar o quarto lugar está de bom tamanho, desde que você tenha lutado para ser o primeiro!
E, voltando à minha aula de ontem à noite: mais do que saber contar os números, a contar teu saldo bancário, a contar teus bens, aprenda a contar tuas bênçãos, a contar teus amigos, a contar tuas superações, a contar e guardar em teu coração as coisas boas que todos os dias estão ali pertinho de nós e que nossos olhos opacos pela indiferença vão esquecendo de vê-las.
Isso é o que fará a diferença na contabilidade do jogo da vida e do viver.
Obs: Uma noite e um dia é uma expressão que uso para definir um certo tempo determinado. Parar de chorar, mais do que uma proposta emocional, é uma decisão racional. É uma escolha de fechar janelas, dá um Atl + F4 no Sistema Operacional Interior e permitir-se a abrir outras possibilidades. Mas, cada um tem o seu próprio tempo, a sua própria "noite e o seu próprio dia de luto". Só não pode virar meses, metaforicamente falando.
O dia do homem
Aquela guia para exame periódico de saúde jazia na minha mesa há dois meses. Nela, inscrito em letras miúdas, a palavra Urologista. No ano que farei 50 anos acho que é uma cidadã iniciativa em saúde, no mundo das organizações do trabalho, contudo um tanto delicada. rsrs
Desde 2007, aprendi que quem faz o exame de próstata é o urologista, não é no proctologista, como o sugestivo nome indica.
E, naquele ano aprendi da pior forma, indo aos dois. Uma segunda opinião é importante nesses casos.
Ontem, tomado de súbita coragem, após uma pane na CPU de minha estação de trabalho resolvi buscar nos classificados, de Brasília-DF, nomes de Urologistas.
Achei um tal de HU - Hospital Urológico de Brasília, ligo pra lá e acho um “encaixe” pra amanhã com um tal de “Alerrandro”. Um espanhol. Simpatizei de cara. Um médico espanhol pelo menos é de fora, não comentará nada om os brazucas locais.
Hoje, tomei banho caprichado e cu-i-dadoso. Coloquei a menos furada cueca.
E parti. No caminho, a lua deitava-se no horizonte, após uma noite de chamego com as estrelas. Estava linda, luão de julho 2014.
O céu, de um azul-Brasília, estupidamente belo. Como tem gente que ainda não o viu?
Ainda passei pelo trabalho, resolvi umas coisinhas corriqueiras. Na saída, avisei às minhas funcionárias que iria ao médico. Elas desejaram-me boa sorte.
Era visível a pontinha de riso em suas expressões. Sabiam do maldito periódico.
Como sou ansioso, cheguei com muita antecedência.
Entro na recepção dos Consultórios e escuto uma música bacana, daquelas que cantamos em barzinhos. Pois não é que tinha um cara solando num violão e soltando a voz na melhor MPB!
Pego a senha e aparece um número eroticamente cabalístico: 069.
Sento-me e contemplo, olhar lânguido, o banquinho e o violão.
Chega minha vez do credenciamento. Dirijo-me à atendente e ela me saúda, com um atendimento ímpar, querendo saber detalhes de minha pessoa: onde moro, o que tomo de remédios, quem me indicou. Ela queria conversa. Eu queria me esconder.
O cara tocando violão canta sussurrando, olhinhos fechados, dá quase pra tirar alguém para dançar. Só falta a meia luz e servirem um bom vinho.
Aguardo umas três horas, na porta do Consultório 3, e nada.
Já conheço o Alerrandro pela voz. Timidamente, olho de soslaio quando ele aparece novamente pra chamar outro infeliz.
O cara é bonitão. Passaria por um sufista espanhol indo ver a Copa no Brasil.
Lasquei-me novamente.
Agora toca o Rei. São muitas emoções. Pra complicar, sinto a barriga muito cheia, acho que estou com gases. Que merda!
Abro o “uotzapi” e tem um monte de gozações de meus amigos.
Lembraram-me que é o dia do Homem. Aproveito, e posto na minha página a senha e a situação.
Mais gozações. Pelo menos relaxei ao ler as brincadeiras.
No dia do homem, só um macho paraibano sairia de casa para encarar o dedão.
Angustiado com a espera, dirijo-me à sorridente atendente. Pergunto-lhe se meu nome tá na relação dos atendimentos pendentes.
Ela me fita com candura, e, falando baixinho diz: “tenha calma, o senhor é o próximo.”
Quem disse que estou nervoso? rsrs
Todos os companheiros de sina olham pra lugar nenhum. Caras de paisagem.
Não tem ninguém pra puxar assunto. Pego o jornal, o Correio Braziliense e faço uma leitura saltitante.
Paro no horóscopo e leio que me reserva, sou de Libra:
"Contatos abrirão portas que até agora estavam emperradas".
Vixe Maria, é hoje!
Nada ajuda, nem o horóscopo.
Eis que o bonitão me chama. Levanto-me com o restim de coragem que restou. No caminho, ele percebe um cliente antigo na espera. Deixa-me plantando, na soleira da porta de seu consultório, enquanto ele comenta com o cliente fiel os resultados da Copa, e o fiasco da Espanha. Sim, o cara é espanhol. Poderia ser pior, poderia ser Argentino, ou um alemão. Alemães batem um bolão.
Agora não tenho como disfarçar o vermelhão. Ali, e em pé, aguardando com um sorriso falso que as amenidades entre os dois acabem.
Chega o Alerrandro. Começa a me “interrogar”.
Respondo-lhe laconicamente. Espero o convite para os aposentos.
Ele pergunta das frequências das urinadas, se fica restinho a fazer. Aprendi as respostas corretas e falo com segurança. Não fica nada dentro.
Ele volta a carga com as perguntas: “Não fica a sensação de que ainda tem urina? Não vai ao WC umas 3 durante a noite? Não sente que a bexiga está cheia todo tempo? Não sente dificuldade em produzir o jorro? Não fica aguardando um tempão?”.
Não. Não. Não. Não. Não.
Resoluto respondo. Em 2007, descobri da pior maneira que se eu respondesse a um "Sim", um simples simzinho, eu ficaria em más lençóis. Após tantos "não", ele finalmente relaxa. Um perigo esse tipo de médico quando relaxa. Começa a puxar assunto de minha vida, o que faço, o que como, o que me estressa, coisas do tipo.
Imaginando o pior, digo-lhe que sou apenas mais um bancário latino-americano.
Nessas horas o mais é menos.
Não quero puxar assunto. Não falei do Bode com Farinha, dos livros, das aulas, dos filhos, em que trabalho.
Ele olha o exame PSA. Passa uns 10 segundos que mais pareceram uma eternidade avaliando.
E fustiga-me. O senhor aparenta estar bem. Mas, precisará fazer uma ecografia da próstata.
Pronto, lasquei-me novamente. Escapei do dedo e cai no tubo.
Ele se despede. Fala alguma coisa do time do Brasil que não prestei atenção.
Saio para marcar o exame cabisbaixo.
Se pudesse escolher preferiria o dedão.
A atendente me dá os parabéns.
Eu digo-lhe que nada.
Esse negócio deve incomodar, essa tal de eco pelas partes baixas.
Ela sorri, e diz que o doutor pediu pelo abdômen.
Que eu fique tranquilo.
Senti vontade de beijá-la. De pegar o cara do violão e sair dançar.
De abrir uma cerveja e pedir um tira-gosto.
Agora, esperemos os resultados das imagens.
Nada de cantar vitória antecipado.
Não é hora de perder a concentração. rsrs
Desde 2007, aprendi que quem faz o exame de próstata é o urologista, não é no proctologista, como o sugestivo nome indica.
E, naquele ano aprendi da pior forma, indo aos dois. Uma segunda opinião é importante nesses casos.
Ontem, tomado de súbita coragem, após uma pane na CPU de minha estação de trabalho resolvi buscar nos classificados, de Brasília-DF, nomes de Urologistas.
Achei um tal de HU - Hospital Urológico de Brasília, ligo pra lá e acho um “encaixe” pra amanhã com um tal de “Alerrandro”. Um espanhol. Simpatizei de cara. Um médico espanhol pelo menos é de fora, não comentará nada om os brazucas locais.
Hoje, tomei banho caprichado e cu-i-dadoso. Coloquei a menos furada cueca.
E parti. No caminho, a lua deitava-se no horizonte, após uma noite de chamego com as estrelas. Estava linda, luão de julho 2014.
O céu, de um azul-Brasília, estupidamente belo. Como tem gente que ainda não o viu?
Ainda passei pelo trabalho, resolvi umas coisinhas corriqueiras. Na saída, avisei às minhas funcionárias que iria ao médico. Elas desejaram-me boa sorte.
Era visível a pontinha de riso em suas expressões. Sabiam do maldito periódico.
Como sou ansioso, cheguei com muita antecedência.
Entro na recepção dos Consultórios e escuto uma música bacana, daquelas que cantamos em barzinhos. Pois não é que tinha um cara solando num violão e soltando a voz na melhor MPB!
Pego a senha e aparece um número eroticamente cabalístico: 069.
Sento-me e contemplo, olhar lânguido, o banquinho e o violão.
Chega minha vez do credenciamento. Dirijo-me à atendente e ela me saúda, com um atendimento ímpar, querendo saber detalhes de minha pessoa: onde moro, o que tomo de remédios, quem me indicou. Ela queria conversa. Eu queria me esconder.
O cara tocando violão canta sussurrando, olhinhos fechados, dá quase pra tirar alguém para dançar. Só falta a meia luz e servirem um bom vinho.
Aguardo umas três horas, na porta do Consultório 3, e nada.
Já conheço o Alerrandro pela voz. Timidamente, olho de soslaio quando ele aparece novamente pra chamar outro infeliz.
O cara é bonitão. Passaria por um sufista espanhol indo ver a Copa no Brasil.
Lasquei-me novamente.
Agora toca o Rei. São muitas emoções. Pra complicar, sinto a barriga muito cheia, acho que estou com gases. Que merda!
Abro o “uotzapi” e tem um monte de gozações de meus amigos.
Lembraram-me que é o dia do Homem. Aproveito, e posto na minha página a senha e a situação.
Mais gozações. Pelo menos relaxei ao ler as brincadeiras.
No dia do homem, só um macho paraibano sairia de casa para encarar o dedão.
Angustiado com a espera, dirijo-me à sorridente atendente. Pergunto-lhe se meu nome tá na relação dos atendimentos pendentes.
Ela me fita com candura, e, falando baixinho diz: “tenha calma, o senhor é o próximo.”
Quem disse que estou nervoso? rsrs
Todos os companheiros de sina olham pra lugar nenhum. Caras de paisagem.
Não tem ninguém pra puxar assunto. Pego o jornal, o Correio Braziliense e faço uma leitura saltitante.
Paro no horóscopo e leio que me reserva, sou de Libra:
"Contatos abrirão portas que até agora estavam emperradas".
Vixe Maria, é hoje!
Nada ajuda, nem o horóscopo.
Eis que o bonitão me chama. Levanto-me com o restim de coragem que restou. No caminho, ele percebe um cliente antigo na espera. Deixa-me plantando, na soleira da porta de seu consultório, enquanto ele comenta com o cliente fiel os resultados da Copa, e o fiasco da Espanha. Sim, o cara é espanhol. Poderia ser pior, poderia ser Argentino, ou um alemão. Alemães batem um bolão.
Agora não tenho como disfarçar o vermelhão. Ali, e em pé, aguardando com um sorriso falso que as amenidades entre os dois acabem.
Chega o Alerrandro. Começa a me “interrogar”.
Respondo-lhe laconicamente. Espero o convite para os aposentos.
Ele pergunta das frequências das urinadas, se fica restinho a fazer. Aprendi as respostas corretas e falo com segurança. Não fica nada dentro.
Ele volta a carga com as perguntas: “Não fica a sensação de que ainda tem urina? Não vai ao WC umas 3 durante a noite? Não sente que a bexiga está cheia todo tempo? Não sente dificuldade em produzir o jorro? Não fica aguardando um tempão?”.
Não. Não. Não. Não. Não.
Resoluto respondo. Em 2007, descobri da pior maneira que se eu respondesse a um "Sim", um simples simzinho, eu ficaria em más lençóis. Após tantos "não", ele finalmente relaxa. Um perigo esse tipo de médico quando relaxa. Começa a puxar assunto de minha vida, o que faço, o que como, o que me estressa, coisas do tipo.
Imaginando o pior, digo-lhe que sou apenas mais um bancário latino-americano.
Nessas horas o mais é menos.
Não quero puxar assunto. Não falei do Bode com Farinha, dos livros, das aulas, dos filhos, em que trabalho.
Ele olha o exame PSA. Passa uns 10 segundos que mais pareceram uma eternidade avaliando.
E fustiga-me. O senhor aparenta estar bem. Mas, precisará fazer uma ecografia da próstata.
Pronto, lasquei-me novamente. Escapei do dedo e cai no tubo.
Ele se despede. Fala alguma coisa do time do Brasil que não prestei atenção.
Saio para marcar o exame cabisbaixo.
Se pudesse escolher preferiria o dedão.
A atendente me dá os parabéns.
Eu digo-lhe que nada.
Esse negócio deve incomodar, essa tal de eco pelas partes baixas.
Ela sorri, e diz que o doutor pediu pelo abdômen.
Que eu fique tranquilo.
Senti vontade de beijá-la. De pegar o cara do violão e sair dançar.
De abrir uma cerveja e pedir um tira-gosto.
Agora, esperemos os resultados das imagens.
Nada de cantar vitória antecipado.
Não é hora de perder a concentração. rsrs
Limpe os lixos emocionais de teu viver.
Desde sexta passada não voltava no cantinho que tinha preparado para ver o jogo Brasil e Alemanha.
Fiz um altarzinho especial, para ver o jogo do Brasil. Tudo bem planejado, figuras da copa, alemães de cabeça pra baixo, iluminação, sinal digital, freezer perto...
Preparei as cadeiras reclináveis, a bebida, o som plugado na TV, a pipoca, amendoins, e tudo que se pode comer sem tirar os olhos da TV. A torcida Brasil seria reduzida. Eu e o filhão de 5 anos, o João Gabriel e a Cristina. Dona patroa estava presente, mas ausente, trouxe a tábua de passar roupa para o nosso estádio e languidamente “engomava” roupa. Como alguém pode passar roupa em pleno jogo do Brasil? Nem Freud entenderia.
Depois da sexta feita passada, dia da emocionante decisão de uma das semifinais da Copa do Mundo de Futebol Brasil 2014, não voltei ao local em que assisti o jogo.
Sempre volto para arrumar a bagunça, no outro dia. É que a dona patroa é muito brava com sujeira.
Faz oito dias que fechei a porta que dá acesso à área de lazer e não aqui voltei. Nem no sábado seguinte, nem no domingo.
O local ficou em ruínas por exatos oito dias.
Trata-se de um lugar da casa integrado com a área de lazer, o pomar e o canil de Balu. Meu refúgio, o refúgio do guerreiro.
Hoje, amanheci disposto a abrir aquela porta novamente e fechar esse ciclo.
Resolvi assumir a limpeza, a limpeza de mim mesmo, de tudo que me desagradara e que deixara apodrecendo num canto qualquer de minha vida.
Ou encarava, ou aquilo iria virar um atentado à saúde emocional.
Entrei no local e os sons ainda estavam ali. Ao longe, escutei: gol, é gol, mas é gol, não é possível é gol novamente...
E, o JG gritando Flamengo!
As emoções voltaram à minha mente. Aquele pesadelo de 5 gols contra o Brasil, e em 29 minutos. Revisitei a cena do luto e sofri.
O lugar estava intacto, do jeito que eu deixara.
Sujamente intacto. Uns 4 pacotes de pipocas jaziam com a boca aberta pelo chão. Latinhas de cerveja, ainda cheias, denunciavam o abrupto corte da comemoração.
Amendoins espalhados pelo chão evocavam uma saída ríspida do local.
Fiquei matutando que todos temos um tempo para encarar a bagunça de algo que aconteceu conosco.
Um tempo para arregaçar as mangas e com vassoura, detergente e pá, retirar o lixo para bem longe, limpar o local e deixa-lo pronto para outras emoções.
Com nosso coração é assim, ao vivermos estados de luto.
Um dia chega o tempo, um belo tempo, de abrir o quarto escuro, encarar os medos, revisitar as cenas doloridas e processá-las de outra forma em nossas vidas, ou seja: recomeçar.
Tem um tempo de arrumar a bagunça e começar.
As imagens daquele dia agora não mais me assombravam. Passou, vida que segue.
JG teimava em querem me ajudar. E, vez por outra, ele me perguntava se iríamos ver um outro jogo. Sim, veríamos a muitos outros jogos.
O luto pede dormências, pede silêncios, pede portas fechadas.
Pede cinco ciclos cuidadosos, para ser processado, como um bom vinho.
São eles: O ciclo da negação: ‘não é possível que isso esteja acontecendo.” É pegadinha”.
O ciclo da raiva: “bando de filhos da puta, fizeram uma nação se envergonhar perante ao mundo ao levar de 7 a 1.”
O ciclo da barganha: "Não ganhamos a copa, mas fizemos a melhor das Copas.”
O ciclo da resignação: "Chegamos tão perto...”
O ciclo da aceitação: “Temos coisas mais importantes para nos preocupar. Copa tem de quatro em quatro anos.”
Vivi em 8 dias todos esses ciclos.
Saber a hora de descer as escadas, ao porão de seu viver, e encarar as coisas sujas que te fizeram sofrer – limpando-as de tua existência, é fundamental para o bem viver.
Parar de ficar remoendo, de ficar resmungando, de ficar se vitimizando.
Parar de viver o personagem: O Sofredor.
Pronto, passou, já deu...
Aquele luto incapacitante por um ente que faleceu, pronto tá na hora de passar, na hora da limpeza.
Aquele luto amoroso por um amor desfeito, pronto tá na hora de passar, na hora da limpeza.
Aquele luto afetivo por uma ingratidão sofrida, pronto tá na hora de passar, na hora da limpeza.
Tenha coragem.
Volte ao lugar da dor, revisite-o, e cresça com a experiência de se perdoar, perdoar a quem te fez sofrer e com isso rejuvenescer sentimentos adormecidos, num entulho de tranqueiras emocionais guardados em teu coração.
Limpe-se de tantas toxinas que os lutos foram produzindo em teu ser.
Encare de frente a vida que segue, sinta-se como criança - aberta a outras possibilidades e relativizando as situações acontecidas; procurando extrair delas ensinamentos e aprenderes.
É urgente e fundamental ser feliz. E, ser feliz é decisão. Nem que seja a decisão de limpar o lixo emocional que se acumula em teu ser, vez por outra.
Agora tá tudo limpo. Até cheirando ficou. Boto um samba pra tocar. Ligo a churrasqueira. Telefono para pessoas que amo.
E sinto a vida entrando em meu ser novamente.
Limpando tudo que estava morrendo e mofando pela culpa, dor e sofrer.
Mudam-se os jogos, as estratégias..., na vida tudo é mudança.
“A Holanda começou a prorrogação com uma postura diferente,
tomando a iniciativa. O técnico Louis van Gaal trocou Van Persie por
Huntelaar, apostando em sangue novo no ataque. Eu teria feito a
mudança (dos goleiros), mas já tinha usado minhas três
substituições, então não pude", declarou Van Gaal após a partida.”
Com essa decisão – a de substituir um atacante cansado por um inteiro, queimava-se a última substituição, das três possíveis que o time da Holanda fez contra a Argentina, nas Semifinais da Copa do Mundo Brasil 2014.
Quando Persie chegou ao Banco de reservas, deu um tapinha no goleiro reserva, para consolá-lo, não seria naquele dia que ele novamente entraria em campo e poderia vir-a-ser mais uma vez o herói da partida, a exemplo da anterior contra a costa rica, na qual ele pegou dois pênaltis.
Vi a cena e fiquei pasmo. Nunca imaginei que a estratégia vencedora iria ser abandonada por outra, no mesmo contexto e cenário.
Se você estivesse numa prorrogação de uma partida de futebol, cujo empate levaria aos pênaltis, e se no jogo anterior foi justamente por ter tirado do banco e botado para pegar os pênaltis o II reserva de goleiro, queimaria sua última substituição com um atacante?
Tirando de você a possibilidade de repetir a estratégia do goleiro reserva, caso houvesse pênaltis?
O que Van Gaal fez foi desconsiderar o trunfo que tinha no banco, a arma agora não mais secreta, que tinha encantado a todos que amam o futebol.
Desconsiderou um talento, no enfrentamento de uma estratégia similar, mudando o posicionamento tático em relação ao iminente fim de jogo.
Ele quis matar logo o jogo, sem ir aos pênaltis. Mas, ao fazê-lo substituindo o seu atacante, por um mais inteiro, matou a si mesmo na outra substituição possível.
E o pior, deixou o goleiro “que não tem bom fundamentos em pegar pênaltis” em campo, num momento difícil.
Passei a admirar mais ainda o Van Gaal. Pelo menos ele decide. Gestor é quem decide. Ele decidiu por uma nova estratégia: a troca de um atacante, e seguiu sua intuição de que poderia matar o jogo fora dos pênaltis.
Arriscou-se muito, mas ser gestor é se arriscar
Em toda decisão há risco. Só não há risco na indecisão.
Na indecisão reina a mediocridade, a monotonia, a burrice. Amigas da fatalidade como o oportuno álibi do apagão, como diria nossa Comissão Técnica.
Virei fã do Van Gaal. Um gestor que um dia acerta, noutro erra, mas que faz acontecer.
Não terceiriza culpas, não adia responsabilidades, faz acontecer.
Pode ser amado, ou odiado, mas é presença.
Tenho dó dos gestores do tipo Comissão Técnica Brasileira que não mudam esquemas táticos, que não se arriscam, que não valorizam outros talentos no banco de reservas.
Gestores que se escondem atrás de processos, normas e padrões de comportamentos para não decidirem.
Omissos. Eminências pardas. Querem ficar bem com todo mundo e protegem sua imagem, mais que suas equipes e interesses de trabalho.
Pavões.
Van Gaal não é pavão.
Ele sabia que estava apostando. Poderia ter continuado na mesma estratégia do jogo com a Costa Rica, mas resolveu agir diferentemente.
Apostar em novas fichas.
Ele viu o invisível, sentiu o não sentido, tocou um lugar que só líderes ousam tocar, um lugar chamado risco, num futuro incerto.
Contra a Argentina não deu certo. O atacante entrou, e o jogo não alterou o placar.
Tudo bem. Faz parte. Quem garantiria que o goleiro reservas pegaria os pênaltis? Na incerteza do futuro, o gestor Van Gaal apostou todas as fichas no presente.
Van Gaal nos ensina que estratégias podem ser troadas, que não existe uma única fórmula, do tipo Neymar, para se ganhar uma partida.
Mostrou fibra, conhecimento das capacidades de seus integrantes e, sobretudo, inovação.
Inovação, até em não repetir a fórmula de sucesso anterior, sob condições bem parecidas, sacando da cartola uma outra possibilidade.
Van Gral é um apanhador de possibilidades nos campos do infinito.
Não ganhou o jogo, mas ensinou um monte de gente que o lugar que ele ocupa, o cargo, o papel, é um lugar de decisão. Não de omissão, ou terceirização de culpas e responsabilidades.
Não é um lugar para contemplar pernas correndo, bola e grama, apenas.
A Disciplina Van Gaal deveria ser ensinada nas pós-graduações para gestores. Nela seria ensinado a tomar decisões, a alterar trajetórias, a mudar, a valorizar os talentos, a romper paradigmas e a aprender com os erros. A sair da protegida posição de aversão ao risco e decidir. A sair da posição de concordar com tudo que o padrão Fifa oferecia e botar a boca no trombone, sem medo de se expor. Com ética, segurança e consistência profissional. Van Gaal reclamou de um monte de coisas da Fifa e sua organização.
Para um monte delas tinha razão. Os outros técnicos calaram. Falar pegaria mal.
O estilo Van Gaal é quem muda os processos, produtos e serviços e os normativos interno das Corporações.
É o de quem se abre ao novo, quem experimenta, quem não teme o ridículo.
De quem não compactua com esquemas políticos, mediocridades técnicas, status-quo quase místico, tão presentes nos gestores das organizações de trabalho.
Naqueles que fazem e tudo para manterem-se no poder e na pose do cargo.
Valeu Van Gaal, de agora em diante tu farás parte das minhas aulas.
Pensar que eu teria repetido a estratégia anterior.
Você ensinou-me a manter minha essência, a continuar a apostando no insight, intuição, a decidir, mesmo quando todos ao lado já se calaram, ou as condições não recomendarem.
Todos os dias tenho decisões Van Gaal a tomar. Daquelas em cuja três opções são possíveis.
Mudar a realidade. Adaptar-me à realidade. Abandonar a realidade.
Em todas estará presente a decisão. Só não posso fingir que não existe uma realidade que pede decisões. Mudar, adaptar-se ou abandonar são as escolhas possíveis. As outras são enganação, procrastinação e alienação.
Carta ao JG - A Copa das Copas – Brasil 2014
Querido JG, escrevo-lhe dia 09/07/2014, com um misto de alegria e pesar. Alegria por ser o aniversário de teu irmão mais velho, o Tiago. Ele faz 29 anos.
A data de seu aniversário não poderia cair em dia mais significativo, no qual uma nação inteira chora, inclusive teu pai.
O aniversário de teu irmão trouxe luz num dia de trevas, de vergonha, tristeza e decepção com nosso time de futebol. Trouxe-me um pouco de paz e felicidade. Um bálsamo pra mim.
Hoje acordei cedo para te deixar com tua irmã Priscila e ir trabalhar. Ontem você “trabalhou” comigo, picando papéis no setor, enquanto esperávamos a hora do jogo.
Mas, leva-lo novamente seria abusar dos colegas. Você não para quieto e não há mais papeis a serem fragmentados, você catou todos ontem e fez um bom trabalho, operando a fragmentadora de papel, sob supervisão dócil e atenta da Carol.
Depois, você entrava na caixa de papel picado e brincava.
No caminho seguiu triste. Os carros silenciosos. Ontem, nossa Seleção Brasileira de Futebol tomou uma goleada da Alemanha, na Copa do Mundo 2014, aqui no Brasil. O jogo valia pelas quartas de final.
Em 29 minutos, de primeiro tempo, já tínhamos levado cinco gols. Um fato inédito na história do futebol. Vexatório.
No caminho pra casa do Tio Hugo perguntei-lhe:
- Qual time você torce: flamengo ou fluminense?
Você perguntou-me em que país nasceu. Achei uma pergunta muito fora de propósito e um tanto avançada para seus agora, cinco anos e três dias.
Respondi-lhe que você nasceu no Brasil.
Então você me respondeu que torce pelo Brasil.
Aí fiz a pergunta matadora.
E por que ontem você torceu por aquele time de vermelho e preto, mas parecendo com o Flamengo?
- Por que o Brasil não estava jogando, ué! ´!
Levei uns minutos atônito com tua resposta. De todas as tuas tiradas, aquela fora a mais sincera.
No teu mundo infantil, ainda tão jovem não era o Brasil que tomava aqueles gols todos.
Era um outro time.
Nasci em 1964, e já são 64 anos que nos separam da fatídica derrota de 1950, na Copa do Mundo no Brasil, daquela vez contra o Uruguai. A derrota de ontem, pelo inusitado e vergonha da goleada, frente a um time que não reagia, que mal disfarçava a vontade de que o jogo acabasse logo, foi um trauma nacional de igual proporção, reação agora que reverberou nas mídias sociais.
Vimos bons jogos juntos na Copa. Lembra-se de EUA e Bélgica? Lembra de Argentina e Irã? As torcidas, as comunidades que hospedavam as Seleções, vimos uma energia linda tomando conta do Brasil. O humor do brasileiro mudou, virou uma fanfest. E na hora de nosso hino nacional, todo mundo cantando à capela. Que cenas marcantes.
Fizemos uma bela dupla de torcedores, mais dois que se juntou aos 200 milhões de brasileiros.
Vimos uma abertura da Copa fuleira. Sem graça. Sem o vigor de nossa dança e som. Sem arte tupiniquim. Vimos um mascote da Copa, o boneco inspirado no tatu-bola, chamado Fuleco que não vimos. Um mascote que foi vetado, que não apareceu em nada. Um esquecido num canto qualquer.
Vimos um monte de gente saindo de casa para trocar as figurinhas do álbum da Copa. Entre eles nós. Na página do Brasil, ainda falta a figurinha do Neymar. Sempre o Neymar. Colecionar figurinhas da copa virou uma febre aqui em Brasília. Chegávamos da escola e trabalho e íamos, eu, você e sua mãe, pregar no álbum as novas aquisições do dia.
Vimos um povo alegre indo aos estádios e uma corrente que jogo a jogo foi se fazendo para torcer. A Copa pegou mesmo na segunda rodada. Um povo que preparava a casa com o cuidado de que quem prepara uma celebração religiosa, tudo para que o momento de ver os jogos fosse uma verdadeira festa.
Vimos a mordida de Suarez. Um jogador que meses antes tinha operado o joelho e que seu fisioterapeuta descobriu um câncer nas vésperas de embarcar pra Copa e que ainda assim veio para ajudar ao jogador a se recuperar da operação. Ele virou noites fazendo fisioterapia, aplicando compressas, recebendo massagens e conseguiu brilhar na copa. Foi afastado por uma reação indevida à ira, à frustação. Ele perdeu o controle e mordeu o adversário. Em sua trajetória futebolística foi a terceira mordida. Como punição saiu da Copa.
Vimos nosso time perder o artilheiro Neymar, e o melhor defensor, o Thiago Sylva, vítimas de falta e cartão, respectivamente. O país entrou em êxtase pelo afastamento do Neymar. Ele teve direito a uma overdose de matérias das grandes TVs brasileiras. Só dava Neymar. Até psicóloga levaram para trabalhar a perda do Neymar junto à Seleção. Dramatizaram mais da conta. Só se falava nisso. Fiquei chateado. Achei que aquilo tiraria o foco e objetividade da partida. Que seria um emocionalismo inútil, que poderia contaminar o time todo, aumentando ainda mais a tensão da partida. Quando nosso time chegou para jogar com aquele boné (saudando o Neymar), e num falso break para a mídia, demorou a sair do ônibus cantando.
Lá dentro a Delegação Brasileira sambava “É dia de sol, mas o tempo pode fechar” (Tá Escrito. Ao ver aquelas cenas ficamos, eu e você, ainda mais desconfiados. Ninguém chega pra uma quarta de final tão relaxado. A adrenalina nos capacita à reação. A NEYMAR fixação estava demais. Todos mundo queria jogar pelo Neymar, e esqueceram de jogar por eles mesmos. Para eles mesmos. Um vexame o de ontem dia 08/07/2014, o dia que o Brasil dormiu em campo.
Vimos o técnico holandês Louis trocar o goleiro, pelo 2 goleiro reserva, minutos antes de iniciarem os pênaltis após uma prorrogação sem gols, entre em Holanda e Costa Rica. Na hora, eu esbravejei ao teu lado, lembra? Fiquei achando que ele estava humilhando o goleiro titular. Depois vi que ele estava dando uma aula de gestão ele foi ousado, inovador e conhecia a fundo as melhores características de sua equipe. Uma pintura de decisão. Passará para a história e poderá criar uma nova forma de pegar pênaltis em prorrogação.
Vimos o técnico da Bélgica, Wilmots, após mais de 20 bolas que seu time chutava e que o goleiro Tim Howard dos EUA pegava, se aproximar da área na qual o técnico americano orientava o seu grupo, o Klinsmann, e saudá-lo. Quem veria técnicos combatentes entre si, numa partida emocionante e tensa, pararem uns segundos e juntos conversarem sobre a beleza do espetáculo que estavam testemunhando? Quem veria? Nós vimos.
E vimos a forma elegante com a qual os Alemães reagiram ao nosso fiasco. Não chutaram o Brasil caído e ferido.
Essa foi uma copa especial. Foi nossa primeira Copa juntos. Você não perdia um jogo ao meu lado. Esqueceu até dos jogos de celular.
Ontem, voltando do trabalho, você ia pontuando sobre o engarrafamento. Estava louco para chegar em casa, botar sua camisa do Neymar e ver o jogo.
Sua irmã nos chamou para ver na casa dela, e o vizinho na casa de uns amigos, papai recusou. Tinha medo do trânsito louco e bêbados pós-jogo.
Ficamos sozinhos. E, você e sua mamãe. Mamãe Cristina passava roupas, um olho na tábua de passar outro na Televisão.
E, todas as vezes que ela subia para buscar uma peça de roupa, ou algo na dispensa, o placar era outro. Que coisa!!!
Gostei de ver a Copa em meu país. Foi a minha primeira. Gostei da emoção a cada jogo, do ajuntamento de amigos e família. Lembra o que fizemos na casa de Tio Guga? Papai, ao término da inesquecível e suada partida com o Chile teve perda total, apaguei no colchonete, sendo ninado por Priscila, tua irmã. Naquele dia juntamos toda nossa família, e seus irmãos em peso: Rodrigo, Priscila e Tiago.
Essa energia que nos move como Nação é que quero que nunca se esqueça.
O pano da bandeira de uma Nação também se tece com esportes, cinema, livros, teatro, música e dança.
E, cada coisa no seu lugar. Você pode ser o mais aguerrido crítico político do Brasil. Pode lutar pela saúde, educação, emprego, moradia, saneamento e ainda assim gostar de forró, de uma partida de futebol, de celebrar as mais variadas e ricas expressões da cultura popular de nosso povo. Falo-te isso pelo mimimi (gente que resmunga) que ouvi e li sobre a Copa do Mundo no Brasil.
Ela acontece em ano eleitoral, e muitas agendas ficam confusas. Muita gente se aproveitando para tirar uma casquinha.
Tenha discernimento para separar o joio do trigo.
Muitos protestaram, e no seu legítimo direito de assim o fazerem, negam-se a si mesmos como povo.
Quando acabarem as festas, as danças, os esportes, acaba junto o senso de pertencimento, de coletivo, o elo que nos une e que faz cada um se sentir irmão um do outro pelo simples fato de ver em seu carro a mesma bandeira que nos une e eu tremula.
Não seja um intelectual chato. Aliás, não seja um intelectual.
Goste das coisas simples, como ver uma partida de futebol pela TV junto aos vizinhos.
Ou comer pastel de feira livre.
Não tenho vergonha de sofrer. Eu, sofro uma noite e um dia. Amanhã já estarei bom e desejando que a Copa da Rússia chegue logo.
Quanto a você, vou doutriná-lo melhor para torcer pelo Fluminense.
Torcemos na Paraíba pelo Campinense, mas temos que ter um segundo time, de expressão nacional.
Como o hino do Fluminense é lindo, uma marcha canção, vale a pena torcer por ele.
Acho que teu tio e meu irmão, o Guga, está te botando no mau caminho do Flamengo.
Por último, não tenho nada contra os Argentinos. Lá têm uns filhos da puta, mas aqui também!
Cuidado em preconceitos. Estamos nutrindo um distanciamento com aquele país que excede o campo de futebol. O que era para ser uma pura sacanagem, entre os dois países que amam o futebol, está virando um muro de intolerâncias e agressividade, de ambas as partes, que não é legal.
Não embarque nessa. A Argentina tem um povo lindo e com excelente autoestima, coisa em falta no nosso povo que tem síndrome de vira-latas. Precisamos de mais orgulho de ser brasileiros e, isso eles nos ensinam em relação ao seu país, e talvez seja o que mais nos incomode.
Eles perdem e ainda continuam dizendo: As Ilhas Malvinas são nossa! Que cidadania santa...
Eles só não sabem jogar futebol.
Sim meu filho, foi a Copa das Copas, mesmo que nos dramas que vivemos.
A data de seu aniversário não poderia cair em dia mais significativo, no qual uma nação inteira chora, inclusive teu pai.
O aniversário de teu irmão trouxe luz num dia de trevas, de vergonha, tristeza e decepção com nosso time de futebol. Trouxe-me um pouco de paz e felicidade. Um bálsamo pra mim.
Hoje acordei cedo para te deixar com tua irmã Priscila e ir trabalhar. Ontem você “trabalhou” comigo, picando papéis no setor, enquanto esperávamos a hora do jogo.
Mas, leva-lo novamente seria abusar dos colegas. Você não para quieto e não há mais papeis a serem fragmentados, você catou todos ontem e fez um bom trabalho, operando a fragmentadora de papel, sob supervisão dócil e atenta da Carol.
Depois, você entrava na caixa de papel picado e brincava.
No caminho seguiu triste. Os carros silenciosos. Ontem, nossa Seleção Brasileira de Futebol tomou uma goleada da Alemanha, na Copa do Mundo 2014, aqui no Brasil. O jogo valia pelas quartas de final.
Em 29 minutos, de primeiro tempo, já tínhamos levado cinco gols. Um fato inédito na história do futebol. Vexatório.
No caminho pra casa do Tio Hugo perguntei-lhe:
- Qual time você torce: flamengo ou fluminense?
Você perguntou-me em que país nasceu. Achei uma pergunta muito fora de propósito e um tanto avançada para seus agora, cinco anos e três dias.
Respondi-lhe que você nasceu no Brasil.
Então você me respondeu que torce pelo Brasil.
Aí fiz a pergunta matadora.
E por que ontem você torceu por aquele time de vermelho e preto, mas parecendo com o Flamengo?
- Por que o Brasil não estava jogando, ué! ´!
Levei uns minutos atônito com tua resposta. De todas as tuas tiradas, aquela fora a mais sincera.
No teu mundo infantil, ainda tão jovem não era o Brasil que tomava aqueles gols todos.
Era um outro time.
Nasci em 1964, e já são 64 anos que nos separam da fatídica derrota de 1950, na Copa do Mundo no Brasil, daquela vez contra o Uruguai. A derrota de ontem, pelo inusitado e vergonha da goleada, frente a um time que não reagia, que mal disfarçava a vontade de que o jogo acabasse logo, foi um trauma nacional de igual proporção, reação agora que reverberou nas mídias sociais.
Vimos bons jogos juntos na Copa. Lembra-se de EUA e Bélgica? Lembra de Argentina e Irã? As torcidas, as comunidades que hospedavam as Seleções, vimos uma energia linda tomando conta do Brasil. O humor do brasileiro mudou, virou uma fanfest. E na hora de nosso hino nacional, todo mundo cantando à capela. Que cenas marcantes.
Fizemos uma bela dupla de torcedores, mais dois que se juntou aos 200 milhões de brasileiros.
Vimos uma abertura da Copa fuleira. Sem graça. Sem o vigor de nossa dança e som. Sem arte tupiniquim. Vimos um mascote da Copa, o boneco inspirado no tatu-bola, chamado Fuleco que não vimos. Um mascote que foi vetado, que não apareceu em nada. Um esquecido num canto qualquer.
Vimos um monte de gente saindo de casa para trocar as figurinhas do álbum da Copa. Entre eles nós. Na página do Brasil, ainda falta a figurinha do Neymar. Sempre o Neymar. Colecionar figurinhas da copa virou uma febre aqui em Brasília. Chegávamos da escola e trabalho e íamos, eu, você e sua mãe, pregar no álbum as novas aquisições do dia.
Vimos um povo alegre indo aos estádios e uma corrente que jogo a jogo foi se fazendo para torcer. A Copa pegou mesmo na segunda rodada. Um povo que preparava a casa com o cuidado de que quem prepara uma celebração religiosa, tudo para que o momento de ver os jogos fosse uma verdadeira festa.
Vimos a mordida de Suarez. Um jogador que meses antes tinha operado o joelho e que seu fisioterapeuta descobriu um câncer nas vésperas de embarcar pra Copa e que ainda assim veio para ajudar ao jogador a se recuperar da operação. Ele virou noites fazendo fisioterapia, aplicando compressas, recebendo massagens e conseguiu brilhar na copa. Foi afastado por uma reação indevida à ira, à frustação. Ele perdeu o controle e mordeu o adversário. Em sua trajetória futebolística foi a terceira mordida. Como punição saiu da Copa.
Vimos nosso time perder o artilheiro Neymar, e o melhor defensor, o Thiago Sylva, vítimas de falta e cartão, respectivamente. O país entrou em êxtase pelo afastamento do Neymar. Ele teve direito a uma overdose de matérias das grandes TVs brasileiras. Só dava Neymar. Até psicóloga levaram para trabalhar a perda do Neymar junto à Seleção. Dramatizaram mais da conta. Só se falava nisso. Fiquei chateado. Achei que aquilo tiraria o foco e objetividade da partida. Que seria um emocionalismo inútil, que poderia contaminar o time todo, aumentando ainda mais a tensão da partida. Quando nosso time chegou para jogar com aquele boné (saudando o Neymar), e num falso break para a mídia, demorou a sair do ônibus cantando.
Lá dentro a Delegação Brasileira sambava “É dia de sol, mas o tempo pode fechar” (Tá Escrito. Ao ver aquelas cenas ficamos, eu e você, ainda mais desconfiados. Ninguém chega pra uma quarta de final tão relaxado. A adrenalina nos capacita à reação. A NEYMAR fixação estava demais. Todos mundo queria jogar pelo Neymar, e esqueceram de jogar por eles mesmos. Para eles mesmos. Um vexame o de ontem dia 08/07/2014, o dia que o Brasil dormiu em campo.
Vimos o técnico holandês Louis trocar o goleiro, pelo 2 goleiro reserva, minutos antes de iniciarem os pênaltis após uma prorrogação sem gols, entre em Holanda e Costa Rica. Na hora, eu esbravejei ao teu lado, lembra? Fiquei achando que ele estava humilhando o goleiro titular. Depois vi que ele estava dando uma aula de gestão ele foi ousado, inovador e conhecia a fundo as melhores características de sua equipe. Uma pintura de decisão. Passará para a história e poderá criar uma nova forma de pegar pênaltis em prorrogação.
Vimos o técnico da Bélgica, Wilmots, após mais de 20 bolas que seu time chutava e que o goleiro Tim Howard dos EUA pegava, se aproximar da área na qual o técnico americano orientava o seu grupo, o Klinsmann, e saudá-lo. Quem veria técnicos combatentes entre si, numa partida emocionante e tensa, pararem uns segundos e juntos conversarem sobre a beleza do espetáculo que estavam testemunhando? Quem veria? Nós vimos.
E vimos a forma elegante com a qual os Alemães reagiram ao nosso fiasco. Não chutaram o Brasil caído e ferido.
Essa foi uma copa especial. Foi nossa primeira Copa juntos. Você não perdia um jogo ao meu lado. Esqueceu até dos jogos de celular.
Ontem, voltando do trabalho, você ia pontuando sobre o engarrafamento. Estava louco para chegar em casa, botar sua camisa do Neymar e ver o jogo.
Sua irmã nos chamou para ver na casa dela, e o vizinho na casa de uns amigos, papai recusou. Tinha medo do trânsito louco e bêbados pós-jogo.
Ficamos sozinhos. E, você e sua mamãe. Mamãe Cristina passava roupas, um olho na tábua de passar outro na Televisão.
E, todas as vezes que ela subia para buscar uma peça de roupa, ou algo na dispensa, o placar era outro. Que coisa!!!
Gostei de ver a Copa em meu país. Foi a minha primeira. Gostei da emoção a cada jogo, do ajuntamento de amigos e família. Lembra o que fizemos na casa de Tio Guga? Papai, ao término da inesquecível e suada partida com o Chile teve perda total, apaguei no colchonete, sendo ninado por Priscila, tua irmã. Naquele dia juntamos toda nossa família, e seus irmãos em peso: Rodrigo, Priscila e Tiago.
Essa energia que nos move como Nação é que quero que nunca se esqueça.
O pano da bandeira de uma Nação também se tece com esportes, cinema, livros, teatro, música e dança.
E, cada coisa no seu lugar. Você pode ser o mais aguerrido crítico político do Brasil. Pode lutar pela saúde, educação, emprego, moradia, saneamento e ainda assim gostar de forró, de uma partida de futebol, de celebrar as mais variadas e ricas expressões da cultura popular de nosso povo. Falo-te isso pelo mimimi (gente que resmunga) que ouvi e li sobre a Copa do Mundo no Brasil.
Ela acontece em ano eleitoral, e muitas agendas ficam confusas. Muita gente se aproveitando para tirar uma casquinha.
Tenha discernimento para separar o joio do trigo.
Muitos protestaram, e no seu legítimo direito de assim o fazerem, negam-se a si mesmos como povo.
Quando acabarem as festas, as danças, os esportes, acaba junto o senso de pertencimento, de coletivo, o elo que nos une e que faz cada um se sentir irmão um do outro pelo simples fato de ver em seu carro a mesma bandeira que nos une e eu tremula.
Não seja um intelectual chato. Aliás, não seja um intelectual.
Goste das coisas simples, como ver uma partida de futebol pela TV junto aos vizinhos.
Ou comer pastel de feira livre.
Não tenho vergonha de sofrer. Eu, sofro uma noite e um dia. Amanhã já estarei bom e desejando que a Copa da Rússia chegue logo.
Quanto a você, vou doutriná-lo melhor para torcer pelo Fluminense.
Torcemos na Paraíba pelo Campinense, mas temos que ter um segundo time, de expressão nacional.
Como o hino do Fluminense é lindo, uma marcha canção, vale a pena torcer por ele.
Acho que teu tio e meu irmão, o Guga, está te botando no mau caminho do Flamengo.
Por último, não tenho nada contra os Argentinos. Lá têm uns filhos da puta, mas aqui também!
Cuidado em preconceitos. Estamos nutrindo um distanciamento com aquele país que excede o campo de futebol. O que era para ser uma pura sacanagem, entre os dois países que amam o futebol, está virando um muro de intolerâncias e agressividade, de ambas as partes, que não é legal.
Não embarque nessa. A Argentina tem um povo lindo e com excelente autoestima, coisa em falta no nosso povo que tem síndrome de vira-latas. Precisamos de mais orgulho de ser brasileiros e, isso eles nos ensinam em relação ao seu país, e talvez seja o que mais nos incomode.
Eles perdem e ainda continuam dizendo: As Ilhas Malvinas são nossa! Que cidadania santa...
Eles só não sabem jogar futebol.
Sim meu filho, foi a Copa das Copas, mesmo que nos dramas que vivemos.
Sem Neymar e Thiago Silva, e agora?
Ontem o pequeno JG foi dormir triste. Na sua tenra idade, não entendia o porquê de Neymar, seu ídolo, não jogar mais essa Copa.
Achava que ele iria amanhecer bem, que só estava "dodói".
Que a mamãe dele iria cuidar dele.
Bela inocência.
Hoje pela manhã, vendo comigo aos jornais matutinos, descobriu que a Seleção Brasileira de Futebol jogará também sem seu melhor jogador da defesa, o Thiago Silva. Aí ele me perguntou:
"Pai, e agora como fica? Sem Neymar e sem o Thiago... "
Falei que ficará melhor ainda. Que as boas equipes de trabalho quando passam por problemas, ficam mais fortes ainda, e que seus integrantes juntam forças para superarem as dificuldades. Equipes de alto desempenho não possuem reservas.
Ele não entendeu. Só se acalmou, vendo minha calma.
No meu dia a dia como gestor, aprendi que ninguém é insubstituível. Pode fazer falta, mas o grupo se auto-organizará para aprender a viver sem o talento. Desde que o espaço laboral seja fecundo em formar novas lideranças, outros "Neymares e Thiagos" aparecerão para continuar a missão.
No time que gerencio tenho meu Neymar e meu Thiago Silva.
Atacante de excepcional qualidade, cuja meta dada, será meta cumprida. Tenho defensor exímio, para o qual, por maior que seja a pressão mais forte e consistente é sua reação à ela, não esmorece jamais, fica mais forte ainda com o estresse do trabalho.
Muitas das vezes já aconteceu de meu Neymar e meu Thiago Silva estarem fora do jogo, e ao mesmo tempo. Seja por férias, por cursos, transferências, ou por ausências não previstas.
O que faço?
Junto o time e conversamos sobre como poderemos suprir a ausência dos talentos.
O que acontece em seguida é mágico. O time fica muito mais forte, cada um cobre a área descoberta do outro. Se desdobra em comprometimento, inovação e produtividade.
Ao final do dia, circula uma energia mística no grupo, uma energia que só sobreviventes de grandes batalhas sentem. O grupo vibra e celebra terem se superado e oferecido os mesmos resultados, mesmo com a ausência de importantes "jogadores".
Se você que me lê é um gestor, e têm seus Neymares e Thiago Silvas na equipe, cuidado com a tentação de não formar outros. A tentação de não cuidar da sucessão, da formação de outros talentos e lideranças é grande. Um pecado mortal nas organizações de trabalho.
Nenhuma equipe de sucesso pode se basear apenas nos seus maiores potenciais, do ataque e da defesa.
Vejo gestores prendendo seus "Neymares e Thiagos" nas equipes, impedindo-os de fazerem cursos, serem transferidos, e, em alguns casos, até dificultando a liberação de suas licenças, folgas e férias.
Estão perdidos. Equipes que dependam de um profissional apenas, que não compartilham conhecimentos, que não formam outras pessoas em processos críticos e complexos, mais cedo ou mais tarde vai fracassar.
Em equipes de sucesso não há reservas no banco. Há talentos que podem dali sair, e atuarem em campo, a qualquer momento quando as condições, características e contexto do jogo exigirem.
Invista tempo e forme sua equipe de trabalho. Lembre-se de periodicamente botar alguém pra fazer dupla com seu Neymar ou Thiago.
Se ele tiver forte dose de comprometimento e atitude, e um pouco de conhecimento e habilidade, ele se desenvolverá e acabará aprendendo o estilo e processo de trabalho de seus craques.
E, caso seu Neymar ou Thiago não seja do tipo que compartilhe conhecimentos, que ensine, você estará com um problemão gerencial pra resolver.
Que seja então você que comece logo a treinar alguém para substituí-los.
Deixar processos, críticos e estratégicos de trabalho, sob condução de apenas uma "estrela" profissional é assinar uma Nota Promissória com o risco.
Grupos de trabalho excessivamente dependentes de um craque profissional são grupos de baixa performance.
Pense nisso. Embora sofra, sou um gestor feliz, pois tenho quem colocar no lugar de meu Neymar ou Thiago quando estão fora da partida.
No time que gerencio tenho meu Neymar e meu Thiago Silva.
Atacante de excepcional qualidade, cuja meta dada, será meta cumprida. Tenho defensor exímio, para o qual, por maior que seja a pressão mais forte e consistente é sua reação à ela, não esmorece jamais, fica mais forte ainda com o estresse do trabalho.
Muitas das vezes já aconteceu de meu Neymar e meu Thiago Silva estarem fora do jogo, e ao mesmo tempo. Seja por férias, por cursos, transferências, ou por ausências não previstas.
O que faço?
Junto o time e conversamos sobre como poderemos suprir a ausência dos talentos.
O que acontece em seguida é mágico. O time fica muito mais forte, cada um cobre a área descoberta do outro. Se desdobra em comprometimento, inovação e produtividade.
Ao final do dia, circula uma energia mística no grupo, uma energia que só sobreviventes de grandes batalhas sentem. O grupo vibra e celebra terem se superado e oferecido os mesmos resultados, mesmo com a ausência de importantes "jogadores".
Se você que me lê é um gestor, e têm seus Neymares e Thiago Silvas na equipe, cuidado com a tentação de não formar outros. A tentação de não cuidar da sucessão, da formação de outros talentos e lideranças é grande. Um pecado mortal nas organizações de trabalho.
Nenhuma equipe de sucesso pode se basear apenas nos seus maiores potenciais, do ataque e da defesa.
Vejo gestores prendendo seus "Neymares e Thiagos" nas equipes, impedindo-os de fazerem cursos, serem transferidos, e, em alguns casos, até dificultando a liberação de suas licenças, folgas e férias.
Estão perdidos. Equipes que dependam de um profissional apenas, que não compartilham conhecimentos, que não formam outras pessoas em processos críticos e complexos, mais cedo ou mais tarde vai fracassar.
Em equipes de sucesso não há reservas no banco. Há talentos que podem dali sair, e atuarem em campo, a qualquer momento quando as condições, características e contexto do jogo exigirem.
Invista tempo e forme sua equipe de trabalho. Lembre-se de periodicamente botar alguém pra fazer dupla com seu Neymar ou Thiago.
Se ele tiver forte dose de comprometimento e atitude, e um pouco de conhecimento e habilidade, ele se desenvolverá e acabará aprendendo o estilo e processo de trabalho de seus craques.
E, caso seu Neymar ou Thiago não seja do tipo que compartilhe conhecimentos, que ensine, você estará com um problemão gerencial pra resolver.
Que seja então você que comece logo a treinar alguém para substituí-los.
Deixar processos, críticos e estratégicos de trabalho, sob condução de apenas uma "estrela" profissional é assinar uma Nota Promissória com o risco.
Grupos de trabalho excessivamente dependentes de um craque profissional são grupos de baixa performance.
Pense nisso. Embora sofra, sou um gestor feliz, pois tenho quem colocar no lugar de meu Neymar ou Thiago quando estão fora da partida.
Olhei novamente para o JG, e disse-lhe.
Tenha calma filho, temos outros Neymares e Thiagos na seleção.
Ele não entendeu nada, mas confiou!
Ele não entendeu nada, mas confiou!
Sobre Ipês e o Choro
Um Ipê, destaca-se no luscofusco de um fim de tarde
no Setor Comercial do Jardim Botânico-DF,
e provoca-me sobre o choro.
Afinal, como disse o poetinha maior:
"Ai de quem não rasga o coração."
Chorar não pode ser associado à descontrole emocional.
Chorar não pode ser associado à descontrole emocional.
Descontrole emocional é mordida, é negar-se a ocupar sua posição de Capitão,
quando o momento pede...
Quem chora pode ser muito mais controlado emocionalmente de que quem não chora.
Controle emocional não significa não expor estados emocionais.
Significa saber lidar com os sentimentos, em momentos de estresse ou de calmaria,
usando-o a favor do grupo, e de si próprio.
E, muitas das vezes, as lágrimas estarão a favor de quem as verte,
numa expressão final - justa e ética, do controle emocional.
Deixarão mais fortes os que lavam a alma, seja de raiva,
seja de dor, seja de alegria, seja de saudade, capacitando-os a novos embates.
Chorar, sorrir, cantar, dançar, abraçar são expressões profundamente humanas,
desde as cavernas. Negá-las, seria será negar o que temos de mais belo.
Chore meu filho, mas não deixe de apresentar resultados.
Ou seja, chore com os dentes cerrados, lutando!
E o Ipê? O Ipê está dentro de ti, e tuas eventuais
E o Ipê? O Ipê está dentro de ti, e tuas eventuais
lágrimas fortificam suas raízes e fazem sua florada,
a cada nascer do sol da vida, ainda mais belas em teu ser.
E, quem não chora em profundos momentos da vida, que atire a primeira lágrima.
E eu a recolherei em meu coração, com ela irrigarei minha alma,
pois cada lágrima carrega em si a história de nós todos.
Cartas ao JG - Sua ida ao Trabalho do Papai.
Hoje você passou o dia comigo, no trabalho.
Foi sua segunda vez, na primeira tinha uns 6 meses, agora quase cinco anos.
Como cresceu rápido.
Ah, se os pais soubessem o que sei: como os bebês crescem rápido demais!
Como o hoje vira ontem num pisar de olhos, e aí lá se foram tantas possibilidades de fazer festa, mágica, celebrar e registrar os bons momentos para a eternidade. Enquanto eles ainda privilegiam a nossa companhia.
Hoje, por um acidente de percurso, sua escola deu feriado, nossa nova babá ainda não foi contratada, e todos os seus familiares estavam trabalhando. Chegando ao trabalho, após sua fase Modo Tímido passar, saiu de colega em colega, pedindo afago e roubando a atenção. São 16 mulheres e dois homens, na área. Então, tome paparico. Não ficou uma bateria de celular carregada.
Você saiu por todas as estações de trabalho pegando os celulares disponíveis e procurando jogos neles instalados. Além daquelas coisinhas que botamos pra decorar nossas estações de trabalho (baias).
Nada ficava parado. Tudo era motivo de festa e da mística do brincar. Você não é de ficar parado, puxou ao papai. Corria pelos corredores, entrava nos banheiros, inclusive femininos, ia tomar água sozinho. Por mais que eu te ameaçasse com os vigilantes.
Explorou cada corredor, com alegria e disposição, como se fosse o melhor dos parquinhos infantis. Na hora do almoço, levei-te num pé sujo que costumo frequentar. Ali, você quase me endoida, mais uma vez sem querer comer e aprontando. Levou uns cascudos. Você é muito rebelde às minhas instruções, tira-me do sério. Uso a terapia do cascudo.
Na volta, desenhou e procurou o colo da tia Raquel e da Lili. Nalis ficou chateada, você disse que gostava mais da Lili, depois elas descobriram que o celular da Lili tinha jogos. Estava explicado a preferência. Durante parte da tarde, viu filme no computador, pintou e bordou. Na volta pra casa disparou por entre aqueles imensos corredores, escondendo-se de mim pelas "baias".
O pessoal sorria e vibrava contigo. E eu, feito um tonto, corria atrás de você e gritava teu nome feito um bode rouco. Voltamos pra casa felizes. Você disse que gostou de "trabalhar" com o papai. Mas, te dei aviso prévio do cargo de trainee. Benditas babás. Voltei pra casa sorrindo na alma.
Lembrei de quando meu pai levava-me no Senai de Campina Grande-PB. Eu corria por entre as oficinas. Descobri esconderijos, passagens secretas. E todos ao me verem diziam: é o filho do Evandy. Pegava restos de madeiras nos lixões da escola de marcenaria e construía torres de castelos imaginários.
Ficava escondido perto da máquina de serrar, contemplando aquele mistério da tecnologia, o corte. Depois, algum dos funcionários do papai chegava com a missão de me levar para o escritório.
Papai era o Diretor da Unidade Móvel, e eu sentia orgulho do orgulho dele em gostar tanto do que fazia, ali no Senai. Aposentou-se com mais de 45 anos de dedicação ao trabalho e nunca lhe vi sem ânimo, desgostoso, revoltado.
Ele não só creu no trabalho, como significado e propósito, ele criou o propósito do trabalho, agradecendo todos os dias o fato de ter chegado longe demais - para um filho de humildes e pobres sertanejos. Ir ao Senai era motivo de festa para mim. Assim como foi pra ti hoje, meu filho JG. Meus pais amavam o trabalho.
Acho que o que sinto em relação ao meu trabalho aprendi por osmose com meus pais. Impregnou-se no meu DNA afetivo o respeito e comprometimento que sempre escutei deles em relação ao SENAI. Assim, sinto que amo meu trabalho muito em função do que meus pais me ensinaram com suas próprias vidas.
Eles nunca falaram de seus trabalhos como peso, dor, punição. Tinham prazer em falar do Senai, em nos levar para conhecer o Senai.
Se nesse dia você puder gravar algo em sua memória afetiva, guarde o amor. Naqueles corredores por onde correu, naquelas estações de trabalho em que se escondeu, habita pessoas que se realizam com o que fazem, que amam. Mais que um emprego, ali encontramos parte do sentido de nossas vidas. Então, JG, um dia leve seu filho para conhecer o seu trabalho... Coisas boas disso poderá advir.
Foi sua segunda vez, na primeira tinha uns 6 meses, agora quase cinco anos.
Como cresceu rápido.
Ah, se os pais soubessem o que sei: como os bebês crescem rápido demais!
Como o hoje vira ontem num pisar de olhos, e aí lá se foram tantas possibilidades de fazer festa, mágica, celebrar e registrar os bons momentos para a eternidade. Enquanto eles ainda privilegiam a nossa companhia.
Hoje, por um acidente de percurso, sua escola deu feriado, nossa nova babá ainda não foi contratada, e todos os seus familiares estavam trabalhando. Chegando ao trabalho, após sua fase Modo Tímido passar, saiu de colega em colega, pedindo afago e roubando a atenção. São 16 mulheres e dois homens, na área. Então, tome paparico. Não ficou uma bateria de celular carregada.
Você saiu por todas as estações de trabalho pegando os celulares disponíveis e procurando jogos neles instalados. Além daquelas coisinhas que botamos pra decorar nossas estações de trabalho (baias).
Nada ficava parado. Tudo era motivo de festa e da mística do brincar. Você não é de ficar parado, puxou ao papai. Corria pelos corredores, entrava nos banheiros, inclusive femininos, ia tomar água sozinho. Por mais que eu te ameaçasse com os vigilantes.
Explorou cada corredor, com alegria e disposição, como se fosse o melhor dos parquinhos infantis. Na hora do almoço, levei-te num pé sujo que costumo frequentar. Ali, você quase me endoida, mais uma vez sem querer comer e aprontando. Levou uns cascudos. Você é muito rebelde às minhas instruções, tira-me do sério. Uso a terapia do cascudo.
Na volta, desenhou e procurou o colo da tia Raquel e da Lili. Nalis ficou chateada, você disse que gostava mais da Lili, depois elas descobriram que o celular da Lili tinha jogos. Estava explicado a preferência. Durante parte da tarde, viu filme no computador, pintou e bordou. Na volta pra casa disparou por entre aqueles imensos corredores, escondendo-se de mim pelas "baias".
O pessoal sorria e vibrava contigo. E eu, feito um tonto, corria atrás de você e gritava teu nome feito um bode rouco. Voltamos pra casa felizes. Você disse que gostou de "trabalhar" com o papai. Mas, te dei aviso prévio do cargo de trainee. Benditas babás. Voltei pra casa sorrindo na alma.
Lembrei de quando meu pai levava-me no Senai de Campina Grande-PB. Eu corria por entre as oficinas. Descobri esconderijos, passagens secretas. E todos ao me verem diziam: é o filho do Evandy. Pegava restos de madeiras nos lixões da escola de marcenaria e construía torres de castelos imaginários.
Ficava escondido perto da máquina de serrar, contemplando aquele mistério da tecnologia, o corte. Depois, algum dos funcionários do papai chegava com a missão de me levar para o escritório.
Papai era o Diretor da Unidade Móvel, e eu sentia orgulho do orgulho dele em gostar tanto do que fazia, ali no Senai. Aposentou-se com mais de 45 anos de dedicação ao trabalho e nunca lhe vi sem ânimo, desgostoso, revoltado.
Ele não só creu no trabalho, como significado e propósito, ele criou o propósito do trabalho, agradecendo todos os dias o fato de ter chegado longe demais - para um filho de humildes e pobres sertanejos. Ir ao Senai era motivo de festa para mim. Assim como foi pra ti hoje, meu filho JG. Meus pais amavam o trabalho.
Acho que o que sinto em relação ao meu trabalho aprendi por osmose com meus pais. Impregnou-se no meu DNA afetivo o respeito e comprometimento que sempre escutei deles em relação ao SENAI. Assim, sinto que amo meu trabalho muito em função do que meus pais me ensinaram com suas próprias vidas.
Eles nunca falaram de seus trabalhos como peso, dor, punição. Tinham prazer em falar do Senai, em nos levar para conhecer o Senai.
Se nesse dia você puder gravar algo em sua memória afetiva, guarde o amor. Naqueles corredores por onde correu, naquelas estações de trabalho em que se escondeu, habita pessoas que se realizam com o que fazem, que amam. Mais que um emprego, ali encontramos parte do sentido de nossas vidas. Então, JG, um dia leve seu filho para conhecer o seu trabalho... Coisas boas disso poderá advir.
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